Aviso aos navegantes

 

Desde o sábado, quando houve mudança no site da CBN, o Blog aqui também foi renovado em seu visual e na funcionalidade. Nestes primeiros dias, porém, os leitores tiveram problemas para publicar seus comentários – pelo o quê peço desculpas. Hoje, está tudo em ordem e você já pode aproveitar o novo visual que tem como intenção colocar nas suas mãos mais facilidades para acessar as diferentes seções. O que mais me agradou nesta mudança do Blog foi o espaço que privilegia os textos e as fotos. Naveguem à vontade, palpitem e nos ajudem a construir este trabalho.

Hora de Expediente estreia hoje no Jornal da CBN

 

Dan StulbachLuiz Gustavo MedinaJosé GodoyMilton Jung

 

O trio do Fim de Expediente vai acordar mais cedo e, a partir de hoje, participa do Jornal da CBN, em uma conversa descontraída sobre os assuntos mais importantes e irreverentes do dia. Dan Stulbach, Luis Gustavo Media – o Teco e José Godoy estarão comigo no quadro Hora de Expediente que vai ao ar às 8h45 da manhã. Para comemorar a estreia, fomos presenteados com estes cartuns de Bruno Drumond, de O Globo. Olheiras minhas à parte, agradecemos a lembrança e esperamos atender a expectativa do nosso ouvinte-internauta.

 

O Liberdade de Expressão segue na programação com Viviane Mose, Arthur Xexeo e Carlos Heitor Cony, agora com novo horário: às 9h10 da manhã.

De vivendo a vida

 

Por Maria Lucia Solla

 

Olá,

 

às vezes sinto que desperto de sono profundo, e vejo as coisas à minha volta com uma clareza difícil de descrever. Não sei dizer se é arte da mente ou do coração, mas é magia pura.

 

Hoje eu estava arranjando a mesa da sala para comemorar a vinda do meu filho Paulo, – o aniversário dele é na segunda-feira – e resolvi dar um jeito nos enfeites de Natal que ainda estavam em cima do aparador, esperando carona para ir para a sua caixa, descansar por mais um ano.

 

Peguei e curti um por um – bolinha, pinha com toque de dourado, laço vermelho, laço dourado, bengala do bom velhinho, o próprio, rechonchudo, sorridente, e toda a galera do presépio, presente do Marcos, para levá-los de volta para o tanto que lhes cabe neste latifúndio. Eles moram no meu quarto, num baú que pretendo mandar armazenar, desde o dia em que cheguei neste apartamento, para fazer lugar para uma cadeira de leitura. Daquelas de sonho, sabe? Costas bem acomodadas, coluna quase feliz, pernas posicionadas confortável e saudavelmente; uma cadeira perfeita. Uma lâmpada de leitura, aérea para não ocupar espaço, estrategicamente posicionada, e um aparador na parede, para os livros do momento – e só esses -, e uma ou duas xícaras de café ou chá, conforme a situação.

 

Então por um segundo pensei um pensamento rançoso, condicionado, envolvido em teia de aranha: cadeira de leitura? pra quê? pra quê perder tempo e jogar dinheiro fora, se vou deixar este apartamento quando vender? e se a cadeira não tiver espaço no outro apartamento ou casa onde vou morar? E a engrenagem pirou: pra quê pendurar quadros, se não vou ficar? pra quê isso, pra quê aquilo? E no quê dentro de mim disparava um programa novo, como um balão de surpresas que estoura e te enche de mimos, me dei conta de que, sim, um dia eu também vou deixar este corpo, e não é por isso que vou deixar de cuidar dele, que não vou viver a vida com fome e com sede, até me fartar dela. Então olhei para o lado e resolvi armazenar os amigos natalinos numa gaveta do armário ao lado da mesa, ou seja, foi como se o móvel tivesse me cutucado o ombro e dito: ei, ml, olha pra mim. Você não quer a tua cadeira? Esvazia o baú. Eu guardo isso pra você.

