De bandeja

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em boa hora voltou para mim a lembrança da vovó escolhendo feijão na mesa da cozinha da nossa casa, quando eu era menina. O fato é que percebo à minha volta que não são muitos os que percebem a beleza da vida na alegria e na dor, no ter e no não-ter, no ir e vir, no trivial e no especial. Tem sempre uma condição subjacente a cada respirar. Conversávamos lá em cima no terraço sobre a importância do não-permitir que fatos e pessoas tomem o comando do teu sertir-se-bem, do teu sorriso, da tua mansidão, dos teus sonhos. Nunca. A alegria deve vir de dentro, da receita que somos, da nossa mistura de cada momento. Onde quer que estejamos. Entregar esse poder de bandeja é no mínimo falta de respeito com a gente mesmo. O que também deveria ser matéria obrigatória desde a pré-escola, para não falar na educação em casa, no exemplo de cada dia que vem acoplado ao pão com manteiga; ao mingau de aveia. A aberração do suborno legalizado no seio da família é uma, no longo rosário de pérolas semelhantes. São sementes de pepino, e desentortá-lo é que são elas.

 

Tive sorte de ter um pai muito rígido, que não dava mole. Meu pai dizia, estava dito. Teve um tempo que eu ficava de cara com ele, mas não demorei demais para compreender o objetivo. Meu pai não cursou faculdade formal, mas aprendia com tudo e com todos e “se fez na vida”, como era usança dizer, tinha dignidade admirada por todos, ricos e pobres, cultos e incultos.

 

Levei tempo para juntar lé com cré, mas parece que o programa se instala mesmo devagar. Hoje escolho, inspirada pelo feijão da vovó Grazia, minhas emoções e reações. A bichada vai para uma vasilha destinada ao lixo, a que me traz paz vai para a panela.

 

A reação não é mais, quase nunca, acionada pelo piloto automático do “eu sou o bom, sou o bom, sou o bom”, e o meu sentimento, espero, nunca mais será regido por ressentimento.

 

E também espero que, pouco a pouco, possamos reassumir o controle de ação e reação, podendo dizer em ritmo sereno e terno: “não posso ficar nem mais um minuto com você, sinto muito amor, mas não pode ser”, em vez de grafitar com hematomas o corpo do pretenso amor para quem se prometeu eterno amor.

 

Maria Lucia Solla é professora, realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Casar sai caro, mas dá prazer

 

Por Dora Estevam
 

 

O que antes se limitava a apenas alguns detalhes, muitas vezes resolvidos pelas mães e tias dos noivos, agora ficou mais complicado. Caro e complicado. É que realizar o grande sonho de entrar na igreja vestida de noiva, fazer uma festa maravilhosa e um roteiro dos deuses para a lua de mel já não são tarefas para as famílias e, sim, para grandes profissionais do ramo que a cada ano, a cada mês, a cada instante renovam as ideias deixando o leque ainda maior de opções.

 

 
Para ajudar nestas escolhas as noivas precisam de assessoras para tudo: lua de mel, vestidos, decoração de casamento, daminhas, bolos convites, e por ai vai. Só na internet o que tem de blogs e sites que rolam páginas e páginas de conteúdo exclusivo às noivas não dá para contar, mas dá para fazer alguma seleção, de acordo com o estilo do casal e partir para as decisões.

 

 
Uma boa opção para consulta é o blog Constance Zahn, a autora tem um bom gosto incrível e tudo, tudo mesmo que sai em termos de novidade neste ramo, ela posta lá. Esta semana, postou umas fotos de bolos dourados que eu nunca tinha visto na minha vida de tão lindos. A Constance também participou do novo evento de moda de noivas que é o Casa Moda Noivas, totalmente diferenciado, idealizado pelos empresários Duda Ferreira e Alexandre Cerqueira, o evento foi praticamente uma exposição de estilistas no qual as noivas puderam escolher seus preferidos e fazer o pedido do vestido. A blogueira Constance  entrevistou uma noiva em busca do vestido ideal. Veja como ficou no vídeo abaixo:

 

 

 

 
 
Só em pensar no estilo, no tecido, no tom ideal, no estilista que vai criar, tem gente que senta e chora. Além de a noiva gostar do vestido, tem que agradar a mãe, a família (dos dois). Não é fácil. Mas, como disse anteriormente, tem gente especializada nisso que pode ajudar a noiva a sair do escuro e partir para o próximo passo tranquila.

 

 
Como o evento já acabou e neste momento tem noiva precisando de um impulso, separei um material da consultora de imagem Maria Helena Daniel, autora do livro “Guia Prático de Tecidos”. Especialista em tecidos, ela fez um vídeo no qual entrevista um estilista de noivas e faz uma apresentação sobre tecidos para vestidos de noivas: tipos de rendas e tules finos. Tenho certeza que depois de ter uma aula com ela vai ficar mais fácil e menos complicado fazer sua escolha.
 

 

 

 
 
Propostas para vestidos diferenciados não acabam, ao contrário, ao mesmo tempo em que a nossa noiva costuma usar o clássico vestido branco, também encontramos em outras culturas noivas que se casam de vermelho, como as asiáticas. A estilista Vera Wang, estilista para casamentos, fez uma homenagem a China e desenvolveu uma coleção intitulada Mei Mena (Lindos Sonhos em Chinês) com 15 modelos em nuances de vermelho. As noivas famosas que já passaram pelas agulhas da estilista são Sharon Stone, Kate Hudson e Victoria Beckham. Outro estilista internacional bem lembrado no mundo das noivas é Oscar de la Renta. Aperte o play e veja comigo este lindo e encantador desfile.

 

 

 

 
 
 
 
O casamento perfeito começa com a escolha de bons profissionais, e para isso é preciso pesquisar muito, conversar com outras pessoas, ver fotos, fechar negócio se tiver certeza mesmo do que você está comprando é real. Anote na agenda tarefas que são imprescindíveis para a cerimônia:
 

 

– Alugar carros, materiais e móveis;
– Contratar uma assessoria para o cerimonial;
– Bebidas e serviços de bar;
– O dia da noiva;
– Os doces e bolos;
– A decoração da igreja e da festa;
– Os convites;
– Os fotógrafos;
– As lembrancinhas.

 

 
E, por favor, não esqueça da escolha mais importante do casamento: o noivo que vai viver ao seu lado feliz para sempre.

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábados, no Blog do Mílton Jung
 
 
 
 

Foto-ouvinte: Fede como Cachoeira

 

Cachoeira em São Paulo

 

O Brasil é um país de cachoeiras. Existem cachoeiras de todos os tipos. Altas, profundas e perigosas. No Parque Dom Pedro II, no centro de São Paulo, uma cachoeira de esgoto cai no rio Tamanduateí e agride o meio ambiente – em frente ao Mercado Municipal da Cantareira, um dos mais belos cartões postais da cidade. A cachoeira malcheirosa é um convite oportuno para uma reflexão sobre justiça, política e serviço público.

 

Foto e texto de Devanir Amâncio

São Paulo: quem te viu, quem te vê

 

Por Julio Tannus

 

Trolebus quebrado

 

Em 1976, participando de um projeto sobre sistema viário em SP, cruzei com monsieur Harry, um suíço especialista nos assim chamados trólebus, ônibus urbanos movidos à energia elétrica. Monsieur Harry era considerado um dos maiores especialistas mundiais no assunto e a Suíça detinha uma das mais avançadas tecnologias na fabricação de ônibus elétrico da época.

 

Fui encarregado de, juntamente com monsieur Harry, sobrevoar a cidade de São Paulo para que o especialista tivesse um primeiro contato com a cidade, na qual ele estava sendo contratado para auxiliar em um novo projeto de Trólebus Especiais, e do qual eu também participava. Então, em uma tarde de sexta-feira embarcamos no helicóptero do governador e partimos para um sobrevoo sobre nossa capital paulista. Percorremos toda a área compreendida pelas marginais Pinheiros e Tietê, seguimos até a região do ABC e depois nas cercanias de Guarulhos, e por fim retornamos ao heliporto do Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo do Estado de São Paulo.

 

Esperavam-nos uma dezena de jornalistas, repórteres e radialistas, todos ansiosos pelo diagnóstico do suíço. Sério e compenetrado, monsieur Harry dirigiu seu olhar para a pequena multidão e sentenciou: Pas de Solution! Ou seja, na visão do especialista, há mais de 30 anos, sua primeira reação foi de que não tínhamos como resolver o enorme congestionamento através de soluções viárias de superfície: Não tem solução! …

 

E aqui eu coloco outra questão: Por que até hoje não foi desenvolvida tecnologia para veículos (automóveis/caminhões) movidos a energia elétrica, com todos os benefícios decorrentes de uma energia limpa, não poluidora? Como toda questão que envolve a “coisa pública”, é ao mesmo tempo complexa e simples.

 

A complexidade advém do fato que existem grandes interesses envolvidos. Certamente os interesses ligados às grandes montadoras, as gigantes do petróleo, etc. não o permitiram. Lembro-me de um professor de pós-graduação da Escola Politécnica da USP, na área de Sistemas de Transportes, que ficava transtornado quando se referia ao que estava sendo feito com o sistema ferroviário no Brasil. Segundo ele, o lobby da indústria automotiva (estrangeira) era suficientemente forte para impedir o desenvolvimento natural do uso da energia elétrica no transporte ferroviário e rodoviário urbano no país.

 

E simples porque basta apenas vontade/vocação política para romper as mais fortes barreiras. O projeto de Trólebus Especiais foi concluído: entre outras inovações, os ônibus eram leves, ágeis e com tecnologia avançada. Hoje, passados mais de 30 anos, vejo os mesmos trólebus de então circulando pelas ruas de São Paulo. O projeto nunca foi implantado!

 

Participei também, no passado, de algumas reuniões sobre mudanças do Plano Diretor da cidade de São Paulo. O que fica claro é que não adianta construir mais viadutos, túneis, novas avenidas, e até mesmo novas linhas de metrô, enquanto não houver uma mudança conceitual na ocupação do solo. Derrubam-se casas para construção de imensos edifícios, muitas vezes em ruas estreitas, com infraestrutura urbana já saturada.

 

A mancha urbana cresceu tanto que hoje uniu São Paulo a Campinas, abrigando, nos seus 65 municípios, 12% da população brasileira. Na realidade a cidade de São Paulo ficou pequena demais, com suas cerca de 40 mil ruas/avenidas e 17 mil quilômetros de extensão, para conter os mais de 7 milhões de veículos, dos quais 5 milhões de automóveis, 890 mil motocicletas/triciclos/quadriciclos e 700 mil ônibus/utilitários.

 

Já entramos em colapso há algum tempo!

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier) e escreve no Blog do Mílton Jung

De bom e ruim

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Olá,

 

o ruim é o sanduíche de pré-julgamento recheado de condenação ao que quer que seja diferente do nosso ser, no momento. Parece que existe um programa bichado instalado em cabeças movidas a preconceito.

 

O bom é que vejo crescer o número de pessoas que já funcionam com programa atualizado, de última geração. Pouco a pouco começam a rarear as pessoas que se agarram a um partido político, por exemplo, como se o seu partido fosse um órgão coeso, formado de células escolhidas, como maçãs numa frutaria de luxo. Se bem que os motivos que as levam a isso, há muito vêm rareando também, o que leva alguns a perceberem que não importa que um objetivo expresso seja alardeado com sorriso comprado a peso de ouro na banca de um marqueteiro e usado fora de compasso; o que importa é a saúde da consciência que arquiteta objetivos factíveis, seu nível de civilidade, de honestidade, e o caráter que só se forma para correr nas veias, em casa. É de pequeno que se torce o pepino.

