São Paulo tem 50 mil microcâmeras de olho em você

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Os telejornais estão tomados de imagens captadas por câmeras de segurança. Não escapa uma edição sem que flagrantes de ataques a caixa eletrônico, agressão contra pessoas, acidentes de carros ou assaltos a residências surjam na tela. Hoje, são mais eficientes do que os antigos cinegrafistas amadores que faturavam um bom dinheiro vendendo cenas exclusivas às emissoras.

Dia desses, uma televisão de São Paulo pagou R$ 1 mil por imagens exclusivas com a ação de bandidos que invadiram a loja de conveniência em um posto de combustível e explodiram o caixa eletrônico. São tantos os detalhes revelados que a impressão que temos é que as câmeras estavam lá apenas para registrar o cotidiano dos ladrões e torná-lo em espetáculo.

Parece impossível passearmos na cidade sem que um desses olhos eletrônicos estejam nos perseguindo na porta de casa, na saída do prédio, diante da agência bancária, dentro da academia de ginástica, no pátio da escola ou quando cruzamos a esquina.

Leia o texto completo no Blog Adote São Paulo, da revista Épocas São Paulo

São Paulo não pode pagar a conta da Copa 2014

 

Texto escrito para o Blog Adote SP

Estádio do Corinthians

Semana que vem começam as obras do estádio do Corinthians, única alternativa paulistana para a abertura da Copa do Mundo de 2014. Ao menos esta é a última promessa feita pelo presidente do clube Andrés Sanchez. Bem verdade que ele já havia anunciado o início dos trabalhos para abril – aquele, do Dia da Mentira (coincidência ?) – depois maio e, agora, junho.

Desta vez tem o aval da prefeitura que autorizou o uso da área em Itaquera, na zona leste, a título precário.

Calma lá ! O precário do título nada tem a ver com as condições pelas quais foi feito o acerto entre o Corinthians e a Odebrechet, empreiteira que vai tocar as obras. De acordo com o site JusBrasil, “título precário” é o modo de conceder, usar ou gozar alguma coisa por mero favor ou permissão, sem constituir um direito.

O documento publicado em Diário Oficial diz que o terreno somente poderá ser usado para a construção do estádio e prevê a conclusão para dezembro de 2013, daqui a dois anos e sete meses, período que o Corinthians terá para barganhar com a construtora ou passar o chapéu entre parceiros e arrecadar R$ 1.070.000.000,00. Para você não se perder nos zeros: R$ 1,07 bilhão – é quanto vale o estádio da Copa.

A persistirem os sintomas, São Paulo terá o estádio mais caro do Mundial 2014. E isto não deve ser motivo de orgulho, principalmente se soubermos que parte deste dinheiro virá dos nossos impostos. Gilberto Kassab, o são-paulino mais amado de Andrés Sanchez, já garantiu R$ 300 milhões em Certificado de Incentivo ao Desenvolvimento. CID é um mecanismo pouco usado até hoje para incentivar investimentos na cidade oferecendo em troca abatimento de impostos e tributos.

O prefeito nega que isto seja dinheiro dos cofres da prefeitura para o estádio do Corinthians. Através do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Marcos Cintra, defende que o CID é uma isenção sobre impostos e tributos que não seriam arrecadados se a obra não fosse feita.

Mesmo com este repasse fiscal no “ponto futuro”(apenas para manter-me no jargão futebolístico), o Corinthians ainda precisará de mais dinheiro para fechar a conta. E para piorar as coisas para o clube, a tentativa de levantar a grana no Palácio dos Bandeirantes ainda não deu resultado.

O governador de São Paulo Geraldo Alckmin insiste em não colocar um só tostão nas obras do estádio do Corinthians. Tem sido pressionado mais do que deveria, mesmo assim resiste aos pedidos que chegam a casa dos R$ 370 milhões. E não é resistente porque torce para o Santos. É porque tem ao seu lado boa parte do torcedor paulista. Pesquisa encomendada pelo Governo mostra que 70% das pessoas entrevistadas são contra o uso de dinheiro público no estádio, mesmo que isso signifique não ser sede da abertura da Copa.

Mantenha na retranca, Governador, pois mesmo sem este recurso, São Paulo já é a cidade que mais dinheiro público investirá nas obras de infraestrutura para a Copa, conforme números levantados pelo Tribunal de Contas da União e publicados pela Folha, nesta semana:

1- A conta da cidade subiu de R$ 3,41 bilhões para R$ 5,49 bilhões, entre maio de 2010 e fevereiro de 2011. O crescimento é de 61%

2- O gasto na organização da Copa em São Paulo é R$ 2 bilhões mais alto do que o do Rio, que está em segundo lugar no ranking”.

3 – Dos gastos, R$ 5,4 bilhões são do setor público e R$ 90 milhões, da iniciativa privada

Ao caro contribuinte resta usar das ferramentas que tem em mãos para proteger seu dinheirinho. Pressionar o poder público, cobrar transparência nas contas e, se for o caso, denunciar irregularidades aos órgãos competentes.

Comece por pedir explicações ao prefeito Gilberto Kassab, mande um e-mail para o gabinete dele (gabinetedoprefeito@prefeitura.sp.gov.br). Mostre sua opinião ao governador Geraldo Alckmin, no Fale Conosco do Palácio dos Bandeirantes. Reclame ao Ministério Público Federal (pfdc@pgr.mpf.gov.br). E não esqueça de cobrar do seu vereador, na Câmara Municipal, é obrigação dele fiscalizar como o dinheiro da cidade está sendo gasto.

Excesso de velocidade e falta de fiscalização

 

Por Milton Ferretti Jung

Nesta quinta-feira vou escrever sobre trânsito. A idéia surgiu no último sábado quando estive em Tramandaí acompanhado por minha mulher. Explico, para quem nunca ouviu falar nessa cidade, que ela se situa na orla do Atlântico e dista 130 quilômetros de Porto Alegre. Para se chegar a Tramandaí percorre-se a BR-290 até Osório e, posteriormente, a RS-030. Rodovia Osvaldo Aranha é como se chama a BR-290. No trecho que separa Porto Alegre de Osório ficou conhecida, porém, como Free-Way. O apelido não condiz com a atual realidade da estrada que, quando de sua inauguração, era uma via verdadeiramente livre, sem os acessos que, com o tempo, foram sendo criados. Afinal, não fosse isso, vários pequenos municípios, que a margeiam, ficariam isolados.

A falsa free-way possui três faixas de rodagem. Na da direita devem transitar veículos pesados – ônibus e caminhões – e na esquerda, os leves. Para aqueles, a velocidade máxima permitida é de 80 quilômetros por hora. Já estes têm 100 quilômetros por hora como limite. Na verdade, entretanto, na minha viagem de ida e volta a Tramandaí constatei, mais uma vez, que poucos motoristas de veículos pesados se contentam em dirigir na velocidade que lhes é permitida. O mesmo faz grande número dos que conduzem veículos leves. Minha caminhonete dispõe de piloto automático. Isto, além de me assegurar que não ultrapassaria os 100 por hora, permitia-me calcular, a grosso modo, é claro, a velocidade dos que me deixavam para trás, fossem esses leves ou pesados.

Fiz este intróito para dizer que a manchete dessa terça-feira, dia 10 de maio, do jornal Zero Hora, vem ao encontro do que observei na BR-290: “Metade das cidades gaúchas ignora o Código de Trânsito”. A matéria acrescenta que 263 cidades do meu estado deixam seus motoristas impunes, em consequência de desobedecer lei em vigor desde 1998. Por quê? Porque os municípios desobedientes, muitos dos quais nem deveriam ter virado independentes, não possuem condições para multar seus cidadãos que cometem delitos de trânsito, eis que para tanto precisariam nomear um responsável pela área, contratar agentes ou firmar convênio com a polícia-militar, montar uma junta que julgue recursos capazes de defender motoristas autuados, etc.

