Como a Inteligência Artificial na Moda reduzirá liquidações, preços e poluição

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

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Foto: Pixabay

 

 

Um dos mais inovadores autores organizacionais da era moderna, Eliyahum Goldratt, após desvendar as restrições dos processos industriais quando focou nos gargalos, levou adiante o raciocínio para a distribuição dos produtos fabricados. E enquanto na área industrial o gargalo era o inimigo a ser encontrado, no varejo o desafio era a previsão de vendas.

 

O israelense Goldratt, já físico renomado, passou a dirigir sua atenção para os desafios corporativos ao adentrar inicialmente nos problemas dos processos industriais.

 

Sua metodologia inspirada na física e denominada de Teoria das Restrições (TOC-Theory of Contraints) foi aplicada com sucesso. O conceito das restrições em otimização matemática é limitativo — por exemplo,  X não pode ser maior do que 5 –, mas nas organizações a restrição é dispersa, como algo que está impedindo o melhor rendimento, mesmo quando nada está errado. Pode ser problema com equipamentos, pessoas, sistemas e no caso de vendas poderá estar partindo de uma previsão imprecisa.

 

A contribuição de Goldratt para a distribuição e alocação do sortimento adequado foi expressiva, mas é com a IA — Inteligência Artificial que haverá uma aproximação da velha obsessão pela mercadoria certa no momento certo e de forma certa.

 

O mundo da Moda, pela evidência em valor, US$2,4 trilhões anuais; pela empregabilidade, a segunda maior absorvedora de mão de obra; e, também, pela incomoda posição de ter a cadeia produtiva das mais poluidora e o consumo com alto desperdício; é um setor promissor para reter os benefícios da Inteligência Artificial.

 

Além disso tem inúmeros SKU (Stock Keeping Unity – Unidade de Manutenção de Estoque) o que lhe dá uma complexidade acima do padrão geral de produtos. Por exemplo, se for uma mercadoria de moda podemos ter o estilo, a estação, o produto, o modelo, a cor e o tamanho.

 

De acordo com reportagem da Época Negócios (acesso restrito a assinantes), a Renner está implantando a Inteligência Artificial para o abastecimento das lojas. Inicialmente o sistema teve que ser ampliado para absorver as variáveis e suas combinações na composição do sortimento adequado, pois apenas com 5 tamanhos e 3 cores, surgirá 15 opções para considerar.

 

No caso de Moda e de distribuição para as várias regiões brasileiras, com diferenças climáticas, antropométricas, culturais, o sortimento terá que atender a essas variáveis, procedendo a um sistema de “n” combinações.
Os resultados na Renner, de acordo com a Época, foram positivos e gerou aumento de 12% nas vendas e a redução de 18% no estoque. O nível de atendimento evoluiu, a cada 10 clientes 9 são atendidos e apenas um não encontra o produto que procura.

 

Com a meta de 17% do abastecimento ficar a cargo da IA, e com isso obter aumento de 5% nas vendas e redução de estoque de 10%, considerando 97% de nível de atendimento previstos para este ano, a Renner deverá reduzir a liquidação, reduzir os preços e reduzir a poluição. Afinal, menor sobra, indicará melhor monitoramento dos recursos escassos e das restrições.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

 

Do mito de narciso às “carteiradas”: saiba com quem você está falando!

 

Por Simone Domingues
@simonedominguespsicologa

 

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foto: Pixabay

 

Na mitologia grega, Narciso era um herói reconhecido por sua beleza, mas era orgulhoso e tinha uma arrogância que ninguém conseguia modificar. Devido à tamanha beleza, Narciso era indiferente aos sentimentos alheios, vivia sozinho e desprezava as outras pessoas por acreditar que ninguém era merecedor de seu amor. Incorrigível, recebeu como castigo dos deuses apaixonar-se pela própria beleza, refletida num lago. Permaneceu ali, contemplando sua imagem, definhando até a morte.

 

O mito de Narciso simboliza a importância exagerada atribuída à autoimagem, o excesso de vaidade e a tendência a desvalorizar outras pessoas para manter a superioridade. Para os gregos os excessos ou aquilo que passasse da medida, que fosse exagerado, promovia o desequilíbrio nas condutas humanas e era um empecilho à virtude, a capacidade de agir com prudência e bom senso.

No Brasil, o comportamento de superestimação de si mesmo é frequentemente evidenciado em situações conhecidas como “carteiradas”, nas quais a ideia de superioridade é revelada pela conhecida frase: “você sabe com quem está falando?”.

Análises históricas e sociais buscam compreender os motivos pelos quais tal atitude parece tão enraizada em nossa sociedade. O antropólogo Roberto Da Matta, em entrevista recentemente publicada pelo portal G1, indicou o forte componente aristocrático da sociedade brasileira, avesso ao igualitarismo pelo desejo de manter privilégios, numa sociedade na qual ter privilégios é equivalente a não ter limites.

 

Na mesma reportagem, a historiadora Lilia Schwarcz avaliou que essa cultura da “carteirada” cresceu num ambiente em que historicamente poucos mandavam e muitos obedeciam:

“O sistema colonial e o esquema de capitanias hereditárias, o regime escravocrata que perdurou por mais tempo aqui do que em outros países, o coronelismo e o nepotismo político que confunde as esferas do público e do privado deram condições para a carteirada reinar”.

Na psicopatologia, o perfil caracterizado por um padrão de grandiosidade, necessidade de ser admirado e falta de empatia é compreendido como um transtorno de personalidade: o transtorno de personalidade narcisista. Esse transtorno, de causa ainda desconhecida, atinge aproximadamente 1% da população, sendo mais frequente em homens e pessoas mais jovens.

 

Pessoas com transtorno de personalidade narcisista superestimam suas habilidades, julgando-se superiores ou mesmo especiais. Há uma preocupação excessiva em serem admiradas por seus talentos, com supervalorização de aspectos como inteligência, beleza, poder e influência. A necessidade exagerada por admiração torna essas pessoas muito sensíveis às críticas, podendo reagir com raiva, desprezo e até mesmo de maneira agressiva. Suas atitudes frequentemente envolvem falta de empatia, arrogância e a ideia de que suas vidas são invejadas pelas outras pessoas, que são vistas como inferiores.

 

Ter uma boa imagem de si mesmo e confiança na capacidade de realizar coisas permite um relacionamento saudável conosco e com as demais pessoas. Mas como desde a antiguidade já alertavam os gregos, o problema está no excesso.

 

Confesso que algumas vezes já ouvi a frase “você sabe com quem está falando?” e, muitas vezes sem poder responder exatamente o que eu pensava, me fixava na resposta: “não sei, mas posso imaginar”.

 

Oh, Narciso! Mal sabia que aprisionado à imagem refletida para si mesmo, não compreendia que as águas para as quais olhava eram mais profundas.

 

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, e escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Sem blog e sem solução, mas com direito a mais um pôr do sol na minha vida

 

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Uma barbeiragem burocrática tirou este blog do ar por três dias —- menos do que isso até, porque o problema apareceu no meio do sábado e foi resolvido ao longo da segunda-feira. Pareceu-me uma eternidade. O recado que recebi era de que o administrador tentava avisar o proprietário do site dos motivos que impediam sua publicação e pedia para que os leitores do blog —- ou aqueles que tentassem acessá-lo —, o avisassem: “queremos garantir que eles recebam a mensagem”.

 

O fim de semana foi de rara paz no coração —- proporcionada por uma escapadela para uma área pouco habitada, distante de qualquer pessoa e com acesso à moradia sem risco de contaminação — nem de vírus nem de gente. Higienizada com 72 horas de antecedência e acesso remoto, cercada por uma reserva ambiental privada e todo sua flora e fauna à solta, a casa era o que, nestes tempos de paranoia sanitária, sem pestanejar, eu definiria de paraíso — com direito a pôr do sol, até porque não há paraíso sem pôr do sol (e outro dia podemos falar sobre isso).

 

Tinha até Wi-Fi e sinal 4G conectando você ao mundo. Abri mão desse privilégio e preferi afastar-me do celular na medida do possível — minha gurizada, como trabalha no remoto, mesmo no fim de semana, precisava dessa tecnologia à disposição.

 

Claro que caí em tentação. Já passavam das duas da tarde quando resolvi dar uma olhadela na tela do celular e me chamou atenção entre as centenas de notificações do WhatsApp a mensagem do Ric, amigo querido e colaborador deste blog (há algum tempo ele tem dado preferência ao Instagram). Foi ele quem me alertou para as dificuldades de acessar o blog — confesso que fiquei feliz, não pelo bloqueio, mas por saber que o Ricardo Ojeda Marins (é assim, com nome e sobrenome que ele assina seus texto) segue me seguindo. Aliás se você quiser ler as inúmeras colaborações que o Ric já fez ao blog, acesse este link.

 

Dali em diante foi aquela maratona que você conhece bem quando dá problema na sua internet, no seu perfil em uma rede social ou em qualquer outro serviço digital ou não. Escreve para quem você acha que entende. Espera que quem você acha que entende escreva para quem ele acredita realmente entender. E de repente você é surpreendido por alguém que você achava que entendia lhe fazendo uma pergunta típica de quem não entende o que você, claro, entende menos ainda, caso contrário não precisava sequer fazer a pergunta que deu início aquele círculo de desentendimento.

 

O círculo de desentendimento persistiu no fim de semana todo e invadiu a segunda-feira. O blog seguiu alertando aos caros e raros leitores que “o mapeamento deste domínio expirou e precisa ser renovado” — que no balcão do bar significava que “esse cara que você curte ler, é caloteiro ou esquecido, porque até agora não pagou a conta da renovação do contrato”.

 

Mais de quatro meses de quarentena, dezenas de sessões de terapia e algumas caixas de remédio —- tarja preta, vermelha, rosa e todas demais cores que pintam como solução terapêutica —-, me ensinaram que se não tem como resolver o problema agora, o problema está resolvido (nem que seja por agora). E só voltará a sê-lo quando a busca por uma solução estiver a seu alcance.

 

Joguei o celular sobre as roupas que estavam espalhadas no chão do quarto, fechei o computador e o deixei descansando sobre o edredom emaranhado que cobria os pés da cama. Desliguei-me da tecnologia. E conectei-me comigo mesmo.

 

Troquei as tramas do passado, as encrencas do futuro e os problemas sem solução do presente pela grama que se estendia da porta da casa até a beirada da montanha —- uma geografia que se transformava em mirante natural para apreciar a figueira e todos os seus majestosos galhos que cresceram alguns andares abaixo.

 

Aproveitei um tiquinho de vida que ainda se faz presente no nosso cotidiano tão cheio de morte e luto — e fiquei feliz em saber que depois de me sentir cidadão privilegiado por ter uma família ao lado, uma saúde, física e mental, capaz de sempre se recuperar, e o direito a apreciar mais um dia que fosse de pôr do sol, aquele problema tecnológico deixou de ser problema, a solução foi oferecida nesta segunda-feira e o blog segue seu rumo, conversando todos os dias com seus caros e raros leitores — cada vez mais caros e raros.

Sua Marca: culpar o serviço terceirizado é culpar a si mesmo

 

“Uma marca, por exemplo, que está vendendo excelência, ela tem que entregar excelência em todos os pontos de contato, sejam eles internos ou sejam terceirizados”

Terceirizar a prestação de serviços no seu negócio pode ser opção diante das dificuldades impostas pela pandemia —- no entanto, os cuidados para a contratação dessas empresas devem ser redobrados levando em consideração as novas exigências impostas pela realidade e pelo cliente. Jaime Troiano e Cecília Russo falaram desse tema com o jornalista Mílton Jung, no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN.

 

A relação do cliente é com a marca, portanto não interessa se o serviço de manobrista oferecido pela empresa é próprio ou terceirizado. Para o consumidor, o carro comprado em uma concessionária pode ter até serviços instalados por outras empresas —- por exemplo, a blindagem ou o sistema digital a bordo —, mas para ele o seu interlocutor é a própria concessionária.

 

Esses foram dois dos exemplos que Jaime e Cecília trouxeram para a conversa desse sábado, em que alertaram para a necessidade de os gestores de marcas padronizarem o tipo de atendimento aos clientes independentemente da empresa que esteja prestando esse serviço. Lembraram que a terceirização não justifica erros que sejam cometidos em qualquer um dos pontos de contato com os consumidores

“O serviço terceirizado tem de ser feito quase como se fosse alguém da própria empresa; desde a forma como se apresenta o uniforme que você usa, a linguagem
que você fala, por isso a seleção dos profissionais é fundamental numa escolha de empresa terceirizada, para que eles representem a marca”— Jaime Troiano

A sugestão para que esses serviços agregue valor a marca —- em vez de causar dor de cabeça ao consumidor —- é seguir o alerta que aparece nas placas de aviso de travessia em linha férrea: pare, olhe e escute. Esse é um exercício essencial para identificar se vale a pena terceirizar alguns serviços do seu negócio.

“Tome cuidado para não descuidar do cuidado com sua marca”, brinca com as palavras Cecília Russo.

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN. Você pode acompanhar todos os comentários também em podcast.

Conte Sua História de São Paulo: a coragem além-mar da vó Antônia

 

Por Neusa Pereira
Ouvinte da CBN

 

 

Antônia senta–se à porta da cozinha e olha pro terreiro. Pensativa vê sua horta. As galinhas ciscam aqui e ali. A parreira de uva que começa a cachear. Sente uma enorme tristeza. Como que uma saudade antecipada. Talvez nunca mais veja tudo aquilo. Já pensara na situação. Uma grande guerra havia chegado à Europa. A primeira de muito tempo. Não se lembrava de ouvir falar de uma assim. E tudo a assusta. Chora quando vê a fila de moços da vizinhança passar pela sua porta. Seguem pra ajudar as tropas de Portugal. Ela, com um único filho ainda adolescente, o Jaime, não tem, no momento, essa preocupação. Mas, seu coração se condói ao ver as famílias vizinhas chorosas e aflitas. Tinha raiva dos ingleses.
Ouvira dizer que, era por culpa deles que seu país se aventurava no inferno.

 

Aos pés de Nossa Senhora da Conceição, ao lado da cama, Antônia reza. Que proteja aquelas crianças que já empunham um fuzil. Que conforte, dê esperança e força. Ora também por ela e pela família. Que encontrem uma alternativa. Uma saída pra fugir da guerra. Com olhos fixos na santa, espera. Uma mensagem. Um alento. Olhos nos olhos. Pensamentos nos pensamentos. E, Antonia, então, silenciosamente, abaixa a cabeça e, como que respondesse a alguém murmura pra si mesma: sim, farei isso.

 

Naquela noite, na mesa do jantar: pão, sopa de fubá com couve, azeite e vinho caseiro. O de quase sempre. Silenciosa, Antônia faz seu prato e, com ele ainda parado no ar, arranja forças e sentencia: “A guerra está a chegar cada vez mais perto. Vamos ter que ir embora. Deixar nossa casa. E, vamos para o Brasil.”. O filho apenas olha pra ela. O marido, Pompeu, homem de saúde frágil, de pouca conversa e, de muito respeito pela mulher, naquele dia diz zangado: “Estás a variar mulher? Sabes onde é o Brasil? Tens ideia que vamos a atravessar um oceano inteiro pra lá chegar? Sabe-se lá quantos dias, com a saúde que tenho?”
Sei, sei, respondeu Antônia impaciente. Sabia que o marido era doente. Ia ser penoso. Mas não ia esmorecer. “Raios, diz ela, e vamos pra onde homem de Deus? Queres ficar aqui? Esperar bomba a cair em nossa porta? Soldados a fuçar a casa? A nos matar? Exageras, fala o marido. Então, ficas. Vou e levo Jaime”, finaliza Antonia. Silêncio. Marido e mulher se olham. Começam a jantar. Como se o assunto houvesse terminado. Pra lá iremos! Pensava ela.

 

Longe sabia que era. Ela já ouvira falar. Mais de mês de viagem. Mas, lá, tudo havia de se arrumar. Brasil não era a terra que um português legítimo, o Cabral, havia posto no mapa? Terra onde até a mesma língua se falava? E, quantos patrícios sabia estarem por lá! Sofria ao pensar. Talvez mais que todos. A decisão era dela.

 

Dia nublado, sacos, sacolas, malas, caixotes. Rosário preto nas mãos. Com sua saia comprida e lenço na cabeça, Antônia, Pompeu e Jaime, embarcam para o Brasil. Terceira classe com dezenas de outras famílias. Está aliviada.
Dias e dias a viajar. Olhar o mar. Pensar no futuro. Esperar. Então, ao longe, sombras no horizonte. Terra. Brasil, ali! Emocionada, ajoelha e reza. Agradecimento, alegria, esperança. Chora. Na fila do desembarque, segura firme a mão de Jaime. Se sente forte, protetora, capaz.

 

Assim, a mulher analfabeta, camponesa de Trancoso, começa uma nova vida. Enfrenta dificuldades. Encontra soluções. Trabalha. É mão forte no orçamento e nas decisões da casa. Como milhões de outras mulheres corajosas e valentes do mundo daquela época, Antonia, sem saber, engrossa as fileiras dos que aprendem na necessidade. Na luta. Na briga pela sobrevivência. E, ela, aprendeu ,porque decidiu. Empreendeu, construiu. Criou uma nova família brasileira. Empoderavam-se as mulheres do mundo. Empoderava-se dona Antônia da Conceição Pereira, minha avó.

 

Neusa Pereira e dona Antônia da Conceição Pereira são personagens do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreve você também mais um capítulo da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br

Mundo Corporativo: diálogo e empatia ajudam a corrigir erros na pandemia, ensina Fabile Migon, da Zoop

 

 

“A gente bota todo foco em empatia. Empatia é a nossa chave para cuidar e saber como as pessoas podem e devem lidar nesse momento que a gente esta vivendo” — Fabile Migon, Zoop

Para os profissionais responsáveis por cuidar dos colaboradores dentro das empresas, a necessidade de manter um relacionamento à distância se transformou em mais um enorme desafio nesta pandemia. Mesmo em setores em que a tecnologia é a base do negócio, como no caso da Zoop, uma plataforma de serviços financeiros e meios de pagamento, a adaptação exigiu esforço redobrado. No caso de Fabile Migon, entrevistada do programa Mundo Corporativo da CBN, havia outro complicador: ela havia assumido a vice-presidência de Gente e Cultura da empresa cerca de dois meses antes de as atividades serem paralisadas no escritórios e todos os colaboradores terem de trabalhar em casa.

“(Quando) você vive este estresse, você vive esta ansiedade, você tem dois pólos:: pegar essa adrenalina; e vamos fazer acontecer; e aquilo te dá gás, te dá energia, te dá foco, motivação e brilho nos olhos e segue em frente; ou você pega esse estresse e paralisa: medo, receio, ansiedade”

Para Fabile Migon, um das estratégias que deram certo na empresa foi a de manter as mesmas características que os colaboradores reconheciam na Zoop: ser humana, divertida e leve com os colaboradores. Uma das ideias foi dar seguimento a programas realizados dentro do escritório como o de as equipes tomarem café da manhã juntos para conversar sobre os mais variados temas, desde que não estivessem relacionados ao trabalho nem a pandemia. Para isso foi criado o programa #cafécomgente em que os profissionais se conectam online e falam de séries, livros e assuntos que podem trazer mais humanidade para o ambiente de trabalho.

 

As reuniões do CEO com os colaboradores aumentaram de frequência para que houvesse maior transparência sobre os cenários que a empresa estava enfrentando. Além disso, foi criado um atendimento terapêutico exclusivo, em que os funcionários podiam ligar a qualquer momento para falar de suas ansiedades e preocupações.

“Então, o diálogo, a comunicação, a proximidade, a empatia faz com que a gente vá corrigindo coisas ao longo do caminho e não deixe para corrigir lá na frente; a ponto de ‘meu Deus, as coisas já aconteceram e a gente não foi corrigindo’. Então, é humanidade mesmo. É você estar próximo das suas pessoas que é o maior ativo que a gente tem”.

O Mundo Corporativo é apresentado pelo jornalista Mílton Jung e vai ao ar aos sábados no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. O programa também está disponível em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Avalanche Tricolor: deixe-me ser feliz ao menos até o apito final

 

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Campeonato Gaúcho
Centenário/Caxias do Sul-RS

 

 

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Foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

 

 

O futebol é um negócio estranho. Faz da gente criança. Faz perder a lógica. O senso.

 

Tem quem prefira desdenhar. Intelectualizar. Contextualizar.

 

Sou do primeiro time: dos sem noção quando a bola rola. Já fui pior. Brigava. Sofria. Chorava. Hoje, brigo com a minha razão. Sofro do meu coração. E só choro na emoção da alegria ou quando busco na memória as experiência passadas.

 

Havia assumido o compromisso de que só voltaria a assistir aos jogos e a escrever esta Avalanche quando a pandemia passasse. Retornar aos campos com tanta gente sofrendo não faria nenhum sentido. Expor profissionais à prática do esporte e centenas de tantos outros que dependem dele, seria um risco à saúde. E jamais poderia ser conivente com tal situação.

 

Pois bem, o futebol voltou. E quando digo futebol, digo o Grêmio voltou, porque é ele quem me faz criança, perder a lógica, e o senso, por mais razoável que queira parecer. E voltou no maior clássico da Terra —- da minha terra ao menos. Uma provocação a qualquer das minhas convicções. Quase que a desafiar minha índole e a reputação que tento preservar diante da família.

 

Inventei para mim mesmo que só veria a partida para entender a dinâmica de um jogo na pandemia e sem torcida; ser apresentado aos protocolos sanitários em um campo de futebol; analisar a insensatez de cartolas e autoridades. Por isso sentei no sofá diante da TV com cara de constrangimento, olhando de revesgueio os primeiros movimentos — como se tudo aquilo não me pertencesse.

 

Queria enganar a quem?

 

O futebol me pertence, sim. Faz parte da minha vida. Nele amadureci, de criança virei adolescente para me transformar em adulto, forjei minha personalidade e vivenciei alguns dos momentos mais felizes ao lado de meu pai — e tenho saudade daquela vivência que o tempo e a saúde me tiraram.

 

Por que sentir vergonha pelo que meu coração insistia em sentir sempre que o Grêmio partia para o ataque? Dos dribles de Matheus Henrique, Jean Pyerre e Everton? Pela satisfação do passe bem passado e da bola bem rolada? Pelo orgulho de ver Geromel e Kannemann sendo gigantes, tão gigantes quanto imaginamos que eles sejam?

 

Às favas!

 

Gritei pelo pênalti bem marcado. Lamentei a cobrança mal feita. Vibrei com o desarme do setor defensivo e comemorei o gol enviesado de Jean Pyerre.

 

Mesmo sabendo que nenhuma dessas reações fossem suficientes para apaziguar meu coração que tem estado triste pelas mortes e descalabros que vivemos no Brasil, dei-me o direito de ser feliz ao menos por 90 minutos de um jogo bem disputado apesar de mal jogado.

 

Era só isso que eu queria: um naco da felicidade que nos foi roubada nesses mais de quatro meses de confinamento. E o Grêmio me ofereceu mais este momento de vida.

 

Não me julgue! Só me deixe ser feliz nem que seja até o apito final, porque nunca saberemos quando este final cruzará nosso caminho.

 

Fique tranquilo: minha felicidade não é suficiente para tirar meu senso, minha razão e meu olhar crítico a tudo que está acontecendo neste país.

 

Fique em paz, cuide-se e busque a sua felicidade onde ela estiver — mesmo que esteja correndo atrás de uma bola de futebol.

Uma estreia abençoada pelo Frei Damião

 

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Uma pilha de DVDs está ao lado da mesa de trabalho no aguardo do cumprimento de uma das promessas que fiz no início desta quarentena que já se estende por mais de quatro meses. A primeira foi organizar a biblioteca —cumprida pouco depois de completar um mês confinado. Mesmo que os livros não tenham sido colocados de maneira que me ajude a encontrá-los com a rapidez que gostaria, acredito ter passado no teste de aprendiz de bibliotecário.

 

Desisti da promessa seguinte, assim que percebi que a quantidade de fotografias impressas —- sou do tempo em que este era um hábito comum na família brasileira, imprimir imagens —— superava minha capacidade de colocá-las em ordem cronológica nos álbuns disponíveis. Devolvi um monte delas para o baú. Quem sabe na próxima pandemia.

 

O que hoje é DVD já foi fita magnética com gravação helicoidal, que vinha enrolada dentro de uma caixa de plástico, que “desenrolava” quando introduzida em um aparelho de videocassete —- naquela época, comprado em consórcios organizados por amigos, conhecidos ou colegas de trabalho. A vida útil das fitas de videocassete era bem menor do que a dos DVS, tendiam a perder qualidade, “enrugavam” a imagem e criavam mofo se guardadas de maneira inadequada. Com a habilidade de um amigo, todas aquelas mídias mais antigas ganharam proteção digital. Foram convertidas em DVDs e ficaram por anos guardadas no fundo de um armário.

 

Nestes dias, decidi iniciar a tarefa de assistir ao que estava armazenado em cada uma dessas mídias. Empilhei o material e comecei abrir a caixa de pandora da minha vida profissional. Lá estavam minhas participações em um tempo em que ainda era Mílton Júnior — assim mesmo, com dois acentos agudos, um nome e nenhum sobrenome. Era como me chamavam em Porto Alegre e como migrei para São Paulo, em primeiro de janeiro de 1991.

 

Cheguei aqui com emprego garantido na TV Globo, algumas semanas depois de ter feito um teste meio sem querer quando estava de passagem pela capital paulista. Minha experiência em reportagem televisiva se resumia a algumas poucas pautas feitas na época em que trabalhei no SBT, em Porto Alegre, onde havia sido contratado para participar da equipe de coordenação do novo telejornal da casa. Isso lá em 1989.

 

Apresentei-me na sede da TV Globo, ainda na praça Marechal Deodoro, no bairro da Barra Funda, pouco antes da meia-noite do dia 6 de janeiro. Nervoso, deslocado, roupa pouco alinhada e uma franja do tamanho do meu atrevimento, fui apresentado à redação —- praticamente vazia naquele horário —- pelas mãos do chefe de reportagem da madrugada, João Montenegro, uma espécie de anjo da guarda que passou na minha vida. Ajudou-me a entender a cidade, levou-me ao primeiro ensaio de uma escola de samba, sentou-se comigo em um bar qualquer da região, compartilhou alguns amigos e tentou me guiar até onde era possível nos corredores do jornalismo global.

 

A primeira madrugada de trabalho passou em branco. Nenhuma ocorrência que merecesse registro. Era uma sensação estranha, entre o alívio de não ser testado e passar vergonha logo de cara e a decepção de não emplacar uma reportagem na minha estreia. Antes do dia amanhecer, porém, veio o desafio: fui escalado para entrar ao vivo no Bom Dia São Paulo, apresentado por Carlos Tramontina —- outro mestre na minha carreira. Para quem havia trabalhado até então a maior parte do tempo em rádio, falar ao vivo não chegava a ser um drama, desde que não tivesse uma câmera ligada à sua frente e milhares de pessoas assistindo você na maior emissora de televisão do país.

 

 

Meu cenário de estreia foi a fachada do Hospital São Paulo, na Vila Mariana, onde estava internado Frei Damião —- frade capuchinho, teólogo, considerado milagreiro, especialmente no Nordeste, onde fazia suas longas e corajosas caminhadas para pregar a palavra de Deus, apesar do encolhimento da coluna vertebral que o deixava cada vez mais corcunda com o passar dos anos. Na época estava com 92 anos —- viria a morrer seis anos depois —- e todos os seus passos eram acompanhados com veneração e generosidade. O estado de saúde dele, portanto, era notícia de interesse público.

 

Informações apuradas, texto pensado e a mente travada pelo medo antecederam a minha estreia naquela manhã. Pedi a quem pudesse me ouvir lá no alto — nem quem fosse logo ali no 13º andar, onde ficava o quarto de Frei Damião — que me desse uma luz para espantar o nervosismo e cumprir a tarefa da maneira menos constrangedora possível. Ensaiei o texto uma, duas, dez vezes. Minha entrada no jornal seria pouco depois das sete e meia da manhã. Uma hora antes, recebo uma ordem pelo rádio de comunicação: é preciso gravar um boletim para a TV no Recife, terra que o frade havia adotado como sua desde que veio da Itália, em 1931. Tudo o que havia preparado para dali a pouco, seria obrigado fazer aqui e agora.

 

Sem muito tempo para pensar —- ainda bem, porque se tivesse teria saído correndo —-, o cinegrafista deu o sinal e eu tive de mandar ver. Disparei a falar o texto que estava planejado. Fui sem respirar. Do início ao fim. Mal consegui prestar atenção no que eu mesmo dizia. Só queria encerrar em segundos aquele minuto de gravação. Assim que assinei a reportagem, com um “Mílton Júnior, de São Paulo”, ouvi alguém da equipe dizer: boa, agora vamos para o ao vivo.

 

O ao vivo não chegou. Um problema técnico impediu o envio do sinal para a sede da TV. Tudo que tive de fazer foi repetir para São Paulo o mesmo boletim enviado para o Recife. E, a partir daquele momento, com a certeza de que eu era capaz — com as bençãos do Frei Damião.

Voo de fênix: estratégias resilientes

 

Por Simone Domingues
@simonedominguespsicologa

 

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Foto: Pixabay

 

Vários povos da antiguidade utilizavam os mitos para explicar diferentes questões da vida humana. Um desses mitos refere-se à fênix, um pássaro lendário que, após morrer, ressurge das próprias cinzas. Não bastasse o seu renascimento, a fênix ainda tem como característica uma força extraordinária, capaz de carregar cargas muito pesadas durante o voo.

 

Devido a esse caráter simbólico, envolvendo renascimento, superação e esperança no futuro, a fênix tem sido frequentemente associada à resiliência, termo usado em Psicologia para explicar a capacidade de enfrentar e superar situações desafiadoras ou dramáticas, mantendo-se física e psicologicamente saudável.

 

Se houve um momento em que buscávamos compreender os fatores que levavam ao adoecimento, hoje há um interesse crescente em compreender os mecanismos pelos quais uma pessoa mantém a saúde mental, apesar das adversidades. Vários fatores estão associados à capacidade de resiliência, como autoestima, autoconfiança, criatividade, relacionamentos com familiares e amigos, habilidades sociais e espiritualidade.

 

Diversos estudos têm sido conduzidos, com o rigor científico e metodológico, e apontam que o envolvimento espiritual – capacidade de ter um sentido para a vida, independentemente de estar ou não relacionado com religião – está associado ao bem estar psicológico, como satisfação com a vida, felicidade e afetos positivos (o que não significa que pessoas que não têm atividades espirituais não sejam resilientes).

A capacidade de enfrentar as dificuldades e superá-las não é uma característica que temos determinada em nós, mas um conjunto de estratégias que vamos treinando e desenvolvendo desde a infância. Envolve aceitação, altruísmo e autorrealização: aceitar o que não se pode mudar; fazer algo para ajudar outras pessoas; realizar coisas importantes para nós. Em geral, as pessoas lidam melhor com as dificuldades e têm mais esperança quando a vida tem um significado, um propósito.

 

Para os que acham que pode ser tarde demais acreditar na capacidade de superação ou ter projetos para o futuro, cito aqui um trecho da poetisa Cora Coralina, considerada uma das maiores expressões da poesia moderna, cujo primeiro livro foi publicado quando ela tinha 75 anos:

“Nasci em tempos rudes. Aceitei contradições, lutas e pedras como lições de vida e delas me sirvo. Aprendi a viver”.

A resiliência não diminui as durezas da vida, não extingue as dores, mas minimiza o sofrimento e nos permite seguir em frente, com esperança em dias melhores. Otimismo? Pode ser, mas prefiro chamar de coragem. Como no mito da fênix, ainda que a carga seja pesada, que o renascimento (ou a resiliência) nos encoraje e nos habilite a buscar voos mais altos.

 

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, e escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

O digital permite, sim, a retomada das feiras de negócios

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Reprodução da fachada virtual da feira

 

De 27 a 31 de julho estará em operação uma reprodução online da feira física da Coopercitrus-Cooperativa de Produtores Rurais de Bebedouro/SP. A Coopercitrus Expo Digital exibirá um ambiente 360º desenvolvido em 3D, recriado em computação gráfica, para possibilitar ao visitante virtual, caminhar pelos corredores e stands dos expositores, numa réplica do mundo físico.

 

Como observador da movimentação dos empreendedores de Feiras de Negócios, a notícia da Coopercitrus me surpreendeu. Pois embora de forma geral há um entendimento de que o mundo digital veio para ficar, não é o que tenho verificado ao acompanhar as lives dos grandes players das feiras de negócios. A ponto de considerar que Bebedouro veio em boa hora me acordar do pesadelo “De volta ao futuro” que estava acometido.

 

Ou seja, em 2000, ao aderir ao mundo digital, e atuando em Moda e no Varejo enfrentei a barreira do experimento. A incredulidade de compras sem provar, tocar, cheirar, saborear.

“Não há como comprar roupa sem provar”, ou “a internet é só prejuízo, veja a Amazon”. Eram as sentenças corriqueiras.

Hoje, como se sabe, as peças de moda são as mais vendidas no mundo digital, e a Amazon, de Bezos, o coloca como o homem mais rico do mundo.

 

Aquelas barreiras que imaginava vencidas, decorridos 20 anos, mesmo com o auxílio do devastador Covid-19, que pensava ter ajudado a curar a miopia de marketing do início do século, não foram superadas.

 

A verdade é que a evidência de que a digitalização pode enfrentar o desastre econômico e social do vírus, ainda não é entendida, e os empreendedores de sucesso das feiras do mundo físico não têm a visão da essencialidade do digital. Nem como função compulsória de atualidade e agindo como substituição ao físico, nem como omnicanalidade quando o físico estiver liberado. Em suma, o mundo físico das feiras de negócios não acredita no mundo digital para a sua operação.
Portanto, o pioneirismo dos citricultores de Bebedouro é fato a destacar e acompanhar.

 

A Coopercitrus Expo Digital, terá 130 expositores, com produtos e serviços agrícolas dentro das tendências atualizadas, para servir aos 37 mil associados da Coopercitrus e demais interessados, neste setor do agronegócio nacional e internacional — agora facilitado pela disponibilização no mundo digital.
A Feira destacará 100 consultores agrícolas que estarão apresentando os mais recentes conhecimentos da área em palestras e painéis técnicos. Programas subordinados ao sistema ILPF – Integração, Lavoura, Pecuária, Floresta, e relacionados aos Hortifrúti e à Agricultura de precisão. Ao mesmo tempo, trará um espaço destinado ao empreendedorismo feminino, para atender a demanda e oferta de ações, focando no empoderamento das “Mulheres do Campo”.

Afinal, para quem ouviu um dia que “O Brasil será o celeiro do mundo”, o AGRO sair na frente não é de todo surpreendente.

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.