Vai passar e pessoas sempre serão essenciais

 

Por Christian Müller Jung

 

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Foto: Pixabay

 


Texto escrito originalmente para o site Coletiva.net

 

Quando a notícia sobre a pandemia da COVID-19 chegou ao Brasil, escrevi artigo sobre os impactos no mercado de eventos — foquei o olhar na área em que mais atuo: o cerimonial público. Refleti sobre a mudança do comportamento nas solenidades e o emprego do protocolo respiratório.

 

Não tinha a mínima ideia, naquele momento, assim como a maioria da população, o quanto essa pandemia impactaria não apenas o meu setor, mas toda a nossa vida —- e, provavelmente, toda a dinâmica da sociedade no futuro.

 

A Covid-19 é um mistério para os médicos e cientistas. Sua influência no comportamento humano é uma dúvida para todos nós. Ao mesmo tempo em que priorizamos a saúde e a sobrevivência diante dos riscos que o vírus nos impõe, um vazio se apresenta no horizonte.

 

A empresária Luiza Trajano, do Magazine Luiza, que liderou a transformação digital da empresa nos últimos anos, iniciativa que permitiu que a sua rede de varejo sobrevivesse à crise e fortalecesse parceiros de negócios, micro e pequena empresários, é uma das primeiras a alertar: “ninguém sabe o que realmente vai acontecer no pós-Covid-19. Quem disser quer sabe, escreva um livro porque se acertar, vai ganhar muito dinheiro”.

 

No setor em que atuo, assistimos ao cancelamento de todos os eventos presenciais, esvaziando a agenda de trabalho da maior parte dos profissionais — a minha, inclusive —-, e atingindo nossa principal fonte de renda. Em poucos dias, o caos estava estabelecido.

 

A necessidade de se reinventar transformou-se em questão de sobrevivência tanto quanto uma barreira para muitos de nós que atuamos há anos nesse segmento. Uns não sabiam fazer além do que já faziam; outros não desenvolveram as habilidade exigidas nesse novo cenário; e todos —- ou quase todos —-, mesmo aqueles que acreditavam estarem prontos para as mudanças, não encontrávamos oportunidade de trabalho.

Agenda sem evento é como cabeça vazia: oficina do diabo. Na mesma velocidade em que o vírus contaminava as pessoas, uma avalanche de informações predizendo o futuro se espalhava entre profissionais do setor de cerimonial. Muitos apontando para o fim das atividades presenciais —- mensagem que potencializava a sensação de medo que a pandemia por si só já provocava em cada um de nós pelos riscos à saúde.

A previsão de que a função exercida por vários dos profissionais que conheço estava em extinção colocava em xeque tudo que se aprendeu até hoje —- a percepção é de que a experiência acumulada ao longo da jornada teria perdido seu valor.

 

Uma onda de novas formas digitais para realização de eventos nos atingiu. Além de exigir investimento pesado em infra-estrutura tecnológica —- computador de ponta, placa de vídeo poderosa, câmera e microfone de qualidade, espaço em casa adequado e sinal de internet eficiente e estável —, o profissional acostumado às solenidades analógicas, trocou o calor proporcionado pela presença do público por uma sala fria e distante; e o olhar antes voltado às pessoas na plateia e no palco, fixou-se em uma câmera à sua frente.

 

Como uma cura para uma doença, ainda que fosse um propósito para um novo mercado de trabalho, a quantidade de informações reescrevendo o futuro, muitas delas repetitivas e sem consistência e outras tantas apenas para preencher o conteúdo vazio de uma live, criaram um cenário apocalíptico. E quanto mais informações e previsões, mais excluídos parecíamos deste novo mundo dos eventos.

 

Com que autoridade deram um ponto final à nossa história —- e profissão?

Quem é capaz de acreditar na ideia de que pessoas não mais precisarão de outras pessoas? Que eventos presenciais deixarão de existir? Que estamos dispostos a abrir mão da troca de experiência, conhecimento e networking proporcionados por seminários? Que ninguém mais deseja celebrar com seus pares uma formatura ou a conclusão de um período da vida? Você realmente acredita que a política só se fará no palanque eletrônico?

