Passagem a R$ 2,70 só em 2010 custou R$ 783 milhões

 

Transporte de ônibus em São Paulo (Foto: Marcos Paulo Dias)

E por falar em comunicação, a nota que recebi da prefeitura de São Paulo explicando o aumento no valor da passagem de ônibus tinha 25 linhas e nove parágrafos para apenas no último anunciar que a o paulistano iria passar a pagar R$ 2,70, a partir de 4 de janeiro de 2010.

O congelamento da tarifa neste ano foi promessa de campanha do prefeito Gilberto Kassab e para que esta fosse cumprida foram repassados para as empresas de ônibus R$ 783 mi – dinheiro que, lógico, saiu do cofre público. Mas isto não está na nota oficial da prefeitura.

Leia a justificativa oficial:


“A Prefeitura da Cidade de São Paulo concluiu, com o apoio da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), os estudos para definição do novo valor da tarifa de ônibus municipal, após três anos sem reajuste algum.

A partir dos diversos estudos, a Prefeitura optou pela aplicação da alíquota de 17,4%, que corresponde apenas à defasagem provocada pela inflação desde novembro de 2006, quando foi feito o último reajuste.

Nesse período em que a passagem de ônibus permaneceu com o mesmo valor, a Prefeitura e a SMT promoveram uma série de benefícios para os usuários do transporte público.

Renovação de mais da metade da frota, com a substituição de 8.100 ônibus por novos, mais confortáveis, seguros e maiores, o que gerou uma maior oferta de lugares, tornando-se, assim, a mais nova frota da história de São Paulo.

Aumento da frota acessível. Hoje São Paulo conta com 3.675 ônibus acessíveis distribuídos por todas as linhas que circulam na cidade;

Extensão da validade do Bilhete Único de 2 para 3 horas, possibilitando que mesmo aqueles que moram nas áreas mais distantes possam completar a viagem pagando apenas uma tarifa;

Criação do Bilhete Amigão, que permite ao usuário do Bilhete Único fazer quatro viagens de ônibus em até oito horas, aos domingos e feriados.

Na sexta-feira, dia 18 de dezembro de 2009, conforme determina a Lei Orgânica Municipal, o secretário Municipal de Transportes, Alexandre de Moraes, entregou pessoalmente ao presidente da Câmara Municipal, ofício assinado pelo Prefeito Gilberto Kassab com as informações e planilhas detalhadas.

Com esse reajuste, o valor da passagem passará para R$ 2,70 (dois reais e setenta centavos), a partir do dia 4 de janeiro de 2010, O valor do Bilhete Único que faz integração com o Metrô passará de R$ 3,65 para R$ 4,00”

Não basta governar, tem de parecer e comparecer

 

Kassab no Aliás

Sempre atento ao que sua área de marketing e comunicação indicam, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) errou feio na administração da crise provocada pela enxurrada das últimas semanas. Demorou para reagir no dia do temporal que parou a cidade a ponto de ter aceitado participar de evento de lançamento do torneio internacional de futebol feminino, enquanto milhares de paulistanos eram reféns da falta de estrutura da cidade. Ao falar, já quase ao meio-dia quando boa parte dos moradores havia perdido a terça-feira, tentou negar o que as imagens escandalosamente mostravam na televisão: a cidade vivia um caos.

Dias depois, novo tropeço de comunicação. Abandonou o Jardim Pantanal a sua própria sorte e ao ser cobrado pela sua ausência justificou que havia visitado a área três vezes. De helicóptero. Pior é que olhando lá de cima, avaliou errado ao sugerir uma impossível estratégia de sugar a água que teve de ser cancelada um dia após sugerida.

“Economista e engenheiro, Kassab reagiu de acordo com os parâmetros dessas profissões e com a mentalidade de sua classe social. Ao fazê-lo, expôs o abismo que não raro separa o poder e o povo”

A opinião é do professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP José de Souza Martins publicada em artigo no caderno Aliás, do jornal O Estado de São Paulo, deste domingo.

Martins também compara o comportamento de Kassab com o do presidente Lula que disse querer “tirar o povo da merda”, durante evento em São Luis do Maranhão, tendo sido ovacionado apesar de se valer de expressão pouco apropriada para o discurso do maior mandante do País .

