De Criador e Sua criação

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Adão e Eva, criados no sexto dia da Criação segundo Moisés, viviam felizes no Paraíso, num Jardim chamado Eden. Só existiam eles, mas não sentiam solidão. Eram cercados de Bem e de Paz – não tinham ideia do que fossem Mal e Dor – e dividiam o espaço harmonicamente com animais e plantas de todas as espécies. Moisés ainda explica que havia duas árvores dignas de destaque: A Árvore da Vida e a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. O Criador proibiu as duas novas criaturas de se servirem dos frutos da segunda, e não me lembro se Ele explicou a razão, ou não.

 

De qualquer modo, enquanto obedeciam, recebiam o benefício de viver no Paraíso. Também não me lembro se tinha a parte de: se vocês não obedecerem, serão castigados. O fato é que apareceu uma serpente que veio plantar a semente da discórdia. Convenceu Eva a provar a maçã, e Eva saiu correndo para contar a Adão que ela comera o tal do fruto, a maçã era uma delícia, e nada de mal lhe acontecera. Adão foi na conversa da mulher, e o resto da nossa história é considerado castigo do Criador, que nos expulsou do Paraíso.

 

Confesso que essa história, traduzida ao pé da letra, nunca me convenceu. Para dizer a verdade, sofri muito com ela, quando era menina. Eu lembrava da história e pensava: não é possível. Um Criador Perfeito e Único não seria autoritário, insensível, intimidador e vingativo. Além disso, o detalhe da ‘caída’ do Homem na Terra me dava uma sensação horrível. O céu é em cima, a terra embaixo, imaginava o Criador atirando os dois para baixo. Violência, mais um atributo que serve a um destruidor, não a Ele.

 

Tolinha. A segunda colherada é servida quando o bebê está pronto para ela. É tudo símbolo. E por que símbolo? Porque ele pode ser compreendido a cada estágio do Homem, à medida que estivermos preparados para isso. Como tudo. Para cada um ainda hoje.

 

Até a parte das duas Árvores principais, a da Vida e a do Conhecimento do Bem e do Mal, tudo certo; o Criador disse a Adão e Eva que poderiam comer os frutos de todas as árvores, menos os da Árvore do Conhecimento, mas disse também que um dia poderiam se servir dela, só que ainda não estavam preparados para entrarem em contato com aquela substância. Disse também que se comessem o fruto, morreriam.

 

Aquele fruto abria as portas para que eles mergulhassem na polaridade, na materialidade. É como se a substância contida nele provocasse uma queda energética no cidadão, e o Criador estava apenas alertando. Sem nenhum autoritarismo, mostrando o caminho que Ele podia ver porque o tinha criado. Talvez quisesse nos poupar, ou quem sabe tudo estava nos planos d’Ele. E Adão e Eva morreram mesmo, para o estado de consciência em que viviam, e para onde um dia voltaremos.

 

Aqui neste plano da Terra enfrentaram uma realidade mais lenta, densa, instável, conheceram o dia e a noite, o frio e o calor, a fome e o sono, o amor e o desamor, o Bem e o Mal. Caíram do plano etérico para o material. Essa foi a queda. Para uma biblioteca e um cardápio vastos demais para nós naquele estágio. E continuaremos perdidos na biblioteca e no cardápio, enquanto não compreendermos o nosso propósito.

 

Meu filho me disse uma frase que me ajudou a ajustar meus sensores de Bem e Mal. Ele disse: ‘Não sofro pelo que os outros não fizeram por mim, mas sou feliz pelo que eu já fiz pelos outros’.

 

Assim, o resto da nossa história não é castigo do Criador.

 

CQD

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Chocolate vira peça de luxo em loja conceito da Kopenhagen

 

Por Ricardo Ojeda Marins

A marca Kopenhagen abriu a primeira loja conceito – flagship store – no Brasil há cerca de três semanas, comemorando seus 85 anos. O novo espaço fica na esquina das ruas Oscar Freire e Bela Cintra, nos Jardins, em São Paulo, onde funcionou durante anos a sorveteria Häagen-Dazs. A escolha da Oscar Freire foi estratégica para a marca, não apenas por ser um dos endereços mais badalados da cidade e vizinha de grifes como Antonio Bernardo, Schutz e Bang & Olufsen, mas, principalmente, porque sua primeira fábrica funcionou nesta rua.