Sinceramente, a despeito da mudança de comportamento que teremos, especialmente em relação a proteção à saúde, não me ocorre que deixaremos de ter uma vida presencial e os eventos, na forma como tínhamos até o início deste ano, nunca mais se realizarão. Creio que, a partir do momento em que os países se estabilizarem e tivermos acesso a uma vacina ou alguma outra forma efetiva de controle da doença, o mercado voltará à ativa.

 

Pode demorar, precisaremos ser resistentes e ter fôlego para suportar essa passagem. Da mesma maneira que precisaremos nos adaptar como já fizemos tantas outras vezes na história da humanidade. Atente-se para o tanto que você aprendeu em tão pouco tempo isolado dentro de casa. E o quanto se descobriu produtivo em atividades às quais talvez jamais se imaginou capaz de realizar.

 

Podemos, sim, realizar eventos conectados com o mundo! Nossa experiência e o conteúdo desenvolvido até aqui serão necessários para este novo momento —- seja ele qual for. A bagagem acumulada nessa viagem não será um peso no caminho que teremos de percorrer. Nela está a riqueza do repertório que nos trouxe até aqui.

Os tropeços diante do microfone, o sistema de som falhando, o vídeo que não roda, os textos modificados em cima da hora, o roteiro sendo adaptado às circunstâncias e a plateia nem sempre disposta a ouvir o conteúdo preparado pela organização. Tudo isso foram desafios que você já venceu. E motivos para encorajá-lo a seguir em frente sem medo de ser engolido por essa garganta gigante que se chama evolução.

Sinceramente meus amigos que tão bem representam o nosso setor de eventos, por mais que o mundo virtual seja uma ferramenta produtiva de multiplicação da informação, nunca substituirá por completo o real. Em diversas outras atividades já vimos que esses dois mundos se complementam.

 

Nesses meses de pressão psicológica com bombardeio de mensagens negativas, não nos deixemos contaminar por prognósticos que — convenhamos —- se baseiam em suposições, sem nenhuma garantia do que nos aguarda ali na esquina ou no próximo evento. A incerteza que nos cerca não dá a ninguém a autoridade para decretar o fim de uma atividade.

 

Vamos aproveitar este momento para aprender um pouco mais, desenvolver habilidades que se não nos ajudarem profissionalmente nos elevem como seres humanos. Lembre-se: se tem uma coisa que jamais vai mudar no mundo dos eventos é que ele continuará sendo feito por pessoas.

 

Christian Jung é publicitário, locutor e mestre de cerimônias

Sua marca: a etnografia digital ajuda a entender o comportamento do consumidor, durante a pandemia

 

“Se você quer mesmo que sua marca seja um sucesso, não deixe de acompanhar seus clientes e consumidores, mesmo nesta nova fase com as restrições da pandemia” — Jaime Troiano

O distanciamento entre marcas e clientes provocado pela pandemia da Covid-19 não deve ser uma barreira na avaliação do comportamento do consumidor. Mesmo que à primeira vista o efeito seja muito ruim, é preciso aprender com a necessidade imposta pela crise sanitária. Explorar as informações que circulam nas redes sociais e investir em tecnologia são dois dos caminhos possíveis de serem explorados neste momento, segundo Cecília Russo e Jaime Troiano. Em conversa com Mílton Jung, no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, eles falaram sobre o uso da etnografia digital.

“Através do MOBE — uma ferramenta que leva este nome porque une o MOBILE e o ETHNOGRAPHY —, a gente dialoga com o consumidor durante alguns dias, troca informações e pede para que ele grave vídeos falando de suas mais diversas situações, o que nos ajuda na análise de comportamento.” — Cecília Russo

A plataforma que permite ao gestor avaliar seu cliente já vinha sendo usada antes da pandemia, e ganhou maior relevância diante das restrições atuais. Segundo Jaime Troiano, o MOBE tem um amparo conceitual e metodológico que o sustenta e, portanto, mesmo após a pandemia seguirá sendo usado:

“Bem, nós já tínhamos começado a fazer isso antes. A pandemia apenas acelerou. É um conceito novo de observação que vai continuar sendo muito útil. Agora, não vamos dispensar a convivência e as observações de caráter pessoal: ambientes de compra, fuçando na casa do consumidor, ouvindo conversas alheias nos lugares públicos”.

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55, no Jornal da CBN.

Mundo Corporativo: Luiza Trajano fala da transformação digital e do varejo pós-Covid

 

 

“A gente nunca acreditou que a loja física ia morrer, o que a gente acredita é que ela muda de papel” — Luiza Trajano, Mundo Corporativo

Agilidade na busca de solução, assistência aos colaboradores, compartilhamento de conhecimento com os parceiros de negócio e solidariedade a micros, pequenos e médios empreendedores. Esse é um resumo das ações adotadas pelo Grupo Magazine Luiza diante das dificuldades impostas pela pandemia, a necessidade de manter fechadas 1.100 lojas em todo o Brasil, colocar toda equipe administrativa em home office e perceber que a transformação digital seria a única saída para o varejo.

 

 

Para definir a intensidade da mudança provocada pela Covid-19 nos negócios e na vida das pessoas, a empresária Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho Administrativo do Magazine Luiza, disse que é como se o grupo tivesse vivido 50 semanas em cinco dias. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN, Trajano falou de como encarou este desafio:

“O que eu estou tentando fazer é aprender cada dia e viver cada momento. Porque ninguém sabe … E tentar diminuir o desemprego, tentar fazer as empresas sobreviverem; porque saúde é o que importa, mas o emprego dá dignidade para as pessoas e diminui o desnível social”

Como o comércio eletrônico, através da plataforma Magalu, já estava consolidado, o fechamento das lojas físicas pela quarentena imposta nas cidades brasileiras foi mais facilmente absorvido pelo grupo de varejo. Luiza Trajano disse que a preocupação foi tornar a plataforma também acessível a outros varejistas que não tinham operações digitais —- especialmente autônomos, pequenos e médios empresários. Segundo ela, uma série de medidas foi adotada permitindo a entrada de 160 mil pessoas que puderam vender seus produtos e cerca de 30 mil que se tornaram vendedores dos produtos da Magalu. Além disso, todos tiveram oportunidade de receber treinamento e se preparar para se adaptar para as mudanças.

” … mas o que eu estou falando para os pequenos e para os grandes, é que o digital é uma plataforma; procura a associação da sua cidade, procura o marketplace, ele não vai atrapalhar a loja física, mas era difícil porque as pessoas têm medo, as pessoas não acreditam, as pessoas estão muito bem no físico, e acham que isso não é verdade, mas a pandemia fez isso, né, em 10 dias todo mundo teve de entrar no digital”

Sobre o futuro dos shoppings e das lojas físicas, Luiza Trajano mantém a ideia que defende desde o início de sua carreira como varejista: acredita de que as lojas continuarão tendo seu espaço e necessidade, apenas com funções diferentes. Hoje, por exemplo, as lojas da Magazine Luiza também são centro de distribuição que tornam mais ágil a venda eletrônica.

“Se você não tiver o físico, você não forma a cultura”

No Mundo Corporativo, Luiza Trajano comentou das campanhas que o grupo desenvolve em defesa da mulher, uma missão assumida por ela não apenas na empresa que lidera, mas à frente do “Mulheres pelo Brasil”, que já atua em todo o país.

 

 
A entrevista completa você assiste no canal da CBN no You Tube e pode ouvir em podcast. O programa vai ao ar aos sábados no Jornal da CBN, e domingo às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o programa Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Alan Martins e Débora Gonçalves.

Conte Sua História de São Paulo: minha baioneta caiu da janela

 

Carlos Gati
Ouvinte da CBN

 

 

Em dezembro de 1968, quando o marechal presidente Costa e Silva, promulgou o Ato Institucional número 5, eu fazia cursinho da USP, trabalhava como redator do Jornal O Dia e morava na Rua Paim, na Bela Vista, com um irmão e um amigo.

 

Tive a infelicidade de usar uma baioneta, sim, uma baioneta comprada irregularmente quando fazia o Tiro de Guerra para segurar uma cortina que nos incomodava com o vai e vem do vento. Parece que irritado, o próprio vento fez abaioneta despencar pela janela do do 20º andar do prédio, caindo quando na cabeça de um soldado.

 

— Tem terrorista por aqui — esbravejava o soldado. A polícia foi chamada e cercou o local. Eu estava almoçando na casa de um amigo quando o telefone tocou: — Carlão, estamos liquidados. Venha urgente pra cá que estamos sendo presos.

 

Cheguei e deparei com meu irmão descendo as escadas com as mãos pra cima: – é terrorista, é terrorista – diziam os moradores. Meu amigo já estava na viatura me aguardando. Fomos todos para o DOPS, ou melhor, para a OBAN — Operação Bandeirante, em um quartel no Ibirapuera. Lembro das sirenes soando alto enquanto o rádio da viatura tocava Tim Maia.

 

No interrogatório, disse que a baioneta era minha e os dois não tinham nada a ver com o caso — por isso foram soltos horas mais tarde. O policial à paisana, jovem como os demais, vestidos quase todos de calças jeans, passava a baioneta pelo meu pescoço e repetia: — como você foi entrar nessa? Vai ser muito difícil você sair daqui!”

 

Além do jornal, onde eu escrevia sobre artes, trabalhava também na rádio Record como locutor e pedi para telefonar na emissora e avisar que eu não iria trabalhar…

 

O sujeito deu uma solene risada. Disse que a partir daquele momento eu estava incomunicável e me levou para cela. Tinha apenas um colchonete para dois presidiários. Tiramos no palitinho para ver quem esticaria o corpo naquele colchão. Eu ganhei!

 

No dia seguinte, café com leite e um pão seco, que nem consegui comer. Levaram-me para um local e me fizeram a barba com navalha. Ufa!!! Pensei que iam me raspar a cabeça. Ou cortá-la, quem sabe… Nada de almoço. Até que a porta se abre e um sujeito manda eu pegar as minhas coisas e, ironicamente, diz que a baioneta ficaria.

 

Minha saída é que foi uma efeméride. Sem brincadeira! Não havia ninguém por perto. Uma viva alma naquele pátio. Pensei comigo: será verdade isso? Acho que alguém vai me dar um tiro se eu olhar para trás. Fui andando, andando, sufocado, apressando o passo e correndo. Quando percebi, quase fui atropelado por um ônibus no Parque do Ibirapuera. Entrei no primeiro coletivo, buscando distância daquele lugar.

 

Finalmente, livre… Ou nem tanto. Ninguém saía da mira da polícia mesmo depois de liberado como eu. Noivo, naquela época virou rotina ser revistado por policiais onde quer que eu fosse. Nem sei quanto tempo isso durou, mas, apesar de ter pisado na bola, marquei um golaço em meu prontuário.

 

Carlos Gati é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para contesuahistoria@cbn.com.br

Direitos Humanos, Trabalho, Meio Ambiente e Anticorrupção são as armas para a Covid-19

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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No momento em que alguns especialistas em motivação e autoajuda focam a crise como se fosse algo em que alguns mais competentes estão indo bem enquanto outros estão fechando seus negócios, é conveniente não se precipitar no julgamento.

 

É preciso entender que há segmentos da economia com real problema. Por exemplo, os serviços de cuidados pessoais foram paralisados totalmente, e o renascimento independe de vontade própria.

 

Evidentemente que o varejo que vende produtos semiduráveis e duráveis e não se digitalizou está pagando o preço da miopia de marketing.

 

Entretanto, vale agora, agir racionalmente.

 

Dentro deste prisma vemos um caminho a seguir através dos elementos que compõem o Pacto Global da ONU, que propõe atuação nas áreas de Direitos Humanos, Trabalho, Meio Ambiente e Anticorrupção — o que equivale dizer que as corporações precisam assimilar o Homem e dar a ele a centralidade.

 

São 10 Princípios Universais:

  • Princípio 1 e 2, RESPEITAR e ASSEGURAR os Direitos Humanos
  • Princípio 3, APOIAR a Liberdade de Associação e o Direito a Negociação Coletiva
  • Princípio 4 e 5, ELIMINAR e ERRADICAR todas as formas de Trabalho Forçado e Infantil
  • Princípio 6, ESTIMULAR práticas que eliminem discriminação no emprego
  • Princípio 7, 8 e 9, ASSUMIR, DESENVOLVER e INCENTIVAR práticas proativas para os desafios ambientais
  • Princípio 10, COMBATER a Corrupção em todas as suas formas

São Princípios criados em 2.000 por Kofi Annan e hoje presentes em 160 países, incluindo o Brasil, mas, como se constata, a sua aplicação ainda é restrita a uma pequena parcela de empresas. O que se destaca é que essas corporações têm colhido os frutos da observância do Pacto Global. Não pela preferência dos consumidores, pois ainda não há conscientização universal suficiente, mas pela efetividade dos resultados operacionais. Afinal, a aplicação dos Princípios gera a sustentabilidade ampla, além da flora, da fauna e de todos os recursos naturais, centraliza o ser humano onde sempre deveria estar.

 

O cenário agora vivenciado pela ação do corona vírus está acelerando mudanças que viriam em ritmo mais lento, como a digitalização, hoje obrigatória para o varejo.

 

No âmbito das relações humanas e ambientais a aplicação do Pacto Global é indubitavelmente uma oportunidade para o significado das empresas e suas marcas. O ritmo lento imprimido até então para a inclusão das corporações na ação sustentável deverá se modificar, ganhando impulso. Embora poucos, já temos bons exemplos, além dos primeiros ícones como Natura, e dentro de setor dos mais problemáticos, que é o segmento do vestuário.

 

A Malwee através de seu CEO Guilherme Weege informa que a sua empresa está entre as 20 melhores do mundo em Sustentabilidade, possuindo até linha de montagem em presídios. A Marisol, segundo Fernando Lucena, Diretor, mudou o tratamento “consumidor” para “usuário” tendo em vista a economia circular.

O tema tende a se alastrar positivamente. Por isso estaremos em LIVE a convite da bióloga Angela Garcia da Manancial Sustentabilidade, hoje às 21 hs no @angelapegarcia

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Live semanal da Abraji fala sobre rádio e pandemia com Mílton Jung nesta terça

 

Texto publicado no site da Abraji — Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo

 

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A oitava edição das lives da Abraji sobre os impactos da pandemia no cotidiano dos jornalistas tem a participação de Milton Jung, âncora do Jornal da CBN e do programa Mundo Corporativo. A conversa é nesta terça-feira (9.jun.2020), das 21h às 22h, no Instagram.

 

O espaço virtual de discussão tem o objetivo de compartilhar experiências e desafios enfrentados pela imprensa desde a chegada do novo coronavírus ao Brasil. Em razão dos cuidados de saúde necessários, Jung organizou um pequeno estúdio em casa, de onde tem apresentado o programa matinal e diário da CBN. A conversa com a equipe é feita por aplicativos de mensagem e um sinal de internet conecta sua casa à sede da rádio.

 

Apesar dos desafios diários, ele afirma que a maior dificuldade é dos repórteres, que garantem o conteúdo e a apuração do programa. Para aqueles em trabalho remoto, o esforço é redobrado para que não haja riscos à informação apurada.

“Os que saem, por sua vez, se expõem a dois tipos de perigo: o de se contaminar pelo vírus e o de ser agredido pela ignorância. Neste momento de pandemia, ainda sofremos de um outro mal na sociedade brasileira, que é o fortalecimento de discursos extremistas e totalitários, que não aceitam o jornalismo profissional e a imprensa livre”, afirma.

Apesar dos desafios, Jung entende que o rádio revela sua importância no contexto de uma crise sanitária. O meio de comunicação é o mais presente no Brasil, de acordo com a terceira edição do Atlas da Notícia, divulgado em 2019. Em um contingente de 13.732 veículos mapeados em todo o país, 35% eram radiofônicos.

“O radiojornalismo ganhou protagonismo nesta pandemia ao expressar algumas de suas principais características, como agilidade, velocidade e interatividade, úteis especialmente quando a população sofre de ansiedade diante dos riscos à saúde e quando as novidades surgem a todo momento”, explica.

