De posição

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça “De posição” na voz da autora

Tenho mudado de posição vezes quase demais e tenho consciência de quanto isso é difícil para quem faz parte de mim; mas não quero enveredar por esse assunto para não desengavetar a coleção de culpas, que só faz entupir os canais da vida da gente e ainda por cima contagia e incendeia competição. Sim, porque um quer ter mais culpa do que o outro, só que quando se expressa se expressa espelhando. Eu mesma me pego no trânsito, por exemplo; se alguém faz uma manobra espertinha eu fico louca da vida, mas vivo fazendo manobra espertinha, e então…

Percebo que quem não muda de posição não é flexível fisicamente. Pode prestar atenção. Olha em volta, só que antes examina a tua posição, no espelho. Onde houver tensão, é melhor ir corrigindo logo, porque se ela já se instalou no físico, está no último estágio para a inflexibilidade virar crônica.

Só sei que me encanta mudar.

Do lugar onde estou agora, luz e cores são novas, mas é também a viagem para a mudança de posição que me encanta; a paisagem é indescriivelmente rica. Tem tudo o que a gente conhece: alegria, tristeza, dor, paz, turbulência, saciedade e fome, só que tudo é menos importante. É menos retumbante. Causa menos estardalhaço. A gente faz menos listas de bom e ruim, porque descobre que a mesma coisa pode ser boa num dia e ruim no outro.

Às vezes muda de rótulo algumas vezes no mesmo dia
e haja rótulo dona maria

Tem coisa que me faz entristecer
mas que faria o outro viver

E aí vou prestando atenção em cada detalhe mostrado pelo ângulo que passa a fazer parte de mim. E nos vejo como um enorme exército de gente de boa índole, de boa cultura, de bom comportamento, de boa intenção, lutando uma luta inglória. Inglória porque não há esperança de vitória se não se persegue o objetivo com ao menos o esboço de um plano de ação. E a gente vive de lá pra cá, murmurando, se queixando e nhenhenhando. Tudo está ruim. Tudo! Abre o jornal. Olha as fotos que são mostradas para você, para mim, para os teus filhos e os meus. São fotos que você porventura colocaria no álbum e guardaria para gerações futuras? Mas você olha, e olha, e ainda mostra, e divulga. e eu também não estou livre do meu próprio puxão de orelha. A gente escorrega. É o hábito da posição anterior. É como mudar de casa, tentar sair da cama pelo lado de sempre e dar com a cabeça na parede.

A gente deixa que penetrem os nossos ouvidos a sujeira, a desgraça, a desesperança, a maledicência; e é disso que a gente se alimenta. Como abutres. E é isso que a gente exala.

Não sou gurua, não tenho a mínima intenção de liderar movimentos e considero esse tipo de liderança, pecado.

Um pecado sem perdão
eliminação da lista dos que no céu entrarão

Mas o que vejo, reporto.

Vejo você e eu cuspindo nos atos alheios num interminável exercício de não sair do lugar. E não gosto nem um pouco do que vejo.

Mas vejo outras coisas.

Vejo por exemplo que não foi o mundo que piorou
foi a gente que melhorou
só que na ansiedade de que outros melhorem na nossa medida para que a festa fique melhor
a gente fica girando como disco riscado
e só o que vê em volta é pecado

Não é o mundo que deixou de evoluir
é você e sou eu que de vento em popa se deixa seguir

Tenho ideia das coisas vistas daqui, e tenho novas, porque parecem boas.

E você, tem visto a vida de janelas diferentes?
Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.


Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza palestra sobre comunicação e expressão. Aos domingos, nos leva a mudar de posição várias vezes com seus artigos publicados no Blog do Mílton Jung

Crack: A situação está fora de controle

 

Por Sebastião Nicomedes
Autor do livro Marvadas, ex-morador de rua

Praça da República

Em um único dia, acompanhando o infernal mundo do crack e seus efeitos sobre a população de rua. Inacreditável, contei 35 brigas, parte em discussões verbais, parte em agressões físicas. Brigas fortes, algumas de tirar sangue. É preocupante, pelo menos metade delas podia ter chegado ao homicídio. O que seria, indiscutivelmente, mais um massacre.

Quando a cidade fecha pelas ruas do centro, aos fins de semana, em plena luz do dia, insurgem em estado de zumbis, completamente transformados e transtornados .Principalmente na região da Luz, mas não é só.

O que outrora era termo pejorativo agora é fato, realmente a Cracolândia existe, hoje espalhada pelo país afora.

Está tudo fora de controle.