“Kassab se revelou mau ator porque seguiu à risca o roteiro de seu desempenho como prefeito, pois não compreendeu em tempo que o cenário havia sido mudado, dominado agora pelas apreensões e emoções do desastre. Nem sempre os governantes entendem com a rapidez necessária a pauta cambiante do poder para falar e agir de conformidade com a conduta que o momento pede e a única que pode ter sentido naquela circunstância. Lula, por seu lado, revelou-se bom ator, ainda que incorreto na expressão que usou, justamente porque violou o roteiro prescrito para quem governa”.

O prefeito de São Paulo cometeu o mesmo erro de sua antecessora Marta Suplicy (PT) que no último ano de governo, em 2004, estava de férias em Paris, enquanto a cidade encarava mais um dia de enchente. Uma falha de comportamento inexplicável para a administradora que antes era elogiada por suas aparições nos cenários de crise: incêndio em favela, bairro alagado ou deslizamentos de terra.

Apenas para continuarmos em São Paulo, o governador José Serra (PSDB) também foi cobrado pelo sumiço no combate a crise no Jardim Pantanal atingido pelas águas do Tietê e pela ineficiência da Sabesp. Tinha a desculpa de que estava na Conferência do Clima, em Compenhangen, Dinamarca. Não devemos nos esquecer, porém, que em seu primeiro mês de governo também pecou pela ausência durante o acidente que matou sete pessoas no Metrô, em Pinheiros. Demorou mais de 24 horas para deixar o Palácio dos Bandeirantes e descer até o local da tragédia ali pertinho.

De Feliz Natal

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça “De Feliz Natal” na voz da autora e sonoriado por ela, também

http://www.flickr.com/photos/malugreen

Olá,

Natal é conceito; portanto contraditório, arbitrário, plural. Tem fase que aceito, tem fase que não. Nunca sei como a Festa e eu vamos nos relacionar, até o momento em que a rolha do champanhe se liberta do gargalo da garrafa, ou que sozinha em casa sinto sono e vou dormir. Meu humor não depende do formato da Festa; é o contrário. Coração em Festa dá de mil em champanhe francês.

E é na carona desse pensamento que desejo, do fundo do coração, que este Natal, do formato que tiver o conceito para você, seja reconhecido como mais uma oportunidade de reavaliação da rota da tua vida. Que seja reconhecido como marco; não um marco chato, dogmático, nova era de araque; não um marco de surto consumista e de presente cada vez mais caro, no sentido de custar muito e não de ser realmente caro.

Que seja um marco de reconhecimento; de reencontro de você com você. Um momento de se olhar, antes de olhar no espelho para se arrumar para a Festa, vendo além dos cabelos de menos e das rugas de mais. De um olhar que desvenda mistérios que, prisioneiros dos teus sonhos, estão loucos para se revelarem e serem vividos.

Um olhar que permita que você se veja de verdade. Que reconheça a luz divina que emana de você. Que te faça reconhecer a tua responsabilidade em cada respirar da Vida. Que te faça olhar em volta e reconhecer as marcas e pegadas impressas na Vida, por você.

Desejo a você e desejo a mim.

Desejo aos meus leitores, aos amigos e amores do passado, do presente e do futuro, aos filhos e netos, de ontem, de hoje, de amanhã. Aos que me antecederam na árvore brotada das raízes das famílias que me trouxeram até aqui para que eu também exercesse a oportunidade de manifestar a Vida Divina através da minha pequena centelha de vida humana.

Junto com os meus desejos, quero explicitar a minha gratidão a todos os seres que cruzaram, cruzam e cruzarão os meus caminhos. É o brilho de cada olhar cruzando o meu que me faz perceber a Vida.

Feliz Natal.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Todos os domingos cruza na nossa vida através dos textos publicados no Blog do Mílton Jung

“A esperança se foi”, diz Greenpeace na COP-15

 

Imediatamente após a fala dos presidentes Lula e Barack Obama na Conferência do Clima, conversamos com o diretor da campanha Amazônia do Greenpeace Paulo Adário que definiu assim a percepção dele sobre as posições apresentadas oficialmente: “a esperança se foi”.

Adário se referia principalmente ao discurso do presidente americano de quem esperava alguma proposta mais arrojada no combate ao aquecimento global. Para o representante do Greenpeace Obama foi arrogante, enquanto Lula foi generoso.

Ouça a entrevista de Paulo Adário, do Greenpeace

No CBN SP, conversamos também com a Miriam Leitão, comentarista da CBN na Dinamarca, que entende que o o encontro se encerrará com avanços no combate ao aquecimento global, citando principalmente em relação a ajuda para conservação das florestas, e resumiu assim seu olhar sobre os resultados da COP-15: “teremos o acordo possível para os líderes políticos mas muito aquém do desejado pelos cientistas”.

