Mundo Corporativo: como o coronavírus mudou o cotidiano de uma fábrica de carros e vai impactar o comportamento do consumidor

 

 

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fábrica da FCA em Betim (foto: divulgação)

“Na volta ao trabalho, funcionários devem encontrar um ambiente que os proteja”

Engenheiros de automóveis estudam manuais de respiradores e ventiladores respiratórios; projetistas e desenhistas de carros adaptam impressoras 3D para produzirem plástico shield usados em máscaras faciais. Essas são algumas mudanças que ocorreram na rotina de funcionários da Fiat Chrysler, aqui no Brasil, desde a paralisação das fábricas devido a pandemia do coronavírus.
 

 

De acordo com Antonio Filosa, presidente da FCA na América Latina, graças a disposição desses profissionais já foi possível entregar mais de 1.000 plásticos shield —- mais 1.000 estão para serem entregues nas próximas semanas. E foram recuperados cerca de 100 ventiladores e respiradores de um total de 256 que apresentavam defeitos e não podiam ser usados pelas equipes médicas. Duas salas especialmente preparadas para esses trabalhos foram montadas logo que os novos projetos foram apresentados pelos funcionários.
 

 

Em entrevista ao Mundo Corporativo da CBN, o executivo disse que a crise sanitária e econômica provocada pela pandemia levou a FCA a definir seu planejamento estratégico a partir de três pilares:

  • Solidariedade —- com a empresa expressando sua razão social através de projetos e ações, especialmente com as comunidades no entorno dos locais onde mantém suas fábricas;

  

 

  • Proteção das pessoas —- com investimento para implementar os dispositivos e processos de segurança sanitária nas fábricas, escritórios e ambientes da FCA;

  

 

 

  • Retomada inteligente — com estudo social e antropológico para entender o comportamento das pessoas, dos funcionários, dos parceiros de negócios e do consumidor nos pós-pandemia.

 

 

 

 

A paralisação das fábricas e a queda acentuada das vendas de automóveis fizeram a Fiat Chrysler rever os resultados previstos para suas operações no Brasil, em 2020. Se a expectativa nos dois primeiros meses do ano era de um crescimento de 8% até dezembro, agora o presidente da FCA calcula perdas de até 40%. Segundo ele, em março, a demanda foi 90% menor, e em abril, 80%, índice que deve se repetir quando as contas de maio fecharem. Soma-se a esse prejuízo, o impacto financeiro das mudanças que o fabricante está promovendo para retomar a produção em condições de segurança sanitária.
 

 

No calendário da FCA as fábricas começam a operar parcialmente no fim da segunda quinzena de maio, mas a estratégia de retomada ainda depende do ambiente externo nas áreas em que atua — ou seja, de identificar como está o controle da pandemia em cidades como Betim (MG) e Goiana (PE), onde têm duas de suas fábricas na América Latina. Internamente, todas as medidas teriam sido implementadas, segundo o executivo informou a partir de uma simulação de retorno realizada na semana passada.

“O retorno vai depender da conjunção desses fatores (internos e externos)”

Para aumentar a segurança, a FCA terá termômetros que medem e escaneiam a temperatura de todos os funcionários. Desenvolveu um aplicativo, instalado nos celulares dos colaboradores, para informação rápida e autoavaliação do estado de saúde. E duplicou a frota do transporte coletivo para permitir distanciamento entre os passageiros nos ônibus que levam os trabalhadores às fábricas.
 

 

Quanto ao estudo que analisa o comportamento pós-pandemia, Filosa diz que algumas mensagens são bem claras. Uma delas que parece óbvia é o fato de que a digitalização e a experiência digital serão cada vez mais presentes na vida das pessoas:

“Não apenas nos hábitos de pesquisa ou de consumo futuro, mas também dos nossos hábitos diários: os escritórios parecem agora uma entidade longe do nosso hábito, quando até 45 dias atrás fazia parte do nosso cotidiano”

Outra mensagem aparente é que o período forçado de isolamento mudou a forma de as pessoas se relacionarem com a própria casa que antes era o local de descanso, agora também é o de trabalho e de maior comunhão com a família. Percebe-se também a tendência de algumas pessoas trocarem o transporte público pelo individual, como forma de segurança. E de outras quererem se reconectar com alguns prazeres próprios — no que o automóvel pode ser um agente importante, segundo o executivo.
 

 

Com base na experiência de fábricas da FCA que retomaram a produção, como as da China, Antonio Filosa diz que a expectativa é que, depois desse prendo dramático, a volta ao trabalho deve ocorrer associada a sentimentos mais positivos, com valores mais puros, de solidariedade e união entre os colaboradores:

“Claramente não gostaríamos de ter passado por tudo isso; mas quando voltarmos, vamos voltar melhor e mais forte: com esses valores faremos a diferença”

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, às 8h10 da manhã, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboraram com o programa Juliana Prado, Natasha Mazaro, Patrícia Gubioti e Adriano Bernardino.

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