A incidência do vício entre os moradores de rua, é disparadamente maior, o grau de vulnerabilidade da rua não pode mais ser considerado médio como se faz nas conferências municipal, estadual e, principalmente, nacional de assistência social.

A segurança pública falhou, mas é também um caso de saúde. No caso dos moradores de rua, é resultante das falhas de tudo, de todas as políticas existentes e até da falta de afeto. O ponto alto porém é a falta de perspectivas.

Na caminhada que fiz entre os craqueiros, encontrei pessoas amigas, muita gente que reconhecemos e tantas outras que nos conhecem. O motivo, o mesmo, perderam as esperanças na vida, não aguentam mais discussões e debates e ações paliativas vadevindas de todas as partes.

Poder público, movimentos sociais, defensores de direitos humanos, polícia, guarda municipal, a sociedade num todo. Tem que mudar os modos de discutir os problemas, as questões, debate por debate, troca de ofensas, acusações e desmentidos, não funcionam mais. As pessoas estão cansadas, os moradores de rua estão saturados e não aguentam mais tanto bate rebate.

Essa droga empesteada, ta destruindo o Brasil, ta destruindo o Rio de Janeiro e vai avassalar São Paulo feito um tornado.

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Entenda o IPTU progressivo discutido em São Paulo

 

A Câmara Municipal de São Paulo discute a implantação da cobrança do IPTU progressivo no tempo que tem como função impedir que áreas importantes para a cidade sejam mantidas improdutivas enquanto há escassez de imóveis para moradia. O projeto deveria ter sido votado na sessão de quarta-feira pelos vereadores, mas desentendimentos políticos entre o líder do governo José Police Neto (PSDB), aquele que representa o prefeito Gilberto Kassab no parlamento, e veredores do DEM, partido do prefeito, provocou o adiamento da decisão.

O embate político partidário, de motivos escusos para o cidadão, encobriu o debate em torno da importância deste mecanismo para o desenvolvimento da cidade. O CBN São Paulo convidou o urbanista Kazuo Nakano para explicar o que o IPTU progressivo discutido na cidade de São Paulo.

Ouça aqui a entrevista, entenda o que o IPTU progressivo e deixe sua opinião

Calçada da Fama e da controvérsia

 

Calçada da Fama em frente a restaurante

A rua Canuto do Val, no bairro de Santa Cecília, é cenário de um debate que deixa qualquer um louco. Em uma cidade na qual as calçadas são um desrespeito ao pedestre, moradores criticam o trabalho de recuperação que está sendo realizado em parceria do poder público e uma empresária, Lilian Fernandes. Ali, onde no passado o abandono era comum, ela decidiu investir na construção de cinco casas com estilos diferentes que funcionam, principalmente, à noite. O aumento do movimento de pessoas passou a atrapalhar o sono dos que por ali moram e a convivência entre o lado residencial e comercial se complicou. Com a aprovação na Câmara de Vereadores e o início das obras para a construção da Calçada da Fama, o caldo entornou.

Acompanhe esta polêmica na reportagem da Cátia Toffoletto que foi ao ar no CBN São Paulo e deixa sua opinião: Ouça aqui a reportagem sobre a Calçada da Fama

MediaOn: Internet, jornalismo e negócio

 

Foi Pedro Doria, quem sempre gostei de ler e está no meu Bloglines, que resumiu a conversa que tivemos nesta manhã no primeiro painel de debates do dia no MediaOn: “a internet foi feita para o jornalismo, ainda que não profissional”. A discussão foi batizada pelos organizadores “Revolução Digital – o planejamento dos grandes grupos de mídia num universo de mudanças”. E foram desafiados a falar sobre o tema, além do editor-chefe de conteúdos digitais do Estadão, Fabiana Zanni, diretor de mídias digitais da Abril, e Antonio Guerreiro, diretor de conteúdo do R7.com.

As propostas desses encontros costumam ser pretensiosas para o tempo oferecido, mas da conversa foi possível tirar a temperatura do trabalho realizado em algumas das grandes organizações de comunicação do País. Do Estadão que “está no azul”; da Abril que “cresce em visitas 73%, enquanto o mercado aumenta 20%”; do R7.com que “montou um portal em cinco meses e tem, hoje, 160 funcionários”. Aspas para afirmações de cada um de seus representantes.

Fabiana, concisa em sua apresentação inicial, falou o suficiente para mostrar como a Abril aplica o conceito de 360o. em seu negócio. Títulos de revistas que sempre fizeram sucesso na banca, (Capricho foi o exemplo) ganham importância nas redes sociais, na construção de sites e blogs específicos. Para o negócio se manter “acreditamos na publicidade, mas também em e-commerce, transação de produtos e abertura de outros negócios”.

