Conte Sua História de São Paulo: amedrontado pela falsa ideia de ser engolido na Pauliceia

 

Por Alceu Costa
Ouvinte da CBN

 

 

 

Quando cheguei em São Paulo,
Eu era um jovem calado,
Discreto, comportado,
Risonho, mas assustado,
Caipira um tanto acanhado,
Amedrontado pela falsa ideia
De ser engolido na Pauliceia,
Uma imensa cidade desvairada,
Sob a lei do tudo ou nada
Da ditadura militar instalada.
Com humildade e orgulho,
Fui morar na Av. Mercúrio,
Aos poucos, comecei a trabalhar,
Na Light, até me aposentar,
Casado, residindo no Cambuci,
Meu lugar com certeza é aqui,
Próximo do Parque da Aclimação,
Porém, faço esta observação:
Aquele jovem encabulado,
Há muito tempo passado,
Aquém desta nova era,
Frequentou o Parque Ibirapuera,
Embora pouco assíduo,
Mais à noite do que de manhã,
Jamais deixou esquecido
O concorrido Tobogã.
Por isto, ó Parque Ibirapuera,
Agora, como eu, sexagenário,
Com muito Amor de atento cidadão,
Deixo-te estes versos de saudação,
Meu precioso talismã,
Do ontem, do hoje e do amanhã. 

 



Alceu Sebastião Costa é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Participe da série em homenagem aos 465 anos da nossa cidade: envie seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br.

Sua Marca: para conquistar as mães é preciso uma história consistente e legítima

 

 

 

“Mães são exigentes e marcas que ganham o coração das mães são aquelas que de forma legítima, contribuem para que os filhos tenham uma experiência positiva. Ou seja, estão alinhadas ao propósito das mães” — Cecília Russo

 

As mulheres são responsáveis pela maior parte das decisões de compra no mercado e, portanto, um dos grandes esforços dos gestores de marcas é criar estratégias capazes de conquistar o coração delas. Sabe-se, porém, que apenas algumas empresas, produtos e serviços conseguem alcançar esse objetivo. No programa Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Cecília Russo e Jaime Troiano falaram dos aspectos que levam essas marcas a terem a preferência feminina.

  

 

No programa, Russo apresentou dados de uma pesquisa desenvolvida pela consultoria Data Miners, em 2017, que identificou quais as marcas que melhor conseguem traduzir o conceito de maternidade:

 

  • Johnson & Johnson
  • Pampers
  • Natura
  • Nestlé

 

E o que fazem essas marcas terem sucesso entre as mulheres, especialmente às mães?
 

 

 

De acordo com Troiano, o essencial é que as marcas construam uma história consistente e autêntica, demonstrando que essa relação com a mulher é permanente. Aproveitando a proximidade do Dia das Mães, alertou para o risco de se criar uma campanha oportunista: “não faça isso porque você vai pagar caro por essa estratégia”.

  

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55, no Jornal da CBN, e tem apresentação de Mílton Jung

Mundo Corporativo: LinkedIn identifica quatro tendências no ambiente de trabalho

 

 

“Essa inteligência emocional se mostra cada vez maior, é normal as pessoas serem contratadas pelas suas habilidades técnicas e serem demitidas por falta de habilidade interpessoais” — Milton Beck, LinkedIn

As principais tendências no ambiente de trabalho foram identificadas pelo LinkedIn através de pesquisas com 5 mil profissionais de RH e analisando o comportamento dos usuários da rede. E esse foi o assunto da entrevista com Milton Beck, CEO do LinkedIn na América Latina, no programa Mundo Corporativo, da CBN. O executivo também apresentou algumas dicas para quem pretende aproveitar melhor a rede de relacionamento profissional.

 

Quatro tendências apareceram em destaque no estudo apresentado pelo LinkedIn:

 

  1. Competências interpessoais
  2. Flexibilidade no trabalho
  3. Políticas antiassédio
  4. Transparência salarial

 

Acesse a pesquisa 2019 Global Talent Trends report

 

Em relação a profissionais que gostariam de ter maior destaque e aproveitar as interações possíveis no LinkedIn, Milton Beck apresentou as seguintes sugestões:

 

  1. Use uma foto profissional
  2. Mais do que dizer onde trabalho, diga o que conquistou
  3. Seja avaliado pelos colegas por suas competências
  4. Publique o seu conteúdo
  5. Leia o conteúdo dos outros
  6. Participe de grupos de discussão
  7. Identifique as empresas que estão alinhadas com você

 

“Lembre-se que o LinkedIn não é um depositário de currículo, mas para construir networking”, diz Beck.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, na página da CBN no Facebook e no perfil @CBNOficial no Twitter. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN; aos domingos, às 22 horas, em horário alternativo; ou em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Guilherme Dogo, Ricardo Gouveia, Izabela Ares e Débora Gonçalves.

 

“As virtudes são mais importantes que as profissões e o crachá que meu filho vai ter”

 

Estive em palestra na 16a Feira do Livro da UFSCar, na cidade de São Carlos, no interior de São Paulo, para apresentar o livro “É proibido Calar! Precisamos falar de ética e cidadania com nossos filhos”. Com a gentileza de professores, alunos e ouvintes, conversei sobre essa relação que precisamos desenvolver não apenas entre pais e filhos, mas entre todos os cidadão: uma relação baseada na ética.

 

O site CIDADEON, de São Carlos, cobriu o encontro e produziu a reportagem a seguir:

 

UFSCAR3

 

Durante a palestra, Milton Jung abordou diversos temas como a situação das universidades, o crescimento de áreas antes desconhecidas como os Esports e também falou um pouco sobre episódios pessoais e familiares. “Se a gente levar em consideração que até 2035 85% das profissões que existirão ainda não foram criadas, como eu quero escolher a profissão e a faculdade do meu filho hoje? A gente não sabe como vai ser o futuro, então como fazer algo agora? Eu faço o que eu quero. O que eu queria propor para as pessoas, antes de pensar em uma profissão, é que mudem de foco. Ao invés de pensar: o que meu filho vai ser quando crescer?, Que tal pensar o que vai fazer meu filho feliz no futuro? As virtudes são mais importantes que as profissões e o crachá que meu filho vai ter, que o cargo, que o salário que vai receber. Ele está desempregado, mas continua sendo um cara honesto e responsável. Então podemos mudar esse quadro, ou você prefere um empregado e desonesto?”, questionou.

 

“Nós devíamos nos esforçar para desenvolver nas pessoas virtudes, inclusive deveríamos nos preocupar em desenvolvê-las em nós. Entre elas a cidadania. Desenvolver essas virtudes e valorizá-las mais do que a profissão”, sugeriu Jung.

 

Para o jornalista, é importante educar as pessoas desde cedo a respeito do tema. “Vamos começar falando [de ética] com as crianças, dentro de casa. Essa é a minha proposta. Falar de ética e cidadania é fundamental. Uso a palavra cidadania, mas poderia usar política. No entanto, parece que no Brasil, nos últimos tempos, as pessoas começaram a olhar para essa palavra, política, a ficarem com medo dela e dizer que isso não presta. Pelo contrário, isso é necessário. E por isso, tento demonstrar, inclusive, que política e cidadania são as mesmas palavras, apenas com origens diferentes. Mas elas têm a ver com a nossa relação, a do indivíduo com o coletivo. E por isso nós temos que ficar muito atentos a esses temas. E para que essa sociedade realmente funcione, é fundamental que se tenha o compromisso, e se assuma o compromisso de uma relação ética com as pessoas. É isso que nós precisamos no Brasil, se é que realmente queremos um país mais justo e generoso. Isso é o que eu quero, e tenho certeza de que muitos pensam da mesma maneira”, explicou.

Leia a reportagem completa aqui.

 

Avalanche Tricolor: a capacidade de levar fé onde houver dúvida

 

Grêmio 2×0 Universidad Católica
Libertadores — Arena Grêmio

 

Gremio x Universidad Catolica

A festa com os torcedores em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Há pouco mais de um mês saímos de campo derrotados, no Chile, pelo mesmo adversário desta noite. Um derrota pesada, pois fechava o primeiro turno da fase de classificação muito aquém da nossa expectativa. Era o terceiro jogo e somávamos um só ponto na tabela, conquistado apenas na primeira rodada. Já havíamos registrado até uma derrota dentro da Arena. E a combinação de resultados com os demais concorrentes às duas vagas da chave era desfavorável.

