Solução está com os consumidores

 

Por Carlos Magno Gibrail
Comentarista do Blog do Mílton Jung

Visite a galeria de fotos de Gustavo Vara

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O Brasil tem grande responsabilidade no processo de sustentabilidade, tanto pela posse de recursos naturais como fornecedor de alimentos para o mundo. Por isso é extremamente importante o acompanhamento da Amazônia, área essencial para o equilíbrio climático do país, como também das demais áreas ricas em flora, e fauna. Mas, o controle efetivo deve ser feito no mercado consumidor, onde São Paulo é o ponto mais importante, pelo seu volume e condição para tal.

As primeiras medidas já foram tomadas, no sentido de rastrear madeiras e carnes, entretanto é necessário mais divulgação e comprometimento de todos, para alertar que a solução está com os consumidores.

É importante salientar que o sul e o sudeste, já estão provavelmente pagando caro pelo desmatamento da Amazônia, pois as chuvas excessivas estão vindo de lá.

O momento é bom, de Bush a Obama é um progresso, e o Nobel de Economia reforça o otimismo ao premiar a americana Elinor Ostrom, pelo reconhecimento ao seu trabalho que destaca a necessidade de que os cidadãos se envolvam mais nos esforços para preservar os recursos naturais.

Começa o Blog Action Day’09, no blog e no rádio

 

Com mais de 7 mil e 500 inscrições de 139 países e estimativa de cerca de 11 milhões de leitores, está no ar o Blog Action Day’09, uma rede mundial de blogs conectada em um só tema: mudanças climáticas. A ação principal é usar esta mídia nativa da internet para mobilizar as comunidades a discutirem o assunto através de posts.

Outras sugestões de atividades já surgem e das principais está a de pressionar o presidente dos Estados Unidos Barack Obama a aceitar o desafio de liderar políticas internacionais que proporcionem soluções sustentáveis, restringindo as emissões de gases que prejudiquem a camada de ozônio. Se você apoia esta ideia é convidado a assinar petição que será enviada ao presidente americano.

Além de convidarmos os ouvintes-internautas a participarem, tornando público no Blog do Mílton Jung todo o material (texto, foto, som …) que for enviado para milton@cbn.com.br, o CBN São Paulo vai discutir as mudanças climáticas no ambiente urbano.

Dentre os assuntos que fazem parte da nossa pauta desta quinta-feira, o impacto do automóvel no meio ambiente e a política estadual de redução de emissão de gases aprovada nesta semana, em São Paulo. Falaremos com técnicos, ambientalistas e políticos para entender qual a marcha que vamos implantar no desenvolvimento de nossas cidades levando em consideração os reflexos deste crescimento no meio ambiente. Claro, também vamos ouvir você

Acidente com ônibus: Eu já sabia, dizem ouvintes

 

Do helicóptero, com o Paulo Henrique Souza, veio a primeira informação de que o acidente de trânsito aparentava ser grave, dado o número de ambulâncias e a presença de um helicóptero do resgate no local. Do alto dava para ver que um micro-ônibus havia batido na traseira de um ônibus, na avenida Raimundo Pereira Magalhães, no Jaraguá, zona norte da capital paulista. De baixo, no serviço de apuração, começaram a chegar os detalhes como o número de pessoas feridas, 32 no total, e os motivos do acidente. O ônibus parou fora do ponto e o micro-ônibus estava em alta velocidade, disseram algumas pessoas próximas e passageiros. Do local, com a Luciana Marinho, registramos a imagem da imprudência – ou uma delas: o pneu liso, impróprio para circular, sustentava o micro-ônibus lotado de passageiros.

Desta ação da reportagem da CBN à reação dos ouvintes-internautas. O Luiz Alexandre escreveu que o problema é da falta de educação dos motoristas das cooperativas “que andam com ônibus (pneus) carecas, em excesso de velocidade, param no meio da rua e deixam um careca de cabelo em pé”. A Maria Aparecida reproduziu mensagem enviada duas semanas atrás na qual alertava para o desrespeito dos motoristas de lotação no local onde houve o acidente desta terça-feira. Em outro ponto da cidade, o Antônio Carlos Vianna comentou que “principalmente no horário de pico” os motoristas profissionais desrespeitam as rotatórias e põe em risco a segurança dos passageiros e pedestres, na Vila Madalena. E o Daniel Lescano diz que “os ônibus da linha Guarulhos-Estação Armênia desviam o trajeto pelas ruas residenciais de Vila Maria, cansei de denunciar a EMTU mas nada mudou até agora”.

À SPTrans, que deve fiscalizar a atuação de ônibus e micros na capital paulista, restou a constatação de que foi enganada, pois o micro com os pneus carecas havia passado pela vistoria dia 29.09: “Na ocasião apresentou todos os ítens de segurança em perfeito estado, inclusive pneus novos. A fiscalização da SPTrans vai abrir um processo para investigar a responsabilidade pela troca dos pneus do veículo, que agora, segundo observações da reportagem, apresenta pneus carecas ou sem condições de uso”.

Vamos aguardar !

Agora o outro lado

O motorista do micro-ônibus que se acidenteo na Raimundo Pereita de Magalhães foi afastado da função e passará por treinamento e avaliação física e psicológica, segundo informa a SMT em nota divulgada no fim da tarde desta quarta-feira, 14.09:

“A Secretaria Municipal de Transporte informa que afastou os dois motoristas de ônibus envolvidos em acidentes ontem e na segunda-feira. Um deles dirigia o micro-ônibus que colidiu na Avenida Aricanduva, na segunda-feira, deixando quatro feridos. O outro é o motorista do micro-ônibus que se chocou contra um ônibus, ontem, na Avenida Raimundo Pereira de Magalhães. Ambos estão impedidos de dirigir e passarão por processo de reciclagem e avaliação de saúde física e psicológica, enquanto a Secretaria Municipal de Transportes aguarda a apuração de responsabilidade pelos acidentes, a ser feita por sindicância e por inquérito policial”.

Mudou muito, mas ônibus já transportaram porco e galinha

 

Por Adamo Bazani

Dois amigos unidos pelo ônibus relembram passagens curiosas e falam das mudanças profundas que ocorreram no transporte de passageiros, na segunda parte desta reportagem

SÃO CAMILO 147

Lázaro Barbosa da Silva, 44, e Márcio Antônio Capucho, o Miranda, 37, se dizem testemunha ocular da evolução do transporte de passageiros, tanto em relação aos modelos dos ônibus, como às cidades e às operações.

Na Viação Cacique, tinha uma linha que ia até um bairro de São Bernardo do Campo, chamado Represa. “Era praticamente uma zona rural dentro da cidade grande. O ônibus ia até uma rua asfaltada, o restante do bairro era de ruas de terra e lama quando chovia. Os passageiros, educados, diferentemente de muitos de hoje, iam com um sapato até o ponto de ônibus. Lá, eles trocavam de calçado, sujo de barro, para entrar no ônibus. Muitos trocavam até as roupas de cima. Parecia um passageiro até o ponto e outro dentro do ônibus. Mas era inevitável, os ônibus sempre acabavam ficando sujos por dentro”, conta Lázaro.

E na época das festas de fim de ano ?

“O pessoal ia com animais vivos dentro do ônibus, para depois servirem de almoço nas festas. Quantas vezes eu trabalhei com cacarejo de galinhas na minha orelha. Um dia, me lembro como hoje, um passageiro entrou com um porco dentro, isso no início dos anos 80. O bicho se soltou, começou a correr no veículo e os passageiros também. Foi uma bagunça só, o porco no chão e os passageiros subindo nos bancos. Fora a sujeira e o cheiro dentro do carro” , diverte-se Lázaro.

O que faz Miranda lembrar as dificuldades da região do ABC Paulista no início da sua carreira eram as ruas de terra e cascalho, desafios para os motoristas. “Eu ainda novo, quis pegar o ônibus de um motorista chamado Marcondes. Então, ele ficou ao meu lado enquanto eu dirigia. Numa ladeira de terra, no Jardim Itapoá, região do Parque Capuava, em Santo André, me desesperei. Simplesmente o carro, um Caio Amélia, começou a deslizar na ladeira. Eu queria devolver a direção para o Marcondes, mas ele, dizia: ‘Não dá, não dá pra parar, agora você tem de ir até o final da ladeira’. A traseira puxava para um lado e a frente para o outro, os pneus não seguravam na via, mas no final, depois de muito susto, deu certo”

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De linguiça a carniça, de televisão em cores a dores de amores, de copo-d’água ao mal de mágoa, de ideia e de plateia, de canapê ou canapé, bebê ou bebé

 
Por Maria Lucia Solla

Ouça o texto “De linguiça a carniça, …” na voz da autora

 

 

E convém que se fale do hífen.

Eu entendo que na vida ele tenha pouco peso. Entendo que esteja tão lá em baixo que nem dá para ver o acento agudo no “i“.
Mas faz parte.
E faz parte da nossa língua escrita.

E aqui é importante que eu confesse que não faço parte do grupo que quer de volta o nacionalismo, ufanismo, ou como queiram chamar. Acredito na evolução do Homem, e a Humanidade começou sem pátria.
No paraíso.
Aí foi um divide daqui, puxa dali, rasga ao meio acolá, assina tratado e depois pica o papel em pedacinhos, mata homens, mulheres, crianças, animais, árvores, pássaros, répteis, e delimitam-se fronteiras em nome do “isto é meu e isso é teu”.

Eu acredito ainda no Homem, seja ele branco, amarelo, vermelho, marrom, listrado ou quadriculado. Acredito no Homem, tenha ele olhos castanhos, azuis, verdes ou cor de mel.

E por falar em cor de mel, fica sem hífen, assim como cara de pau.
Mas cor-de-rosa mantém o hífen.
Não se sinta mal.

Mas falávamos de nacionalismo. Eu tive bandeira e hino na escola, mas não acredito que o mundo ficaria melhor se a prática voltasse. Ao contrário, se quiser a verdade nua e crua do que penso, acho que não está melhor porque ainda existe isso e mais um pouco disso, aqui e ali, no mundo, desde a pré-história (com hífen).

O que falta ao homem é respeito e amorosidade, empenho e religiosidade, coragem e verdade, boa-educação e dignidade;
seja ele afro-asiático, indo-europeu,
cristão ou judeu.

Hífen não pode mesmo ser muito bom. Não é de comer, não dá fofoca, não dá barato, não dá dinheiro e não faz moda. É um sinal deitado, e com ele ou sem ele a gente entende o que se quer dizer. Ou seja, ele nem faz lá grande diferença.

O que já não é verdadeiro para o sinal de interrogação, por exemplo. Todo torto, vítima de lordose agudamente crônica, devido a postura de dar dó, quando não usado adequadamente causa uma confusão que só.

O ponto de exclamação, por outro lado, apesar da postura impecável e do corpinho bem-talhado, anda em desuso. A pontuação da hora vem em grupo; são os pontinhos das reticências, já que tudo pode ser…

Mas voltando ao hífen, a nossa língua não é das mais fáceis, mas é das mais ricas. Tem lugar cativo no clube, para nós que somos chegados num, das neo-latinas, acompanhada de feras como francês, italiano e espanhol.

E como tudo nesta vida, ela é bonita se bem-falada, se bem-escrita, bem-articulada, respeitada, bem explorada e acariciada. E é assim que ela quer ser usada. Para que você seja bem-compreendido, ouvido quando fala, lido quando escreve, acreditado quando promete, respeitado quando exige respeito em troca.

Mas o hífen é só parte do que foi mexido na língua escrita. O restante passa pela acentuação, um retoque no alfabeto e a execução sumária do trema, que de saudade faz que eu trema.

Na verdade da realidade dos fatos, menos de 0.6% das palavras foi afetado pelo tal Acordo Ortográfico.
Não é de arrepiar.
Com o tempo todo mundo vai se acostumar.

Enquanto isso, se você precisa escrever, use um corretor, compre um dicionário atualizado e comece pela palavra que mais gosta, a mais sonora, a que te traz lembranças de outrora.

Você vai se surpreender. Curioseia daqui, curioseia dali e, como tudo na vida, além de comer e coçar, é só começar
E se duvidar, pode se animar e gostar.

E como anda a tua comunicação?

Pense nisso, ou não, e obrigada pela atenção.

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Aos domingos, é sempre bem-vinda ao Blog do Mílton Jung, com hífen, é lógico.

Foto-ouvinte: Jardineira no ônibus

 

Foto e recado do ouvinte-internauta Tiago Cheregati:

Se não me falha a memória, costumava-se limpar as janelas dos ônibus todos os dias, não? As fotos que tirei não são de ônibus rurais que andam por estradas de terra: são aqui da Mooca mesmo. E já faz tempo que a coisa está assim.

Milton, pergunte ao busólogo Ádamo Basani e diga se estou errado: Em nenhuma outra década tivemos janelas tão sujas quanto agora.

Daqui a pouco, não vai dar mais pra saber se está perto de descer… Vamos ter que usar o GPS do celular do colega ao lado. Às vezes parece que a nossa força de vontade pra piorar a situação é maior do que a de evoluir…

Ei, Kassab, coloca no Edital uma ducha pra cada coletivo todo dia!

O lado bom da história:

Antigamente as janelas de ônibus não tinham floreiras como hoje em dia. Vão crescendo plantinhas pra gente olhar, cuidar, e pra filtrar o ar que a gente respira no busão.