 

O bom é que a “opinião formada sobre tudo” começa a desmoronar como avalanche natural que derruba o que nos está tolhendo o direito de sermos realmente livres. E aceite o exemplo e escolha a via, quem puder e quiser.

 

O bom é sentir instalar-se em mim uma atualização de consciência, apesar do tanto ainda que há de vir.

 

O ruim é que ainda há tantos que se agarram a falsas promessas, que alimentam falsas premissas, sem terem ideia do real motivo do seu apego. O bom é que já há tantos que conseguem se libertar delas.

 

O ruim é que a cor da pele ainda é motivo de preconceito tão arraigado que escapa por canos de revólveres, em forma de projéteis mortais, atraídos pela cor. O bom é que de tempo em tempo aterrissam no planeta, cabeças prontas a desmontar a crença bolorenta.

 

O ruim é que a falta de consciência ou um cadinho da mesma, incipiente e fraca demais para desabrochar, ainda coloca em sacos distintos, pobres e ricos, feios e bonitos. O bom é que há um bom punhado deles que pulam dos sacos, enfrentando riscos e se aproximam e vão formando esquadrões coloridos, respeitando, uns as diferenças dos outros.

 

Não é?

 


Maria Lucia Solla é professora, realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

No mundo dos acessórios quem impera é a bolsa

 
 

 


Por Dora Estevam

 

 

Acessórios! Esta é uma palavrinha mágica que toda mulher gosta de ouvir. E muitas disparam a comprá-los. Só porque gostaram e acharam lindos, levam – às vezes, nem saem do armário. Quando falo em acessórios me refiro a tudo o que compõe uma produção. Mas, especialmente, vou falar das bolsas, a grande vedete dos armários e vilã dos bolsos.

 

Há bolsas e bolsas. Bolsa barata, bolsa cara; todas, todas são vendidas, não sobra uma nos armários das lojas. Respeitando todos os gostos, na pesquisa que fiz para falar sobre os acessórios, encontrei muito material sobre bolsas e sapatos coloridos. E, incrível saber, hoje nós podemos, sem medo de ser feliz, usar sapato de uma cor e bolsa de outro. Coisa que há duas décadas isso seria uma cafonice total, nenhuma mulher chic ousaria a tal absurdo. É sério!

 

Ainda há muita mulher que resiste ao uso de uma boa bolsa colorida. Vejam que interessante, a consultora de imagem Maria Helena Daniel, autora do livro “Guia Prático dos Tecidos”, aliás, a melhor especialista em tecidos do mundo, fez um curta no qual mostra como uma mulher real pode usar bolsas e sapatos coloridos sem ficar esquisito e ainda dá dicas de como comprar um sapato alto e confortável. Aperte o play e curta comigo.

 


  

 

Como você viu no vídeo o básico é básico e não se discute. A consultora alerta isso várias vezes. O bacana é complementar este estilo básico com algumas pitadas de colorido que vão dar um ar novo a sua produção. Salve o vídeo na sua pastinha de preferências e use sempre que surgir uma dúvida.
 
 

 

A Maria Helena tem experiência de mulheres que mudaram de emprego e mudaram o estilo de se vestir e se tornaram mais felizes. E de mulheres que no mesmo emprego resolveram dar um toque na vestimenta, cortar os cabelos, uma bela renovada e receberam aumento e promoção. Como? Ela se torna mais bonita, atraente e passa autoconfiança. Mas este é um assunto que vamos tratar em outro post.
 

 

Aqui no Brasil estamos no outono e logo mais o inverno, automaticamente as cores dos acessórios começam a escurecer, mas, de acordo com os desfiles de lançamento, o colorido continua fazendo parte da produção, além dos brilhos que também já mostramos neste blog.
 

 

Vejam nas fotos de street style que separei pra você ter uma ideia de como se produzir com sobreposições e ainda mesclar sapatos e bolsas coloridos.  É o que elas usam para trabalhar. Lembrando que um escritório mais formal pede um outro tipo de abordagem.

 


  

 

Nós sabemos que quando uma celebridade aparece na TV, em uma foto ou em uma novela  usando uma bolsa ou um sapato muitas meninas correm para comprá-los. Pensando nisso, as marcas estão cada vez mais apostando nas celebs para lançar seus produtos – aqui no Brasil  a Be Forever, chamou a atriz Tammy Di Calafiori para estrelar campanha de bolsas e acessórios para o inverno ’12. A estilista da marca apostou em dois temas: Fantasies e Carnaby, algo como tudo é permitido e inspirações nos anos 50’e 60’. O resultado você confere nas fotos.
 
 

 


  

 

A outra modelo e apresentadora que também está  trabalhando em campanha de acessórios é a Carol Bittencourt. Ela foi a escolhida da marca Da Rafitthy para o nosso outono-inverno ’12. A top simplesmente arrasou nas fotos e valorizou ainda mais as bolsas da marca. A grife também busca referências na moda internacional e cria um trabalho pensando na mulher brasileira. Veja nas fotos os estilos das bolsas: minimalista e folks foram os temas trabalhados.

 


 

 

Note nas ultimas fotos que as  bolsas aparecem em tons sóbrios com detalhes em vermelho e ferragens douradas, o que deixou o produto bonito, prático e ousado.  Como falei, todos os gostos foram respeitados e muitas propostas foram mostradas. Agora é com você. Aproveite e dê uma olhadinha ai no seu armário. Veja se não tem uma bolsa ou um par de sapatos esquecidos, com essas dicas você pode começar a usá-los. O que você acha?
 

 

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábados, no Blog do Mílton Jung

Participação comunitária ou a necessidade de estarmos juntos

 

Por Julio Tannus

 

Se todos os habitantes da Terra caminhassem para um mesmo ponto de nosso planeta, o que aconteceria?

 

Esta questão nos foi proposta há alguns anos, na cadeira de Física do curso de segundo grau. Por mais impossível que possa parecer, contém em suas conseqüências algo factível do ponto de vista da Física.

 

De um ponto de vista sociológico, essa impossibilidade vem diminuindo, a nosso ver, com o passar dos anos. Se não, vejamos:

 

-A intensidade e extensão com que nos comunicamos hoje em dia é um fator incontestável.

 

-O intercâmbio entre diferentes culturas, grupos sociais, países, economias e empresas assume formas absolutamente globalizadas.

 

-Os recursos tecnológicos disponíveis para uma comunicação globalizada crescem vertiginosamente.

 

Lembramos também de um tema de redação proposto por um professor de Português da época: “Por que os furacões que assolam o Caribe têm nomes femininos?” Todas as redações apresentadas abordavam o tema referindo-se à intempestividade e a certa irracionalidade do comportamento feminino. Nenhum deles referia-se à revolução que estava por vir, com a mulher assumindo um papel social absolutamente revolucionário para os padrões da época.

 

Essas situações nos sugerem o quanto a vontade e consciência coletivas podem transformar algo tido como aparentemente imutável ou impossível de ser realizado. E aqui levantamos a seguinte questão:

 

-Por que nós, brasileiros e brasileiras, não reivindicamos de forma ativa e coletiva os nossos direitos e interesses? Ou mesmo;

 

-Será que vamos continuar indefinidamente a assistir passivamente ao não cumprimento de promessas de campanhas políticas não cumpridas? E até;

 

-Por que a participação de condôminos em assembleias é baixíssima?

 

Pensamos que onde houver um agrupamento humano sempre haverá a necessidade de participação de seu coletivo na defesa dos interesses comuns.

 

Na realidade, pensamos que deveria ocorrer exatamente o oposto do que podemos observar hoje. Na medida em que as sociedades se tornam cada vez mais globalizadas, com problemas e necessidades mais assemelhados, cresce a demanda por informações que de alguma forma ajudam a identificar suas peculiaridades, e por extensão, cresce também a necessidade de participação de seu coletivo em defesa dessas peculiaridades.

 

O sociólogo italiano Domenico De Masi nos lembra que a sociedade rural levou sete mil anos para produzir a sociedade industrial, e que a sociedade industrial precisou de somente duzentos anos para produzir a sociedade pós-industrial. Chamada por alguns de pós-modernidade, a sociedade pós-industrial aqui é entendida como uma sociedade em cujo epicentro não existe mais a produção de bens materiais em grande escala, mas sim a produção em grande escala de serviços, de informação, de estética, de símbolos e valores.

 

Por outro lado, um executivo de uma empresa de consultoria norte-americana, falando sobre as mudanças ocorridas no mundo dos negócios nos últimos anos, enfatiza algumas delas:

 

-Os mercados, que durante muito tempo foram determinados pelos produtores/ fabricantes, hoje são definidos pelos seus consumidores;

 

-Os capitais para investimento, que antes eram dominados pelos fabricantes, hoje o são pela tecnologia;

 

-Os negócios, que antes eram geridos de forma independente, hoje são geridos a partir de alianças e parcerias.

 

Esses dados servem bem para dar uma ideia do que nos é reservado hoje e no futuro próximo. Além de grandes e rápidas mudanças, tanto qualitativamente como quantitativamente, novos conceitos e demandas exigem um processo constante de adaptação e resposta, tanto por parte das empresas como das instituições em geral, reforçando cada vez mais a necessidade de estarmos juntos. E para isso, cada vez mais necessitamos estar presentes coletivamente para fazer frente a essas mudanças.

 

Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier), membro do Conselho de Síndicos do SECOVI e escreve no Blog do Mílton Jung

Foto-ouvinte: raios que os partam

 

Raio sobre São Paulo

 

Nosso fotógrafo não-oficial do Blog Massao Uehara, além de bom de olho, tem uma sorte danada. Ele mandou a imagem feita no início do temporal, na noite de domingo, no bairro da Casa Verde, em São Paulo, e garante que o smartphone dele tirou esta foto no susto. Ou o phone é smart mesmo ou é história de pescador. Uma ou outra, vale abrir mais uma vez espaço aqui no Blog.

De obrigado

 

Por Maria Lucia Solla

 

Céu

 

Olá,

dizemos obrigado a muita gente, e muitas muitas vezes ao longo da vida. Tem vezes que agradecemos assim como quem diz bom dia, no piloto automático, sem nos darmos conta da intensidade da manifestação, mas tem outras que, quando brota a palavra mágica, o corpo inteiro se entrega ao sentimento de gratidão. Um jorrar de amor que vai se encontrar com o amor que jorra do gesto do outro. Em tempo não muito remoto, a vida era mais simples, e a gente fazia no máximo duas ou três coisas ao mesmo tempo e pensava outras tantas. Lembro da minha mãe na cozinha preparando o macarrão de quinta e domingo. A macarronada não era assim tão rápida como a de hoje. A massa era feita em casa, fuzzili ou tagliarini, e o molho era preparado por ela ou pela minha avó Grazia, que vinha duas vezes por semana dar uma mão à minha mãe no preparo dos quitutes da semana. Nada de cozinheira. O tomate, fresco e bem maduro, mas firme e vermelho, era ligeiramente batido no liquidificador e depois coado. Esse suco lindo ia para uma panela alta e virava molho. Na panela, faziam parte da receita, bifinhos enrolados que escondiam cenoura, toucinho e outras gostosuras. Então essa mistura cozinhava em fogo bem baixo e cozinhava, cozinhava, até se transformar num molho de comer de joelhos. Eu rodopiava pela cozinha e tinha sempre permissão de, no meio da manhã, comer um pãozinho sem miolo, fechado nas laterais e recheado com um bifinho enrolado, quase se desfazendo de tão macio, e uma colherada do molho. Era o céu! Elas, minha mãe e minha avó, desenvolviam um balé que me encantava. Fogão, mesa, pia e panela acompanhavam a conversa que tinha às vezes um tom mais baixo porque era coisa de gente grande; não para os meus ouvidos. Da sala vinha o som de música na vitrola, que meu pai não vivia sem ela. E esse era o enredo e a trilha sonora.

 

Hoje não fazemos só duas ou três coisas ao mesmo tempo, e não preciso descrever como funcionamos, ao menos em cidades frenéticas como São Paulo. É burbulhar na panela, no tablet, no telefone, nas mensagens no celular, no e-mail, na televisão, na mente e no coração, de fazer inveja a conjunto de percussão. Imagino que, por isso, da mente ocupada e embaralhada, os nossos obrigado e muito obrigado afloram cada vez mais no piloto automático. Só quando vivemos um período de perrengue daqueles é que, ao agradecermos, agradecemos com todas as células que nos compõem, que cantam em uníssono a nossa gratidão. E é assim que tenho me sentido, há algum tempo.

 

Andei mudando de obrigada para grata, porque nunca me sinto obrigada a nada, mas acabei como o Recruta Zero e resolvi me entregar outra vez ao obrigada, já instalado no programa de todo mundo. Portanto, a todos os que têm me ouvido, lido, abraçado, alimentado, acompanhado, partilhado comigo folia e tristeza, compreendido a dificuldade do obstáculo e dos perrengues que enfrento, aqui e ali; a todos os que têm aguentado meus arroubos de alegria e meus miados, meu muito obrigada que não jorra guiado por piloto automático, mas por uma gratidão que toma meu corpo inteiro.

 

Feliz Páscoa.

 

Maria Lucia Solla é professora, realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

 

Os óculos que completam o estilo

 

Por Dora Estevam
 

 

Em qualquer estação do ano, os óculos de sol são mais do que bem-vindos. Todo mundo usa; todas as classes, também; e tem óculos para todas as idades. É um acessório cobiçado. Há quem tenha coleções e os quem guardam apenas um. De “grifado” ou não, é uma peça democrática. Venha comigo ver as fotos que separei para ter ideia do que os estilistas colocaram no mercado para a estação e como as pessoas se produzem nas ruas.
 

 

Estas primeiras imagens são da coleção nova da marca Ermenegildo Zegna. Os modelos são masculinos, em especial para os que gostam de ousar nas lentes e armações. Elas aparecem coloridas, boas até para os dias mais nublados, porém com bastante claridade. Combinam com jeans azuis ou coloridos.
 

 


 

 

Agora, conforme prometido, algumas imagens de pessoas usando os óculos para as suas tarefas diárias. Já se imaginou em uma dessas cenas?
 

 


 
 

 

Nesta democracia fashionista dos óculos, não podemos esquecer de regrinhas básicas, tanto para quem usa como para quem os vê usando.
 

 

Por favor, ao cumprimentar alguém faça a gentileza de levantar os óculos para não bater no rosto do amigo. Tire os óculos para a pessoa não ficar feito boba olhando para o nada, ainda mais se as lentes forem espelhadas. Se for andar com os óculos em lugar fechado, como um shopping, se prepare para as piadas: “ele pensa que é Lenny Kravitz?”; ou “nossa, tá um sol aqui?”. Pode ser a lente mais chic do momento, mas, a piada será inevitável. Sorry!
 

 

Se o uso do óculos de sol justificar naquele momento, se estiver usando por um motivo de saúde e indicação do oftalmolgista, ok, enfrente, caso contrário, guarde-os na bolsa até a hora da saída. Lembro, ainda, que os óculos são de sol , ou seja, para serem usados de dia, não à noite. Não foram feitos para a luz noturna e podem prejudicar a visão. Mais uma vez, consulte um especialista para fazer tais ousadias.
 

 

Para finalizar a nossa conversa, um pouco de música. The Gramps fala sobre o uso dos óculos de sol à noite. Uma ótima brincadeira.
 

 


 
Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, no Blog do Mílton Jung