Livro traz evidências para você combater o negacionismo que desinforma e mata

Carlos Orsi e Natália Pasternak Foto: Instagram

O cético exige evidências robustas para corroborar um fato ou um achado científico. O negacionista nega os fatos e o achado científico sem oferecer evidências robustas. 

Bem mais do que um jogo de palavras, as duas frases que iniciam este texto estabelecem de forma definitiva o campo de ação de cada um desses comportamentos; e os coloca em lados extremamente opostos. Fazer essa diferença é fundamental porque há um enorme esforço de parcela da sociedade —- menos mal que não é tal parcela significativa —- em negar a verdade apenas porque ela não lhe convém; e chama isso de ceticismo. Não o é. Tem nome próprio: negacionismo. E negacionismo prejudica, deseduca, desinforma e mata. 

Exemplos não nos faltam nem exigem voltar ao tempo: quantos morreram porque não acreditaram na existência de que estávamos em uma pandemia; quantos foram mortos porque líderes políticos e gestores públicos negaram as evidências que a ciência havia encontrado desde o surgimento dos primeiros focos de contaminação pelo SarsCov-2; quantos lerão essa história lá na frente, quando nós não estaremos mais por aqui, e dirão que aquela suposta tragédia humana dos anos 2020 foi uma estratégia de governos dominadores em conspiração com laboratórios de ciência que teriam ficado de joelhos diante do império chinês que se estabelecia —- e não me peça para explicar a lógica desta frase porque ela só existe na mente de negacionistas.

Essa conversa que tenho com você agora, se iniciou hoje cedo na “Conversa de Primeira”, que faço todas as terças-feiras com uma cética que trava batalha diária contra o negacionismo. Cética e com orgulho como ressaltou a doutora Natália Pasternak, que não requer crachá nem apresentações; mas que faço questão de registrar ser  a primeira brasileira com nome inscrito no Comitê para a Investigação Cética, criada pelo astrônomo Carl Sagan, nos anos de 1970.  Ela está lançando com o jornalista científico (e marido) Carlos Orsi, o livro “Contra a realidade — a negação da ciência, suas causas e consequências” (Papirus 7 Mares)

“É um tema que a gente vem explorando há muito tempo por causa do nosso trabalho no Instituto Questão de Ciências. Principalmente por causa do negacionismo em ciência e que durante a pandemia a gente presenciou de camarote — vimos acontecer no Brasil de uma maneira que é difícil de acreditar.  Mas não apenas em ciências”.

Eis aí na explicação de Natália outro fato incontestável. O negacionismo ataca a verdade construída pela ciência, mas não se contenta em atuar apenas nessa área. Vai além. Vai para a história quando nega a existência do holocausto, a despeito da robustez de registros  e testemunhos. Uma teoria que se torna ainda mais absurda quando se tem a exposição da verdade diante dos nossos olhos em locais como o United States Holocaust Memorial Museum, em Washington DC, que, por coincidência ou não, foi visitado pela doutora Natália e a filha dela, nesta semana. Um programa que só a fez ratificar a ideia de que enfrentar o negacionismo é fundamental para evitarmos erros históricos que podem se transformar em novas tragédias humanas.

No livro, são identificados alguns aspectos que movem esses grupos a atrapalhar o desenvolvimento humano, com campanhas contrárias a vacinação ou rejeição à tese de que a ação do homem impacta o ambiente e leva ao aquecimento global. Para Natália e Carlos deve-se considerar o fato de que ao aceitar algumas dessas ideias, mesmo que tenham comprovação científica, precisamos necessariamente mudar nossos comportamentos —- algo nem sempre muito fácil. Em um dos capítulos, somos lembrados da negação aos malefícios do tabaco:

“Se eu aceito que tabaco dá câncer, eu tenho de parar de fumar. Se eu aceito que o aquecimento global é real e prejudica o meio ambiente, tenho de mudar meu estilo de vida. Para não mudar o meu comportamento, eu nego essa realidade porque é mais confortável”.

O negacionismo se constrói em diversas dimensões e inspirado por diferentes motivações — ideológicas, sem dúvida. Basicamente, é uma atitude de negar fatos estabelecidos ou consensos científicos, a despeito das evidências. E pode vir combinado com outros métodos, tais como o ilusionismo —- com o devido respeito aos profissionais da área. 

Foi isso, por exemplo, que assistimos na “batalha da cloroquina”, liderada pelo chefe supremo da nação. As crenças de que uma droga para a doença viral transmitida por mosquitos teria eficácia em tratamentos precoces da Covid-19 e sua distribuição em rede pública conteria o avanço da doença eram manipulações, alterações da realidade, para escamotear a incompetência de se gerir uma crise. Chamei isso de ilusionismo? A CPI da Covid, parece, preferir batizar de charlatanismo. Que seja!

Negar a eficácia da cloroquina, da hidroxicloroquina ou da ivermectina no tratamento da Covid-19 não é negacionismo? Não. É ceticismo! Porque céticos fazem questionamentos saudáveis, como nos ensina Natália Pasternak:

“(ceticismo) é exigir evidências para então aceitar um consenso ou um fato. Exigir evidências de que a cloroquina funciona para a Covid-19 é ceticismo. Opa, essa afirmação que você esta fazendo tem de ser baseada em evidências científicas. Onde estão as evidências, as provas? Me mostra as evidências que aí a gente pode conversar”.

Para saber como podemos colaborar com a ciência e o conhecimento combatendo os negacionistas, leia o livro “Contra a realidade — a negação da ciência, suas causas e consequências” e ouça a nossa conversa — minha e da Marcella Lourenzetto — com a doutora Natália Pasternak, no quadro “A Hora da Ciência”, do Jornal da CBN.

Avalanche Tricolor: comemorando diante da imprevisibilidade do futebol e da vida

Grêmio 2×0 Bahia

Brasileiro – Arena Grêmio

Diego Souza e Lucas Silva em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Publico o mais rápido que posso essa Avalanche. Porque há instantes na vida que não se desperdiça. Aproveita-se cada segundo. Cada frame. Especialmente nestes tempos em que o relógio não avança e o ano marca passo diante de tantas dificuldades e sofrimentos. Sei que essa frase serve tanto para o que todos estamos experimentando desde o início de 2020 quanto para o que os gremistas estamos vivenciando em 2021. Como esse espaço é dedicado as minhas angústias e alegrias futebolísticas, é evidente que você, caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche, sabe que a frase se refere ao que tem acontecido lá pelos lados de Humaitá.

Hoje, alcançamos pela primeira vez a segunda vitória consecutiva no Campeonato Brasileiro. A primeira por diferença de mais de um gol e a quarta desde que a competição se iniciou, há 16 rodadas (nós temos um jogo atrasado ainda). Sabe-se lá quando isso se repetirá novamente. Então, comemoremos com a mesma alegria que nossos dois centroavantes festejaram os gols marcados.

Borja, ops, São Borja concluiu uma só jogada em gol em toda a partida. E dentro do gol. De cabeça. Em um cruzamento do outro lado da área, em que ele soube se posicionar por trás do zagueiro e saltar mais alto do que qualquer marcador para concluir nas redes. É o terceiro gol em quatro partidas em que vestiu a camisa do Grêmio.

O goleador gremista no Brasileiro foi substituído nos minutos finais pelo goleador gremista na temporada, Diego Souza, que depois de sofrer com a Covid, por duas vezes, voltar com claras dificuldades físicas, ainda teve lesão que o afastou por bom tempo do elenco. Em poucos minutos, Diego mostrou sua força. Na primeira, a bola lhe escapou do pé diante do goleiro. Na segunda, ele lutou por ela, desbravou o campo recheado de marcadores e com a determinação de quem sabe que precisa brigar pela posição — aos trancos e barrancos —- venceu na força todos seus adversário e concluiu nas redes.

Dentre tantas raridades desta noite de sábado, preciso registrar a performance de Lucas Silva, um leão na frente da área, que fez uma das suas melhores partidas desde que chegou ao Grêmio. E a intensidade do jogo de Douglas Costa que ensaiou dribles, colocou os companheiros em condições de chutar, brigou pela bola e lutou o quanto pode pela camisa que fez questão de vestir.

Paro por aqui meu relato e o publico o mais breve que posso para aproveitar este momento de ascensão no campeonato, a despeito de ainda estar naquela-zona-que-não-pode-ser-nomeada. 

E se lá no começo disse que aquela frase sobre o tempo difícil que vivemos se referia ao futebol gremista, fecho esta nossa conversa lembrando que a lição que pratico hoje no futebol —- celebrar o momento, mesmo que fugaz — deve ser aplicada na vida. É o que tenho feito em família, ao lado de quem amo e respeito, porque nunca sabemos quando isso pode acabar. Se o futebol é imprevisível. A vida, ainda mais.

Sua Marca: riscos e benefícios em resgatar personagens ilustres da publicidade

“Há muitas décadas personagens vêm sendo criados para ajudar marcas a se posicionar e criar vínculos com pessoas, segue sendo um recurso valioso mas é preciso saber usá-lo para que seja aliado e não inimigo”

Jaime Troiano

Quando a Galinha Azul aparecer na sua televisão é possível que seus filhos a confundam com a Galinha Pintadinha, mas você, certamente, vai ter sua memória refrescada com aquela personagens que fez sucesso nos anos de 1980 e 1990. Em tempo: é possível que seu filho nem veja a Galinha Azul na televisão, vai deparar com ela na tela do celular —- mais um sinal das mudanças de comportamento e referências. Aliás, mais um grande desafio, também, aos criadores e desenvolvedores de marcas que resgatam essas figuras icônicas e precisam remodelá-las para conquistar os novos públicos.

No caso da Galinha Azul, a Maggi resgata seu desenho e oferece ao público no modelo 3D e com traços mais modernos. Para a empresa, a “pop star” —- é assim que o Jaime se referiu à moça — é muito mais do que uma personagem, “é um ícone que desperta consumidores uma memória afetiva cheia de carinho”, explicou Samara Ferrara, gerente de marketing da Maggi, em entrevista ao Meio e Mensagem.

“Claro, ela volta repaginada, numa versão 3D, mas segue tendo sua função básica inalterada, que é a de criar vínculos mais emocionais com as pessoas, indo além do caráter mais tangível dos produtos Maggi”

Jaime Troiano

Ao falar da Galinha Azul, meus colegas de quadro logo lembraram de outros personagens: o Chester, da marca Cheetos; o Zé Gotinha, das campanhas de vacinação; e o Lequetreque, o frango da Sadia. Nossos ouvintes, também. E o primeiro nome que surgiu no e-mail marcasdesucesso@cbn.com.br foi o do Sujismundo, criado por Ruy Perotti, que se transformou em ícone da campanha “povo desenvolvido é povo limpo”, que foi usado até para convencer as pessoas a tomarem vacina.

“O personagem traz um sinal de reconhecimento forte para a marca proprietária; as pessoas fazem uma associação imediata ao ver o personagem. Ouvimos consumidores falando: olha lá o frango da Sadia! Podem nem saber o nome do personagem mas fazem a relação correta com a marca que usa o personagem”

Cecília Russo

Apenas criar mascotes, modernizar seu desenho e torná-lo público, não é suficiente. Jaime e Cecília alertam os criadores de marcas para o risco de usarem essa estratégia de forma excessiva:

“O risco de as marcas usarem personagens é elas se tornarem reféns dessas criações, ou até do personagem ser mais protagonista do que a marca e abafá-la, isso não pode acontecer. Por isso, é importante saber dosar seu uso, estudando onde vale a pena e onde é dispensável usá-lo”

Cecília Russo

Ouça o Sua Marca Vai Ser Sucesso e relembre alguns dos personagens da publicidade que ganham “voz” na edição feita pelo Paschoal Júnior — que é fã da Galinha Azul tanto quando da Galinha Pintadinha. Sim, o Paschoal é um cara bastante diverso (e criativo):

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã.

Conte Sua História de São Paulo: sem se ver e juntas, desde os tempos da escola

Rosiléne da Costa Ferreira

Ouvinte da CBN

Cena do filme São Paulo Sociedade Anônima de 1965

Ainda no ano dourado de 1965, éramos 17 adolescentes cursando o terceiro ano clássico (TAC) num tradicional colégio para meninas, em São Paulo. Unidas nos sonhos, brincadeiras, projeções para o futuro, com muito estudo, disciplina e severa vigilância das freiras — o que não nos impediu de paquerar os rapazes da faculdade em frente.

Formadas, cada uma seguiu seu caminho. Tornamo-nos profissionais de respeito, esposas, mães e, mais tarde, avós e aposentadas. Algumas mantiveram contato entre si através de encontros casuais e cartas mas não nos vimos mais.

Em agosto de 2019, uma delas, com um esforço digno de detetive profissional, investigou o paradeiro de cada uma e conseguiu reunir onze através do celular: São Paulo, Ubatuba, Recife , Rio de Janeiro, até Nova Zelândia!

Com a pandemia ficamos mais unidas, numa comunicação diária sempre ansiada, preocupadas umas com as outras, dando força na tristeza, risos nas conquistas, flores virtuais, receitas, fotos de família e pequenos mimos guardados com cheiro de lembranças.

Hoje, somos senhoras de 73 anos ou mais. Nos apelidamos de “joaninhas”. Nos unimos numa folha para salvar aquela que está em perigo. Rimos e choramos juntas, sem perspectiva de nos encontrarmos novamente, ao menos por enquanto.

É um alento nesses tempos de reclusão e solidão contarmos umas com as outras todos os dias graças ao meio virtual, sem nos vermos há 55 anos, com muitas saudades. É muito tempo. 

Quem sabe um dia?

Que delícia viver e reviver!

Rosiléne da Costa Ferreira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Paula Harraca, da ArcelorMittal, defende que é preciso inovar a forma de inovar

“A inovação está nas pessoas. São as pessoas que ousam criar algo novo. São as pessoas, inclusive, que trazem a tecnologia para alavancar as soluções que estão sendo desenvolvidas”

Paula Harraca, ArcelorMittal

Na porta do escritório —- se escritório houver —- deve estar escrito Diretoria de Estratégia, Inovação e Transformação. Seja pela extensão do nome seja porque somos craques em chamar as coisas pelo que realmente significam, do cafezinho —- vazio pela pandemia —- às conversas organizacionais, todos preferem chamar de Diretoria do Futuro. E parece que é assim que Paula Harraca, da ArcellorMittal,  gosta de ser identificada. Foi a impressão que tive na entrevista que fiz com ela no Mundo Corporativo.

Paula é argentina, integrou uma das melhores seleções de hóquei sobre grama do mundo, quando sofreu uma lesão, que interrompeu sua ascensão na carreira esportiva e a levou focar na formação acadêmica. Em 2003, conseguiu seu primeiro emprego, na ArcellorMittal — para ser preciso, em uma subsidiária da empresa, a Acindar.  Era apenas a segunda mulher no setor de aciaria —- a unidade em que sucata e ferro são transformados em aço. Dentre 400 funcionários havia apenas mais uma, que cuidava da limpeza dos escritórios, e era terceirizada. Desde então, tem sido pioneira nas vagas que ocupa na empresa, com a missão de abrir espaço para outras mulheres:

“Fui, também, a primeira diretora C-Level —- ao assumir a diretoria de negócios de aços longos da América Latina. Nunca encontrei obstáculos pessoalmente porque eu tive uma base segura que foi minha mãe, me círculo de ajuda que me alavancou. Para eu estar onde estou, muitos mulheres me ajudaram a chegar aqui”. 

Ao deixar a Diretoria de Pessoas e Bem-Estar para ser Diretora de Estratégia, Inovação … ops, Diretora de Futuro, foi substituída por outra mulher, a segunda entre oito cargos C-Level que a empresa mantém, na América Latina:

“Temos um compromisso mundial de termos 25% de mulheres na liderança  … Hoje, a empresa tem várias iniciativas em nível mundial de mentoria não apenas para incluir mais mulheres, mas para ajudar que elas subam ao longo de sua jornada porque sabemos que ainda socialmente é um desafio que precisamos endereçar juntas”. 

De volta ao futuro. Ou a diretoria que Paula Harraca assumiu há cerca de três anos quando a empresa entendeu que precisava “inovar a forma de inovar”. E a busca pelo novo foi que deu origem ao AçoLab, um centro de inovação aberto a presença de startups e outros parceiros de negócio, considerado o primeiro hub da indústria mundial do aço, que fica. em Belo Horizonte.

“Nós criamos nesse espaço, com um pequeno time, e uma estratégia que deu lugar a uma nova forma de inovar com startups, junto com o ecossistema de inovação. E em um movimento diferente de fazer as coisas que é a co-criação, a experimentação, a prototipagem de soluções que se dão nesse ambiente de uma maneira muito estruturada mas que tem um componente de assumir risco que nos permite ir alem”.

Um bom exemplo de inovação que surgiu no AçoLab, considerado por Paula como emblemático, foi quando a empresa compartilhou com a sociedade uma ineficiência no processo produtivo que atinge toda indústria do aço e leva ao desperdício de cerca de 30% da produção de carvão vegetal. Esse “desafio aberto” propiciou um trabalho conjunto com o Sebrae e o Senai —- que têm recursos destinados a projetos inovadores —, que permitiu investimentos em oito startups, que estão trabalhando com a ArcelorMittal em busca de uma solução.

A inovação não anda sozinha. Não por acaso a diretoria do futuro leva junto os conceitos de estratégia e transformação. Três temas que têm profunda conexão, segundo Paula Harraca. Ela explica que a estratégia tem a ver com onde estamos, onde queremos chegar e como chegaremos lá; a inovação é o caminho que permite, não apenas melhorar aquilo que existe, mas também criar aquilo que não imaginamos; e a transformação do negócio tem a ver com esse movimento que está acontecendo no mundo e precisa ser considerado pelas organizações para que mantenham relevantes sua proposta de valor para os clientes e à sociedade.

Para ser uma “líder do futuro”, Paula diz que é preciso ter mentalidade de aprendiz e adaptabilidade, porque os negócios não são mais lineares. Entende que precisamos ter humildade para aprender, generosidade para compartilhar, responsabilidade para se comprometer e coragem para ousar. 

“Humildade é a escuta. A gente tem de escutar só com a curiosidade de aprender e não querendo responder para o cliente ou querendo oferecer o que a gente tem na cabeça. Escute seu cliente, viva seu cliente, esteja presente dentro do mundo dele, porque no exercício dos cinco sentidos, e de muita empatia, é que se consegue observar aquilo que está acontecendo”

Assista à entrevista completa com Paula Harraca, da ArceloMittal

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site da CBN, no perfil do Facebook e no Youtube. O programa vai ao ar aos sábados, às 8h10 da manhã, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o programa: Izabela Ares, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Pricila Gubiotti.

Avalanche Tricolor: a melhor pior vitória de nossas vidas

Cuiabá 0x1 Grêmio

Brasileiro – Arena Pantanal, Cuiabá MT

Borja em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Pensei que eram meus olhos. Mas o olhar mais jovem de meu filho —- companheiro de todas as batalhas tricolores — confirmou o que eu via: uma imagem sem foco nem definição. As câmeras que captavam a imagem da partida do Grêmio nesta noite de quarta-feira eram de quinta. O corte das cenas também não ajudava muito. Fechava no jogador que estava na bola e nos deixava sem entender o que acontecia no campo. Abria para dar a dimensão do jogo e pouco aparecia —- apesar de que parte da responsabilidade era do próprio jogo. Os lances reproduzidos nem sempre reproduziam o que merecia ser revisto. Ou mostravam uma jogada depois ou mostravam jogada nenhuma. Novo close no jogador, mas não havia sido ele o protagonista da jogada.

O gramado também não ajudava muito. Quem resolvesse dar chutão, escorregava. Quem corria para marcar, era punido com o tornozelo torcido. Quem se esforçava para alcançar a bola, pagava caro com o músculo estendido. Não que a qualidade do passe tenha sido prejudicada pelo estado da grama de um estádio castigado pela incompetência de seus gestores e pelo clima. Aliás, esse também não ajudou muito, porque jogar bola a 36 graus em plena noite e com o bafo sufocando o pulmão é insalubre.

Pelo que percebi o passe não fluiu devido ao gramado mas porque faltou talento a quem passava, com as exceções de sempre. E Maicon é uma dessas exceções no futebol. Pena que o corpo não é mais capaz de dar a ele as condições para que seu talento siga seu curso. A despeito das limitações físicas, o pouco tempo que pode dedicar em campo foi suficiente para oferecer um passe preciso a Alisson que escapou por trás do adversário e só não concluiu a gol porque foi derrubado dentro da área. Falta que só foi punida minutos depois por um árbitro que estava a altura do jogo jogado pelas duas equipes: inseguro, impreciso e demorado. 

Foi o pênalti, marcado com irritante e incompreensível atraso, que nos permitiu assistir a um dos poucos lances de qualidade na partida. Borja cobrou a penalidade máxima com precisão e talento, sem dar qualquer chance de o goleiro alcançar a bola. Nosso novo atacante, aliás, tem se mostrado qualificado nessas cobranças. Foi assim no primeiro gol que marcou, em sua estreia. Foi assim nesta noite de futebol sofrido em Cuiabá. São Borja!

Câmera ruim, gramado péssimo, árbitro despreparado e futebol inqualificável. Perdoe-me, caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche, a despeito de tudo isso, adorei a vitória gremista nesta noite. Foi, sem dúvida, a maior pior vitória que já conquistamos nessas últimas temporadas.

Digital cast: o desafio de comunicar na era digital

Entrevistar me dá prazer. Ser entrevistado, ansiedade.Tive de cumprir esse papel — o de ansioso — diante do convite do Rodrigo Portes e do Carlos Eduardo Boechat, que apresentam o podcast Digital Cast. No fim, sempre é uma boa oportunidade para testar como está nossa perspicácia para encontrar a resposta certa para as perguntas incisivas.

O foco da série de 15 podcasts é a transformação digital e a indústria 4.0. Como pouco entendo de uma coisa e de outra – a não ser por ouvir falar —, nossa conversa de pouco mais de uma hora navegou mesmo pela comunicação. É disso que vivo. É por isso que sou apaixonado. E se tem uma habilidade que devemos desenvolver para sobrevivermos ao ritmo frenético a que foram expostos nossas pensamento, processos e relações é a comunicação.

Aproveite!

Que nossas ações fortaleçam aquelas mulheres do Afeganistão

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Foto: Russell Watkins/Department for International Development/UK

“Só percebemos a importância da nossa voz

 quando somos silenciados”

Malala Yousafzai

           

Em outubro de 2012, uma garota paquistanesa de apenas 15 anos foi baleada na cabeça após sair da escola. O motivo? Ela lutava para que as meninas e mulheres de seu país, que sofria a influência do Talibã, pudessem estudar. A história de Malala ficou conhecida em todo o mundo, mas, infelizmente, com a tomada de Cabul pelo grupo extremista nos últimos dias, crianças e mulheres parecem viver um pesadelo.

Durante o regime do Talibã no Afeganistão, entre 1996 e 2001, além da proibição de algumas atividades, como leitura de determinados livros e acesso à internet, o uso da burca passou a ser obrigatório e o direito de trabalhar, estudar ou receber assistência médica foi negado às mulheres, que não mais podiam sair sozinhas sem a presença de um homem para acompanhá-las.

Ao longo da história da humanidade, as mulheres enfrentaram situações de perseguição, exclusão e humilhação em diversos contextos. Na Idade Média, por exemplo, muitas foram mortas queimadas, acusadas de feitiçaria ou bruxaria porque questionavam o sistema tradicional da época. Na renascença, podiam trabalhar, mas havia uma desvalorização de sua inclusão, com salários inferiores aos dos homens.

O próprio Darwin foi responsável por difundir a ideia, errônea e sem nenhum embasamento científico, de que as mulheres seriam inferiores aos homens, tanto nas questões mentais como físicas. Isso possibilitou o surgimento de uma teoria popular que afirmava que se as mulheres fossem expostas à educação superior, sofreriam danos físicos e emocionais que colocariam em risco as condições biológicas necessárias para a maternidade. Essa crença era tão forte, que até o século XIX, mulheres não eram aceitas em Universidades, mesmo na Europa ou nas Américas.

Assim como Malala, algumas mulheres também lutaram para conquistar a mesma liberdade dos homens. Olympe de Gouges, na época da Revolução Francesa, propôs a Declaração de Direitos da Mulher. Foi guilhotinada em 1793. Na Inglaterra, Mary Wallstone Craft publicou, em 1792, o artigo “Reivindicação dos direitos da mulher”, solicitando a participação política das mulheres e o acesso irrestrito à educação formal.

Diante da possibilidade de privação à liberdade e a todos os direitos das mulheres do Afeganistão, temos um sentimento de impotência que nos assola.

Vozes que são silenciadas. Esperanças destroçadas.

Enquanto pessoas correm tentando sobreviver em meio à fuga do inferno, infelizmente, alguns ainda insistem em ecoar gritos pedindo ditaduras. Cada um tem as suas prioridades…        

Que nossas vozes extrapolem as fronteiras e possam representá-las. Que as nossas ações possam ser aquilo que as fortaleça. Para que não caiamos na indiferença ao seu clamor oprimido e façamos valer a máxima: “mexeu com uma, mexeu com todas”.

Saiba mais sobre saúde mental e comportamento assistindo ao canal 10porcentomais

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do canal @dezporcentomais no Youtube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: a difícil missão de Vanderson

São Paulo 2×1 Grêmio

Brasileiro — Morumbi, São Paulo/SP

Vanderson em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Ver Vanderson jogar é um prazer, daqueles que duvidamos que vá durar muito tempo entre nós — assim como Ruan, que faz hora extra com a camisa do Grêmio, só no aguardo de ir embora para nova casa, no fim do ano. Nosso lateral direito —- por que não nasceu esquerdo? —- faz diferença em campo com passadas largas, dribles arriscados, e chegadas na linha de fundo e dentro da área. Sempre ouvi falar que era bom batedor de falta. Havia arriscado uma ou outra em partidas anteriores. Na noite desse sábado, mostrou até onde vai sua fama: no limite do travessão e do gol, com um misto de força e colocação raro no futebol brasileiro. 

Com apenas 20 anos, Vanderson desbancou Rafinha, que chegou com a pompa conquistada na Europa e as circunstâncias consolidadas na sequência de títulos que ganhou nos últimos dois anos, aqui no Brasil. Chegou a se duvidar que houvesse técnico com coragem de fazer essa escolha pelo jovem. Scolari, fez. Por que sabe que não tem mais tempo para inventar ou ceder a caprichos e forças políticas. Vanderson é a solução lá pelo lado direito. O problema é o resto.

Lá onde nasceu Vanderson, tem pouco mais de 236 mil moradores. Rondonópolis é cidade bem localizada no Mato Grosso. É por onde escoa boa parte da safra brasileira que desce pelas estradas em direção aos centros metropolitanos e aos portos. Foi por uma delas, que o garoto, ainda com 16 anos, deixou a cidade, onde jogava como meio de campo pelo União Rondonópolis, e seguiu para Americana, interior de São Paulo. Por curioso, se destacou em partida que o Rio Branco, clube que ainda detém parte de seus direitos, foi goleado. E o que chamou atenção dos olheiros gremistas foi o fato de saber unir talento e garra, pois mesmo diante dos gols adversários não desistia de lutar.

Torço por Vanderson e desejo que tenha mais sorte na carreira para deixar de ser apenas o sobrevivente entre os derrotados. Ele merece jogar com vencedores e terá a missão de contagiar o restante do grupo que se vê em situação crítica, após 14 jogos no Campeonato Brasileiro.

Em tempo e para que fique registrado: apesar dos pesares, olhei a tabela, fiz as contas, observei nossa história, ergui os olhos para a imagem de Nossa Senhora de Caravaggio, de quem Scolari é devoto, e conclui que, na primeira rodada do segundo turno estaremos fora da zona de “você-sabe-onde”. 

Conte Sua História de São Paulo: os robôs que humanizaram o atendimento hospitalar na pandemia

Lilian Ishida Arai

Ouvinte da CBN

Foto: Divulgação

Sou médica otorrinolaringologista e uma das fundadoras do Hackmed, uma startup de fomento à inovação em Saúde. Em janeiro de 2020,  quando ainda era possível fazer uma aglomeração, organizamos um grande evento com referências das áreas de saúde, tecnologia, governo e academia para discutir inovação em saúde. Para abrir a atividade, produzimos um vídeo que ilustrava algo futurístico, simulando uma rotina de robôs circulando pelos corredores de um hospital, onde todos interagiam de forma natural. 

Em março de 2020, veio a pandemia.  O Hospital das Clínicas transformou o Instituo Central em um covidário com 600 leitos de enfermaria e 300 de UTI para pacientes de média a alta gravidade. Os pacientes chegavam de ambulância. Grande parte deles, em isolamento e bastante debilitados. Sem direito a um contato sequer visual com a família. O HC não tinha WIFI aberto. E a maioria dos pacientes não tinha plano de dados para internet.

Foi quando me pediram para encontrar robôs de telepresença. Uma empresa emprestou três deles. Dois especialistas se voluntariaram a ajudar na implantação do programa. Médicos se uniram para incluir os demais colegas no sistema. Ainda desenvolvemos um suporte para 40 tablets e trabalhamos com alunos voluntários para que as televisitas ocorressem.

….

Um senhor que já estava com diagnóstico de câncer terminal e pegou COVID, estava internado. Há dias ele só dormia. Pedimos que a família mandasse um áudio gravado. A filha gravou uma música cantada por ela. Enquanto reproduzíamos o áudio, ele abriu os olhos como que procurando alguém. E com a mão limpou as lágrimas que corriam no rosto.

Uma senhora prestes a ser internada recebeu a televisita da filha que trazia palavras de esperança e alegria. Nem mesmo a dificuldade de respirar, impediu-a de dar gargalhadas naquele momento.

Uma mãe, que chorava muito e mal conseguia falar com seu filho devido a falta de ar, usou os robôs para se despedir. E como toda mãe, mesmo em dificuldade, estava preocupada com o filho: “amanhã, acorda cedo porque tem aula virtual”.

Foram três meses de trabalho voluntário e exaustivo até que todos os protocolos da televisita fossem validados. Aquela visão futurística de janeiro de 2020, se fez presente.  Por mais contraditório que possa parecer, os robôs humanizaram o atendimento. E se o fizeram é porque seres humanos estavam por trás deste projeto. Gente como Spencer Santos, Marcius Wada, a turma da Hackmed, Pluginbot e Voice Technology. E todos os demais voluntários, estudantes e profissionais da área de saúde, que tornaram possível essa realidade.

Lilian Ishida Arai é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto, também, e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora o meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.