A autobiografia cantada do Rei Roberto Carlos

 

O cantor Roberto Carlos, em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, disse que pode aceitar a lei que permite a publicação de biografias não autorizadas, que está em discussão no Congresso Nacional, mas com algumas restrições. Os comentários do Rei inspiraram o encerramento do Jornal da CBN, nesta segunda-feira. Ouça, divirta-se e discuta.

 

De renascimento

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

É mais fácil viver com saúde do que sem ela, sorrir e sonhar quando os que amamos estão bem, caminhar sob sol ameno, em terreno plano e arborizado, do que subir uma lomba escorregadia de terra batida quando chove canivete aberto, de sandália de dedo.

 

Não que essa tenha sido minha mais incrível descoberta, mas é como se fosse. Sempre é. Toda vez que o céu da minha vida clareia, as pedras rareiam e as flores campeiam, tenho esta reação revolucionária que sacode a caixinha onde vivo e muda tudo de lugar. Novo tudo. Dentro e fora. Não sei dizer quantas vezes a primavera na minha vida coincidiu com a primavera do planeta, mas desta vez percebo a coincidência e me animo. Deixo a alma liderar e viro menina outra vez.

 

Receita? Impossível. Dicas, talvez. Meu ‘De bem com a vida, mesmo que doa’ hoje poderia se chamar ‘Preparado para o inverno’ ou ‘Se chover, um par de galochas’, ou ainda ‘Como enfrentar o inverno na tua vida’, e ainda assim não poderia oferecer receita, mas dica do tipo ‘Para-mim-deu-certo-não-custa-experimentar’. O título já tenho; falta o livro.

 

Agora, não adiantam as receitas quando tem ano em que a primavera não vem nem com convite protocolado. Ignora você. Passa batida. Tem tempo que engripa no nublado, e você vai encolhendo e diminuindo o contato com o mundo, como árvore, frondosa ou mirrada. Meus ciclos são assim.

 

Acredito que não é castigo de Deus quando as ondas encrespam, não é olho gordo de invejoso, trabalho feito nem encosto, e nem você rezou demais ou de menos. É o ritmo da vida! Só isso.

 

Nos invernos da vida, esquecemos de lembrar que as raízes continuam lá, invisíveis, mas vivas, enterradas, alimentando-se da terra e bombeando energia para o tronco, mesmo quando a flor virou fruto, a folha caiu e um ou outro galho secou e quebrou. Vida fervilha, se reorganizando como em dia de faxina. Fica tudo de pernas para o ar, mas a gente enfrenta o balde, o rodo e a vassoura, acreditando, sem vacilar na fé, que tudo vai voltar, cada coisa para o seu lugar. Muda um abajur de lugar, mexe daqui e retoca dali, mas continua sendo a tua casa. Renovada. Mais limpa e cheirosa.

 

Nós é que temos dificuldade de perceber o milagre do renascimento em cada ciclo. Em cada faxina. Tic tac, e mais um pedacinho de vida passou. Se transformou, e plantou transformação.

 

página em branco
caderno novo
fase

 

caneta
macia
colegas
vida

 

sapato
lustrado
primavera
vocabulário

 

ânimo
aprendizado
recuperação

 

Você percebe? Não? Então perceba, ou não, e até a semana que vem.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Iates de luxo: mansões em alto mar

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

Engana-se quem duvida que é possível ter o mesmo conforto e sofisticação de sua residência em alto mar! Verdadeiras mansões com preços que vão de “acessíveis” R$ 32 mil a imimagináveis R$ 20 milhões, alguns modelos de barcos e iates de luxo chegam a ter mais de quatro suítes, espaço gourmet, salas de estar e jantar, cozinha e posto de comando. A área externa, geralmente a parte preferida para se passar horas bronzeando-se ao sol ou se divertindo com amigos e família, pode apresentar diferenciais como passarela de desembarque, lift hidráulico, churrasqueira e camarote.