Impunes em suas cidades, esses se acostumam a desrespeitar as leis do Código de Trânsito e saem pelas estradas nas quais seguem cometendo desatinos de toda ordem. Essa gente, potencialmente, se inscreve entre os condutores de veículos, leves e pesados, que em especial nos feriados prolongados abundantes no Brasil, na direção dos seus carros, motos, ônibus e caminhões, envolve-se em acidentes e fica gravemente ferida, mata ou morre.

A propósito,as polícias, tanto as estaduais quanto a federal, que dão duro nos feriadões – me desculpem este aumentativo que detesto – afrouxam a fiscalização nos dias úteis. Na minha viagem a Tramandaí não vi sequer um radar móvel. Talvez não tenha olhado direito por estar tratando de deixar pista livre para os imitadores dos “Velozes e Furiosos”, filme no qual talvez se inspirem.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

EUA usam violência como política contra o terrorismo

 

A morte de Osama Bin Laden levou americanos às ruas, com bandeiras, buzinas, gritos de vitória, banho em fontes públicas e cartazes que destacavam o resultado da ação com o placar de um jogo de futebol: “Obama 1 x 0 Osama”. Uma festa marcada pela vingança ao assassinato de cerca de 3 mil pessoas no 11 de Setembro de 2001 e milhares de outros em uma série de batalhas e confrontos promovidos sob o título de Guerra ao Terror.

Os Estados Unidos não costumam ser felizes nestas tentativas. Tendem a aumentar o ódio e o pensamento anti-imperialista que movem estes alucinados em todo o mundo. Foi esta política, incentivada pela família Bush, a mãe de todos os homens-bomba que explodiram – e os muitos outros que ainda serão detonados, lamentavelmente.

Obama, prêmio de Nobel da Paz, comemorou a morte do inimigo com um grito de justiça. “Uma justiça medieval, a do dente por dente e olho por olho”, disse logo cedo o professor Arthur Bernardes, de Relações Internacionais da PUC do Rio de janeiro.

O presidente americano após as declarações iniciais na qual assumiu o papel de vingador tentou ficar mais próximo da imagem que construiu para a opinião pública, a de um humanista. E, através do esforço de sua assessoria na Casa Branca, tentou mostrar que não tinha dado licença para matar. Teria sido a reação violenta e o uso de escudos humanos (com mulheres) de Osama que levaram a necessidade de abater a presa.

Os depoimentos de americanos que desfilaram nas televisões nessa segunda-feira, muitos falando com o Grau Zero ao fundo, ponto antes ocupado pelas Torres Gêmeas, são emocionantes. Tristes muitas vezes, pois conviver há dez anos com a injustiça dos ataques covardes dos terroristas deixou marcas profundas na alma e coração daquele povo. Fica-se sensibilizado diante da dor e a tendência é apoiar medidas drásticas e assassinas contra Osama e qualquer outra pessoa suspeita de fazer parte do mesmo ideal.

Mesmo diante de tudo isso, ainda sou favorável a comportamentos civilizados como melhor arma contra os que promovem o terror. Atacar com violência os violentos me parece, às vezes, apenas fazer o jogo destes e reforçar o discurso doente que os incentiva.

Por isso, não me surpreendo ao encontrar em texto de Walter Maeirovitch, no Blog Sem Fronteira, a análise que mais se aproxima a minha ideia sobre o tema:

“… a incivilidade não é a regra no Ocidente que tanto incomodava o terrorista. O respeito à pessoa humana é a regra e entre nós existem, com jurisdição internacional, as cortes de direitos humanos”

Para dizer e escrever isso, porém, é preciso coragem diante da pressão popular e, algumas vezes, da própria opinião dos mais próximos.

Teoria da conspiração perdeu a graça

 

Antes de entrar no ar no Jornal da CBN sou provocado pela Ceci Mello, âncora do CBN Primeiras Notícias, a opinar sobre algum tema que ela considere relevante ou interessante. Hoje, motivada por reportagem de primeira página de O Globo (Agentes da ditadura criam rede de arapongas), trouxe o tema da teoria da conspiração que move grupos e pessoas no decorrer da história.

Houve uma época em que nossa imaginação era rica e ao vermos (não, eu não havia nascido ainda) Yuri Gagari no espaço teimávamos em dizer que ele não era o primeiro a chegar lá. Teria sido o primeiro a voltar vivo, pois a Agência Espacial russa teria enviado outros tantos que morreram no meio do caminho, em histórias que somente seriam encontradas em documentos ultra-secretos.

A mesma desconfiança levou milhares a imaginar exatamente o contrário quando a televisão mostrou Neil Armstrong pisar a lua. Até hoje é possível ler na internet textos que põem em dúvida esta façanha, alegando que teria sido apenas uma estratégia americana para tentar superar o feito da inimiga Rússia e justificar os milhões de dólares gastos pela Nasa.

Por estes devaneios, muitos mataram e muitos morreram. Encontraram inimigos onde eles não existiam. Sofreram uma espécie de esquizofrenia enrustida. Indivíduos deixaram de aproveitar a vida com medo de armadilhas que estariam sendo colocadas em seu caminho e destruíram relações pela falta de confiança.

Atualmente, nossas caixas de correio eletrônico têm sido alvo de muitas dessas teorias.

Há quem diga que a “casa caiu” após se descobrir manipulação no sorteio da Mega-Sena conforme reportagem publicada na televisão; fala-se da morte de empresário, pai de famosa modelo, após pegar grave doença em lata de cerveja contaminada; escreve-se sobre isenção fiscal que beneficia empresa de comunicação que promove arrecadação para organização internacional; e mais um monte de baboseira que não se sustenta no primeiro Google.

Mesmo que perca meu tempo respondendo às mensagens, há quem prefira acreditar nestas fantasias. Sinal claro da falta de confiança em instituições e em nós mesmos. Ou do tamanho da loucura que toma a sociedade.

Ao menos, no passado, as teorias eram mais bem elaboradas, criativas. Hoje nem isso acontece. Perdemos até a riqueza de nossas alucinações.

Procura-se uma explicação

 

Desde às 8h45 de ontem quando entramos no ar com a notícia desta tragédia – e ainda não tínhamos a dimensão exata do acontecido – até agora cedo, estamos ouvindo especialistas, acadêmicos, cidadãos; gente da pedagogia, da psiquiatria, da segurança pública; doutores e professores; estamos numa busca sem-fim a resposta que explique o ataque na escola em Realengo.

Já se pensa em mais um funcionário na porta, alguém pedindo identificação – como se a demência estivesse no RG -, muro mais alto, porta de ferro, tranca e cadeado; alguns mais ansiosos e outros aproveitadores logo se anteciparão a enviar propostas pedindo detector de metal na entrada da sala de aula; vigia nos corredores; e mais uma parafernália mágica para reduzir a dor da nossa consciência.

São medidas que tomamos para não admitirmos o quanto somos pequenos diante deste fato; e quanto somos frágeis à bestialidade humana. Não sabemos nos prevenir; nem mesmo identificar com exatidão; e, às vezes, ainda bem que isto ocorre apenas às vezes, nos deparamos com situações como essa.

Na escola, com raridade. Mas essa se revela, também, dentro da família, contra os pais, os irmãos. Na rua, no trabalho. Em algum momento, o ser humano se revela. E a violência explode. Nos choca, choramos e queremos buscar uma resposta, uma explicação, uma justificativa por que não aceitamos esta condição.

Infelizmente, somos nada aqui. Temos de nos indignarmos, sem dúvida, mas admitir que o ser humano também é isso que assistimos nessa quinta-feira, no Rio de Janeiro. E agradecer porque dentre estes existe ainda muita gente boa, disposta a melhorar a vida, fazer pelos outros, se solidarizar e agir.

“Olha bem para minha cara”

 

Foi surpreendente a coragem da mulher que denunciou e encarou policiais militares que executaram um homem, no terreno de um cemitério, em Ferraz de Vasconcelos, região metropolitana de São Paulo. A fala dela ficou gravada no sistema de comunicação da PM e revelou atitude pouco comum na sociedade brasileira.


Ouça a reportagem que foi ao ar no Jornal da CBN

Impulsionada pela indignação, não teve medo de narrar ao policial que a atendeu por telefone o que havia assistido, nem mesmo de peitar os PMs que tinham recém cometido o crime: “olha bem para minha cara”, ameaçou ela ao ouvir de um deles que a pessoa assassinada tinha reagido à prisão.