 

Sei que não é nenhum ovo de Colombo, mas em mim teve um efeito daqueles. Pelo que não posso ter, não quero mais chorar, mas vou atrás de tudo que achar possível. Não vou me escravizar por nada, mas não vou desistir também. Vou tentar fazer o que sempre prego: saborear o minuto como se fosse meu primeiro e último. Vou atrás de cada sonho possível, aceitar o que me faz sorrir e guardar feito tesouro, os bons momentos. Um toque, uma palavra, um olhar, um desejo.

 

E você? Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Na passarela do Morumbi

 

Por Dora Estevam

Tenho andado bastante pelas calçadas do Morumbi, zona Sul de São Paulo, em especial na Avenida Morumbi. Estes passeios são excelentes oportunidades para se perceber as coisas boas e ruins que estão em nosso entorno. Tem morador que conserva bem as calçadas e fachadas, além de manter seu espaço limpo. Pensa no bem estar dentro de casa e de quem passa do lado de fora, também. Outros esquecem que moram em uma cidade grande e imaginam que o bairro ainda é uma enorme fazenda, deixando as plantas e vegetação tomarem conta das calçadas, impedindo o passeio. Sem contar que muitas estão com o piso quebrado, intransitável. Notei, também, sacos de lixo colocados fora de hora da coleta, atrapalhando o caminho. A suprefeitura da região poderia aproveitar a nova lei das calçadas para iniciar fiscalização mais rigorosa.

 

Próximo do restaurante Casa da Fazenda, encontra-se um dos marcos da região, o portal que teria sido a entrada principal da grande fazenda que foi o bairro. Ocorre que bem neste trecho o portal toma conta de toda a calçada e nunca se preocuparam em criar uma passagem para pedestres, obrigados a andar e arriscar a vida na movimentada avenida. Para quem visita o local ou apenas está caminhando como eu, muito cuidado: o calçamento é irregular e a falta de uma tampa de ferro deixa a mostra um buraco perigosíssimo, cair lá é pé quebrado na certa.

 

O passeio segue em frente e me chamou atenção a existência de pontos de ônibus por toda extensão da avenida. Mais ainda: a gostosa área verde que se tem à disposição; pode-se sentir o perfume das flores e eucaliptos dispersos nas casas e muros. O movimento de pessoas e carros aumenta quando se aproxima o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. É notável a diferença do tratamento para a redondeza, em especial a limpeza e a segurança. Foi o único trecho no qual encontrei carro de polícia.

 

Mais adiante, descendo a Avenida Engenheiro Oscar Americano, as calçadas estão em fase de restauração. Em um bom pedaço, o morador – ou será a prefeitura ? – decidiu trocar todo o piso, está ficando ótimo. Mas cuidado, não vá com muita vontade que logo você terá problemas. Perto do Hospital São Luiz a calçada é horrível e para piorar fios da Eletropaulo estão pendurados na altura das pessoas, o que causa aflição. Na vizinhança tem de tudo, inclusive morador que coloca cones diante da casa para impedir que os demais estacionem. Esquisito, pois a rua é pública, e, pelo que sei, só não se pode parar na guia rebaixada, nas proximidades das esquinas e quando houver alguma restrição sinalizada com placas. Se não, vá em frente. Ou melhor, estacione. Mas o morador fez as regras dele. Merece uma visitante da CET.

 

O Morumbi é um bairro para quem anda de carro, não a pé. Em muitos dos faróis pelos quais tentei atravessar, em cruzamentos, não encontrei faixa de segurança e, em alguns casos, foi preciso arriscar e correr ara não ser atropelada. Eu escapei, ainda bem.

 

O caminho foi ficar mais gostoso na Avenida Cdade Jardim, não que a preocupação com a segurança diminua, mas as calçadas são amplas e mais bem conservadas, a medidas que tem muitos imóveis reformados. Para finalizar o passeio, atravessei a ponte e senti o mau cheiro do Rio Pinheiros, com água escura, espessa e cara de abandono total. Uma pena.