 

Por ser uma loja conceito, ali os consumidores podem encontrar todos os produtos da marca, além de presentes e itens especiais. A Linha Gifts Luxo Kopenhagen, por exemplo, foi criada com exclusividade para esse novo espaço, e traz uma coleção de produtos como baleiros, vasos, porta-objetos, bomboniéres e porta jóia. A Kopenhagen fez ainda parcerias com marcas Premium para formar sua carta de bebidas, combinação perfeita para acompanhar a degustação de chocolates. Para os apaixonados pela confeitaria francesa, ali pode-se deliciar macarons de sabores como Nha Benta e Lajotinha. Esta é a única loja da marca onde seus clientes encontram frutinhas de marzipan, um dos primeiros doces comercializados por Anna e David Kopenhagen, fundadores da empresa que nasceu em 1928.

 

 

Com projeto da LLAD Arquitetura, a loja possui inovações tecnológicas como um painel de LED interno e com visualização externa para toda a esquina, exibindo imagens de produtos e campanhas da Kopenhagen. Além da preocupação com a arquitetura diferenciada, a marca escolheu a dedo inclusive a vestimenta da equipe, cujos uniformes foram assinados pelo estilista Lorenzo Merlino.

 

Apesar de não ser considerada marca de luxo, a Kopenhagen tem em seu DNA atributos como tradição, história e alta qualidade na fabricação dos produtos, além de política de distribuição, precificação e comunicação seletivas, podendo ser considerada uma marca Premium brasileira que atende ao consumidor de produtos de luxo, tanto quanto outros consumidores, também. A abertura de sua flagship dá mais ênfase à estratégia da marca, que não é somente comercializar chocolates, mas, sim, tratar chocolates como presentes e proporcionar aos clientes experiências e sensações no ponto de venda. A marca investiu também em estratégias de Marketing Sensorial, com aromatizador de ambiente com cheiro de chocolate e sistema de som que interage com os clientes instigando-os a provar suas criações tentadoras.

 

Difícil será resistir!

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Atualmente cursa MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Lei Cidade Limpa corre risco em São Paulo

 

A Lei Cidade Limpa, aprovada em 2007, inovou e transformou a paisagem de São Paulo ao retirar os anúncios de rua e padronizar a fachada das lojas. Contra todos os interesses econômicos de fortes grupos que exploravam esta modalidade de publicidade e do próprio comércio, que temia prejuízos financeiros, a prefeitura convenceu os vereadores a aprovarem a legislação que combate a poluição visual. Apesar da melhoria da paisagem e do destaque internacional que a medida trouxe à Capital, a todo momomento surgem tentativas de afrouxar a lei. Na Câmara Municipal, calcula-se, existem 14 projetos que alteram pontualmente a Cidade Limpa e podem ser um retrocesso a ação audaciosa adotada por São Paulo.

 

A Câmara aprovou, recentemente, em primeira votação ,dois projetos de lei que liberam publicidade em casos onde hoje está proibida. Um deles permite que os nomes, logotipos e logomarcas de instituições religiosas e de saúde não sejam considerados anúncios – ou seja, aquela igreja perto da sua casa, logo vai ganhar um luminoso resplandecente para chamar a atenção dos clientes, desculpe-me, dos fiéis. Outro projeto possibilita a instalação de propaganda em ônibus e táxis, retomando a ideia dos outdoors ambulantes que tínhamos em meio ao trânsito paulistano. No início do ano, a prefeitura afrouxou as normas para anúncios de museus e teatros com fachada menor do que 12 metros.