Foto-ouvinte: Feira livre e o lixo, também

 

Feira livre na Aimberé

Moradores de dois pontos distantes da cidade de São Paulo reclamam, nesta manhã, pela falta do serviço de coleta de lixo nas feiras livres. Desde ontem, a sobra da feira da rua Sílvio Torres (Artur Alvim) e da Aimbé (Perdizes) permanece espalhada.

A foto é do ouvinte-internauta Armindo e foi feita na Aimberé, esquina com a Caiowaa.

Agora o outro lado

A Limpurb, responsável pelo serviço de limpeza urbana, informou que a coleta deixou de ser feitas em várias feiras livres da cidade por falha da empresa contratada Loga que será multada.

Foto-ouvinte: Papai Noel tamanho família

 

Papai Noel gigante na MoocaApresentado como o maior Papai Noel inflável do Brasil, esta figura se destaca na praça Ciro Pontes, na Mooca, com seus 30 metros de altura. Não é difícil de encontrá-lo por ali dado o exagero do tamanho, mas para ficar mais simples ainda, a praça está na esquina da rua dos Trilhos e avenida Paes de Barros, duas conhecidas vias da região. A foto e as informações são uma colaboração do vice-diretor Superintendente da Associação Comercial de São Paulo – distrital Mooca -, Júlio César Olivieri.

Enchente, taxa, esgoto e a mesma m…

 

Osasco pós enchente 2

A palavra ganhou destaque na mídia na boca do presidente Lula, semana passada, e se tornou apropriada para a situação vivida por moradores do extremo leste e região metropolitana de São Paulo. Haja vista o que ocorreu nesta quarta (16.12) em bairros de Osasco tomados pela lama e na terça retrasada (08.12) no Jardim Pantanal e áreas vizinhas, na capital, que ainda estão embaixo d’água.

Em três entrevistas, o CBN São Paulo falou sobre assuntos diferentes mas que migravam para o mesmo fato: a falta de estrutura das cidades para encarar os fenômenos do clima. Aliás, a própria Patrícia Madeira, da Climatempo, logo na abertura do programa, chamou atenção para o fato de apesar da quantidade de chuva ser muito grande, não há nada de excepcional neste mês de dezembro.

Ela disse que esta história de que “em duas horas choveu o equivalente a oito dias” é balela. Pois a chuva não cai em prestação, costuma despencar na cabeça do cidadão em pancadas como a que ocorreu nestas últimas semanas.

Mas vamos ao que disse cada um dos nossos entrevistados.

A cidade de São Paulo tem planos de construir 21 parques lineares até o fim do Governo Kassab. Dos 13 previstos para este ano, sete foram entregues. A maior aposta é com o Parque Linear da Várzea do Tietê que deve ter sua primeira etapa entregue em um ano:

Ouça a explicação do secretário interino do Verde e Meio Ambiente da cidade de São Paulo, Hélio Neves

A Sabesp, por sua vez, deixou de tratar boa parte do esgoto gerado na última semana na região de São Miguel Paulista, por defeito em seu equipamento. Sem contar que o esgoto coletado no Jardim Pantanal é todo despejado no rio Tietê.

Ouça a entrevista com o superintendente da Sabesp Paulo Nobre

E como tudo se deve a forma com que ocupamos o ambiente urbano, a professora de engenharia hidráulica da USP, Mônica Porto, defende medidas urgentes para melhorar a drenagem do solo e comentou sobre a necessidade de criação de uma taxa para combater enchentes, a taxa da drenagem:

Ouça a entrevista com a professora de Engenharia Hidráulica da USP Mônica Porto

Aos que não querem ouvir falar em taxa, uma notícia: apesar de a secretária estadual de Saneamento e Energia Dilma Pena ter se sensibilizado com o tema, e se declarou a favor da cobrança, o comentário dela não repercutiu bem no Palácio dos Bandeirantes e em Copenhagen, na Dimarca, onde está o governador de São Paulo José Serra (PSDB).

