Conte Sua História de São Paulo: o colono que superou um encontro vocálico

 

Por Vera Lucia Crepaldi Selma
Ouvinte da CBN

 

 

Bisneto de imigrantes italianos, Luiz nasceu na cidade de Ibitinga., interior de São Paulo. Filho mais velho de Guerino Crepaldi e Domingas Buchi, tinha um irmão, José. A família trabalhava como colonos numa fazenda na região de Marília — colonos era a denominação que se dava ao trabalhador que cuidava da lavoura para o dono da fazenda, morando ali mesmo, numa casa oferecida pelo proprietário.

 

“Não tinha dinheiro, mas comida nunca faltava” — era o que Luiz sempre falava. Verduras, frutas, legumes e aquela carne de porco que ficava envolta na banha, uma vez que não havia refrigeração. Era uma fartura. Ele e o irmão tocavam e cantavam. Luiz tocava gaita e cavaquinho. José tocava violão. Juntos tocavam e divertiam os amigos em Ibitinga.

 

Mas, aos 16 anos, uma grave doença acometeu o pai Guerino e a família veio para São Paulo na busca de uma cura. Apesar da via sacra para tentar salvar o pai, os esforços foram em vão e, em pouco tempo, o Seu Guerino morreu.

 

Sem estudo — Luiz nunca havia frequentado uma sala de aula —, sem trabalho e morando num cortiço na Vila Maria, com a mãe e o irmão, a vida se apresentou bastante dura para esse jovem recém-chegado. Até o banheiro era compartilhado com várias famílias. Apesar de nunca ter frequentado uma escola, ele sabia ler, sim. Aprendeu na fazenda mesmo.

 

Luiz foi corajoso e audacioso e se matriculou num curso técnico em Contabilidade. Arrumou um emprego de auxiliar em uma loja e à noite passou a frequentar as aulas Muitas vezes sem comer, enfrentava todas as dificuldades de quem nunca tinha entrado numa sala de aula. A vontade de desistir o acometeu, principalmente quando era a bola da vez na “chamada oral”.

 

Inesquecível a sua narrativa sobre o dia em que o professor de português pediu para que ele se levantasse e respondesse:

 

— Luiz, o que é um encontro vocálico ? Ele nunca tinha ouvido falar.
— Bem, professor, um encontro vocálico é um encontro vocálico.

 

Diante das risadas dos colegas e da expressão atônita do professor, que ainda emendou um “estão vendo? Nunca se esqueçam dessa brilhante definição!”, aquele foi mais um dia em que Luiz pegou suas coisas, saiu da sala e jurou que nunca mais voltaria. Entretanto, foi convencido por outro professor que o interpelou por perceber a sua fisionomia transtornada.

 

Luiz resolveu tentar mais uma vez depois da promessa do professor, que se tornou inesquecível para ele, de que conversaria com alguns colegas para que o auxiliassem com as dificuldades que ele tivesse na escola. E assim foi… aos trancos e barrancos, Luiz conseguiu o seu diploma de Técnico em Contabilidade, que garantiu a sua sobrevivência e de toda a família.

 

Luiz casou, reformou a casa da sua sogra para que pudesse nela morar junto com sua esposa e ainda construiu uma casa para sua mãe e outras duas que lhe garantiram uma renda extra pelo resto de sua vida. Teve três filhos.

 

Apesar de nunca ter estudado o primeiro grau, formou os três filhos. Meu irmão engenheiro, formado pela USP de São Carlos, hoje trabalhando e vivendo nos Estados Unidos. Eu, arquiteta, formada pela FAU/USP, hoje aposentada e trabalhando na empresa de meu marido. Minha irmã caçula cirurgiã dentista, formada pela Camilo/Castelo Branco

 

Essa é a minha história de São Paulo. A história do meu pai, que morreu em 2004, aos 79 anos; que veio de Ibitinga e foi acolhido pela cidade; que mudou a sua vida, uma vida que lhe deu todos esses presentes, como ele mesmo dizia.