 

Mesmo que a área residencial anda predomine, existem atrações interessantes para quem visita o Morumbi: a Casa da Fazenda já citada, a Casa de Vidro da artista Lina Bo Bardi, a Fundação Maria Luiza (bárbara, vale muito a pena conhecer), a Capelinha com exposições e o estádio do São Paulo.não posso esquecer o icônico Hospital Alberto Einstein.

 

De todos os aspectos que me chamaram atenção ao transformar o bairro mais arborizado de São Paulo em minha passarela da ida “particular” é a vasta área verde em torno de casas e nas praças. Que Deus o proteja assim! E os moradores, também.

 

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung

Lei de trânsito exige bom senso de motorista

 

 

Artigo escrito, originalmente, para o Blog Adote São Paulo, da revista Época SP

 

Nas minhas férias de verão, voltei a cidade de Ridgefield, pequena localidade no estado americano de Connecticut, que conheci há alguns bons anos desde que parentes de minha mulher foram morar lá. O lugar é incrível, pois oferece a seus cerca de 22 mil moradores bosques intermináveis, cortados por estradas que levam até uma área central bucólica, que mantém traços da cidade fundada no século 18. Foi palco de uma batalha histórica durante a Guerra da Independência dos Estados Unidos, em 1777, quando os generais americanos Wooster e Arnold enfrentaram as forças britânicas. Descobri, também, lendo placas que estão expostas nas calçadas da Main Street (rua que aparece na foto que ilustra este post), em uma espécie de museu aberto, que um incêndio quase dizimou a cidade em seus primeiros anos de fundação, tragédia que foi contida graças ao apoio das comunidades vizinhas que enviaram brigadas de incêndio.

 

O frio na semana que antecedeu o Natal impedia passeios a pé ou mesmo de bicicleta, portanto andar de carro era quase obrigação. E uma tranquilidade, pela inexistência de congestionamento nas redondezas. Apenas ao sair de Ridgefield em direção a Nova York, distante mais de uma hora, ou a caminho de Danbury, que fica logo ao lado, encontra-se volume significativo de carros. Foi em uma destas viagens que aprendi uma peculiaridade das leis de trânsito de Connecticut: a conversão à direita é livre, mesmo que o sinal esteja vermelho para você, desde que feita com atenção; apenas nos cruzamentos mais perigosos, existem placas proibindo a manobra. A lei é inteligente, pois não o obriga a ficar parado quando não há carros para cruzar a via nem passageiros para atravessá-la.

 

Fico imaginando se algo semelhante seria possível em cenário caótico como o trânsito de São Paulo. Aqui, as autoridades sequer aceitam liberar os semáforos durante a madrugada nos cruzamentos, expondo o motorista e passageiros ao risco de assaltos. E não agem assim porque são injustas ou estejam a serviço dos bandidos, apenas porque conhecem o comportamento de parte dos motoristas brasileiros. Poucas vezes respeitamos a faixa de segurança – em São Paulo, somente a ameaça de multas consegue conter alguns -, dificilmente aceitamos a preferência dos outros nas rotatórias e jamais paramos o carro quando vemos o sinal de “Pare” na esquina, apenas desaceleramos para não perder a viagem.

 

A permissão que encontrei em Riedgefield e vale para todo o Estado de Connecticut só é possível em locais nos quais a sociedade esteja consciente de seus direitos e deveres. Exige bom senso – produto que está em falta em nosso trânsito.

Futebol brasileiro, um negócio mal feito

 

Futebol arteO futebol brasileiro deixa de faturar R$ 51 bilhões por ano graças a incapacidade de gestão dos clubes e a desorganização de seu calendário, demonstrou pesquisa coordenada pelo professor Pedro Trengrouse, da FGV, encomendada pelo Ministério dos Esportes. Atualmente, este negócio movimenta R$ 11 bilhões e emprega pouco mais de 371 mil pessoas, mas tem potencial para chegar a R$ 62 bilhões e oferecer mais de 2,1 milhões de empregos.

Os cartolas brasileiros, com as exceções de praxe, ainda comandam seus clubes como no século 19, quando o futebol se iniciou para agregar grupos sociais, atender as necessidades de diversão de amigos e conhecidos, e tinha caráter lúdico. Boa parte das equipes (83%) é formada para jogar apenas quatro meses ao ano, enquanto os grandes clubes muitas vezes se entopem de jogos com baixo retorno financeiro. Da bilheteria tiram 15% de seu faturamento e com a exploração dos seus estádios somente 4% – de onde clubes europeus, caso do inglês Arsenal, arrecadam até 50%. As 12 arenas que estão em construção para a Copa do Mundo colocam o Brasil em um outro patamar, aposta Tregrouse. Sem ilusão, porém. Os estádios somente se transformam em fonte de renda significativas se tiverem a prática de seu negócio principal: o futebol.

A televisão que transformou este esporte em um negócio midiático, nos anos de 1970, é quem banca a maior parte dos clubes – mais de 1/3 do dinheiro que entra nos seus cofres é referente a direito de imagem. A venda de jogadores é a segunda maior fonte de renda dos times brasileiros, 21%.

“Evoluções histórica, social e econômica não foram acompanhadas pelos clubes de futebol no Brasil”, disse Trengrouse em entrevista, hoje, ao Jornal da CBN, que você ouve aqui.

Foto-ouvinte: Videira na Cidade

 

Por Marcos Paulo Dias
Jornalista e colaborador do Blog

Videira na Cidade

Foi seu Moacir, 52, trabalhador na área de construção civil, quem me apresentou dona Maria Nilva Bondioli Capriotti,  63, e o marido dela, Cláudio Capriotti, 71, aposentado, moradores de São Miguel Paulista, zona leste da Capital, há mais de 15 anos. O casal é atencioso e apaixonado pela natureza ,  cuida  com muito carinho de uma parreira que está logo na entrada de  casa, onde, também com muita dedicação, cultivam um pé de jabuticaba e um de romã. Seu Cláudio, um pouco tímido, contou que dona Maria aproveita cada cantinho do quintal e, em sua última investida, havia semeado abóbora e um pequeno vaso. Parreira ou videira, caro leitor da cidade grande, se já não lembra mais, é uma planta trepadeira que produz a uva. Foi dona Maria quem a plantou, há mais de seis anos, e como a colheita é farta, costuma distribuir para os parentes e vizinhos. 

Videira na Cidade

A iniciativa de preservar  ou reservar pequenos espaços  para árvores, trepadeiras e  flores contribui para o bem comum, e tudo isso é retribuído com a presença de ilustres visitantes: pássaros, besouros e abelhas. Quando os visitei, encontrei este casal de pombas rolas que construíram seu ninho sobre a parreira. O mais legal é saber que estas cenas são possíveis de serem encontradas em uma casa na cidade de São Paulo.

A Cracolândia no círculo eleitoral

 

Por Devanir Amâncio
ONG EducaSP

O que fazer com os traficantes e viciados !?[humildade para ouvir]

A operação Centro Legal deflagrada pela Prefeitura e governo do Estado para ‘implodir’ a Cracolândia poderia ser chamada de Operação Maquiagem. Sem sucesso na captura de traficantes influentes, tem passado a forte impressão de luta por sobrevivência política dos principais envolvidos na operação. O tapa de Geraldo Alckmin e Gilberto Kassab no visual da Cracolândia conseguiu uma vitória: mexer com o governo federal, que terá agora a oportunidade de responder sobre a viabilidade da construção do ‘Hospital do Crack’ para o tratamento dos viciados.

Vale lembrar que, há três anos, conforme registrou a imprensa, a proposta do hospital foi entregue ao ex- presidente Lula em seu tradicional almoço de fim de ano com os moradores de rua e catadores. Na ocasião, o senador Eduardo Suplicy foi o porta-voz do documento assinado por viciados em crack e álcool. A notícia é que muitos dos que assinaram o documento morreram por causa do vício..

Alertamos a senhora presidente Dilma Roussef. Cuidado com os traillers ou cabanas – consultórios para competir com as tendinhas da prefeitura. Podem dizer: ‘é só para começar’. Limitar-se a este improvisado aparato federal poderá ser um fiasco de saúde pública. Fiasco como os cometidos pela Prefeitura de São Paulo nas construções das primeiras tendas no Parque Dom Pedro II, de condições sanitárias precárias; para uma cidade tão rica! Tendas e galpões vulneráveis como a grande solução para recuperar uma legião de viciados da maior Cracolândia do Brasil. Dentro da Tenda de Santa Cecília, há pouco tempo usuáriosforam flagrados pitando crack. O que parecia ser normal para algumas pessoas quando foram questionadas.

Senhora presidente, em São Paulo uma sucessão de fiascos e improvisos levaram o povo paulistano a desacreditar profundamente da classe política. Num vazio de ideias e de gestão tudo é improvisado, desde a implosão desnecessária de um prédio na favela do Moinho a caixas tapadas com toquinhos de madeira em frente à Coordenação de Subprefeituras, no Vale do Anhangabaú, centro de São Paulo. Quando os fiascos não se apresentam de forma grave surgem de forma violenta e odiosa contra os direitos humanos: acordar mendigos na madruga fria de São Paulo com spray de pimenta. É preciso sempre lembrar, manter a chama acesa para que tais atrocidades não se repitam.

Senhora presidente, a presença do Governo Federal em São Paulo deveria superar as espectativas[…] numa dimensão social de projetos permanentes em defesa da vida de cidadãos doentes que precisam de hospital. Ah!, mas não querem se tratar. Neste sentido a Constituição Federal é cristalina. Os doentes de crack respondem ou não pelos seus atos ? Então vale o que está escrito na Constituição.

Se querem prender os chefões do tráfico do Centro, acione o serviço de inteligência da Polícia Federal. Talvez as três polícias, civil, militar e federal trabalhando na mesma direção o serviço de segurança e proteção renderá, prenderão rápido os destruídores de vidas (sem descuidar das fronteiras, por onde tem entrado com facilidade a droga), e toda sociedade ganhará.

A Cracolândia não deve se transformar num mero instrumento de disputa de poder[…].

Senhora presidente Dilma Roussef, falta aos gestores de políticas públicas a visão de futuro para enfrentar a epidemia de crack. Por que deixaram o crack tomar conta da cidade de São Paulo e do Brasil? Para que se não cometa injustiças , e a culpa recaia apenas sobre os governos atuais -, particularmente em São Paulo o crack é problema social antigo, visto com descaso por sucessivas administrações. Depois de tantos anos, tendas e galpões! Cá entre nós, falta ou não visão de futuro e vontade política para enfrentar o problema ?

Nem mesmo os mais preparados escritórios de marketing político – contratados a peso de ouro pelos candidatos – justificariam o tamanho descaso das diferentes esferas de poder com o avanço do crack em São Paulo e no Brasil.

Até quando vamos assistir aos espetáculos de política tupiniquim ? Só falta alguém ter a ideia de carregar setenta ‘traficantes’ numa jaula, em desfile, pelas principais ruas da cidade às vésperas da eleição. Afinal, o poder está em jogo e descobriram que a Cracolândia é uma mina de voto.

Querem combater o tráfico de droga e tratar dos viciados em São Paulo ? É preciso ter a humildade para ouvir os que têm posições claras e respeitáveis sobre o assunto. Converse e ouça com atenção e anote tudo o que disser Antonio Luiz Marchioni (Ticão), Drauzio Varella ,Edson Ferrarini, Flávio Gikovate, Hans Stapel, Izilda Alves, Jaime Crowe, José Vicente, Maria Rita Kel, Maria Stela Graciani, Ronaldo Laranjeira e Wálter Maierovitch.

Aziz Ab’ Sáber e Manoel Del Rio defendem que o governo Federal desaproprie o antigo quartel do Parque Dom Pedro, e faça ali um hospital-escola, um centro integrado. O prédio está abandonado e deteriorado. Todas as pessoas citatas como referência são solidárias e quando solicitadas atendem até cidadãos anônimos.

Ouvir educadores sociais de rua e ex-viciados é fundamental. Não precisa ser ex-usuário celebridade.

A ilustração do texto fica por conta da inspiração e criatividade de algum desenhista/artista plástico solidário. Um policial aponta uma espingarda calibre 12 ou fuzil para um mendigo deitado no canteiro central florido da avenida Rio Branco e diz: “Vamos , levanta.” O andarilho se levanta tossindo com o cobertor nas costas e sai sem rumo..

De Dois Mil e Doze

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça “De Dois Mil e Doze” na voz e sonorizado pela autora

D O I S M I L E D O Z E

Lexigramei o nome do ano que acaba de chegar, para tentar senti-lo melhor, para tentar entender a que veio e me preparar para ELE. Essa história DO mundo acabar em 2012 não ME convence. Tem gente que DIZ que vai; eu não digo que vai, nem digo que não vai. Tenho a minha teoria, mas quem sabe.

Então vou deixar que o ano SE expresse aqui através do seu nome. Dois Mil e Doze. Já faz algum tempo que DOIS é o primeiro nome do ano. Sua linhagem começou no ano Dois MIL, quando a gente também acreditava que o mundo ia acabar. Assim também achavam os que aqui chegaram bem antes de nós e construíram uma penca de igrejas achando, já naquele tempo em 999, que Deus aceita suborno. Aí chegou firme e forte o ano Mil, que deu início a uma leva de anos que leva o seu primeiro nome; e passados mais mil anos o mundo não acabou.

Comecei pelo DOIS, que dá um recado de parceria, e me dei conta de que faz só DOZE anos, dos 998 que estão por vir, que acabou o reinado do um, do sozinho, do eu olhando para o próprio umbigo. E vem a esperança e me dá um empurrão. Daí foi fácil, mas fui fazendo tudo a DEDO, sem fazer corpo MOLE, que a trancos e barrancos não é MODO de lidar com coisa tão séria. Fui me infiltrando nos mistérios DELE. Encontrei bem mais de DEZ pistas, norteada pelo LEME do coração. Não encontrei DOcE, mas encontrei MEL e LODO também, como era de se esperar. Para fELIZ, faltou o F, mas encontrei ELIS, que soube ser e fazer muita gente feliz com a sua voz.

Se estou lendo com a atenção necessária, Dois Mil e Doze será o ano do DIESEL e de DOIDOS; e de DOLO vai ter DOSE. Há MEDO, mas também há MEIOS para enfrentá-LO e superá-lo. As saias voltam ao comprimento MIDI e o SEIO continua na pauta. Tudo bem que de vez em quando a vida DÓI, mas cada um vai encontrar um MODO de sair ILESO.

Há a essência de SOL e SOM, da escala musical tem DO, MI, SOL e SI, e se aproveitarmos a abundância de ZELO, se tivermos os pés bem apoiados no SOLO, encontraremos SOLIDEZ.

Será preciso descartar o MOLDE antigo, descartar a manha, sem DÓ, e ter em mente que DOZE é um número de harmonia, mágico, chame do que você quiser, mas eram DOZE os Apóstolos, DOZE as tribos de Israel. São DOZE os signos do Zodíaco, DOZE os meses do ano, DOZE as horas do dia e das noites também.

Falo do que tem e falo do que não tem. Para IDEIa falta o A, que também falta para MOLEZa e DILEMa, que será preciso descartar. Encurtando esta história, de mais de oitenta palavras, estas foram as que eu escolhi. Faz você a brincadeira e encontra o que o nome do ano tem para te dizer.

E enquanto o mundo não acabar, até a semana que vem.


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung