Inspirações, pressões e sugestões que me levaram a escrever “É proibido calar!”

 

 

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A ideia do livro surgiu da editora. O nome, de um convidado. A coragem, de uma colega. O incentivo, de minha mulher e meus filhos. A solidariedade de uma figura que vai lhe parecer tão estranha quanto excepcional. Já as histórias surgiram dentro de casa — da minha, das dos meus avós, dos meus pais e de gente conhecida.
 

 

“É proibido calar! Precisamos falar de ética e cidadania com nossos filhos”, meu quarto e mais novo livro, começou em uma conversa de livraria, no café da Cultura, no Conjunto Nacional, na avenida Paulista, em fevereiro, quando a editora Best Seller me procurou propondo que eu escrevesse sobre ética e política. Reticente, como costumo ser diante de desafios que considero grandes demais para mim, desconversei, puxei outros assuntos e imaginei que entre nós o café bem tomado já estaria de bom tamanho. Fui vítima de minha própria estratégia, pois ao ouvir minhas histórias de família e da relação com meus pais e meus filhos, a editora retomou o tema inicial, revelou sensibilidade e o adaptou para a minha realidade: vamos falar sobre ética e cidadania com nossos filhos! — disse-me entusiasmada.
 

 

Pedi algumas semanas para pensar —- tempo suficiente para arrumar uma desculpa e quem sabe deixar esse papo para lá. Ganhei apenas alguns dias de prazo. E não precisava muito mais mesmo: já estava convencido de que a proposta era tentadora e mexeria com os meus instintos mais profundos. Falar sobre a relação com meus pais e meus filhos em público era assustador tanto quanto emocionante — e nesse coquetel de emoções montei um projeto inicial, rabisquei um roteiro a ser seguido e comecei a escrever.
 

 

Escrever sempre foi motivo de sofrimento e prazer. Desde o primeiro livro, Jornalismo de Rádio, de 2004, passando pelo Conte Sua História de São Paulo, da mesma época, e do Comunicar para Liderar, de 2015, enfrentei as mesmas reações e embates: internos e externos.
 

 

Havia prazo para a entrega do livro, prazo para copidesque, prazo para observações, prazo para mudanças, prazo para o prefácio, para a orelha, para as colaborações, para a capa, para a diagramação, para a impressão e para o lançamento. Ao mesmo tempo que os prazos me pressionavam, me desafiavam e isso tende a me ajudar.
 

 

Na caminhada, além do apoio da editora, ganhei o incentivo em casa, apesar de eles por aqui não terem ideia das inconfidências que eu seria capaz de cometer.
 

 

Fui encorajado quando uma das mais respeitadas jornalistas que conheço, Miriam Leitão, aceitou, leu e escreveu o prefácio do livro — e que histórias incríveis compartilhou com os leitores:
 

 

“Por que estou contando tudo isso? Porque este livro que o leitor tem em mãos nos faz pensar profundamente sobre nós mesmos, nossas relações com os pais e com os filhos. No meu caso, também em relação com os netos”

 

 

E fiquei fortalecido ao ler o texto que o filósofo Mário Sérgio Cortella, de inteligência impar neste país. me enviou para publicar na orelha do livro:
 

 

“Mílton Jung recusa a falência da esperança e produz uma narrativa plena de beleza”.
 

 

Cortella não se conteve e sugeriu —- no que foi aceito imediatamente — o nome para o livro. “É proibido calar!” — nome preciso, matador e chamativo, como devem ser os títulos de livros:
 

 

“…(Mílton) decidiu agora nos falar sobre o que não podemos não falar com nossos filhos: ética e cidadania”.
 

 

Agradeço muito à Miriam e ao Cortella por terem aceitado participar deste projeto tanto quanto ao Walter Maierovitch, ao Oded Grajew e à Tabata Amaral que registraram o que pensam sobre ética e cidadania para os nossos filhos — em frases que estão publicadas na quarta capa do livro.
 

 

Minha gratidão à Abigail, ao Gregório, ao Lorenzo, aos meus pais e à minha família que me ajudaram a entender o verdadeiro papel dos pais nestes tempos modernos.
 

 

Meu muito obrigado à editora Best Seller por apostar na minha capacidade e me desafiar.
 

 

E — não posso deixar de registrar: valeu Bocelli, que me acompanhou durante toda esta aventura, fazendo questão de ficar junto de mim, às vezes sobre o próprio teclado do computador, enquanto eu me esforçava para cumprir minha tarefa. Você, como sempre, foi um baita companheiro!

Apresento a você meu novo livro: “É proibido calar!”

 

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“Sou apaixonado pelo que faço. E o que faço parte do público sabe por ouvir falar.
Sou jornalista e apresento um programa de rádio.
Falo muito, na crença de que os outros vão ouvir. E falo da vida dos outros, pois o jornalista conta histórias do cotidiano que interessam ou devem interessar às pessoas — de preferência para ajudá-las a construir seu próprio pensamento.

 

Falo de políticos e politiqueiros. De autoridades e autoritários. De pessoas sobre quem vale a pena falar. E de uma gente que não valeria uma nota de rodapé, mas acaba nas manchetes pelo cargo que ocupa e pelo mal que perpetua.
Falo para inspirar as boas ações e para incentivar transformações, mas também para denunciar aqueles que ocupam a vida pública em benefício privado, que desviam nosso dinheiro para o próprio bolso e que, com os tostões que nos levam, deixam o brasileiro sem hospital, sem escola, sem segurança e sem dignidade.

 

Mas não pense que eu só falo!

 

Tem outras coisas que faço, coisas que poucas pessoas conhecem, mesmo porque são da minha vida particular — e não deve ser interessantes para os outros. Essas coisas eu também faço por amor.

 

Este livro me provocou a falar sobre uma dessas coisas.
Sobre a coisa que eu mais amo fazer: ser pai.”

 

Assim inicio minha conversa com os leitores de “É proibido calar! Precisamos falar de ética e cidadania com nossos filhos” — publicado pela Best Seller do Grupo Editoral Record.

 

Antes desse já havia escrito “Jornalismo de Rádio”, “Conte Sua História de São Paulo” e “Comunicar para liderar”— em coautoria com a fonoaudióloga Leny Kyrillos. Todos até aqui ligados, direta ou indiretamente, a profissão que escolhi exercer: o jornalismo.

 

Esta é a primeira vez que me atrevo a escrever sobre missões que escolhi para a vida: ser pai e ser cidadão. É a partir dessas duas perspectivas que compartilho com o leitor momentos que vivenciei dentro de casa, com meus pais, meus avós e meu filhos. Cometi algumas inconfidências, porque só sei escrever a partir de histórias que vivenciei.

 

Também escrevo sobre experiências com gente que “faz política de verdade, mesmo que a prática seja demonizava por boa parcela dos brasileiros devida aos maus exemplos que vemos todos os dias. Gente que faz política na cidade, na escola, no trabalho e na comunidade”. Uma turma que acreditou, há dez anos, na ideia de participar da rede Adote um Vereador.

 

A partir dessas escritas tento mostrar a crença que tenho no papel de pais, mães e toda pessoa que “aceitou o convite que a vida lhe fez de ser o responsável por assegurar a sobrevivência e o desenvolvimento pleno de uma criança”. Somos — e me incluo por ser pai de dois filhos — fundamentais na educação das nossas crianças que tem de estar baseada em princípios e valores éticos. Que não se constróem apenas por palavras, mas, e principalmente, por atos e ações — até porque a ideia do “faça o que eu digo, não faça o que eu faço” faliu. Somos referências e como tais temos de nos comportar.

 

O livro é lançado agora não por coincidência — sua publicação tem muito a ver com o processo político que estamos assistindo no Brasil às vésperas de uma importante e complexa campanha eleitoral. Indignados, milhares de brasileiros têm negado a política e revelado sua descrença com os acontecimentos registrados no país.

 

Minha proposta é que em vez de deixarmos o espaço público à disposição daqueles que há algum tempo já demonstraram estarem a serviço apenas de seus interesses privados e desistirmos do país, comecemos a desenvolver ações de mudança buscando influenciar aqueles que estão a nosso alcance: nossos amigos, nossos colegas, nossos parentes e nossos filhos — principalmente nossos filhos. É a partir deles que podemos ajudar a reconstruir uma sociedade justa e generosa. Portanto, temos de assumir a responsabilidade pela criação deles com base na ética, educando as crianças para a vida pública, transformando-as em cidadãos, com direito à felicidade — deles, de suas famílias e de seu país.

 

Nos próximos dias, estarei aqui no blog conversando mais sobre este projeto e contando algumas curiosidades da sua construção. O livro será lançado oficialmente em agosto, mas já pode ser encomendado pela internet.

 

Espero que você goste e também compartilhe a sua experiência e o seu desejo de transformar o país, começando pela sua própria mudança de comportamento diante dos desafios e dilemas que o cotidiano nos apresenta.

É hora de voltar, mas a gente lê cada coisa que dá vontade de pedir férias de novo

 

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Estou de volta. Faz pouco tempo que saí, mesmo que meus colegas de trabalho passem a segunda-feira insistindo no contrário. Verdade que quando entrei em férias ainda tínhamos Copa do Mundo e (alguma) esperança no hexa. Tínhamos também o drama dos 12 meninos e seu técnico de futebol, que estavam presos dentro de uma caverna na Tailândia. E sequer se conhecia um juiz chamado Favreto, que ganhou seu domingo de fama tentando libertar Lula, conseguiu dar ao ex-presidente destaque suficiente para mantê-lo nadando de braçada nas redes sociais e levou na onda os já famosos Moro e Gebran.

 

Agora, se tantas coisas acontecem em tão pouco tempo, a culpa não é minha. São as circunstâncias de um tempo que está sempre acelerado e os acontecimentos se sucedem em uma velocidade acima do suportável. Eu fiz minha parte — fiquei no meu canto, relaxei em cenários que são um encanto, contemplei meus momentos em família e ganhei alguns quilos a mais. Mais magra mesmo só minha carteira — viagens sempre nos reservam custos extras, apesar de seguir economizando na moedinha da Fontana di Trevi, em Roma.

 

Da mesma forma que foi um tempo de descanso, também foi um tempo de expectativa, porque um novo projeto estava em maturação durante esses dias de afastamento do rádio — um projeto que havia consumido boa parte das minhas energias nos últimos quatro meses, mas que pronto e editado será apresentado oficialmente nos próximos dias para você, caro e raro leitor deste blog.

 

Refiro-me ao meu novo livro “É proibido calar! Precisamos falar de ética e cidadania com nossos filhos”, editado pela Best Seller, do Grupo Editoral Record, que já está em pré-venda e terá lançamento em algumas cidades brasileiras, em agosto. Nos próximos dias, conversarei mais com você sobre esse projeto que considero transformador para mim — e espero seja para os leitores, também.

 

Quando deixei o Brasil, o livro ainda não estava impresso. Por isso, fiquei de receber o primeiro exemplar na casa em que me hospedei na Itália — mas por essas coisas que os correios e serviços de remessa não explicam, até deixar o país a encomenda não chegou. Espero que caia em boas mãos e o seu leitor anônimo aproveite ao máximo.

 

Frustrado por não tê-lo em minha companhia nas férias ao menos fui surpreendido com outro exemplar à minha espera em casa, aqui em São Paulo. Foi um tremendo prazer tocá-lo, abri-lo, folheá-lo, ler e reler alguns trechos e curtir o resultado de mais este projeto. Ainda não está acabado — pois livros só se realizam quando nas mãos dos leitores e isso, espero, acontecerá em seguida.

 

Como disse, porém, do “É proibido calar!” escrevo mais nos próximos dias — assim como pretendo usar mais este espaço do blog para falar com você que me acompanha. E falar de tudo um pouco não necessariamente das coisas que são notícia, porque para essas já tenho o Jornal da CBN à disposição, para o qual retorno à apresentação nesta segunda-feira ao lado da Cássia Godoy. Ao Roberto Nonato meu muito obrigado pela participação sempre precisa nestes meus dias de férias. Assim como agradeço aos que me ajudaram a manter o blog ativo durante meu descanso — com as publicações do Mundo Corporativo, o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso e o Conte Sua História de São Paulo. Agradeço especialmente ao Carlos Magno Gibrail, que segue pautando a mídia, seja com suas análises do ambiente urbano seja escrevendo sobre o varejo.

 

Vamos em frente porque neste segundo semestre do ano muita coisa ainda está para acontecer, a começar pela campanha eleitoral que ganha corpo com as convenções dos últimos dias e as indefinições dos partidos e políticos. Uma eleição que, segundo Carlos Augusto Montenegro, do Ibope, disse ao colunista de O Globo Bernardo Mello Franco, será a mais difícil da história. Difícil e assustadora, pois, Montenegro calcula que “pode ser que 70 milhões de brasileiros não votem para presidente”, pois o eleitor está “enojado”, “frio” e “desmotivado”. Motivos não faltam.

 

Se eu pedir férias de novo será que o pessoal reclama?

Gol ouvido no rádio é bem mais rápido

 

 

Assisti ao primeiro tempo da partida do Brasil contra o México com o pessoal da redação até que percebi que os que estavam dentro do estúdio da CBN viam os lances em “primeira mão”. Os sinais de vídeo chegavam por sistemas diferentes — no digital ou no analógico — assim como por operadoras diferentes — na NET ou na Sky. Decidi mudar de lugar e comemorei o primeiro gol do Brasil antes de a turma que estava na redação pular. Se tivesse acompanhando pelo celular —- como faço quando não tem TV acessível — certamente estaria festejando bem depois deles.

 

A edição de hoje da Folha de São Paulo fez o teste usando diferentes meios para assistir ao jogo entre França e Dinamarca. O resultado:

 

“A TV aberta é a que traz a transmissão mais rápida. Entre quatro e cinco segundos depois, chegam as mesmas imagens na TV paga. E, pela internet, o tablet e o computador se alternavam, entre 15 e 20 segundos atrás da TV aberta”.

 

Imbatível, porém, é o rádio — que não foi medido pela Folha –, como você percebe na imagem que ilustra este post, registrada durante transmissão do jogo do Brasil. O torcedor em destaque, que ouve rádio, comemora o gol antes do restante que está apenas atento a imagem do telão.

 

Já havia escrito neste blog sobre a ilusão que os torcedores temos da capacidade de desviar a bola, seja quando somos atacados seja quando atacamos — queremos despachá-la para longe no primeiro caso e empurrá-la para dentro no segundo. A tecnologia disponível nos tirou esse poder, pois, se as coisas que vemos na televisão já aconteceram quando estão sendo vistas, torna-se impossível reverter o acontecido com o clamor a Deus, que incrédulos e crentes escancaram aos berros diante do risco.

 

Lá mesmo na redação da rádio proibiram a gente de gritar gol antes de a bola estufar a rede —- reação mais comum de todo e qualquer torcedor de futebol. Dizem que dá azar. Não dá não, porque o que estamos vendo já aconteceu.

 

Se quisermos manter esse poder de impedir um gol ou ajudar nosso atacante a convertê-lo, só tem um jeito: ouvir as partidas da Copa pelo rádio. É em tempo real — ou quase.

Sarampo mata e mata porque as pessoas não tomam vacina

 

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Abro o portal G1 para ler a cobertura da Copa do Mundo e antes mesmo de correr os olhos sobre a análise dos jogos que definiram as quartas-de-final com Brasil e Bélgica tenho a atenção desviada para a notícia de que o sarampo volta a assustar: os estados do Amazonas e Roraima estão com surto da doença — foram confirmados mais de 460 casos, informa o Ministério da Saúde.

 

Quando era menino, ainda lá em Porto Alegre, lembro da preocupação da minha mãe em relação a doença. Um colega de sala de aula ou um amigo da vizinhança que aparecesse com as pintas no rosto eram suficientes para aumentar a preocupação entre os pais. Se lembro bem, contraí a doença, mas fui prontamente medicado e me livrei de um baita problema —- ouvíamos falar de pessoas que tinham ficado cegas e outras que morreram porque não estavam protegidas ou não haviam tomado as providências necessárias.

 

Estou falando de fatos que apavoravam os pais nos anos de 1960 quando a vacina ainda não era disseminada como hoje. Ela existe desde 1963 — coincidentemente ano em que nasci. Avançamos muito no tratamento e temos informação e rede de saúde suficientes para atender todas as crianças com um ano de idade — período em que se deve tomar a primeira dose da vacina; a segunda deve ser aplicada com 2 anos e 1 mês de vida.

 

Em 2016, o Brasil recebeu certificado de eliminação do sarampo pela Organização Pan-Americana de Saúde. Coincidência ou não, um ano depois registrou-se o menor índice de cobertura em 16 anos. Apenas 70,69% das crianças receberam a vacina tetra viral, que previne o sarampo, a caxumba, a rubéola e a catapora. Aliás, em 2017, todas as vacinas do calendário infantil estão abaixo da meta de 95% — é o que leio em outra reportagem da editoria Bem Estar, do G1.

 

Sexta-feira passada no quadro Saúde em Foco, o doutor Luis Fernando Correia respondeu a perguntas de ouvintes sobre o sarampo, no Jornal da CBN. Ele alertou para o fato de essa ser uma doença viral, transmitida com extrema facilidade. O vírus é transmitido quando a pessoa entra em contato com secreções do paciente contaminado — pode ocorrer através de tosses, espirros ou gotículas de saliva que se espalham pelo ar:

 

“Se alguém entrar na sala expelindo essas gotículas, 90% das pessoas que estiverem na mesma sala vão pegar essa doença”.

 

Correia diz que voltamos a falar do sarampo porque as pessoas deixaram de se vacinar, seja porque passaram a considerar a doença menos preocupante, já que não se tinha mais notícias dos riscos, seja por “ideias malucas” de pessoas que fazem campanha contra a vacinação.

 

Uma dessas ideias, mais do que maluca, era criminosa: o médico britânico Andrew Wakefield forjou pesquisa científica, publicada na revista Lancet, em 1998, que relacionava a vacina do sarampo com o autismo. Descobriu-se que pouco tempo antes de publicar o estudo, ele havia patenteado uma outra vacina que concorria com aquela que era aplicada na época. Wakefield perdeu a licença de pesquisador e médico. História que está contada no livro Outra Sintonia, de John Donvan e Karen Zucker, já lançado no Brasil.

 

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“ … é uma doença que mata e mata porque as pessoas não se vacinam” — alerta Luis Fernando Correia.

 

De acordo com análises da Fundação Oswaldo Cruz — Fiocruz, o vírus que circula no estado de Roraima é importado da Venezuela. Antes que se imagine que a solução seja bloquear a entrada de refugiados venezuelanos na região, lembre-se que na Europa o número de casos de sarampo aumentou 400%, segundo a Organização Mundial de Saúde — com maior incidência na Romênia, Itália e Ucrânia. Ocorrências que aumentaram porque se baixou a guarda contra a doença.

 

Em vez de querer impedir a migração de pessoas — forçada ou voluntária — ajude a conscientizar as famílias para a necessidade de todas as crianças se vacinarem. Caso você vá viajar para áreas em que o vírus esteja circulando, recomenda-se que tome outra dose da vacina, mesmo que já tenha sido vacinado anteriormente.

 

Quanto a Brasil e Bélgica na Copa do Mundo… bem, sobre isso tenho certeza que você tem informação suficiente.

 

Ouça aqui o podcast Saúde em Foco, de Luis Fernando Correia, sobre sarampo.

 

 

O Panamá, na Copa do Mundo, é uma metáfora da sua vida

 

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Gol de Baloy, do Panamá, em foto do site oficial da FIFA

 

A Copa já está em sua segunda metade, seleções já se despediram e outras estão com as malas prontas para voltar para casa. Teve gente perdendo pênalti, levando frango e dando de bico ou de três dedos para marcar gols. Teve gente que perdeu as estribeiras e outros a oportunidade de calar a boca. Teve gente que brilhou e me emocionou — eu choro muito fácil e o esporte tem esse predomínio no meu coração.

 

À medida que os dias se passavam e os jogos aconteciam, arriscava escrever algumas linhas porque gosto de futebol e adoro assistir à Copa. Procrastinar, porém, foi o exercício que mais pratiquei nessas duas semanas. Posso elencar alguns motivos para isso: estou em fase de finalização de um novo projeto que me impôs muita pressão e emoção — sim, não é só o esporte que me emociona —- assim como tive de dedicar algumas horas do dia para recuperar-me fisicamente de uma lesão que não estava no meu roteiro.

 

Nenhuma desculpa, porém, se sobrepõe ao fato de que bastava colocar a cabeça no lugar, ensaiar alguns pensamentos e soltar a palavra revelando meu sentimento por essa competição singular que é o mundial de futebol. Não sei se você — caro e raro leitor deste blog —- concorda comigo, mas a Copa não se compara a nenhuma outra disputa — desculpe-me se entre os poucos e bons que me leem existem aqueles que preferem a NBA, se entusiasmam com a velocidade da Fórmula 1 ou têm predileção pelos Jogos Olímpicos. Gosto de todos eles, mas a Copa é do Mundo.

 

Onde mais presenciaríamos a alegria contagiante de torcedores do Panamá? Uma alegria que se expressou no primeiro gol marcado pela sua seleção em um Mundial, mesmo diante da estrondosa goleada que levava da Inglaterra, na manhã de domingo. Comemoraram como se fosse o gol da vitória. Verdade seja dita, era o gol da vitória. Era a vitória de uma nação que já havia assistido ao grande feito de conquistar o direito de estar entre as maiores do mundo. A vitória de quem se dá o direito de ser feliz.

 

O gol marcado pelo zagueiro Felipe Baloy, 37 anos — de passagem claudicante pelo meu Grêmio de Porto Alegre, no início desse século –, foi a melhor metáfora que poderíamos ter assistido sobre a vida que vivenciamos. Somos useiro e vezeiro em reclamar das coisas que acontecem em nosso entorno: é o vizinho barulhento, é o ônibus que atrasou, é o chefe que reclamou, é a equipe que não produziu, é o cliente que não comprou e é o parceiro que partiu. É um 7 a 1 todo o dia.

 

Dedicamos tanto tempo em praguejar aqui e lamentar ali que nos esquecemos de comemorar nossas conquistas. Sim, elas acontecem a todo instante, mas somos incapazes de enxergá-las seja porque supervalorizamos os males seja porque almejamos o sucesso alheio. Queremos uma casa do tamanho da do primo rico da família; um carro mais novo do que o do amigo no clube; um crachá mais poderoso do que o colega da firma; um salário maior do que o “daquele incompetente que não faz nada na vida”.

 

Queremos o que é dos outros e desdenhamos nossas conquistas pessoais. Deixamos de saborear o prazer de acordar ao lado da mulher amada, de beijar os filhos que ainda dormem quando estamos saindo de casa, de cumprimentar o motorista do ônibus com um sorriso no rosto e de perguntar ao porteiro da empresa como andam as coisas. No trabalho, menosprezamos o poder do “bom dia”, do “por favor” e do “obrigado”. Não conjugamos os verbos agradecer e elogiar. Desperdiçamos a chance de comemorar o gol nosso de cada dia, porque estamos mais preocupados com o placar do adversário.

 

Se essa Copa nos deu alguma lição até aqui foi que, na vida, nem sempre podemos ser a Inglaterra; na maior parte das vezes nos é reservado o papel de Panamá — coadjuvante no cenário, mas protagonista de sua própria história.

Deixem-me em paz, pombas!

 

O artigo a seguir foi escrito em 2012, ano em que tive o privilégio de ocupar a coluna da última página da revista Época São Paulo — hoje extinta. Lembrei dele quando li, semana passada, que a cidade aprovou lei que proíbe as pessoas de alimentarem e confinarem pombos e obriga os moradores a usarem redes de proteção e outros obstáculos em suas casas para impedirem que as aves se alojem no local. A boa notícia é que os pombos sumiram lá de casa depois deste artigo — será que eles leram?

 

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Escrevo este texto com um olho na tela e outro no telhado, de onde partem ameaças à minha integridade física e moral. Os ataques não são recentes, ocorrem desde que cheguei a São Paulo, em 1991, e fui trabalhar na antiga sede da TV Globo, na Praça Marechal Deodoro, de frente para o Minhocão. No alto daqueles prédios antigos viviam centenas de pombos, que pareciam ter me escolhido como alvo preferencial para suas necessidades. Não foram poucas as vezes em que tiveram sucesso, manchando meu terno e me impedindo de trabalhar. Cheguei a fazer uma “pindura” na lavanderia mais próxima – que, desconfio, era financiada pelo estrago que os pombos causavam aos indefesos pedestres.

 

Ao trocar de emprego, imaginei que estaria livre das famigeradas aves, mas logo percebi que minha vida não seria fácil na cidade. Os pombos me seguiram até em casa e lá se estabeleceram. Vizinhos afirmam que eles chegaram antes de mim, atraídos por um morador antigo, que, acredite, alimentava os bichinhos e cuidava deles como se fossem de estimação. Atitudes desse tipo só contribuem para infestar São Paulo e emporcalhar fachadas e calçadas.

 

Os estudiosos culpam os navegantes europeus, que trouxeram a espécie ao Brasil no século XVI, para servi-la no almoço. O prato não deve ter agradado os nativos, o que ajudou as aves a se multiplicar com extrema rapidez. O imaginário popular também não colaborou em nada a conter sua proliferação: tem gente que insiste em enxergar o símbolo da paz onde deveria ver um rato com asas. O que sei é que os pombos me deixaram paranóico – e nada me tira da cabeça que sua presença está ligada a uma conspiração dos columbiformes para me atazanar.

 

Assim que aterrissaram em casa, os pombos ocuparam o parapeito das janelas e começaram a confabular num idioma que eu desconheço. Às vezes se atreviam a olhar para dentro do quarto, com aquele jeito de gente intrometida, como se estivessem em busca de um lugar mais confortável para morar. Descobri uma cola que causaria desconforto ao bando e o expulsaria sem provocar males aos pombos. Esse ponto é importante, e faço questão de divulgá-lo, porque a espécie é protegida pelo Ibama. Sim, meu senhor: embora eu não POSSA prejudicar a saúde deles, os pombos são livres para me transmitir piolhos e até 70 tipos de doenças, como a complexa criptococose, que atinge o sistema nervoso. Isso mesmo, minha senhora: esses animais com cara de santo (ao menos do Espírito Santo) são um risco à saúde pública. E praticamente imbatíveis, conforme minha experiência.

 

A tal cola só foi capaz de transferir os pombos por poucos metros, da janela para o telhado. Lá no alto, construíram casa, constituíram família, invadiram o forro e passaram a fazer um barulho insuportável farfalhando suas asas para lá e para cá. Não respeitam sequer a hora da novela. O pátio, de tão sujo, precisa ser limpado diariamente. Apelei para outros expedientes. Recomendaram-me um apito que os espantaria, uma pílula anticoncepcional capaz de impedir sua reprodução, um revólver de pressão para abater os mais inconvenientes, e até a estátua de uma coruja, considerada seu predador natural. Fiasco atrás de fiasco. Logo a estátua da coruja se transformou num heliponto de pombos. Na última investida, cerquei a casa com uma rede de proteção. Desconfio que, mais uma vez, não vá dar em nada. É o que parece me dizer o olhar tranquilo e vitorioso do pombo que, pousado no telhado, me observa neste instante, enquanto termino de escrever.

Crise de abastecimento e de confiança

 

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Caminhões bloqueiam rodovia Raposo Tavares/SP em foto de Renata Carvalho/Helicóptero CBN

 

O posto de combustível está fechado. O supermercado está vazio. A feira livre tem apenas algumas barracas. A faculdade suspendeu a aula. O aluno não tem van para chegar na escola. O trabalhador tem pouco ônibus para chegar ao trabalho. O paciente teve o atendimento suspenso. Os clientes não apareceram. Enquanto isso, na estrada, parte dos motoristas de caminhão segue parada a despeito das concessões feitas pelo Governo Federal.

 

Sem força para negociar, Temer entregou o que pode — porque o cargo ele não solta de jeito nenhum. Anunciou redução de imposto, vai controlar o preço do diesel, tabelar o valor do frete, reduzir o pedágio e tirar dinheiro de onde já não havia. Vai aumentar o nosso imposto, também. Mandou as Forças Armadas para liberar estradas e escoltar caminhão de combustível. Investigou empresários que incentivaram a greve e está de olho em líderes de caminhoneiros que se recusam a recuar apesar das demandas atendidas.

 

Na boleia do caminhão tem de tudo um pouco. Motorista que não consegue mais pagar as contas porque o frete está barato e o diesel cada vez mais caro.
Tem empresa que não quer pagar a conta e força a mão para reduzir os custos.
Tem gente que não aguenta mais este governo.
Tem quem não aguente mais nenhum governo.
Tem quem que queira chegar ao governo.

 

Chegamos ao nono dia de paralisação. Alguns já deixaram o caminhão na empresa e voltaram para casa. Outros, entregam o que restou na carroceria. Há os que estão sem rumo, na expectativa que as negociações cheguem a bomba de combustível e ao seu bolso. Apesar de o número de manifestantes ter diminuído, os focos de protestos permanecem — são radicais, baderneiros ou resistentes, depende do seu ponto de vista.

 

No cenário que levou a essa situação, está uma economia que ficou aos frangalhos, tomada pela corrupção e má-gestão. E se o país não cresce, não tem carga para entregar. Sem carga, o frete é pouco e barato. O Governo reluta em cortar gastos, mantém uma máquina muito cara e não encara os problemas estruturais. Para sustentar tudo isso, cobra alto através de impostos na produção, na distribuição, na venda, na compra e na contratação.

 

Tem também o olhar errado — erro histórico — que nos levou a concentrar o transporte de cargas nas rodovias — responsável por mais de 60% do que se leva e traz no Brasil — quando todo país que se preze divide o peso também com ferrovias e hidrovias.

 

O que está descentralizado é o tipo de liderança por trás dos movimentos sociais — e essa característica se transforma em encrenca para quem quer negociar e desafio para a própria sociedade. Por isso, mais uma vez somos surpreendidos com manifestações que surgem nas redes e se espalham pelas ruas — desta vez, pelas rodovias.

 

Assim como em 2013, quando não havia líderes para negociar em nome das massas, em 2018 os líderes negociam sem o apoio das massas. Comandam sindicatos, associações, federações e confederações, mas não lideram as pessoas.

 

A crise no abastecimento é também a crise de confiança — e de liderança.

 

Enquanto chefes discutem no gabinete e assinam acordos, o WhatsApp corre solto de um celular para o outro e se transforma em uma enorme rede de intrigas, sem controle e sem limite. Todos os desejos cabem nas mensagens enviadas, ilusões circulam livremente e salvadores da pátria são elencados.

 

Confia-se muito mais no que circula na rede do que se publica no Diário Oficial.

 

O abastecimento se resolve com caminhão circulando — e não se sabe ainda quando isso voltará a ocorrer com regularidade —; a confiança, por sua vez, vai demorar para chegar — e temo que partidos e políticos estejam prontos para desperdiçar a oportunidade que as eleições desses ano nos abriria para essa mudança de comportamento.

 

Lá vamos nós para o nono dia de greve dos caminhoneiros.

Autor fala dos desafios dos jovens que têm de amadurecer no século 21

 

 

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“Nascido nos anos de 1960 e iniciando-me profissionalmente duas décadas após, fui foca nas redações de jornalismo em tempos nos quais a figura do mentor era desconhecida. Contei com a ajuda de profissionais mais antigos que viram algum potencial naquele jovem de cabelo comprido, calça de abrigo costurada no joelho e chinelo de dedo.

 

 

Mesmo que exercendo a função por intuição, eles me ajudaram a pensar o jornalismo, a identificar minhas competências, a refletir sobre mudanças dentro da carreira e, claro, a me vestir de forma mais apropriada. Alguns foram além: deram-me a oportunidade de rever minha relação com as pessoas e a família. E agradeço ao esforço deles.

 

 

Os desafios profissionais de hoje e o cenário em que os novos jovens estão inseridos, no entanto, tornam a função do mentor essencial e exigem dos profissionais que aceitam exercer este papel cuidado extremo e muita sensibilidade.

 

 

Sidnei Oliveira de maneira simples, direta e objetiva – que considero a mais perfeita forma de se comunicar – torna essa caminhada mais segura ao compartilhar sua experiência no relacionamento com jovens e na formação de mentores. Um livro para nós que estamos maduros no mercado e podemos nos transformar em mentores, para o jovem que constrói sua maturidade e, creia em mim, para os pais deles, também”

 

 

O texto acima está publicado na contracapa do livro ‘Cicatrizes — os desafios de amadurecer no século 21’, escrito por Sidnei Oliveira, mentor e consultor que tem se dedicado a estudar o comportamento das novas gerações que chegam ao mercado de trabalho. O livro será lançado nesta terça-feira, dia 15 de maio, às 19 horas, na livraria Cultura do Shopping Iguatemi, quando terei a oportunidade de participar de um bate-papo com o autor.

Falando com as máquinas

 

Amazon-Alexa

 

Dia desses testei pela primeira vez o uso do sistema de voz para pedir orientação ao aplicativo de trânsito — parece incrível que o recurso esteja disponível há tanto tempo e eu continue a dedilhar os endereços onde pretendo chegar. É cultural. Mesmo a TV conectada que recebe comando de voz segue sendo acionada em casa pelo controle remoto. Sempre fiz assim. Nunca me senti confortável falando com uma máquina — ainda que tenha dedicado a vida a falar com um microfone.

 

Ao telefone, quando procuro o call center de algumas empresas, a máquina que me atende tenta disfarçar sua falta de humanidade. Se esforça para revelar intimidade que não existe entre nós. Faz perguntas com reticências, mas não me engana. É máquina como qualquer outra e minhas respostas saem em tom de constrangimento. Acho estranho.

 

Por outro lado, minha sobrinha americana mais nova já faz lição de casa com auxílio de uma assistente digital, para a qual faz perguntas ao deparar com uma dúvida ou pede música para acompanhá-la enquanto realiza os trabalhos escolares. Lá no país em que mora quase um quinto das casas têm assistentes de voz — logo ocuparão o cômodo das nossas casas aqui no Brasil, em grande escala, também, porém antes a maioria delas terá de falar em português.

 

As novas gerações estão aderindo muito rapidamente a esses equipamentos, talvez até em maior velocidade do que aderiram aos smartphones. Nós, migrantes digitais, também vamos nos acostumar com essa realidade. E o que para mim ainda é constrangimento ganhará ares de naturalidade.

 

Relatório da National Public Media, contou o Globo dia desses, mostra que a maior parte dos americanos usa os assistentes para ouvir música (60%), responder a uma pergunta (30%), contar uma piada (18%) —- convenhamos, que coisa mais sem graça —, falar sobre o clima (28%), ligar o rádio (13%) — esta eu gostei —, dar notícias (13%) e programar o alarme (13%).

 

Como em todos os avanços tecnológicos que impactam nossos hábitos é preciso cuidado — corremos o risco de criarmos filhos que falam mais com as máquinas do que com os pais. Ou com os amigos.

 

Aliás, já estamos fazendo isso — e o inimigo nas são as máquinas — como se percebe em reportagem da edição dominical de O Globo, na qual traduz texto da pesquisadora Rachel Simmons, publicado originalmente no Washington Post.

 

Segundo ela, estudo de uma empresa de saúde identificou que a turma mais velha do que minha sobrinha, jovens de 18 a 22 anos, forma a geração mais solitária de americanos.

 

Jovens solitários, que triste!

 

Apesar do uso constante de equipamentos eletrônicos — como celulares e assistentes digitais — , estes estão longe de serem os responsáveis pela solidão. O grande mal constatado é o excesso de tarefas na fase entre o fim do ensino médio e o período na universidade.

 

Com agenda repleta, eles e elas têm pouco tempo para o convívio — mesmo que estejam realizando trabalhos em grupo. Não conversam sobre a vida, têm de falar de compromissos.

 

Pesquisa de Calouros da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) de 2015, que inclui respostas de 150 mil estudantes em tempo integral de mais de 200 faculdades e universidades, mostrou que o número de alunos de primeiro ano que passavam 16 ou mais horas por semana com os amigos caiu pela metade em dez anos —- são apenas 18%.

 

Mesmo se a oportunidade de relaxar surge, ficam constrangidos, pois temem serem vistos como pessoas desocupadas, sem objetivo na vida. Sofrem pressão em casa, na escola, dos gestores e dos grupos sociais em que sobrevivem.

 

Se realmente decidirmos entregarmos nossos filhos mais novos à companhia de assistentes digitais, acreditando que preencheremos a lacuna de nossa ausência, é provável que os próximos estudos revelem crianças solitárias — menininhos e menininhas que deixarão de conversar amenidades, sequer saberão como olhar no olho do outro e incapazes de exercitar a generosidade.

 

Simmons escreve que “a capacidade de fazer amigos atrofia se não for usada”.

 

Precisamos de amigos para confidenciar nossas angústias e nossos filhos precisam de pais mais próximos e dispostos a conversar com eles sempre que forem “acessados” — com a mesma agilidade que as máquinas o fazem, mas com o amor que só os seres humanos são capazes de oferecer.