Como São Carlos acabou com homenagem a torturador

 

Jornalirismo

Nomes de ditadores e torturadores estão em praças, viadutos, ruas e avenidas de cidades brasileiras. Dificilmente, alguém se atreve a propor mudanças revendo as homenagens (indevidas) feitas no passado. A cidade de São Carlos, na região central de São Paulo, teve esta iniciativa descrita em reportagem publicada no site Jornalirismo e assinada por Wellington Ramalhoso, substituindo o delegado Fleury por Dom Helder Câmara:

A história é feita e refeita todos os dias, de todos os lados. O ano de 2009 vai embora e arrasta um triste símbolo da história recente do país. Na cidade de São Carlos, no interior de São Paulo (a 230 quilômetros da capital), chegou ao fim uma homenagem ao mais cruel torturador da ditadura militar. A rua que levava o nome do delegado Sergio Paranhos Fleury passou a se chamar Dom Hélder Câmara.

Por mais de 29 anos, o nome do delegado batizou a pacata via com duas quadras residenciais no bairro Vila Marina, perto da movimentada rodovia Washington Luiz e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Era como se o sarcasmo e a crueldade característicos do personagem estivessem ali reproduzidos, perturbando nos mapas a consciência de quem tenta construir uma sociedade mais justa e livre. Era como se o desrespeito e o desprezo ao sofrimento dos torturados se perpetuassem.

Era assim por causa de um decreto assinado em 15 de maio de 1980 pelo então prefeito de São Carlos, Antonio Massei. Até então a rua levava o nome de travessa G. O entorno era pouco ocupado, mas a referência da região já era a delegacia erguida ali ao lado, na rua Santos Dumont, da qual sai a via em questão.

Massei foi uma figura histórica da política local. Teve três mandatos como prefeito da cidade – o primeiro ainda na década de 50. Segundo o presidente da Câmara Municipal de São Carlos, Lineu Navarro (PT), autor do projeto que retira o nome de Fleury, Massei sempre foi eleito com o apoio das camadas populares do município e não tinha vínculos com o movimento de repressão à oposição durante a ditadura. Lineu e moradores da rua atribuem a decisão de Massei de homenagear Fleury à influência de policiais que atuavam na delegacia vizinha. O batismo da rua foi determinado sem consulta aos vereadores da época.

Naquele mês, completava-se um ano da morte de Fleury. O delegado teria se afogado no mar de Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, ao lado de um iate recém-comprado, no dia primeiro de maio de 1979. O caso ganhou ar de mistério por causa do passado de Fleury e pelo fato de a polícia paulista não ter permitido a autópsia do corpo.


Leia a reportagem completa no site Jornalirismo

Um cachorro na prefeitura

 

O pedido inusitado está no no boletim Landmarketing, da Madiamundomarketing, que tem a frente Francisco Madia. Mas antes de deixar comentários aqui ou lá, leia até o fim, sem preconceito:

“Segundo estudos realizados pela FACULDADE DE MEDICINA VETERINÁRIA E ZOOTECNIA da USP, o chamado CENSO ANIMAL, em 2030, mantidas as taxas de crescimento atuais, o número de cães poderá superar o número de habitantes da cidade de São Paulo. Se até lá formos uma democracia de verdade, deveríamos eleger um cachorro para prefeito, e um gato para vice. Brincadeiras a parte, até que não seria uma má idéia, considerando a “qualidade” dos prefeitos da cidade de São Paulo, e da quase totalidade das cidades brasileiras.

O crescimento da população de cães e gatos na cidade de São Paulo é de arrepiar. De preocupação, e para muitos, de medo. Enquanto o número de paulistanos cresceu 3,6% nos últimos 6 anos, a população de cachorros cresceu 60%, e a de gatos – ATENÇÃO – cresceu 152%. Ou seja, o que já aconteceu em muitos países que famílias estão trocando seus cães – pelo trabalho que dão e envolvimento emocional que provocam – pelos gatos, também acontece por aqui. Uma outra razão pela preferência crescente pelos gatos, é que cães demandam espaços físicos maiores e gatos se ajeitam em qualquer cantinho.

Segundo o CENSO ANIMAL, a população canina oficial da cidade de São Paulo totalizou 2,4 milhões, e a felina, 580 mil. No CENSO ANIMAL anterior, 2002, o número de cães era de 1,5 milhão, e o de gatos, 230 mil. O CENSO constatou, também, total relação entre a presença de animais e lares com maior concentração de idosos, casais com filhos pequenos, ou grandes famílias.

Considerando-se que esse comportamento deve prevalecer em todos os próximos anos, o chamado PET MARKET continuará crescendo a taxas expressivas, e atraindo, cada vez mais, um número maior de empresas.

Com um cão na prefeitura recuperaríamos o verdadeiro sentido da expressão “eleger nossos representantes”.


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