Fernandópolis no combate a violência contra criança

 

Cidade com pouco mais de 63 mil habitantes, Fernandópolis é o primeiro município brasileiro a implantar o Cadastro Único de Violência Contra a Criança e o Adolescente, a partir de ação da Vara de Infância e da Juventude. O juiz Evandro Pelarin entendeu que o sistema poderia ajudar a identificar casos de meninos e meninas abusadas sexualmente ou vítimas de outras formas de violência, crimes subnotificados no Estado de São Paulo.

Há cerca de um mês a organização do Cadastro se iniciou e, de acordo com Pelarin, o primeiro caso de suspeita de violência contra criança foi apontado e está sob investigação.

Ouça a entrevista com o juiz Evandro Pelarin ao CBN SP

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Cadastro único pode ajudar no combate a pedofilia

WikiCrimes tem mapa da violência no Brasil

 

WikiCrimes

Os moradores de um bairro se reúnem e passam a levantar informações sobre casos de violência na região. Assaltos a residências, roubos de carro, furtos de celular ou sequestros relâmpagos são registrados no endereço em que houve a ocorrência a partir de um mapa que está à disposição na internet. A partir desta coleta, a polícia é mobilizada para atuar nos pontos em que mais ocorrem os crimes.

Esta ação comunitária se torna possível a partir de serviço desenvolvido pelo professor de computação da Universidade de Fortaleza, Vasco Furtado, com base em tecnologia que promove a construção colaborativa do conhecimento. O Wikicrimes está no ar há dois anos e nesta etapa inicial mobiliza comunidades para que estas registrem os atos de violência, mesmo aquelas que não foram transformadas em boletim de ocorrência.

Houvesse o apoio oficial das autoridades de segurança, o serviço conseguiria ter uma dimensão ainda maior, mas apenas o Estado de Minas Gerais se dispôs a colaborar até o momento. Em Fortaleza, onde vive o criador do serviço é onde está o maior número de casos registrados. São Paulo ainda tem pouca participação do cidadão.

Ouça a entrevista do professor Vasco Furtado.


Para conhecer mais o Wikicrimes, acesse aqui

Cadastro único pode ajudar no combate a pedofilia

 

Falta estrutura – e interesse – para combater a violência sexual contra crianças e adolescentes no Estado de São Paulo. Centenas de casos de abuso deixam de ser registrados e punidos por falta de controle nas instituições de saúde, de acordo com o trabalho do advogado Paulo Ernani Bergamo dos Santos, que defende a implantação do Cadastro Unificado na Rede Hospitalar.

Com a informação em rede, seria fácil identificar se a criança que chegou ao hospital para atendimento teve passagem recente em outra instituição com quadro semelhante. A partir da suspeita, o profissional de saúde realiza triagem para verificar se havria sinais de violência.

A ideia está sendo desenvolvida em Fernandópolis, interior paulista, por iniciativa do Poder Judiciário, através da Vara da Infância e da Juventude. Cinco cidades baianas também iniciaram o controle, mas a falta de capacitação dos profissionais para identificar os atos de violência prejudica o combate aos agressores. Por isso, Paulo Ernani defende que ao mesmo tempo que seja criado sistema de coleta de informação, médicos, enfermeiros e atendentes sejam preparados para a tarefa.

Ouça a entrevista do advogado Paulo Ernani Bergamo dos Santos

Foto-ouvinte: Releitura de Abelardo da Hora

 

Obras de Abelardo da Hora

As caixas de madeira ainda estavam sendo abertas e as esculturas de Abelardo da Hora já atraiam os olhares no vão livre do Masp. Ao chegar lá no momento em que a instalação não havia sido concluída, o colaborador do blog Marcos Paulo Dias registrou imagens curiosas a medida que as fitas protetoras e a própria madeira dos caixotes se transformavam em uma intervenção capaz de mudar a mensagem original de cada peça.

Ele também conversou com o filho do escultor que acompanhava o desembalar das 25 toneladas de obras. Abelardo da Hora Filho contou que a retrospectiva celebra os 60 anos da primeira exposição do artista com trabalhos feitos em concreto polido e bronze que trazem para o coração paulistano a realidade do sertão, a cultura pernambucana e o apelo social que sempre inspirou o pai dele. O nu feminino que demonstra a admiração de Abelardo pelas mulheres completa a mostra “Amor e Solidariedade” que ficará na capital paulista até fevereiro de 2010.

Moradoras usam máscara contra mau cheiro

 

Moradoras tampam rosto contra mau cheiro do Pinheiros

Os vizinhos do rio Pinheiros já sabem que quando o verão chega o mau cheiro aumenta. E, por isso, tentam reduzir o impacto provocado pela poluição se protegendo com máscaras. O alerta foi feito por uma ouvinte-internauta Maria Helena Tessitori que mora na Vila Lisboa, zona sul da capital. A Cátia Toffoletto foi até lá para ver como ela e as demais donas de casa se viram com esta situação:

Ouça a repórter da Cátia Toffoletto que conversou com as moradores da região

Heródoto, o Sunday Maionese e a Loka

 

Relíquias de um tempo que não volta mais (ainda bem). Era 1974 e quem brilhava nos palcos universitários era um professor com voz de galã de televisão que anos depois iria embalar as notícias do Brasil e do mundo. Mas isto foi muitos anos depois, porque naquelas tardes de sábado, o “maestro” da festa ainda tinha cabelos em cores naturais e sobrancelhas acentuadas como revela este vídeo do Festival Interno do Colégio Objetivo. No encontro musical, acompanhado com excitação pelas moçoilas, a participação especial era de Adoniran Barbosa, sendo possível identificar ainda Hermeto Pascoal, Rita Lee, Rogério Duprat, Guarabira, Sergio (guitarrista do Terço), Netinho (Incríveis), entre outros que faziam parte do corpo de jurados. Na apresentação … bem, na apresentação ouça a voz, olhe bem fundo naqueles olhos escuros e descubra você mesmo.

Um capítulo da história do alagado Jardim Pantanal

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Recorte do Jornal da Tarde 14.06.2007

Foi a ouvinte-internauta Eloiza Silveira quem me chamou atenção e enviou por e-mail trecho da reportagem que denuncia parte da ocupação do Jardim Pantanal, extremo leste de São Paulo, que está em baixo d’água desde a enchente da semana passada. O texto foi publicado no Jornal da Tarde de 14 de junho de 2007, portanto há mais de dois anos e meio:

Moradores ganham R$ 20 dos caçambeiros que despejam toneladas de entulho, depois espalham os resíduos e demarcam lotes de 120 m2 para vender

NAIANA OSCAR, naiana.oscar@grupoestado.com.br

Enquanto o Estado calcula ter de investir mais R$ 3 milhões em obras para melhorias no Rio Tietê, um crime ambiental, às margens do rio, pode causar danos irreversíveis à Cidade. Diariamente, caçambas despejam entulho na várzea do Tietê, desde o Jardim Romano até o limite com Itaquaquecetuba, Zona Leste.

Segundo moradores, por dia, cerca de 50 caminhões , com capacidade média de 4 toneladas, despejam entulho na região, que em 1998 foi decretada Área de Proteção Ambiental (APA). E não é de agora que isso acontece. Duas lagoas já foram completamente aterradas e sobre elas hoje há uma ocupação irregular.

Três homens se disseram responsáveis pelo aterramento do local. Eles ganham R$ 20 dos caçambeiros para receber o entulho, depois espalham os resíduos e demarcam lotes de 120 m² para vender. Cada um custa R$ 1 mil. “Alguém tem de organizar os lotes”, disse o líder do grupo, Izaías Xavier, 46 anos. A expectativa deles é de que até o final do ano toda a lagoa esteja aterrada.

Para os moradores da área invadida, as caçambas são um benefício para a comunidade. “As enchentes acabaram, os pernilongos e as cobras também. Do jeito que o terreno era antigamente, a gente não podia construir”, disse Cícero, 41 anos, morador do local há 20.

A reportagem do JT flagrou, ontem pela manhã, a chegada de uma caçamba onde antes era a Lagoa do Porto. O motorista descarregou a terra e deixou o local em menos de 10 minutos. Questionado sobre a legalidade do seu ato, disse que era autorizado pelos moradores.

Uma região entre o Jardim Helena e o Jardim Pantanal, em São Miguel Paulista, também está sendo aterrada. Na área, que também pertence ao Estado, seria construído um parque ecológico. Mas os moradores falam até em abrir estradas depois que o aterro for concluído.

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Passarelli e a tecnologia no transporte de passageiros

 

Por Adamo Bazani

No terceiro e último capítulo da história do empresário Sebastião Passarelli, fundador de grande parte das empresas de ônibus do ABC Paulista, você acompanhará a evolução tecnológica dos ônibus e os caminhos que levaram o setor a investir em corredores exclusivos.

Importação de ônibus

O investimento em tecnologia e inovação transformou o setor de transportes de passageiros e obrigou os empresários a mudar a forma de gerenciar seu negócio. Houve evolução dos sistemas operacionais como a alimentação elétrica (trólebus) e o desenvolvimento de corredores para atender a maior demanda que exigiam veículos articulados e biarticulados.

Para Sebastião Passarelli, 81 anos, “o desenvolvimento tecnológico trouxe benefícios e ônus para os empresários”. Um serviço de maior qualidade, veículos mais seguros, econômicos, com maior capacidade, diversidade de encarroçadoras e montadoras estão na lista dos benefícios. Na dos ônus:

“Quem não investiu nas novas tecnologias e não abriu a mente no sentido de que não dava mais para operar ônibus de forma artesanal por causa da grande demanda de passageiros e exigências legais, ficou para trás”

Uma das marcas desta nova etapa foi o desenvolvimento de novas carrocerias. Quando a família Passarelli, nos anos 1930 e 1940, começou a trabalhar no setor os ônibus “jardineiras” tinham carroceria de madeira sobre chassis de caminhão, fabricados pela Ford e General Motors.

O Brasil teve sua primeira encarroçadora de ônibus profissional em 1920, a Grassi dos  irmãos Luiz e Fortunato Grassi. A empresa foi fundada em 1904, na Rua Barão de Itapetininga, 37. Em 1910, fez para a Hospedaria dos Imigrantes, em São Paulo, sobre um chassi de Dion Bouton, de fabricação francesa, o primeiro ônibus com capacidade para 45 passageiros. Em 1920, se dedicou exclusivamente à construção de carrocerias para ônibus. Até então, todas de madeira.

Os avanços tecnológicos no exterior, como os modelo Coach dos Estados Unidos, e a maior exigência dos consumidores internos, fizeram esta indústria evoluir. Em 1945, Mário Sterka, ex-diretor da Volvo, fundou a Carbrasa (Carrocerias Brasileiras S.A.) e fez o primeiro ônibus de aço coberto de alumínio. A Carbrasa foi inaugurada no Rio de Janeiro, ao lado da Volvo, fabricante de chassi e motores.

Em 1948, a General Motors produziu a primeira carroceria metálica 100% brasileira. No mesmo ano, a Carroceria Metropolitana do Rio de Janeiro, fundada por João Silva, Waldemar Moreira, e Fritz Weissman, começou a empregar alumínio nas carrocerias.

Já em 1960, a Companhia Industrial Americana de ônibus, a Caio, fundada em 19 de dezembro de 1945 por José Massa, apresenta a primeira carroceria de ônibus tubular, a Caio Bossa Nova.

A Ciferal, fundada em 11 de outubro de 1955 foi uma das primeiras empresas a usar o duralumínio, material muito mais leve e flexível e se transformou em fornecedora exclusiva da Viação Cometa, com o tradicional modelo Dino, inspirado nos ônibus americanos da Greyhound.

Mas as inovações não paravam aí.

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