Avalanche Tricolor: Fica Renato!

Grêmio x Palmeiras

Copa do Brasil – Arena Grêmio

Foto Lucas Uebel/Grêmio FBPA

É a primeira vez que escrevo uma Avalanche antes de a partida se iniciar. Criada em 2008 para ser um espaço em que eu, torcedor assumido e jamais arrependido, expresso meus sentimentos em relação ao desempenho do tricolor nos gramados, essa coluna sempre foi publicada momentos após o apito final do árbitro. Neste domingo, tomo a liberdade de me antecipar ao que acontecer na primeira partida da final da Copa do Brasil — a nona disputada pelo Grêmio, campeão da primeira edição, em 1989; campeão cinco vezes dessa competição. E o faço porque confio neste time, a despeito de todos os problemas que enfrentamos. E se confio, não quero ser lido apenas como um oportunista. Não o sou. Jamais serei.

Independentemente do resultado nesse  jogo de placar imprevisto, seja pelas condições da temporada seja pela performance dos dois times que disputam a final,  tenho a convicção de que a maior vitória que o Grêmio pode conquistar é a manutenção de Renato no comando da equipe. Os resultados alcançados na jornada sem fim de 2020 estiveram abaixo das expectativas, que são sempre altas. Renato e seus comandados nos acostumaram às vitórias nesses quase quatro anos e meio de trabalho que o transformaram no mais longevo técnico do futebol brasileiro.

Nessa passagem, iniciada em 21 de setembro de 2016, Renato conquistou a Copa do Brasil daquele ano, a Libertadores e o vice-Mundial de 2017 e o tricampeonato gaúcho (2018, 2019 e 2020). Mais do que isso: fez do Grêmio um time admirado por seus adversários, pelo futebol que leva a campo com posse de bola dominante, alto índice de passes certos e marcação eficiente —- tomou poucos gols e registra baixo número de faltas e punições. 

Nada, absolutamente nada do que assistimos nessa temporada pode ser motivo de julgamento da capacidade de nosso técnico. Apontá-lo e condená-lo como o responsável pela sequência recorde de empates que nos impediu de disputar o titulo no Brasileiro, pela derrota acachapante nas quartas-de-final da Libertadores ou pelo desempenho aquém do esperado é esquecer que um time de futebol jamais será obra de um só artista. Renato é responsável, também, mas não apenas ele.

O clube é o conjunto de ações e atitudes adotadas ao longo do tempo. Passa por decisões da área de gestão, do tamanho do caixa, da infraestrutura oferecida, do clima organizacional, da cultura administrativa e, sem dúvida, das escolhas técnicas e táticas —- essas, muitas vezes, resultado direto de todas as anteriores. 

Para manter o equilíbrio nas contas —— e apesar disso não nos dar a garantia de títulos, me dá orgulho —-, o Grêmio programa estrategicamente a venda de algum dos seus talentos. Foi assim com Pedro Rocha, Everton e agora Pepê. Busca segurar outros, como mais recentemente se fez com Ferreirinha e há alguns anos com Luan. Investe em jovens promissores e os faz crescer em campo, haja vista os desempenhos de Matheus Henrique, Darlan e Jean Pyerre. 

Ainda com a mesma lógica, vai ao mercado em busca de jogadores que cabem nas contas do clube, o que nem sempre significa trazer craques reconhecidos. É preciso fazer uma seleção muito cuidadosa, contratar atletas que não estejam no topo da carreira, mas têm condições de oferecer 100% do seu potencial. O melhor exemplo é Diego Souza que muitos reclamaram da idade avançada e de ser um jogador que já não tinha mais a mesma motivação da primeira passagem pelo clube. É o goleador desse time —- e não só marca muito como tem marcado em momento fundamentais. Que repita a dose nessas finais.

Renato foi capaz de enxergar vários desses jogadores ao longo dos quatro anos e meio em que está no comando da equipe. E isso sempre foi reconhecido pela crítica. Condená-lo agora porque algumas das apostas não deram certo, nesta temporada, é querer um milagreiro em lugar de um técnico de futebol. É injusto com quem já fez muito. É não enxergar as inúmeras dificuldades que ele encontrou para construir o atual elenco e as ausências importantes que tivemos —  dentre as mais expressivas identifico a impossibilidade de colocar em campo, na maioria das partidas, nossa dupla de zaga vencedora, Geromel e Kannemann.

Nossos julgamentos no futebol tendem a ser distorcidos. Nunca admitimos o fracasso do nosso time. A culpa é do zagueiro que deu chutão errado, do atacante que não acerta no gol, do árbitro que nos roubou e do VAR que se omitiu. Não fossem eles, a gente ganhava este ano, É, também, do técnico —- ou porque escala ou porque não escala. Quantos criticavam a ausência de Jean Pyerre. Quantos, hoje, reclamam da presença dele. Tem os que põem a culpa no Departamento Médico, na preparação física, no azar ou na sorte. Jamais admitiremos que o adversário foi mais capaz do que nós ou que, sim, temos um elenco limitado e se não houver uma superação, pagaremos por isso. 

Renato não é herói nem algoz. É um cara bem preparado para montar times dentro das condições que lhe oferecem. Que tem uma identificação sem igual com o Grêmio e merece todo nosso respeito. Mantê-lo na temporada de 2021 que se inicia em seguida às finais da Copa do Brasil é a decisão mais acertada que poderemos tomar este ano —- independentemente dos resultados destes dois próximos fins de semana.

O melhor que o Grêmio pode fazer para fechar este 2020 sem fim é investir no #FicaRenato !!!

Conte Sua História de São Paulo: aos 70 anos, foi a tecnologia que me deu conforto na cidade

Durval Pedro da Silva Junior

Ouvinte da CBN

Foto: Pixabay

Sou paulistano do Bexiga. Neste janeiro de 2021 completo 70 anos, cada dia mais amante desta cidade. São Paulo, como poucas no mundo, tem a capacidade de oferecer o que há de melhor em grande escala —- e em poucas situações o que há de pior. 

Amá-la não é sacrifício. Isso ficou latente nesses quase um ano de pandemia, em que os recursos tecnológicos amenizaram algumas das nefastas consequências do coronavírus.  A quarentena ficou mais fácil de enfrentar porque se existe tecnologia de ponta em grandes cidade, existe também em São Paulo.

Aos 70 anos não ser um craque no mundo digital não é pecado. Tive de aprender muita coisa enquanto experimento esse isolamento que ainda me imponho pela faixa de risco que estou. 

Em março e abril, quando vivíamos uma cegueira geral e medo de tudo, foi a tecnologia que me deu esperança, alívio, conforto e qualidade de vida. Aprendi a comprar comida e remédio. Fiz consultas diversas. Tudo pelos aplicativos do celular —- os quais jamais havia usado. 

Bater papos com os filhos e netos por uns instrumentos que nunca tinha sequer ouvido falar: Zoom, Webex, Teams, Whereby, Google Meet. Fora os vídeos do Whatsapp e FaceTime. Ter feito reunião com os colegas de faculdade —- com os quais estou junto há 50 anos e sou o caçula da turma —- não teve preço.

Só mesmo a cidade de São Paulo me permite matar a vontade de comer uma coxinha ou um bauru e tudo ser entregue em casa com todo o cuidado. E, ao mesmo tempo, acompanhar em tempo real o atendimento médico a amigos em um dos hospitais de ponta da cidade.

Também viajei por aqui: em visitas virtuais apreciei obras do Masp e da Pinacoteca —- que estão entre os melhores museus do mundo. Jamais imaginei que iria me divertir com as imagens de um drone: o da CBN, me mostrando logo cedo mais do que detalhes do trânsito e acontecimentos da cidade. Sem falar das lives com Márcio Atalla e Cássia Godoy. E até com o Mílton Jung que, apesar de ser bem mais novo do que eu, é um parceiro ideal para quem não faz muito exercício.

Esta é São Paulo, a cidade que esta digitalizada no meu coração

Durval Pedro da Silva Junior é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade visite o meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Ricardo Neves diz que líderes tem de usar a comunicação para dar sentido aos negócios e exemplo às pessoas

Angela Merket foto: arquivo

“O líder é aquele que sabe conversar, o líder é aquele que sabe influenciar socialmente. A arte da liderança é a comunicação”

Ricardo Oliveira Neves, consultor

De Wilson Churchill a Angela Merkel. De Steve Jobs a Laurence Fink. Todos são líderes, cada um a seu jeito e ao seu tempo, que ajudam a entender o conceito que sustenta a nova ordem dentro das empresas: a da liderança por propósito ou a da criação de sentido e significado que possam ser valiosos para o indivíduo. Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, Ricardo Oliveira Neves, consultor de estratégias, comunicação e marketing, falou de modelos de liderança essenciais para as empresas se adaptarem às transformações do século 21, em que vivemos uma complexidade exponencial. 

Autor do livro “Sensemaking: liderança por propósito”, Ricardo lembra que essa complexidade que gera incerteza e abala estruturas, não se resume a pandemia —- começa bem antes. Passa por uma série de outras mudanças que ocorrem há algum tempo como a do clima, as que têm colocado em xeque instituições democráticas e as que expressam ainda mais a  desigualdade social.

Ricardo diz que hoje existe uma caixa de ferramentas de comunicação que precisa ser aberta pelos líderes para que se afaste de vez o modelo de comando e controle, baseado na ‘Arte da Guerra’, que pautou as corporações por muitos anos:

“É preciso se libertar de uma mentalidade que é a do comando-controle, que ainda predomina nas grandes organizações, aquela do eu mando e você obedece. A diferença é que o líder agora passa a ser um facilitador de entendimento do que está acontecendo … tem de ajudar as pessoas a sair dessa zona de terror.”

Para ele a comunicação tem de ser baseada em quatro Cs: calma, coragem, conversa e colaboração. São elementos, por exemplo, que aparecem em Churchill que liderou os britânicos na Segunda Guerra Mundial. Que são encontrados no primeiro discurso dele à nação quando assumiu o cargo de primeiro-ministro, notabilizado pela frase: “eu só tenho a oferecer sangue, suor e lágrima”.  

De Merkel, primeira-ministra da Alemanha, onde Ricardo vive atualmente, o consultor destaca a condução que ela está tendo na crise provocada pelo coronavírus e lembra o discurso que fez às vésperas do Natal alertando às famílias para o risco de insistirem em se reunirem em confraternizações: teve coragem e clareza. A premier alemã também usa muito bem o que Ricardo chama de autocomunicação:

“Merkel é mestra disso. Lembra as pessoas de uma maneira sutil a usar máscara. Ela tem um ritual com a máscara, em público, que está sempre lembrando a todos desta necessidade”.

A autocomunicação também era praticada por Steve Jobs, de acordo com o consultor, o que explica o fato de a empresa ter, em lugar de clientes, fãs, porque se identificavam com o líder da Apple e seus produtos. Outro exemplo de comunicação eficiente e capaz de enfrentar a complexidade exponencial, segundo Ricardo, é a estratégia de Larry Flink, CEO da BlackRock, líder mundial em gestão de investimentos. Ele publica, todo ano, uma carta aberta aos clientes em que apresenta sua visão dos negócios de forma transparente. Flink é uma das principais vozes no mercado de capitais a defender o capitalismo consciente, mais preocupado com as questões sociais, ambientais e de governança.

“Propósito é uma coisa, sim, tangível que a liderança tem que aprender a falar, para quando ela vai conversar com seus pares e com a sociedade como um todo. Não existe mais a empresa que só por ter lucro tem licença para sobreviver”

Para Ricardo, o recado que todos precisam entender é que há necessidade de se encontrar propósitos individuais, e conscientes dessa mentalidade buscar nas empresas uma sintonia desses objetivos. O colaborador que acredita que ter segurança no emprego é vender a alma para o diabo vai se surpreender, porque em algum momento o diabo vai cobrar o preço que pediu na assinatura do contrato.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site da CBN e nas páginas da CBN no Facebook e no Youtube. Colaboram com o programa Juliana Prado, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubioti.

Avalanche Tricolor: não vai deixar saudades

Bragantino 1×0 Grêmio

Brasileiro — Nabizão, Bragança Paulista/SP

Foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Cuspida e escarrada! A última rodada foi a cara do Campeonato Brasileiro, que, ao longo da temporada, desdenhou a gravidade da pandemia, teve jogos suspensos devido a “contaminação em rebanho” em alguns times, jogadores expostos a risco e traduzindo essa apreensão no campo com performance abaixo da esperada, estádios com arquibancadas vazias e com aglomeração de torcedor do lado de fora.

O Covidão-2020, apelido que meu amigo Juca Kfouri deu ao campeonato, terminou sem direito a gol do título. O campeão perdeu na partida final, marcando uma campanha claudicante o suficiente para superar em pontos ganhos todos os demais adversários. Quem poderia ser campeão em lugar do campeão, não foi capaz de vencer mesmo jogando em casa e contra um time que nada mais tinha a ganhar. Quase ganhou, mas o VAR impediu que a injustiça fosse concretizada, primeiro em um pênalti sinalizado pelo árbitro, que voltou atrás ao ser chamado para rever na televisão, ao lado do campo, e depois em dois gols marcados em posição de impedimento, que foram anulados com o certificado do VAR.

Quem diria, depois de uma competição em que faltou verificação do VAR, houve erros com o apoio do VAR e descobrimos que o VAR só funciona se estiver bem calibrado, foi o VAR quem salvou a lisura do resultado nos acréscimos do Campeonato. Nesse caso, justiça seja feita, o auxiliar sinalizou a irregularidade do gol e se não foi agredido — como ameaçaram alguns jogadores — deve agradecer ao VAR que ele, aos gritos, anunciava que seria consultado.

Sem gol do título, sem torcida, sem futebol qualificado e com Covid-19, o Campeonato Brasileiro terminou com o mesmo campeão da temporada anterior. Ou seja, enfrentamos toda essa maratona para entregar o título ao mesmo time. Pode isso, Juca?

E se estou aqui a falar de dois jogos que não tinham a presença do Grêmio, protagonista de sempre nesta Avalanche, é porque nada tenho a registrar do desempenho do meu time na rodada final da competição.

O Campeonato Brasileiro de 2020, que já vai tarde, não me deixará saudades.

15 dicas para quem quer participar do Clubhouse

Desculpe-me pela insistência. Volto a falar de ClubHouse porque a rede que privilegia a fala está dando o que falar. Não bastasse ter sido convidado para uma das salas, com o tema Mentoria da Comunicação, voltarei a ocupar o espaço no próximo sábado, ao lado da minha amiga Leny Kyrillos. Comunicação será, mais uma vez, o tema da conversa. Desta vez, baseada no livro que escrevi com a Leny, Comunicar para Liderar. É de 2015. De antes, bem antes da pandemia, e, ao mesmo tempo, muito atual. Quem vai abrir a sala “Comunicar e liderar” para falarmos é Erika Baruco, especialista nas duas áreas: comunicação e liderança.

Da experiência de décadas no rádio — que tem o som como principal instrumento — à participação única no ClubHouse, reuni algum conhecimento que pode nos ajudar nesta nova rede social. No mínimo, evitar alguns tropeços. Para não pensar que o que escrevo a seguir é coisa de marinheiro de primeira viagem (ah, agora virou coaching de ClubHouse, né?!?), informo aos navegantes que conversei com algumas pessoas que entendem do assunto e, também, já participaram do clube.

Bons costumes no Clubhouse:

  1. Ter um moderador(a)
  2. Ter um tema definido
  3. Identificar previamente os pontos de fala de cada integrante
  4. Na abertura, cada integrante se apresentar com no máximo duas frases
  5. Ao fazer uma pergunta, encaminhá-la para um dos integrantes
  6. Enquanto um fala, os outros fecham o microfone
  7. Falar sabendo que outros querem falar
  8. Invista no conteúdo
  9. Frases, palavras e citações importantes devem ser repetidas para que o ouvinte absorva a informação
  10. Importante ilustrar com histórias 
  11. Incluir os ouvintes na conversa, sempre
  12. Ao passar a palavra para um ouvinte, antecipar quem será o próximo
  13. Ao responder o ouvinte, citar o nome dele ao fim da fala para que tenha a oportunidade de réplica
  14. Anunciar o encerramento da sala, 15 minutos antes e selecionar quem fará as últimas perguntas
  15. Ser simples, direto e objetivo

Sintonizado no Clubhouse, um novo modelo de rádio

Imagine uma mídia na qual você tem uma série de opções de programas em áudio à disposição. De graça. Em um canal, tem esporte. Em outro, tem música. Rock e sertanejo, cada um na sua. Tem lugar em que se fala de comportamento. Outro, de arte. De mídia digital. De comunicação. Tem até quem toque e comente notícia —- de política à economia, de meio ambiente à educação. O ouvinte sintoniza o canal que entender mais apropriado aos seus interesses, pode participar com perguntas.

Estamos falando do rádio? Até pode ser. Criado no fim do século 18, início de 19, o veículo é um pouco de tudo isso. Basta trocar de estações no aparelho que está em seu painel do carro ou no balcão próximo do fogão, na cozinha, e você terá oportunidade de vivenciar todas essas experiências. Nosso ‘dial’ nos põe em contato com uma programação diversa e interativa. Você escolhe se quer ser ativo ou passivo. Só ouvir ou participar. 

Pode ser do rádio, mas não é.

Estou falando do ClubHouse, rede social que ganha dimensão entre nós, com a abertura de um número inimaginável de salas para falar dos mais diversos temas. Casa sala é uma estação. Cada moderador, um âncora. Cada ouvinte, que unido a outros, se transforma em audiência.  O ClubHouse é uma espécie de rádio que pode ser produzido por qualquer um, desde que tenha um iPhone e um perfil aberto nesta rede. Em breve, também no seu “rádio” Android.

No sábado, tive minha primeira experiência neste espaço, convidado pela Ana Sacavém, coach da Academia de Liderança e Comunicação, em Portugal, que realiza um trabalho incrível ao lado do marido Antonio Sacavém. Estavam com a gente, minha parceira de trabalhos, livros e palestras Leny Kyrillos e Thomas Brieu, um especialista em escutatória. 

Ficamos por duas horas batendo papo sobre como desenvolver nossa capacidade de se comunicar, uma habilidade essencial para quem pretende crescer na carreira profissional. Falamos entre nós e respondemos boas perguntas dos ouvintes. Ouvimos, também. Ouvimos algumas pessoas que surgiram  em meio a conversa e agregaram muito conteúdo. 

O ClubHouse reforça a ideia de que se o conteúdo é o rei —- como Bill Gates  nos ensinou no início dos anos de 1990 —- o áudio é a rainha. Prestigiado nessa nova rede. Essencial para o sucesso dos podcasts —- que nunca foram tão ouvidos como agora. Motivo de concorrência entre as maiores marcas de tecnologia do mundo, como é o caso da Apple e Amazon, que investem seus conhecimento no desenvolvimento de caixas de som inteligentes. E “cidadão de primeira classe”, como disse Zack Reneau Wedeen , executivo do Google podcast, em 2018.

O áudio foi a base do trabalho que realizamos no rádio desde sempre, portanto participar desta nova rede não me surpreende. Me fascina. Especialmente com a qualidade do debate que conseguimos promover no sábado em uma sala que pretende se tornar permanente: Mentoria da Comunicação.

Por exercício da Ana e colaboração de todo grupo, apresento a seguir alguma das muitas mensagens que conseguimos levar ao ar —- ou, levar à web:

Francesco, um imigrante italiano

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Muitos de nós temos em nossa árvore genealógica familiares que deixaram tudo em outras partes do mundo e vieram recomeçar suas vidas no Brasil. Entre os anos de 1800 e 1930, aproximadamente 40 milhões de europeus deixaram seus países. Os primeiros imigrantes italianos que chegaram ao Brasil eram, em sua maioria, provenientes da região do Vêneto e vinham substituir a mão de obra escrava, especialmente na agricultura, após a abolição do tráfico. Embora os primeiros italianos tenham se instalado na região sul, foi o sudeste brasileiro que recebeu o maior número de imigrantes da Itália. Até 1920, o estado de São Paulo havia recebido cerca de 70% dos imigrantes italianos que vieram para o Brasil, especialmente para o trabalho nas fazendas.

Assim como tantas histórias, a chegada do meu bisavô, vindo de Cremona, na Itália, está registrada nos livros presentes no museu da Imigração do estado de São Paulo. Francesco Villanova deu entrada na hospedaria de imigrantes do Brás – onde hoje está localizado o museu – em 22 de junho de 1912. Meu bisavô seguiu da hospedaria para a cidade de Guaratinguetá, no Vale do Paraíba, onde ficava o núcleo chamado Piaguí, local onde colonos italianos trabalhavam nas fazendas produzindo café, feijão, milho, batata doce e cana de açúcar.

Infelizmente, Francesco não conseguiu juntar dinheiro suficiente para comprar a própria terra. Nas fazendas, muitos italianos, assim como meu bisavô, viveram em condições indignas de trabalho e moradia. Diferentemente do sonho que tinham, a realidade foi amarga para muitos. Poucos anos após sua chegada, ele morreu vítima da gripe espanhola, deixando sua esposa e muitos filhos, dentre eles a minha avó, na época com cinco anos de idade. 

Como a maioria dos italianos que se estabeleceu na região do Vale do Paraíba, minha avó morou a vida toda em Guaratinguetá. Uma italianinha de um metro e meio, franzina, com olhos de um azul tão intenso que pareciam um pedaço do céu. Aprendeu a falar a língua portuguesa perto de seu casamento com meu avô, descendente de indígenas e portugueses, e nunca mais voltaria a falar o italiano. Não por esquecimento, mas por buscar um recomeço. 

Em 2016 ,visitei o museu da Imigração na cidade de São Paulo. Sim, o mesmo onde Francesco ficou hospedado em 1912. Que emoção eu senti naquela ocasião! Acomodações, nomes grafados nas paredes, objetos… Uma atmosfera que permitiu imediatamente imaginar o que passava por suas cabeças enquanto estavam ali. Na minha cabeça, uma explosão de histórias que já tinha ouvido vinham à tona, com um realismo comovente. Imigrantes que traziam na bagagem os sonhos e esperanças de uma vida melhor. Saudades que carregariam da terra natal, a qual muitos nunca mais voltariam a ver. Deixaram seu país por necessidade, por sobrevivência e pela expectativa de que a vida poderia ser diferente.

Foto: Simone Domingues

Na saída do museu, me deparei com a enorme árvore que fica no pátio central. Imensa, com tronco largo e inúmeras ramificações. Tinha a visto quando cheguei, mas depois da visita, quando me deparei com ela novamente, ainda tomada pela emoção, compreendi que não poderia haver nada mais representativo daquele museu. Essa árvore é o símbolo mais adequado para explicar sobre nossas origens. Raízes e tronco que simbolizam nossos antepassados. Entre eles, imigrantes que contribuíram para nossa formação. Assim como em minha família, as ramificações desta e muitas outras árvores vem nos delineando e gerando frutos. Frutos que são múltiplos por suas incontáveis influências. Ao mesmo tempo, únicos pela singularidade da nossa história que o Museu da Imigração, como tantos outros, ajuda a preservar. 

Saiba mais sobre saúde mental e comportamento no canal 10porcentomais

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Instagram. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: na Libertadores de novo

Grêmio 1 x 0 Atlético PR

Brasileiro — Arena Grêmio, Porto Alegre

Thaciano comemora em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

“Nem sempre ganhando nem sempre perdendo, mas aprendendo a jogar” —- cantava Elis Regina, gremista de nascença, em uma de suas letras mais conhecidas. Nem sei bem porque, mas lembrei-me da música assim que sentei para escrever esta Avalanche de um jogo que fui impedido de assistir na televisão. É inacreditável que com a quantidade de plataformas que temos à disposição, ainda existam partidas de futebol profissional disputadas às cegas, no Brasil.

Hoje, no fim da tarde de domingo, ganhamos uma partida que, contaram os narradores e comentaristas do rádio, não teve muitas emoções. Alguns poucos lances de ataque, arriscadas de Ferreirinha pela lateral em dribles com a bola colada no pé, um chute colocado de Jean Pyerre, e a força de Churín e Thaciano, que juntos protagonizaram o único gol da partida já no segundo tempo. Foi o suficiente para marcarmos mais três pontos na tabela de classificação e nos levar de volta a Libertadores.

Por linhas tortas minha memória me remeteu a voz de Elis, imagino,  porque mesmo como um campanha capenga o Grêmio alcançou mais uma marca na sua história: garantiu presença pela sexta vez consecutiva na competição. É a vigésima-primeira vez que disputará a Libertadores — só mais dois times brasileiros estiveram tantas vezes por lá —, a qual vencemos em três oportunidades, a última em 2017. Nesta temporada, que ainda não se encerrou, botamos o pé na Libertadores com uma sequência monótona de empates, 17 até aqui. Ou seja “nem sempre ganhando nem sempre vencendo, mas aprendendo a jogar”, como cantava Elis.

É por saber jogar e decidir que, mesmo diante de performances distantes do que nos acostumamos a ver nos anos anteriores, estamos na Libertadores de novo e ainda confiamos que Renato será capaz de reorganizar o time para o último desafio que temos neste ano de 2020, que teima em permanecer entre nós: a Copa do Brasil.

Raul Jungmann pede intervenção do STF no decreto das armas de Bolsonaro para impedir massacre de brasileiros

Arquivo/ Foto: Antonio Cruz/EBC/FotosPúblicas

Ao transpor o tema da segurança pública para a política, o Executivo incide em erro ameaçador, com efeitos sobre a paz e a integridade da Nação

Raul Jungmann

Em carta aberta aos ministros do STF, o ex-ministro da Defesa e da Segurança Pública Raul Jungmann alerta para os riscos que o Brasil corre a serem mantidos os decretos do presidente Jair Bolsonaro ampliando o acesso a armas. Jungmann enxerga ameaças à democracia. Leia a carta na íntegra:

Carta aberta ao Supremo Tribunal Federal

Sr. Presidente e Srs. Ministros do Supremo Tribunal Federal,

Srs. Ministros,

Dirijo-me a essa egrégia Corte na dupla condição de ex-ministro da Defesa Nacional e da Segurança Pública, com o objetivo de alertar para a gravidade do nefasto processo de armamento da população, em curso no Brasil.

É iminente o risco de gravíssima lesão ao sistema democrático em nosso país com a liberação, pela Presidência da República, do acesso massificado dos cidadãos a armas de fogo, inclusive as de uso restrito, para fins de “assegurar a defesa da liberdade dos brasileiros” (sic), sobre a qual inexistem quaisquer ameaças, reais ou imaginárias.

O tema do armamento dos cidadãos, até aqui, foi um assunto limitado à esfera da segurança pública em debate que se dava entre os que defendiam seus benefícios para a segurança pessoal e os que, como nós, e com base em ampla literatura técnica, afirmávamos o contrário – seus malefícios e riscos às vidas de todos.

Ao transpor o tema da segurança pública para a política, o Executivo incide em erro ameaçador, com efeitos sobre a paz e a integridade da Nação, pelos motivos a seguir. Em primeiro lugar, viola um dos principais fundamentos do Estado, qualquer Estado, que é o de deter o monopólio da violência legal em todo o território sobre a sua tutela, alicerce da ordem pública e jurídica e da soberania do país.

Em segundo lugar, pelo fato de que as Forças Armadas são a última ratio sobre a qual repousa a integridade do Estado nacional. O armamento da população proposto – e já em andamento -, atenta frontalmente contra o seu papel constitucional, e é incontornável que façamos a defesa das nossas FFAA. Em terceiro, é inafastável a constatação de que o armamento da cidadania para “a defesa da liberdade” evoca o terrível flagelo da guerra civil, e do massacre de brasileiros por brasileiros, pois não se vislumbra outra motivação ou propósito para tão nefasto projeto.

Ao longo da história, o armamento da população serviu a interesses de ditaduras, golpes de estado, massacre e eliminação de raças e etnias, separatismos, genocídios e de ovo da serpente do fascismo italiano e do nazismo alemão.

No plano da segurança pública, mais armas invariavelmente movem para cima as estatísticas de homicídios, feminicídios, sequestros, impulsionam o crime organizado e as milícias, estando sempre associadas ao tráfico de drogas.

Por essas razões, Estados democráticos aprovam regulamentos rígidos para a sua concessão aos cidadãos, seja para a posse e, mais ainda, para o porte. Dramaticamente, Srs. Ministros, estamos indo em sentido contrário à vida, bem maior tutelado pela lei e nossa Constituição, da qual sois os guardiães derradeiros.

Em 2018, pela primeira vez em muitos anos, revertemos a curva das mortes violentas, por meio de um amplo esforço que culminou com a lei do Susp – Sistema Único de Segurança Pública -, que permanece inexplicavelmente inoperante. Hoje, lamentavelmente, as mortes violentas voltaram a subir em no corrente ano e no ano anterior, enquanto explodem os registros de novas armas em mãos do público: 90% a mais em 2020, relativamente a 2019, o maior crescimento de toda série histórica, segundo dados da Polícia Federal.

Com 11 milhões de jovens fora da escola e do trabalho, os “sem-sem”, vulneráveis à cooptação pelo crime organizado, a terceira população carcerária do planeta – 862.000 apenados, segundo o CNJ, e um sistema prisional controlado por facções criminosas, polícias carentes de recursos, de meios e de ampla reforma, mais armas em nada resolvem o nosso problema de violência endêmica – antes a agravam e nos tornam a todos reféns.

Está, portanto, em vossas mãos, em grande parte, impedir que o pior nos aconteça. Por isso apelamos para a urgente intervenção desta egrégia Corte, visando conjurar a ameaça que paira sobre a Nação, a Democracia, a paz e a vida.

Lembremo-nos dos recentes fatos ocorridos nos EUA, quando a sede do Capitólio, o congresso nacional americano, foi violada por vândalos da democracia. Nossas eleições estão aí, em 2022. E pouco tempo nos resta para conjurar o inominável presságio.

Respeitosamente,

Raul Jungmann

Mundo Corporativo: cultura organizacional foi fundamental para enfrentar a pandemia, diz Marcelo Pimentel, CEO da Lojas Marisa

“Ao não dar a devida importância à cultura, toda a estratégia desmorona com muita facilidade”

Marcelo pimentel, ceo da lojas marisa

A cultura organizacional foi primordial para as empresas enfrentarem quase um ano de pandemia. A opinião é de Marcelo Pimentel, CEO da Lojas Marisa, uma das principais redes de varejo de moda do País, que, no início desse crise, em março de 2020, teve de fechar todas as suas lojas físicas. Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN, Marcelo lembrou frase clássica de Peter Drucker, referência global em administração de empresas: “a cultura come a estratégia no café da manhã”.

Para impedir que a estratégia desmoronasse, diante das restrições iniciais, das transformações necessárias e da retomada das atividades, ainda com clientes inseguros, Marcelo diz que a transparência na relação com os colaboradores foi um dos pontos principais. Segundo ele, todas as ações planejadas estavam baseadas em quatro pilares:

  • cuidar dos colaboradores
  • cuidar da saúde financeira da organização
  • cuidar da comunicação com os clientes
  • criar grupo para planejar a reabertura das lojas

Ainda dentro da questão cultural, o executivo, que assumiu o comando do grupo em julho de 2019, explica que foi possível construir com os colaboradores a ideia de co-participação na gestão, fazendo com que eles trabalhassem com a cabeça do dono do negócio:

“A grande maioria das melhores ideias não vai vir de nós líderes, vão vir deles que estão lá no dia a dia, na ponta, na frente de batalha. Não desperdice todo esse conhecimento e, junto com os colaboradores, traga uma decisão que seja do time. Muitas vezes, o time tem problemas de aceitar o direcionamento quando ele não participa desse processo, ele não é minimamente ouvido”

Para que prospere a ideia de os funcionários atuarem como a mentalidade do dono do negócio, Pimentel recomenda:

“Quando você olha para empresas consolidadas um dos grandes aprendizados que a gente tem com elas é exatamente o fato de ‘erra pequeno, erra rápido, corrige e cresce’. É isso que a gente tem promovido. O medo de errar muitas das vezes é maior do que a vontade de acertar, e isso emperra o crescimento das empresas”

Das mudanças que surgiram na pandemia, o CEO da Lojas Marisa acredita na ideia de que a transformação tecnológica avançará ainda mais, pois muitos clientes que nunca tinham feito uma compra online foram conquistados por essa experiência. Quanto a tipos de produtos, ele identifica que as roupas confortáveis ganharam protagonismo em relação as roupas de trabalho. Um exemplo é que a venda de sapato alto caiu, enquanto a de tênis, chinelos e rasteirinhas aumentou.

Mesmo com o crescimento do comércio eletrônico, Marcelo Pimentel entende que as lojas físicas seguem sendo relevantes, mas com experiências distintas e novos elementos. A jornada dentro do espaço físico será mais rápida com o funcionamento do sistema ‘clique e retira’ —- mais de 45% da venda digital é nesse modelo, informa —-, checkout móvel e compra digital na própria loja, com entrega na residência.

Na entrevista, o CEO da Lojas Marisa anunciou que, no segundo semestre, será lançada uma nova plataforma digital da rede de varejo. Como o foco desse espaço será a “autoestima da mulher brasileira”, Marcelo contou que o grupo decidiu abrir mão de produtos que mais vendem para mulheres —- os de higiene da casa, por exemplo —- porque não faziam sentido para o propósito do negócio. 

Para uma rede de varejo de moda feminina, que tem como lema “de mulher para mulher”, chama a atenção o fato de o comando está sob responsabilidade de um homem. Quanto a isso, Marcelo Pimentel, apesar de surpreendido com o questionamento, lembra que é filho de uma mulher, casado com uma mulher e pai de duas mulheres. Já na Lojas Marisa, mãos de 78% da liderança é feminina, mais da metade das cadeiras do conselho de administração é ocupada por mulheres, e mais de 30% da liderança executiva, também:

“A pergunta é super justa, talvez um dos meus desafios e legados seja achar uma transição para uma CEO mulher; e fica uma dica importante para mim e eu agradeço”.

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