The Borgias: uma obra-prima que reúne talento, arte e intriga

 

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“The Borgias”
Uma série de Neil Jordan
Gênero: drama, romance , épico
Produção: canadense-hungara-irlandesa

 

A série é baseada na história da familia Borgia, proeminente família de origem espanhola que se tornou a mais poderosa da Itália na época da Renascença… Uma família conhecida por cometer vários crimes, incluindo adultério, simonia, roubo, estupro, corrupção, incesto e assassinato (especialmente por envenenamento)

 

Por que ver:
Além de ser uma obra-prima, fala sobre a história mundial daquele período riquíssimo em arte, Michelangelo, Leonardo e etc…

 

Jeremy Irons interpreta o papa Alexandre VI e acredito ser o papel de sua carreira…

 

A parte política cheia de detalhes, intrigas, jogadas de mestre, guerras, articulações é excepcional. O filho do Papa, O Cesare Borgia, foi a inspiração de Maquiavel para escrever “O Príncipe”, para vocês terem ideia do que lhes aguarda…

 

Os figurinos, cenários, linguagem são perfeitos, também…

 

Tem tantas curiosidades. Leonardo Da Vinci foi o primeiro a desenvolver uma arma de fogo portátil: uma espingarda. Não era um escândalo, mulheres grávidas sem ser do próprio marido … Enfim um mar de detalhes interessantes para você explorar.

 

Eu desconhecia várias passagens desta parte da história; não sei como vivi até agora sem elas … hahahahahah.

 

Como ver:
É bem pesado, mas rola assistir com amigos e familiares…Menos filhos menores de 16, tá?

 

Quando não ver:
Não sei se tem em aviões… Mas não veja em lugares onde você não terá acesso aos próximos capítulos… Outra informação, a série acaba antes da morte do Papa e a derrocada final da família…Se você se incomodar em ficar sem um final para os principais personagens, não assista, mas agora que assisti a série todinha, esse certamente não seria um motivo contundente…. Eu pude descobrir o final da história na internet.

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Dá dicas de filmes e séries aqui no Blog do Mílton Jung

Fragmentos de (in)justiça no Brasil

 

Por Julio Tannus

 

Uma (in)justiça:

 

Há alguns dias, fui chamado, como síndico, para atender à portaria. De repente, me vejo frente a um oficial de justiça e duas viaturas da Polícia Militar. Para minha surpresa, após comprovar a identidade do oficial, leio despacho de um juiz de direito determinando a retirada de bens móveis de um de nossos condôminos.

 

Por mais incrível que possa parecer, como não havia ninguém no apartamento, foi acionado um chaveiro para possibilitar o acesso ao mesmo. Presenciei toda a situação, permanecendo envolto nesse contexto desde às 13:00 até às 23:50 horas, juntamente com o oficial de justiça, sua assistente e policiais militares. Foram retirados: geladeira, forno de micro-ondas, fogão, televisores, computadores, impressora, poltronas e sofás.

 

Fui informado que havia um débito do proprietário no valor original de R$ 15mil que, acrescidos de multa e outras variáveis, atingiu a casa dos R$ 68mil.

 

E aí me pergunto: como os bens móveis retirados, uma vez já usados por um bom tempo, podem resgatar o valor pretendido? Como ficam os inúmeros devedores nesse país afora, devedores por várias razões – por exemplo, perda de emprego – diante desse precedente?

 

Outra (in)justiça:

 

Passados sete anos em minha nova residência, dou-me conta que o valor do IPTU mais que dobrou no período. Resolvo consultar a Prefeitura de São Paulo sobre o porquê do aumento tão elevado, uma vez que sou proprietário do imóvel e não tenho nenhuma intenção de comercializá-lo.

 

A explicação que consegui apurar para esse fato é que os imóveis na região foram muito valorizados. E aí me pergunto porque um órgão público quer se beneficiar de sua valorização? Não seria o caso de obter vantagem sobre essa valorização apenas no caso de venda do imóvel?

 

E então desfiei meu descontentamento para o atendente da Prefeitura: o retorno obtido com esse elevado aumento do imposto é inexistente. Ou seja, continuamos com as vias públicas em péssimas condições, esburacadas, cheias de remendos mal feitos. A iluminação pública, no geral, é deficiente, propiciando todo tipo de insegurança aos cidadãos. A vegetação não tem o tratamento adequado. Sem falar em outras deficiências.

 

Diante desse quadro, em fevereiro de 2014, resolvi entrar com recurso na Prefeitura.

 

Resultado: indeferido.

 

Inconformado,dirigi-me à Câmara dos Vereadores da cidade de São Paulo.

 

Resultado: um dos vereadores sugere que só um movimento popular poderia eventualmente solucionar essa situação.

 

Para concluir: de 2005 a 2015, o valor do IPTU do meu imóvel sofreu acréscimo de 186%. Assim, pretendo voltar com essa situação nos poderes competentes, uma vez que os imóveis no meu bairro se desvalorizaram e pela lógica meu valor de IPTU deveria ser reduzido.

 

Será que vou conseguir uma redução?

 

Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier), autor do livro “Razão e Emoção” (Scortecci Editora)

A vida secreta das abelhas: irretocável

 

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA
“A Vida Secreta das Abelhas”
Um filme de Gyna Prince Bythewood
Gênero: Drama
País:USA

 

Lili é uma adolescente inconformada com a morte da mãe e triste com a frieza do pai, a quem chama pelo primeiro nome. Sua grande companheira e única fonte de amor, é a sua empregada Rosaleen. Esta é negra e a história se passa na América dos anos 1960, racista e cruel.
Lili foge de casa e encontra no lar de outras três negras uma família.

 

Por que ver:
Uma fita doce e amarga ao mesmo tempo. Sabe aquela “felicidade triste”? Bom é este sentimento que o filme me provoca.

 

Toda a parte cinematográfica, desde a atuação ao roteiro, são irretocáveis.

 

Estas temáticas racistas e também relacionadas ao holocausto, me provocam reação exacerbada de emoção…É de uma injustiça cortante… mas ainda assim, muito importante pois a cada dia tropeçamos com o preconceito latente em muita gente. Velado na maior parte das vezes… Quem sabe mais filme como este façam as pessoas a se colocar no lugar do outr, nem que seja por 1hora e 50 minutos…

 

Como ver:
Com aquele babaca que adora piadinhas racistas…O cara vai se tocar!!!

 

Quando não ver:
Para as mulheres na TPM… Uma vez assisti (na TPM) ao filme “Homens de Honra” no cinema, com uma pegada parecida com este, no qual o racismo é discutido. Bom, passei vergonha de tanto chorar e achei melhor sair no meio…

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Dá dicas de filmes e séries aqui no Blog do Mílton Jung

Conte Sua História de SP: o primeiro beijo nas ruas da minha cidade

 

Por Adriano Prezia
Ouvinte da Rádio CBN

 

 

A cidade marcaria definitivamente a minha vida no ano de 1973 com o meu presente maior. Ao contrário do compositor, sempre fui um apaixonado pela inteligência, formosura, beleza e simpatia da mulher paulistana.

 

O encontro ocorreu quando já não me fazia muito sentido as pipas no ar, a bola nos pés e o sonho do moleque peladeiro.

 

Tudo começo quando fui fazer o cursinho pre-vestibular no “MED”, onde também estudava o sonho da minha vida. O prédio era na Rua Augusta, entre a Dona Antônia de Queirós e Marquês de Paranaguá.

 

Lembro-me da lanchonete em frente. E dos alunos das diversas turmas, chegando com muita alegria. Candidatos ao vestibular da Mapofei, responsável pelos exames de exatas; do Cecem, que realizava a seleção dos candidatos às escolas médicas e do Cecea, da área de humanas.

 

Os primeiros sorrisos, convidativos. A aproximação tímida. A boca seca, as mãos úmidas e as primeiras palavras vacilantes. A procura por assuntos, os descobrimentos pessoais. A amizade e as primeiras confidências. O acompanhamento ao ponto de ônibus da Rua da Consolação.

 

Enfim, o primeiro beijo de amor, tão sonhado e desejado.

 

Estávamos no banco traseiro da Veraneio ao ano, dirigida pelo Fernando, que no banco da frente era acompanhado pela namorada dele. Seguíamos em direção a Rua Augusta, que naquele trecho tinha o asfalto converto pelo carpete. Era o ponto de comércio e de encontro de jovens, mais badalado da cidade de São Paulo. No som do carro, tocava a nossa inesquecível canção, Killing Me Softley With His Song, na voz de Roberta Flack.

 

Depois do beijo, continuamos pela Avenida Brasil, pegamos a Cardeal, Fradique, Aspicuelta e finalmente a Fidalga. O destino era a casa da amada, na Vila Madalena, uma vila onde moravam muitas das famílias de imigrantes portugueses, parte dos padeiros e feirantes da cidade de São Paulo.

 

Foi assim que nasceu um grande amor, vivo até hoje, que deu frutos, e frutos dos frutos.

