Secretaria não tem comissão “formal” para analisar livros, diz secretário

“Inadequado” foi a expressão usada pelo secretário estadual da Educação Paulo Renato de Souza ao se referir aos livros “Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol” e “Poesia do Dia” distribuídos nas escolas públicas. Em ambos, foram encontrados textos que faziam referência a sexo, drogas e violência de maneira inapropriada para crianças de oito e nove anos. O último caso, denunciado por este blog, nessa quarta 27.05, está ligado a dois poemas de Joca Reiners Terron (leia mais aqui).

Na entrevista ao CBN SP não ficou muito claro o critério e a formação da comissão  que escolheu 818 títulos para serem usados pelos professores em sala de aula. Paulo Renato disse que não existe uma comissão formalizada, mas há, sim, um grupo de professores sob responsabilidade do programa Ler e Escrever que, a partir de lista enviada pelas editoras, faz a seleção.

O secretário disse que foi solicitada uma revisão nos livros que integram o programa e  na quarta-feira da semana que vem todos estes livros serão apresentados aos jornalistas: “vou chamar toda a imprensa para examinar cada um dos títulos”.

Ouça a entrevista do secretário da Educação Paulo Renato de Souza para Tânia Morales

Poesia para crianças da rede pública fala em droga, sexo e estupro

Trechos extraídos de Poesia do Dia

As frases acima foram extraídas de duas poesias de Joca Reiners Terron, escritor, designer e editor,que estreou na literatura em 1998 e tem textos publicados no exterior, também. Terron é um dos nomes que surgiram nos últimos tempos no cenário literário brasileiro com muito destaque pela força e qualidade de seu discurso. Merece ser lido e estudado. O que professores da rede pública estadual de São Paulo estão em dúvida é se “Manual de Auto-ajuda de Supervilões” (do qual faz parte as duas primeiras frases) e “Perdido nas cidades” (as duas últimas) são apropriados para garotos e garotas de oito e nove anos da 3a. série, conforme propõe a Secretaria Estadual de Educação.

As poesias fazem parte do livro “Poesia do Dia”, organizado por Leandro Sarmatz e publicado pela Editora Ática, comprado e distribuido pelo Estado, no programa Ler e Escrever que tem como intenção “oferecer recursos para garantir as melhores condições de ensino às crianças que frequentam as primeiras séries do ensino da rede pública estadual”.

Há uma semana, o livro “Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol”, publicado pela Via Lettera, foi recolhido pelo Governo do Estado depois que professores identificaram a presença de textos pornográficos (leia aqui). Antes deste fato, cartilhas com erros de geografia foram retiradas das escolas, após o Estado gastar dinheiro público com o material pedagógico.

No caso do “Dez na Área”, o governo admitiu o erro, disse que este teria sido de responsabilidade de uma comissão da Secretaria Estadual da Educação e prometeu verificar quem teria avaliado de maneira errada o material literário distribuído para crianças da rede pública.

Para ler os textos completos das poesias acesse aqui:

Manual de Ajuda de Supervilões

Perdidos nas cidades

Mudança climática vai além de pedágio e fretado

O debate em torno do acesso dos ônibus fretado ao centro de São Paulo e a imposição do pedágio urbano ocupou boa parte do tempo da discussão sobre o projeto de lei do Executivo que prevê medidas para combater as mudanças climáticas, em São Paulo. O tema que pode ser votado nesta quarta-feira, pela Câmara Municipal, porém, é muito mais abrangente e importante para a cidade.

O pedágio foi descartado como forma de restringir o acesso do automóvel. E a discussão sobre os limites dos fretados, meio importante de transporte da população que mora na região Metropolitana e trabalha na capital, ainda necessita ajuste para que as partes se entendam. E. como diria minha vó, a emenda não fique pior do que o soneto.

Mas não podemos olhar apenas para estas questões, afinal o buraco é muito mais em cima e se não tomarmos medidas no ambiente urbano sofreremos com os prejuízos em breve. Alguns já sentimos no próprio nariz, nos pulmões, na saúde do cidadão. Vá conhecer a situação dos pacientes dos principais hospitais paulistanos que tratam de doenças respiratórias.

O Movimento Nossa São Paulo promoveu nos últimos dias abaixo assinado com o objetivo de mobilizar a Câmara Municipal a votar o projeto de lei. São mais de 600 assinaturas eletrônicas até agora. E, agora, convida a sociedade a acompanhar a votação no plenário da Câmara Municipal.

Em conversa por email que mantive com a organização do Movimento recebi alguns pontos do projeto de lei que vão muito além doaqueles que temos acompanhado na mídia.

– Redução de 30% das emissões de gases de efeito estufa na cidade até 2012;
– Prefeitura só poderá contratar obras que empreguem uso de madeira certificada e legalizada.
– Redução dos combustíveis fósseis no transporte público em 10% por ano a partir de 2008 e a substituição integral em toda a frota a partir de 2017;
– Ampliação da oferta e estímulo ao uso de transporte público, principalmente os de menor potencial poluidor, priorizando a rede ferroviária, metroviária, de trólebus, e outros meios de transporte utilizadores de combustíveis renováveis; 
- Ampliação de infra-estrutura para o uso de bicicletas;
– Implantação de faixas exclusivas para veículos com dois ou mais ocupantes nas rodovias e vias principais ou expressas;
– A concessão de licenças ambientais para grandes empreendimentos condicionadas a medidas compensatórias ambientais;
– Prefeitura vai reduzir o custo da construção acima do limite para empreendimentos que usarem energias renováveis; 
- A instalação de 96 ecopontos (um por distrito);
– locais de entrega de entulho e material reciclável;
– que atualmente são em 32.;
– Condomínios, shoppings e outros conglomerados deverão instalar coleta seletiva;
– Prefeitura deverá implantar a coleta seletiva de resíduos em toda a cidade.

Se você considerar algum desses pontos importantes para a qualidade de vida na capital paulista, vá até o site da Câmara Municipal de São Paulo e mande um e-mail para o seu vereador pedindo o apoio dele ao projeto de combate às mudanças climáticas. Se você discordar de alguma dessas ações, não deixe também de participar com sua opinião e sugestão.

O que você pensa da lei municipal de mudanças climáticas ? (postado às 15:23)

A pergunta foi feita a três entrevistados no CBN SP, ouça o que cada um deles falou sobre o assunto:

José Police Neto, vereador do PSDB e líder do Governo na Câmara Municipal

Maurício Broinizi, coordenador do Movimento Nossa São Paulo

José Goldemberg, do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP

A bancada do PT na Câmara de Vereadores foi procurada pela produção do CBN SP, mas a alegação é que nãop havia vereador disponível para falar sobre o assunto.

Canto da Cátia: Fretados na campanha

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Um ônibus fretado substitui 20 carros, é a mensagem que os empresários do setor transmitem no protesto que realizam nesta quarta-feira, em São Paulo, com faixas na lateral dos veículos que circulam pela cidade. A campanha registrada pela Cátia Toffoletto, nessa manhã, é para pressionar os vereadores a não aprovarem lei que restringe circulação dos ônibus.

Trânsito: mortos, feridos e atropelados

A Lei Seca é apontada como uma das formas de se combater a violência no trânsito, mas a comparação com o modelo implantado em outros países deixa claro que o Brasil ainda precisa avançar muito. Enquanto na França são realizados 9 milhões de testes de bafômetro por ano, aqui no Brasil temos 300 mil.

Se por lá, as autoridades públicas precisam prestar contas a cada três meses sobre os números de mortes e vítimas em acidentes de trânsito e se justificar sempre que houver aumento, aqui no Brasil … bem, aqui no Brasil você sabe como as coisas são.

Hoje, 26.05, realizou-se o Seminário Internacional de Segurança e Proteção no Trânsito e nos Transportes. E o CBN São Paulo conversou com o representante da OMS, Organização Mundial da Saúde, doutor Marcos Musafir, sobre o efeito da violência que enfrentamos no dia a dia no trânsito dos centros urbanos e os caminhos para amenizar este cenário.

Durante a entrevista, levantamento feito pela Monica Poker, que acompanha o tráfego na capital paulista durante a manhã, apontou até às 10 horas, 19 acidentes – número abaixo da média. Houve neste período nove atropelamentos.

 Ouça a entrevista com o dr. Marcos Musafir (OMS)

Aterro sanitário melhor; lixo, pior

A qualidade dos aterros sanitários no Estado de São Paulo melhorou, segundo Inventário Estadual de Resíduos Sólidos Domiciliares 2009, divulgado nesta terça 26.05. O avanço pode ser constatado na comparação com o primeiro monitoramento feito em 1996 quando apenas 4 % dos locais destinados para depósito de lixo eram considerados adequados. Atualmente, 52% dos aterros receberam aprovação da Secretaria Estadual do Meio Ambiente.

Na capital paulista, os três aterros receberam nota alta, a partir de 8,9, mas a avaliação não leva em consideração o fato de que estes locais estão com sua capacidade esgotada. Uma realidade que muda pouco é a quantidade de lixo enviada aos aterros. Calcula-se que mais de 90% dos resíduos produzidos acabam nesses terrenos quando boa parte poderia ser reciclada ou reaproveitada.

Um dos aspectos apontados no Inventário é que de cada cinco aterros um não tem licença para operar, o que não quer dizer que não estejam em condições adequadas.

Ouça a entrevista com Aruntho Savastano Neto (Cetesb), coordenador do Inventário de Resíduos Sólidos

Calçadas são barreiras urbanas em São Paulo

Dr Zuquim Dez 16

Para proteger as árvores, o condomínio da avenida Diogenes Ribeiro de Lima, em Alto de Pinheiros, zona oeste de São Paulo, construiu canteiros que tiraram espaço da calçada. Os cadeirantes tem dificuldade para andar no local e deficientes visuais perdem referência ao encostar a bengala no pequeno muro próximo do meio fio. A história foi contatada por um ouvinte-internauta que pediu para não ter seu nome publicado, mas que ficou sensibilizado com a situação.

Provocado pela mensagem enviada ao Cidade Inclusiva, o comentarista Cid Torquato trouxe, nesta segunda,  a discussão sobre o calçamento na capital paulista, uma encrenca sem fim: “ Elas são esburacadas, estreitas, feitas de materiais inadequados, fora as árvores, postes, jardineiras, degraus, camelôs etc. Mesma coisa com prédios e locais públicos. É uma reclamação recorrente dos ouvintes”.

Para Cid, seria necessária intervenção mais efetiva da prefeitura nestes casos, semelhante ao que foi feito na avenida Paulista. Na ideia dele, o poder público reformaria a calçada e mandaria a conta para o proprietário dos bairros mais ricos que subsidiariam a conservação nos mais pobres.

Comentei com Cid  sobre a sequência de imagens feitas por ouvintes-internautas que fazem parte do nosso álbum no Flickr e mostram o desrespeito às calçadas e ao cidadão. Reproduzo neste post algumas destas fotos:

Foi o assunto entrar em pauta no Cidade Inclusiva e as mensagens começaram a chegar no CBN SP, assinadas por ouvintes-internautas indignados com as condições do calçamento na capital e cidades vizinhas. Jesulino Alves, por exemplo, fala de Guarulhos: “Não tem coisa que agride mais o direito de ir e vir do que uma calçada ocupada, mas ninguém consegue resolver isso, é incrível !”. Ele relata que pequenos supermercados costumam usar a calçada como extensão do seu negócio. E no centro, camelôs tomam o passeio. Nada que não tenhamos visto em São Paulo.

Sérgio Gigli fez fotos na Ataliba Leonel, na zona norte da capital, para mostrar como oficinas e borracharia exploram o espaço público. A imagem que você vê no alto deste post é no início da Dr. Zuquim. Basta passar por lá e todos conseguem enxergar a irrgularidade. Até os fiscais conseguiriam fazê-lo se interesse tivessem.

Francisco Piedrahita traz sua experiência de Montevideo, Uruguai:  “La há calçamento padrão nas ruas e o proprietário está obrigado a manter a calçada de sua propriedade em condições segundo as disposições legais”. Aqui também Francisco.

A diferença: “Se não o fizer (a conservação) a Prefeitura as repara e acrescenta a despesa ao valor do imposto equivalente ao IPTU. O preço do serviço feito pela Prefeitura é muito maior, porque o serviço é terceirizado”

E você, qual a sua experiência com calçadas ?

Presente e passado nos 60 anos do trólebus

Trólebus de gerações antigas foram colocados ao lado de modelos moderno e provocaram clima de saudosismo entre os busólogos que visitaram no fim do mês passado, a exposição que comemorou os 60 anos deste modelo de transporte, em São Paulo. A praça da Independência, no Museu do Ipiranga, foi o lugar escolhido pela SPTrans para “estacionar” veículos como os imponentes americanos ACF Brill e os tecnológicos Urbanuss Pluss de piso baixo.

O Ádamo Bazani não perderia esta viagem no tempo por nada. Esteve por lá e na quarta reportagem da série em homenagem ao trólebus apresenta mais um slideshow com imagens históricas.

Para aproveitar melhor as fotos do álbum amplie na tela do seu computador. Se quiser as informações clique no icone disponível no alto e a direita da tela.

Dona Lola

Por Fernando Gallo
Blog Miradouro

Agora que começa a passar o luto da morte do marido, companheiro da vida toda dos tempos de Barcelona, Espanha, onde nasceram, e de Córdoba, Argentina, onde foram viver, dona Lola, avó da minha amiga Soledad Miralles, começa a sair de casa novamente.

Tem buscado em um centro de convivência para aposentados, gerenciado pelo governo de Córdoba, algo que preencha o novo vazio de seus dias.

Sim, porque mesmo que a ela, como à maioria dos amigos que fez, falte dinheiro, a província não deixará que lhe falte um mínimo de dignidade para levar os dias que lhe restam.

Para isso, não paga mais do que 10 pesos mensais, algo em torno de 7 reais, e nesse centro, além da companhia, que vem espantar os fantasmas, encontra um cabeleireiro que lhe põe os ralos brancos cabelos em dia, uma manicura que lhe corta as unhas e um clínico geral que cuida para que chegue ao último suspiro com a melhor saúde de que seu organismo disponha.

Também lá, pode comprar – e tem comprado, uma vez por mês, ao menos – por 40 ou 50 pesos, pacotes de viagens para cidades da própria província, ficando às vezes um final de semana, às vezes até 4 dias fora.

– Claro, são quartos coletivos, a comida muito simples e o banheiro às vezes fica fora, e nós temos que caminhar uns 50 metros para chegar até ele. Mas é tudo limpo e organizado e ninguém reclama. Todos têm a opção de não ir, mas está sempre cheio – conta ela.

Dona Lola têm sido verdadeiramente cuidada pelos seus governantes agora que, aos 78 anos, a potência e as possibilidades vão se esvaindo, e tudo o que ela agora mais precisa é justamente disso, cuidado.

Fernando Gallo é repórter da CBN e escreve com mais quatro amigos para o Blog Miradouro. Vá até lá e conheça outros textos desta turma.