Entre outros livros, o jornalista é autor de Jornalismo de Rádio (Editora Contexto, 2004), Conte Sua História de São Paulo (Editora Globo, 2006) e É proibido calar! Precisamos falar de ética e cidadania com nossos filhos (BestSeller, 2018). Também é coautor de Comunicar para Liderar (Editora Contexto, 2015).

 

Nas semanas anteriores, o espaço virtual das lives da Abraji teve a participação de Ana Lucia Azevedo (O Globo), Raull Santiago (Coletivo Papo Reto), Kátia Brasil (Amazônia Real), Vinícius Assis (correspondente brasileiro na África), Ciara Carvalho (Jornal do Commercio), Tai Nalon (Aos Fatos) e Ruben Berta (Blog do Berta). A íntegra das conversas está disponível no Instagram.

Conte Sua História de São Paulo: o “Buracão” era o nosso parquinho

 

Lauro Vieira de Oliveira
Ouvinte da CBN

 

 

Minhas memórias começam na época em que morava no bairro do Jardim São Paulo, Zona Norte. A casa na avenida Cabuçu, hoje avenida Marechal Eurico Gaspar Dutra, com dois dormitórios, sala, cozinha, banheiro, portão e quintal com poço, permanece a mesma daquela época, em 1960 — feliz e, corajosamente, não alteraram as suas características de fachada.

 

Nela moravam meus pais —- mãe baiana e pai alagoano, descendente dos índios caetés —-, meus quatro irmãos —- o mais velho dos homens trabalhava em uma fábrica de instrumentos de percussão, ali bem próximo —- avó, tio, o filho mais novo da avó materna e um primo. Comigo, éramos 11. Nos arredores está a Igreja de Nossa Senhora Aparecida, que minha avó era devota fervorosa. Hoje, sob a casa, passa a linha Azul do Metrô. A estação Ayrton Senna/Jardim São Paulo, também está por ali.

 

Tinha uns 5 anos com uma infância muito dinâmica. Brincava-se com tudo o que tínhamos direito; e sem direito também, como descer ladeira dentro de um pneu de caminhão.

 

Um vizinho criava cavalos. E a diversão era roubar um para dar umas voltas até ter levado um tombo e quebrado a cabeça.

 

Quando chovia, ou quando minha mãe lavava o quintal, ensaboávamos o peito e escorregávamos, no corredor do quintal, dos fundos para a frente da casa, uns 8 metros de pura adrenalina.

 

De quando em quando jogávamos bola no campo de futebol, ao lado do hoje Clube Escola do Jardim São Paulo, administrado pela prefeitura. Era de terra, a grama ainda não cresceu. Em parte do campo tinha poças d’água que não secavam nunca, quando você pisava afundava até o joelho. Dalí tínhamos uma perspectiva maravilhosa, avistávamos a passagem do Trem da Cantareira, com destino ao Jaçanã e Guarulhos.

 

Em um dos lados do campo, na rua Professor Fábio Fanucchi estava a escola Professor Antonio Lisboa, onde estudei o primeiro ano primário. Lembra-se da cartilha “Caminho Suave?“ Graças a ela, e, lógico, a minha professora que não lembro o nome, aprendia a juntar letrar e formar palavras. Incrível é que uns 35 anos depois minha mulher foi concluir o seu segundo grau nesta mesma escola! Coisas do destino.

 

Em frente a minha casa havia um espaço imenso, com uma grande depressão. Era o “Buracão”, com uns 200 a 300 metros de comprimento, partindo da rua Almirante Noronha, 10 metros de largura e sete de profundidade. Em uma ocasião, estávamos com uns trocados e fui com os amigos fazer um piquenique em um caverna —- um buraco encrostado em um dos lados do Buracão. Comemos muita coisa boa até que o Seu Antonio, um vizinho que costumava tomar umas cangibrinas começou a bater com os pés na parte superior da caverna. Foi um corre-corre só, todos descendo, escorregando para o fundo do Buracão.

