Promessas de vacina contra Covid-19 ainda este ano alimentam falsas expectativas, dizem especialistas

 

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Foto Pixabay

 

Dia desses publiquei aqui no blog um texto  em que “acusava” cientistas e jornalistas de formarem o exército do estraga-prazer. Bastava surgir uma novidade no tratamento da Covid-19 para os pesquisadores virem a público e colocarem dúvidas sobre os resultados alcançados. Os jornalistas, como em uma estratégia combinada, apareciam na sequência para dar espaço a essas opiniões desestimulantes, em um momento que tudo que as pessoas buscam é uma salvação.

 

Há um outro lado desta moeda — sempre há.

 

Nas mesmas comunidades existem aqueles que estão prontos para vender ilusão — seja entre os pesquisadores seja entre os jornalistas, deixando as pessoas mais felizes (apesar de iludidas) e outras mais ricas.  Desde o início desta pandemia, temos assistido à publicação de uma série de informações, geralmente controladas por agências de comunicação, contratadas por laboratórios de pesquisa, que correm em busca de uma solução para conter o avanço do Sars-Cov-2. Toda vez que essas notícias são publicadas — além de alavancarem o preço das ações das empresas envolvidas — geram uma enxurrada de mensagens, enviadas às redações, questionando porque não anunciamos estas descobertas ou não damos o devido destaque, em lugar de ficar noticiando o número de pessoas mortas e infectadas. “Precisamos de boas notícias”, reclamam.

 

Adoraria ser o porta-voz da boa nova. E espero conseguir fazer isso o mais breve possível. Lamento, porém, informar que aos jornalistas sérios, assim como aos cientistas, cabe a busca da verdade — independentemente de ser boa ou de ser ruim, a verdade é o objetivo.

 

Registre-se que a corrida pela vacina salvadora é bem-vinda, pois tende a acelerar uma resposta para um vírus que tem tirado o sono de boa parte do Planeta e, pior, a vida de 268.999 pessoas (número oficial registrado pela Universidade de John Hopkins até às 21h30 desta quinta-feira). O problema está em oferecer à opinião pública a informação de que a solução está logo ali.

 

Para colocar as coisas nos devidos lugares, o ideal é  recorrer a quem realmente entende do assunto. O Dr Luis Fernando Correia, comentarista de saúde da CBN, me apresentou, hoje, artigo publicado no STAT, site especializado em notícias sobre saúde, no qual são ouvidos especialistas por todo o mundo —- uma gente série, preocupada com a busca de um remédio ou vacina que nos protege tanto quanto em evitar que sejamos enganados por vendedores de óleo de cobra.

 

O título é claro na mensagem que o artigo pretende transmitir: “Promessas crescentes das vacinas Covid-19 estão alimentando falsas expectativas, dizem especialistas”.

 

Para o Dr. Luis Fernando, o texto traz uma visão coerente e lógica para as vacinas que somente devem surgir no horizonte para o público em geral, em 2021. As primeira levas serão para os profissionais de saúde e depois para os grupos de risco. “Mais coerência e menos marketing” foi o que meu colega de rádio sempre pediu na abordagem de temas relacionados a vacinas contra a Covid-19 e foi o que encontrou no artigo que reproduzo em partes aqui no blog.

 

No pé deste post você tem  o link para a publicação em inglês que vale ser lida ao menos para que você se convença de que não somos estraga-prazeres, apenas queremos que você esteja consciente da realidade:

As vacinas para prevenir a infecção pelo Covid-19 estão avançando em um desenvolvimento e velocidade nunca antes vistos. Mas as promessas crescentes de que algumas vacinas possam estar disponíveis para o uso emergencial já no outono (no hemisfério norte) estão alimentando expectativas simplesmente irrealistas, alertam os especialistas.

 

Mesmo que os estágios de desenvolvimento da vacina pudessem ser compactados e os suprimentos pudessem ser rapidamente fabricados e implantados, levariam muitos meses ou mais para que a maioria dos americanos pudesse arregaçar as mangas. E em muitos países do mundo, a espera pode ser muito mais longa — perpetuando o risco mundial que o novo coronavírus representa nos próximos anos.

 

Essa realidade está sendo obscurecida por relatos de que alguns dos primeiros candidatos a vacinas — incluindo um da empresa de biotecnologia Moderna e outro da Universidade de Oxford — podem, em meses, ter evidências suficientes para serem administrados em casos de emergência.

 

Michael Osterholm, diretor do Centro de Pesquisa e Política de Doenças Infecciosas da Universidade de Minnesota, está preocupado que as pessoas não estejam adotando as medidas para reduzir a onda de infecções — que alguns especialistas temem que seja maior do que vimos até agora — porque eles esperam que uma vacina esteja à mão.

 

“Na verdade, ouvi especialistas em ensino superior dizerem: ‘Bem, você sabe, estamos contando com a vacina talvez até setembro porque continuamos ouvindo sobre isso.’ … na mente deles, eles estão acreditando que as faculdades e universidades terão a vacina ”, afirmou ao STAT.

 

Osterholm e outros especialistas deixam claro que não haverá vacina suficiente para estudantes em idade universitária nesse período, mesmo no melhor cenário. É provável que todos os suprimentos que estarão disponíveis — se alguma das vacinas provar ser protetora, no outono — serão designados para os profissionais de saúde e outros na linha de frente do esforço de resposta.

 

“Eu não acho que estamos nos comunicando muito bem com o público, porque eu tenho que dizer a essas pessoas, mesmo se tivéssemos uma vacina que mostrasse alguma evidência de proteção até setembro, estamos muito  longe de ter uma vacina no braço das pessoas ”, disse Osterholm.

 

Supondo que uma vacina possa ser desenvolvida rapidamente, a questão da fabricação não é irrelevante. A produção de algumas  vacinas candidatas  poderia ser mais facilmente aumentada do que outras, observou Emilio Emini, que lidera o trabalho da Fundação Bill e Melinda Gates sobre o assunto.

 

Caso algumas das vacinas mais “escalonáveis” se mostrem protetoras, é possível que elas possam ser feitas nas fábricas existentes, em vez de exigir a construção de novas instalações. A produção desse tipo de vacina pode atingir centenas de milhões de doses em cerca de um ano, disse Emini. Mas qualquer vacina que exija construção de tijolo e argamassa obviamente levará mais tempo para atingir esses níveis de produção.

 

A Organização Mundial da Saúde, que está monitorando de perto o campo das vacinas candidatas ao Covid-19, lista mais de 100 projetos, embora muitos estejam sendo desenvolvidos em laboratórios acadêmicos sem capacidade comercial de produção. Do total, oito já estão sendo testados em pessoas, quatro delas na China.

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A OMS pediu um compartilhamento equitativo das vacinas Covid-19, insistindo que elas devem ser vistas como um recurso global. Mas, desde os primeiros dias dessa pandemia, houve preocupações de que os países que abrigam instalações de produção de vacinas nacionalizem qualquer produção para garantir que as necessidades domésticas sejam atendidas antes que a vacina possa ser exportada para uso em outro lugar.

 

Robin Robinson, que liderou a Autoridade Biomédica de Pesquisa e Desenvolvimento Avançado de 2008 a 2016, disse que a agência gastou bilhões de dólares desenvolvendo a capacidade de produção de vacinas nos Estados Unidos com base nessa suposição. 

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“Eu não acho que a população em geral tenha vacina provavelmente até a segunda metade de 2021. E isso se tudo der certo”, disse ele.

O texto completo, “Promessas crescentes das vacinas Covid-19 estão alimentando falsas expectativas, dizem especialistas”, da STAT, você encontra aqui.

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