 

Seguindo o crescimento geral do Mercado do Luxo no Brasil, o segmento de barcos vive ótimo momento. O País representa cerca de 1,5% do consumo mundial desse seleto mercado. A Itália é maior produtora de iates de luxo do mundo, seguida pelos Estados Unidos, Holanda, Reino Unido e Alemanha. Os crescimento da economia brasileira e do número de milionários no país, além da valorização da moeda nacional, são alguns dos principais fatores que impulsionam esse sucesso. Em outubro, ocorreu a 16ª edição do São Paulo Boat Show na capital paulista, um dos maiores eventos do setor na América Latina, com mais de 100 expositores, nacionais e estrangeiros, mais de 230 embarcações, entre lanchas, veleiros, infláveis e caiaques. A Feira de Negócios Náuticos ocorre anualmente e gera novas vivências, troca de networking e, claro, novos negócios.

 

 

Empresas como Ferretti Group, Intermarine, Fibrafort, Schaefer Yachts, Ventura Marine e YachtBrasil são algumas das principais do segmento. Um dos modelos mais cobiçados é a Schaefer 800, da Schaefer Yachts, que possui capacidade para 23 pessoas, esportiva e equipada com o que há de mais moderno, com teto solar e convés em um nível, permitindo total integração entre as áreas. Sua autonomia de 300 milhas, suas dependências e sua cozinha completa tornam a experiência ainda mais agradável. Este pequeno mimo é destinado aos que se dispõem a desembolsar cerca de R$ 12 milhões.

 

A Ferreti possui uma estratégia interessante com seu showroom – Tools & Toys – no luxuoso Shopping Cidade Jardim, na capital paulista: um espaço com mais de 1000 metros quadrados e estrutura tecnológica única no Brasil, onde oferece iates Ferretti Group e outros produtos e acessórios de luxo. Sua presença em um dos principais pontos de varejo de luxo no país torna a marca ainda mais visível e instiga os sentidos de seus visitantes.

 

 

Produzidos em série limitada, altíssima qualidade e com design inovador, os barcos de luxo são cobiçados por consumidores exigentes que apreciam viver em alto estilo. Porém, se no passado, para muitos, comprar um barco era ostentação ou apenas um desejo do “ter”, hoje o cenário é outro: o consumidor do luxo contemporâneo está mais preocupado com o seu bem-estar, e ao possuir um iate, busca principalmente vivenciar experiências como celebrar o aniversário entre amigos em alto mar, comemorar bodas de casamento ou descansar com a família longe da agitação das grandes cidades.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Atualmente cursa MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

40 anos da morte de Pedro Carneiro Pereira

 

Por Milton Ferretti Jung

 

No dia 21 deste mês fez 40 anos que Pedro Carneiro Pereira morreu. Quem nasceu na década de 60 ou pouco antes,se gaúcho ou,pelo menos,ouvinte de futebol no rádio,deve ter conhecido,conforme imagino,esse que foi,em minha opinião,o melhor narrador desse esporte até que a morte o retirou do ar de maneira abrupta. Tenho bons motivos para lembrá-lo com muita saudade. Afinal, vi o Pedro,que não se importava de ser chamado de Pedrinho,chegar como candidato a uma vaga de locutor na Rádio Clube Metrópole. Eu chefiava o setor e coube a mim testá-lo. Pedro Carneiro Pereira foi aprovado. O moço que,na época, cursava a Faculdade de Direito da PUC,desde logo demonstrou possuir as melhores condições para exercer a função. Na Rádio Clube Metrópole,chegamos a narrar algumas competições automobilísticas.

 

Em 1958,transferi-me para a Rádio Guaíba e Pedro logo também mudou de prefixo. Foi para a Rádio Difusora. O que ele queria mesmo,porém, era narrar jogos de futebol. Prova disso é que, em jogos realizados no Olímpico,costumava levar um pesado gravador até uma cabina desocupada e gravava partidas inteiras como se estivesse no ar. Um belo dia,criei coragem e perguntei a Mendes Ribeiro,um dos diretores da Guaíba,se não daria uma chance para o Pedrinho. Mendes o contratou para a equipe de locutores comerciais. A chance de ele narrar apareceu quando Mendes Ribeiro dava a quem quisesse a possibilidade de relatar jogos dominicais em Caxias do Sul,onde as partidas do campeonato estadual começavam meia hora antes que as de Porto Alegre. O Pedro e eu recebemos esse tipo de oportunidade. Ambos fomos incluídos na equipe esportiva da Guaíba.

 

Pedro Carneiro Pereira,no entanto,apreciava corridas de automóvel. Lembro-me da primeira prova que ele disputou,pilotando um Fusca. O carrinho não tinha nenhum preparo especial. Como ele foi convidado para ser diretor da Penitenciária de Porto Alegre e aceitou, não tinha tempo para amaciar os carros que usava nas suas primeiras competições e entregava a mim a responsabilidade de os amaciar. Pedro foi um dos principais incentivadores da criação do Autódromo de Tarumã. Chegamos a trabalhar,lado a lado, quando ele assumiu a presidência do Automóvel Clube do Rio Grande do Sul e me pediu para ser o secretário.

 

Pedro foi evoluindo no automobilismo de competição. Passou dos Volks e Gordinis para carros mais potentes.Com um Gordini 1093,ao participar da Prova Antônio Burlamaque em 1966,atropelou um porco,perdeu a direção e o carro se chocou com uma árvore. Com o braço esquerdo na tipoia,fez a cobertura da Copa do Mundo da Inglaterra.Naquele tempo, Pedrinho dirigia o Departamento de Esportes da Guaíba,atuava na Standard Propaganda como diretor (nessa eu era redator) e saíamos correndo da agência ao meio-dia,ele para apresentar um comentário,eu para redigir o programas esportivo das 12h30min .

 

No dia 21 de outubro de 1973,Pedro escalou Armindo Antônio Ranzolin para narrar,no Beira-Rio,Inter x São Paulo. Eu faria,em Vitória,capital do Espírito Santo,a cobertura de um jogo do Grêmio. Mal chegados ao estádio,alguém disse que,em Tarumã,acontecera um terrível desastre. Como de hábito,meus companheiros de transmissão e eu,entramos em contato com o estúdio da Guaíba pela linha de serviço. A notícia que nos chegou pelos fones não poderia ter sido pior: Pedro e Ivã Iglesias,disputando a ponta da corrida da Divisão 3,bateram com suas carreteiras no muro dos boxes,os carros se incendiaram e os pilotos morreram. Conseguimos lugares em um avião que nos deixou no Rio. lá embarcamos no “corujão da Cruzeiro”,à meia-noite. Fomos do Salgado Filho diretamente para o cemitério São José. Eu,particularmente,havia perdido muito mais do que um colega,mas o meu melhor amigo.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

De câncer social

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

No meu tempo de criança a gente não dizia a palavra câncer. Tinha uma amiga dos meus pais, muito frágil, que visivelmente sofria e definhava mesmo aos olhos de uma criança, mas eu ouvia dizer que ela tinha ‘aquilo’ ou ‘aquela doença’. Fui ouvir o nome da doença pronunciada com todas as letras, muito tempo depois. E fui ligar os pontos, ainda mais tarde. Para se referir a ela, levavam uma das mãos à boca e baixavam o tom da voz. Ainda era comum franzir a testa, inclinar a cabeça para um lado, erguer o ombro correspondente e olhar com cumplicidade mórbida, dando uma fungada profunda, longa e ritmada em sinal de lamento.

 

O que se passava no íntimo dessas pessoas, e o significado de tantos gestos simbólicos, se traduz numa palavra: preconceito. E é o mesmo preconceito que nos acompanha em tudo, desde sempre e ainda hoje. Inconformismo frente às curvas da vida, preconceito, medo, birra infantil fora de época, sofrimento frente ao novo, desconfiança do desconhecido, medo, preconceito. E mesmo querendo evoluir, andamos na direção oposta fortalecendo o medo, que é solo fértil para o caos estéril.

 

Branco tem preconceito de negro, negro tem preconceito de branco, e os cínicos têm preconceito da palavra negro e da palavra branco. Nos Estados Unidos, durante o julgamento de um branco que matou um negro – George Zimmerman X Trayvon Martin – só o que se ouvia, para se referir a ‘negro’, era ‘the N-word’, ou seja: a palavra que começa com ‘n’. Uma apresentadora de tevê acabou profissionalmente destroçada por ter usado a palavra ‘negro’, no ar. Ela explicou que cresceu usando e ouvindo as palavras negro, branco e índio – quando as palavras e nós éramos mais livres – durante toda sua vida, e que às vezes deslizava. Eu também deslizo.

 

pobre tem preconceito de rico
inculto de culto
medo

 

vice
versa
medo

 

quem acorda cedo
de quem abre os olhos
tarde
medo

 

o agressivo
de quem
é suave
o que não sua
do que sua

 

e onde fica o
cada um na sua
?

 

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

A estratégia do luxo na busca de novos consumidores

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

No mercado internacional, com a concorrência acirrada e a globalização, um dos maiores desafios para as marcas de produtos e serviços de luxo é manter seu crescimento. A expansão da marca para outras classes tem sido a estratégia adotada, criando novos produtos: perfumes Hermès, camisetas e chaveiros Ferrari, relógios Mercedes-Benz, por exemplo. Cresce cada vez mais o número de grifes de alto luxo de segmentos como automóveis, moda e joalheria investindo buscando segmentos diferentes de sua principal área de atuação.

 

A estratégia de extensão de marca consiste em aumentar a categoria de produtos para a mesma base de consumidores, sempre se preocupando com uma distribuição seletiva. Porém, no mercado com foco no consumidor AAA novas categorias de produto só devem ser exploradas se estiverem alinhadas ao conceito da marca.

 

Até que ponto pode uma marca de luxo usar esta estratégia sem arranhar o seu posicionamento e sem possibilitar a banalização perante o consumidor? É imprescindível estar atento para que não se modifique a proposta de seu valor ao ampliar a acessibilidade e atrair público muito diferente daquele que compra, por exemplo, um automóvel Ferrari, uma bolsa Chanel ou uma joia Cartier. É necessário que se mantenha um alto nível de relacionamento do público com a marca. Uma expansão realizada sem critério pode confundir o que a essa representa, diluindo seu valor.

 

 

Há casos de extensão de marcas de luxo para outras categorias de produtos que aproveitaram a oportunidade sem prejudicar seu posicionamento. Grifes como Chanel e Dior, ícones da alta costura, apostam em produtos de entrada (considerados acessíveis) como perfumes, cosméticos e acessórios para conquistar o consumidor, que, com o tempo, poderá ser um comprador de seus produtos de categorias mais elevadas, como as renomadas bolsas Chanel.

 

A grife Armani é um exemplo também interessante, pois expandiu para o segmento de homeware criando a grife Armani Casa, especializada em móveis e itens de decoração com foco no público AAA, ou seja, sustentando-se nos pilares de sua marca-mãe: tradição, alta qualidade, sofisticação e design. A Armani também expandiu com sucesso criando marcas no segmento de moda (extensão de linhas) como também na hotelaria, com dois hotéis luxuosos, em Milão e Dubai.

 

 

A extensão de marca no segmento do luxo deve ser avaliada e estudada com rigor e só é válida se os novos produtos destinarem-se ao mesmo perfil de consumidor, seguindo o conceito de excelência, exclusividade e mantendo as mesmas políticas de preço, distribuição e comunicação seletivas da marca-mãe. Mesmo ciente de que seus novos produtos poderão atingir o consumidor aspiracional ao mercado de luxo, se a empresa já atua neste segmento e busca atingir um número maior de clientes, deve manter sua essência e principalmente zelar por seu prestígio. Essa estratégia diminui os riscos e os custos, aumentando a cobertura de mercado e fortalecendo os valores e interesses pela marca, imprescindíveis no mercado de luxo.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Atualmente cursa MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

De Facebook

 


Por Maria Lucia Solla

 

 

E então, falar de quê?

 

Ficar falando do malfeito re-re-feito, do maldito, do mal-entendido, não leva a nada, e não é solução; mas é contagiante. Há que ter muita força de vontade para se propor a um descondicionamento e consertar pensamento por pensamento, palavra por palavra, sentimento por sentimento, certeza por incerteza.

 

Recondicionamento não é fácil; é como endireitar a coluna, aprender a sentar nos ísquios ou treinar a escrever com a outra mão.

 

Descartei dois textos que tinha programado para este espaço. Os dois tinham recebido a comenda do Ponto Final, mas no fundo e na superfície pensei, ponto final é apenas o momento em que você se desliga de uma onda de pensamento organizado e se entrega à folia do pensamento alternado, sobreposto ou imposto. Você se rende à sua mixórdia pessoal-mental, sem pudor nem estratégia. Anarquicamente. Entrega-se ao caos criativo diário que nos leva de uma ação a outra, ou nos rende e nos põe a nocaute.

 

Depois de acordar super tarde, tomar meu café da manhã informada e abalada pela página de notícias, decidi que andar na esteira era ideia descartada, e sair de casa também era. E fiquei.

 

Lendo as notícias, resisti bravamente a compartilhar no Facebook aquilo que mais mexia comigo, tentando focar mais no bom do que no ruim, para começar bem o dia, combinando com a minha refeição favorita. Deslizei um par de vezes, até me decidir a desconectar e repensar. Tentar entender o que é o Facebook para mim.

 

Em primeiro lugar – para mim, sempre é bom lembrar – é uma fórmula mágica de estarmos próximos das pessoas que amamos, onde quer que estejamos. Dou sempre uma olhada na minha turma e fico feliz quando tudo está bem, e cada um postando o que lhe dá na telha, ou não. Terapia em grupo para quem tem coragem de expor suas ideias, estado de espírito, gosto e desgosto, ideal e decepção. Assim, um dia estamos leves e no outro pesados. Tem quem respeita a opinião do outro e quem não admite ideia diferente. Amarelo é uma das minhas cores favoritas…

 

Tem a turma que dá a cara e recebe porrada, e tem a turma do come-quieto. Tem radical e moderado, tem sem-noção e antenado, o bem e o mal-amado e/ou mal-intencionado. Tem Dilma e Obama, Freud e psicopata, branco-pardo-preto, índio e indiano, judeu e muçulmano. Tem católico, ateu e tem tô-nem-aí. Tem pobre e tem rico, tem ópera e circo, Dostoyewsky e Paulo Coelho.

 

Sem cota.

 

Sinto que essa interação é mais um passo da humanidade na direção do enfraquecimento da individualidade, por mais que possa parecer o contrário ou o descontrário. Estamos todos, do Chuí ao Havaí, menos sozinhos. Fazemos parte de uma tribo, respeitando, aprendendo e ensinando, mesmo que as tuas certezas não gostem das minhas.

 

A interação leva à deposição da solidão e à aceitação de que individualmente somos nada.

 

Assim, saúdo e desejo saúde aos meus amigos, aos hackers, espiões nacionais e internacionais, ao senhor Obama e à dona Dilma. Agradeço o carinho e a companhia de todos, e prometo postar mais alegria do que tristeza, mais elogios a quem merece, e menos crítica e ibope (já desacreditado) a quem não merece nem mesmo uma citação. Vou desviar minha atenção. Fazer o que eu sempre apregoei, mas onde ainda tenho muito a aprender.

 

Beijo, feliz domingo e até a semana que vem.

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Atenção, senhores passageiros da primeira classe!

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

Conforto, luxo, exclusividade, requinte. Quando pensamos em viagem de primeira classe esses são os ícones que nos vêm à mente. Nela encontramos privilégios tais como espaço amplo, excelente comida e noite de sono relaxante. Porém, há passageiros que vão além. Eles compram sua própria aeronave. Aceitam pagar de U$ 3 milhões a U$ 55 milhões, conforme o modelo, para conquistar privacidade e voar com privilégios incontestáveis. mas fazem esse investimento, também, pelo inegável fato de que as companhias aéreas comerciais reduzem custos afetando a qualidade dos serviços. Soma-se a isso o tempo que normalmente o cliente perde ao enfrentar filas em aeroportos para check-in, alfândega e outros serviços pré ou pós-viagem.

 

Diferentemente das companhias aéreas comerciais, na aviação executiva pessoas e empresas adquirem aeronaves equipadas de acordo com seus gostos e necessidades pessoais, usufruem de privilégios como embarque e desembarque com maior rapidez, privacidade durante o vôo, escolha de equipe (piloto e tripulação) de confiança, serviço de bordo sob medida, além de opções de itinerários que evitam conexões e encurtam viagens. Para as empresas, a privacidade tem relevância ainda maior: o avião particular permite a executivos discutirem estratégias confidenciais de projetos e negócios com garantia de sigilo. Em vôo comercial corre-se o risco de haver um concorrente em assento próximo.

 

 

Os jatos particulares já fazem parte do cotidiano de muitos milionários e empresas em diversos países. Os Estados Unidos têm a maior frota. O Brasil, a segunda maior frota de aviação geral do mundo, segundo pesquisa da Associação Brasileira de Aviação Geral (ABAG). Temos ainda o maior mercado no segmento de aviação executiva na América Latina, com aproximadamente 1.650 aeronaves, sendo 650 helicópteros, 350 jatos e 650 turboélices. A cidade de São Paulo, principal centro econômico do país, concentra 35% dessa frota. No Brasil, Embraer, Gulfstream, TAM Aviação Executiva e Líder Aviação são algumas das empresas que detém esse mercado seletivo e exigente.

 

Com a globalização, a falta de tempo e a constante busca por qualidade de vida mais elevada, essas poderosas máquinas vêm se tornando necessidade para empresas e consumidores de altíssimo poder aquisitivo. Diante do luxo feito sob medida para cada cliente, economia de tempo, agilidade, conforto, privacidade e segurança oferecidos aos proprietários dessas aeronaves, as companhias aéreas têm um novo desafio que é a necessidade de exceder as expectativas para manter seus clientes da primeira classe.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Atualmente cursa MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Criadora da Cidade Limpa defende “guerra urbana” em defesa da lei

 


Por Regina Monteiro

 

São Paulo no Terraço Itália

 

Sentada em frente ao rio, eu observava o contorno dos edifícios, as cores, as formas, o horizonte. Não tem uma nuvem no céu. Alguns cisnes famintos, patos e outras aves ficavam me olhando na espreita que algum alimento fosse-lhes atirado, um jogo estimulante de informações e fechei os olhos para me sentir fazendo parte daquele cenário. E o que ouço? Os pássaros? Não! Um pequeno grupo de brasileiros falava tão alto, tão espalhafatosamente que os bichinhos saíram todos correndo de volta para a água. Praga é assim. Atrai pessoas do mundo inteiro, mas certamente o numero de brasileiros é quase imbatível se compararmos com os turistas de toda a Europa. Por que atravessamos o oceano, ficamos mais de 10 horas dentro de um avião se ainda temos cidades no Brasil que possivelmente nunca vamos conhecer? Tortura pura. Ou talvez seja o nosso desejo de conhecer cidades estruturadas, organizadas, com características especificas que nos façam sonhar.

 

São Paulo venceu um pequenino obstáculo para fazer com que as pessoas pudessem sonhar. Pelo menos começamos a enxergar um pouco das nossas cores, o contorno dos nossos edifícios, o movimento da nossa história. Políticos, moradores, comerciantes, técnicos, todos se esforçaram de forma mágica para que uma lei “pegasse” e pudesse mudar o rumo da nossa da história, da história de São Paulo.

 

Foi em 2006 que tive a oportunidade de escrever um texto de lei, que começaria a mudar a cara da nossa cidade. Como a nossa Constituição Federal garante aos municípios a tutela do meio ambiente urbano, a partir de leis específicas, entendi que o texto a ser escrito deveria restabelecer ao cidadão o direito de fruição à paisagem urbana, sem qualquer interferência que não fosse a comunicação dos serviços públicos e ao bem comum.

 

O meu querido professor de direito urbanístico José Afonso da Silva afirma que a paisagem urbana “é a roupagem com que as cidades se apresentam a seus habitantes e visitantes”. Na sua opinião, “a boa aparência das cidades surte efeitos psicológicos importantes sobre a população, equilibrando, pela visão agradável e sugestiva de conjuntos e elementos harmoniosos, a carga neurótica que a vida citadina despeja sobre as pessoas que nela hão de viver, conviver e sobreviver”. É de toda a população, portanto, o interesse de morar em uma cidade esteticamente agradável e bonita. O grande e delicioso desafio seria colocar no papel um projeto de lei que promovesse a organização do espaço público com garantias de implantação de forma harmoniosa dos elementos de infraestrutura urbana, da vegetação, do mobiliário urbano, das informações de interesse público e até a publicidade entraria na paisagem de forma digna, trazendo qualidade de vida para todos os cidadãos.

 

Primeiro tínhamos que declarar patrimônio público a nossa paisagem, ou seja, tudo que enxergássemos de uma rua ou de uma praça “seria” um direito de todos. Portanto ninguém poderia explorar financeiramente e usar a nossa paisagem sem uma contrapartida que trouxesse grandes benefícios de interesse público. As grandes peças tipo outdoors, back e frontlights foram proibidas e a publicidade exterior migrou para espaços públicos em mobiliário urbano a partir de projetos urbanísticos que identificariam as diversas regiões da cidade.

 

A segunda seria estabelecer padrões “dos letreiros” nas fachadas dos estabelecimentos comerciais, de serviços e demais instituições, que garantissem uma justiça visual, onde grandes e pequenos pudessem ser vistos por todos.

 

E por fim deveríamos estabelecer um pacto com todos os setores da sociedade que resultaria em um Plano Diretor da Paisagem Urbana, que daria rumo para as características essenciais de transformação para São Paulo.

 

E assim foi. Em setembro de 2006, foi aprovada por unanimidade (ou quase, um vereador do setor publicitário se absteve) na Câmara Municipal a lei que começou a mudar a cara da cidade, a lei que ficou conhecida como Cidade Limpa. Vencemos mais de 200 ações, fizemos centenas de reuniões com os diversos setores da sociedade, como a associação dos supermercados, dos padeiros, dos bancos, das farmácias, das grandes lanchonetes, das grandes redes de lojas, das montadoras de automóveis, dos hospitais e mais tantas que não me lembro agora. É evidente que a fiscalização começou a multar e a recolher faixas e mais faixas da rua, mas o convencimento corpo a corpo que a nossa pequena equipe fez (éramos três) creio que foi fundamental. Alguém pensa que foi fácil convencer a associação comercial e demais comerciantes que todas as lojinhas, sem exceção, deveriam diminuir suas placas com recursos do próprio bolso, tudo porque a “cidade ia ficar mais bonitinha?” ( era isso que ouvíamos dos comerciantes).

 

Nós fazíamos questão de mostrar tudo que a lei oferecia e quais eram os benefícios para a cidade em qualquer setor da sociedade, de manhã à noite, de segunda a segunda. Vários deputados e vereadores evangélicos reuniram seus pastores, e participamos de muitos cultos com fiéis cidadãos que nos ajudaram a mostrar que Jesus ouve com o coração e não com o tamanho da placa na porta da igreja. Para a lei “pegar” todos tiveram que se adaptar. Inclusive a própria prefeitura? Fizemos, conforme a lei determinava, padrões de tamanho de placa para as escolas, hospitais e demais orgãos públicos.

 

A lei pegou e todo mundo gostou. Todo o “mundo” mesmo. Estou falando do planeta terra. Fomos parar em Shanghai, na China, onde ganhou o quarto lugar como melhor prática urbana e tivemos o direito de mostrar “a lei Cidade Limpa em São Paulo” para o mundo na EXPO WORLD. Ganhou o prêmio “Emotional Branding Visionary Award” dos Estados Unidos, recebeu da Deutsche Werkbund o selo “Werkbund-Label” na Alemanha, o prêmio “Brit Insurance Design of the Year” do Museum Design of London ….

 

Agora, contra tudo o que lutamos para que a “lei desse certo”, principalmente quanto a beneficiar poucos em detrimento de muitos, a Câmara aprovou em primeira votação a desconstrução de todo trabalho para que os paulistanos voltassem a sonhar.

 

Eu apelo aos publicitários conscientes, aos comerciantes que já gastaram um bom dinheiro para adequar os seus letreiros, as associações organizadas de moradores e demais setores da sociedade que se mobilizem e entupam com e-mails os gabinetes dos vereadores, liguem para eles e demonstrem o seu repúdio absoluto a essa descabida aprovação na Câmara, para dar mais força a NÃO SIMPATIA de sua excelência o prefeito Sr. Fernando Haddad em destruir um sonho que já estava se concretizando.

 

Eu vou fazer o que for preciso para que  a população que aprova com mais de 68% a Lei Cidade Limpa se mobilize e pressione os seus vereadores para que eles não entrem nessa esparrela de aprovar o conjunto de projetos de lei que acabam com uma das coisas que São Paulo tem de mais digna no momento: sua Paisagem. Faremos uma “guerra urbana” para garantir a nossa civilidade.

 

Ainda estou em Praga, mas estou voltando.

 


Regina Monteiro é arquiteta, urbanista e idealizadora da Lei Cidade Limpa, em vigor desde 2006, em São Paulo. Escreveu este artigo a pedido do Blog do Mílton Jung que é a favor da manutenção das regras atuais em defesa da qualidade de vida do nosso ambiente urbano.