Guerreiro deu ênfase na ideia de que o R7.com é independente da Record. Busca no Twitter mostra que não convenceu a audiência com este discurso. Por falar no micro-blogging prometeu que o mais novo portal da rede vai trabalhar o Twitter de uma maneira diferente. De tudo, gostei quando explicou da linguagem usada nos textos da internet: “No R7 nós contamos, não redigimos. Compramos, não adquirimos”. Bom se no rádio se investe nesta ideia sem ser popularesco.

De volta ao Pedro Dória, o cara do Link, lembrou que o jornalismo foi criado para servir comunidades e alimentá-las de informação. Por isso, acredita que a notícia bem apurada é que dará sustentação para o negócio da internet. Estou com ele, mas ainda assim tenho dúvidas de que isto será suficiente para viabilizar as empresas no ambiente de internet.

Fui chamado de “antigo” por um tuiteiro devido a insistência em saber como estas organizações vão arrumar dinheiro para manter os jornalistas empregados e produzindo conteúdo. Sabe-se, por exemplo, que os grandes portais ainda são subsidiados. Por quanto tempo isto será possível ? Ou necessário ? Parece que ainda há gente que acredita que a internet – livre, geral e irrestrita – vai viver de luz.

Doria, Fabiana e Guerreiro não pensam assim. Pelo bem do jornalismo.

Prefeitura diz que 87% das metas já começaram

 

Das 223 metas que a cidade de São Paulo se propôs a cumprir até 2012, 87% já se iniciaram segundo levantamento da prefeitura que será apresentado, oficialmente, nessa quinta-feira. Por exemplo, dos 51 novos parques urbanos previstos, 48 já tem localização definida conforme informou em entrevista ao CBN São Paulo, o secretário municipal de Planejamento Manuelito Magalhães.

O Plano de Metas é uma novidade na administração municipal que surgiu a partir de iniciativa da sociedade civil aceita pela Câmara de Vereadores, neste ano. A cada seis meses, a prefeitura é obrigada a apresentar um balanço das atividades para que o cidadão tenha ideia do desenvolvimento de cada uma das propostas.

A Agenda 2012, nome dado ao Plano pela Prefeitura de São Paulo, deverá ter, a partir de janeiro de 2010, atualização on line das informações fornecidas pelas secretarias e demais órgãos e empresas do município. No primeiro balanço a ser apresentado esta semana será possível o cidadão identificar de que maneira a sua região, o seu bairro ou distrito será atendido.

Ouça a entrevista do secretário de Planejamento Manuelito Magalhães

Como ter desconto de até 50% no IPTU, em São Paulo

 

Os contribuintes de São Paulo tem até o dia 31 de outubro, sábado, para acumular créditos da Nota Fiscal Eletrônica e conseguir desconto de até 50% no IPTU de 2010. Desde 2006, quando o programa foi criado pela prefeitura, foram emitidas mais de 275 milhões de NFE por escolas, laboratórios médicos, academias de ginástica, salão de cabelereiro entre outros prestadores de serviço que faturam até R$ 240 mil por ano.

Para saber quantos créditos tem direito, o cidadão deve acessar o site da prefeitura de São Paulo e se cadastrar no sistema de Nota Fiscal Eletrônica. Durante todo o mês de novembro, através do mesmo site, é possível identificar qual o imóvel será beneficiado. Não é necessário que o contribuinte seja o proprietário da casa, apartamento ou terreno que receberá créditos e terá abatimento no IPTU.

No CBN São Paulo, representante da Secretaria Municipal De Finanças explicou como o contribuinte pode receber o crédito e tirou outras dúvidas:

Ouça a entrevista do subscretário da Receita Municipal de São Paulo, Ronilson Bezerra Rodrigues

Foto-ouvinte: Acidente grave na Inajar

 

Acidente na Inajar de Souza

Nesta manhã, um acidente grave envolvendo um carro, uma moto e dois ônibus na avenida Inajar de Souza, na zona norte de São Paulo, foi registrado pelo ouvinte-internauta Màssao Uéhara. De acordo com a repórter Mônica Pocker, o motorista foi jogado para fora do carro devido a violência do choque e está em estado grave. O motoqueiro também está hospitalizado.

A Paulista é o paraíso mas eu não moro lá

 

Os obstáculos urbanos são incontáveis no caminho do paulistano. Todo dia falamos de buracos na rua, calçadas irregulares, postes atravancando o caminho e guias sem acesso. As segundas, no Cidade Inclusiva, Cid Torquato também chama atenção para estas dificuldades que interrompem nosso passeio. O Blog São Paulo Urgente está postando uma série de reportagens do jornalista Leonardo Feder, que tem distrofia muscular de Duchenne, doença genética que provoca perda progressiva da força muscular. Cadeirante, ele descreve os muitos desafios e constragimento que enfrenta na capital paulista:

“A avenida Paulista virou, na minha opinião de cadeirante que circula pelo local, um paraíso em acessibilidade, após as reformas de 2007 e 2008 que custaram R$ 10,7 milhões à prefeitura na gestão Gilberto Kassab. Tanto que é lá (da praça Oswaldo Cruz ao Masp) onde ocorre a passeata anual do Movimento Superação, um grupo de pessoas com ou sem deficiência que promove projetos culturais visando à inclusão social.

MAS… Moro na Rua Tomás Carvalhal, no bairro Paraíso (talvez só no nome), e consigo chegar até o shopping Paulista em 25 minutos – só que nunca sozinho, devido à falta de guias rebaixadas e aos buracos e desníveis em calçadas do caminho (vejam as fotos no post O DESAFIO DE LEONARDO NAS RUAS DE SÃO PAULO). Como posso ter a liberdade de ir e vir com independência e assegurar minha plena cidadania se não posso usufruir por conta própria das benesses (de cultura, consumo, gastronomia) da cidade?”

Leia esta e outras reportagens sobre o tema no blog São Paulo Urgente

Empresa de ônibus abastece 100% da frota com biodiesel

 

Por Adamo Bazani

Viação Vaz, no ABC Paulista, se antecipa a lei e investe em combustível mais limpo para transportar passageiros em Santo André

Ônibus a biodiesel

O uso de diesel mais limpo na frota de ônibus das cidades da Região Metropolitana de São Paulo será obrigatório a partir de janeiro de 2010, mas algumas empresas decidiram se antecipar ao acordo proposto pelo Ministério Público Federal e assinado pelo Ministério do Meio Ambiente, Ibama, Petrobrás, Anfavea, Governo do Estado de São Paulo e Cetesb, em outubro do ano passado. É o caso da da Viação Vaz que circula em Santo André, no ABC Paulista.

Um novo cronograma foi elaborado depois do descumprimento da resolução 315 do Conama – Conselho Nacional do Meio Ambiente – que previa a produção e utilização de diesel com menos partículas de enxofre e maior concentração de combustíveis alternativos. As cidades de São Paulo e Rio passaram a abastecer a frota de ônibus com este combustível em janeiro. Em maio foi a vez das regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza e Recife. Em agosto, Curitiba. E no início do ano que vem, além das cidades do entorno de São Paulo, serão obrigados a usar o diesel S 50 as cidades de Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre.

O S50 é um diesel produzido com 50 partes de enxofre por milhão e substitui o combustível ainda produzido e usado em boa parte do país que tem 500 partículas do poluente.

De acordo com o diretor da Viação Vaz, Gustavo Augusto Vaz, toda a frota, inclusive os carros mais antigos já rodam com biodiesel. “Firmamos uma parceria com a BR Distribuidora e a frota 100% operada com biodiesel mostra que hoje parte dos empresários sabe que, para continuar operando, tendo lucro e servindo bem a população, cumprindo seu papel de transportar, ele deve olhar em volta: para o impacto que sua atividade traz ao meio ambiente e colaborar também. Este ano renovamos 25% de nossa frota, pois ônibus novo também é melhor para o meio ambiente”.

A empresa comprou mais cinco ônibus preparados para rodar com o diesel que segue os padrões exigidos na Europa, bem mais rigorosos do que o brasileiro. Além disso, os novos carros seguem os padrões de acessibilidade universal. A Viação vaz foi a primeira de Santo André a ter veículos com acesso para passageiros com deficiência.

Os novos modelos com elevadores para cadeirantes, balaústres com relevo para deficiente visual e bancos especiais para idosos, pessoas com mobilidade reduzida e obesos já estão em operação: são cinco Comil Svelto Midi de nova linha (micrão), com motor Mercedes Benz OF 1418.

“Creio que pensar no meio ambiente, além de obrigatoriedade, será uma tendência do setor”, conclui Gustavo

Adamo Bazani, jornalista da CBN e busólogo. Toda terça-feira escreve no Blog do Mílton Jung.