 

Quando iniciaram o aterro do “Buracão“, houve muita tristeza da molecada, pois era um ambiente que, além de estarmos acostumados, fazia parte do nosso parque de diversão. Como vimos que não teria jeito, fomos assistir às máquinas e caminhões trabalharem. Naquela movimentação de terra, descobrimos umas raízes, que delícia, parecia cana-de-açúcar de tão doce que eram!

 

Depois dessa época, fomos morar no Parque Edu Chaves. Mas está é uma outra história.

 

Lauro Vieira de Oliveira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva suas lembranças e envie para contesuahistoria@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: Procurador Geral do Trabalho fala de mudanças nas relações trabalhista e busca da conciliação

 

 

“Pólos opostos que habitualmente não se unem estão compreendendo que um ou outro pode desaparecer, pode desaparecer o empregador e pode desaparecer o empregado, então a gente precisa enfrentar o problema com a visão da conciliação” Alberto Balazeiro

As relações de trabalho sofreram forte impacto com regras sendo mudadas e medidas sendo adotadas para contornar a crise econômica que surge como consequência da pandemia provocada pelo coronavírus. A redução de salário, a suspensão temporária de contratos, antecipação de férias e a necessidade de profissionais exercerem suas funções de casa, sem um período de adaptação, foram apenas algumas das transformações ocorridas nesses últimos três meses.

 

No programa Mundo Corporativo, da CBN, o procurador geral do Trabalho, Alberto Bastos Balazeiro, falou dos desafios que empregados e empregadores enfrentam neste momento:

“A pandemia impôs na nossa dinâmica uma série de realidades que não havia sido imaginada. E nesse cenário de grandes incertezas, o surgimento de mídias provisórias e de legislação excepcional nos preocupam muito. Esperamos que seja uma passagem, uma transição”

Em entrevista a Mílton Jung, Balazeiro explicou algumas das regras que estão em vigor com as medidas provisórias 927 e 936, aprovadas para prevenir as demissões em massa e ajudar empresas a se manterem financeiramente saudáveis

 

Ainda neste semana, o Ministério Público do Trabalhou informou que foram recebidas 19.045 denúncias de irregularidades trabalhistas relativas à Covid-19; e foram abertos 3.905 inquéritos civis para apurar violações sobre o tema. Um dos eixos estratégicos do MPT é a busca de conciliação e debates:

“A gente precisa construir consenso neste momento, não é momento de radicalismo, não há nessa relação de empregado e empregador inimigos, muito menos as instituições de um lado e de outro. As instituições estão interessadas em manter uma linha de equilíbrio, de interlocução e de conciliação”.

A migração para o trabalho à distância, nos modelos de home office e teletrabalho, é outro motivo de preocupação, segundo o Procurador Geral. De acordo com a nova lei, o empregador pode adotar esses modelos a qualquer momento, desde que notifique a equipe no prazo de 48 horas. E as empresas têm de estar atentas às condições com que este profissional vai exercer sua função em casa.

“A fiscalização do cumprimento dessas normas, está sendo feita: estamos atento”, diz Balazeiro.

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN. Colaboraram com o Mundo Corporativo Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Debora Gonçalves e Alan Martins.

Sua Marca: é preciso entender as dificuldades e medos dos clientes

 

“De tudo fica um pouco, fica um pouco do teu queixo no queixo de sua filha…” Carlos Drummond de Andrade

 

Como na mensagem de Drummond, extraída do poema Resíduos, empresas e marcas deixam lembranças em seus consumidores, que são o resultado da forma como se relacionam, se comunicam e prestam serviço. Em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo falaram dos efeitos dessas ações, especialmente em momentos de dificuldades como as impostas pela pandemia.

“Das tantas memórias e resíduos, talvez a gente tenha exemplos ruins, mas quem fez a lição de casa, de forma legítima, verdadeira e autêntica deixou um saldo bem positivo”, disse Cecília Russo

Do pequeno mercado que passou a entregar produtos na casa do consumidor ao serviço de aplicativo que cria programas para premiar o seu usuário, cada um de sua maneira e dentro de suas possibilidades está fortalecendo sua marca — e essas ações não serão esquecidas pelos clientes. Vão se destacar, nesta pandemia, as marcas que entenderam as dificuldades e os medos que as pessoas têm vivenciado

“O resíduo que vai ficar para muitas marcas é um crescimento da fidelidade do consumidor. Como um sinal de retribuição a quem nos tem ajudado a atravessar esses momentos de tristeza”, comentou Jaime Troiano

Para Jaime e Cecília, as boas marcas são aquelas que, testadas, em situações difíceis, como estas, ficam ainda mais fortes e respeitadas.

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso é apresentado por Mílton Jung e vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Mundo Corporativo: é hora de refletir nosso conceito de sucesso, diz Dario Neto do Capitalismo Consciente

 

“A gente está vivendo um momento da história onde é importante ser mais, fazer melhor e ter menos” — Dario Neto

A Covid-19 é a pior crise já vivida neste século e levou empresas a acelerarem transformações que estavam em curso, não apenas da digitalização dos canais de venda, mas também das agendas de consciência dos negócios. A opinião é de Dario Neto, diretor geral do Instituto Capitalismo Consciente Brasil, que falou sobre os impactos que as crises humanitária, sanitária e econômica, vividas a partir do aparecimento do novo coronavírus, terão na forma de se liderar organizações e se pensar as empresas.

“A melhor maneira de fazer o bem é fazendo o bem. Então, nesse momento, compaixão e empatia, por mais que pareçam um contraponto às necessidades e à escassez que nos ronda, é aquilo que vai diferenciar os negócios, que vai prosperar mais ou menos depois desse momento”

Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN, Dario Neto explicou que o conceito do capitalismo consciente surge a partir da indignação do professor indiano Raj Sisodia que assistia a empresas americanas investirem mais em publicidade e marketing do que o PIB da Índia.

 

Sisodia se juntou a Jaf Shereth e David Wolf — e mais tarde recebeu o apoio de John Mackey, CEO da Whole Foods —- em estudo acadêmico que identificou que era possível manter alta reputação e fidelidade dos clientes investindo menos em marketing e lucrando a partir de quatro pilares: propósito maior, cultura consciente, liderança consciente e orientação para stakeholders.

 

O Instituto faz o mapeamento de boas práticas que estão sendo desenvolvidas pelas empresas e analisa projetos para a retomada das atividades e a recuperação econômica após a pandemia. Há organizações, por exemplo, que decidiram proteger seus fornecedores e toda a cadeia produtiva estendendo os prazos de pagamento. Com o mesmo objetivo, manter empresas e empregos, o próprio Instituto tem procurado investidores e empresários para ajudarem na sustentabilidade de uma linha de crédito — CoVida-20 — que facilita o financiamento de empresas, especialmente àquelas que não têm as garantias exigidas pelo sistema bancário, com juros de até 0,5% ao mês.

“Criamos um fundo de socorro, já ligado aos pilares do capitalismo consciente e a demanda foi de quase R$ 30 milhões … O desafio é muito grande … O protagonismo através da economia solidária pode ajudar muita gente”

A despeito da sensação de medo e escassez que impera, Dario Neto lembra que estudos mostram que empresas que revelavam “amor e cuidado em toda sua cadeia de valor, decolaram”, após a crise de 2008. Segundo ele, das 500 maiores empresas, listadas pela Fortune, 57% nasceram em períodos de exceção.

“É um processo que vai levar anos. É uma oportunidade muito especial que nós estamos tendo para refletir o que é sucesso para a gente e para a sociedade. Com um PIB projetado que vai retrair talvez 5, 7 pontos, a gente tem um caminho que é talvez pensar de como é que a gente volta a como é que as coisas eram antes o mais rápido possível — e isso vai deixar a gente angustiado — ou a gente tem um caminho que é o de ter a clareza de que o jeito que a gente viveu e consumia, estava levando o planeta para o fim … se sucesso para a gente continuar sendo consumir então a gente não vai mudar esse jogo, né”

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados no Jornal da CBN e tem a colaboração de Juliana Prado, Guilherme Dogo, Natacha Mazzaro, Priscila Gubioti e Débora Gonçalves.