 

Perceba que não incluo nessa lista de recuo da Lei Cidade Limpa os anúncios em abrigos de ônibus e relógio de rua, pois a publicidade no mobiliário urbano já fazia parte da legislação original, apesar de muitas pessoas terem se surpreendido quando viram as placas luminosas sendo instaladas nas calçadas, canteiros e praças. Uma das ideias ao se retirar os outdoors era valorizar estes espaços públicos, controlados pela administração municipal, e reverter o investimento para a cidade, sem prejuízo a paisagem urbana. Isto é facilmente perceptível nos pontos de ônibus que ganharam outra cara e bem menos nos relógios que, por mais que tenham tido cuidado com seu desenho, ainda me parecem intrusos na cidade. Sem contar que as informações – hora, temperatura e condição do ar – têm pouca importância diante do que os telefones celulares já nos oferecem em qualquer lugar que estivermos.

 

Historicamente sabemos que para acabar com uma lei basta começar a criar exceções. Em pouco tempo seu objetivo estará desvirtuado e ninguém mais saberá ao certo o que está valendo, com prejuízo à fiscalização feita pelos próprios cidadãos. Por isso, é preciso estar atento ao que os vereadores paulistanos pretendem fazer, acompanhar de perto as discussões no parlamento e interferir neste debate com a presença nas audiências públicas, encontros das comissões e votações em plenário. Pode-se ainda pressionar o parlamentar por e-mail, no Twitter e no Facebook, pois todos eles, com as exceções de praxe, estão atentos ao que os eleitores dizem nas redes sociais. O vereador Nabil Bonduki, do PT, convenceu a Comissão de Política Urbana a reunir os 14 projetos que mudam a Lei Cidade Limpa para que sejam analisados em conjunto e se tenha ideia do impacto que estas mudanças possam ter na paisagem da cidade.

 

O prefeito Fernando Haddad, em entrevista a jornalista Fabíola Cidral, da rádio CBN, nesse sábado, disse que não simpatiza com as mudanças propostas pelos vereadores na Câmara. A opinião dele, se mantida, é importante, a medida que o prefeito tem o poder de veto às leis municipais, como fez, por exemplo, ao proibir publicidade nas bancas de jornal. Para garantir o sucesso da Lei Cidade Limpa e o combate a poluição visual na Capital, insisto, será preciso atenção redobrada do cidadão paulistano.

De ajuda

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Comecei a escrever sobre um assunto que tem me fascinado especialmente na última semana – O Criador e a condição humana – mas falei com uma amiga hoje de manhã, no telefone, onde a gente costuma filosofar, e minhas crenças acordaram animadas. Por isso conversaremos sobre o Paraíso em outra oportunidade, porque a nova caída de ficha não me sai da cabeça.

 

Falávamos de ajuda, um assunto que sempre me interessou e sobre o qual escrevi no ‘De bem com a vida, mesmo que doa’, sugerindo que nos façamos três perguntas antes de ajudarmos alguém:

 

– esse alguém pediu ajuda?

 

– disse do que precisava?

 

– eu tenho para dar?

 

E como tudo que a gente toma por certo e sabido não evolui porque satisfaz a fome pequena, o conceito ficou aprisionado nas páginas do livro. De repente minha amiga disse uma palavra que libertou meu conceito das masmorras onde vivem as certezas. Disse que para ser ajudada, a gente precisa se desarmar.

 

Caí do cavalo depois de ter corcoveado com ele no terreno de conceitos com prazo de validade vencido que alimentam artrite e seus derivados. Quantas vezes eu já tinha ouvido esse verbo, usado nessa expressão, mas a palavra entrega seu significado às colheradas, como sopinha de nenê. Serve-se sempre na porção que estamos preparados para receber.

 

Percebi então que quando nos armamos, não portamos armas ou bombas contra o mundo. Na verdade armamos uma bomba dentro de nós mesmos e ficamos de sentinela para que ninguém a desarme. O verbo é reflexivo! A ação e o resultado da ação são de e para o sujeito. Como pentear-se, alimentar-se e todos os seus pares. Quase nunca percebemos isso; o processo é desencadeado automaticamente, mas independente da causa, é o que acontece. Como um vírus de computador que invade a máquina e começa a substituir bites bons por bites infectados.

 

Agora com o domingão pela frente, depois de uma caída de ficha dessas, vou pôr para rodar meu antivírus.

 

E você?

 

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

A sustentabilidade no mercado do luxo

 

Por Ricardo Ojeda Marins

Cada vez mais praticada por empresas de diversos segmentos, a responsabilidade social ganha relevância também no mercado do luxo. É um dos setores que mais dá importância à questão da sustentabilidade. Pela sua natureza, os produtos de luxo e marcas prestigiosas são, em geral, exclusivos, raros, com preço elevado e durabilidade maior se comparados a produtos mais simples, em geral com preço mais acessível, mas prazos de validade menores e com tendência a serem substituídos mais rapidamente. Nesse segmento, a responsabilidade social pode ser percebida em ações como uso de materiais ecológicos, programas beneficentes, engajamento em políticas de conscientização e, ainda, em eventos com renda revertidas a entidades sociais.

 

Claro que não nasceu um repentino amor pelas florestas ou por comunidades de países abalados por guerras e pela miséria. Em tempos de crise, muitas empresas de luxo encontraram na postura politicamente correta a maneira mais eficiente de fazer com que o consumidor não se sinta culpado ao desembolsar valores altos por produtos tão desejados. No segmento automotivo, por exemplo, diversas marcas de prestígio como Porsche, Ferrari e Mercedes-Benz apostam em ações sustentáveis e na produção de automóveis híbridos, com menor consumo de combustível. Fatores como o aquecimento global e a escassez de recursos naturais faz com que muitas montadoras modifiquem seus processos de produção e ofereçam aos clientes opções de automóveis econômicos e menos poluentes, sem, é claro, perder o alto valor agregado do produto.

No segmento de moda e acessórios, vale destacar a atuação da grife americana Ralph Lauren, que mantém a Pink Pony Foundation, entidade criada pelo estilista fundador da marca, que cuida de mulheres que sofrem de câncer de mama. Sua coleção Pink Pony possui em cada peça o famoso cavalinho da marca estampado na cor rosa e parte de sua arrecadação é destinada à entidade. Além de manter a Pink Pony Foundation, Ralph Lauren é ativa em ações sociais: em 2012, doou USD 2 milhões em prol das vítimas do terrível furacão Sandy, ocorrido nos Estados Unidos, e, em 2010, criou coleção de pólos exclusivas com vendas revertidas para ajudar na reconstrução do Haiti, além de outros projetos.

Outro caso interessante é o da grife Cartier, responsável pela compra de 1% de todo diamante usado em jóias no mundo. A marca francesa mobilizou o Responsible Jewellery Council, que reúne 150 fabricantes de jóias, para convencer todos os associados a exigir de seus fornecedores certificação ambiental e social, garantindo que as pedras preciosas usadas em suas peças não tenham nenhuma ligação com zonas de conflito ou desrespeito aos direitos humanos e ao meio ambiente.

 

O consumidor contemporâneo é sensível a ações de responsabilidade social, preocupa-se com o meio ambiente e se interessa pela origem do produto que vai comprar. Para as marcas de luxo, hoje ser sustentável pode até ser uma tendência apenas, mas vai se transformar em questão de sobrevivência, principalmente com o crescimento do luxo consciente pelos consumidores desses produtos e serviços.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Atualmente cursa MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

De espaço

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Espaço é um pedaço de espera a ser preenchido.

 

Esperança e espaço parecem não ter nada em comum, a não ser uma ou outra letra do alfabeto alinhada na mesma direção, mas esse olhar é o da falta de atenção. Espaço e esperança vivem por aí, de mãos dadas, independentes do tamanho.

 

Já tive muito espaço disponível que era pura esperança e tive esperança tão desmesurada que não havia espaço que a acolhesse.

 

Queria uma poltrona no meu quarto, e uma luminária que incidisse sobre a leitura, e só sobre ela. O que não aconteceu porque o espaço encolheu.

 

O espaço externo encolhe, diminui, se acanha, enquanto o interno se alarga irritante, assustadora e indefinidamente. Tão indefinidamente que me perco, e não me encontro em mim.

 

Perco-me na solidão que insiste em se apoderar do espaço, e me procuro na forma disforme, invisível e inatingível da esperança.

 

Não encontro nada.

 

Talvez porque sempre tenha mantido o olhar nas estrelas, enquanto meus pés mal tocavam o chão.

 

Já me despojei do espaço, agora só falta mandar embora a esperança.

 

Por falta de espaço.

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Cartão de crédito, a exclusividade transforma plástico em ouro

 

Por Ricardo Ojeda Marins

Os cartões de crédito voltados para o consumidor de alta renda são os que mais crescem no país. Segundo o Banco Central, representam pouco menos de 5% dos cartões usados no Brasil. Esses consumidores são responsáveis por cerca de 14% da quantidade de transações e 40% das receitas geradas pelos cartões. As administradoras investem, em geral, em benefícios voltados a acúmulo de milhas, seguros, serviços de Concierge, acesso a Sala Vip em aeroportos e organização de viagens. Visa, Mastercard e American Express são as bandeiras que detém o segmento no Brasil.

 

Considerado o cartão mais elitizado do país e com anuidade de R$ 1.200, o The Platinum Card, da American Express, é o único fornecido somente através de convite da bandeira. Como a operação da marca no Brasil pertence ao Banco Bradesco, desde 2006, clientes Bradesco Prime e Bradesco Private Bank são parte do público-alvo desse cobiçado cartão. É um cartão de compras, sem limite pré-estabelecido de despesas, ideal para o consumidor que realiza frequentemente viagens ao exterior e possui gastos altos. O cartão possui uma agência de viagens exclusiva – o Platinum Travel Service – equipe de consultores especializados em turismo de luxo que organiza todos os detalhes de viagens, incluindo parte aérea, hotéis, roteiros exóticos e cruzeiros. O associado recebe amenidades como café da manhã, late check-out, upgrade de acomodação mediante disponibilidade e voucher para uso em Spas ou restaurantes em exclusivos hotéis ao redor do mundo, como The Ritz-Carlton, Mandarin Oriental, Taj Hotels, Four Seasons e outros O cartão ainda oferece seguro para viagens com cobertura gratuita de até R$ 2,14 milhões, um departamento de concierge para o auxílio em reservas em restaurantes, ingressos para espetáculos no Brasil e no exterior. Clientes cadastrados no Programa Membership Rewards Turbo acumulam 2,2 pontos a cada dólar em despesas com o cartão.

 

Já a bandeira Visa no Brasil mira o consumidor Premium e Luxo respectivamente com a as versões Platinum e Infinite. O cartão Visa Platinum inclui benefícios como seguros de acidentes pessoais, seguro de viagem para países que fazem parte do Tratado de Schengen, serviços de concierge, assistência em viagens no Brasil e no exterior e outros. Sua renda mínima para ser um associado é em torno de R$ 8 mil por mês, variando conforme o banco emissor e sua taxa de manutenção anual custa em torno de R$ 240.

 

Já o Visa Infinite traz os benefícios da versão Platinum, porém com valores mais elevados nos seguros de viagem para casos de morte ou invalidez permanente: enquanto o Platinum oferece uma cobertura de US$ 500 mil, o Infinite cobre US$ 1,5 milhão. Ambos oferecem a seus associados o Visa Luxury Collection, programa que reúne benefícios de viagens, tais como late check-out e upgrade mediante disponibilidade, café da manhã em hotéis de luxo como St. Regis, Mandarin Oriental, Park Hyatt e outros. O Visa Infinite é emitido por bancos como Bradesco, Itaú-Unibanco e Santander e conta com seguro de extravio e de atraso de bagagem. É exigida uma renda mensal de R$ 20 mil para se tornar um associado. Sua anuidade está em torno de R$ 800, podendo variar conforme o banco emissor. Com o Visa Infinite, cada dólar gasto no cartão é convertido em 2 pontos, podendo chegar a 2,2 pontos, enquanto no Visa Platinum o acúmulo é de 1,5 pontos.

 

A bandeira Mastercard também possui o cartão Platinum e o Mastercard Black, versão mais luxuosa da bandeira. A versão Platinum conta com serviços especiais como concierge, assistência na organização de viagens e um seguro contra morte ou invalidez com cobertura de US$ 500 mil. Sua renda mínima está em torno de R$ 7 mil mensais e anuidade de R$ 400, variando conforme o banco emissor. Já a versão Black exige renda mínima de R$ 20 mil mensais e custa cerca de R$ 800 por ano. Safra, Citibank, Bradesco, Itaú-Unibanco, Santander e Banco do Brasil são os bancos emissores do cartão. O Mastercard Black oferece benefícios em viagens, como upgrade de acomodação em hotéis de luxo como Fasano, Park Hyatt e Starwood Hotels & Resorts, um assistente pessoal exclusivo para ajuda na organização de uma viagem ou ainda escolher um presente. Seus clientes têm direito a um seguro de acidentes pessoais no valor de até US$ 1 milhão, com cobertura em caso de morte acidental ou invalidez. Clientes Mastercard Platinum podem acumular 1,5 pontos cada dólar gasto com seu cartão, enquanto o associado Black pode acumular de 1,8 a 2,2 pontos conforme seu volume de compras no cartão.

 

Ainda não emitido no Brasil e considerado um ícone do luxo, o cartão mais raro e exclusivo do mundo é o The Centurion Card, da American Express. A versão black do Amex representa o que há de mais exclusivo no segmento. Criado há mais de 10 anos e como o The Platinum Card, também é disponível somente através de convite. Porém, com uma pequena diferença: estima-se que para ser escolhido como um futuro associado é necessário ter um perfil de gastos de cerca de US$ 250 mil por ano na versão Platinum. Presente até o momento em países como Estados Unidos e Inglaterra, sua anuidade está estimada em US$ 1 mil. Estima-se que há pouquíssimos brasileiros portadores do cartão, porém emitidos fora do país, por conta de serem clientes de bancos nos Estados Unidos ou outros países.

 

Seguros com valores milionários, salas vips, mimos em hotéis e serviços extraordinários em viagens. Esses benefícios são, sem dúvida, reais e atraentes. Poder realizar um check-out tardio em hotéis luxuosos, receber upgrade de acomodação ou ainda acumular pontos representam benefício monetário ao cliente. Representam ainda conforto e a real percepção de um serviço personalizado. Afinal, ser recebido num hotel com uma garrafa de champagne solicitada por sua agência de viagens com flores e um bilhete de boas vindas personalizado é algo inesperado que fará com que o cliente sinta-se único e privilegiado. O serviço e a experiência proporcionados podem e farão a diferença.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Atualmente cursa MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

De tempos difíceis

 

Por Maria Lucia Solla

 

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Toda dor passa? Passa, mas deixa cicatriz.

 

Não acredito em dor grande, média ou pequena. Já tive dor de todo tipo, uma danada dor de dente que levou a intervenção no seio da face, uma cirurgia na coluna e, ai que dor! morfina por três dias. Tive dor de parto e de partida, de fratura e contratura, de incompreensão e solidão. Toda dor é simlesmente dor. Material e imaterial.

 

Já tive muita dor de amor e pouca dor de cabeça, sofri a dor da insegurança, das duas faces do ciúme, da indiferença, de maus-tratos e preconceito. Sofri a dor da traição, tanto de amor quanto de amigo, a do desdém, da descrença, da maledicência e do abandono.

 

Agora, levando em conta a tradição céu-terra-inferno, ou a dor passa aqui na terra, ou a gente perde a parada para ela e se joga, não na vida, mas para fora dela. Fica pulando entre inferno e terra, cada vez mais longe do céu.

 

O que fazer? Onde se apoiar? Na comida, na bebida, nos amigos, nos amores, na promessa do céu? Não. O apoio não está longe e muito menos fora. Está dentro. Mas onde? Como deixar irem as crenças embaladas desde o berço? Virar tudo de cabeça para baixo? Aceitar a situação em que o mundo se encontra, vivendo desencontros e desencantos?

 

Não sei. Confesso. Enquanto se está neste lugar de dor, fica tudo turvo, sem sentido.

 

Diz-se que é preciso dar valor a cada dia que costura os viezes da existência, que é preciso ter fé, é preciso meditar, comer bem, malhar, tomar vitaminas e regulador de humor, não descuidar dos afazeres nem dos amigos verdadeiros, aceitar as falhas alheias e as nossas, com uma boa pitada de humor.

 

Será?

 

Freud diz que humor é preciso, porque é o princípio do prazer que combate a crueldade das circunstâncias reais, mas o fato é que a cada dor que passa, outra chega, como se estes tempos estivessem mais inclinados à dor do que ao amor.

 

E então? Qual a saída quando a dor insiste em não dar trégua?

 

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Marcas de luxo aderem ao e-commerce

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

O e-commerce no segmento do luxo ganha cada vez mais relevância. Hoje, são evidentes e inúmeras as oportunidades para esse mercado na internet. Apesar de ter uma demanda bem maior nos Estados Unidos e Europa, o Brasil vem aumentando sua presença online com diversas marcas nacionais aderindo a esse formato.
Nos Estados Unidos e Europa, grifes como Ralph Lauren, Tiffany&Co., Louis Vuitton, Gucci, Prada, Armani e outras, há alguns anos, aderiram ao comércio eletrônico e vêm obtendo êxito. A Ralph Lauren, além do mercado americano, já possui loja online em nove países da Europa, Japão e, em breve, atenderá também a Coréia.

 

No Brasil, o e-commerce se amplia em segmentos como moda e acessórios, decoração e homeware. A Trousseau, especializada em homeware, por exemplo, tem mix de produtos oferecidos na internet que apresenta o mesmo requinte de suas lojas físicas. Pode-se comprar desde um sabonete à sua luxuosa linha de lençóis em algodão egípcio. A renomada boutique Mares Guia, loja multimarcas que reúne moda feminina de grifes de luxo, também possui ambiente de compras online, onde pode-se encontrar peças como saias, casacos ou, até mesmo, vestidos para festas.

 

A Boutique Daslu, um ícone no segmento do luxo no Brasil, desde os tempos áureos sob o comando de Eliana Tranchesi já apostava no comércio digital. Sua loja online disponibiliza itens da Daslu Casa, linha de homeware da grife, além de peças de roupa feminina, masculina, teen e bebê. De olho no público masculino, a grife Sergio K. também tem na internet peças-chave de suas coleções, como as cobiçadas pólos, camisas e sapatos da grife.

 

No site da dinamarquesa Bang&Olufsen, referência na produção de televisores, sistemas de som, caixas acústicas e produtos multimídia pode-se encontrar produtos como aparelhos de som, caixas acústicas e acessórios da marca. Admiradoras dos icônicos sapatos da grife Schutz também podem vivenciar experiências adquirindo seus produtos online. Sapatos, sandálias e bolsas estão entre os itens comercializados ali. Já o segmento de joias não ficou de fora. Grifes exclusivas como Silvia Furmanovich, Jack Vartanian e Carla Amorim também proporcionam a seus clientes online algumas peças de suas coleções.

 

O segmento de beleza e cosméticos é fortemente presente na internet. A Sephora, maior rede de produtos de beleza do mundo e que desde 2010 adquiriu o portal brasileiro Sacks, aposta na venda de produtos de beleza das melhores e mais desejadas marcas do mundo, como Chanel, Dior, Salvatore Ferragamo e outras, além de uma marca própria, a Sephora Collection. Também forte no segmento, o website ShopLuxo, que pertence à rede de lojas Suil, composta por Calèche, Vent Vert e Suil Parfumerie, aposta na venda de cosméticos de grifes desejadas.
Com uma proposta mais exclusiva, o site Umimo tem foco no mercado do luxo e premium, e une elegância e beleza com produtos de marcas prestigiosas. A prestigiosa grife Chanel já está no e-commerce brasileiro, disponibilizando a seus clientes itens de sua linha de beleza, como maquiagens, perfumes masculinos e femininos, esmaltes e outros.

