Mundo Corporativo: marketing de gentileza põe o ser humano no centro da relação, diz Laíze Dasmaceno

 

“Marketing não é sobre enganar as pessoas, ofender as pessoas, é simplesmente a gente criar estratégias para que a gente chegue ao objetivo” — Laize Damasceno, empreendedora

Levar a relação humana para o centro da discussão impulsiona empresas e pessoas a agirem com empatia e gentileza, e isso pode ser transformador nos negócios. Foi a partir dessa ideia, que a empreendedora Laíze Damasceno desenvolveu o conceito do que ela caracteriza como sendo o marketing humanizado, tema da entrevista que concedeu ao programa Mundo Corporativo da CBN:

“Ser gentil, ser bom e ser ético, vai me levar muito mais longe, vai me fazer muito mais sustentável do que eu ter picos de venda custe o que custar”.

Para Laíze, a pandemia fortaleceu ainda mais o conceito com o qual trabalha em cursos e consultorias, pois  demonstrou que empresas que tinham o respeito no relacionamento com o consumidor se saíram muito melhor diante da crise econômica. Ela destaca que marketing é entender a necessidade do público e atendê-lo com algo que seja útil, além de rentável a quem oferece.

“Em tempos de crise, aplicar a gentileza, a empatia e fazer o marketing genuíno e verdadeiro tem muito mais pontos positivos e isso não compete com a ideia de lucrar”.

A forma como a empresa se comunica ajuda na construção desse relacionamento, por isso a criadora da MDG Academy recomenda que se tenha atenção ao vocabulário usado nos diálogos com os diversos públicos:

“O vocabulário das marcas é um dos pontos que ensino no passo da humanização … por exemplo, como ter uma comunicação não-violenta; a gente pode falar a mesma coisa de diversas maneiras … podemos fazer críticas para construir, para somar, para chamar o outro para uma conversa”.

Um dos projetos lançados recentemente por Laíze Damasceno foi a comunidade digital Marketing de Gentileza, uma rede social colaborativa sobre marketing e negócios para conectar pessoas interessadas em troca de conhecimento, ideia e experiência.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo e em vídeo, às quartas-feiras, 11 horas, no canal da CBN no You Tube, no Facebook e site da rádio CBN. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e está disponível em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Izabela Ares, Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubioti.

Que falta faz um Carlinhos Pastel na eleição dos EUA

Manifestantes em frente a local de apuração nos EUA. Foto: JEFF KOWALSKY / AFP

 

As eleições dos Estados Unidos, dentro das suas muitas esquisitices e complexidades, tem provocado uma situação curiosa quanto a divulgação de números da apuração de votos. Emissoras de TV e veículos de comunicação divergem em relação a quantidade de delegados que cada candidato já conquistou para o Colégio Eleitoral. AP e Fox, por exemplo, anunciam no momento em que escrevo que Joe Biden tem 264 delegados; CNN e New York Times, 253. Os primeiros já projetam vitória do democrata no Arizona, mesmo que a apuração não tenha se encerrado; os outros são conservadores e esperam um pouco mais antes de bater o martelo. Para ser presidente é preciso ao menos 270 delegados.

Projetar votos não é exatamente uma novidade em cobertura eleitoral. Era assim que se conseguia antecipar os resultados aqui no Brasil na era pré-urna eletrônica — a primeira eleição em que o sistema foi usado foi em 2000, para prefeito e vereador.

Como funcionava antes: o eleitor preenchia uma cédula, colocava dentro da urna, a urna seguia para um centro de apuração e lá era aberta sobre a mesa para que os apuradores — sob os olhares dos fiscais dos partidos —- abrissem a cédula e registrassem na ata para quem foi o voto. Ao fim da apuração de cada urna, era emitido um boletim com o total de votos apurados. A cópia do boletim era exposta em uma área pública para conhecimento de jornalistas, funcionários de partidos e curiosos. O boletim original era enviado ao Tribunal Regional Eleitoral que anexava os dados aos resultados oficiais.

Imagine esse procedimento se repetindo milhares de vezes em enormes centros de apuração —- geralmente em ginásios esportivos —-, com muitas cédulas de papel, mesas de apuradores e boletins públicos, com centenas de pessoas em volta tentando confirmar ou anular votos que não tinham o nome do candidato escrito de forma clara. Era uma zona (e não era eleitoral) … sim, uma zona que se estendia por dias até a última cédula. 

Sem tempo a perder e na busca da informação em primeira mão, os grandes veículos de comunicação montavam esquemas próprios de apuração, com um batalhão de pessoas para coletar os dados dos boletins publicados lá onde os votos eram contados, dezenas de funcionários para municiar os programas de computador e uma infraestrutura tecnológica que permitisse o cálculo mais rapidamente possível. Além disso, havia os especialistas que cruzavam dados históricos das eleições passadas com aqueles que estavam sendo registrados na eleição presente e faziam suas projeções. Uma fortuna era investida para montar essa estrutura e antecipar o resultado final.

Na eleição de 1986, trabalhava na Companhia Jornalística Caldas Junior, na época sob o comando de Renato Ribeiro —- um empresário ligado ao agronegócio, proprietário de plantações de arroz aqui e nos Estados Unidos, que havia comprado rádios, jornal e TV de Breno Caldas, o último mandatário dos fundadores. Quem tocava o negócio com o pé na redação era o irmão Carlos, responsável pela estrutura montada para a cobertura jornalística —- cuidava menos do editorial e mais do numeral, ou seja, dos dados que eram coletados.

Diante da estrutura mais bem montada pela concorrente, o Grupo RBS, Carlos Ribeiro — que também atendia pelo apelido de Carlinhos Pastel, pelo prazer que tinha em comer a popular massa folheada e recheada — passou a pressionar os técnicos para que acelerassem as projeções e antecipassem o resultado. Os computadores e os dados não davam conta da pressa. A empresa contratada para fazer os cálculos entendia que as informações ainda não eram consistentes. Sem muita paciência para conversa, diz a lenda, Carlinhos  pegou papeis de rascunho, tirou a caneta de trás da orelha, somou, dividiu, projetou e chegou a um resultado: “publique-se”, ordenou.

O resultado oficial só foi anunciado pelo TSE um ou dois dias depois, confirmando a vitória do governador Pedro Simon, do MDB. E a edição do jornal Correio Povo publicou o anúncio, assinado pela diretoria da Caldas Junior: “desculpem a nossa falha: 0,0001%” —- sim, a conta de padaria feita por um dos donos da empresa chegou a praticamente o mesmo número total de votos alcançado pelo governador eleito.

Está faltando um Carlinhos Pastel para dar um ponto final nesta eleição dos EUA.

Avalanche Tricolor: pragmático, Grêmio segue superando etapas

Juventude 0x1 Grêmio

Copa do Brasil – Alfredo Jaconi, Caxias do Sul/RS

Festa do gol em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Um antes, outro agora. Um gol em cada partida.  Um bem no início (8min do 1º), outro lá no segundo tempo (24min do 2º). E foi o suficiente para estar nas quartas de final pela sexta vez na Copa do Brasil. Se há de se clamar por um futebol mais fluido, parecido com aquele que nos levou às taças nos últimos anos, sob o comando de Renato., não há do que reclamar quanto aos resultados alcançados. 

Na Libertadores nos classificamos em primeiro da chave; na Copa do Brasil avançamos com duas vitórias; e se colocar o Campeonato Brasileiro na conta, nos últimos sete jogos vencemos cinco e empatamos dois. Resultados que driblaram a carência no futebol apresentado e de jogadores no elenco. Que superaram lesões, vírus e críticas. Que trazem confiança a um time que está sendo reconstruído pelo técnico e passa por um período difícil de transição —- sob forte pressão de torcedores impacientes.

Pedido por muitos, Jean Pierre entrou no segundo tempo e ajudou a transformar o comportamento do time. A bola que o guri joga está sintonizada com a movimentação de nossos atacantes. Rola bonita quando passa pelos pés dele e sai precisa para os pés dos companheiros. “Eu não disse”, gritam os críticos querendo vê-lo entre os titulares, sem considerarem que o treinador tem o grupo sob seu controle, conhece o potencial técnico e físico de seus jogadores, e costuma soltar os craques na hora certa e pelo tempo que puder contar com eles. 

Nesta noite em Caxias, se lá atrás Geromel  e Kannemann cumpriam com maestria seu papel de reduzir ao máximo os riscos de um gol, no pouco que se fez lá na frente, quando se fez foi pelos pés de três dos jogadores questionados neste momento pelo torcedor: Cortez, Diego Souza e Thaciano. O lateral que muitos querem ver longe do Grêmio se aproximou da  linha de fundo, trocou passe com Diego que havia saído da área para buscar a bola e colocá-la na cabeça de Thaciano — e que toque de cabeça foi aquele, seguindo à risca o manual dos bons cabeceadores.

Ninguém pense que não vejo os limites que temos e as dificuldades que enfrentamos para ser o Grêmio que nos fez o maior das Américas, mas enquanto não superamos essa fase me satisfaço com o pragmatismo dos resultados. 

Cultura organizacional: American Factory e o caso Magazine Luiza

Por Milena Botelho de Moraes

Estudante de psicologia na FMU

Foto: Netflix

 

A chegada do capital chinês para irrigar terras secas de prosperidade onde o ideal americano florescia de forma exuberante no passado, descrita no documentário American Factory, que recebeu o Oscar da categoria, em 2020, revela as transformações que o mundo industrial enfrenta neste século. Os Estados Unidos, potencia maior, assistiram à destruição de parte do seu parque fabril por estarem amarrados em regras operacionais e trabalhistas incapazes de competir com os resultados alcançados por fabricantes chineses que usam a força de um regime que ainda se apresenta como comunista, mesmo que tenha absorvido princípios do capitalismo, conhecido por Capitalismo de Estado.

A câmera não-intrusiva que acompanha os movimentos dos protagonistas do documentário —- da cúpula ao chão de fábrica —-, sem censura, nos mostra muito além dessa luta entre capital e trabalho. Ao passear pela nova fábrica de vidros automotivos da chinesa Fuyao — propositalmente chamada Fuyao Glass America —, construída onde antes flanava a bandeira de um dos maiores símbolos da economia americana, a General Motors, em Moraine, Ohio, os documentaristas desvendam como é difícil construir e desconstruir culturas organizacionais quando o mesmo espaço é ocupado por pessoas que foram forjadas sob regimes tão diversos. 

Os americanos são muito devagar, diz um executivo chinês sem se importar com a câmera ligada ao seu lado. Considera-os mimados:

“tem de fazer como para escovar um burro — sempre a favor do pelo; se for no sentido contrário, há o perigo de levar um coice. ”

Entre máquinas e peças, americanos resmungam pela falta de respeito dos novos donos da fábrica aos direitos dos trabalhadores e se escandalizam com a insegurança física e operacional com que agem os chineses, tanto nas plantas industriais da China quanto na dos Estados Unidos.

Duas realidades que parecem irreconciliáveis. 

Bobby, um negro americano na casa dos 55 anos, com uma só frase resume o drama que todos vivem naquele ambiente:

“A GM me proporcionou uma ótima vida. Isso acabou quando ela fechou as portas. Nunca mais vamos ganhar uma grana tão boa na vida. Aquilo ficou no passado”. 

Para referência: o salário que era de 29 dólares por hora, caiu para 14; os 30 minutos reservados ao almoço, não são remunerados; o trabalho se estende aos fins de semana; desperdícios de segundos são punidos com demissão. A máquina chinesa não para nunca e por isso se submeter às ordens de um sindicato é inconcebível —- os executivos da China não medem esforços para impedir a entrada desta instituição até então sagrada no campo trabalhista americano. E têm sucesso na empreitada.

O documentário observacional —- como os críticos de produção cinematográfica o definem — permite que as diferentes vozes surjam expressando de forma transparente e com o sotaque natural de cada nação o choque de cultura que se trava na fábrica. Ao espectador que assiste ao embate, ora surpreso pela sinceridade das falas ora indignado pelo sofrimento que trabalhadores —- sejam americanos sejam chineses —- são submetidos, recomenda-se que reflita sobre como essa engrenagem cultural funciona no seu ambiente de trabalho.

Mesmo que aparentemente estejamos distantes do embate entre o modo de vida e de produção dos Estados Unidos e da China, sabemos que os processos de gestão extrapolam fronteiras desde sempre. Está aí a história a nos mostrar as muitas tentativas de implantarmos modelos como o Fordismo e o Toyotismo —- não por acaso um de berço americano e outro, asiático —- aqui no Brasil. Algumas vezes com sucesso, outras precisando tropicalizar a forma de agir. 

Além dos processos de produção, uma reflexão necessária —- e ainda mais importante —- neste momento é quão flexível pode ser a cultura da sua organização para entender as transformações inevitáveis da sociedade contemporânea. No Brasil, estamos assistindo a um forte movimento de conscientização que impõe mudanças internas na gestão das empresas com a busca da diversidade de gênero, de raça e social, dando direito ao trabalho a populações discriminadas e a minorias.

As ações mais contundentes e recentes surgiram por iniciativa do Grupo Magazine Luiza e da Bayer que lançaram programas de trainees exclusivamente para negros com o objetivo de incluir minorias nos locais de trabalho. Ao mesmo tempo que o anúncio da iniciativa recebeu o apoio de grupos e indivíduos que defendem a igualdade racial; surgiram críticas ao que passou a ser identificado como discriminação invertida. 

Onze ações por promover prática de racismo foram apresentadas ao Ministério Público do Trabalho de São Paulo sob a justificativa, segundo texto de um dos denunciantes de que a medida adotada pelo Magazine Luiza “impede que pessoas que não tenham o tom de pele desejado pela empresa” participem do processo seletivo. Um integrante da Defensoria Pública da União, Jovino Bento Junior, abriu Ação Civil Pública de R$ 10 milhões contra o grupo de varejo por entender que não se trata de um sistema de cotas mas de “contratação exclusiva de trabalhadores de determinada raça ou etnia em detrimento de outras que ao invés de promover igualdade de oportunidades gera exclusão de determinados (muitos, no caso) grupos de trabalhadores”.

O Ministério Público de Trabalho, em São Paulo, indeferiu todas as ações sob a justificativa de que não houve violação trabalhista, mas uma ação afirmativa de reparação histórica. Onze defensores públicos, do Grupo de Trabalho Políticas Etnorraciais da Defensoria Pública da União, publicaram uma nota de repúdio à postura do defensor Jovino Bento Júnior por não refletir “a missão e posição institucional da Defensoria Pública da União quanto à defesa dos direitos dos necessitados. Mais do que isso, contraria os direitos do grupo vulnerável cuja DPU tem o dever irrenunciável de defender”.

À crítica de que o processo seletivo do Grupo Magazine Luiza e da Bayer é discriminatório, pois permite a contratação apenas de indivíduos de uma raça, contrapõem-se a ideia da Discriminação Positiva, figura que surgiu como forma de oferecer justiça social.

“(A Discriminação Positiva) procura estabelecer equilíbrios e garantias para pessoas que historicamente, encontram-se em grupos excluídos pela sociedade. Tal instituto é o responsável por trazer as ações afirmativas, como a Lei de Cotas, o Estatuto do Deficiente, regras que possuem o intuito de inserir na sociedade aqueles que são excluídos” —- justificam Oliveira e Fagundes, em artigo escrito para o site Consultor Jurídico.

Em entrevista ao jornal O Globo, edição de 15 de outubro de 2020, o vice-presidente de Finanças da Bayer, Maurício Rodrigues, explicou a decisão da multinacional em criar o programa para candidatos negros:

“No passado, tinha a questão de que era preciso formar as pessoas, que não era possível contratar porque os negros não tinham formação etc. Já não era 100% verdade naquela época, mas as pessoas conseguiam ganhar com essa argumentação. Passados 15 anos, hoje a gente tem um contingente de pessoas bem formadas muito grande. E essas pessoas estão cada vez mais demandando espaço, também com as mídias sociais dando voz. E, dentro das empresas, há cada vez mais um interesse genuíno no que a diversidade pode proporcionar”

Em sintonia com a afirmação do executivo da Bayer, o Instituto Identidades Brasil, que atua em defesa da igualdade racial, diz que triplicou o número de negros com ensino superior, nos últimos dez anos no Brasil e isso não se reflete nas corporações sobretudo no alto escalão. É preciso mudar a cultura, torná-la mais inclusiva, disse em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da rádio CBN: 

“É uma pauta que tem de ser transversal; não é uma pauta só de recrutamento; é uma pauta de posicionamento; é uma pauta de comunicação; é uma pauta estratégica para toda a empresa que quer crescer para além de olhar só a metade da população do Brasil. Tem de olhar a população por inteiro”.

A partir dessa afirmação, a reflexão que se faz necessária é se, além das iniciativas empresariais, que buscam incentivar a inserção do negro no mercado de trabalho e, especialmente, a ascensão a postos de liderança, existem trabalhos internos nas corporações para que essas pessoas até então consideradas “estranhas” ao ambiente organizacional sejam recebidas com o devido respeito.

Políticas organizacionais que inspirem a inclusão terão tanto sucesso quanto conseguirem tornar a diversidade um movimento genuíno na base de seus trabalhadores. A inclusão de negros, apenas para ficarmos no campo da igualdade racial, tem de ser absorvida por todos os colaboradores e para tal é necessária uma mudança da cultura das empresas, acostumadas até aqui a manter em um mesmo ambiente pessoas que pensam e agem da mesma maneira. A diversidade é tanto uma necessidade quanto um desafio interno e externo das empresas no Brasil. 

Aos colaboradores que ainda se sentem incomodados com a “nova concorrência”, vale lembrar o que disse Bobby, um dos protagonistas do documentário American Factory, já citado neste trabalho: “aquilo ficou no passado” —- neste caso, ainda bem. Porque o futuro, não tem mais como evitar, é de quem investir na diversidade. E adaptar sua cultura organizacional a essa realidade mais rica e promissora.

Em tempo: a Fuyao Glass American que teve prejuízos no seu primeiro ano de operação nos Estados Unidos, em 2014, lucrou 24 milhões de dólares americanos, em 2018, aumento de 30% em relação ao ano anterior. Tem 2.500 funcionários americanos e chineses, apesar do forte investimento em automação. “Havia uma diferença cultural, mas passamos e conquistamos a confiança deles”, acredita Jeff Liu, CEO da Fuyao Glass American, em entrevista ao site Xinhua, dedicado a notícias da China e publicado em versão em português.

Referências:

CASO Magazine Luiza: MPT rejeita denúncias de racismo por trainee só para negros. Estadão Conteúdo. 24/09/2020. Disponível em https://www.otempo.com.br/brasil/caso-magazine-luiza-mpt-rejeita-denuncias-de-racismo-por-trainee-so-para-negros-1.2389913. Acesso em: 17/10/2020

CEO da Fuyao Glass America prevê tempos difíceis em 2020. site Xihua Português. 09/12/2019. Disponível em http://portuguese.xinhuanet.com/2019-12/09/c_138616691.htm. Acesso em: 17/10/2020

DPU entra com ação de R$ 10 milhões contra Magazine Luiza por programa de trainee exclusivo para negros. Época Negócios. 06/10/2020. Disponível em https://epocanegocios.globo.com/Empresa/noticia/2020/10/dpu-entra-com-acao-de-r-10-milhoes-contra-magazine-luiza-por-programa-de-trainee-exclusivo-para-negros.html Acesso em: 17/10/2020

GRUPO  de defensores públicos repudia ação contra Magazine Luiza. Valor Econômico, 06/10/2020. Acesso em: 17/10/2020

JUNG, Mílton. Mundo Corporativo: ter negros na liderança é estratégico para empresas, diz Luana Genót, do ID_BR. 2020. 11/09/2020 (33min20s). Disponível em https://miltonjung.com.br/2020/09/11/mundo-corporativo-ter-negros-na-lideranca-e-estrategico-para-empresas-diz-luana-genot-do-id_br/. Acesso em: 17/10/2020

HIROSE, Rodrigo. American Factory, que venceu Democracia em Vertigem, é o retrato de um mundo em constante transformação. Jornal Opção. 16/02/2020. Disponível em https://www.jornalopcao.com.br/colunas-e-blogs/ponto-de-partida/american-factory-que-venceu-democracia-em-vertigem-e-o-retrato-de-um-mundo-em-constante-transformacao-235847/. Acesso em: 17/10/2020

O defensor Jovino Bento Júnior é o responsável pela ação protocolada na última segunda-feira. Época Negócios, 07/10/2020. Disponível em https://epocanegocios.globo.com/Empresa/noticia/2020/10/dpu-entra-com-acao-de-r-10-milhoes-contra-magazine-luiza-por-programa-de-trainee-exclusivo-para-negros.html. Acesso em: 17/10/2020

OLIVEIRA, Adrielly Letícia Silva & FAGUNDES, Patrícia Fernanda de Albuquerque. O caso Magazine Luiz e a discriminação positiva. CONJUR. 26/09/2020. Disponível em https://www.conjur.com.br/2020-set-26/opiniao-magazine-luiza-discriminacao-positiva Acesso em: 17/10/2020

SETTI, Renan. Executivo da Bayer que criou trainee só pra negros sofreu preconceito na carreira: ‘Perguntaram o que eu fazia ali’. O Globo. 15/10/2020. Disponível em //blogs.oglobo.globo.com/capital/post/executivo-da-bayer-que-criou-trainee-so-pra-negros-sofreu-preconceito-na-carreira-perguntaram-o-que-eu-fazia-ali.html. Acesso em: 17/10/2020

Adote um Vereador: por que vereadores aprovam leis inconstitucionais mesmo sabendo que são inconstitucionais?

Texto escrito originalmente para o site Adote um Vereador SP

Nós já sabemos para que serve o vereador, não sabemos? Ok, não custa lembrar: criar leis, fiscalizar o Executivo e promover discussões que levem a melhoria da sua cidade. Para cumprir esses compromissos que assume no momento em que toma posse —- eu diria até antes, pois se vai pedir o seu voto está subentendido que ele se comprometera em exercer corretamente a função para a qual foi escolhido pelo cidadão —- é necessário que algumas regras e limites sejam levados em consideração: todos devidamente escritos na lei.

Nem todo projeto de lei cabe ao vereador —- mesmo que todos os projetos de lei municipal tenham de ser aprovados pela maioria deles para se transformar em lei. Assim como nem todas as leis cabem ao município — mesmo que muitas delas impactem o cotidiano do cidadão.

Por exemplo, há regras que são federais e outras estaduais. Lei de trânsito é uma delas: se a União decide que todos temos de usar cinto de segurança para dirigir automóvel, não pode o prefeito e a Câmara Municipal votarem projeto de lei que libera os moradores a circularem de carro sem o cinto. 

Outro fator limitante para as ideais defendidas pelo vereador é que os projetos de lei devem indicar a fonte de receita para arcar com os custos do que foi aprovado. Ou seja, não cabe ao vereador isentar setores da economia de pagamento de impostos ou obrigar a prefeitura a contratar funcionários.

Apesar disto ser sabido e alertado, reportagem de O Globo, publicada no domingo, mostra que os vereadores de Rio e São Paulo têm passado dos limites: 267 leis aprovadas nas câmaras municipais foram declaradas inconstitucionais desde 2009 —- 177 no Rio e 90 em São Paulo. 

Para ter ideia: na capital paulista, o órgão Especial do Tribunal de Justiça considerou inconstitucional uma lei de 2015 que proibia veículos particulares de fazerem transporte de passageiro por meio de aplicativos; na capital fluminense, foi derrubada nos tribunais a lei que proibia cobrança de pedágio para taxistas.

O que é interessante saber disso tudo para que se tenha um olhar crítico mais apurado sobre o trabalho e o caráter do vereador:

Primeiro, que o projeto de lei para chegar ao plenário e ser votado passa pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Municipal. Ali, todos esses projetos que são claramente inconstitucionais deveriam ser barrados para evitar que se perca tempo e dinheiro com a discussão e ainda pressionar os tribunais com mais processos. O problema é que a comissão não cumpre sua função: os projetos passam para atender interesses de um ou outro vereador.

Segundo, que a Câmara mesmo que seja alertada no meio do caminho de que o projeto é inconstitucional também aprova alguns projetos como troca de favor: eu aprovo o seu projeto e você aprova o meu. 

Terceiro, e mais importante: o próprio vereador que apresentou o projeto que será considerado inconstitucional, muitas vezes, sabe que é inconstitucional. Então por que apresenta? Pra jogar para a galera. É isso mesmo. Sabe que ao apresentar o projeto vai agradar determinado grupo que poderá ajudá-lo na eleição seguinte. Mesmo que depois a lei seja vetada pelo prefeito ou derrubada nos tribunais, ele mantém o discurso: eu fiz por vocês, eles é que são contra vocês.

É assim que a banda toca. Portanto, o cidadão tem de estar atento para essas manobras e antes de bater palma para algum candidato que está prometendo mundos e fundos, é bom saber se ele tem todo esse poder que acreditar ter.

Leia mais: https://www.adoteumvereadorsp.com.br/news/saiba-qual-e-o-limite-de-um-vereador/

O pó de pirlimpimpim na palma da nossa mão

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicolog

Foto: Pixabay

 

“Marmelada de Banana

Bananada de Goiaba

Goiabada de marmelo”

Gilberto Gil

Quando eu era criança, lá por volta dos meus 6, 7 anos, ao ouvir a música do Sítio do Picapau Amarelo na televisão, eu corria para o sofá porque era o momento de começar um dos meus programas favoritos. A adaptação da obra literária de Monteiro Lobato, passava de segunda à sexta-feira e despertava a imaginação de muitas crianças.

Emília era a minha personagem preferida. Engraçada, intrometida, falava pelos cotovelos… de certo modo acho que me identificava com a boneca de pano, pois ouvia dos meus irmãos que parecia que eu tinha engolido a pílula falante também… por que será? 

De todas as aventuras e travessuras que Emília e sua turma aprontavam no sítio, uma das minhas favoritas era o uso do pó de pirlimpimpim como forma de se teletransportar para outros lugares, como o Reino das Águas Claras.

Nas minhas brincadeiras, adorava me imaginar como os personagens do sítio: entrava no guarda-roupa dos meus pais e dizia que ao sair de lá estaria em outros lugares, para onde a imaginação me conduzisse. Fechava os olhos, falava pirlimpimpim (que era a palavra mágica), abria a porta e pronto! Ali estava eu no mundo do faz-de-conta, com minhas brincadeiras de criança. E isso era muito divertido!

Depois que me tornei adulta, em voos mais longos ou viagens mais cansativas, sempre brincava que adoraria ter o tal do pirlimpimpim para poder fechar os olhos e já abrir em outro lugar. Ao entrar num avião sempre me lembrava daquele pó mágico. Quando o comissário de bordo fechava a porta eu pensava: quando essa porta abrir novamente já estarei em outro lugar. Que coisa fascinante. Ao escrever isso me dei conta que era semelhante ao que pensava lá nas minhas brincadeiras dentro do guarda-roupa.

Com a pandemia nos vimos impossibilitados de ir e vir, seja em viagens curtas ou destinos mais distantes. Isso nos impôs restrições que nem a Emília imaginaria.

Inspirados ou não pela literatura, nós também acabamos descobrindo maneiras de driblar as privações desse período e com o uso da tecnologia conseguimos fazer reuniões à distância, assistir às aulas, fazer happy hour com amigos, até turismo virtual por cidades e museus a gente pode vivenciar.

Nessa semana, ao finalizar um dia de atendimentos online, me dei conta que em uma tarde eu tinha ido da Alemanha para a Irlanda, de Portugal para Vitória e depois, finalmente, São Paulo.

Tempos modernos… tempos difíceis, mas que com um pouco de humor e imaginação me fizeram lembrar das histórias do Sítio do Picapau Amarelo. Eu, que sempre desejei me teletransportar com o pó de pirlimpimpim, descobri que no momento a poção mágica está ao alcance das mãos, numa telinha e num clique, que me permitem ir de um lugar a outro em segundos, encontrar pessoas que conheço apenas virtualmente. 

Na impossibilidade de viajar, minha memória foi ativada e associou vivências atuais a contextos antigos, me levando lá para o início da década de 80. Se fosse com a Emília, ela iria ainda mais longe e diria: mMinhas memórias são diferentes de todas as outras. Eu conto o que houve e o que deveria acontecer”. Não provoque Emília! Porque em plena pandemia, a gente vai desejar essa sua habilidade também. 

Saiba mais sobre saúde mental e comportamento: inscreva-se no canal 10porcentomais no Youtube.

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Instagram. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: prazer, Diego Churín!

Grêmio 2×1 Bragantino

Brasileiro — Arena Grêmio

Churín estreia, foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIO FBPA

 

O argentino Diego Churín não havia pisado em campo, aguardava o árbitro autorizar a substituição pouco depois dos 20 minutos do segundo  tempo e já chamava atenção do torcedor a quem seria apresentado na noite desta segunda-feira. Com 1,80 metro de altura e 80 quilos, tem porte físico avantajado, ombros largos, braços com musculatura acentuada —- parece ser forte o suficiente para brigar dentro da área com os zagueiros adversários e pronto para disputar posição no comando de ataque gremista.

Chegou a Arena com o bom retrospecto que construiu no Cerro Portenho, do Paraguai. Fez 53 gols em 128 partidas disputadas. Oito neste ano. Na sua passagem pelo último clube fez quase a metade de gols de toda sua carreira. Aos 30 anos, marcou 110 vezes em 324 partidas. 

Hoje não fez o seu, mas esteve presente nos dois gols do Grêmio. 

Assim que entrou em campo, se posicionou dentro da área para a cobrança de escanteio. Eram 22 minutos do segundo tempo, e o Grêmio mal havia chutado uma só bola no gol adversário. No cruzamento, disputou pelo alto com os zagueiros, não alcançou a bola mas esta sobrou para David Braz que colocou no fundo do poço.

No segundo gol, quatro minutos depois, Churín estava novamente disputando a bola na área, passou para Isaque que cortou para dentro e antes que completasse foi surpreendido pela chegada forte e precisa de Orejuela que estufou a rede. 

O argentino apareceu mais umas duas, três vezes lutando pela posse de bola. Em uma delas, voltou até a intermediária para desarmar o adversário e iniciar o ataque, em outras mostrou que  sua força física se impõe em campo. Mesmo sem marcar, deixou seu cartão de visitas e abre boas perspectivas para um ataque carente de gols.

Ao contrário de Churín, a vitória do Grêmio que nos coloca na parte de cima da tabela, mesmo  com uma partida a menos, e em condições de seguir brincando pelos primeiros lugares da competição, que somente agora chega a sua metade, não foi alcançada com uma performance que agradasse os olhos do torcedor. Neste momento, porém, o que mais precisamos é pontuar. E isso conseguimos fazer nos quatro últimos jogos disputados pelo Campeonato Brasileiro.

Arquivo Guaíba faz homenagem a Milton Ferretti Jung, que completaria 85 anos

De uma crônica que jamais havia ouvido, de gritos de gols inesquecíveis, de narrações que contam a história da humanidade e de histórias que foram contadas na minha intimidade —- o programa Arquivo Guaíba, que foi ao no sábado, dia 31 de outubro, me fez reviver as mais diversas passagens do pai pelo rádio brasileiro —- foram 60 anos dedicados e respeitando o microfone, dos quais quatro na rádio Canoas e os demais 56 na Guaíba.

A homenagem se deu pela passagem do aniversário de Milton Ferretti Jung que completaria 85 anos, no dia 29 de outubro. Como você sabe, caro e raro leitor deste blog, o pai morreu no ano passado, no dia 28 de julho. Assim, aproveito a generosidade de Luis Magno e da equipe de profissionais da rádio Guaíba que relembraram alguns dos momentos da carreira dele para reproduzir o programa aqui entre nós,, nesta segunda-feira, dia 2 de novembro, dia que dedicamos aos mortos que permanecem na nossa memória.

Antes de clicar no arquivo para ouvir o programa, me permita dizer muito obrigado aos profissionais que se dedicaram a fazer esta homenagem e aos ouvintes que sempre se referem ao pai com muito respeito e carinho:

O programa apresentado pelo jornalista Luis Magno foi criado em maio deste ano e explora o rico arquivo de áudio que a rádio Guaíba ainda preserva no prédio da rua Caldas Junior, centro de Porto Alegre. Vai ao ar aos sábados à noite, tem produção de Pedro Alt, edição de Davis Rodrigues, com José Moacir Bittencourt responsável pelos arquivos.

Conte Sua História de São Paulo: da locomotiva à Academia, minhas lembranças da cidade

Por José Antonio Braz Sola 

Ouvinte da CBN

 

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Caminho diariamente aqui no Parque do Ibirapuera desde que me aposentei. Estou agora tomando água de coco em frente ao Pavilhão da Bienal. Isso me faz lembrar  de que foi aqui que começou a minha relação com o parque-símbolo de São Paulo. Isso foi em outubro de 1961, quando eu tinha seis anos de idade e minha irmã Lu, três. Fomos conhecer a sensação da época, que causava ansiedade e frisson na criançada  paulistana:  o 1º Salão da Criança!

Tomado pela emoção e recuando no tempo, começo a recordar coisas que vivi na minha querida e amada São Paulo. Meus pais, embora fossem pessoas simples — papai era comerciário e a mamãe, dona de casa —- esforçavam-se para nos mostrar os pontos turísticos e históricos da  nossa cidade .

Foi assim que nos levaram à Estação da Luz, com sua linda arquitetura, onde ficamos extasiados com as  locomotivas, por suas dimensões enormes e ruídos ensurdecedores provocados pelas máquinas em funcionamento.

Também fomos apresentados, um pouco depois, à Catedral Metropolitana de São Paulo, na Praça da Sé; ao Mosteiro de São Bento; e à Faculdade de Direito do Largo São Francisco, onde, nunca eu poderia imaginar, me formaria advogado anos depois.