 

Vera Lucia Crepaldi Selma é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br

Mundo Corporativo: Luciano Salamacha diz que as pessoas subestimam o que podem fazer

 

 

“Muitas vezes as pessoas passam a acreditar menos em si mesma diante de uma situação que elas mesmas criam e que quando acordam, quando ressignificam, quando dão um outro significado para aquela mesma situação percebem que estavam se boicotando, que estavam muitas vezes subestimando o que podem fazer” —- Luciano Salamacha, consultor de empresa

As pessoas são seduzidas por problemas a todo instante no ambiente de trabalho, mas a intensidade desses problemas pode ser reduzida consideravelmente desde que o profissional atue de forma planejada e mantenha um nível mental otimista. A constatação é do consultor de empresas Luciano Salamacha, professor da FGV e fundador da Escola do Pensar na ESIC, instituição focada em comportamento humano e gestão.

 

Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da CBN, Salamacha falou fez recomendação às pessoas dispostas a empreender:

“O empreendedor sempre terá o direito e até mesmo o dever de ir contra a regra vigente. Um plano de negócio é uma tentativa de diminuir a margem de erro ou potencializar a margem de acerto, mas vai ter sempre aquela expressão lá do intimo da pessoa em dizer eu vou encarar, porque risco é subjetivo”

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no Twitter (@CBNoficial) e na página da CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o Mundo Corporativo Guilherme Dogo, Ricardo Gouveia, Débora Gonçalves e Izabela Ares.

Butique brasileira para o bom atendimento é destaque na Europa

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

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A SKS CX Customer Experience Consultancy, empresa que foi pioneira como fornecedora de Cliente Oculto no Brasil e resolveu recentemente reformular o seu modelo, tornando-o sob medida, comoditizado, a partir de agora é “Elite Member MSPA” — prêmio concedido pela MSPA Europe/África.

 

A MSPA — Mystery Shopping Providers Association é uma entidade global que representa 450 empresas associadas de Cliente Oculto, cujo objetivo é apoiar e influenciar toda a experiência do cliente por meio de educação, pesquisa, rede e métricas.

 

Vários atributos foram destacados pela MSPA Europe/África para conceder o prêmio a SKS, entre eles o “alto índice de satisfação dos serviços prestados de Fornecedor de Cliente Oculto”.

 

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Mediante este sucesso, fomos à fundadora e CEO da SKS, Stella Kochen Suskind, e perguntamos como assimilar e usufruir esse prêmio diante do desafio da incompatibilidade entre o reconhecimento qualitativo recebido e o pequeno tamanho do mercado nacional para o Cliente Oculto.

 

Stella confirma o “gap” entre a liderança qualitativa da sua empresa e a defasagem quantitativa da demanda nacional, mas aposta na criatividade e inovação para se impor à cultura existente, que não enxerga o mau atendimento vigente.

 

Ao detectar a descontinuidade a que as empresas submetem o trabalho do Cliente Oculto e o modo desconectado que usam na contratação das demais pesquisas correlatas, Suskind está apostando em um novo produto que poderá revolucionar todo o sistema de comunicação e avaliação do comportamento do cliente e da empresa.

 

Nessa visão, à pesquisa do Cliente Oculto poderão ser agregadas e inter-relacionadas as seguintes linhas:

NPS Net Promoter Score — que mede a satisfação do cliente a partir da pergunta “de uma escala de 0 a 10 quanto você indicaria a empresa, o serviço ou o produto a outra pessoa?”. De 0 a 6 ficam os Detratores, de 7 a 8 os Neutros e de 9 a 10 os Promotores. O escore é estabelecido diante do cálculo do percentual de Promotores e Detratores da sua marca que é aplicado na fórmula P – D/Número de respondentes

 

UX User Experience, satisfação de uso

 

CX Customer o Experience, satisfação de clientes

 

VOE Voice of Employes, voz dos empregados

 

VOC Voice of Customer, voz do consumidor — com o resultado de todos os canais

 

Brand Tracking, que é o seguimento da marca para identificar a visibilidade e o prestígio.

