Algumas tristezas na nossa Legislação

 

Por Julio Tannus

 

INSS

 

O cidadão recolheu por 25 anos o INSS sobre 20 salários mínimos. No início dos anos 90 o Congresso Nacional Brasileiro decreta que o valor de recolhimento para o teto deve baixar para 10 salários mínimos. Pouco tempo depois, sua secretária que pagava o carnê do INSS no banco, é orientada por um caixa do banco a corrigir o recolhimento para 3 salários mínimos. Passados 3 meses com recolhimento sobre 3 salários, o cidadão toma conhecimento do equívoco e volta a recolher sobre 10 salários mínimos. No ano de 1996 é feita a aposentadoria com base em 3 salários mínimos. No final dos anos 90, ao comentar com um amigo essa trajetória, lhe é indicado um advogado para entrar com uma ação na justiça contra o INSS. O processo, após longo período, é indeferido. Em 2011 o cidadão resolve fazer uma consulta ao INSS sobre sua aposentadoria. A gerente da agência lhe informa que ele tem uma quantia considerável para receber. Só que venceu o prazo de 10 anos e ele perdeu o direito de recebimento. Que tristeza!

 

IPTU

 

O cidadão, por problemas de segurança (teve sua casa assaltada), resolve mudar para um apartamento. Passados 7 anos em sua nova residência, ele se dá conta que o valor do IPTU mais que dobrou no período. Como ele vive de aposentadoria, resolve consultar a Prefeitura de São Paulo sobre o porquê do aumento tão elevado, uma vez que sua aposentadoria não teve qualquer aumento, e sim as correções decorrentes da inflação. A explicação que conseguiu apurar para esse fato é que os imóveis na região foram muito valorizados. E ele então arguiu: se sou proprietário de um imóvel e não tenho nenhuma intenção de comercializá-lo, porque um órgão público quer se beneficiar de sua valorização? Não seria o caso de obter vantagem sobre essa valorização apenas no caso de venda do imóvel? E desfiou seu descontentamento para o atendente da Prefeitura: O retorno obtido com esse elevado aumento do imposto é inexistente. Ou seja, continuamos com as vias públicas em péssimas condições, esburacadas, cheias de remendos mal feitos. A iluminação pública, no geral, é deficiente, propiciando todo tipo de insegurança aos cidadãos. Toda a vegetação não tem o tratamento adequado. Sem falar na falta de segurança. Que tristeza!

 

ITCMD

 

O casal vive por mais de 40 anos em perfeita sintonia e harmonia. Com dois filhos e um patrimônio conseguido do trabalho profissional de ambos durante esse período. Até que uma doença grave acomete um dos membros do casal que, após um longo período de sofrimento, vem a falecer. De repente o parceiro vivo é informado sobre a necessidade de fazer um inventário. Ao que ele indaga: um inventário? Mas o nosso regime de casamento é com comunhão universal de bens, ou seja, no caso de meu falecimento os nossos bens vão automaticamente para nossos dois filhos. Ao que é informado que na legislação atual é necessário fazer o inventário. Sem alternativa, ele contrata um advogado e gasta uma quantia em dinheiro que consome toda sua poupança. Então ele pergunta: será que inventaram esse inventário só para pagarmos mais um imposto elevadíssimo, o tal do ITCMD Imposto Sobre “Causa Mortis” e Doações de Quaisquer Bens ou Direitos. Que tristeza!

 

A TRISTEZA MAIOR

 

Ninguém reclama, ninguém contesta, ninguém se manifesta! Só reproduzindo o cartaz abaixo:

 

 


Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada. Às terças-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung

De vida

 

Por Maria Lucia Solla

 

Amo a Vida.
Sou profundamente grata por ela
e hoje partilho esse amor
através da voz de quem sabe
como e o que dizer.

 

 

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio dos luceros que cuando los abro
Perfecto distingo lo negro del blanco
Y en el alto cielo su fondo estrellado
Y en las multitudes el hombre que yo amo

 

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado el oído que en todo su ancho
Graba noche y día grillos y canarios
Martirios, turbinas, ladridos, chubascos
Y la voz tan tierna de mi bien amado

 

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado el sonido y el abecedario
Con él, las palabras que pienso y declaro
Madre, amigo, hermano
Y luz alumbrando la ruta del alma del que estoy amando

 

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado la marcha de mis pies cansados
Con ellos anduve ciudades y charcos
Playas y desiertos, montañas y llanos
Y la casa tuya, tu calle y tu patio

 

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio el corazón que agita su marco
Cuando miro el fruto del cerebro humano
Cuando miro el bueno tan lejos del malo
Cuando miro el fondo de tus ojos claros

 

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto
Así yo distingo dicha de quebranto
Los dos materiales que forman mi canto
Y el canto de ustedes que es el mismo canto
Y el canto de todos que es mi propio canto

 

Gracias a la vida, gracias a la vida

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

João Camargo, o glamour da alfaiataria masculina

 

Por Dora Estevam

 

Na tarde de sexta-feira, Lucas, jogador do São Paulo, foi parar no ateliê do alfaiate João Camargo. Vendido para o Paris Saint-Germain por R$108 milhões, onde se apresenta no mês que vem, o meia-atacante dá sinais de quem pretende mostrar aos franceses que a elegância dele não se resume ao belos dribles em campo.

 

 

Craque da alfaiataria, João Camargo é um dos poucos que ainda exercem esta profissão, em extinção por falta de mão-de-obra, mesmo. Leva-se muito tempo para aprender as técnicas do ofício. Mas esta é uma outra conversa que abordaremos nas próximas conversas.

 

Recentemente, estive com Camargo em um evento para noivos, quando conversamos sobre as proporções e referências da moda masculina. Falamos, principalmente, dos ternos que revelam elegância e sofisticação, além de demonstrarem virilidade em quem os veste. Para tanto, é preciso seguir algumas regras. Tudo tem que estar em harmonia com o biotipo e a postura do homem: sapato, gravata, paletó e calça acompanhados do colete, uma belíssima camisa com o colarinho igualmente impecável. Quem resiste aos elogios?

 

No Brasil, a cultura dos sem-gravata pegou por conta da imagem descontraída que o homem transmite em uma entrevista, na agêcia de trabalho, ou em casos informais mesmo. Os candidatos, nas ultimas eleições, aderiram ao estilo para falar mais de perto com os eleitores. Mas, na hora “h”, na hora do casamento, de um outro compromisso formal, a elegância pede – e pede com exageros – o traje completo. Que o digam os muitos banqueiros que vestem as criações da alfaiataria do Camargo. E o próprio Lucas que, fira dos gramados, terá de encarar muitos eventos formais na elegante Paris.

 

O interessante do atendimento do Camargo é que, além da excelência em cortes e modelagens, o alfaiate presta consultoria aos noivos. Por exemplo, ensina ou renova a postura que valorizará a roupa e o corpo no momento da foto. Deve-se ter cuidado até para abraçar os convidados. Uma dica é desabotoar o paletó.

 

 

Acompanhe trechos da minha conversa com João Camargo:

 

O homem e o alfaiate

 

Alfaiate é uma figura que ficou esquecida no mundo dos homens por um bom tempo, e quando isto aconteceu eles perderam a referência de moda. Hoje, o homem está se cuidando mais, vai ao cabeleireiro, faz regime, quer eliminar a barriga saliente, entre outras medidas que revelam a vaidade masculina. Para ajudá-lo, a consultoria pretende que o noivo leve os ensinamentos para além do casamento. Ao confeccionar o terno, assim como ocorre com a roupa das mulheres, Camargo leva em consideração a silhueta, e propõe ajustes de calça e cintura alta

 

Etiqueta e postura

 

Uma boa postura vale tanto para aprender a desabotoar o paletó na hora de dar um abraço, quanto para posar para as fotos.

 

Cores dos ternos

 

Camargo ressaltou a importância das cores dos ternos dos noivos, a primeira escolha é sempre o preto, depois o cinza e, por último, marinho. Há quem prefira os mais claros, até mesmo o branco. Para Camargo, esta escolha deixa a noiva em segundo plano. Ninguém vai lembrar do vestido dele. É melhor pensar bem antes de tomar esta decisão.

 

Gravatas e colarinhos

 

Foram muitas as dúvidas, principalmente sobre as gravatas: qual modelo está na moda? Qual devo usar: a fininha ou a mais larga? Para o alfaiate tudo vai depender do biótipo da pessoa. Como você acha que ficaria um homem alto e forte com uma gravata fininha? Não dá.  Tem de haver equilíbrio ao vestir.

 

Desfile

 

Nas passarelas dos desfiles do Camargo, além dos belíssimos e elegantes ternos, tem sempre modelos, celebridades do momento, que arrancam suspiros da platéia. Neste que gravei um trecho, esteve o  modelo e ex-BBB Jonas Sulzbach . Vamos conferir alguns momentos por aqui.

 

 

Alguém tem alguma dúvida de que o jogador Lucas chegará elegantemente vestido com um terno com silhuetas e tecidos impecáveis, no Paris Saint-Germain?

 

 

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung, aos sábados.

Como impedir que SP gaste R$ 50 bi em congestionamentos

Texto publicado originalmente no Blog Adote São Paulo no site da revista Época SP

 

Dia Mundial Sem Carro na 23 de Maio

 

Os congestionamentos já custam R$ 50 bilhões por ano para a cidade de São Paulo e o bolso dos paulistanos, conforme estudo da Fundação Getúlio Vargas. A instituição calculou o que deixamos de fazer e produzir enquanto estamos travados no trânsito, assim como os gastos com combustível, manutenção de veículos, poluição gerada e doenças provocadas. O incrível na conta é que o custo tem dobrado a cada quatro anos, coincidentemente período completo de uma gestão no Executivo. O difícil é saber que um prefeito só jamais dará conta do recado, sendo necessárias ações de longo prazo. Antes que Fernando Haddad, que assume em janeiro, veja na afirmação anterior uma justificativa para deixar a coisa como está, deixo claro que as soluções que nos levaram a uma mudança no futuro têm de começar imediatamente.

 

No plano de governo, aprovado por parcela da população, há a previsão de se construir o que foi batizado de Arco do Futuro, conjunto de ações que pretendem mudar a lógica de crescimento de São Paulo aproximando a casa dos paulistanos do local de trabalho. A intenção é criar esta oportunidade a cerca de 1,3 milhão de moradores dos bairros entre São Mateus e Itaquera. A principal mudança deve ocorrer na Avenida Jacu-Pessego, na zona leste, que seria transformada em pólo comercial e industrial. Haddad acredita que com isenções fiscais conseguirá levar empresas para a região. Avaliar o tipo de emprego a ser criado para atender as demandas das novas economias e do conhecimento que circula nos extremos da cidade é fundamental, sob o risco de criar vagas para uma mão de obra que não existe..

 

Vai ter de ir além.

 

Ampliar o sistema de trilhos na cidade – e para tal precisará planejar a extensão ao lado do Governo do Estado -, abrir corredores de ônibus sem medo de estreitar a passagem de carros, rever a entrada de veículos em algumas regiões, oferecer espaços saudáveis para a circulação de bicicletas e pedestres, investir em tecnologia para melhorar a engenharia de trânsito, são apenas algumas das soluções que fazem parte deste elenco de medidas.

 

Este projeto exigirá coragem, compromisso e dinheiro.

Foto-ouvinte: esforço de reportagem

 

Vestido da repórter

 

A cobertura jornalística exige alguns esforços extras para que a notícia chegue até a casa dos telespectadores. A maioria sequer percebe os desafios enfrentados pelos repórteres no cotidiano da cidade e quanto é exigido de criatividade para superar percalços. Neste caso, a repórter da TV Globo Sabina Simonato teve de encarar um inimigo comum das mulheres de saia: o vento. Diante do prédio da rua Riachuelo, centro de São Paulo, que acabara de ser cenário de uma tentativa de invasão por sem-tetos, ela e sua equipe encontraram uma forma original para impedir qualquer safadeza do vento. A foto é do ouvinte-internauta e colaborador deste blog Devanir Amâncio.

Os paradigmas na gestão de negócios

 

Em meados dos anos 50 Peter F. Drucker escreveu em seu livro The Practice of Management “Existe somente uma definição válida para os objetivos de um negócio: criar um consumidor”. Inaugura-se aí um paradigma: A Satisfação do Consumidor.

 

Na década seguinte, com a primeira grande crise do petróleo, as previsões e estratégias de negócio, até então baseadas em dados históricos, passam a trabalhar com base nos Cenários Estratégicos e Tendências Socioculturais. “Most U.S. companies continue to use a variety of forecasting techniques because no one has apparently developed a better way to deal with the future’s economic uncertainty.” (Scenarios – uncharted waters ahead – Pierre Wack – Harvard Business Review)

 

Um dos teóricos mais importantes da atualidade, o sociólogo polonês Zygmunt Baumann dedica os seus estudos, ensaios e obras à interpretação da modernidade e da época pós-moderna. Segundo o autor, a vida atual impõe uma condição humana onde predominam o desapego e a versatilidade em meio à incerteza, exigindo estar-se na vanguarda constantemente.

 

Paralelamente, em um congresso sobre marketing e pesquisa de mercado nos anos 90, o presidente da associação mundial de pesquisa de mercado e opinião declarou: “durante o século 20, o petróleo foi a fonte estratégica. A Gestão do Conhecimento muito brevemente terá o mesmo peso estratégico para os negócios… o conhecimento deverá tornar-se o petróleo no século 21”.

 

Sobre a Gestão do Conhecimento:

 

– A informação torna-se necessária, mas não é suficiente para a tomada de decisões correta.
– É preciso transformar a informação em conhecimento (o todo é maior que a soma de suas partes – Gestalt)→ compreensão real da dinâmica social, cultural, do marketing e dos cenários futuros.
– Conhecimento identifica oportunidades onde inicialmente havia somente ameaças e riscos.

 

Os Instrumentos:

 

– “Business Intelligence System”
– Listen (o que aconteceu?)
– Learn (por que aconteceu?)
– Lead (como fazer acontecer?)
(The Meeting of the Minds – Vince Barabba – Harvard Business Scholl Press/1995)

 

Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier) e escreve no Blog do Mílton Jung, às terças-feiras.

Maquiagem, um luxo acessível

 

Por Dora Estevam

 

 

Uma das coisas que a mulher mais gosta é maquiagem. Fazer maquiagem sozinha, então, melhor ainda. Truques e toques, quem não quer saber? Existem milhares de vídeos na internet ensinado os passos para se fazer uma boa maquiagem. Em se tratando de produtos, vários, dos caros aos mais baratos, todos são irressistíveis. Em termos de funcionalidade, produtos que nem imaginamos, existem, e, hoje, estão disponíveis nas melhores casa do ramo.

 

Exemplos ?

 

Esfoliante para os lábios. Você passa o esfoliante, limpa e depois hidrata, deixando os lábios prontos para receber o batom.

 

Primer para os olhos: serve para fixar a maquiagem dos olhos.

 

Tem o primer da pele, também: prepara a pele para receber a base e os produtos.

 

O curvex: espalha os cílios para receber o rímel.

 

Aprendi tudo isso em um workshop com a talentosa maquiadora Bel Lücher, do salão de Marcos Proença e do Beauty Bar des Jardins, ambos em São Paulo. E aproveito para mostrar uma listinha básica de produtos que ela passou, os quais você precisa ter na sua necessaire. Em seguida, logo abaixo. um vídeo com os detalhes da palestra. Vamos lá!?

 

Para fazer sua própria maquiagem é preciso:

 

Para a pele:
– Limpeza com tônico ou demaquilante sem álcool e sem óleo (dica da Bel: com algodão macio)
– Base com filtro solar
– Primer (olhos e pele) – preparador de pele para receber o make – concentrar na zona T do rosto.

 

Para os olhos:

 

– Kit de sombras (escolha de acordo com a programação)
– Rímel (a prova d’agua ou sem)
– Curvex (para quem já sabe usar)
– Pincéis para depositar e esfumar

 

Blush e batom (as cores ficam a seu critério)

 

Opcional: cílios postiços se você tem vontade; é bem legal a ideia.

 

 

Básico do básico. Fácil não acham? Eu mesma já arrisquei alguns traços, vejam as minhas caras e bocas nestas fotos:

 

 

Use as referências da moda pra montar a sua caixinha de produtos favoritos, vejam estas fotos de desfiles, elas inspiram na hora da produção:

 

 

Estas referências são boas até mesmo para você saber que pode, sim, ser feita uma maquiagem em casa e ficar bonita. Como diz a Bel, errou, limpa, faz de novo. Se você gosta de determinada maquiagem tente fazer momentos antes de sair para não se afobar (eu fico meio afobada com as novidades). Nos olhos, por exemplo, a dica é sempre ir depositando a sombra aos poucos, principalmente no caso do esfumado preto. Não carregue de uma vez a sombra escura, vá fazendo ao poucos até chegar na cor ideal. A dica da pele também foi muito boa: ela faz uma preparação inicial, depois faz o olho, limpa o excesso com cotonetes e demaquilantes e só aí termina com uma boa base e corretivos. Tem também o iluminador que serve para dar um toque especial no canto lateral dos olhos, mas isso se for complicado deixa pra lá.

 

É isso, caso apareça alguma dúvida me avise, escreva aqui nos comentários e a Bel Lücher irá responder com o maior carinho.

 

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda no Blog do Mílton Jung, aos sábados

Foto-ouvinte: piso tátil vira armadilha para cegos

 

Piso sem rumo

 

Na avenida Faria Lima esquina com a avenida Rebouças, a prefeitura – ou seja lá quem for o responsável -, preparou, sem querer, uma armadilha para os cegos que passeiam nesta área nobre da capital paulista. Um piso tátil foi colocado com o objetivo de ajudar a passagem dos deficientes visuais, mas a faixa leva as pessoas para um canteiro, conforme mostra a imagem feita por um ouvinte-internauta do Jornal da CBN.

 


Ouvinte esclarece e a gente agradece:

 

Paula Fagundo @paulafagundo: A ideia é levar o piso tátil até a borda do canteiro, pois esta borda serve como linha guia identificável, o que não está errado

Apesar de tudo… (parte 2)

 

Por Julio Tannus

 

… adoro a cidade de São Paulo. Passado um tempo morando na Rua São Lázaro logo após nossa chegada de Paraty, mudamos para a Av. Leôncio de Magalhães, 1.509, no Jardim São Paulo, no início dos anos 50.

 

O primeiro encontro: tínhamos em casa uma geladeira americana da marca Gibson. Era a única casa da vizinhança que possuía geladeira. Em um dia de muito calor, logo pela manhã, toca a campainha de casa. Ao atender a porta vemos, eu e meu irmão, duas menininhas loiras com forte sotaque alemão, que nos faz o seguinte pedido: “vocês podem dar um pouco de gelo?”. A partir daí ficaram nossas amiguinhas e passei a contar em alemão e a aprender algumas palavras dessa língua, e outras coisas mais. E também saber que várias famílias alemãs haviam fugido da guerra e vindo morar em São Paulo.

 

O primeiro susto: em frente a nossa casa, do outro lado da rua, ficava a Casa das Mangueiras. Uma enorme casa com várias mangueiras no jardim da frente. Éramos, eu e meu irmão, assíduos dessas árvores na época em que ficavam carregadas de deliciosas mangas. Até que um dia, ao chegar da feira com minha mãe, nos demos conta que algo de anormal se passava em casa. Meu irmão havia sido mordido por um dos ferocíssimos cachorros buldogues da Casa das Mangueiras. Se não fosse o caseiro acudir imediatamente, certamente ele teria sucumbido à ferocidade dos cães. Pouco tempo depois, um dos cachorros se soltou e entrou em nossa casa, onde finalmente teve seu fim.

 

As primeiras brincadeiras: Andávamos de carrinho de rolimã pela avenida, e também de bicicleta. Nas festas juninas fazíamos fogueira, fogão de tijolo onde assávamos batata doce, soltávamos fogos de artifício, balão e muita diversão, todas no espaço público. Na calçada de terra batida tínhamos nosso campo para jogar bola de gude. E também espaço para empinar pipa como diziam os paulistanos, que nós de Paraty chamávamos de “papagaio”. Os amigos eram de vários perfis: um deles se tornou comandante da Polícia Militar, outro que só andava de gravata e cujo apelido era “gravata” não sei que fim levou. Quando juntos, além das brincadeiras da época, gostávamos de chamar de “frangueiro” o goleiro Poy, que morava na vizinhança, e era do time do São Paulo e da Seleção Brasileira de Futebol.

 

A primeira mudança: Em meados dos anos 50 fomos morar no bairro dos Campos Elíseos, perto do antigo Palácio do Governo do Estado de SP, na Avenida Rio Branco no edifício Cícero Prado. Um prédio de 100 apartamentos onde a grande maioria era habitada por judeus, muitos deles fugidos da perseguição na Alemanha nazista. É com eles que me aproximei de Sigmund Freud. E também aprendi sobre a cultura judaica: aos sábados ia aos apartamentos onde moravam judias religiosas para acender o fogão de suas casas. Em frente ao prédio, fizemos um campo de futebol em plena Avenida Rio Branco, pois nesse trecho a avenida era apenas uma rua estreita.

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Às terças-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung