Mundo Corporativo: como pequenos e micro empresários podem sobreviver à crise do coronavírus

 

“Esse micro e pequeno empresário faz parte da nossa vida, do nosso dia a dia, é muito difícil viver sem ele. O comércio eletrônico vai ajudar e vai substituir muito, mas essa relação pessoal de compra e venda, este é um ato do ser humano. Diria ao micro e pequeno empresário que ele é o mais importante tecido de sustentação deste país”.

A dificuldade de acesso a crédito e qualquer outro tipo de ajuda financeira nesta crise provocada pelo coronavírus tem se transformado em um dos maiores desafios de micro, pequenos e médios empresários. O adiamento para o recolhimento de impostos — tais como Simples, ICMS e ISS — e as regras que permitem renegociação salarial e outras alternativas para evitar a demissão de empregados são insuficientes para muitos desses empreendedores.

 

Por outro lado, especialmente no setor de varejo, alguns foram ágeis para se adaptar às restrições e levar seus produtos para o comércio eletrônico ou desenvolver sistemas de entrega domiciliar. Algumas das maiores plataformas de vendas pela internet também criaram ambientes mais acessíveis e estratégias para transformar o pequeno comerciante em representante de produtos e serviços oferecidos nesses marketplaces —- como é o caso a Magalu.

 

Em entrevista ao programa Mundo Corporativo da CBN, o presidente do Sebrae, Carlos Melles, avaliou o cenário atual de micro, pequenas e médias empresas, após dois meses desde que a pandemia do coronavírus atingiu os negócios no Brasil. Com base em pesquisas realizadas pela instituição a cada 15 dias, a previsão é que ao menos 25% dessas empresas tenham de fechar por falta de condições financeiras.

 

“Os bancos estão terríveis”, disse o dirigente ao comentar a resistência das instituições bancárias em emprestar dinheiro para os pequenos empreendedores. Ele lembra, porém, que o Sebrae fez parceria com a Caixa — e outros bancos — para permitir o acesso facilitado ao crédito e tem fundos próprios para viabilizar essas operações:

“O Fampe é o Fundo de Aval para as Micro e Pequenas Empresas. Quando um empreendimento não tem todas as garantis necessárias, o Fampe, de forma complementar, garante até 80% de uma operação de crédito, dependendo do porte empresarial de quem solicita e da modalidade de financiamento”.

A migração para o ambiente digital foi o aspecto mais positivo que se pode perceber ao longo dessa crise, segundo o presidente do Sebrae:

“Nesses 60 dias de crise, o aumento ao nosso atendimento de digitalização, do atendimento não presencial e das soluções dadas foi uma coisa surpreendente. Algumas empresas — muito pouco percentual — chegaram a crescer o faturamento; outras acharam o caminho através do e-commerce e do digital de poder, na verdade, se sustentar”.

Para saber quais são as regras tributárias em vigor, assim como as possibilidades de linhas de crédito ou de renegociação trabalhista com seus funcionários, Carlos Melles sugere que os empreendedores visitem o site do Sebraeonde encontrarão uma série de informações e manuais que podem ser úteis neste momento em que o objetivo é persistir a espera do fim da pandemia e da reabertura dos negócios.

 

O programa Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, às 8h10 da manhã, no Jornal da CBN, e tem a colaboração de Juliana Prado, Guilherme Dogo, Natacha Mazaro e Priscila Gubiotti.

Conte Sua História de São Paulo: a minha cidade maravilhosa

 

Sonia Couri
Ouvinte da CBN

 

 

Ao chegar em São Paulo, em 1969, aos 20 anos de idade, até então vividos com todo o glamour que o Rio de Janeiro me proporcionou, ainda com a visão magnífica da praia de Copacabana, do baile de debutantes no Copacabana Palace e das janelas do Colégio São Paulo, admirando diariamente as águas do Arpoador, o susto foi enorme.

 

Mesmo sendo casada recentemente com um industrial paulista, e com uma condição privilegiada de vida, aquela mudança radical de hábitos e costumes, me fez pensar em largar tudo e voltar correndo para minha terra.

 

Os anos se passaram, meus três filhos nasceram, cresceram, estudaram, se formaram, se casaram.

 

Fiquei viúva após trágico incidente que me fez sair da “boca do luxo” para um ramo, na época ,fechado às mulheres. Eu, que nunca havia trabalhado fora do meu ninho familiar, cuidando da casa e dos filhos, me atirei com unhas e garras no mercado de automóveis, deixado por meu marido. Com a ajuda de meu filho mais velho, na época com 17 anos, começamos com a cara e a coragem a virar noites para aprendermos o caminho da sobrevivência.

 

E é aí que entra a minha gratidão eterna por esta cidade de São Paulo, onde resolvi ficar, desprezando a chance de voltar ao Rio, e onde depositei minha crença de que aqui seria a salvação para a criação de meus filhos. Acertei em cheio, fiz os 13 pontos da loteria da vida. Formei todos os filhos, assisti à chegada de sete netos e, hoje, após 50 anos, agradeço a Deus por ter ficado nesta terra que não mais é da garoa e, sim, de um céu de brigadeiro, apaixonada por cada canto deste país que São Paulo se tornou. Uma terra que abriu suas portas para árabes e judeus, japoneses e chineses, espanhóis, portugueses e italianos, para toda gama de imigrantes, vindo de todos os cantos da terra, que ajudaram a construir a cidade, para mim a verdadeira cidade maravilhosa, que dá a quem procura, a dignidade de morar  e trabalhar, para sustento dos seus. Graças a Deus, estou paulista!

 

Sonia Couri é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha participar também: envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br

É hora do setor imobiliário apresentar o seu Propósito

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Parque da Luz em foto de Renata Carvalho

 

De acordo com alguns professores da FAU-USP, a cidade de São Paulo está prestes a mais uma vez ser vítima dos interesses do setor imobiliário, em função de propostas apresentadas na Câmara Municipal.

 

Através do site LabCidade da FAU-USP, as professoras Raquel Rolnik, Paula Freire e o aluno Pedro Mendonça analisaram o PL 225/2020 do vereador Eduardo Tuma-PSDB, e o PL 217/2020 do vereador Police Neto-PSD, que propuseram “Ações Emergenciais” e “Plano Emergencial de Ativação Econômica” no intuito de enfrentar as consequências do Covid-19.

 

O texto do LabCidade sinaliza que tanto o Plano Diretor Estratégico de 2014 quanto a Lei de Zoneamento de 2016 poderão sofrer alterações, nos mesmos moldes do pretendido em 2018, além de uma tentativa de redução de 50% de desconto na Outorga Onerosa. Arquitetos e moradores impediram naquela ocasião o que seria uma verdadeira “Black Friday” para o mercado imobiliário. E um desastre pois o Plano e o Zoneamento são o mínimo a ser cumprido, pois não são um modelo exemplar de preservação de qualidade de vida.

 

A matéria ressalta a oportunidade perdida do momento de Convid-19, propício para se apresentar medidas que facilitem o acesso da população à moradia, e não se amplie a concentração construtiva nem as áreas das habitações, favorecendo classes menos abastadas.

 

Como agravante, uma das origens dos recursos para o atendimento das emergências decorrentes do vírus, tem vindo do Fundurb-Fundo de Desenvolvimento Urbano, que recebe os rendimentos da Outorga Onerosa do Direito de Construir, onde se propõe agora a redução de 50% e a suspensão do pagamento antecipado.

 

Há também na matéria, minuciosa especificação de alterações inseridas nas propostas para beneficiar o setor construtivo.

O vereador Police Neto reagiu e nominou a crítica da FAU como meia verdade, citando entre outras a questão do Fundurb, em que os recursos absorvidos pelo Convid-19 não serão reduzidos como relatado, tendo em vista que a utilização se deu do volume já arrecadado. Ao mesmo tempo argumentou que os benefícios pleiteados como isenções, reduções e postergações sobre os impostos tem como objetivo acelerar a retomada da indústria da construção civil, que afinal de contas é a maior empregadora de mão de obra.Neto discute também a questão das mudanças no Plano Diretor e no Zoneamento, que segundo ele se trata de ações provisórias e não leva em conta a dinâmica inexorável da cidade.

Enfim, este conflito de posições a respeito da urbanização de São Paulo, é um excelente pretexto para introduzirmos um importante aspecto do mundo corporativo, que é a busca do Propósito dos negócios, das marcas e dos setores de atividade.

 

Nos tempos atuais, e já há tempos, o Propósito tem sido tema dos mais evidenciados e enunciados. Neste contexto o consumidor é colocado na centralidade de tudo, para que se defina a razão de ser de atividades, empresas, marcas, produtos e serviços.

 

No foco das previsões do futuro pós Covid-19 há convergência no aspecto de que as mudanças que ocorreriam em anos estarão acontecendo dentro em pouco.

 

Neste sentido parece que é hora de definir o Propósito da indústria de construção civil. Afinal de contas, diferentemente de outros setores da economia, não se tem conhecimento que o setor esteja tão preocupado com os preceitos de centralidade no consumidor, incluindo aí a sustentabilidade, visto em boa parte das empresas modernas.

 

Aproveitamos então para sugerir que a centralidade esteja no consumidor e na cidade que habitam.

 

E plagiando os vereadores: que façamos “Ações Emergenciais” através de um “Plano Emergencial de Ativação Econômica Sustentável”

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Mundo Corporativo: como o coronavírus mudou o cotidiano de uma fábrica de carros e vai impactar o comportamento do consumidor

 

“Na volta ao trabalho, funcionários devem encontrar um ambiente que os proteja”, Antonio Filosa

Engenheiros de automóveis estudam manuais de respiradores e ventiladores respiratórios; projetistas e desenhistas de carros adaptam impressoras 3D para produzirem plástico shield usados em máscaras faciais. Essas são algumas mudanças que ocorreram na rotina de funcionários da Fiat Chrysler, aqui no Brasil, desde a paralisação das fábricas devido a pandemia do coronavírus.

 

De acordo com Antonio Filosa, presidente da FCA na América Latina, graças a disposição desses profissionais já foi possível entregar mais de 1.000 plásticos shield —- mais 1.000 estão para serem entregues nas próximas semanas. E foram recuperados cerca de 100 ventiladores e respiradores de um total de 256 que apresentavam defeitos e não podiam ser usados pelas equipes médicas. Duas salas especialmente preparadas para esses trabalhos foram montadas logo que os novos projetos foram apresentados pelos funcionários.

 

Em entrevista ao Mundo Corporativo da CBN, o executivo disse que a crise sanitária e econômica provocada pela pandemia levou a FCA a definir seu planejamento estratégico a partir de três pilares:

  • Solidariedade —- com a empresa expressando sua razão social através de projetos e ações, especialmente com as comunidades no entorno dos locais onde mantém suas fábricas;

 

  • Proteção das pessoas —- com investimento para implementar os dispositivos e processos de segurança sanitária nas fábricas, escritórios e ambientes da FCA;

 

  • Retomada inteligente — com estudo social e antropológico para entender o comportamento das pessoas, dos funcionários, dos parceiros de negócios e do consumidor nos pós-pandemia.

 

A paralisação das fábricas e a queda acentuada das vendas de automóveis fizeram a Fiat Chrysler rever os resultados previstos para suas operações no Brasil, em 2020. Se a expectativa nos dois primeiros meses do ano era de um crescimento de 8% até dezembro, agora o presidente da FCA calcula perdas de até 40%. Segundo ele, em março, a demanda foi 90% menor, e em abril, 80%, índice que deve se repetir quando as contas de maio fecharem. Soma-se a esse prejuízo, o impacto financeiro das mudanças que o fabricante está promovendo para retomar a produção em condições de segurança sanitária.

 

No calendário da FCA as fábricas começam a operar parcialmente no fim da segunda quinzena de maio, mas a estratégia de retomada ainda depende do ambiente externo nas áreas em que atua — ou seja, de identificar como está o controle da pandemia em cidades como Betim (MG) e Goiana (PE), onde têm duas de suas fábricas na América Latina. Internamente, todas as medidas teriam sido implementadas, segundo o executivo informou a partir de uma simulação de retorno realizada na semana passada.

“O retorno vai depender da conjunção desses fatores (internos e externos)”

Para aumentar a segurança, a FCA terá termômetros que medem e escaneiam a temperatura de todos os funcionários. Desenvolveu um aplicativo, instalado nos celulares dos colaboradores, para informação rápida e autoavaliação do estado de saúde. E duplicou a frota do transporte coletivo para permitir distanciamento entre os passageiros nos ônibus que levam os trabalhadores às fábricas.

 

Quanto ao estudo que analisa o comportamento pós-pandemia, Filosa diz que algumas mensagens são bem claras. Uma delas que parece óbvia é o fato de que a digitalização e a experiência digital serão cada vez mais presentes na vida das pessoas:

“Não apenas nos hábitos de pesquisa ou de consumo futuro, mas também dos nossos hábitos diários: os escritórios parecem agora uma entidade longe do nosso hábito, quando até 45 dias atrás fazia parte do nosso cotidiano”

Outra mensagem aparente é que o período forçado de isolamento mudou a forma de as pessoas se relacionarem com a própria casa que antes era o local de descanso, agora também é o de trabalho e de maior comunhão com a família. Percebe-se também a tendência de algumas pessoas trocarem o transporte público pelo individual, como forma de segurança. E de outras quererem se reconectar com alguns prazeres próprios — no que o automóvel pode ser um agente importante, segundo o executivo.

 

Com base na experiência de fábricas da FCA que retomaram a produção, como as da China, Antonio Filosa diz que a expectativa é que, depois desse prendo dramático, a volta ao trabalho deve ocorrer associada a sentimentos mais positivos, com valores mais puros, de solidariedade e união entre os colaboradores:

“Claramente não gostaríamos de ter passado por tudo isso; mas quando voltarmos, vamos voltar melhor e mais forte: com esses valores faremos a diferença”

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, às 8h10 da manhã, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboraram com o programa Juliana Prado, Natasha Mazaro, Patrícia Gubioti e Adriano Bernardino.

Sua Marca: como as marcas se adaptaram a este Dia das Mães atípico

 

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“As marcas continuam sendo as mesmas, mas com estratégias adaptadas a esse momento” —- Jaime Troiano

O Dia das Mães comemorado em uma situação totalmente nova para a sociedade impactou diretamente as estratégias das marcas. Com a pandemia do novo coronavírus, as operações comerciais foram majoritariamente digitais, boa parte das famílias não pode se reunir e as promoções comuns nesta que é a segunda mais importante data comercial do país tiveram de mudar de forma e conteúdo.

 

 

Em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Cecília Russo e Jaime Troiano identificaram algumas das ações positivas desenvolvidas por gestores de marcas:

Havaianas — a campanha para o Dia da Mães foi produzida a partir de material de vídeo gravado por mulheres de sua própria equipe no qual elas mostram como as profissionais estão se adaptando à nova rotina, tendo como aspecto mais positivo a maior proximidade com os filhos

Alme, da Arezzo —- com a campanha “Presenteie sua mãe, conforte duas”, para cada par de sapato comprado no e-commerce da marca ou pelo atendimento via WhatsApp o fabricante vai doar um par para mães que recebem o acolhimento de uma ONG

Renner —- de acordo com Maria Cristina Marçon, diretora da Renner, a empresa costuma programar suas promoções com muita antecedência, mas com a pandemia houve a necessidade de refazer a estratégia. o foco foi a ideia de que estão perto ou longe, o amor está presente na relação entre mães e filhos. O filme da ação foi produzido a partir de imagens enviadas por mães e filhos convidados pela marca.



 

As marcas que acertaram em suas ações para esta data têm em comum o fato de terem sido sensíveis ao preservar a essência do que significam os vínculos mães-filhos; respeitaram o seu posicionamento ou seja mantiveram seus valores; e a maioria delas trouxe um sentido de solidariedade e empatia, seja entendendo o que as pessoas estão vivendo no isolamento, seja abraçando outras mães que estão em situação de maior vulnerabilidade.

“É preciso situar essa comemoração atual dentro dos limites que o isolamento permite” —- Cecília Russo.

O Sua Marca vai Ser Um Sucesso é apresentado por Mílton Jung, com comentários de Jaime Troiano e Cecília Russo, aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Promessas de vacina contra Covid-19 ainda este ano alimentam falsas expectativas, dizem especialistas

 

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Foto Pixabay

 

Dia desses publiquei aqui no blog um texto  em que “acusava” cientistas e jornalistas de formarem o exército do estraga-prazer. Bastava surgir uma novidade no tratamento da Covid-19 para os pesquisadores virem a público e colocarem dúvidas sobre os resultados alcançados. Os jornalistas, como em uma estratégia combinada, apareciam na sequência para dar espaço a essas opiniões desestimulantes, em um momento que tudo que as pessoas buscam é uma salvação.

 

Há um outro lado desta moeda — sempre há.

 

Nas mesmas comunidades existem aqueles que estão prontos para vender ilusão — seja entre os pesquisadores seja entre os jornalistas, deixando as pessoas mais felizes (apesar de iludidas) e outras mais ricas.  Desde o início desta pandemia, temos assistido à publicação de uma série de informações, geralmente controladas por agências de comunicação, contratadas por laboratórios de pesquisa, que correm em busca de uma solução para conter o avanço do Sars-Cov-2. Toda vez que essas notícias são publicadas — além de alavancarem o preço das ações das empresas envolvidas — geram uma enxurrada de mensagens, enviadas às redações, questionando porque não anunciamos estas descobertas ou não damos o devido destaque, em lugar de ficar noticiando o número de pessoas mortas e infectadas. “Precisamos de boas notícias”, reclamam.

 

Adoraria ser o porta-voz da boa nova. E espero conseguir fazer isso o mais breve possível. Lamento, porém, informar que aos jornalistas sérios, assim como aos cientistas, cabe a busca da verdade — independentemente de ser boa ou de ser ruim, a verdade é o objetivo.

 

Registre-se que a corrida pela vacina salvadora é bem-vinda, pois tende a acelerar uma resposta para um vírus que tem tirado o sono de boa parte do Planeta e, pior, a vida de 268.999 pessoas (número oficial registrado pela Universidade de John Hopkins até às 21h30 desta quinta-feira). O problema está em oferecer à opinião pública a informação de que a solução está logo ali.

 

Para colocar as coisas nos devidos lugares, o ideal é  recorrer a quem realmente entende do assunto. O Dr Luis Fernando Correia, comentarista de saúde da CBN, me apresentou, hoje, artigo publicado no STAT, site especializado em notícias sobre saúde, no qual são ouvidos especialistas por todo o mundo —- uma gente série, preocupada com a busca de um remédio ou vacina que nos protege tanto quanto em evitar que sejamos enganados por vendedores de óleo de cobra.

 

O título é claro na mensagem que o artigo pretende transmitir: “Promessas crescentes das vacinas Covid-19 estão alimentando falsas expectativas, dizem especialistas”.

 

Para o Dr. Luis Fernando, o texto traz uma visão coerente e lógica para as vacinas que somente devem surgir no horizonte para o público em geral, em 2021. As primeira levas serão para os profissionais de saúde e depois para os grupos de risco. “Mais coerência e menos marketing” foi o que meu colega de rádio sempre pediu na abordagem de temas relacionados a vacinas contra a Covid-19 e foi o que encontrou no artigo que reproduzo em partes aqui no blog.

 

No pé deste post você tem  o link para a publicação em inglês que vale ser lida ao menos para que você se convença de que não somos estraga-prazeres, apenas queremos que você esteja consciente da realidade:

As vacinas para prevenir a infecção pelo Covid-19 estão avançando em um desenvolvimento e velocidade nunca antes vistos. Mas as promessas crescentes de que algumas vacinas possam estar disponíveis para o uso emergencial já no outono (no hemisfério norte) estão alimentando expectativas simplesmente irrealistas, alertam os especialistas.

 

Mesmo que os estágios de desenvolvimento da vacina pudessem ser compactados e os suprimentos pudessem ser rapidamente fabricados e implantados, levariam muitos meses ou mais para que a maioria dos americanos pudesse arregaçar as mangas. E em muitos países do mundo, a espera pode ser muito mais longa — perpetuando o risco mundial que o novo coronavírus representa nos próximos anos.

 

Essa realidade está sendo obscurecida por relatos de que alguns dos primeiros candidatos a vacinas — incluindo um da empresa de biotecnologia Moderna e outro da Universidade de Oxford — podem, em meses, ter evidências suficientes para serem administrados em casos de emergência.

 

Michael Osterholm, diretor do Centro de Pesquisa e Política de Doenças Infecciosas da Universidade de Minnesota, está preocupado que as pessoas não estejam adotando as medidas para reduzir a onda de infecções — que alguns especialistas temem que seja maior do que vimos até agora — porque eles esperam que uma vacina esteja à mão.

 

“Na verdade, ouvi especialistas em ensino superior dizerem: ‘Bem, você sabe, estamos contando com a vacina talvez até setembro porque continuamos ouvindo sobre isso.’ … na mente deles, eles estão acreditando que as faculdades e universidades terão a vacina ”, afirmou ao STAT.

 

Osterholm e outros especialistas deixam claro que não haverá vacina suficiente para estudantes em idade universitária nesse período, mesmo no melhor cenário. É provável que todos os suprimentos que estarão disponíveis — se alguma das vacinas provar ser protetora, no outono — serão designados para os profissionais de saúde e outros na linha de frente do esforço de resposta.

 

“Eu não acho que estamos nos comunicando muito bem com o público, porque eu tenho que dizer a essas pessoas, mesmo se tivéssemos uma vacina que mostrasse alguma evidência de proteção até setembro, estamos muito  longe de ter uma vacina no braço das pessoas ”, disse Osterholm.

 

Supondo que uma vacina possa ser desenvolvida rapidamente, a questão da fabricação não é irrelevante. A produção de algumas  vacinas candidatas  poderia ser mais facilmente aumentada do que outras, observou Emilio Emini, que lidera o trabalho da Fundação Bill e Melinda Gates sobre o assunto.

 

Caso algumas das vacinas mais “escalonáveis” se mostrem protetoras, é possível que elas possam ser feitas nas fábricas existentes, em vez de exigir a construção de novas instalações. A produção desse tipo de vacina pode atingir centenas de milhões de doses em cerca de um ano, disse Emini. Mas qualquer vacina que exija construção de tijolo e argamassa obviamente levará mais tempo para atingir esses níveis de produção.

 

A Organização Mundial da Saúde, que está monitorando de perto o campo das vacinas candidatas ao Covid-19, lista mais de 100 projetos, embora muitos estejam sendo desenvolvidos em laboratórios acadêmicos sem capacidade comercial de produção. Do total, oito já estão sendo testados em pessoas, quatro delas na China.

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A OMS pediu um compartilhamento equitativo das vacinas Covid-19, insistindo que elas devem ser vistas como um recurso global. Mas, desde os primeiros dias dessa pandemia, houve preocupações de que os países que abrigam instalações de produção de vacinas nacionalizem qualquer produção para garantir que as necessidades domésticas sejam atendidas antes que a vacina possa ser exportada para uso em outro lugar.

 

Robin Robinson, que liderou a Autoridade Biomédica de Pesquisa e Desenvolvimento Avançado de 2008 a 2016, disse que a agência gastou bilhões de dólares desenvolvendo a capacidade de produção de vacinas nos Estados Unidos com base nessa suposição. 

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“Eu não acho que a população em geral tenha vacina provavelmente até a segunda metade de 2021. E isso se tudo der certo”, disse ele.

O texto completo, “Promessas crescentes das vacinas Covid-19 estão alimentando falsas expectativas, dizem especialistas”, da STAT, você encontra aqui.

No Brasil, “bloqueio total” é mais eficiente que “lockdown”

 

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Bloqueio total foi imposto em quatro cidades no Maranhão (Divulgação / Agência São Luís)

 

O 5 de maio é o Dia Mundial da Língua Portuguesa. Lembrei a data logo que iniciei a apresentação do Jornal da CBN, nesta terça-feira. Para que o dia criado pelo Unesco fizesse algum sentido, tomei cuidado em ler “bloqueio total” todas às vezes que o redator usou “lockdown” para identificar as medidas restritivas que se iniciavam em quatro cidades do Maranhão, incluindo a capital. Era o mínimo que podia fazer para não estragar a festa dedicada ao idioma de Camões.

 

Intriga-me desde o início desta pandemia a preferência que se tem dado nos textos jornalísticos e na fala de autoridades a expressão “lockdown” — que na origem era usada para o ato de manter os presos confinados nas celas enquanto se buscava restaurar a ordem no presídio durante rebelião. Passou a ser aplicada em diversas situações de emergência nas quais as pessoas devem permanecer em casa para preservar sua segurança — e se aproximou ainda mais da gente quando o Sar-Cov-2 desembarcou em nossas bandas.

 

Por coincidência, sobre a mesa que apresento o Jornal da CBN aqui em casa, estou com um dos livros que reencontrei na tentativa de reorganizar a biblioteca durante este confinamento que já dura 46 dias —- tarefa mal-acabada. “A Imprensa e o caos na ortografia — com um pequeno dicionário de batatadas da imprensa” (Editora Record), foi escrito pelo jornalista Marcos de Castro, em 1998. O livro reúne uma série de textos nos quais o autor descreve sua implicância com a maneira descuidada com que tratamos a língua portuguesa —- especialmente nós jornalistas. O livro é coisa fina, “caviar e salmão do Mar do Norte”, apenas para repetir a maneira como ele define um texto refinado. Deveria ser servido a todos que trabalhamos nas redações.

 

Um dos capítulos é dedicado ao uso do termo americano “slow motion” para identificar o que em bom português tinha nome e sobrenome: câmera lenta.

 

Escreve Marcos de Castro:

“É preciso ser muito colonizado culturalmente para desprezar uma expressão tão nossa, já integrada no tempo em nosso modo de dizer, em nosso modo de ser. É preciso ser muito macaquito”.

O incômodo do autor se dá pela barreira que o estrangeirismo cria entre quem diz e quem ouve:

“…é evidente que usar o que é nosso, ‘câmera lenta’, facilita muito para a comunicação com o telespectador ou com o leitor, de espírito evidentemente mais receptivo a uma expressão familiar do que ao pedantismo de slow motion.”

Para Marcos de Castro, o uso da palavra estrangeira diante de uma versão brasileira, conhecida e de fácil entendimento, prejudica a comunicação.

 

Se tem uma arma que se deve usar para combater o atual coronavírus é a comunicação eficiente. Deixar claro às pessoas o risco que corremos, o desafio que a comunidade médica e científica enfrenta e as dificuldades que as autoridades públicas têm para administrar essa crise. Informar, sem barreiras, a importância de lavar bem as mãos, evitar colocá-las no rosto, tossir e espirrar no antebraço, ficar em casa se possível e manter o distanciamento social.

 

Nos estados e nas cidades em que a situação é ainda mais grave, é preciso dizer de maneira simples, direta e objetiva que a circulação de pessoas e carros será proibida, com permissão apenas para os trabalhos essenciais, a busca de ajuda médica e a compra de comida e remédio. Ou seja, em lugar de “lockdown” dizer em bom português que o bloqueio é total.

Sua Marca: consumidor vai redimensionar necessidade de consumo no cenário pós-pandemia

 

 

 

“Se você quer que sua marca seja um sucesso, não perca oportunidades como essa que estamos vivendo para entender como as pessoas se relacionam com elas. Pode ser doloroso às vezes. Mas ‘tropicão’ também leva pra frente, como se diz lá em Minas” — Jaime Troiano

Um curso intensivo e compulsório sobre comércio eletrônico é o que marcas e consumidores estão vivenciando neste momento de isolamento social e restrições para o funcionamento dos mais variados tipos de lojas, devido a pandemia do coronavírus. A definição é de Jaime Troiano e Cecília Russo, comentarista do quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, do Jornal da CBN.

 

Este momento tem colocado à prova muitas daquelas pessoas que eram resistentes ao mundo virtual — o que os comentaristas chamam de grupo de risco da internet. Se para consumidores é o aprendizado da compra; para as empresas, muitas descobriram o quanto a própria logística estava preparada  para essa pressão de demanda digital.

 

Outro impacto no comportamento do consumidor, identificado por Cecília Russo, é quanto a racionalização no acesso ao consumo, com a busca apenas de produtos considerados essenciais, em um fenômeno que já havia sido observado nos períodos de guerra. Soma-se agora os efeitos da compra digital que não costuma ter a mesma tentação da compra feita nas lojas, pois o consumidor tende a estar mais focado no que realmente precisa:

“Estes momentos têm mostrado que a gente pode, de fato, viver com menos. Menos produtos, menos marcas, menos contatos pessoais, menos movimentação social”

A despeito das lições que estão sendo aprendidas agora, Jaime e Cecília arriscam dizer que no cenário pós-pandemia essa necessidade de consumo começará a ser redimensionada em um ambiente social e econômico mais normal.

“Como já dissemos em programas anteriores, as marcas que amamos mas não temos tido acesso, por diversas razães, vão continuar a ser desajadas”, acredita Jaime.

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN, com apresentação de Mílton Jung.

Expressividade: uma relação sem fim

 

Hoje publico o último episódio desta série com textos do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressão”, escrito para o livro “Expressividade — Da teoria à prática” (Revinter), organizado pela fonoaudióloga Leny Kyrillos, em 2005. É minha homenagem a fonoaudiologia e em referência ao Dia Mundial da Voz, que foi comemorado em 16 de abril, quando iniciei a publicação dos textos. Para ler o capítulo completo, acesse o link no pé deste post. Eles estão em ordem decrescente:

 

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ESTAS FONOAUDIÓLOGAS INCRÍVEIS E SUAS MARAVILHOSAS LIÇÕES!(2)

 

 

Na era pós-Glorinha de minha vida, descobri que este mercado, além de dominado pelas mulheres, tinha muita gente bem preparada que atuava com “amor, persistência e sensibilidade” —- palavras consideradas mágicas pela protagonista do livro “O que é ser fonoaudióloga – memórias profissionais de Glorinha Beuttenmüller”. Encontrei profissionais familiarizados com as características específicas do jornalismo ou daqueles que usam a voz como ganha-pão. Eram pessoas que não cuidavam apenas da fala, mas da alma, também. Muitas vezes as sessões eram ocupadas para contar casos pessoais ou histórias da redação, mais do que discutir diretamente o que deveria fazer para corrigir este ou aquele problema na comunicação. Mesmo porque as dificuldades na fala, algumas vezes, estão ligadas a questões emocionais.

 

É fundamental que a fonoaudióloga tenha excelente ouvido, capaz não apenas de perceber pequenos detalhes do som que emitimos, mas auscultar nossos sentimentos. Uma das experiências que tive em fonoaudiologia me mostra esta verdade de maneira mais crua. Por motivos que não saberia avaliar claramente quais foram, a relação que mantive com uma profissional contratada pela emissora de televisão em que eu ainda trabalhava foi das mais ruidosas. Não era exatamente pelo fato de ela fumar entre uma sessão e outra —- o que sempre pareceu uma contradição, mas o que eu tinha a ver com isso? Talvez tenha sido as inúmeras proibições que me foram impostas: “não beba, não fale, não …. e mais não”. Certo mesmo é que algo aconteceu — ou deixou de acontecer — entre nós que me levou a transformar cada sessão fonoaudiológica em uma avaliação da empresa. Parecia-me que todo encontro seria decisivo para meu futuro naquele emprego. Novamente somatizei na garganta a insegurança profissional e, impreterivelmente, na véspera de cada atendimento, minha voz sumia. Como o tratamento não flui fui recomendado a procurar uma profissional que não estivesse ligada à empresa e pudesse me receber com mais frequência. Foi daí que parti para minha terceira experiência.

 

Não sei quanto deste artigo poderá ser útil a você que lê neste momento. No entanto, se servir para que pelo menos uma fonoaudióloga pare para repensar seu comportamento sempre que estiver atendendo um empregado da empresa da qual ela é contratada, estarei realizado. Preste atenção se sua imagem —- e escrevo especificamente para as fonoaudiólogas —- não está sendo confundida com a do chefe do departamento ou diretor da fábrica; se sua postura naquela sala, sentada diante de um funcionário, não está muito mais parecida com a do patrão. Faça-o entender que o trabalho que está sendo realizado naquele momento, não é benefício da empresa, mas dele próprio.

Seja parceira do seu paciente.

Como já disse, estava na hora de encarar a terceira fonoaudióloga da minha vida. Na verdade, a terceira e a quarta, porque no mesmo consultório trabalhei com duas profissionais que não atuavam em emissoras de rádio e televisão, mas com conhecimento profundo do uso da voz no jornalismo. Passei por avaliações minuciosa a partir da aplicação de métodos de análise acústica e espctográfica, pela primeira vez. Aprendi exercícios para relaxar as cordas vocais e aquecer a garganta antes de iniciar uma locução. Alguns já conhecia e, para os novos, fui apresentado. Coisas como fazer sons semelhantes a mantras ou abrir e fechar a boca articulando exageradamente as vogais, que quando feitos dentro do carro a caminho da redação provocavam, nos mais próximos, estranhos olhares. Azar dos bisbilhoteiros. Soubessem eles os benefícios que sentia a cada movimento, fariam o mesmo, e, chegando ao trabalho, poderiam conversar com colegas em um tom “aveludado”, mais sedutor.

 

Mais importante, contudo, não foram os exames e exercícios, mas a liberdade que ganhei. Até começar esta etapa com as novas fonoaudiologia tudo era proibido. Eu seguia à risca a recomendação de não falar ao telefone, fechar a boca em locais barulhentos, ficar quieto dentro do carro da emissora, eliminar bebida gelada de meu cardápio, entre outras restrições. E nada resolvia. Perda de tempo, porque assim que me ensinaram que era possível fazer quaisquer dessas atividades —- convenhamos, algumas prazeirosas —- desde que com moderação, o tratamento passou a dar resultados positivos.

 

Falar sob estresse é parte da rotina de um jornalista de rádio e televisão. As restrições a que estava submetido, no entanto, aumentavam esta pressão psicológica, atingindo o ponto mais sensível de um profissional da voz — a própria. Pesquisas mostram a relação entre distúrbios da voz e a dificuldade para lidar com situações de estresse. Minha experiência pessoal serve bem para ilustrar estes estudos.

Ao abrir mão das restrições impostas, mas confiando minha palavra na moderação de meus atos, consegui atingir um ponto de equilíbrio.

Desde aquele momento, tornei-me grato às fonoaudiólogas. Entendi sua importância no processo de comunicação e passei a lamentar a falta das mesmas na maioria das redações brasileiras, principalmente as de rádio. É inacreditável que um veículo que tenha no som sua principal característica, tão pouca atenção dê à capacidade vocal de seus profissionais. É verdade que houve avanços neste processo. A locução radiofônica também ganhou tom coloquial e a forma de apresentar passou a ser vista com a mesma importância que o conteúdo. Há emissoras de rádio, como a CBN, em que os locutores obrigatoriamente são jornalistas. Não bastando mais ter um vozeirão. É preciso entender a notícia para transmiti-la com correção. Ao mesmo tempo, exige-se que este jornalista tenha recursos vocais, como articulação dos sons precisa e sem exageros e modulação e intensidade da voz coerentes como o que está sendo noticiado. Fatores que garantem o interesse do ouvinte, informam de maneira precisa e transmitem credibilidade. Apesar disso, você dificilmente verá uma fonoaudióloga com o crachá de uma emissora de rádio, a não ser que seja de visitante.

 

Minhas relação com as fonoaudiólogas nunca mais se encerrou. Fui e voltei aos consultórios tantas vezes entendi ser necessário. Lá estive para resolver problemas circunstanciais de rouquidão e, também, para encontrar o tom certo nesta ou naquela forma de transmissão. Em alguns casos para aumentar a velocidade da locução de notícias. Em outros, para ganhar confiança na apresentação dos programas. Procurei até mesmo para achar a nota certa no grito de gol. Não foi sempre que saí de uma sessão com o problema resolvido. Até hoje busco um recurso melhor para determinadas situações. O que apenas reforça a minha tese de que estas profissionais deveriam estar integradas ao corpo funcional das empresas de comunicação, assim como estão locutores, repórteres, redatores e editores — o que, faça-se justiça, já ocorre em algumas emissoras de televisão no Brasil, como é o caso da TV Globo.

 

Não estranhe o fato de ter citado apenas o nome de uma fonoaudióloga ao longo deste trabalho. Não é esquecimento ou injustiça deste que escreve. Primeiro, não é meu objetivo fazer críticas pessoais. Segundo, cada uma das profissionais das quais fui paciente vai encontrar —- se é que me darão o prazer da leitura —- um ponto aqui e outro acolá que deixarão evidente a importância dela na minha formação. Identifiquei apenas Glorinha Beuttenmüller por ser a pioneira na terapia da voz nos meios de comunicação.

 

Glorinha se aproximou de uma redação de telejornal no início da década de 1970. Sérgio Chapellin, já citado em capítulos anteriores, estava completamente rouco. Consta que o problema seria resultado da pressão psicológica provocada por ter de substituir na apresentação um dos maiores nomes do rádio e da televisão brasileiros, Heron Domingues, que se consagrou como locutor do “Repórter Esso” e depois se transferiu, como era comum, para a televisão. Já tendo sido aluno de Glorinha na Rádio MEC — onde a fonoaudióloga ministrou cursos de dicção, entre 1964 e 1973, curiosamente para profissionais liberais e não para radialistas —, Chapellin confiou sua recuperação na terapia desenvolvida por ela. O tratamento foi bem-sucedido e marcou o nascimento de uma nova atividade dentro das redações.

 

Esta história já tem 30 anos, período em que a relação entre fonoaudiólogas e jornalistas amadureceu. No princípio, eram os problemas vocais que levavam os profissionais de comunicação ao consultório. Queriam resolver distúrbios na maioria das vezes provocados pelo uso inadequado da voz. Hoje, estas mulheres incríveis —- homens, também —- e suas técnicas maravilhosas não apenas curam, mas apuram um padrão de qualidade, com enfoque no corpo não apenas na voz. Estimulam o desenvolvimento de um estilo próprio, respeitam a característica de cada indivíduo. Natural e espontâneo, o jornalista ganha expressividade e transmite credibilidade.

 

Para ler todos os textos do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressividade”,clique aqui. Estão publicados na ordem decrescente.

Conte Sua História de São Paulo: as novidades musicais chegavam na Hi-Fi

 

Por Douglas de Paula e Silva
Ouvinte da CBN

 

 

 

Nasci na Lapa, em 1955, na Rua Faustolo. A casa existe até hoje. Meus pais, Antonia e Rubens, sempre foram muito musicais: cantando, dançando, tocando piano. Ele com sua voz de tenor, cantava árias de óperas sem nunca ter estudado música, tocava piano de ouvido e dançava muito bem. Papai era da Aeronáutica, tinha muito contato com pilotos americanos, que traziam discos de jazz, blues, música clássica. Mesmo criança já ouvia Glenn Miller, Dave Brubeck, Miles Davis. Adorava “Take Five” do Brubeck.

 

Quando nos mudamos para o Planalto Paulista, em 1960, um lugar bem isolado naquela época, minha mãe logo me colocou para aprender a tocar piano com a Dna. Maria Expedito, perto de casa. Fiz seis anos de piano meio que por obrigação. Gostava mesmo era de bateria. Minha mãe, disse que aquilo só fazia barulho.

 

Tudo mudou quando, com oito anos, em 1964, minha tia me levou para assistir ao “Os Reis do Ié Ié Ié”, o primeiro filme dos Beatles. Fomos no Cine Nacional, na Rua Clélia, um dos maiores cinemas do Brasil. Quando vi os Beatles tocando, aqueles jovens gritando, dançando no corredor do cinema, percebi que o rock era a minha música.

 

Rádios FM eram raras bem como os aparelhos para ouvi-las. Ouvia as músicas no AM. Por falta de dinheiro, comprava apenas os discos compactos. Os LPs eram caros e demoravam para chegar por aqui. Costumava pegar emprestado os LPs de amigos mais abonados da escola.

 

As novidades chegavam primeiro na loja da “HI-FI” da Rua Augusta, trazidas diretamente dos Estados Unidos pelo dono Hélcio Serrano. Na visita à loja, além das novidades, você encontrava Rita Lee, Raul Seixas, Caetano … Em uma época em que tudo era proibido, as embalagens da HI-FI eram bem ousadas. Lembro de uma delas onde o Serrano aparecia nu com uma capa de disco tapando o que não poderia ser mostrado.

 

Os shows de rock não vinham para o Brasil. O mais famoso a se aventurar por aqui foi Alice Cooper num show caótico no Anhembi, em 1974. Em 1977, veio o Genesis, com Phil Collins no vocal. Um show maravilhoso no ibirapuera. Épico foi o do Queen no Morumbi, com Freddie Mercury comandando mais de 100 mil pessoas no “Love of my life”…

 

No rádio, duas emissoras se destacavam tocando rock: a Difusora e a Excelsior. Vasculhando o dial, descobri na madrugada, o programa Kaleidoscópio, que tocava rock progressivo e discutia temas como drogas, liberdade, teatro … e tocava discos na íntegra.

 

Vieram os CDs, em 1985. E com eles novos grupos como The Police e Nirvana.

 

Tive oportunidade de assistir a muitos shows de grupos que gostava desde a juventude.

 

Há quatro anos fui ver o cover do Led Zeppelin e fiquei impressionado com o baterista, que lembrava em tudo John Bonham. Conversei com ele e desde então, eu e meu filho de 15 anos, Daniel, estamos tendo aulas de bateria. Até nos apresentamos juntos. Foi inesquecível.

 

Falei para minha mãe, agora com 94 anos. E ela, ao contrário do meu tempo de criança, gostou muito. Felizmente!

 

Douglas de Paula e Silva é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br