Avalanche Tricolor: felicidade é viver na sua companhia! 

Grêmio 2×0 CRB

Brasileiro B – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

A felicidade de Biel e Bitello em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

“Felicidade é viver na sua companhia 

Felicidade é estar contigo todo dia …”

Felicidade, Seu Jorge

Que Seu Jorge canta “Felicidade” pra mulher amada, eu sei muito bem. E tenho bons motivos para cantar com ele —- mesmo que meu canto desafine na primeira nota. Ao longo desta tarde, porém, a música ressoou na minha mente enquanto assistia ao Grêmio jogando com alegria — essa emoção escassa nos tempos atuais, que se fez rara diante da performance do nosso futebol, desde o ano passado. 

Felicidade, eu cantava baixinho vendo Bitello, Biel e Elias se movimentando com destreza, apesar do gramado ruim da Arena. Era o sentimento que me tomava diante da movimentação do meio de campo gremista que dominou o adversário e fez a bola chegar ao ataque com rapidez, aproveitando-se do avanço dos nossos laterais.

O gol de Elias, aos 13 do primeiro tempo, chegando forte dentro da área, pelo lado direito, foi a conclusão da velocidade e habilidade de Biel na esquerda, que forçou o erro do adversário e fez a bola alcançar Diego Souza. Nosso atacante, mesmo sendo assediado por quatro marcadores, com um toque de leve deixou Elias livre para marcar. 

Aos 39 minutos, nova jogada de Biel, que após driblar o marcador acionou Bitello deixando-o de frente para o gol. O guri mais avançado do meio de campo gremista bateu de fora da área com a perna esquerda colocando a bola —- como diziam os locutores antigos — lá onde dorme a coruja. 

Mesmo que mais gols não tenham sido marcados —- cá entre nós, aquela linha virtual do VAR é fake, não?!? —, a felicidade extrapolou os momentos de bola na rede. Esteve na primeira tentativa em que Biel, de letra, tentou o passe para Bitello. Esteve no passe de peito de Rodrigo Ferreira para Elias; no toque de bola rápido que deixou muitos dos nossos na cara do gol; esteve  até mesmo nos incríveis gols perdidos no segundo tempo, porque se os perdemos é porque os criamos aos montes. E isso me deixa feliz.

Mais feliz ainda por ver o nome do Grêmio no topo da tabela de classificação. Somos líderes sabe-se lá por quanto tempo. Pouco me importa. Quero mesmo é aproveitar a felicidade que o momento me oferece. Sou feliz hoje por viver na sua companhia, Liderança! E quero seguir feliz, estando contigo todo dia!

Em tempo: feliz já estava desde que ouvi Roger falar nesta semana sobre combate ao racismo. Você não tem ideia como tenho orgulho de torcer por um time treinado por um profissional que têm consciência social e sabedoria!

Mundo Corporativo: “Posicionem-se”, é o que Renata Spallicci, da Apsen, pede às mulheres

Foto: divulgação

“A gente passou a viver o que eu gosto de chamar de flow corporativo, que é quando a coisa de fato entra nas veias dos colaboradores, quando realmente as pessoas passam a acreditar  no planejamento, a visão de futuro”

Renata Spallicci, Apsen

De estagiária a vice-presidente. A frase que acompanha parte do material de divulgação do livro mais recente de Renata Spallicci, mesmo que precisa, diz pouco sobre a história desta executiva. Esconde que a trajetória dela foi na empresa da família — o que poderia diminuir os méritos de sua carreira profissional — tão pouco deixa explícito que o estágio final dessa jornada, até aqui, somente se deu porque ela liderou o “sonho grande” de, em cinco anos, dobrar de tamanho a Apsen Farmacêutica. Sonho sonhado e alcançado, em 2020, quando o laboratório passou a faturar R$ 1 bilhão.

A Apsen foi criada pelos avós, Mario e Irene Spallicci, em um laboratório no bairro de Santo Amaro, zona sul de São Paulo, em 1969. Atualmente está sob o comando do pai, Renato, que foi quem a convidou para ser estagiária na empresa. Na entrevista ao Mundo Corporativo, Renata conta que ao se apresentar para o trabalho — “fui ali toda bem vestida” – em lugar da sonhada mesa de escritório com seu nome em um placa, recebeu crachá de funcionária do almoxarifado, onde começou carregando caixas, recebendo e distribuindo produtos. 

Levantar peso não chegava a ser um desafio impossível para a moça que tem no fisiculturismo uma de suas paixões. Ela, porém tinha clareza de que seu desenvolvimento profissional dependeria muito mais dos estudos e da busca do conhecimento do que propriamente dos laços de família. Passou por processos de coaching, mentoria e mastermind; e é formada em engenharia química, pós-graduada em administração e com MBA para CEOs pela FGV.  Hoje, Renata Spallici é vice-presidente executiva da Apsen.

A meta  de elevar o faturamento da empresa passou pela construção de um planejamento que, segundo Renata, tem como etapas iniciais “a visão clara de futuro” e a necessidade de se levar essa visão de forma organizada e com objetivos estratégicos para cada uma das áreas envolvidas, até alcançar os objetivos individuais. A autora do livro “Sucesso é o resultado de times apaixonados” ressalta a importância de contar com o engajamento dos colaboradores nesse processo de desenvolvimento. 

“O primeiro passo foi conquistar as pessoas e plugar o sonho individual do colaborador no sonho corporativo … Falando assim parece simples, mas é um trabalho árduo, é um trabalho de muita consistência, porque você tem que conversar e repactuar as conversas ao longo de muito tempo, exige  uma mudança de cultura”.

Em um dos vários trabalhos que realiza fora da empresa, Renata se dedica a mentoria de mulheres, no programa Winning Woman EY, no qual prepara lideranças femininas, muitas das quais atuando em empresas familiares como ela. Chama atenção para a importância dessas mulheres se fortalecerem tendo voz ativa e perdendo o medo de errar:

“Muitas delas são fundadoras, têm um talento específico, desenvolveram algum produto incrível .. mas eu percebo que têm dificuldade de sentar na cadeira delas e assumir o papel e as responsabilidades. Então, uma das coisas que eu trabalho muito com a com as minhas mentorandas é justamente isso: posicionem-se!”.

Para que o crescimento profissional se realize, Renata recomenda que sejamos capazes de atuar dentro da empresa com o “senso de dono”,  o que pode ser lido como mais um jargão corporativo, desses que repetimos sem entender seu sentido. Não para esta executiva, escritora, fisiculturista e rainha de bateria —- sim, Renata também desfila no carnaval paulistano.  Para ela, é fundamental que se entenda que “se a gente quer crescer, tem que ser empreendedor dentro do negócio do qual a gente participa”.

Assista agora à entrevista completa com Renata Spallicci, vice-presidente executiva da Apsen, ao Mundo Corporativo:

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen. 

O efeito da carroça sobre os cavalos, no avanço da tecnologia da informação

          

Por Augusto Licks

Photo by Markus Spiske on Pexels.com

WhatsApp avaliando as fake news. Musk comprando o Twitter. Movimentos como esses geram curiosidade, dúvidas e reacendem preocupações, especialmente em ano eleitoral.

Vivemos uma vida cada vez mais virtualizada. É a realidade, e as pessoas se adaptam, fascinam-se até. Entendo bem isso, pois em minhas atividades muito lidei com novas tecnologias que foram surgindo ao longo dos tempos. É incontestável a utilidade da informática e da telefonia móvel nos tempos atuais, pois proporcionam ao mundo uma quantidade imensa de recursos para a realização de tarefas que era impensável no passado. 

Um grande exemplo disso foi com a pandemia, e como a população do planeta conseguiu organizar-se em relação à ameaça sanitária. Imaginem o que teria sido essa calamidade, digamos, nos anos 80 quando não existia internet comercial. Muito mais gente teria morrido e sem saber a causa. 

De resto, é longa a lista de benefícios e utilidades atualmente à disposição para que a população produza, consuma, crie, e se comunique, em quantidade incalculavelmente maior do que na era pré-1995. Falo em quantidade, não necessariamente qualidade. Em todo planeta, temos nesses ramos, hoje, uma constelação de ricas empresas a atender as demandas e a proporcionar empregos.

        Ainda assim, com todos os benefícios, a tecnologia da informação (TI) preocupa, para dizer o mínimo, pois carrega riscos, perigos e até ameaças. É porque, diferentemente de outras tecnologias, TI não se resume a oferecer ferramentas úteis.

Como há umas três décadas já alertava o físico escritor Fritjof Capra é uma tecnologia que facilitou a realização de tarefas existentes mas foi acrescentando inúmeras outras tarefas que não existiam. Esse processo incessante e a proporção a que chegou faz com que de certa forma a TI, bem mais do que oferecer utilidade à sociedade, acabe se apoderando da própria sociedade ao impor dependências em quem a usa. Sendo assim, é no mínimo preocupante que o constante e frenético desenvolvimento da TI não venha acompanhado de recursos que a alinhem com o aperfeiçoamento social. Sem freios, o resultado é que a tecnologia acabe usando usuários(as) quando deveria ser apenas o contrário. 

Claro que alguns conseguem usá-la seguramente  — quando ainda conseguem fazer alguma coisa a mais na vida —, mas mesmo estes vivem sendo atrapalhados aqui e ali, seja por telemarketing, call center, spam, hoaxes, fakes, cookies, atualizações, instalação de aplicativos  desnecessários, e toda sorte de subprodutos que lhes obrigam a perder tempo com práticas entediantes de configurar antivírus, firewall, VPN, habilitar, bloquear, filtrar, e, mesmo, cancelar, num poço sem fundo de abordagens indesejadas que acontecem.

É interessante observar que o próprio setor empresarial já produz iniciativas de controle, como o site naomeperturbe.com.br da FEBRABAN em que mais de 5 milhões de usuários já se cadastraram para proibir que empresas lhes telefonem oferecendo crédito consignado. Me pergunto se não seria mais simples criar uma lei punindo de vez essa gente inoportuna. Como política de Estado, porém, por enquanto, somente a não-democrática China avança num projeto de controle de algoritmos, sacrificando interesses econômicos de suas próprias Big Techs ao facilitar que o usuário evite compras compulsivas que vivem pipocando em suas telas. Resta saber o que mais o regime chinês pretende. 

Sei de pessoas que optam por cortar esses males pela raiz: não atendem mais telefone (pois estão convencidas de que do outro lado estará uma gravação, obviamente não solicitada), não lêem mais textos SMS (perda de tempo catar algum que não seja indesejado), deixam de seguir grupos e gente online, ao constatar a impossibilidade de a todos “marcar”, “dar like“, subscrever canal, e ainda evitar que uns e outras se magoem por algum daqueles respectivos taps não lhe terem sido dados. A coisa fica ainda mais preocupante com golpes e clonagens que já são rotineiros.

Ao longo dos tempos, o desenvolvimento de tecnologia de forma geral esteve a serviço de tornar melhor a qualidade de vida da civilização. Mas até para isso parecem existir ciclos, representáveis em gráficos. Numa analogia, ainda que imperfeita, a produção de conhecimento e técnicas pode ser vista como o esforço de cavalos a puxar uma carroça carregada numa subida sempre íngreme — formando uma linha gráfica ascendente. Nessa imagem, a sensação contemporânea é de que tal percurso chega  a um cume de altitude, e depois disso surge um “outro lado da moeda”: uma descida — linha gráfica descendente —, em que a força da gravidade faz o maior peso da carroça acelerar descontroladamente, adquirindo autonomia errática e puxando consigo os pobres cavalos a ela amarrados. 

Como os cavalos na subida, o ser humano empenhou esforço, almejando que a chegada a algum cume lhe traria descanso e zonas de conforto. Só que não! Veio a descida e nela somos tragados a despender esforço que antes esperávamos economizar, para nos segurar em relação à essa inversão de forças. 

Diz-se que estamos apenas no início, tem ainda “internet das coisas”, “realidade aumentada”, “metaverso”, deep web, dark web, etc. Algoritmos podem até ser obra de um humano (ou não), mas são os humanos como um todo que usufruem de ou sofrem seus efeitos. 

Falta a esse uso tecnológico desenfreado algum compromisso com princípios universais que a civilização produziu após séculos e séculos de conflitos e erros que nos possibilitaram chegar a acertos. Pelo contrário, a voracidade da TI é por controle, é por mapear os passos e hábitos dos cidadãos, possibilitando que de uma ou outra forma sejam manipulados. É aquela ideia antiga profetizada no livro “1984” de George Orwell, com o Big Brother, depois alertada no filme “Inimigo do Estado”, e em anos mais recentes delatada por Edward Snowden, ex-funcionário da Agência Nacional de Segurança dos EUA. Ficção tornando-se realidade.

Os mais jovens não devem saber, mas no início a internet era instrumento para estudos, acadêmicos ou não, e tinha regras para a discussão de ideias, a netiquette dos newsgroups originais. Em contraste, hoje, praticamente não existem regras que impeçam violências morais e crimes de calúnia, injúria e difamação. Chega a ser comovente o esforço de nossas instituições jurídicas para coibir tais males, mas é como tapar sol com peneira. Se responsabilizar indivíduos é difícil, como, por exemplo, agir com uma comunidade digital inteira se praticar esses crimes ?  Falta obviamente uma regulamentação, que seja eficaz e prime por identificação da origem de notícias e declarações.

Contra regulamentação de plataformas digitais usa-se a alegação de que iria ferir a liberdade de expressão. Mas não seria nesse caso a liberdade de raposas num galinheiro? Numa sociedade livre, por contraditório que soe, liberdade tem limites, e estes limites são facilmente definíveis a partir da experiência acumulada de países democráticos. Liberdade sem limites é liberdade apenas para os mais fortes. Lei da selva!

Ouvi também um argumento de que as plataformas digitais democratizaram a informação em relação a grandes empresas de comunicação que antes a monopolizavam. Não discordo, mas não vejo porque ambas não possam conviver, desde que resguardadas as respectivas credenciais.

Em empresas de comunicação trabalham profissionais que se prepararam para o exercício de uma função essencial que é buscar e relatar fatos de interesse público. Nada impede que alguém faça o mesmo em plataformas digitais, e muitos fazem, mas é preciso credenciar isso, distinguir de práticas pessoais ou corporativas que não têm o mesmo compromisso ético de buscar a verdade de forma isenta (missão do jornalismo), mesmo que isso seja difícil e por vieses editoriais que ocorram. 

É preciso, repito, identificar, submeter as origens de informação a algum mecanismo de controle que funcione como uma espécie de selo, para que o leitor ao menos tenha uma referência imediata sobre a origem do que está lendo, que lhe permita ter alguma noção de quão confiável é. Um timbre de determinada cor já ajudaria a atestar o grau de confiabilidade de uma postagem. Claro que não é tarefa fácil, exige engenharia gigantesca, mas enquanto alguma medida não acontecer, os anonimatos, fishing e fakes seguirão manipulando as pessoas mais ingênuas, que acabam adaptando-se a serem manipuladas, e seguem sendo reféns. 

Umberto Eco afirmou que as redes sociais deram voz aos imbecis. Só que nem tão imbecis são os que tiram proveito desse estado de coisas. Seus reféns é que são. Do jeito que está, com o apelo irresistível da tecnologia e a força avassaladora das plataformas digitais temos um generalizado enfraquecimento humanístico, a serviço de remeter pessoas a apenas raciocinar e não refletir, a xingar em vez de argumentar, a usar instinto em vez de razão, a aceitar crendices em vez de conhecimento, enfim, a todo um senso comum tecnologicamente aparelhado com pseudo-valores retrógrados. 

Enquanto alguma solução não for construída  — leia-se: o congresso elaborar e aprovar uma lei eficaz para coibir os atuais abusos — a sociedade seguirá predominantemente viciada, quimicamente dependente dessa droga legalizada, de seus produtos, sub-produtos, e derivativos. Clínicas de reabilitação existem, mas talvez devêssemos reformular o conceito oficial do que é droga em nosso país, considerando apenas a saúde pública, sem moralismos e hipocrisias que só beneficiam interesses de alguns.

Augusto Licks é jornalista e músico

Conte Sua História de São Paulo: as caminhadas de um barriga-verde na capital dos paulistas

Julio Cesar Refosco

Ouvinte da CBN

Photo by Andre Moura on Pexels.com

Fui paulistano. Engraçado dizer isso! É que morei em São Paulo por uns dois anos apenas, suficientes para me apaixonar. Depois voltei para Santa Cataria, onde nasci. Aliás, Santa esta que parecia não fazer parte da geografia do paulistano. Quando cheguei à capital, em 1987, para o estágio no Instituto Florestal, cuja sede era na Cantareira, me chamavam de gaúcho. Expliquei que era barriga-verde. Continuei sendo gaúcho para eles.

Morei perto do Hospital do Câncer, na Liberdade. E para chegar à Cantareira levava mais de uma hora entre metro e ônibus. No início gostava desse trajeto:  passava por lugares pitorescos, citados em letras de músicas como o Jaçanã da famosa “Trem das Onze”. As referências musicais são tão marcantes que certo dia fui conhecer a esquina da Ipiranga com a São João; em outro, passeie pela rua Augusta e imaginei como seria descer aquilo a 120 por hora.

Caminhando e andando, percebi que nem tudo eram flores.  Havia contradições, problemas, exclusão, marginalidade, concentração de renda e problemas urbanos quase insolúveis, que faziam parte da complexidade desse lugar.

Dividia um apartamento com dois artistas, meu irmão que é músico e um amigo artista plástico. Com tais companhias, é claro, aproveitamos muito às noites e os programas que a cidade oferecia, sobretudo ali no Centro Cultural São Paulo, que ficava a poucas quadras de casa, na Rua Vergueiro e tinha uma programação de primeira ordem, a preços bem acessíveis. 

Uma daquelas noites bem aproveitadas ficou na memória. Chegando em casa, após umas cervejas, adormeci em sono incomodado pelos ruídos da cidade incansável, seu trânsito, suas sirenes. O que a princípio parecia sonho, aos poucos foi se mostrando realidade pois, da minha cama ouvia uma movimentação de vozes que entrava pela janela. Me levantei sonolento e fui para a varanda de onde observei uma cena inusitada, tanto que pensei que ainda estava sonhando.

Um objeto luminoso muito grande pairava no céu, movendo lentamente suas luzes flamejantes. Na minha racionalidade sonolenta fiquei pasmo. A cena era quase uma pintura e demorei um tempo até perceber, dentre as luzes e cores que do objeto radiavam, que se tratava de um balão. A confusão toda com gente correndo, sirenes tocando, era porque o balão estava descendo sobre uma casa próxima. No fim das contas, alguém no telhado da casa conseguiu pegar o balão e resolver o problema sem grandes consequências.

Hoje, ainda vou a São Paulo a trabalho ou lazer; e sempre aproveito a cidade. Nas últimas vezes que estive por aí , fui com minha mulher e meus filhos para eles conhecerem este lugar tão interessante, que reúne gente de todos os cantos, característica que torna a cidade um retrato demográfico do Brasil. Retrato do qual, como catarinense, fui protagonista. Catarinense, tá. E não gaúcho!

Julio Cesar Refosco é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie o seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. E ouça outros capítulos da nossa cidade no meu blog miltonjung.com.br e no podcast do Conte Sua História de São Paulo. 

Avalanche Tricolor: Grêmio faz a lição “fora” de casa

Operario PR 0x1 Grêmio

Brasileiro B – Estádio Germano Krüger, Ponta Grossa PR

Elias comemora o gol da vitória, em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIO FBPA

Estádio acanhado. Distante de oferecer o conforto das Arenas. Torcida motivada, quase no cangote dos jogadores. Adversário entusiasmado diante da #BatalhaDos110 — marca usada para comemorar o aniversário do time. Em campo, uma equipe aguerrida, disposta a manter a invencibilidade iniciada em outubro do ano passado e a conquistar a primeira vitória de sua história contra o Grêmio.

Começo essa Avalanche de forma inédita. Pelo outro. Pelo adversário. Pelo coadjuvante. E não pense que falo assim por desmerecimento. É que dedico esse espaço ao time do meu coração. O Grêmio é o protagonista. Mesmo que nem sempre o seja com a bola no pé, como aconteceu em boa parte do ano passado, a tal ponto que chegamos onde estamos. Por isso mesmo, aliás, iniciei essa Avalanche descrevendo o cenário que encontramos nesta quarta rodada do Brasileiro B. 

A situação de rival a ser batido, do grande a ser superado ou de deparar com estruturas nem sempre apropriadas para a partida, vai se repetir a cada rodada — ou na maioria delas. Na última vez que estivemos nessa condição, demoramos para aprender a lição antes de sermos protagonistas da nossa própria batalha, a dos Aflitos. Você talvez não lembre, mas só mudamos nossa história após sofrermos uma impressionante goleada. Neste ano, temi pelos primeiros resultados. Pensei que as dificuldades de adaptação para o tipo de jogo a ser jogado e de competição a ser disputada fossem se estender por mais tempo. 

Na noite desta quarta, em Ponta Grossa, interior do Paraná, o Grêmio deu sinais de que está ciente de seus limites e de como deve se comportar diante da situação a que se expôs ao não ser capaz de permanecer na primeira divisão. Mesmo com a escassez de jogadas de ataque, foi competente na marcação, dobrando em cima do adversário, encurtando espaço para o toque de bola e sendo firme nas divididas. Jogadores foram substituídos por exaustão —- provocada porque precisam fazer o dobro do que estavam acostumados. 

Não por acaso, Campaz, que seria um talento a ser preservado à frente, apareceu duas ou três vezes despachando a bola na defesa. E Rodrigo Ferreira, novidade na temporada, escalado para dar consistência lá atrás, foi quem proporcionou o primeiro chute de grande perigo a gol. Sem exagero, cito Benitez, que entrou já no segundo tempo. Meio-campo sempre lembrado pelo toque de bola e distribuição de jogo. Não se fez de rogado: apareceu três vezes desarmando com carrinho os adversários.

Depois de resistir ao empate no primeiro tempo, Roger armou a equipe para impor velocidade. E em dois lances, logo no início do segundo tempo, o Grêmio mostrou a que veio. Biel pela esquerda, soltou o drible e usou de agilidade para chegar na área. Na primeira jogada, colocou Diego Souza na cara do gol. Na segunda, deu assistência para Elias marcar o nosso gol. Nosso único e suficiente gol. Gol com o valor de goleada. Porque valeu os três pontos que precisávamos para botar o pé no grupo dos quatro mais bem classificados.

Sem querer me precipitar: tenho a impressão de que o Grêmio entendeu que está disputando o Brasileiro B. E esse é o primeiro passo para todo e qualquer time se livrar dela o mais cedo possível.

Mundo Corporativo: Ana Carolina Souza, da Nêmesis, alerta para cuidado com os jovens em um novo ambiente de trabalho

Photo by Tima Miroshnichenko on Pexels.com

“Hoje em dia, a diferença no ambiente de trabalho depende justamente dessa vivência, dessa experiência. Quanto mais você experimenta cenários, contextos, convive com pessoas diferentes, mais repertório você ganha”

Ana Carolina Souza, Nêmesis

 O ambiente de trabalho é uma escola, que oferece profundos conhecimentos socioemocionais, que deixou de ser frequentada por quase dois anos, devido a pandemia. Essa realidade imposta pela crise sanitária impactou principalmente a formação dos profissionais jovens que deixaram de “assistir” a seus colegas mais maduros no exercício da função, de compartilhar situações diversas e de se experimentarem a partir dessas diferenças.

É o que concluí da entrevista com a neurocientista Ana Carolina Souza ao Mundo Corporativo quando falamos das perdas e lições que a pandemia propiciou, a medida que levou ao fechamento dos escritórios e “empurrou” os trabalhadores para o modelo remoto ou à distância. Não que essas modalidades fossem uma novidade, mas a urgência do momento fez com que a maioria de nós fossemos levados a esse cenário sem qualquer preparo.

“Você imagina uma sala de aula onde a gente passa informação e as pessoas recebem essa informação, e até novas memórias a partir disso, mas grande parte do nosso aprendizado é implícita, é natural, no convívio. Conforme eu vejo o seu comportamento, eu vejo como você fala, como você reage, eu vou aprendendo também. Então, esse distanciamento compromete essa troca”. 

Além do prejuízo no aprendizado, a combinação de distanciamento do local de trabalho, falta de convivência com colegas e os riscos à vida, acelerou problemas de saúde nos profissionais, tais como estresse, ansiedade, depressão e burnout. A saúde mental dos trabalhadores foi atingida em cheio e se transformou em mais um desafio para os gestores e líderes de equipes, alerta Ana Carolina. Para a sócia-fundadora da Nêmesis, consultoria de pesquisa e educação corporativa, as empresas precisam recriar ambientes de segurança psicológica, que permitam a troca de informação, o relacionamento informal e o crescimento de seus profissionais sob o risco de desperdiçarem talentos:

“O jovem que acabou de entrar nessa organização ainda não tem autonomia. Não consegue fazer o trabalho sozinho, ainda não tem total compreensão da relevância da contribuição que ele traz pra essa equipe. E ele também não conhece tanto as pessoas, não tem tanto entrosamento. Isso vai gerar um comprometimento que é principalmente sobre a questão do bem-estar desse grupo, que são os futuros talentos Nós corremos o risco de fazermos com que esse talentos cresçam na empresa tendo perdido suas habilidades socioemocionais”

O uso da neurociência beneficia a adaptação e preparação dos jovens no ambiente de trabalho, de acordo com Ana Carolina. Por muito tempo, inteligência emocional era capacidade desenvolvida ao acaso, pelas experiências vivenciadas, e atualmente é possível através de treinamentos avançar nesse conhecimento:

“Os treinamentos  têm que ter uma característica de criação de experiência de vivência, quase que uma tutoria”

Para aprender um pouco mais sobre o conhecimento que os estudos da neurociência oferecerem no clima corporativo, na formação cultura e no desenvolvimento das habilidades socioemocionais assista à entrevista completa com Ana Carolina Souza, sócio-fundadora da Nêmesis:

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen. 

Conte Sua História de São Paulo: das coisas da cidade ao nome de Bartira

Por Vitor Santos

Ouvinte da CBN

Photo by FELIPE GARCIA on Pexels.com

A primeira vez que visitei o Centro Histórico da cidade de São Paulo, tinha cinco anos. Guardei poucas recordações. O local que não esqueci foi o Viaduto do Chá. 

Da segunda vez, já era adolescente. Viajei 17 km em um ônibus da Viação Penha/São Miguel. Era uma linha tradicional, que ligava o bairro mais antigo da cidade, São Miguel,  ao Parque Dom Pedro. Quando desembarquei, fiquei alguns minutos admirando o entorno do parque, e os muitos prédios altos, que eram possíveis de serem avistados. Respirei fundo, ainda que tímido e assustado com o movimento grande naquele horário. Dei alguns passos, foi quando percebi que estava atravessando a 25 de Março. Depois subi a General Carneiro, passei por baixo do viaduto Boa Vista e cheguei no Pateo do Collegio. Em seguida, passeei pela Praça da Sé, visitei a Catedral, fui pela Rua Direita, cheguei no Viaduto do Chá, avistei o Teatro Municipal. Observei as árvores e os monumentos da Praça Ramos de Azevedo.  A curiosidade era enorme, para saber o que tinha no fim da Barão de Itapetininga. Deparei com o coreto da Praça da República.

Percebi que a partir daquele dia, não viveria mais longe da pauliceia. Arrumei emprego, na Avenida da Liberdade, número 61. Era uma empresa que trabalhava com instalação e manutenção de telefones. Era a grande oportunidade que tinha de conhecer melhor São Paulo.

Na hora do almoço era comum ficar no entorno do Teatro Municipal. Visitei o antigo prédio do Estadão, na Major Quedinho — lá também ficava a Rádio Eldorado. 

Depois, trabalhei alguns anos no prédio do Top Center, na Goodyear, onde conheci muitos artistas, dentre eles Wilson Simonal, que tinha uma loja no mesmo prédio. Fui para a Philips no Brasil, na esquina da Paulista com a Bela Cintra. Mais tarde fui ao encontro do Tribunal de Justiça, em um estágio que durou mais de 30 anos,.

De todos os cantos, meu preferido é o café do Pateo do Collegio, ao lado de ruínas da antiga parede construída de taipa de pilão, onde posso ler um livro e vivenciar a história. Ali sou capaz de ouvir os tambores dos índios; contar os peixes pescados por Tibiriçá — o senhor dos campos de Piratininga. Descobrir como o português José Ramalho desembarcou em Santos, subiu o Caminho da Serra do Mar, chegou em Santo André da Borda do Campo, conquistou o cacique, e em seguida a sua filha, Bartira, índia bonita, com quem teve vários filhos. De quem descendem inúmeras das mais tradicionais famílias paulistas. 

Vitor Santos é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Avalanche Tricolor: Diego, O Grande!

Grêmio 3×1 Guarani

Brasileiro B – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

lDiego comemora o terceiro gol, em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

“Aos 36 anos …”. É sempre assim que se iniciam as frases para enaltecer o maior goleador da Arena, como se a idade o definisse. Não é culpa de quem escreve. Somos assim mesmo. Não gostamos de sermos chamados de velhos — aplicamos botox, tomamos vitamínicos, tiramos as bolsas embaixo dos olhos e recolocamos fios de cabelo. Não aceitamos o passar dos anos.

Diego Souza não é grande pela idade que tem. O é pela forma como se reinventou no futebol. Em sua primeira passagem no Grêmio, jogava no meio de campo, mais avançado pela direita, o que já era metamorfose em relação a seus primeiros momentos de glória na carreira, quando fazia a função de volante, lá no Fluminense — um dos muitos times pelos quais passou e deixou marcas importantes —, quando foi convocado para a seleção brasileira sub-20.

Quando foi embora do Imortal, disse a um motorista de táxi, amigo de um grande amigo meu, que por ele teria ficado. E esperava um dia voltar. Foi Renato quem o trouxe de volta, em 2020, e propôs ao atacante, restringir sua área de atuação para ampliar seu potencial. Na mosca. Ou melhor, no alvo. 28 vezes no alvo. No ano seguinte, com todas as dificuldades sofridas pelo Grêmio marcou 24 vezes.

Os gols de cabeça, o ótimo posicionamento dentro da área e a sensibilidade para atalhar o caminho e chegar antes na bola não foram suficientes para superar a pecha de velho que lhe impuseram, a ponto de ter sido dispensado ao fim da temporada. Era preciso renovar, diziam os críticos, esquecendo-se de que a juventude não se mede pelo tempo de vida, e, sim, pelo espírito daquele que sabe se reinventar, inovar. 

Os deuses do futebol, que nos castigaram com um sarcasmo incompreensível no ano passado, decidiram então nos dar uma chance. E na dificuldade de se encontrar alguém capaz de substituir o centroavante que havia sido dispensado, foram buscá-lo de volta. E Ele aceitou!

Do Campeonato Gaúcho foi o melhor atacante. E foi autor do gol mais bonito. Foi Diego mais uma vez, sempre que conseguiu estar em campo. Neste Brasileiro, voltou apenas hoje, na terceira rodada, e em 60 minutos marcou os três gols — o três primeiros gols do Grêmio na competição — que nos deram a primeira vitória e o colocaram no topo da tabela de goleadores, mais um vez. Fez um com os pés, quando era marcado de cima pelo zagueiro, fez um de cabeça à distância —- que mais parecia um chute pela força e precisão — e fechou o placar subindo bem mais alto do que todos os seus marcadores.

E ainda há quem ache que Diego é grande porque tem 36 anos.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: se você fosse uma marca, qual animal representaria você?

Photo by cottonbro on Pexels.com

“O uso de animais é uma das formas mais imediatas de transferência de personalidade para uma marca” 

Jaime Troiano

O coelho é da Páscoa. E é da Playboy, também. O mesmo animal, e dois sentidos diversos. O primeiro, fala de fertilidade e mexe com o imaginário infantil. O segundo, de sexualidade e se consagrou ao estimular a imaginação dos adultos. Curioso como um bichinho foi capaz de atingir públicos bem distintos, não é mesmo? A propósito: foi o ilustrador e designer gráfico Art Paul que, em 1953, criou a marca do império construído por Hugh Hefner. O artista enxergou no coelhinho a imagem sexual e divertida que procurava para representar a revista masculina que se consagrou mundialmente por publicar ensaios fotográficos com mulheres nuas em suas páginas.

E não é que o coelho também tem a capacidade de nos oferecer outros atributos? Por exemplo, a imagem dele é explorada pela Loggi, empresa de entregas, que a associa a rapidez e agilidade —- o que faz todo sentido com a promessa que a marca quer transmitir ao público. O uso de animais — e não apenas o coelhinho —- é bastante comum no branding, como bem nos mostrou Cecília Russo, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Ela e o Jaime Troiano fizeram uma lista de empresas e negócios que se comunicam através dos animais.

A marca da Porsche, que é nome de uma família, e tem o cavalo como símbolo histórico, desde 1954, de tão relevante, jamais sofreu uma só mudança em seu desenho. A Lacoste estampa com orgulho seu jacaré — perdão, se o pessoal da marca ler esse texto vai brigar com a gente. Não é um jacaré, por mais que o senso comum assim o identifique. É um crocodilo que remete ao apelido do tenista que iniciou a confecção de roupas: Renè Lacoste, “Le Crocodile”. Por curioso que somos: foram os jornalistas esportivos que o batizaram com esse apelido depois de uma aposta que o tenista fez, durante a Copa Davis de 1927, em que o prêmio era uma mala de pele de crocodilo.

A lista é interminável: a Hering e seus dois peixinhos, a Reserva e o Pica Pau, o Twitter e o passarinho, a Side Walk e o canguru, a Peugeot e o leão, e a MSN e a borboleta.

A imagem dos animais também é recurso que Jaime Troiano e Cecília Russo aplicam em uma das técnicas para analisar a personalidade das marcas. Há mais de 20 anos, eles usam um conjunto de 20 fotografias —- desde cobra, formiga e golfinho até cachorro, gato e leão — para que se associe um animal à marca do cliente ou do concorrente. 

“Quando pedimos que as pessoas associem um animal, eles estão emprestando as características desse animal à marca. Assim, se uma marca é associada ao leão, ela é vista como uma marca com autoridade, respeitada pelo mercado e por aí vai. Isso ajuda entendermos porque marcas usam animais: é uma transposição de identidades”.

Jaime Troiano 

Um dos motivos que levam a essa transposição é o fato de os bichos carregarem consigo uma simpatia, uma relação quase infantil ativada em todos nós quando somos expostos a animais. Ou seja, cria-se um vínculo de forma fácil, revestido de alguma emoção. 

Cecília e Jaime fazem, porém, um alerta diante desta fórmula que costuma ter sucesso. Para que a emoção seja positiva, é preciso escolher bem o animal e também pensá-lo em termos de posicionamento do que quer transmitir. Uma cobra, por exemplo, pode não ser a melhor escolha, conforme o negócio. Uma tartaruga pode funcionar, desde que o serviço que você pretenda oferecer não esteja relacionado à velocidade.

E você, se tivesse que se transformar em uma marca, qual o animal representaria melhor sua personalidade?

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso é sonorizado pelo Paschoal Junior e vai ao ar, no Jornal da CBN, aos sábados,as às 7h55 da manhã. Para conversar com os nossos comentaristas, escreva para marcasdesucesso@cbn.com.br

Mundo Corporativo: Ricardo Triana, do PMI, apresenta 6 megatendências que vão impactar o planejamento do seu negócio e da sua carreira

Photo by Pixabay on Pexels.com

“Projetos são tão fundamentais na vida que é melhor preparar a que tenha conhecimento e habilidade para que se faça as coisas acontecerem e não fique apenas na ideia”

Ricardo Triana, PMI

Por acreditar na ideia de que qualquer coisa que acontece, acontece através de projetos e para que as coisas aconteçam de forma efetiva precisamos estar preparados, pesquisadores do PMI — Project Management Institute identificaram seis megatendências que impactam o futuro dos negócios. De acordo com Ricardo Triana, diretor-geral do instituto que reúne gestores de projetos do mundo todo, olhar os negócios, os investimentos e a preparação dos profissionais, a partir dos resultados dessa pesquisa, permitirá que organizações públicas e privadas reajam melhor diante dos desafios que surgirão no mercado.

“… coisas como a nuances demográfica ou a crise climática — você pode estar preparado ou não —, mas isso vai impactar a forma como você decide seus investimentos, como você prepara seu pessoal e atrai talentos”.

A seguir, listo as seis megatendências apresentadas pelo PMI com comentários que o Ricardo Triana fez durante entrevista ao Mundo Corporativo.

Disrupção digital — “é prioritário entender como Inteligência Artificial, como o Machine Learning,  etc, como essas coisas vão acontecer aqui. E não estou falando em entrar em web, não estou falando em criar um aplicativo. Estou falando de criar esse novo ecossistema de  trabalho e entender como funciona, porque não é o problema de definir algo que vai acontecer em dois anos, vai ser agora”.

Crise climática — “80% das empresas (no Brasil) usam material reciclável, quando normalmente, no mundo, a média é 67%; mas isso só não muda a crise climática. Você tem de começar a dizer, quando estou fazendo um investimento, quando estou fazendo uma planta, quando estou fazendo um projeto, como eu estou apoiando a redução da crise climática”.

Movimentos civis, cívicos e de igualdade — “85% das organizações estão acelerando seus programas de diversidade porque já perceberam que têm de fazer alguma coisa e isso não aconteceu por acaso, aconteceu porque existe uma pressão da sociedade para fazer isso … Quando (as pessoas) não são escutadas, existe uma pressão que impacta a economia”. 

Mudanças demográficas — “… temos mais pessoas velinhas que ficaram no trabalho e também temos mais jovens que estão entrando no mercado de trabalho. Temos que procurar como fazer que eles estejam compartilhando, sendo efetivos, transferindo o conhecimento, ter certeza de que esse conhecimento que as pessoas que têm mais experiência, mais anos na organização não está se perdendo. 

Escassez de mão de obra — “ … porque isso (mudanças demográficas)  também tem muito a ver com a escassez de mão de obra, porque quanto mais as pessoas ficam no mercado, maior a possibilidade de elas começarem a procurar outras oportunidades. Se não fizerem a transferência efetiva de conhecimento, se não estivermos preparando os jovens para darem resultando no dia um e não esperando por um plano de crescimento, de treinamento, etc, não serão efetivos os resultados”.

Mudanças econômicas — “Dos maiores medos que temos na América Latina, em particular no Brasil, é a economia … Um dos setores mais impactados (na pandemia) foi o de manufatura porque a cadeia de suprimentos foi impactada … 15% dos fabricantes de alguma peça de celular, tecnologia, etc, tiveram que interromper sua produção. O que você deveria estar pensando é como eu me preparo para que isso aconteça sem perder a globalização”.

Para se aprofundar em cada uma dessas megatendência e refletir melhor sobre como podemos estar preparados e planejar nossos próximos passos, na organização e na própria carreira profissional, assista à entrevista completa com Ricardo Triana ao Mundo Corporativo e aproveite as informações que estão disponíveis no site do PMI.

O Mundo Corporativo tem produção de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.