A constatação do mau atendimento não é difícil. Com um pouco de sorte ou azar, conforme o caso, basta visitar os canais de venda existentes por este Brasil afora. A emoção virá. Talvez não tanto quanto aquelas vivenciadas pela Stella Suskind.

 

Após receber com a devida emoção seu Prêmio, na Croácia, fez escala no aeroporto de Frankfurt. Na revista eletrônica ao soar o apito, teve que mostrar o troféu de Elite Member. Os cinco fiscais atentos indagaram do que se tratava. Ao saberem que Stella Suskind havia ganhado um prêmio de qualidade, não tiveram dúvida: APLAUDIRAM!

 

Eis aí um bom atendimento.

 

EMOCIONANTE!

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

O que diz Bocelli, meu especialista, sobre pensão alimentícia para animais

 

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Ana e o marido viveram felizes enquanto foi possível. Não faz muito tempo entenderam que não se amavam o suficiente para continuarem juntos nem se odiavam a ponto de terem uma separação litigiosa. Além dos laços afrouxados que os distanciaram havia os gatos a aproximar o casal —- três gatos para ser mais preciso. E um cachorro, também.

 

Ficou a cargo dela manter os gatos Cristal, Lua, Frajola e o cão Frederico, na casa onde moravam, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. A cultura brasileira ainda tem dessas coisas. No momento da separação, por mais amigável que seja, os filhos ficam com a mulher, geralmente. O homem — nem todos, é lógico — pega as crianças em dias determinados para passear e se divertir; e terceiriza para a esposa, ou melhor, para a ex-esposa a educação, a disciplina e todas aquelas coisas chatas que precisamos fazer para criamos crianças saudáveis, justas e éticas. Pelo visto, o mesmo ocorre no caso dos filhos de pelo —- como recentemente passaram a chamar gatos e cães de estimação.

 

Sei que separação de casal, guarda compartilhada, divisão de responsabilidade sobre os filhos e até mesmo os pets já ocorreram aos montes e na maioria dos casos não mereceram uma só nota de rodapé no jornal nem uma crônica (?) neste blog. Mas a história do fim do relacionamento da Ana e do marido — que teve seu nome preservado e eu sei lá o motivo disso — ganhou o noticiário por uma curiosidade jurídica. Pela primeira vez, o tribunal determinou o pagamento de pensão alimentícia aos animais de estimação.

 

Segundo reportagem do G1, o acordo estabelecido entre os pais dos animais prevê que a mãe fique com os gatos e o cachorro e o pai pague o valor referente a 10,5% do salário mínimo, o que hoje equivale a R$104,79 por mês. Ele também tem direito a visitas e passeios.

 

A justiça brasileira já havia decretado a guarda compartilhada de animais anteriormente, mas não previa —- até agora —- pensão alimentícia. Ribeirão Preto parece faz história em defesa dos animais.

 

E se não pagar a pensão? Pergunta de gaiato. Acontece isso mesmo que você está pensando: vai para a cadeia. Sabe-se que se tem coisa que se leva a sério no Brasil é esse negócio de pensão. Sem dor nem perdão. Não pagou, prendeu — às vezes até de maneira injusta, como já tratamos neste blog.

 

Em casos como esse —- que me foi apresentado pelo Frederico, não o cachorro do ex-casal, mas o Goulart, âncora do CBN Primeira Notícias — prefiro recorrer a palavra de especialistas. Consultei o Bocelli, meu gato persa. Adianto-lhe que ele é um gato de poucas palavras, mas tive a impressão de que recebeu bem a notícia, pois sabe quanto custa manter um bichano, imagine três — ah, e o cachorro, também.

 

Bocelli ficou em dúvida apenas em relação ao valor. Achou pouco. Sabe que a lei fala apenas em custear comida mas deve ter pensado no preço da ração (especialmente a dele que é de primeira), que se soma ao da areia para a caixinha, às visitas ao veterinário e ao banho mensal —- apesar dele achar que isso tem muito mais a ver com cão do que com gato. De qualquer forma, acredita ser um bom início de conversa.

 

A incomodá-lo apenas a informação passada pela advogada Taís Roxo, responsável pelo caso, de que “tem no Congresso já em trâmite um projeto de lei nesse sentido (em favor da pensão alimentícia para animais)”. Logo lhe veio à mente, os gatos de rua do vizinho que vão começar a coagi-lo a participar de manifestações em favor do projeto de lei, além de os aproveitadores de protesto que envergarão suas faixas contra a reforma da Cãovidência, pelo fim do CCZ ou pela volta da Carrocinha.

 

Para acalmá-lo, sugeri que convidasse seus colegas de raça a se manifestarem através do aplicativo O Poder do Voto, onde podem pressionar deputados e senadores e expressar suas opiniões a favor ou contra os projetos de lei que estão no Congresso. Como Bocelli é gato moderno, adorou a ideia de se transformar em um militante digital.

 

Antes de encerrar nossa conversa, deixei claro que, a persistirem os sintomas, ele jamais precisará se preocupar com essas coisas de separação, guarda compartilhada e pensão alimentícia, ao menos enquanto ficar aqui em casa. Juro que ouvi um miado de satisfação.

Avalanche Tricolor: ao menos tricolor

 

 

Bahia 1×0 Grêmio
Brasileiro — Estádio Municipal do Pituaçu/BA

 

 

Vivemos uma noite tricolor, nesse sábado, aqui em São Paulo. Monumentos importantes, como o em homenagem aos Bandeirantes, que fica em frente ao Parque do Ibirapuera, receberam as cores verde, branca e vermelha, para marcar os 73 anos da República italiana. A “Tricolor” — como os italianos se referem à bandeira do país —- se fez presente na fachada da sede da prefeitura e da Fiesp, e na Ponte Estaiada, por obra e inspiração do cônsul-geral italiano na capital paulista, Filippo La Rosa.

 

O prédio do Terraço Itália, no centro da cidade, também foi iluminado pelas três cores em imagem que se destacou na noite chuvosa da capital. Eu estive logo ali ao lado, onde fica a sede do Circolo Italiano, que recebeu convidados para aplaudir meu amigo e colega Walter Fanganiello Maierovitch, juiz reformado, importante no auxílio ao combate a máfia e ao crime organizado, homem de discurso transparente e equilibrado, sempre atuante em defesa da justiça e uma voz forte em favor dos injustiçados. É palmeirense, fazer o quê, né!?! Ao menos torce hoje por um dos nossos ídolos, Luis Felipe Scolari.

 

Na mesa que estava reservada fiquei ao lado de gente boa como o narrador Oscar Ulisses, o comentarista Mário Marra e o âncora Roberto Nonato —- todos admiradores do bom futebol, assim como eu. Foi o Mário quem me sinalizou o placar final da partida que havia se realizado em Salvador. Era o mesmo que eu havia ouvido no aplicativo do rádio pouco antes de chegar ao local da festa.

 

Estava para estacionar o carro quando o locutor descreveu o lance que culminaria no gol adversário. Perdemos a bola no ataque, tomamos o contra-ataque e Geromel, na tentativa de evitar o gol, viu a bola bater no braço dele dentro da área. Cheguei a torcer por mais um milagre de Paulo Victor. Em vão. Subi para festa com o 1×0 nos ouvidos que, no fim, seria o placar fatal.

 

Além das ótimas companhias na noite que vivi nesta que é a maior cidade italiana fora da Itália, da boa mesa servida aos convivas e do orgulho de ver um amigo ser merecidamente reverenciado pela colônia tricolor, restou-me ouvir o consolo de um dos garçons que servia o vinho e me reconheceu como jornalista e torcedor do Grêmio: “ao menos quem ganhou foi um tricolor, seu Mílton!”.

 

E comandado por Roger Machado, que também é um dos nossos, pensei cá com minha gravata.

 

É, pode ser! Se tiver de ser alguém, que seja ao menos tricolor! Viva a Itália!