 

Nas reportagens havia lamento; na troca de olhar de alguns torcedores, desconfiança; nas mensagens que recebia de amigos, um tom de deboche; e nas palavras da crítica esportiva, muitas críticas. Os estatísticos remexiam nos números e na história para revelar que ninguém, ou quase ninguém, havia se recuperado de campanha tão pífia em uma largada de Libertadores.

 

Incrédulos! Parece que não conhecem a história que nos fez Imortal. Parece que esqueceram de nossas façanhas. E até hoje não entenderam que se há uma só esperança, nela nos agarraremos. Por ela lutaremos.

 

E aí de quem duvidar dessa nossa capacidade: será driblado como são driblados os marcadores de Everton; será desarmado como são desarmados todos que se atrevem a enfrentar Geromel e Kannemann.

 

Escrevo hoje com a tranquilidade de quem nunca desacreditou. E registrou em palavras essa crença. Sim, releia a Avalanche daquela noite de 5 de maio e procure nas linhas e entrelinhas qualquer desespero ou desesperança deste escrevinhador.

 

Mesmo diante daquele cenário, mesmo consciente do que estava acontecendo, mesmo sabendo que não tínhamos feito o combinado até então, jamais pensei em desistir. Inspirado na fala de Everton ao fim daquele jogo, que lembrou que a partir daquele momento “era vida ou morte”, não tive dúvida em cravar no alto da Avalanche: “Se é vida ou morte então é com a gente!”.

 

E assim a história se fez mais uma vez, confirmando nosso poder de recuperação. Nossa capacidade de encontrar esperança, onde houver desespero. De levar luz onde houver treva. De levar alegria onde houver tristeza. De levar fé onde houver dúvida — e aqui me inspiro nas palavras de Padre Zezinho, em sua Oração de São Francisco.

 

A cada nova rodada, o Grêmio revelava-se. Fizemos a lição de casa, ao vencer o Rosário por 3 a 1. Desacreditamos as previsões negativas ao fazer 2 a 0 no Libertad, fora de casa. E não bastassem esses placares, os resultados paralelos conspiravam a nosso favor. Chegamos a decisão de hoje apenas precisando de um empate e diante de nossa torcida.

 

O Grêmio jogou muito sério nesta noite de quarta-feira. Sabia do tamanho de sua responsabilidade. Marcou forte e eliminou qualquer risco que o adversário pudesse apresentar. Foi pragmático sem abrir mão do talento. Mesmo sem o espetáculo de outras partidas, buscou em sua qualidade técnica a solução para a classificação.

 

O lançamento de Michel, que colocou Alisson no caminho do gol, foi magistral. O drible de Alisson, primeiro ajeitando a bola com o peito e depois desviando do goleiro, foi incrível. A entrega de Leonardo, que de marcador virou atacante, roubou a bola, foi ao fundo e cruzou para o segundo gol, foi impressionante. E a chegada veloz de Thaciano para concluir a jogada, foi fulminante.

 

Incrédulos e crentes, o Imortal voltou!

Quem enxerga melhor, o lojista ou o Shopping?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

people-2595833_1280

 

Ao ouvir de Andreas Blazoudakis, com a bagagem de 17 milhões de
pedidos mensais atendidos no iFood, que teve dificuldade de convencer
os Shopping Centers da realidade do “on line to off line”, achei oportuno atentar para alguns pontos do processo de inovação.

 

No programa Show Business, em que foi entrevistado pela Sonia Racy,
André expôs a dificuldade inicial que teve ao convencer aos Shoppings que
eles não iriam perder os clientes com o delivery, pois eles já tinham
perdido.

 

Os números não são pequenos, pois 15% das vendas do negócio
estão no delivery. Além disso a recuperação do espaço perdido era viável, pois fora dos Shoppings os custos são mais elevados na formação dos
centros de distribuição. O Shopping é um centro já existente.

 

Ainda assim, foram os lojistas que entenderam e convenceram os
primeiros Shoppings a aderir ao delivery. A BRMalls aquiesceu à novidade seguida pelo Grupo Trigo, Outback, Multiplan e José Galló. Todos como
sócios.

 

Creio que cabe aqui uma reflexão sobre a questão da visão e da
criatividade, pois levamos 20 anos para os Shoppings aceitarem o sistema
virtual.

 

Será que nós os brasileiros somos tão criativos como achamos?

 

Pelo menos não somos os únicos, pois segundo Charles Bezerra, diretor da
?What If! — uma empresa global de inovação e criatividade –, no prefácio
do livro “Os verdadeiros heróis da INOVAÇÃO”:

“Quase todos os países do mundo pensam que são os mais criativos. Do Alasca à Nova Zelândia”

Matt Kingdon da ?What If!, o autor, foca no livro que a inovação vem pela mistura de pensamentos brilhantes, uma imensa dose de determinação e ousadia e um grande golpe de sorte ou serendipidade.

 

Serendipidade?

Um Conto popular na Veneza do século XVI define bem serendipidade:

 

Três príncipes de Serendip (Sri Lanka),foram enviados pelo pai a uma viagem para ver se estavam aptos ao trono. Cruzaram com um condutor de camelo que indagou se tinham visto o animal perdido, e eles responderam:

 

“Seu camelo é cego de um olho, tem um dente faltando e está transportando manteiga e mel”.

 

Pela associação de várias observações distintas explicaram:

 

“A grama foi comida em apenas uma das margens, o que só um animal cego o faria. A grama estava espalhada de forma desigual, possivelmente um dente estava faltando. As formigas em um dos lados da estrada indicavam a presença de manteiga. As moscas de outro lado, de mel”.

Serendipidade, diz Kingdon, é, portanto, um resultado feliz e proveitoso
que pode ter sido inesperado, mas não foi descoberto por puro acaso. O que parece sorte na realidade é algo arduamente alcançado.

 

Sob esse prisma, a inovação em princípio fica mais factível nas “startups”, mas se limitam pelo capital. Enquanto as grandes empresas têm condições de capital, mas limitações corporativas.

 

De qualquer forma será preciso enxergar melhor.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do
Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos
Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Sua Marca: respeite o tempo de adoção de inovação do seu cliente

 

“Cada um de nós tem uma compulsão interna para adotar ou não novos hábitos, novas coisas que mudam a nossa vida” —- Jaime Troiano

A ansiedade de algumas marcas em desenvolver inovações e levá-las ao mercado para obter a adesão dos clientes o mais rapidamente possível pode prejudicar o desempenho de produtos e serviços. O alerta é de Jaime Troiano e Cecília Russo, que conversaram com o jornalista Mílton Jung, no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, na rádio CBN.

 

Troiano e Russo destacaram teoria desenvolvida pelo professor de psicologia Everett M. Rogers batizada de difusão de inovação ou curva de inovação, que separa as pessoas em cinco grupos conforme o tempo que costumam levar para aderir às novidades:

Inovadores/Entusiastas (2,5%) — os primeiros a aderirem a uma novidade

 

Primeiros adeptos/Visionários (13,5%) — se caracterizam por serem líderes de opinião

 

Maioria inicial/Pragmáticos (34%) — fazem aquisição de novos produtos apenas após observar a experiência dos visionários

 

Maioria tardia/Conservadores (34%) — tendem a resistir mais às mudanças e não gostam de correr riscos

 

Retardatários/Céticos (16%) —- relutam em mudar, muitas vezes por falta de informação.

Conforme estudo realizado por Roger, a curva que leva o seu nome ficou assim dividida:

640px-Diffusionofideas

A onda azul da imagem representa os grupos de consumidores e a linha amarela é a quota de mercado que adere às inovações —- quando o produto chega a atingir os 100% significa que chegou ao ponto de saturação do mercado.

Por que é importante entender essa lógica do consumidor?

 

Quando uma empresa traz uma inovação, a Curva de Rogers ajuda a planejar como será a aceitação dessa inovação e a pensar como serão os resultados e a receita futura.

“As empresas às vezes têm ansiedade de avançar nessa curva em um ritmo digital —- sim, tem jeito de acelerar isso, mas é preciso entender o limite das próprias pessoas”— Cecília Russo.

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã.

Avalanche Tricolor: chega pra lá, bruxa!

 

Grêmio 4×5 Fluminense
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Gremio x Fluminense

Kannemann comemora um dos gols em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

“No creo en brujas, pero que las hay, las hay” diz o ditado espanhol que ouvi meu pai repetir algumas centenas de vezes, geralmente quando revelava ceticismo em relação a alguma coisa da vida. Lembrei-me dele não apenas pela oportunidade de estar ao lado do pai nestes últimos cinco dias, em visita a Porto Alegre. Mas pelos fatos que se sucederam desde que fui embarcar em um avião de volta a São Paulo.

 

O atraso do voo, por motivos jamais explicado pela companhia aérea, nos fez embarcar no avião quase 40 minutos depois do combinado — o que já seria suficiente para atrapalhar minha agenda desta noite de domingo: assistir ao jogo do Grêmio pela televisão.

 

Como desgraça pouca é bobagem — perdão, hoje esta Avalanche está cheia de ditados —-, assim que as portas do avião fecharam, o céu em Porto Alegre fechou junto, e um temporal de vento passou a balançar a aeronave na pista do aeroporto Salgado Filho. A torre cancelou decolagens e aterrisagens. E lá ficamos todos presos a espera da liberação.

 

Costumo não ser ansioso nessas horas, mesmo porque a segurança é a prioridade. Mas estava na cara que meus planos tinham ido por água abaixo —- opa, lá foi mais um lugar-comum. Na melhor das hipóteses assistiria ao segundo tempo da partida. A chuva só se acalmou depois de uma hora e 45 de atraso.

 

Assim que desembarquei no aeroporto de Congonhas, liguei meu “radinho de pilha” do celular e fui surpreendido com um 3×0 acachapante, conquistado em 21 minutos, como exaltava o locutor esportivo. Feliz com aquela que seria a primeira vitória gremista no Campeonato Brasileiro me dirigi para o estacionamento onde um carro me aguardava.

 

Nem bem havia chegado ao estacionamento, ouvi o primeiro e o segundo gols adversários. No caminho para a casa veio o terceiro. E quando me sentei diante da televisão, pude ver o 3×4, o 4×4 e o 4×5. E tudo que consegui pensar era que “la bruja” no caso era eu, pois enquanto não acompanhava a partida estava tudo bem. Bastou começar a ouvir o jogo e o meu time desandou.

 

A me apaziguar o coração o fato de “el diablo saber más de viejo que por diablo” —- outro ditado que meu pai repetia à exaustão ao se referir à experiência que só o tempo nos oferece. Pois de tanto assistir ao futebol também sei que nem sempre é o nosso pé frio que muda o placar da partida. Às vezes “la bruja está suelta” no pé de um goleiro desastrado, de um atacante atabalhoado, de um time desconcentrado ou no apito de um juiz mal-intencionado (longe de mim levantar suspeita contra qualquer um dos personagens dessa última frase).

 

Independentemente onde “la bruja” tenha pousado, terminei o fim de semana com o desejo que ela já tenha feito todos os seus feitiços em campo e vá voar para bem longe da Arena, porque na quarta-feira, não pode haver espaço para o azar: “arriba y avante porque la Libertadores viene adelante“.

Conte Sua História de São Paulo: um fusca embrulhado para presente

 

Por Célia Corbett
Ouvinte da CBN

 

 

Essa história aconteceu em maio de 1971. Éramos uma família recém-chegada ao bairro de Higienópolis, na Avenida Higienópolis esquina com a Rua Sabará, no Edifício Parque Higienópolis, um edifício pomposo de 21 andares e novinho em folha. Éramos meu pai, Helio Ferrari, três filhos, Márcia, Carlos e Célia e meus avós paternos, Anna e Francisco.

 

Meu pai já havia decidido presentear o Carlos que havia passado no vestibular para cursar a faculdade de engenharia, no Instituto Mackenzie. O Carlos sempre foi um ótimo aluno, rapaz correto e filho amoroso que merecia um bom presente, mas Sr. Ferrari era um pai prestimoso e queria que o presente fosse entregue literalmente embrulhado.

 

Sr. Ferrari poderia dizer: — “Carlos, vamos à concessionária da Rua Maria Antonia buscar seu fusca”. Mas, ele era um pai muito especial e estava presenteando um filho do qual muito se orgulhava. Foi quando me passou a missão: — “Filha, embrulhe o carro de seu irmão para presente com laço e tudo”.

 

Sr. Ferrari foi para o centro da cidade trabalhar na Rua Conselheiro Crispiniano. O Carlos foi para bem longe, uma vez que meu pai lhe deu uma tarefa deveras difícil para executar e eu meio atônita, fui providenciar um grande lote de papel celofane azul.

 

Unknown-2

Seu Ferrari entrega o presente para o filho Carlos em foto da família

 

Missão dada, eu, de joelhos colei uma folha à outra no chão da garagem do prédio onde morávamos e onde o fusca já estava. Ninguém entendia nada, papel para todos os lados, uma trabalheira enorme. O pessoal do prédio — porteiros e faxineiros e condôminos — olhavam incrédulos para aquele trabalho todo. Seguiu-se o cuidadoso procedimento de embrulhar o Fusca para presente. Até aí funcionou tudo bem. Mas depois veio o laço, pois um pacote de presente que se preze tem que ter um belo laço, não é mesmo? E assim foi feito, um laço bem grande com papel celofane vermelho.

 

Sr. Ferrari sentou-se na sua máquina de escrever e datilografou uma carta temática como se o Fusca fosse um “gênio do bem” que chegaria para cumprir uma missão para o seu novo “amo”.

 

Assim era um trecho da carta:

“Sou “AZUL DIAMANTE” porque venho do Céu.
Sou novo cheio de vida e esplendor para melhor servir ao meu AMO e SENHOR.
Sei também que meu AMO e SENHOR tem pela frente uma longa jornada Porém, aqui estou para ajudá-lo e incentivá-lo em todos os momentos que for necessário. A partir de hoje sei que receberei um novo nome, porém, não medirei esforços para mantê-lo sempre a altura do meu AMO e SENHOR.
Certeza também tenho que sempre nós nos entenderemos e cumpriremos nossos deveres. Agradeço ao meu Pai por esta magnífica e, desde já, gloriosa missão.
Seu novo servo
AY – 9044”

Quando o Carlos voltou já estava tudo pronto, carta escrita, chaves separadas, fusca embrulhado para presente e máquina fotográfica preparada. A entrega do carro ocorreu com toda a pompa e circunstância que haviam sido meticulosamente idealizadas e preparadas por meu pai e por mim. Quem não estava esperando tudo isto era o Carlos e não é difícil imaginar a emoção que envolveu este fantástico acontecimento familiar. Tudo aconteceu no bairro de Higienópolis, precisamente no dia 2 de maio, quando o Carlos completava 19 anos.

 

Eu sou a Célia, hoje eu tenho 64 anos e o Carlos, 66. Tenham certeza que essa história está guardada no melhor lugar dos nossos corações.

 

Célia Corbett é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Venha participar desta série e envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br

Mundo Corporativo: o líder espiritualizado humaniza a relação de trabalho, defende Adílson Souza

 

“A gente não pode trabalhar em qualquer empresa porque boa parte delas não conversa com a gente. E boa parte das empresas que são gigantes, que está no mercado há muito tempo, não estão mais atrativas para os novos líderes” — Adilson Souza, consultor

A necessidade de se construir uma nova forma de liderança, que não considere apenas a ideia de bater metas e alcançar resultados financeiros, tem levado profissionais de diferentes áreas a rediscutir processos e comportamentos dentro do ambiente de trabalho. O consultor Adilson Souza se dedica a desenvolver a visão de que as empresas e seus colaboradores têm de ser comandadas por profissionais que exercitem o que ele batizou de “liderança espiritualizada”. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, Souza falou desse tema:

“Você tem lá um executivo que bateu 30% além da meta que foi estabelecida, só que metade do time foi para a enfermaria e metade foi para o concorrente. A liderança mais espiritualizada é como eu potencializo meu time para alcançar o melhor dos resultados”

Autor do livro “Liderança e espiritualidade — humanizando as relações profissionais”, Souza convida os lideres, novos e antigos, a revisarem seus comportamento para criarem ambientes de trabalho mais saudáveis. Uma mudança que, segundo ele, exigirá, dos profissionais aprendizado constante:

“O líder que não está disposto a aprender, o modelo dele já não serve mais”

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, pelo Twitter @CBNoficial e pelo Facebook da rádio CBN. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo e a qualquer momento em podcast, no site ou no APP da CBN. Colaboraram com o Mundo Corporativo: Guilherme Dogo, Ricardo Gouveia, Izabela Ares e Débora Gonçalves.