Por Maria Lucia Solla
Olá,
Hoje de manhã, passeei com a Valentina pelas ruas do bairro, curtindo a claridade do dia, parando para um papo aqui, uma curiosada ali,
um xixi discreto na beirada do meio-fio, um cocô recolhido e depositado no lixo…
Sentiu?
E tudo isso fluia, até que me dei conta de que, de novo, ainda não tinha decidido sobre o que escrever, sobre o que falar,
o que contar.
Sim, porque minha paciência para vociferar, contra a bandalheira instalada ao redor, se esgotou.
Secou.
Prefiro falar sobre a possibilidade de calibrar senvergonhança e falsidade, traição, mesquinhança, violência e maldade,
maucaratismo, prepotência, medo e egoísmo,
subjugação, ironia peçonhenta,
posse e má-criação barulhenta.
Mas sobre o que vou falar, pensei, e um dos vincos na testa se aprofundou.
Um pouco por causa do sol, outro tanto porque a preocupação me assaltou.
As costas enrijeceram, os músculos do pescoço retesaram, gritando pela minha atenção; e eu parei.
De andar, de pensar; parei.
Simplesmente.
Me percebi nada,
vazia.
Vazia, porque estava cheia demais de mim mesma
Ironia!
Aí me livrei de mim. Me deixei ali na esquina, e segui vazia.
Foi então que fiquei plena.
De tudo, de nada, das folhas da calçada.
Baixei a cabeça, dobrando ainda mais o ego, e vi.
E me emocionei.
Vi as sombras daquilo que brilhava, para me monopolizar a atenção.
Percebi tudo, me senti plena.
Desenho do sonho sonhado,
do desejo realizado.
Saquei meu celular e registrei o que aqui revelo.
Deus não está no céu.
É mentira!
Deus não separa bem de mal, luz de sombra
bom de ruim
você de mim.
Deus é luz e sombra
É tudo e nada,
ou você vai me dizer que nisso eu estou errada?
Pense, ou não, e até a semana que vem.
Maria Lucia Solla é terapeura e professora de língua estrangeira, aos domingos escreve no Blog do Milton Jung e provoca nossa reflexão