Sua Marca: seis frases e um livro que ajudam você a entender o branding

 

 

 

No início deste ano, um livro com 20 frases que se transformaram em mantras do branding foram reunidas em livro com as participações de Jaime Troiano e Cecília Russo, no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, na CBN.

 

As frases têm um sentido muito forte na educação porque sintetizam o conhecimento a ser transmitido e tornam mais acessível a ideia que nossos especialistas em branding querem ensinar aos ouvintes e leitores.

 

No quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, eles destacaram seis das 20 frases que estão disponíveis no livro que você pode baixar de graça no site http://www.troianobranding.com.

 

 

  1. Branding é verbo e precisa de ações — ing traz o sentido de gerúndio, de continuidade; marca não é apenas um logo, precisa ser alimentada, ter história.
  1. Estamos obesos de informação e anoréxico de insights — o que não faltam são informações, porém entre a informação e aquilo gerar conhecimento, gerar ideia, precisa passar por um processo de depuração, e para a gestão de marcas é preciso fazer essa transformação, ter o insight.
  1. Não jogue fora o bebê junto com a água do banho — marcas precisam mudar, evoluir, olhar para frente, isso não significa jogar fora tudo o que têm de bom; é preciso, sim, mudar, mas antes saber do que não se pode abrir mão.
  1. Comunicação não é retrato — a comunicação das marcas precisa ser inspiradora: inspirar pessoas a terem, fazerem e serem aquilo que ainda não são. 
  1. Marca não é tapume — marca não esconde o que a empresa é; ela tem de revelar aquilo que a empresa é e faz de dentro para fora.
  1. Marca é uma nova forma de tribalização — as relações primárias que temos com amigos e famílias foram se fragmentando devido ao tempo e outras razões; passamos a viver de forma mais individualizada, mas temos desejos de ter laços mais sólidos com menos pessoas e mais profundamente. Algumas marcas geram essa ideia de tribo da qual você faz parte.

 

 

Ouça o programa Sua Marca Vai Ser Um Sucesso ou coloque entre os favoritos no seu agregador de podcast:

 

Da Nau dos Loucos ao tanque de roupa suja: “soluções” para os transtornos mentais

 

Por Simone Domingues
@simonedominguespsicologa

 

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Foto: Pixabay

 

Na obra o Alienista, de Machado de Assis, o médico Simão Bacamarte retorna à sua terra natal e constrói um manicômio, chamado Casa Verde, para abrigar os loucos da cidade e região. No início, as internações eram apoiadas pela sociedade, mas com os avanços de sua teoria, o médico chega a internar 75% da população, que se revolta. Então, Bacamarte revê seus estudos, liberta essas pessoas que estavam internadas e confina a outra parcela da população, invertendo seu conceito sobre a loucura: louco seria quem se mantinha estável em suas ações.

 

A busca por explicações sobre comportamentos estranhos ou anormais sempre esteve presente na história da humanidade. Documentos mostram que em 3.500 a.C., na Babilônia, já havia relatos do que hoje chamamos de transtornos mentais. Para os povos primitivos, a “loucura” não era vista como doença, mas como espíritos do mal que dominavam a pessoa e deveriam ser expulsos em rituais espirituais. Na cultura greco-romana, a loucura era decorrente do desequilíbrio de fluídos corporais. Na Idade Média, a ideia de que a doença mental era algo místico e religioso é retomada. Nessa época, a Igreja criou duas formas de controlar e isolar aqueles que apresentavam opiniões contrárias às doutrinas estabelecidas, chamados hereges: a inquisição, na qual o herege era cruelmente morto para que suas ideias não fossem difundidas; e a Nau dos Loucos, embarcações nas quais os loucos eram colocados, vagando pelos rios europeus.

 

No renascimento, a loucura passou a ser explicada de forma filosófica e o louco passa a ser visto como uma pessoa desadaptada e insignificante. Após a Revolução Industrial, o conceito de normalidade foi vinculado ao trabalho e a produtividade. O louco era visto como ocioso e improdutivo. Na tentativa de recuperação, o louco era internado, para aprender um ofício e torturado. No final do século XVIII, Pinel, médico francês, se deteve ao estudo da anormalidade, vinculando a loucura com cuidados médicos. A loucura passou a ser vista como doença mental, passível de tratamento, mas ainda reclusa aos manicômios. Após a II Guerra Mundial, o desenvolvimento da indústria farmacêutica e a descoberta de medicações permitiram o tratamento ambulatorial, ou seja, fora das instituições.

 

Se por um lado o interesse com a doença mental, especialmente na última metade do século passado, despertou o avanço de estudos científicos, como o desenvolvimento das neurociências; por outro lado, os estigmas associados aos doentes mentais sofreram mudanças menos acentuadas. Explicações reducionistas sobre as causas, mitos sobre a doença e soluções de tratamento pouco embasadas em métodos científicos, continuam a exigir das pessoas que sofrem com esses transtornos ter que lidar com o sofrimento e incapacidades decorrentes da própria condição e ainda ter que lidar com o preconceito e a discriminação.

 

Apesar dos transtornos mentais atingirem pessoas de diferentes idades, gênero ou nível socioeconômico, as representações sobre a doença e o doente ainda são permeadas de estigmas. Além das associações inadequadas às causas, o mesmo acontece em relação ao tratamento. Concepções sem embasamento científico ou mesmo preconceituosas, como aquelas que sugerem que ter uma doença mental é “falta de um tanque de roupa suja para lavar”, reforçam as crenças de que ter um transtorno mental é uma escolha e permanecer nele, uma decisão.

 

Ter um transtorno mental não é escolha, mas também não é punição ou castigo. Punição é não termos um sistema que permita o diagnóstico adequado e um tratamento eficaz que possa trazer menos sofrimento à vida de tantas pessoas. Estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que, no mundo todo, menos de 10% das pessoas com transtorno mental têm acesso a tratamento.

 

Enquanto não mudamos esse cenário, compreender a doença mental pode nos aproximar do exercício da nossa humanidade, aceitando as diferenças, imperfeições, anormalidades de cada um de nós mesmos. Dr. Bacamarte tinha o propósito de encontrar, definitivamente, a diferença entre o normal e o patológico. Acabou descobrindo apenas em si características de perfeito equilíbrio mental e moral. Diante disso, liberou todo mundo do manicômio e lá se internou. “Fechando a porta da Casa Verde, entregou-se ao estudo e a cura de si mesmo”. Dr Bacamarte deixou um legado: ensinou que de médico e louco, todos nós temos, de fato, nem que seja um pouco!

 

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, e escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Conte Sua História de São Paulo: os pássaros da floresta da Nove de Julho

 

Por Fábio Caramuru
Ouvinte da CBN

 

 

Meu nome é Fábio Caramuru, sou pianista e parabenizo toda a equipe da CBN pelo trabalho (mais sobre mim no site http://www.fabiocaramuru.com.br ).

 


Quando eu era criança, com cinco ou seis anos de idade, morava lá perto da Avenida Nove de Julho. E a avenida era muito movimentada, difícil de atravessar

 

Eu me recordo de alguns detalhes interessantes: a primeira coisa que me vem na cabeça é esse Colégio Assunção, que ficava na Avenida Nove de Julho com a Alameda Lorena, em frente da escola onde eu estudava –- até hoje o Assunção está lá, tem aquela capelinha. E há agora um supermercado em parte do terreno, no qual havia uma floresta que era uma coisa impressionante.

 

Não sei se essa floresta era de eucaliptos – tenho quase certeza de que era – tinha ficus, uma série de árvores; e aquilo ficava em frente, pegava toda aquela fachada da Avenida Nove de Julho, uma imensidão de árvores.

 

Você passa hoje lá e não consegue entender por que tem aquilo tudo construído. Lembro que no fim da tarde uma coisa que me chamava muito a atenção era aquele canto dos passarinhos se recolhendo, aqueles pardais, aquela algazarra, aquele barulho. Era uma coisa muito bucólica pra São Paulo: uma floresta em plena Avenida Nove de Julho.

 

Eu me recordo dessa passagem e lembro de ouvir os pássaros no fim da tarde quando começava a escurecer. Lembro também que no trajeto quando a gente cruzava a Alameda Lorena e chegava na Rua Pamplona que era toda de paralelepípedos e tinha o bonde: bonde subindo, bonde descendo.

 

Era incrível aquela São Paulo que vivi!!!

 

Fábio Caramuru é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Para contar outras capítulos da nossa cidade, escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br
 

Mundo Corporativo: “a pandemia acelerou o futuro”, diz César Gon, da CI&T

 

“Agora é momento de um grande darwinismo mercadológico, né, onde vai sobreviver, vai ganhar esse jogo, as empresas que forem inovadoras, mais rápidas, que lerem melhor essa mudança da sociedade e mudarem seus modelos de negócios e as suas práticas” —- César Gon, CI&T

Os escritórios da CI&T começaram sentir os efeitos da pandemia do coronavírus, na China. Medidas urgentes tiveram de ser adotadas para, em seguida, serem aplicadas na sede no Japão. E da mesma forma que a Covid-19 se espalhava, outros núcleos da empresa, na Europa e nas Américas, tiveram de mudar planos rapidamente. Especializada em trabalhar com transformação digital, modelos de gestão e liderança, a empresa não apenas implantou suas estratégias internamente como as levou para os clientes dos mais diversos portes.

 

César Gon, CEO e fundador da CI&T, em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN, diz que a pandemia obrigou a aceleração de processos que vinham sendo planejados para o longo prazo:

“A pandemia acelera esse futuro. Isso coloca em xeque a estrutura clássica e hierárquica das grandes empresas. Para você reagir a esse nível de mudanças, de incerteza, você precisa contar com um nível de colaboração, de cocriação que não conversa com empresas sisudas, empresas hierárquicas”

Em conversa com o jornalista Mílton Jung, César Gon explica que encarar transformações foi algo que teve de fazer desde que iniciou a CI&T, em 1995. Inclusive, no seu papel como líder, função na qual, conta, era muito bom, enquanto o que funcionava era o sistema de comando e controle. Em determinado momento, porém, viu-se um líder anacrônico e percebeu que ou mudava seu comportamento ou um novo líder teria de assumir o posto:

“Essa mudança não é simples. É muito fácil saber o que não fazer, mas o que fazer no lugar? Se eu não sou o sabe tudo da sala, qual vai ser a minha contribuição”.

Uma das metodologias que usam na empresa é a Lean Digital que reúne dois universos aparentemente distintos mas que se complementam: o do uso intensivo de tecnologia, com criação e disrupção; e o do aprendizado constante, humildade do líder e disciplina.

“Acho que essa pandemia gera uma reflexão individual, qual o meu papel, qual o nosso papel como cidadãos, como indivíduos, mas também isso vai para o mundo corporativo, porque afinal de contas qual é o propósito desta empresa, precisa ser um agente positivo, um agente que vai deixar o mundo um pouco melhor em alguma perspectiva”

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, às 8h10, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o programa Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Alan Martins.

A Web está na Moda e poderá surpreender as previsões do FMI

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Foto: Pixabay

 

O FMI prevê que o PIB dos países avançados apresente, em 2020, uma queda de 8%, e os emergentes de 3%, com exceção da China crescendo 1%. Para o Brasil a queda deverá ser histórica: 9,1%.

 

Em 2021, haverá aumento de 4,8% e 5,9% entre desenvolvidos e emergentes, enquanto o Brasil irá apresentar acréscimo de 3,6% e a China 8,2%.

 

Esse cenário reflete, de acordo com o relatório do FMI, o modo como o evento covid-19 foi tratado pelos países:

“Pela primeira vez, projeta-se que todas as regiões experimentem um desempenho negativo (do PIB) em 2020. No entanto, existem diferenças substanciais entre as economias, refletindo a evolução da pandemia e a eficácia das estratégias de contenção”.

Um olhar recente para a China e identificamos que lá foi realizada uma SEMANA DE MODA pela web, e os resultados superaram juntas as SEMANAS DE MODA DE PARIS, MILÃO E NOVA YORK.

 

Assim como ontem se encerrou a FEIRA de Negócios virtual MADE IN CHINA, com 3 milhões de expositores e 2,8 bilhões de produtos.

 

Enquanto isso, aqui, no mundo físico, estávamos em abril com 1.212 eventos realizados, número 30% a mais do que o previsto, e tivemos que adiar 900, dos quais 380 foram reprogramados para os próximos meses.

 

Neste contexto, é evidente a oportunidade que surgirá a partir da abertura do comércio e serviços no mundo físico para operações via web, diante da nova realidade pós-Covid-19 em função de protocolos e receios decorrentes para ações que gerem presença de público.

 

Dentro deste quadro os agentes deste setor começam a se preparar, e se movimentam para construir sistemas virtuais e híbridos.

 

É o caso do empreendedor Antonio Mesquita, da SÖKS tsr, experiente em inovação, tendo sido um dos pioneiros nas plataformas virtuais para Shopping Centers, quando teve a possibilidade de efetivar alguns Market Places. Hoje, está direcionando a SÖKS para a elaboração de Projetos de Feiras e Congressos através da web. Produto que será edificado com a Bossa Nova Productions, da Cristina Lages, especializada em comercialização de Feiras e Congressos. A tecnologia será fornecida pela INTEGRA GLOBAL BUSINESS NETWORK, através da plataforma da EXPO BUSINESS, dirigida por Aquiles Gonzalez.

 

A INTEGRA, fundada em 2007, é uma empresa com foco em criar startups inovadoras como a EXPO BUSINESS. Aquiles, um dos sócios, atesta o crescimento do setor de feiras digitais a partir da Covid.

 

Ressalta também as vantagens comparativas quando é registrado um movimento de visitação de 3 a 5 vezes maior nas feiras digitais do que nas realizadas de forma convencional.

 

Lembra também que a possibilidade de gameficação e de realidade aumentada são pontos diferenciais atraentes e modernos.

 

Para a EXPO BUSINESS os negócios aumentaram 200% com a pandemia, o que é um bom sinal para a expectativa econômica futura. E indica que os chineses são um bom exemplo a seguir neste caso de absorção ao digital.

 

A Economia, como se sabe, é em parte definida pela expectativa, e também pelas práticas que podem propiciar eficácia no uso dos recursos escassos. Aqui cabe ressaltar que a despesa para realizar um evento digital é infinitamente menor. Ao mesmo tempo a velocidade de execução é infinitamente maior.

 

Se a digitalização se disseminar para outros setores da Economia, e temos uma cultura propícia a essa ligação sinalizada pela preferência aos celulares, poderemos surpreender a recuperação econômica, na medida em que custos se reduzam e operações se acelerem.

 

Vamos torcer para que o FMI esteja errado.

 

Bem-vindos Söks, Bossa Nova e Expo Business.

 

Que venham muitos outros.

 

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

A palavra bem escrita no rádio é a palavra falada

 

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Foto: Pixabay

 

 

O rádio é palavra falada. E por falada que é, muita gente pensa que não precisa ser bem escrita.

 

É, também, improviso. E em nome do dito cujo há quem justifique qualquer barbaridade cometida à língua.

 

Essa visão distorcida leva à redação de jornal, quem gosta de escrever; para as de rádio quem gosta de falar —- poderia completar a brincadeira e dizer que vai para a de TV quem quer aparecer, mas não vou dizer não porque é maldade das boas e desrespeito a colegas de muito talento que conheço.

 

Verdade que no rádio a dependência ao texto escrito é bem menor do que em outras mídias, mesmo se comparado ao tipo de televisão que assistimos nos canais dedicados ao jornalismo ao vivo, onde cada vez mais apresentadores e repórteres se desprendem do roteiro prévio para contar as histórias do cotidiano. Na TV, ainda existe uma burocracia técnica que exige uma disciplina maior dos profissionais para que a reportagem entre no ar. E os telejornais seguem tendo que rodar no teleprompter.

 

No rádio, a coisa funciona mais ou menos assim — e vou me basear no Jornal da CBN.

 

Das quatro horas de programa que vão ao ar, texto lido de verdade só na abertura, quando, ao lado da Cássia Godoy, apresentamos os destaques do dia, escrito pelo editor —- geralmente o Edmílson Fernandes (esse merece um capítulo especial). A cada meia hora tem, também, o Repórter CBN, obra do redator de plantão dedicado ao programa.

 

Daí pra frente, é um improviso só.

 

Chama a reportagem do Queiroz! Quem fez? Tem repórter de Brasília ao vivo na linha. Qual o assunto? O entrevistado está esperando. Me dá o crédito dele!

 

A conversa entre âncoras, produtores e operadores rola solta enquanto a programação está no ar. Hoje, no isolamento, sou obrigado a fazer esse bate-papo virtual. Perde-se um pouco de agilidade, mas nada que prejudique a performance e a dinâmica.

 

As reportagens gravadas têm textos de apresentação, escrito pelo editor ou pelo próprio repórter. Coisa de quatro, cinco, seis linhas no máximo. Mais do que isso é exagero. Servem de orientação para chamar o conteúdo preparado pelo repórter. Costumo passar por cima desse texto, porque escrito no bastidor tende a não ter o ritmo da minha fala.

 

Prefiro um tom mais autoral. Que provoque no ouvinte a sensação de que o que ele vai ouvir em seguida faz parte daquela conversa que começou às seis da manhã e se estenderá até às dez. Por isso, gosto sempre de relacionar com algo que já havíamos falado ou falaremos mais à frente. De contextualizar o assunto para que a reportagem não caia como um paraquedas do céu. De esclarecer algum aspecto que ajude a mensagem a ser mais bem absorvida pelo público. Precisamos sempre lembrar: nunca se está só ouvindo rádio. Então, chamar a atenção do ouvinte para o que vem ou para o que foi, é essencial.

 

Disse que gosto de fazer isso. Não significa que o faça sempre assim. E, principalmente, que meu improviso seja melhor do que o texto escrito. Quando se fala ao vivo, tem dessas coisas. Aumenta-se o risco de errar. O que me consola é que erro por conta própria. Pior coisa que deve haver é a gente só cometer o erro dos outros. Tenho de ter, no mínimo, competência de errar por mim mesmo.

 

Aliás, errei muito nesta vida do rádio.

 

Dia desses, revendo CDs e DVDs do passado —- uma das tarefas que me impus para suportar esses mais de 90 dias de quarentena —-, encontrei e-mail do jornalista Eduardo Martins, o homem de um emprego só. Trabalhou no Estadão a vida toda. Começou lá aos 17 anos, fazendo palavras cruzadas como colaborador, virou redator, repórter e editor. Foi autor de “O Manual de Redação e Estilo”, que o jornal publicou em 1990 e guardo na minha estante com orgulho. Morreu em abril de 2008.

 

Sua missão em vida foi valorizar a boa língua portuguesa e em nome desta missão me escreveu em abril de 2001. No texto, convidou-me a visitar o site dele “para evitar alguns erros que cometemos diariamente”. Usou o plural, mas entendi que a crítica era singular. Foi gentil ao citar apenas um dos muitos erros que saem da minha boca: o uso inadequado da locução “em função de”.

 

Escreveu Eduardo Martins:

“1 — A locução em função de só pode ser usada quando equivale a finalidade, dependência:

 

O time jogava em função do adversário/ O político agia em função dos seus objetivos/ O homem vivia em função da família

 

2 — Ela não corresponde, porém, a em virtude de, por causa de , em conseqüência de ou por, casos em que deve ser substituída por uma dessas formas:

 

A entrega do navio foi antecipada pela (e não “em função da”) rapidez do trabalho do estaleiro./ A Justiça tomou a iniciativa em conseqüência do (e não “em função do”) grande número de processos à espera de julgamento./ Na década passada as montadoras pararam por causa das (e não “em função das”) greves. / Recebeu a promoção graças às (e não “em função das”) suas qualidades.”

Guardei esse e-mail por causa da consideração (e não “em função do”) que sempre tive por Eduardo Martins. E pela maneira como ele me considerou. Ao escrever uma carta digital de “próprio punho” para me corrigir, demonstrava respeito aos jornalistas de rádio. Sabia da responsabilidade e da capacidade que temos de influenciar outras pessoas.

 

Que se influencie de maneira certa: falando o bom português, enriquecendo o vocabulário do cidadão, evitando o lugar-comum, valorizando a nossa língua e seguindo o ensinamento do professor catalão Ivan Tubau de que “ao escrever para quem ouve, deve-se escrever como quem fala”. Ou seja, a palavra bem escrita no rádio é a palavra falada.

 

Sua Marca: previna-se com estas cinco dicas de branding

 



“A nossa vacina talvez demore, mas para as marcas já temos uma à disposição, há muito tempo e está acessível: é o branding” —- Cecília Russo

O risco de empresas, produtos e serviços terem suas marcas atingidas pelas diversas crises que surgiram com a pandemia é enorme. Uma das formas de mantê-las protegidas é a aplicação correta de instrumentos de branding que já estão disponíveis há bastante tempo.

 

De acordo com Jaime Troiano e Cecília Russo, comentaristas do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, a “vacina das marcas” é composta por algumas doses de atividades e cuidados que estão acessíveis a todos —- apesar de muitos gestores esquecerem de tomá-las.

 

Cinco doses de branding:

 

  1. Conheça o seu cliente — saber quem está ao seu lado permite customizar melhor essa sua oferta;

  2.  

  3. Mantenha-se firme no posicionamento da sua marca —- não desvie do seu caminho apenas porque o concorrente está fazendo uma gracinha ou porque é mais rentável (neste caso, a longo prazo a perda pode ser grande);

  4.  

  5. Não há marca forte que resista a produto ruim;

  6.  

  7. Pratique dentro da empresa aquilo que você fala da porta da rua para fora;

  8.  

  9. Cuide todo santo dia dos seus pontos de contato com o cliente.

Use o branding com sabedoria, recomendam JaimeTroiano e Cecília Russo.

 

O Sua Marca Vau Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Conte Sua História de São Paulo: da primeira carteira assinada à aposentadoria

 

Por Marcio de Jesus Donda
Ouvinte da CBN

 

Tenho 61 anos, moro na Vila Amália, zona Norte. Em cinco de janeiro, agora, completei 25 anos da minha terceira passagem como morador de São Paulo.

 

A primeira  foi em dezembro de 1977. Estava com 19 anos e desembarquei na antiga rodoviária Júlio Prestes. Nasci em Mirassol, interior paulista, e cresci em Poloni —- duas cidades próximas de São José do Rio Preto.

 

São Paulo me assustava, mas tive de vir para cá trabalhar e pagar minha faculdade. O primeiro ano foi muito difícil, parecia jamais me acostumar com a cidade. Trabalhava no antigo banco COMIND, no setor de processamento, no período da madrugada —- era na avenida Angélica. E fazia faculdade pela manhã na Campos Salles, lá na Lapa.

 

Quando os anos 80 chegaram já havia me adaptado à cidade. Mas em 83 fui transferido para o Recife, e de lá para Belém — quando o banco foi liquidado pelo Governo Sarney, em fins de 85.

 

Voltei para Poloni para ser comerciante. Não deu certo. E retornei a São Paulo. Minha segunda vez na cidade não durou mais de um mês. Logo consegui emprego no Bandeirantes para seguir novamente a Belém. Lá casei com uma paraense e tivemos três filhos: Márcio Filho, Julyana e Matheus.

 

A terceira e última vez que vim para São Paulo foi depois de um ano desempregado. Peguei a família e fomos embora de Belém. Aqui meu filhos cresceram e casaram. Apesar de continuar trabalhando, já estou aposentado há quase três anos. Ou seja, aqui tive meu primeiro emprego com carteira assinada. E aqui chegou a minha aposentadoria.

 

A cidade que me assustou no início, hoje não me vejo longe dela.

 

Marcio de Jesus Donda é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio e a interpretação de Mílton Jung. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para contesuahistoria@cbn.com.br

 

Mundo Corporativo: empresas estão preocupadas com a saúde mental de seus colaboradores, diz Gustavo Tavares

 

“Isso mostra também o caminho que as empresas estão levando agora no século XXI. Não é só o desempenho a qualquer custo, não é só o resultado e depois a gente vê o que acontece. É, também, garantir que essa jornada seja uma jornada caminhada com todo mundo da melhor maneira possível, o tempo todo” — Gustavo Tavares, Top Employers Institute

Com os riscos impostos pela pandemia, com as crises humanitária, sanitária e econômica, a pressão sobre os colaboradores das empresas aumenta. Muitos de nós estamos trabalhando em cenários diferentes, tivemos de migrar para o home office e nos adaptar muito rapidamente a novos modelos de trabalho e negócio. O impacto na saúde metal dos colaboradores foi intenso e as empresas precisam estar atentas a essas mudanças.

 

De acordo com Gustavo Tavares, gerente-geral do Top Employers Institute para as Américas, já é possível identificar situações de estresse, esgotamento mental, ansiedade e até mesmo consumo mais frequente de bebida e cigarro. Em alguns momentos até mesmo de aumento da violência doméstica. Diante disso, empresas têm adotado uma série de ações preocupadas com a saúde mental de seus colaboradores. Segundo Gustavo, 62% das empresas brasileiras certificadas pelo instituto disponibilizavam aos seus profissionais algum tipo de suporte psicoterapêutico com níveis crônicos de estresse, no início deste ano:

“O que mudou agora é que os modelos que tinham sido adotados (de home office) não eram para essa situação de hoje. As empresas tinham estruturas preparadas mas não para todo mundo ao mesmo tempo nem os cinco dias da semana. Sobre esgotamento mental tratavam muito mais da pressão do trabalho diferente desta que se soma a pressão social e familiar”

Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, Gustavo chamou atenção para o fato de que a produtividade no home office chega a ser 44% maior do que no escritório. Em casa, o profissional perde a interação com os outros colegas, reduz o tempo de almoço e esquece de fazer pausas durante o trabalho. Um conjunto de fatores que vai impactar na saúde do colaborador, com disparos de ansiedade e estresse.

 

Algumas empresas têm produzido manuais de conduta e alertas eletrônicos para lembrar o colaborador a parar a tarefa, beber água, caminhar um pouco e respeitar a hora do almoço. Além disso, têm investido na interação com seus profissionais:

“Não tenha medo de comunicar, garanta que todas as informações que precisam ser passadas para os seus colaboradores estejam sendo passadas. E é importante a gente garantir isso para que todo mundo esteja na mesma página, e todo mundo esteja absolutamente confortável na relação com a empresa neste momento tão específicos que estamos vivendo na nossa vida”

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. O programa tem a colaboração de Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Alan Martins.

A boa entrevista que eu não fiz porque o omelete não virou

 

 

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Foto: Pixabay

 

 

Jornalista gosta de bom entrevistado. Gente que esclarece. Fala claro. Diz o que pensa. Ajuda o outro. Faz do fato, notícia. Gera aspas (sim, mesmo no rádio ainda usamos esta jargão do impresso). Um ou outro desses aspectos —- todos juntos é o ideal — faz uma boa entrevista. Ficar de fora dela ou não ter sequer a oportunidade de fazê-la, sempre frustra. Foi o sentimento que tive nesta sexta-feira.

 

 

O dia já não começou bem. De madrugada, ao acordar, o calendário da cozinha informou ser hoje o 90º dia de isolamento em casa — por mais que a turma daqui tenha me facilitado as coisas, o ritmo da redação e o contato com outras pessoas, diversas e diferentes, faz bem à alma.

 

 

Na sequência, a máquina de café quebrou e o omelete não virou. A regra é clara: quando essas coisas acontecem, liga para a firma, avisa que não vai dar e volta para cama. Eu não entendi o recado. Insisti.

 

 

O programa começou e logo descobri que o “moço da internet” não estava a fim de trabalhar, também. O sinal da rádio era entregue aqui em casa, mas não tinha ninguém para levar o meu para lá. Falava e interrompia. Voltava e caía. Troquei do cabo para o sem cabo, do sem cabo para o 4G, do 4G para o sinal de fumaça. E nada de a coisa funcionar como o encomendado (e pago).

 

 

Daí minha frustração. Hoje, tinha tudo para fazer uma boa entrevista, mas a telecomunicação não ajudou.

 

 

Nosso convidado no Jornal era o Dr Atila Iamarino; o rapaz da ciência que fala no YouTube e no Twitter e por lá atende por @oatila. Ele é biólogo por formação, doutor em microbiologia, tem pós-doutorado pela USP e pela Yale University. Para ser melhor: sabe traduzir tudo isso que aprendeu falando a língua da gente. Pelo conjunto da obra faz sucesso há algum tempo na internet —- não aquela que pifou aqui em casa, mas aquela outra que permite que informações circulem em grande volume e frequência e da qual conseguimos tirar muita coisa que presta. As do Atila prestam. Têm credibilidade.

 

 

O chamo de Atila, assim, pelo primeiro nome, sem a pompa do doutor e do senhor, como pedem os bons modos do jornalismo. Não apenas por ele ser jovem — nasceu no ano em que eu estreava no jornalismo profissional —, mas porque é assim que todos o chamam por aí. E foi dessa maneira que conquistou admiradores —- e detratores.

 

 

Sim, é impossível ser um sucesso no mundo virtual sem que o ódio dos medíocres se expresse. Eu escrevi ódio e medíocres. Não tem nada a ver com aquelas pessoas que discordam das ideias, identificam fragilidades nos argumentos, apresentam pensamentos lógicos e contrapõem com a gentileza dos civilizados, fazendo o bom debate. Esses serão sempre bem-vidos à conversa, pois permitem que, a partir da reflexão, sejamos provocados a pensar ainda mais e a recuar, se entendermos que erramos na forma ou no conteúdo. Perdão se usei o plural na frase anterior — é força do hábito. Não tive a intenção de me comparar à capacidade de doutores e professores em argumentar. Sou só jornalista. Sem direito à extensão do curso.

 

 

Dito isso, vamos retornar ao episódio que se iniciou sem café nem omelete. Para a entrevista recebi um ótimo material da produção. Coisa de primeira. Muito mais do que precisaria. Suficiente para me dar segurança na conversa. Tinha tudo para dar certo. E até que começou certo.

 

 

Às vésperas de alcançarmos a marca de 1 milhão de infectados e termos nos aproximado em alta velocidade dos 48 mil mortos, quis logo entender o que é a estabilização da Covid-19, no Brasil, que havia ouvido na fala oficial do General que usa crachá de ministro interino e no comentário da OMS. Com a sabedoria de doutor e a transparência do Atila, ele explicou. Simples, direto e objetivo, seguindo o que assumi como sendo meu mantra da boa comunicação.

 

 

Entusiasmado, esperei o Atila responder à Cássia Godoy e engatei uma segunda pergunta. Explica aí por que o vírus está deixando o Norte, invadindo o interior e crescendo no Sul? O omelete não virou. Ops, a resposta não chegou. Não chegou para mim que estava apresentando o programa de casa. Menos mal que foi até os ouvintes que acompanhavam o Jornal no rádio. Minha internet —- com todos os sinais das operadoras que prestam o serviço — desapareceu. E com ela, eu.

 

 

Da entrevista não ouvi mais nada. Desconecta um cabo aqui. Conta até 30. Desconecta o outro ali. Conta de novo. Zera o sistema. Desliga o computador. Religa o celular. O que é que está acontecendo? É o upload que não sobe. É o download que não desce. É o Mílton que enlouquece.

 

 

A Cássia seguiu em frente em voo solo — com toda autoridade. E o Atila atendeu a expectativa do ouvinte — dele também não tinha dúvida. A mim restaram a frustração de ficar de fora de uma boa entrevista. E o consolo de Bocelli e Geromel, que se enroscaram nas minhas pernas, subiram na mesa e ronronaram no microfone para me acalmar.

 

 

Lição aprendida: se a máquina do café quebrar, o omelete não virar, a internet pifar e a boa entrevista frustrar, que ao menos tenhamos bons companheiros ao lado para nos consolar.

 

 

PS: a entrevista da Cássia com o Atila você ouve na sequência. Vale a pena!

 

 

miltonjung · Jornal da CBN entrevista Atila Iamarino sobre o estádio da pandemia no Brasil