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, no programa CBN SP

Quintanares: Dorme, ruazinha … é tudo escuro

 

 

Poesia de Mário Quintana
Publicado em A Rua dos Cataventos, 1940
Narração Milton Ferretti Jung

 

Dorme, ruazinha… É tudo escuro…
E os meus passos, quem é que pode ouvi-los?
Dorme o teu sono sossegado e puro,
Com teus lampiões, com teus jardins tranqüilos…

 

Dorme… Não há ladrões, eu te asseguro…
Nem guardas para acaso persegui-los…
Na noite alta, como sobre um muro,
As estrelinhas cantam como grilos…

 

O vento está dormindo na calçada,
O vento enovelou-se como um cão…
Dorme, ruazinha… Não há nada…

 

Só os meus passos… Mas tão leves são
Que até parecem, pela madrugada,
Os da minha futura assombração…

 

Quintanares foi programa produzido e apresentado na Rádio Guaíba de Porto Alegrte com as poesias de Mário Quintana narradas por Milton Ferretti Jung 

The Bridge: um corpo, dois policiais e uma série imperdível

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“The Bridge”
Uma série de Gerardo Naranjo
Gênero: Suspense Policial
País:USA

 

Um corpo é achado na fronteira do México com os Estados Unidos…Uma metadizinha para cá ,outra para lá…Exatamente…!!! Então, um policial mexicano conformado e uma policial CDF americana começam a investigar o crime.

 

Por que ver:
Em 8 adjetivos: eletrizante, angustiante, genial, original, agressivo, misterioso, paralizante, crível …Não consigo definir com uma só palavra para esta série . Um dos melhores suspenses policiais que já vi na vida. O roteiro é impagável, os atores e direção perfeitos e na medida!

 

Genial, gostaria de ver uma continuação já que só tem até a segunda temporada.

 

Como ver:
Em casa, com quem quiser e tiver estômago forte. Não é nada apropriado para crianças.

 

Quando não ver:
Após comer, ou se tiver em recuperação “unhas” (acabei de inventar o termo), pois se você for um roedor de unha contumaz, ah, meu amigo, esqueça esta série pois não vai existir cotoco para contar história.

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Dá dicas de filmes e séries aqui no Blog do Mílton Jung

Joy, o nome do sucesso: depressivo

 

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“Joy O Nome do Sucesso”
Um filme de David O Russel
Gênero: Drama
País:USA

 

A história real de uma empreendedora de sucesso americana chamada Joy Mangano, mãe solteira que carrega o mundo em seus ombros e divide sua jornada de frustrações diárias com o sonho de ser uma mulher de sucesso e muitas invenções.

 

Por que ver:
Gente, me desculpem mas devo confessar que não gostei do filme. Apesar da interpretação da Jennifer Lawrence, achei o filme depressivo. Pois é…Foi esta sensação que me deu ao assistir…Fiquei angustiada, com um peso que não sei explicar…

 

Para quem gosta de crítica cinematográfica e é influenciado por ela, vai gostar do filme que recebeu muitas avaliações positivas.

 

Talvez tenha sido a mão pesada do diretor ao costurar o filme em uma aura pesada e pouco inspiracional. Pronto falei!

Como ver:
No cinema, ainda não tem em videolocadoras e TV on demand. Ou melhor, não perca seu tempo e dinheiro…Espere sair na TV.

 

Quando não ver:
Depressivo…porque se você estiver a beira de um abismo emocional, este filme será o empurrão derradeiro…

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos e agora está te desafiando, vai amarelar?

O Carnaval se foi, que comece logo o ano!

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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Ao ler este meu artigo, aqui no Blog do Mílton Jung, os leitores pensarão que sou contra o feriado que o brasileiro mais ama – talvez mais do que o próprio Réveillon.

 

Não, não tenho nada contra o Carnaval, mas confesso que chega a ser patético e preocupante ver como o brasileiro se empenha na causa. Paga o preço que for por uma viagem, por um abada, por um show… muitos até pagam sem ter condições de realizar este sonho.

 

Quisera toda essa força fosse usada para lutar por educação, um país melhor ou o fim da corrupção.

 

A verdade é que fomos (mal) educados assim. Se tem pão e circo, estamos felizes. Mas acredito que cada vez haja mais circo e menos pão.

 

Este fenômeno já aparece nas páginas de publicações renomadas como a revista The Economist, que escreveu sobre o fato de o país festejar o Carnaval enquanto caminha ao fundo do poço. Sem contar que os escândalos de corrupção em nosso governo também ganham cada vez mais destaque internacional.

 

Miséria, corrupção, desemprego, falta de segurança. Vivemos um caos que tende a piorar, mas que poucos enxergam a situação com um olhar real.

 

Bilhões de dólares são roubados de cofres públicos, enquanto a presidente Dilma Roussef pede apoio do Congresso para a volta da CPMF, com o intuito de retomar o crescimento econômico do país.

 

É muito fácil para um governo resolver suas questões financeiras arrochando o trabalhador com impostos e taxas, criados para sustentar a esbórnia financeira da máquina pública. Dinheiro que vai do nosso bolso e não volta na forma de serviços bem prestados.

 

Agora que já pulamos o Carnaval, que tal se empenhar em ler um livro? Que tal se inteirar da situação do País ? Que tal lutar por um Brasil com mais e melhor educação?

 

Com a educação que temos hoje, certamente as próximas gerações serão ainda mais alienadas.

 

Vamos  nos divertir, por que não? Mas se não pensarmos – e agirmos – por um país melhor, no futuro nem o Carnaval irá nos restar.

 

Feliz Ano Novo, Brasil!

 

Ricardo Ojeda Marins é Coach de Vida e Carreira, especialista em Gestão do Luxo pela FAAP, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. É também autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

E ainda querem que eu pague CPMF

 

Por Julio Tannus
Consultor em estudos e pesquisa aplicada

 

“Mesmo que não pense continuarei existindo,
mas então não valerá a pena existir”
Rui Rodrigues

 

Ah! Se fossemos todos assim.

 

Os desmandos, a falta de ética, o compromisso dos homens públicos e mulheres públicas voltados para esferas próprias e privadas, tornaram nossas vidas um verdadeiro suplício, algo que outrora não imaginávamos.

 

Os cargos públicos preenchidos não por competência técnica, mas sim por conchavos políticos, muitas vezes decorrente da estrutura política vigente no país, onde para governar é preciso fazer acordos espúrios. Vide os casos do PSDB se alinhando com o DEM, e o PT com o PP.

 

As decisões econômicas mal orientadas ou tomadas em benefício de poucos. Pautadas não por interesses nacionais, mas por arbítrio. Uma das consequências: em 2015, o Itaú/Unibanco teve um lucro de R$ 23,5 bilhões, 15,4% maior do que em 2014. E o Bradesco, lucro de R$ 17,19 bilhões, 14% maior.

 

Um sem-número de casos… E aqui vai mais um:
Os parlamentares brasileiros são os mais caros do mundo. Estudo da Organização Transparência Brasil concluiu que 1 minuto trabalhado aqui custa a nós contribuintes R$ 11.545,00. Por ano, cada senador não sai por menos de R$ 33 milhões e o custo anual de um deputado é de R$ 6,6 milhões.

 

Os valores apresentados acima causam mais espanto quando comparados a vários países ricos. A média dos custos anuais de “nossos” deputados e senadores é de R$ 10,2 milhões por parlamentar. Na Itália, R$ 3,9 milhões. Na França, R$ 2,8 milhões. Na Espanha, R$ 850 mil. E na vizinha Argentina, por mais incrível que pareça, o custo anual de cada parlamentar é de R$ 1,3 milhão.

 

O pior é que esses elevados custos se repetem nas assembleias legislativas. Em Brasília, cada um dos 24 deputados distritais custa por ano quase R$ 10 milhões.

 

E se repete também nas Câmaras de Vereadores: no Rio de Janeiro e em São Paulo, cada vereador custa pelo menos R$ 5 milhões, anualmente.

 

Com tudo isso, ainda o governo quer reeditar a CPMF – Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira para cobrir custos. E a Receita Federal quer entrar em nossas contas bancárias para cobrar mais impostos e assim aumentar a renda do governo.

 

Tudo isso com o objetivo de cobrir o rombo dos cofres públicos, de cuja responsabilidade é do próprio governo.

 

Por que não é factível reduzir os custos elevadíssimos dos cargos públicos? Por que não “enxugar” a máquina do Estado?

 

Haja coração e cérebro!!!

Avalanche Tricolor: o Grêmio fez por merecer neste Carnaval

 

Grêmio 1×0 Coritiba
Copa Sul-Minas-RJ – Arena Grêmio

 

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Geromel salva de cabeça foto LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA no Flickr

 

Carnaval no Brasil já foi coisa séria. Antigamente, o país parava de sexta à quarta-feira de cinzas; o consumidor ainda não estava acostumado com a cultura dos shoppings, que nos ensinaram a fazer compras de domingo a domingo; e ai de quem se atrevesse a questionar se era ou não feriado oficial na terça-feira gorda. Claro que sim!

 

Nas festas de Momo ninguém se metia a jogar futebol, porque na avenida o Rei era outro. Mesmo no Rio Grande do Sul, onde Momo não tem lá essa fama e passei boa parte dos meus Carnavais, a bola deixava de rolar pela total ausência de torcedor. A turma toda se mandava para praia. Exceção para confirmar a regra: o Rio abria as portas do velho Maracanã e botava seus times mais tradicionais em campo de olho nos turistas que visitavam a cidade.

 

Hoje, por mais que a maioria ainda acredite que nada se faz nos quatro dias de Carnaval, as lojas funcionam aos domingos; o comércio de ruas populares abre às segundas-feiras, a espera do pessoal do interior; supermercados, mesmo desabastecidos, estão com os caixas à disposição; e jogador de futebol não tem mais folga no entrudo: o calendário gordo dos clubes os obriga a jogar em pleno domingo carnavalesco.

 

Foi assim que ontem, em meio a desfiles de blocos e escolas, no Brasil, e com uma cidade esvaziada pela migração temporária, em Porto Alegre, o Grêmio apareceu no gramado da Arena com time titular e tudo para disputar partida pela Copa Sul-Minas-RJ e foi recebido por cerca de 11 mil pessoas.

 

Ao menos quem estava lá teve o direito de ver o lance do único gol da partida. Para quem, como eu, assistiu ao jogo, pela TV, restou o replay, pois o diretor, responsável por escolher as imagens que seriam levadas ao ar, dormiu no ponto, assim como o zagueiro adversário ao tentar devolver a bola para o goleiro.

 

Ao vivo, a TV perdeu o lance do gol a 24 minutos do primeiro tempo. O que foi uma pena, pois até então nada de mais havia sido produzido pelo nosso ataque. Depois, a jogada foi repetida à exaustão destacando a pixotada do zagueiro. Foi descuidado, sem dúvida. Afoito, ao tomar a decisão do passe.

 

Quero, porém, ver a jogada por outro ângulo.

 

Dos muitos méritos de Roger no Grêmio está o sistema defensivo que montou. Longe de ser retranqueiro, amontoando zagueiros e volantes, o técnico sabe que apenas roubando a bola pode-se pensar em atacar. Impõe a participação de toda a equipe na marcação, que começa na saída de bola. Quem não está prestes a tomá-la, ou não tem habilidade para tal, encurta o espaço em campo e obriga o adversário a forçar o passe.

 

Na cobrança do tiro de meta, em vez de voltar para o meio de campo a espera do adversário, o Grêmio estava com seus jogadores mais avançados perto da linha da grande área. No momento em que o goleiro, em vez de repor a bola com um chutão para o alto, decidiu sair jogando com o zagueiro mais próximo, caiu na arapuca montada por Roger. Com Luan de um lado e Douglas de outro, o defensor se atrapalhou. Aproveitando-se do vacilo, Douglas ficou sozinho diante do goleiro e fez uso de sua categoria para, com o pé esquerdo, desviar a bola para o gol.

 

O Grêmio fez por merecer o gol!

 

Escrevi alguns parágrafos acima sobre os muitos méritos de Roger. Destaco outro: eliminar o chutão como alternativa de ataque. Sempre que retomam a bola, os jogadores se aproximam e formam triângulos e losangos em campo, segundo descrição do próprio técnico. Isso facilita o passe, faz a bola correr, deixa o marcador desorientado e permite que se chegue ao ataque com rapidez.

 

Ontem, como uma bateria que atravessa o samba na avenida, o Grêmio não conseguia manter a harmonia regida por seu técnico, por mais que ele tentasse, aos berros, acertar o ritmo. Preferiu a ligação direta ao passe preciso e desconcertante. Isso fez o time render bem abaixo do que está acostumado e o torcedor sofrer muito mais do que era necessário.

 

E se sofremos para vencer, fizemos por merecer!

 

Aliás, mais um pitaco deste escrevinhador na transmissão das partidas de futebol: com tantos microfones captando o som ambiente, sugiro que falem menos nas transmissões na TV e nos deixem ouvir as instruções enviadas pelos técnicos aos seus comandados. Teria sido excelente, se tivéssemos tido oportunidade de saber o que Roger tanto gritava com Everton, Wellington Oliveira e companhia. Principalmente porque ouvir Roger instruindo nos ajuda a entender melhor o futebol.

 

Como estou no clima de Carnaval, para encerrar esta Avalanche destaco mais um mérito gremista: Geromel. Ontem, novamente, foi precioso. Não bastasse exercer com eficiência o papel de zagueiro, senhor da área, ainda defendeu no gol e driblou no ataque quando necessário. Foi aplaudido e aclamado como melhor jogador em campo.

 

Geromel, fez por merecer!