 

O e-commerce de luxo no Brasil recebeu, em agosto deste ano, uma grife tentadora: a francesa Louis Vuitton, uma das mais desejadas e copiadas do mundo. Disponível para todo o país, a loja online da grife oferece produtos das linhas feminina e masculina de desejados acessórios, como suas icônicas bolsas, malas de viagem, óculos, cintos, lenços, relógios e sapatos. A LV online é uma forma de atender a seus consumidores residentes de cidades que ainda não possuem loja física da marca, além de poderem comprar produtos, por exemplo, para presentear alguém, o que online certamente lhes proporcionará uma economia de tempo. Afinal, ter tempo tornou-se um dos principais objetos de luxo do mundo contemporâneo.

 

Muitas marcas de luxo temiam que a venda pela internet afetasse sua aura de exclusividade, além de certo receio em provocar uma possível banalização das mesmas. No entanto, existe uma demanda do próprio consumidor pelos endereços eletrônicos das marcas de luxo. Para as marcas o maior desafio é, no mundo digital, oferecer a seu consumidor todo o luxo e experiência de compra já oferecidas em suas lojas físicas. É imprescindível investir em tecnologia, logística e uma comunicação eficaz entre a loja online e seu cliente. Um layout simples e elegante aliado a um atendimento de qualidade e agilidade de entrega certamente colaborarão para o sucesso da marca na internet. Os produtos de luxo já trazem em si o alto valor agregado, porém a percepção deste também é fortalecida no momento de experiência da compra. Vale lembrar que muitos consumidores utilizam a loja digital para se atualizar das novidades e conhecer peças de coleções novas, podendo decidir efetuar a compra pela internet ou até mesmo ir a uma loja da grife.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Atualmente cursa MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Um tratado para o Tordesilhas

 

Carlos Magno Gibrail

O estrelado e premiado restaurante Tordesilhas na capital paulista está protagonizando uma discórdia oriunda de moradores nas proximidades de seu endereço na Alameda Tietê. A especialidade da casa, focada na culinária brasileira, tem deixado a vizinhança “gordurosa”. O fato do olfato e do tato prejudicados pelas frituras, provavelmente passaria despercebido não fosse a fama do restaurante e a qualificação dos moradores.

 

Menos mal que o caso pontual esteja na mídia, pois pela tendência da ocupação do solo na cidade esta situação poderá ser cada vez mais frequente. O Plano Diretor de São Paulo está na pauta da cidade, e é preocupante se analisarmos a evolução dos anteriores, pois adensamento e uso misto das áreas urbanas vêm se acentuando através dos anos; com os argumentos de redução dos custos de habitação e de vida para o adensamento, e da melhoria da mobilidade para o uso misto. Quando na realidade precisamos também considerar a lei de mercado para os imóveis no caso do adensamento e a dificuldade da mobilidade em virtude das necessidades de deslocamento geradas pelo mercado de trabalho. Ou seja, as vantagens preconizadas não estão aparecendo, enquanto o sistema vigente está levando ao agravamento das condições. Além do que a população cresce em descompasso com eventuais melhorias.

 

O IBGE atualizou os dados censitários mostrando que São Paulo está com 11,8 milhões de habitantes, quase o dobro do Rio, a segunda maior cidade do país. Diante deste assustador número de gente, tudo indica que a convivência no uso misto do solo precisa ser encarada de forma civilizada, urbana e racional. Quem procurar morar perto de padarias, supermercados, lojas, restaurantes e demais atividades deve estar consciente dos reflexos inevitáveis destas operações. Ao mesmo tempo, os comerciantes instalados próximos a moradias devem respeitar os vizinhos, utilizando inclusive as tecnologias à disposição,para que todos possam usufruir condignamente os sentidos naturais do ser humano. Visão, audição, olfato, paladar e tato.

 

Aqui, nem o papa nem o meridiano resolverá. O tratado deverá conter o trato da liberdade de cada um indo até a liberdade do próximo. O Tordesilhas tem condição de cumpri-lo, e chamá-lo de Tratado da Tietê.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.