“Viu só que mulher burra?” – foi o que acabei de ouvir de alguém que discorda da atitude pois entende que ela teve morte decretada a partir da denúncia feita. Ela e parentes dela que serão ameaçados pelos policiais agora presos ou por comparsas da dupla.

Muito pior, com certeza, foi a reação de gente que condena o comportamento da mulher por dar razão aos policiais-executores. Parcela de uma sociedade que defende o Esquadrão da Morte como forma de combater a violência no País. Como se isto já não existisse e com os resultados que conhecemos muito bem.

Há alguns meses foi uma câmera que testemunhou um garoto de favela sendo baleado covardemente por policiais, no Amazonas. Desta vez, uma mulher. Amanhã, pode ser você. Qual será a sua reação ?

As opções são poucas e definitivas: a coragem da mulher que denunciou, o medo do cidadão que não crê na segurança pública ou a covardia daquele que defende o assassinato.

De todas as poucas certezas que tenho neste caso, a última jamais terá meu aval, mesmo que isto vá na contramão do que pensam muitos dos que se pronunciam. Toda a sociedade que se pauta pelo desejo de vingança e ódio tende a pagar muito caro por isso.

O “olha bem para minha cara”, dito por esta mulher vítima e heroína, soa como uma tabefe na nossa cara.

Fim do São Vito é um pecado contra São Paulo

“Querido São Vito! A vós recorro porque em vós eu vejo uma esperança para a minha saúde, uma luz para a minha vida. Sinto que a vossa proteção me reanima na minha fraqueza. De vós espero alívio na minha aflição, calma nos momentos de irritação, equilíbrio na perturbação, força de vontade para superar tudo o que é negativo. A vossa bênção me dará um pensamento positivo, paz, segurança, tranquilidade”

Da oração de São Vito, padroeiro dos epiléticos, destaco trecho acima em um rasgo de imaginação no qual o Centro de São Paulo estaria a clamar de joelhos por uma ajuda desesperada do combalido prédio, batizado com nome santo, na avenida do Estado.

Bem sabemos que nem o Centro fala, nem o São Vito ouve. Menos ainda a prefeitura haverá de mudar seus planos para a edificação. Sem fé na recuperação do espaço, aguarda a demolição total do São Vito e seu vizinho Mercúrio até o fim deste mês de março para construir em seu lugar parque e estacionamento de carro (é lógico !).

Alucinação pós-carnavalesca esta minha, talvez. Provocada não pelas ideias mirabolantes cantadas nos sambas-enredo das escolas paulistanas, mas pela foto enviada, nesse feriado, pelo jornalista Marcos Paulo Dias que passou pelo que resta do São Vito. Coberto por uma rede de proteção, deste ponto de vista o prédio parece um gigantesco carro alegórico a homenagear não sei bem a quem e ao que.

Destruição do São Vito

A boa intenção do São Vito – o prédio -, projetado por Aron Kogan e Waldomiro Zarzur, era permitir que um número maior de famílias morasse no centro da cidade, onde haveria mais estrutura e serviço à disposição, evitando os custosos deslocamentos que enxergamos atualmente. Ao ser inaugurado em 1959, tinha 624 pequenos apartamentos, comércio no térreo e sobreloja, e auditório na cobertura (moradia, serviço e cultura). Seguia os mesmos moldes de prédios paulistanos famosos como o Conjunto Nacional (de 1956) e o Copam (de 1961).

Leia este post completo no Blog do Adote São Paulo (Épocas SP)

De ouvinte a âncora do Jornal da CBN

 

Ao chegar em São Paulo, em 1991, repórter da TV Globo, pedi ajuda aos colegas na busca de informações sobre a cidade. Precisava de uma fonte confiável e me sugeriram a rádio que só tocava notícia. A CBN acabara de ser inaugurada, emissora que inovava a programação com a grade toda voltada ao jornalismo.

Foi assim, por recomendação, que descobri a rádio na qual fui trabalhar sete anos depois a convite do jornalista Heródoto Barbeiro, então meu colega na TV Cultura. Era o retorno para o veículo que havia me lançado na carreira jornalística, em 1984, quando atuei na Guaíba de Porto Alegre.

Cheguei na CBN apenas para cobrir férias e em alguns meses fui definitivamente contratado. No início apresentei o programa do meio-dia, em seguida o das cinco da tarde, para após alguns anos me estabelecer no CBN SP, onde aprendi muito sobre a cidade. Foi debatendo os temas de São Paulo, elencando seus problemas e suas soluções e transformando aquele espaço em um fórum de discussão que forjei minha cidadania paulistana.

Lá se foram pouco mais de 12 anos desde que falei pela primeira vez na CBN e, nesta segunda-feira, recebo uma oportunidade única. Mariza Tavares, diretora de jornalismo, me confiou o comando do Jornal da CBN em substituição ao colega que me abriu a porta da emissora. Heródoto levará seu talento e experiência para a TV RecordNews.

Duplo desafio: assumir o posto que foi, desde a fundação da rádio, de um dos profissionais que mais admiro e ancorar o principal jornal da CBN. Para amenizar o peso destas tarefas, conto com o apoio de uma das mais competentes equipes de jornalismo do País.

Em 20 anos, passei de ouvinte a âncora do Jornal da CBN. Era muito mais do que eu poderia querer. Agradeço a todos que sempre me ajudaram a fazer das coisas que mais gosto na vida: jornalismo.

N.B: O CBN SP estará nas boas mãos da Fabíola Cidral. Todo sucesso a você, querida amiga.

Derrube os muros que dividem a cidade

 

Nesta sexta-feira, lancei o Blog Adote São Paulo em parceria com a revista Época SP, da Editora Globo. No espaço que será atualizado semanalmente, estarei dedicado à capital paulista, sempre pautado pelo tema cidade e cidadania. Na apresentação do novo Blog – que será mantido juntamente com este espaço que tenho na CBN – a indicação de que sou um gaúcho que “não se incomoda de ser chamado de cidadão paulistano” não é retórica, é realidade.

Acompanhe um trecho do primeiro post ou vá direto ao Blog Adote São Paulo“:

Há 20 anos cheguei em São Paulo de mala e sem cuia para trabalhar como repórter na TV Globo. Era a sede antiga da emissora, de cara com o Minhocão, cercada por todo tipo de poluição – visual, aérea e sonora – que se misturava ao estresse deste estreante. De tirar o fôlego.

Vindo de Porto Alegre, cidade que tem o pôr-do-sol no cartão postal, logo percebi que meu maior incômodo era a falta de horizonte na capital paulista. Prédios tomavam conta do cenário diante da janela de minha casa em Pinheiros. Um dia, cansado, escapei até a Cidade Universitária em busca do ponto mais alto e a oeste possível e lá fiquei até o dia ir embora e o sol desaparecer. Foi um prazer só.

Conto minha primeira história de São Paulo porque esta me ensinou lição importante para quem pretendia morar em definitivo por aqui: a cidade nos sufoca, mas se nos esforçarmos, acreditarmos e lutarmos encontraremos nosso horizonte.

É curioso como me identifiquei com a capital paulista. Por acaso e por escolha, minha vida profissional sempre esteve voltada para as coisas desta cidade. A estreia neste blog e o seu nome de batismo apenas ratificam este destino e dão sentido a trajetória de cidadão paulistano que iniciei em 1º de janeiro de 1991.

E como tal, dou-me o direito de alertar a todos que aqui moram sobre comportamentos que considero impróprios para quem sonha em melhorar a qualidade de vida no ambiente urbano.

Nesta semana, duas notícias mostraram como o medo pauta nosso cotidiano. Na praça Vinícius de Morais, vizinha do Palácio dos Bandeirantes, a subprefeitura do Butantã, com apoio de parcela dos moradores, constrói um muro de cimento. Na Assembleia Legislativa, deputados aprovam lei que obriga as agências bancárias a esconderem seus clientes atrás de biombos.

Para ler o texto completo acesse aqui.