Recrutamento e seleção para presidente do Brasil

 

Por Carlos Magno Gibrail

Está chegando a hora de escolhermos o próximo presidente. É um grande momento, pois temos a chance de votarmos em alguém que venha corresponder aos nossos desejos para o país.

Numa empresa privada a área de Recursos Humanos acionaria um processo de recrutamento, levantando os potenciais candidatos. Neste ponto, é importante neutralizar ao máximo juízo de valor e preconceitos para que o recrutamento seja o mais amplo possível. Na política é mais difícil e, portanto, torna-se muito necessário este cuidado.

No caso Brasil temos os seguintes nomes:

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Ciro Gomes: Paulista, advogado. Mudou-se para Sobral, no Ceará aos 5 anos. Ingressou no PDS em 79. Foi deputado estadual, prefeito de Fortaleza, governador do Ceará. Em 84 foi para o PMDB em 89 para o PSDB. Foi Ministro da Fazenda do gov. Itamar Franco. Em 97 foi para o PPS. Ministro da Integração Nacional.

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Dilma Roussef: mineira, graduada e mestranda em economia. Ministra Chefe da Casa Civil. Estudou no Sion, integrou organizações de luta pós 64. Esteve presa de 70 a 72. Foi para o Rio Grande do Sul, participou da fundação do PDT. Lá foi Secretária Municipal da Fazenda de Porto Alegre, e Secretária Estadual de Minas e Energia. Filiou-se ao PT no período em que integrou o gov. Olívio Dutra. Está com Lula desde a campanha de 2002.

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José Serra: Paulistano, economista, governador eleito pioneiramente em primeiro turno, deputado federal, Senador, Ministro do Planejamento, Ministro da Saúde, Prefeito de São Paulo. Foi presidente da UEE e da UNE quando cursava Engenharia na Poli. Pós comício na Central do Brasil em 64, refugiou-se na Embaixada da Bolívia, 3 meses depois foi para a França onde ficou até 65. Foi para o Chile onde ficou 8 anos. Refugiou-se na Embaixada da Itália. Depois foi para os EUA voltando ao Brasil em 78 antes da anistia.

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Marina Silva: Acriana, pedagoga nasceu num seringal em casa de palafitas, queria ser freira, analfabeta até os 15 anos, historiadora, professora de ensino médio. Ingressou na política pelas mãos da igreja católica, pertenceu a movimentos sindicais, fundadora da CUT filiou-se ao PT em 86. Foi vereadora em Rio Branco, Deputada Estadual, Senadora, Secretária Nacional do Meio Ambiente e Ministra do Meio Ambiente.
Quando Vereadora devolveu benefícios a que tinha direito no cargo.
Deixou o Ministério e o PT por perceber que estava perdendo poder. Necessário para sua gestão. Será candidata pelo PV.

Baseando-se nas pesquisas de opinião atuais, podemos considerar como efetivos ao segundo turno Dilma e Serra. Supondo que conseguiremos controlar o juízo de valor, analisemos PT e PSDB.

O PSDB defende que o governo Lula teve sorte ao pegar um período global favorável e por ter herdado a economia organizada por FHC, privatizações efetivadas, inflação controlada e contas em dia.

O PT apresenta números sociais significativos com inserção ao consumo, mas pintados com a ideia do “nunca antes neste país”. Além da intensa e inédita aprovação de Lula nas pesquisas de opinião, como também das premiações de jornais internacionais e entidades mundiais.

Entretanto FHC falhou no desenvolvimento da economia e no social. E, não teve destaque internacional inerente à importância brasileira. Lula inchou a máquina do governo, com percentuais de 2 dígitos, quantitativa e qualitativamente. Hoje o funcionalismo público é mais bem pago do que o privado.

A verdade é que acertos e erros estiveram nos dois lados.

Assim como nas pessoas de Dilma e Serra vamos encontrar áreas a considerar e ponderar.

Dilma promete a continuidade da economia, propõe semana de 40 horas e mais liberdade para os Sem Terra. Serra pode mudar a política econômica, optando pela corrente heterodoxa e não liberdade do Banco Central. Entretanto, parece que ambos tem algo em comum, são mandões.

Que a diferença da boa situação econômica atual e suas perspectivas, com inflação baixa, reserva de US$ 230 bilhões, produção e emprego crescentes, comparadas com outras eleições, possa também mudar a abordagem dos candidatos. Focando nos programas e não nos ataques pessoais.

É o que os principais órgãos da imprensa e os jornalistas de expressão começam a exigir dos candidatos. Como cabe a eles grande responsabilidade sobre o direcionamento dos debates, esperamos que melhorem este aspecto. Dos eleitores, a expectativa é que possam discernir melhor, controlando preconceitos e juízo de valor. E, argüir a respeito de tópicos que cada eleitor considere importante, tais como voto obrigatório, financiamento das eleições, educação, saúde, segurança, aposentadoria, saneamento básico, impostos, etc.

Por que não adotar um candidato a presidente e depois o próprio? Já tivemos vereadores revoltados com a adoção. Antes da eleição é o melhor momento para consolidar esta disposição. Vamos à luta?

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas no Blog do Mílton Jung

Quem diria, Andy Warhol acabou na internet !

 

Ele é do tempo da TV colorida

Ele é do tempo da TV colorida

Por Carlos Magno Gibrail

Armando Italo Nardi, Claudio Vieira e Alberto Beh Ribeiro, ouvintes-internautas CBN, e tantos outros mais que tem prestigiado o Blog do Mílton Jung, já podem se considerar exemplos que contestam a assertiva de Andy Warhol.

O artista americano, criador das bases da POP ART, célebre pelo trabalho com os símbolos do consumo como latas de sopa Campbell’s, garrafas de Coca Cola, fotos de Marilyn Monroe, prognosticou os 15 minutos de fama que todos teriam direito. Não mais que isso num mundo fugaz que se projetava.
Nardi, Vieira e Beto estão construindo gradativamente uma imagem através da internet, consistente e duradoura, num ritmo eletrônico. Como comentaristas de artigos publicados ou como protagonistas de blogs e ações políticas e sociais. Fato que se pode constatar de imediato clicando seus nomes nos sites de busca.

Tila Tequila, é uma celebridade estadunidense da Internet e da televisão. É modelo, atriz, cantora e compositora de ascendência vietnamita. Ela é conhecida por sua posição como a artista mais popular no MySpace (de acordo com “page views”) desde Abril de 2006 sendo atribuído títulos de “Miss Myspace” e “Queen of Myspace””.Wikipedia.

Tila explodiu como Andy Warhol previu na sua teoria dos 15 minutos de fama, mas não sumiu. Ficará para sempre na memória de fãs e de todo o mundo que clicar nos sites de busca. Capa de revista e notícias de jornais, mídias que na época da internet ficam registradas nos arquivos eletrônicos.

Raquel Pacheco, assinando como “Bruna Surfistinha”, ganhou notoriedade ao contar suas ações sexuais em um blog. Foi reportagem no New York Times e lançou o livro “O doce veneno do escorpião”. Teve o lampejo de celebridade mas sua história jamais morrerá para quem quiser conhecê-la. Está na internet.

Katilce Miranda, de Volta Redonda, cumpriu Wharol e foi beijada e beijou de verdade Bono Vox durante o show do U2 no Morumbi em São Paulo. O Orkut chegou a um pico de 900 acessos por minuto. Ela sumiu? Nem tanto, acesse o Google e veja que seu nome tem mais de 7000 ocorrências. E. é claro, fotos e fotos do beijo.

Marimoon apresenta o Scrap MTV desde 2008 e em seu site ela mesma se pergunta como chegou à TV: “é tudo culpa da internet! Primeiro, eu fiz parte do Vidalog (um programa tipo blog na TV), em 2006; fui capa da Capricho no mesmo ano. No ano seguinte, fiz campanha pra uma marca de calçados de plástico e, no fim de 2007, me chamaram pra fazer teste de VJ pra comandar o Scrap MTV, em 2008”.

A nutricionista Ruth Lemos bem que gostaria que sua fama gerada pelo “ponto eletrônico” gago fosse apenas de 15 minutos, ou que pelo menos não estivesse na internet.

Em Seoul, uma estudante não limpou a sujeira de seu cão no metrô, e irritada provocou a ira dos passageiros, que fotografaram e inseriram a cena na internet. O assunto correu por toda a Coréia e a “Dog Poop Girl” teve que sair da Universidade e seus minutos de fama ficaram eternizados por reportagens em todo o mundo.

Domingo, Carlos Eduardo da Silva, ombudsman da Folha de São Paulo dá o veredictum final, abrindo a sua coluna com o título: “Quem cai na rede nunca mais sai”. Uma leitora há nove anos, então com 18 anos, deu uma declaração ao ser entrevistada com outros participantes de um precursor dos reality shows. Hoje, nega a veracidade das suas palavras e informa que está sendo prejudicada. Ao clicar no Google o seu nome, aparece em segundo lugar a tal matéria. A solicitação da leitora é para que a reportagem seja retirada, ao que o jornal respondeu :“A Folha não pode retirar de seu arquivo eletrônico reportagens que foram publicadas na edição impressa”.

Eis aí uma questão a ser resolvida.

Enquanto isso vamos usufruir as possibilidades que a democracia da internet disponibilizam. Conhecimento e elegância podem traçar um perfil positivo de cada internauta, transformando-o em personalidade perene.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, escreve às quartas no Blog do Mílton Jung e tem 62.500 citações no Google.

São Paulo sofre a Síndrome de Estocolmo

 

Por Carlos Magno Gibrail

Capa Folha SP

De “Uma terra mui sadia, fresca e de boas águas”, segundo os jesuítas, ao lema ufanista “São Paulo não pode parar”, da locomotiva que despontava antevendo a formação de uma das maiores metrópoles do mundo na década de 50, à atual acomodação da cidade, é um processo desconcertante e incoerente. Com a história e seus protagonistas.

O paulistano gasta 41 dias por ano dentro do engarrafamento de trânsito. É o resultado da pesquisa do IBOPE feita para o Movimento Nossa São Paulo. São 2h43min diários dentro de algum veículo.

Até aí nada de novo. A questão é que o homem que vive hoje em São Paulo, é mais acomodado com a situação caótica urbana do que os de Belo Horizonte, Rio e Porto Alegre. Pesquisa realizada pela fundação Dom Cabral do Núcleo de Estudo em Infra-estrutura e logística, constata que 61% dos paulistanos estão acomodados e conformados com a atual situação dos congestionamentos na cidade.

As soluções pouco lhe interessam. Um em cada dez usa transporte coletivo, cinco para um que dá carona, a quase totalidade abomina ferozmente a possibilidade do pedágio urbano e cinco para três que estão ficando em casa por causa dos congestionamentos.

É a síndrome de Estocolmo adaptada ao trânsito. O raptado passa para o lado do raptor. Pelo menos no sentido do encarceramento, do cerceamento da liberdade.

Dentro dos carros 30% escutam notícias, 27% ouvem músicas, 16% estudam, 11% trabalham e 10% olham o trânsito. Alguns até se formam.

Desconfio até que foi daí que a Marta Suplicy deve ter cunhado a famosa observação que aconselhou a “relaxar e gozar”. Se for para sublimar, que pelo menos haja satisfação sexual, mesmo que virtual.

E foi o que alguns dos pesquisados informaram, além do prazer estranho, mas explicável do isolamento social. O que para alguns psicólogos indica ruptura no tecido social.

A jornalista Samantha Lima na Folha de domingo, analisando a Pesquisa ressalta uma das falas de Paulo Resende, um dos autores: “Ouvi pessoas que se diziam satisfeitas ao constatarem que tinham no carro um tempo livre para fazerem outras coisas, enquanto estavam retidas. Elas não percebem”.
Civilidade falta de cidadania, alienação política, ignorância, miopia, egoísmo?

Essa situação só não é mais preocupante quanto ainda tivermos a natureza enviando 45 dias ininterruptos de chuva. Fato que de alguma maneira poderá contribuir, embora tardiamente, para estimular a reação dos cidadãos paulistanos contemporâneos. Tal qual a situação que a revista Veja bem lembrou, que alguns historiadores sustentam que não fosse um rigoroso inverno na França de 1789 e Maria Antonieta não teria sido decapitada.

A guilhotina contemporânea é o direito adquirido através dela inclusive. É o voto. Sem a síndrome de Estocolmo.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e pelo que escreve às quartas no Blog do Mílton Jung não está nada acomodado

Código de defesa do eleitor, por que não?

 

Por Carlos Magno Gibrail

adoteO código de defesa do consumidor é uma realidade. Foi inegavelmente um avanço na relação consumidor-fornecedor. Ainda prevalece a força do poder capitalista, entretanto estamos em situação melhor do que há 20 anos.
E o consumidor como eleitor? Se os serviços e produtos oferecidos aos consumidores tiveram melhorias em muitos casos devidos ao Código, não podemos dizer o mesmo dos serviços prestados pelos políticos que receberam votos dos eleitores.

São Paulo hoje é um exemplo e tanto. Cidade que foi desrespeitada pelos políticos em sua natureza sob todos os aspectos, a começar pelo que se fez contra o sistema fluvial. Aviltado e brutalizado e até mesmo assassinado pelos dirigentes e legisladores, que implacavelmente os agrediram. O Tamanduateí era tão piscoso que fornecia a base de alimentação à população. O viaduto do Chá era berço de um bucólico riacho, hoje rebelde, se manifesta a cada chuva mais intensa. Tietê e Pinheiros, nem é preciso citar. Quem vive em São Paulo sabe o tanto que se fez de errado e se continua errando. A ponto de Maluf, o que matou o Tamanduateí e criou o Minhocão, defender o assassinato do rio Tietê. É coisa de arrepiar. Profissional.

Antes que estes elementos naturais, rios, riachos, lagos, lagoas, montes, montanhas, serras, cerrados, mangues e pântanos completem a sua vingança, exterminando seres humanos que embora humanos certamente não fossem responsáveis pelos abusos, é melhor que se estabeleça o Código do Eleitor.

Um bom primeiro passo seria a transparência do financiamento, tornando claro o doador e o candidato.

O Senador Eduardo Suplicy pensou nisso. Sua emenda ao projeto de lei da reforma eleitoral propunha como direito dos eleitores acesso a uma lista com os doadores de cada candidato nos dias 6 e 30 de setembro do ano eleitoral. Ao mesmo tempo em que obrigava os partidos a declararem as doações antes das eleições realizadas no mês de outubro.
No dia 15 a emenda foi derrubada por 39 senadores, favoráveis a ocultação. 23 foram favoráveis à transparência nas doações. 

Na sequência deste artigo, a lista de nomes e e-mails dos senadores e como eles votaram sobre as doações ocultas para suas campanhas (é só clicar no ‘leia mais’, no fim do texto), para que se possa concluir que há muita semelhança e pouca esperança nas direções partidárias. PT, PSDB, DEM, expõem a mesma opinião a respeito de camuflagem eleitoral. Isto é, são a favor do secreto, que convenhamos começa a se tornar um dos estilos do Legislativo.

Entretanto o TSE Tribunal Superior Eleitoral não assimilou a decisão do Senado. O ministro Arnaldo Versiani elaborou uma resolução que reprimirá as doações sem identificação dos doadores e os candidatos beneficiados. Aprovada pelo plenário do TSE o texto será submetido a audiências públicas.

Ontem e amanhã, o TSE realizou e realizará as audiências públicas para discutir as regras para o pleito de outubro. Uma das propostas a entrar no debate objetiva acabar com a chamada doação oculta, quando não é identificado o candidato que recebeu o capital.

Rodrigo Maia, filho de César, presidente do DEM defende a camuflagem peculiarmente “Além de perfeitamente legais, as doações constam da prestação de contas das agremiações. Isso quer dizer que não há nada de secreto, oculto ou escondido aqui”

Sofisma à parte esclarece definitivamente “A base da confiança é a verdade”, que escolheu como título de seu artigo estampado na Folha de sábado. Em resposta à mesma questão também dirigida a Claudio Weber Abramo, filho de Abramo, diretor executivo da Transparência Brasil: “Nas democracias representativas de matriz liberal, como é o caso do Brasil, os mecanismos de financiamento eleitoral operam sob a tensão da disparidade entre o poder econômico de empresas privadas e o de eleitores individuais… A lacuna foi finalmente reconhecida pelo TSE, que submeterá à audiência pública proposta de normas para a regulamentação do pleito deste ano… A medida claramente beneficia o eleitor”

O tesoureiro do PT, Paulo Ferreira, é da linha de Maia: “Os partidos dependem disso. A doação por internet, aprovada na reforma eleitoral, deve mudar o cenário, mas ainda somos dependentes do setor privado.”


Francisco Dornelles, senador PP: “Quem paga os custos com a produção do programa eleitoral gratuito e os problemas jurídicos? Somos nós. É lógico que, no repasse, o candidato a governador fique com mais verba que o candidato a deputado estadual. Faz parte da estratégia. Isso é coisa de quem não entende de campanha. Se você proibir que os candidatos recebam doação, 95% deles não vão disputar.” 



Carlos Velloso, ex-presidente do TSE e do STF, contrapõe: “Sem dúvida, o TSE não é legislador. O tribunal tem a faculdade de expedir resoluções com base na legislação. Mas isso não é copiar a lei ipsis litteris, senão, não precisaria da resolução. Ela visa à regular, fazendo com que a regra tenha a justa aplicação, que são as eleições limpas e legítimas. E isso não é somente ler a lei.”

Advogado especialista em direito eleitoral, Antonio Augusto Mayer dos Santos, que escreve às segundas aqui no Blog do Mílton Jung, contradiz: “O TSE penso, não pode restringir estas doações indiretas, pois a matéria é legislada. Portanto, Resolução não se sobrepõe a texto do Congresso Nacional. Contudo, como aqui é o país onde tudo vale, lá pelas tantas a Corte estabelece uma redação dúbia ou confusa, como é de seu feitio, e restringe. Esta matéria é da esfera interna dos partidos, eis que estes é que estabelecem as regras internas para os eventuais repasses. O tema exige aperfeiçoamentos. As audiências do TSE serão entre 2 e 4 deste mês, para inglês ver!”.

Pode ser que o STF tenha que decidir. Para os eleitores fica decidido. Há a inequívoca certeza de que a intenção do CEOs e Presidentes das modernas e contemporâneas corporações privadas, tão pressionados por resultados, ao destacar recursos financeiros a partidos e candidatos, o mínimo que esperam é uma taxa de retorno condizente com o mercado de capitais.

Se as santas entidades espirituais cobram esmolas, dízimos e contribuições, por que as agnósticas entidades de negócios não cobrariam retorno às suas contribuições?

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, escreve às quartas no Blog do Mílton Jung e só gostaria de saber por que os partidos tem tanto medo de falar a verdade ao eleitor

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São Paulo, ouça Cláudio Abramo

 

Por Carlos Magno Gibrail

Trânsito parado na no Cebolão SP (Foto Pétria Chaves)

“Um grande jornal se conhece nos grandes momentos” foi a frase lembrada domingo por Clóvis Rossi, dita por Cláudio Abramo expoente do jornalismo do “Estado de São Paulo” e da “Folha de São Paulo”. É assim em todas as organizações. Mas, para isso é preciso entender que se está diante de um grande momento, que exige ampla colaboração. Técnica, Social, Econômica, da Comunicação, dos Habitantes e Política.

E, é agora que se necessita cobrar de cada uma dessas áreas o que não foi feito, o que foi mal feito e o que terá que ser feito.

A Técnica deixa muito a desejar enquanto soluções de ampliação das marginais são propostas e executadas. Estão colocando 2bilhões de reais. E, esqueceram da demanda reprimida. O ideal será considerar um movimento de reconstrução, como se faz após catástrofes, com equipes técnicas especializadas em emergências, com grupos de especialistas. Um órgão de SOS imediato.

A Social é uma das mais graves, pois permite a favelização em áreas de risco e/ou de mananciais.

A Econômica é não colocar capital em obras como o Túnel da Marta ou as pistas da Marginal.

A Comunicação governamental com publicidade das Administrações Públicas precisa ser reduzida ou eliminada. A Comunicação por parte da mídia é pouco contundente tendo em vista a situação do caos que vivemos. É bem verdade que a continuidade de fatos graves pode banalizá-los. É hora da mídia se apoiar em conhecimentos técnicos para poder arguir os políticos. Além disso, nos espaços abertos para as campanhas, os jornalistas precisariam evitar que se descambe por aspectos pessoais. É necessário ter mais informação para fazer perguntas técnicas.

Os Habitantes moradores precisam cuidar muito mais do seu espaço. As calçadas de SP estão ficando impermeáveis, os lixos não tem o cuidado necessário, os bueiros recebem todo o tipo de dejetos. Os moradores organizados, Movimento Defenda São Paulo, Movimento Nossa São Paulo, tem realizado ações efetivas e eficientes, mas agora é hora de dar um grito de alerta. Os habitantes empresários, por exemplo, fábricas poluentes e construtoras dispostas a vender a alma ao demônio e, às vezes não entregar, precisam ser controlados. Os empresários de prestação de serviços, poderiam seguir o exemplo de Ricardo Semler, com horários alternativos e escritórios descentralizados, uma estratégia que pode aumentar a produtividade. À classe média em particular uma frase de Gilberto Dimenstein, em entrevista à Folha de São Paulo sobre o pedágio urbano: “Eu colocaria amanhã. Limita os carros na rua e arruma dinheiro para o transporte público. Cedo ou tarde será preciso brigar com a classe média” .

A Política é a mais difícil, embora com processo idêntico, ou seja, o interesse individual e eleitoreiro muitas vezes predomina. Entretanto, agora é preciso deixar de agir burocraticamente e administrar vaidades e soberba. Clóvis Rossi opina: “Nesses grandes momentos, tristes, mas grandes, não é exatamente o comportamento que se espera de quem se supõe que vai disputar uma eleição presidencial esgrimindo o bordão de gerente – e competente”.

Será que todos em São Paulo não percebem que emergência não é apenas para bombardeios, terremotos, furacões? Cidade alagada é também uma catástrofe. SOCORRO!

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas no Blog do Mílton Jung.

Aquecimento global, verdade ou mito?

 


Por Carlos Magno Gibrail

http://www.flickr.com/photos/fdecomite/

Verdade é que da preocupação de Peter Gwynne da “Nesweek” em 1975 (“The Cooling World”) para a proposição de Copenhagen 2009, passamos da ameaça da Era do Gelo para a catástrofe do derretimento global.

Passamos também da preocupação com os estercos eqüinos, quando a cidade de New York era tomada pelos dejetos, para o dióxido de carbono dos automóveis.

Agora, voltamos à atenção para a carne bovina, não só pelo esterco, mas pelos gases. O desmatamento é tanto mais grave quanto abre espaço para o gado, cuja poluição é mais danosa do que o dióxido de carbono dos carros. Em 50% para o efeito estufa. A ponto de cientistas estarem buscando nos cangurus a bactéria específica para transplantá-la nos bovinos. Os cangurus não poluem, mas certamente não dariam conta de substituir os ruminantes, ainda que os aficionados do churrasco estivessem dispostos a aceitar a troca. E, desconfiamos que não estarão.

A verdade é que não há mito, a maioria dos cientistas acredita que as mudanças no planeta acarretam transformações no clima. Entretanto “Uma verdade inconveniente” do Nobel, Al Gore, não é uma unanimidade completa.

A americana Intellectual Ventures, sediada em Seattle, uma empresa de invenções, detentora de mais de 20.000 patentes, incluindo através de produção própria ou por compra, 500 novas por ano, pode nos dar algumas pistas. Nathan Myhrvold, 50, de Seattle, que aos 23 anos já tinha mestrado em Geofísica, Física Espacial e Economia Matemática, além de PhD em Física Matemática, e foi para Cambridge fazer pesquisa em Cosmologia Química com Stephen Hawking, a criou em 2.000, junto com o com o seu colega de trabalho Edward Jung. O biofísico, “com sobrenome emblemático”, foi o principal arquiteto de software da Microsoft. Bill Gates considerava Myhrvold, seu diretor de tecnologia, uma sumidade: “Não conheço ninguém mais inteligente que Nathan”.

A Intellectual Ventures participou de projetos de satélites à lua, ataques de mísseis, Star Wars, da malária no abatimento de mosquitos a laser, do mapeamento do cérebro e a reprodução em tamanho natural do aneurisma a ser retirado e enviado ao neurocirurgião para facilitar a operação, e atualmente reúne também especialistas em climatologia.

Colaboram também da Intellectual Ventures, Lowell Wood, 60, astrofísico, e professor de Nathan que o considera “Um dos homens mais inteligentes do universo”; Ken Caldeira, 53, climatologista do Intergovernmental Panel on Climate Change, que em 2007 dividiu o Nobel com Al Gore pelo alerta do aquecimento global.

O economista Steven Levitt e o jornalista Stephen Dubner, contam em seu Super Freakonomics que visitaram Nathan no papel de “Harry Potter” e sua turma de cientistas na Intellectual Ventures. Foram brindados com uma seção de “brainstorm” regada a soda, com uma dúzia de gênios, que durou mais de 10 horas. E em que todos concordaram no aquecimento da terra com a suspeição que a ação do homem contribui para isto. Ao mesmo tempo opinam que Al Gore “tecnicamente não está mentindo”, mas que há alguns pontos como a submersão da Flórida que não tem base física.

O astrofísico Lowell Wood registra a limitação dos modelos climáticos existentes, ao que Nathan explica que as grades computadorizadas são pequenas e restringem a área a ser pesquisada. Isto devido aos poucos recursos dos sistemas operacionais. E todas as alterações que deveriam ser monitoradas, como os vulcões do planeta, não o são.

Myhrvold, desde criança, fascinado por fenômenos geofísicos lembrou que na década de 80 no Estado de Washington o Mount St. Helens entrou em erupção e fez com que nunca esquecesse a camada de cinza acumulada na sua janela e a relação entre vulcões e clima.

Em 1991, nas Filipinas, a lava e a fumaça ejetadas pelo Monte Pinatubo matou 250 pessoas. Seu efeito global, no entanto, foi muito positivo. A erupção vulcânica lançou na atmosfera mais de 20 milhões de toneladas de dióxido de enxofre, um gás leve e opaco. O SO2 do Pinatubo subiu até a estratosfera e, em questão de meses, espalhou-se em uma camada, recobrindo todo o planeta. Essa camada funcionou como um filtro que diminuiu a incidência da radiação solar sobre a superfície da Terra. Como resultado disso, a temperatura média do planeta caiu 0,5 graus.

Nathan Myhrvold propõe a montagem de um gigantesco chuveiro capaz de aspergir um volume de SO2 na estratosfera equivalente ao produzido pelas erupções vulcânicas. A simplicidade, uma das premissas básicas dos cientistas da Intellectual Ventures, remete ao princípio já conhecido de eliminar o problema com o elemento que o acarretou. O veneno com o próprio veneno. A bactéria invasora com a própria bactéria. A ciência é a quantidade a ser usada para o combate.

Como início, o plano “Salve o Ártico” que pode ser executado em dois anos , ao custo de 30 milhões de dólares. Se o resfriamento dos pólos for insuficiente viria o “Salve o Planeta”, ampliado e lançando três a cinco vezes mais dióxido de enxofre. Que mesmo assim não chegaria a 1% das atuais emissões mundiais de enxofre. Em três anos há possibilidade de começá-lo, com custo inicial de 150 milhões de dólares e custo anual operacional de 100 milhões de dólares.

Comparando estes 250 milhões de dólares às estimativas do relatório sobre os efeitos climáticos do economista britânico Nicholas Stern com seus 1,2 trilhão anual previstos, fica evidenciada a ironia positiva dos autores de Super Freakonomics a respeito da irreverente turma de Seattle: “Precisa-se de boa dose de arrogância conjunta para que um pequeno grupo de cientistas e engenheiros se considere capaz de lidar simultaneamente com os mais difíceis problemas do mundo”.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e às quartas-feiras escreve no Blog do Mílton Jung

Varejo brasileiro, pré-visões e pré-munições para 2010

 

Por Carlos Magno Gibrail

Ilustração do publicitário e ilustrador Randy Mora

A importância do varejo nacional não está na atual participação do PIB. Com aproximadamente 16% não chega perto de outros países equivalentes. Todos apresentam dados acima de 25% do PIB, desde a Alemanha com 25% até o Reino Unido com 32%.

A relevância aparece se considerarmos a recente evolução desta participação. A partir de 2004, diferentemente do que ocorria antes, o setor de varejo tem tido um comportamento acima do desempenho do PIB brasileiro, sendo responsável por melhorar o resultado geral da economia. Através do aumento do consumo interno das famílias, impulsionado pela melhoria da renda, do emprego, pela expansão do crédito e o forte crescimento do Índice de Confiança do Consumidor, o varejo teve um crescimento expressivo a cada ano. No período de 2006 a 2008 a expansão média ficou em torno de 8% em termos reais ao ano, o que a colocou dentre as maiores no mundo.

E mesmo no período mais recente seu comportamento tem sido diferenciado. No primeiro quadrimestre de 2009 o varejo cresceu 2,5%, pelos dados do IBGE, sendo um dos poucos países no mundo, ao lado de Austrália, Índia e China, com resultado positivo. É relevante porque os Estados Unidos com 28% de participação no PIB, decresceu 9,1% e na Zona do Euro houve queda de 1,2%.

A formalização do varejo nacional certamente contribuiu para o aumento dos empregos apresentando o melhor desempenho do mercado. Ao lado deste crescimento observa-se uma transformação na organização estrutural no setor que tende a continuar.

E, desta vez, também pelos ventos de fora. Em New York, na convenção anual da NRF National Retail Federation, que começou domingo, as palavras de ordem são de otimismo e sustentabilidade para o varejo 2010.

É por isso que as estimativas tornam-se significativas para este setor que cresce em importância dentro da economia nacional. Vejamos algumas pela ótica de profissionais dos vários setores da área de varejo:

“Em um cenário altamente favorável para a economia brasileira, estamos prevendo um crescimento em nossas vendas na ordem de 30 %, parte pelas profundas mudanças que estamos empreendendo no negócio e parte  ( cerca de 10 % ) pelo cenário altamente favorável do Brasil no mundo, e mesmo pelo razoável otimismo do consumidor brasileiro verificado em pesquisas recentes” – Marcelo Abrão da YACHTSMAN.

“Tenho observado que as lojas no Brasil estão ficando com mais identidade, e penso que neste ano muitas empresas estão se programando para necessidade vital das marcas, lembrando que é uma necessidade do mercado. Ahhh eu não sou muito amigo desta palavra tendência. Depois de décadas da abertura da importação de produtos, o nosso mercado está mais atento aos concorrentes internacionais, com isso mais competitivo, ai a necessidade de mudança. Acredito que o Collor conseguiu fazer este bom projeto… risos internacionais. Com esta abertura e mais a globalização e a necessidade de ser único neste mercado tão competitivo, acontece à conscientização e mais profissionalismo. Eu acredito que de 2010 pra frente nosso pais vai ficar mais atento nessa área, estamos sendo observados pelo mundo. Para este ano e muitos próximos, eu a Marton+Marton estamos focando a sustentabilidade na criação de projetos de varejo. Com esta atitude conseguimos fazer projetos mais inteligentes e com flexibilidade de reformas, além de economizar com energia durante o ano”. J.Marton MARTON E MARTON ARQUITETURA.

“Como o varejo está a cada dia que passa se comoditizando mais, uma vez que oferecer em todas as lojas as mesmas coisas é muito mais cômodo para o varejista, os vencedores nos próximos anos serão aqueles capazes de conseguir algum tipo de diferenciação. Nós estamos ainda no processo de diferenciar lojas. Com o acirramento da concorrência teremos que diferenciar cada dia mais o sortimento. Poucos varejistas perceberam que estamos abertos para o mundo e o sortimento pode ser feito utilizando-se o que de melhor existe no exterior, além dos bons fornecedores locais. Acho que essas ações serão complementadas pela diferenciação através da segmentação por estilo de vida. Apesar de esse conceito ter aparecido no início dos anos 80, só nos últimos anos começou-se a falar dele no Brasil e ele vai dar muito que falar… O varejista de qualquer ramo de atividade que não prestar atenção nesse modelo de segmentação estará perdendo oportunidades extraordinárias de atrair e manter clientes. Estou em New York assistindo a NRF. Existem mais de 900 brasileiros inscritos. Hoje foi o primeiro dia de palestras. Ainda os americanos e europeus estão sob o impacto da recessão e da crise. Pela primeira vez, em 11 anos, ouvi falar que o Brasil é um país que deverá atrair investimentos estrangeiros no varejo”. Nelson Barrizzelli AGC INTERNATIONAL.

 “Acho que haverá um aumento expressivo do consumo consciente, com consumidores cada vez mais valorizando o custo beneficio dos produtos. A consequente adaptação das marcas já consolidadas a estes novos consumidores devera acontecer no conjunto marca / qualidade e preço. As marcas que não o fizerem, verão seus concorrentes fazer….” Nelson Dalcanale BARBARA STRAUSS.

“Os índices de varejo do natal de 2009 apontaram um crescimento de 11% das vendas de varejo nos shoppings. 
Nossa perspectiva de crescimento em vendas para 2010 é bastante positiva. Os empreendimentos que administramos apresentaram uma valorização de metro quadrado que animou os empreendedores a investir em revitalizações e novos projetos. 
Os consumidores estão confiantes, com acesso a credito o que facilita o investimento principalmente a novos lançamentos de tecnologia.
O efeito Copa do Mundo, também reflete positivamente no varejo, impulsionando o consumo”. Marcia Saad BROOKFIELD.

Para a minha previsão começo por endossar todas acima e acrescentar que a tão esperada explosão da internet possa ocorrer neste ano. Quanto ao atendimento acredito que será a munição extra para a diferenciação, onde se acentuará de vez o customizado e o auto-serviço. De outro lado o varejo que vende produtos iguais deve começar a usar a poderosa munição do atendimento diferenciado, com entrega, instalação e manutenção especializada e automática.

Através do Prof. Barrizzelli temos a identificação do primeiro indício de mudança, pois 900 patrícios na NRF onde a delegação brasileira já era a maior com 150 participantes, aliada ao fator inédito e positivo da imagem brasileira, sugere as melhores expectativas para o varejo de nosso país. Quem sabe estejamos nos aproximando do sonho do consumidor ser realmente o rei deste mercado?

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escrveve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras, sem medo de pré-ver.

De retrospectivas a perspectivas

 

Por Carlos Magno Gibrail

Retrospectiva 2009

Os últimos dias do ano são os de menor audiência nos meios de comunicação.

É por que não há interesse das pessoas? Ou por que os assuntos apresentados não são desejados?
Efeito Tostines reverso (vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?), porém decifrável, pois manter hábitos e sistemas do passado, como repetir programas e fazer retrospectivas de notícias, é no mínimo desconsiderar o presente. E, não testar o futuro.

Segundo a BBC o diário inglês “Financial Time” constituiu um painel de jornalistas para efetivar previsões sobre o ano novo, 2010. Ao invés de gastar espaço com noticias e fatos passados, que estão á mão de leitores, ouvintes e telespectadores através da contemporânea internet.

Cada um respondendo pela sua respectiva área fez a previsão – política, econômica, esportiva, etc. Nada mau um dia de economista para jornalistas.

Os jornalistas britânicos do “Financial Time” previram, do campeão da Copa do Mundo de futebol até o próximo presidente do Brasil.

E, por que não seguir o raciocínio Freakonomics (o economista Steven Levitt e o jornalista Stephen Dubner, descobriram que nos Estados Unidos as piscinas matam mais crianças do que os revólveres, a legalização do aborto diminuiu a criminalização em New York, porque os homens-bomba devem fazer seguro de vida, ou porque o preço do sexo oral caiu tanto nos últimos anos), e indagar se os veículos de comunicação não estão deixando de atender uma demanda potencial pela oferta de produtos?

Se existem mais pessoas de férias não há mais tempo para leitura de jornais e revistas, para ouvir programas de rádio ou para assistir a televisão?

Vale a pena investigar e analisar. Mas, jornais e revistas com conteúdo reduzido e amanhecido, rádios e TVs acionadas pelo terceiro escalão e reprisando programas e entrevistas, não servem como base de estudo.

Um dia de economista para renomados jornalistas prevendo 2010 nas suas respectivas áreas de especialização seria no mínimo divertido, atraente e de interesse para cada uma das matérias em que atuam e certamente para os consumidores – leitores, telespectadores, ouvintes e internautas. Sem considerar a torcida posterior para acompanhar o alcance do acerto ou do erro. Dependendo da aposta.

Eu pagaria para ver. E você?

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas no Blog do Mílton Jung. E deve aos seus leitores as previsões para 2010.

Natal 2009: crédito em descrédito

 

Por Carlos Magno Gibrail

Do álbum digital de Fotero, no Flickr

A menos que você tenha todos os cartões de crédito ou de débito, certamente já passou apuros na hora de pagar contas.

Entretanto, nada comparável ao que ocorreu na véspera de Natal, principalmente se o seu cartão é da operadora Redecard. O sistema Redecard dos cartões de crédito Mastercard e Diners e dos cartões de débito Mastercard, Maestro e Redeshop, apresentaram um apagão ou uma queda, tipo Itaipu ou Rodoanel. Talvez para comprovar a similaridade entre grandes corporações, quer pública ou privada. Resultante indesejável, mas inevitável nos regimes oligopolizados ou monopolizados.

As lojas perderam vendas, e bares e restaurantes tiveram outros problemas, pois não havia como devolver a mercadoria consumida. De qualquer forma o comércio, já emparedado pelo duopólio dos cartões com cifras fora do padrão internacional, além de receberem o dinheiro 30 dias após, tiveram neste episódio efetivo prejuízo.

Os consumidores, que pagam a conta, ficaram sem ela, mas pagaram caro pelo atendimento do serviço que não veio. Ficaram sem os presentes de Natal.

Por que as prestadoras de serviço cobram multas e juros aos inadimplentes, e quando falham no suprimento dos mesmos não são obrigadas a ressarcir os prejuízos advindos?

O CDL – Câmara dos Dirigentes Lojistas informa que 30% das vendas do mês do Natal são realizadas no dia 24, e que 70% das vendas em Shopping Center são realizadas através dos cartões de crédito e de débito.
Com volumes crescentes de negócios e operando em regime de duplo monopólio, Visa e Redecard apresentam lucros significativos. Acima de 60%.

A Redecard é controlada pelo Itaú Unibanco (50,1%). A margem EBTIDA (Earning, Before, Interest, Taxes, Depreciation, Amortization – ou lucro antes de juros, taxas, depreciações e amortizações) da companhia, indicador de sua lucratividade, foi de 68,03% em 2008. A da VisaNet, de 62,3%.

Ao encaminhar ontem notificação extra oficial à Redecard, o CNDL – Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas, em nota à imprensa assinada pelo seu presidente, empresário Roque Pellizzaro Júnior, destaca: “esse lamentável evento expõe a fragilidade do sistema e comprova nossos questionamentos e apreensões quando condenamos os constantes abusos desse duopólio, de um mercado dominado praticamente por duas grandes empresas que, além de cobrar altas taxas aos lojistas, não correspondem às nossas expectativas no momento que mais precisamos”. É o início do caminho jurídico que o CNDL se propõe.

A ALSHOP, entidade que representa lojistas em Shoppings Centers acena em outra direção, propondo uma negociação informal, sem interferência dos canais legais. Nabil Sayon, seu presidente nos afirmou que está em contato com a direção da Redecard para estabelecer um canal de entendimento com os lojistas associados à ALSHOP. E, diz que: “O maior prejudicado foi a Redecard”; “Todos tem mais de um cartão”; “O dia 24 não é o de maior movimento”.

O diretor da Mixxer consultoria de varejo, Eugenio Foganholo aponta a fragilidade da tecnologia disponível pela Redecard, diante da importância dos cartões como meio de pagamento e da resultante dependência do varejo.

O Prof. Nelson Barrizzelli, USP e Sênior Partner da AGC International, vê há tempos com preocupação as tarifas e as operações inadequadas do sistema de cartões, ressaltando o incomodo do oligopólio do setor. Entende que o caminho mais promissor será ações de órgãos diversos convergindo sem divergências para o interesse de quem interessa, o consumidor .

O fato é que o problema não vem de agora, pois a SDE – Secretaria de Direito Econômico, órgão subordinado ao Ministério da Justiça abriu processos administrativos para apurar eventual infração à ordem econômica praticada no âmbito do comércio eletrônico pela Redecard e uma possível conduta anticompetitiva da Visanet e da Visa International. E, justifica: “Em vista da gravidade da conduta e do perigo de lesão irreparável ao mercado, a SDE adotou uma medida preventiva a fim de suspender os efeitos da exclusividade”.

O processo Redecard envolvendo vendas on-line foi iniciado em agosto e o da VisaNet focando a exclusividade começou em novembro. Efetivamente a SDE estava no caminho certo e, como entidade responsável é quem possui a autoridade pertinente e esperamos que atue com a necessária competência.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve no Blog do Mílton Jung

De Chacrinha a Lula, filhos de Pernambuco

 

Por Carlos Magno Gibrail

Lula e Chacrinha

Conceitos e preconceitos, dicotomias e isonomias, talvez expliquem o talento de comunicação destes dois pernambucanos cultos e sem erudição.

De Chacrinha, vimos a consagração com o título de “professor honoris causa” da Faculdade da Cidade, as inúmeras teses e dissertações acadêmicas que analisam seu desempenho na área de comunicação, ou ainda as homenagens como a de Gilberto Gil, em “Aquele abraço” (…o Velho Guerreiro balançando a pança e comandando a massa...). Atestados de sucesso.

De Lula, os 72% de aprovação em fim de mandato ou a Copa 2014 e a Olimpíada 2016, ou ainda “That is the man”, que sinalizam uma eficiência inquestionável em comunicação.

Chacrinha, radialista vigoroso; Lula, sindicalista agressivo; começaram as carreiras estribados em intensa comunicação com estilos próprios e carismáticos. Quase sempre no limite entre a ética padrão e a manutenção da personalidade.

Do “Velho guerreiro”, segundo ele próprio, acima de tudo um ouvinte de rádio e radialista extremado, temos:

– “Quem não se comunica se trumbica”
– “Eu vim para confundir e não para explicar”
– “Vocês querem bacalhau?” Campanha para seu patrocinador Casas da Banha, quando desovou um enorme
encalhe de bacalhau, apostando na premissa que brasileiro adora um presentinho.

Abelardo, o pernambucano de Surubim, tinha consciência que sua mensagem era popular, e entre o padrão vigente na mídia a uma linguagem direta com seu público, não hesitava em optar pelo rudimentar.

O homem de Garanhuns, recentemente em São Luiz do Maranhão não teve dúvida em usar termo inapropriado para o cargo de Presidente da República. Disse que “vai tirar o povo da merda” e foi ovacionado.

Segunda-feira, Mílton Jung sob o título “Não basta governar, tem de parecer e comparecer” analisou ação e comunicação no episódio das enchentes na capital paulista, do Prefeito Kassab, um político erudito. Economista pela FEA USP e engenheiro pela POLITÉCNICA USP, lastreado por moderno equipamento de Marketing agiu de forma elitista. Falou para letrados e compareceu tarde aos locais acidentados pelas enchentes.

Milton cita opinião do Prof. José de Souza Martins da Filosofia da USP publicada domingo no Estadão, que comparou o Prefeito e as chuvas com o Presidente e o palavrão : “Kassab se revelou mau ator porque seguiu à risca o roteiro de seu desempenho como prefeito, pois não compreendeu em tempo que o cenário havia sido mudado, dominado agora pelas apreensões e emoções do desastre. Lula, por seu lado, revelou-se bom ator, ainda que incorreto na expressão que usou, justamente porque violou o roteiro prescrito para quem governa”.

 

Parece que o Professor Martins tem razão, pois ontem o G1 da Globo publicou : “Lula rouba a cena com discurso divertido e emocionado no Prêmio Brasil Olímpico”. Deixou o calhamaço contendo o discurso programado de lado, e de improviso divertiu a plateia preponderantemente de atletas, com linguagem adequada ao momento sem se distanciar do estilo pessoal.

Ao se aproximar o ano eleitoral será oportuno que os políticos cuidem de si, ao invés de apontar erros e defeitos dos adversários.

As propostas devem privilegiar tanto conteúdo quanto forma e não podem deixar de considerar as características de cada um. Se culto, habilitar a erudição, se erudito habilitar a cultura. E plagiando Milton, não basta se candidatar, tem de parecer e comparecer.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas, e assistiu ao Chacrinha na TV