Quando já era recém-alfabetizado, tinha sete anos, lembro-me com satisfação de conseguir ler, sem errar e em voz alta para meus pais, as últimas notícias que apareciam rapidamente  no letreiro luminoso instalado na fachada da  sede do jornal “O Estado de São Paulo”, ali na Rua Major Quedinho, no Centro.

Conheci o estádio  da cidade nos anos de 1960, o maravilhoso e ainda hoje charmoso  Pacaembu. De tanto pedir, papai me levou para assistir ao time que eu já amava e pelo qual chorava nas derrotas, o Palmeiras. Ganhamos de 3 a 0 do Noroeste e nos sagramos “Campeão Paulista de 1963”, com um time que tinha Ademir da Guia, Dudu, Djalma Santos, Djalma Dias, Julinho Botelho e Servílio,

Paulistano autêntico que era, tive que conhecer também a Rua Augusta, famosa pelos seus bares, lanchonetes e lojas da moda —- embora eu e a minha irmã Lu a tenhamos percorrido de ônibus elétrico e a pé, pelas mãos de nossos pais, e não a 120  Km por hora, como dizia a música de sucesso da época que tocava nas rádios sem parar.

Não dá para esquecer, claro, das férias de julho na casa de meus primos Tica, Tico e Danilo, no Jardim São Paulo, onde hoje funciona a Estação Ayrton Senna do Metrô. Naqueles tempos, havia muitos terrenos baldios e parecia que estávamos numa pacata cidade do interior, o que nos possibilitava brincar de tudo quanto era jeito e sem sermos importunados por carros e ônibus —- bem diferente do que eu estava acostumado no bairro de Pinheiros, onde morávamos.

De volta ao presente …. lá se foi a última gota da minha água de coco. Retomo a caminhada matinal interrompida por minhas memórias a tempo de lembrar do poema Tristura de Mário de Andrade que começa com um “São Paulo, minha noiva” …. e eu me atrevo a completar: “Minha noiva, minha vida”.

José Antonio Braz Sola é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é da Débora Gonçalves. Escreva também as suas lembranças e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo

Mundo Corporativo: Fabiana Fragiácomo, do Instituto Ayrton Senna, fala de marketing relacionado à causa

 

“Esse momento que a gente está tendo é uma janela de oportunidade para um despertar das empresa e da sociedade” —- Fabiana Fragiácomo, Instituto Ayrton Senna

A chegada de uma nova geração nas empresas e no mercado consumidor, além da própria aceleração impulsionada pelos riscos que a pandemia gerou às pessoas e às empresas, fortaleceram a ideia de se trabalhar com marketing relacionado à causa. A opinião é de Fabiana Fragiácomo, head de comunicação e marketing do Instituto Ayrton Senna, entrevistada do programa Mundo Corporativo da CBN. 

“Houve um mudança geracional. Essa última geração que entra no mercado de trabalho, que entra no mercado consumidor é uma geração ligada no propósito, que também veio com uma escassez. Veio com uma abundância de tecnologia e escassez de recursos…”

A executiva entende que a pandemia sensibilizou empresas e empresários, e um dos dados que ilustram essa realidade foi o fato de que nunca antes houve tantas doações em dinheiro ou equipamentos feitas no país, como nesse período. O desafio para ele é fazer com que essa transformação seja perene:

“O que a gente está vendo é um gatilho de mudança. E eu acho que acabou com essa pandemia escancarando algo que já sabíamos que eram problemas. Então, o problema da educação não era um problema novo. O problema da fome não é um problema novo. O problema da crise climática muito menos”.

O marketing relacionado à causa pode ser um instrumento usado pelas mais diversas empresas, independentemente do tamanho e da área de atuação. O importante é que líderes e colaboradores estejam identificados às causas que falem com eles para que as ações sejam feitas de forma genuína e tenham o alcance desejado.

O Instituto Ayrton Senna é um centro de inovação que  desenvolve programas e pesquisas na área da educação e mapeia empresas que têm o foco no ativismo e estão em busca de um propósito para desenvolver projetos em parceria.

O conhecimento adquirido a partir de pesquisas realizadas com universidades internacionais é aproveitado na criação de programas que trabalham no desenvolvimento de alunos, com o treinamento de equipes técnicas da área de educação, em estados e municípios. O Instituto tem dado ênfase a formação de competências socioemocionais, criatividade e pensamento crítico: 

“Só o desenvolvimento dessas habilidades dará conta das incertezas que o mundo está apresentando, porque o conteúdo muda. O conteúdo está mudando o tempo todo. A tecnologia está mudando o tempo todo. O que não vai mudar é a sua capacidade; a sua estrutura psicológica e emocional de lidar com tantas mudança em um velocidade tão grande”.

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, às 8h10 da manhã, no Jornal da CBN. A gravação do programa pode ser assistida, ao vivo, no site da CBN, pelo canal da CBN no Youtube e no Facebook. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Prado, Guilherme Dogo, Débora Gonçalves, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.