Conte Sua História de São Paulo: o pão doce do meu lanche, na Mooca

 

Por Marlene Ayres Bicudo
Ouvinte da CBN

 

 

Nossa família é aquela chamada quarto centenária paulistana, família de professores. Castilho Amaral é o sobrenome por parte de mãe. Ela contava que eram em 17 irmãos, mas com o tempo as fotos contavam com apenas oito: Joaquim, João Miguel, Nelson, Olavo e as mulheres Noemia, Cida, Benedita e Roquellina. Aos três anos, mudamos para o bairro da Mooca, onde vivi por 17 anos. Nossa casa na rua Cassandoca, travessa da Taquari, ficava em meio a outras casas e diversas fábricas de tecelagem, pastifícios, metalúrgicas e indústria Matarazzo. Eu tinha bronquite e o passeio de toda semana era ir ao gasômetro, pois diziam que aquele cheiro de gás fazia muito bem aos problemas respiratórios.

 

As casas eram térreas, com terrenos compridos que tinham quintais de cimento e terra, e quase todas tinham porões. Na parte de terra dos quintais haviam árvores frutíferas, hortas e galinhas. Os porões tinham muitas histórias; além de moradia, tinham espaço para brincadeiras e a parte sombria, parte irregular na altura do porão, desabitada, que para nós era bastante assustadora

 

Na continuação da nossa rua estava o antigo hipódromo que virou o lindo parque da Mooca. Ali frequentei o parquinho — assim era chamada a creche. Com nossos uniformes de calção vermelho, conguinha branco, camisa branca, boné e mochila de tecido vermelho. Tenho boas lembranças, principalmente da hora do lanche. Canecas para cima para tomar leite com café, canequinhas viradas para baixo para quem fosse esperar o Toddy gelado, meu preferido. O lanchinho era quase sempre pão com manteiga, pão com goiabada e pão com banana.

 

Minha mãe ficou viúva quando eu fiz um ano de idade, então logo começou a trabalhar, nada muito comum naqueles anos 1960. Era maravilhoso quando ela deixava um pão doce para o meu lanche, deixado quando passava em frente ao parque a caminho do trabalho. Era uma surpresa deliciosa.

 

O parque da Mooca fez parte da minha vida, ali frequentei a escola modelo primária Dr .Fabio da Silva Prado. Era a única escola que cada sala de aula tinha um espaço individual de recreio. Os alunos não compartilhavam o recreio comum, que era reservado aos mais velhos. Era lindo porque ao redor das salas tinha o bosque. Antes de entrarmos na escola, em seu pátio externo de entrada era estendida a bandeira e todos cantávamos o hino nacional.

 

Foi no parque da Mooca que aprendi a nadar. Tinha uma enorme piscina, com uma boa parte rasa e outra funda, além do espaço com trampolim. A piscina era dividida com uma faixa azul, pois havia o lado feminino e o lado masculino, não podiam se misturar. O vestiário era bastante controlado; nada de biquíni; chuveirada antes de acessar a piscina; e os dedos dos pés eram vistoriados e rigorosamente examinados; todos tinham que abrir os dedos para não esconder nenhuma micose. A incumbência de levar-me à piscina ficava a cargo dos meus irmãos mais velhos, Luis, cinco anos mais velho que eu, e Carlos, cinco anos mais velho que o Luis. E como fazer para tomar conta da irmãzinha sem poder se misturar? Ficávamos lado a lado na faixa separadora. Aprendi a nadar rápido , pois meus irmãos paqueravam as meninas e pediam para elas me ensinarem a nadar e tomar conta de mim.

 

Não lembro de bondes, já estavam no fim de circulação. Nosso passeios eram as visitas aos parentes e eles visitarem nossa casa, era a farra dos primos. Não havia tédio, principalmente na Mooca, em meio a tantos imigrantes italianos, portugueses e tantas outras pessoas maravilhosas que se ajudavam mutuamente tornando a vida mais tranquila e segura.

 

Muitas pessoas gostariam de viver em lugares mais tranquilos, mas confesso que ao retornar de qualquer viagem, sempre digo que adoro esta São Paulo, esse agito, esse movimento que dificilmente você se sente sozinha. Pode passear na Paulista, tem lindos parques, museus, teatros, lojas, igrejas e tudo de montão. Acho o máximo. Aqui tem de tudo, pessoas gentis e educadas que prezam a limpeza, a urbanidade e digo que os paulistanos são generosos.

 

Como paulistana parabenizo minha cidade e convido a todos a amá-la muito mais, preservando e participando de sua zeladoria.

 

Marlene Ayres Bicudo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br.

Sua Marca: franquia ou marca própria?

 

 

“Essa é uma decisão que não tem certo ou errado, porque depende da capacidade de investimento e o tipo de personalidade que você tem” Jaime Troiano

No momento de o empreendedor decidir se investe em uma franquia ou lança uma marca própria alguns aspectos devem ser levados em consideração. No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo apresentaram vantagens e desvantagens que devem ser avaliadas antes de se iniciar o negócio.
 

 

Em favor da abertura de franquias pesam as seguintes características:

  1. São marcas conhecidas e as pessoas têm uma familiaridade com elas.

  2. Já existe um sentido de confiança e lealdade do consumidor

  3. Tem um branding estruturado: o manual já sabe como deve ser a fachada, como os produtos são expostos, como deve ser o cardápio

  4. Existe monitoramento na gestão por parte da franqueadora

Evite abrir uma franquia se você se encaixa na lista a seguir:

  1. Menor liberdade para gestão

  2. Pouca margem para imprimir personalidade própria

  3. Exige um investimento inicial alto para o negócio deslanchar

  

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55, no Jornal da CBN.

Mundo Corporativo: as dicas de Alex Szapiro, CEO da Amazon Brasil, para empresas e profissionais

 

 

“Além da formação técnica, além da faculdade, eu acho que tem um outro ponto que a gente tem de estar se reinventando. A reinvenção, ela é constante, até pela questão da longevidade. Esse é um tema muito presente inclusive hoje no Brasil com a reforma da Previdência, eu diria que as pessoas não podem parar de estudar” — Alexander Szapiro, Amazon Brasil

A experiência da maior empresa de comércio eletrônico do mundo pode ajudar empreendedores dos mais diversos portes a melhorar sua performance, seja usando sua plataforma seja replicando seu conhecimento. Por isso, o Mundo Corporativo foi entrevistar Alexander Szapiro, CEO da Amazon Brasil, que falou sobre oportunidades de negócios e de carreira. Para ter ideia, a Amazon está contratando aqui no Brasil e Szapiro diz o que a empresa busca em seus novos funcionários:

“Entre uma pessoa que fez um mestrado e uma pessoa que saiu mochilando um ano pelo mundo, ambos tem valores muito parecidos. A informação técnica é importante mas a informação de vida, a experiência, a diversidade que você adquire faz com que as pessoas tenham ponto de vistas distintas e ajuda no debate”

O executivo da Amazon diz que o que leva o consumidor a fazer a primeira compra online é a confiança, por isso é fundamental que as empresas que atuam nesse setor e dependem da logística devem “prometer o prazo certo, mesmo que esse prazo talvez em um primeiro momento não seja o ideal”. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, Szapiro também sugeriu que os empreendedores invistam em duas características:

1. Coragem — às vezes, é preciso fazer coisas que a gente não se sinta pronto.
2. Pensamento em longo prazo — ajuda a tomar decisões que muitas vezes podem parecer que não fazem sentido agora mas que trará resultados mais à frente.

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, às 11 horas, na página da CBN no Facebook e no Twitter (@CBNOficial). O programa vai ao ar, aos sábados, no Jornal da CBN, ou aos domingos, às 22 horas, em horário alternativo.

O patriarcalismo já era, escreve Jaime Pinsky

 

Jaime Pinsky, autor do texto que você lerá a seguir, é o diretor editorial da Editora Contexto, pela qual tive o privilégio de lançar dois de meus quatro livros — “Jornalismo de rádio” (2004) e “Comunicar para liderar” (2015), este último escrito em parceria com Leny Kyrillos. Historiador —  e como tal observador da história e do comportamento humano —, Pinsky publica seus textos no site www.jaimepinsky.com.br ,que merece estar  na sua lista de favoritos, caro e raro leitor deste meu blog.

 

Às vezes, tomo a liberdade de trazer para cá alguns de seus pensamentos com o objetivo de compartilhar com você o conhecimento que ele nos oferece. Só não o faço com mais freqüência para não abusar da boa vontade do autor. Hoje, não me contive. Assim que recebi seu artigo por e-mail, apressei-me em reproduzir aqui no blog, pois vejo nas palavras de Jaime Pinsky a explicação que jamais eu seria capaz de dar às pessoas para uma mudança que deveria ser evidente na sociedade moderna, mas que me parece ainda não tocou o coração e a mente de muita gente graúda: o papel do homem e da mulher na família.

 

Com título que deixa claro a que veio, Pinsky questiona o patriarcalismo que reinou por séculos, mas que não encontra mais espaço — ainda bem — nos tempos em que vivemos. Uma ideia que defendo em meu último livro “É proibido calar! Precisamos falar de ética e cidadania com nossos filhos”, lançado pela BestSeller, do Grupo Editorial Record — desculpa aí, Pinsky.

 

Com a palavra Jaime Pinsky:

 

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Ser agricultor em regiões que hoje formam estados nacionais como Líbano ou Israel era muito diferente do que trabalhar a terra no antigo Egito, ou na região mesopotâmica hoje correspondente ao Iraque. A situação geográfica e o clima mais previsível da Palestina permitia o trabalho solitário de famílias camponesas, enquanto que o Nilo, de um lado e o Tigre e o Eufrates de outro tinham um regime de cheias e vazantes que obrigavam o agricultor a trabalhar coletivamente na construção de diques e canais para domar a natureza pródiga, mas agressiva. A construção de impérios na Mesopotâmia e no Egito tem, pois, muito (mas não só) a ver com as condições geográficas encontradas pelos seus habitantes. Não é uma determinação (mesmo porque não há como a Geografia determinar a História), mas um condicionamento. Nem todas as civilizações ao longo de grandes rios tiveram as características imperiais de Egito e Babilônia, mas esse tipo de organização política ocorreu em vários outros lugares como China e Índia, por exemplo. Mas não ocorreu em várias outras regiões onde também tínhamos (e temos) grandes rios e atividade agrícola (Amazonas, Mississipi, por exemplo, ou mesmo os rios europeus…).

 

Historiadores consequentes continuam dizendo que o ser humano atua em condições históricas concretas. Por mais que uma garota entre no curso de História por admirar, invejar e querer se tornar uma princesa medieval, isto nunca vai acontecer, mesmo por que a Idade Média ficou (felizmente) na poeira da História. Acabou. Ela tem um ideal anacrônico, viável apenas no mundo da fantasia, da mesma forma que o garotão, praticante de joguinhos eletrônicos, nunca vai poder se tornar um cavaleiro medieval. Anacronismo é isso.

 

Contudo, o anacronismo pode se manifestar de muitas outras maneiras. Um exemplo? Qualquer política preconceituosa com relação às mulheres. Não se trata de discutir questões morais, ou recorrer a textos bíblicos. Historicamente não faz sentido. Vejamos: o patriarca, o homem chefe de família era aquele que, entre outras funções, distribuía o serviço, as funções, os papeis de cada um da família. Era aquele que queria muitos filhos para que houvesse muitos braços (diziam que braços são dois e boca uma só). Era aquele que estabelecia regimes de trabalho, horário de dormir e de acordar, de comer e de rezar.

 

O processo de urbanização e a consequente criação de outras funções sociais de trabalho fez com que filhos e filhas ganhassem mais autonomia. Ao sair para o trabalho, eles não mais ficavam sob a tutela direta do patriarca. Ao ter seus horários definidos pelo patrão (ou patroa) a garota escapava do poder direto do patriarca. Ao perceber que na cidade uma criança precisava ser vestida, transportada, alimentada, medicada, educada e que isso custava muito caro, as mulheres passaram a tomar providências anticoncepcionais. Núcleos familiares com poucos, ou nenhum filho substituíram as grandes famílias e o poder esvaziado do patriarca já não tinha mais sobre quem se exercer, salvo como resquício simbólico de um tempo passado. As cidades tendem a matar o patriarcado.

 

Contudo, e bons autores tratam disso, o universo de valores muda mais lentamente do que o mundo da economia ou da política. Sem saber (ou até sabendo) que suas ideias são jurássicas muitos homens ainda querem ter sobre seus familiares uma ascendência que os tempos não justificam mais. E não apenas sobre as mulheres de sua família, mas sobre todas as mulheres. Homens que se sentem (ou se dizem) melhores do que elas dirigindo um carro ou uma empresa, um hospital ou um departamento universitário. Homens que ainda olham as mulheres com falsa condescendência, apoiados por instituições que reforçam o arcaísmo da discriminação, como a maioria das religiões mundiais (no catolicismo, em que as mulheres são apenas colaboradoras, não tendo direito a estabelecer vínculo direto entre a divindade e o fiel; entre os muçulmanos que “protegem” a mulher proibindo que sequer mostre seu rosto em público; entre os judeus ortodoxos que não permitem sequer que ela tome a iniciativa do divórcio quando a relação não caminha bem).

 

Cabe aos homens prestar mais atenção em suas atitudes individuais e sociais, ao preconceito cotidiano, às piadinhas de mau gosto, a atitudes que parecem, mas não são de companheiros com direitos iguais. Que tal compartilhar responsabilidades e não apenas “ajudar”? Afinal, alimentação da família, limpeza da casa, criação dos filhos, é responsabilidade do casal, ou não? E oportunidades profissionais, um direito dos dois, não é?

 

A era do patriarcalismo já era.

Lojistas de shopping criam feira-butique para estimular negócios em franquias

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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A ALSHOP — Associação Brasileira de Lojistas de Shopping  inaugurou um novo formato de feira para o setor de franquias. Quarta-feira, na casa Petra, em Moema, São Paulo, 43 expositores e mais de 60 marcas — entre franqueadores, shopping centers e serviços ao varejo — se encontraram com franqueados potenciais, agendados antecipadamente.

 

O conceito foi reunir os agentes necessários para a escolha de uma marca ou de um franqueado que atendesse aos requisitos de excelência em todos os aspectos empresariais — otimizando custos e resultados no menor tempo possível com conforto e eficácia. Para isso, a pequena área de 500 m2 utilizada e o reduzido preço para ocupar um espaço no valor de R$ 2 mil foram fundamentais para facilitar a visita do franqueado e atrair o franqueador.

 

A presença de empresas de serviços como consultorias de administração e finanças, expansão, sistemas e controles de contratos, assim como shoppings, completaram a cadeia produtiva do varejo. O pacote estava completo e com a alcunha de VIP, pois o atendimento personalizado e exclusivo ficou evidenciado.

 

Com isso cria-se uma nova modalidade de feira de franquia. A feira-butique vem fortalecer o tradicional esquema vigente com as grandes feiras mantendo a importância que sempre tiveram. O setor se enriquece ao segmentar, afinal segmentação pode ser separação para ampliação.

 

O fato dessa inovação, resultante da necessidade de alternativas para o enfrentamento da economia brasileira que demora a deslanchar, demonstra mais uma vez que a dificuldade pode alavancar soluções inéditas e positivas. Assim como a volta ao atendimento personalizado é sempre bem-vindo.

 

Quem gosta de ser VIP — Very Important Profissional — que se habilite.

As próximas Feiras-Butiques BRASIL SHOP:

 

Curitiba 10/julho
São Paulo II 20/agosto
Belo Horizonte 25/setembro
Recife 16/outubro

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung