Quintanares: Pedra rolada

 

 

Poesia de Mário Quintana
Publicado em Nova Antologia Poética
Interpretado por Milton Ferretti Jung

 

Esta pedra que apanhaste acaso à beira do caminho
– tão lisa de tanto rolar –
é macia como um animal que se finge de morto.

 

Apalpa-a… E sentirás, miraculosamente,
a suave serenidade com que os mortos recordam.

 

Mortos?! Basta-lhes ter vivido
um pouco
para jamais poderem estar mortos

 

– e esta pedra pertence ao universo deles,

 

Deposita-a
no chão,
cuidadosamente…

 

Esta pedra está viva!

 

Quintanares for originalmente ao ar na rádio Guaíba de Porto Alegre

Conte Sua História de SP: a vida devolveu à minha boneca os seus pés

 

Por Elza Conte

 

 

Faz mais de 60 anos e ainda parece que sinto aquela alegria por estar chegando a hora de encontrar minhas amigas para brincarmos nas calçadas da Conselheiro Lafayette. Todos os dias treinávamos religiosamente pulos diferentes de corda. Ahhhh as brincadeiras de roda!!!! Amarelinha? às vezes deixávamos os meninos participarem….tão arrelientos, com aquelas bolinhas de gude tão sem graça, e aquelas figurinhas de jogadores de futebol, que na brincadeira de Pif e Paf, faziam tanto barulho, que poderiam acordar nossas bonequinhas, dormindo silenciosamente nos seus carrinhos, enquanto brincávamos e não podíamos segurá-las…

 

Como era costume na época, os brinquedos eram muito reverenciados pelas crianças. A boneca do ano que estava sempre primorosamente vestida era o único presente, ganho no Natal anterior, evidentemente fruto de bom comportamento… (cá entre nós, meu pai era um ser muito generoso, mesmo com alguns desvios de comportamento, ele dava um jeito de arranjar alguma desculpa, para pelo menos no natal, ganharmos o nosso brinquedinho tão esperado)….

 

Bem, na minha vida de várias recordações lindas, havia meu irmão mais velho, arteiro de marca maior, me escolheu com vítima preferida… Ele adorava me ver chorar… E eu chorava mesmo…o que para ele certamente, era uma diversão…

 

Certo dia, quando entro no meu quarto, a bonequinha do ano, estava pendurada no lustre, onde ele houvera treinado boxe com ela. Ao ver aquela cena grotesca, que para mim, digna de todos os horrores, quase desmaiei. Ao salvar minha filhinha… ela perdeu os pés…. Meu Deus! E agora? Como explicar esta situação para minhas amigas, uma delas a madrinha da boneca?

 

O batizado acabara de acontecer. Quem foi o padre? Logicamente meu irmão mais velho que fazia o papel com perfeição. A missa foi em latim, imagine só. Que batizados deliciosos. Após a cerimônia, era servido um guaraná (excepcionalmente permitido para a cerimônia) em minúsculas tacinhas, de joguinhos infantis, e docinhos da padaria cortados em quatro.

 

Interessante, agora lembrei que havia apenas madrinhas e não padrinhos das nossas bonecas. Mas que feministas éramos? Na festinha o único menino que participava era o Padre e meu irmão mais novo, como seu possante carrinho. Ressalte-se que na época, tomávamos refrigerante, um copo, apenas no almoço de domingo.

 

No dia seguinte, logo ao acordar, minha mãe havia conseguido, não sei como, uma mantinha, para cobrir a pobre boneca sem os pés. Quando ela me entregou a mantinha para cobrir a boneca, disse-me a frase mais importante que ouvi em toda a minha vida, e para a qual eu delego a importância que dou ao ser humano com que convivo:

 

Filha, uma mãe ama seus filhos e os seres mais humildes nesta vida, com ou sem os pés…

 

Eu achei aquela solução na época divina. Eu poderia mostrar para todas as minhas amigas a minha boneca e com uma manta.

 

Quando saí para a rua, uma chuva de papéis prateados homenageou a mim e minha bonequinha. Disseram-me que era a comemoração dos 400 anos de São Paulo….Lógico não acreditei….A festa era minha.

 

Esta história foi contada inúmeras vezes dentro do meu círculo pessoal de amizades…. E todos acham sempre muita graça do comportamento de meu irmão, o que sem dúvida marca com algo importante em minha vida.

 

Muitos anos depois, e sabendo da história da boneca, um grande amigo meu quis dar-me um presente: conseguiu uma cópia da fotografia em meu computador e encomendou um quadro para um pintor, que faz reproduções em tela de fotografias.

 

No dia em que este meu amigo veio me entregar o presente, muito sem graça, disse-me:

 

– Elza, eu queria lhe dar este quadro de presente, mas o pintor achou muito estranho a boneca sem pés e os pintou.

 

Pela segunda vez na vida, eu chorei por causa dta boneca:

 

– A vida devolveu à minha boneca os seus pés…..

 

Minha doce saudade do meu irmão mais velho, ser humano maravilhoso que hoje vive entre as estrelas.

Mundo Corporativo: Márcio Oliveira diz que o relacionamento com o cliente vem antes do marketing

 

 

“Vamos pensar o relacionamento como algo mais estratégico, ou algo que veio antes do marketing na empresa, nasceu com ela, tem a ver com o propósito da empresa … o por quê aquela empresa existe. Além de querer ganhar dinheiro, o que mais que ela faz? Por que ela existe? Por que as pessoas vão querer consumir dela?” A proposta é do publicitário Márcio Oliveira, sócio da YouDB estratégias de marketing para relacionamento, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN.

 

Oliveira escreveu, com seus sócios Leonardo Barci e Marcelo Moreira, o livro “Mind the Gap – porque o relacionamento com os clientes vem antes do marketing” (Alinea Editora). Os autores alertam para a distância entre o que você fala, pratica e entrega e o que de fato acontece diariamente nas experiências, diretas ou indiretas, de relacionamento com os consumidores.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site http://www.cbn.com.br. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN e tem a colaboração de Alessandra Dias, Carlos Mesquita e Débora Gonçalves.

Avalanche Tricolor: é uma pena, Roger não volta mais

 

Ponte Preta 3×0 Grêmio
Brasileiro – Campinas/SP

 

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Luan em meio a marcação adversária em foto do site Grêmio.net

 

Só esperava o Jornal da CBN sair do ar para começar a escrever esta Avalanche. Abri mão de escrevê-la ontem após a partida, como é de costume, não apenas pelo adiantado da hora, mas porque, confesso, desisti de vê-la quando faltavam cinco minutos para o fim.

 

Eu não sou de desistir. Quem me conhece sabe disso. Os torcedores contrários aqui de São Paulo também sabem disso: à primeira provocação, vou sempre em busca de uma resposta à altura. Sempre acho um viés favorável ao nosso tricolor. Faço isso pelo prazer de não dar o braço a torcer e por ser adepto da ideia de que roupa suja se lava em casa (e não no WhatsApp)

 

Na noite desta quarta-feira, porém, desisti antes de o jogo se encerrar.

 

Deveria tê-lo feito já na primeira meia hora de partida quando percebi que a ligação direta, o chutão da defesa para o ataque, voltara. Uma estratégia que tem tudo para dar errado, especialmente em um time que não tem o centroavante típico, aquele grandalhão que fica trombando com os zagueiros e faz qualquer coisa pra empurrar a bola para o gol. Nossos atacantes precisam da bola rolando, passando de pé em pé e colocada em posição privilegiada.

 

Esperei o intervalo na esperança de que haveria mudanças. Houve, mas apenas na escalação. Mesmo porque no meio de campo não tinha ninguém com capacidade de receber a bola, fazer a transição e entregá-la em boas condições ao ataque. Giuliano que ajudava muito nesta função e também na marcação, protegendo nossos volantes e a defesa, já não veste mais nossa camisa, foi para o estrangeiro para em seguida ser convocado à seleção brasileira. Por força dos cartões amarelos, Douglas que faz isso com maestria também estava fora da equipe (menos mal que volta em seguida). E fez uma tremenda falta naquele jogo truncado de ontem.

 

Mesmo assim, insisti. Acreditei na possibilidade que em uma escapada qualquer, um dos nossos conseguiria chegar ao gol adversário. E quase sem querer, empurrando a bola pra frente, Marcelo Oliveira criou essa oportunidade.

 

Deveria ter desistido quando vi o primeiro gol do adversário. Mais um de cabeça. Mas acreditei que, mesmo que fosse em um lance de sorte, poderíamos empatar. Quem sabe, virar.

 

Poderia ter desistindo ao assistir ao segundo gol de cabeça do adversário. Mas pensei comigo mesmo: não somos nós os Imortais? Quis acreditar que poderia estar diante de mais uma epopeia da nossa história.

 

Nos minutos que se seguiram, perdemos uma cobrança de escanteio, batemos falta na barreira e desperdiçamos cruzamentos na cabeça dos defensores. Sem contar que escapamos de tomar mais um ou dois gols. Mesmo assim, eu insisti.

 

Só fui abatido quando faltavam cinco minutos e em rara tentativa de ataque: logo após termos tropeçado na bola, erramos mais um passe em direção ao gol.

 

Apaguei a televisão e desisti.

 

Ainda de madrugada, quando acordei para trabalhar, soube que havíamos tomado mais um gol. Mais triste do que isso: Roger, assim como eu, também havia desistido. A diferença é que eu, amanhã, estarei de volta à “arquibancada”, torcendo e sofrendo pelo Grêmio. Acreditando que dá pra dar a volta pro cima. Que as coisas vão dar certo para nós. E Roger não estará mais.

 

É uma pena! Ele era a esperança de que estávamos diante de um outro olhar sobre o futebol. Fez-me acreditar que seríamos capazes de implantar um modelo inteligente de atuar. Cheguei imaginar que a política interna do clube seria insuficiente para influenciar o trabalho dele. Que conseguiríamos desenvolver um planejamento de longo prazo, como fazem as grandes equipes do futebol mundial. Que formaríamos um time de dar orgulho pela maneira de jogar e, claro, em breve, nos desse também os títulos que tanto almejamos.

 

Drop Dead Diva: série pra ser vista e se aceitar

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:

 

“Drop Dead Diva”
Uma série de Josh Berman
Gênero: Comédia/ Fantasia
País:USA

 

Uma linda e fútil modelo e uma brilhante e gordinha advogada morrem no mesmo dia e na mesma hora. No céu, a modelo aperta um botão de “retornar” e acaba entrando no corpo da advogada, assumindo sua vida , seu QI e seu guarda roupas.

 

Por que ver:

 

É uma série muito divertida e leve que realmente merece ser vista.

 

A princípio nossa tendência é pensar : “meu Deus já imaginou reencarnar em uma super gordinha, sendo que seu corpo original é deslumbrante. Nossa deve ser desesperador”.

 

Outro pensamento que nos ocorre: “pronto, agora a alma da modelo vai fazer esta gordinha emegrecer e assim tudo vai dar certo”.

 

Mais um: ”não é possível que o antigo amor da modelo vá se apaixonar por alguém com esta aparência”…

 

A medida que a série passa, percebemos que esta frivolidade deixa e muito de se tornar importante. Nos conectamos de tal maneira com a personagem que começamos a achar a Jane (a gordinha) muito mais legal que a antiga modelo (Deb). E chegamos a conclusão de que preferímos “ser”a Jane do que a Deb.

 

Uma reflexão bem bacana sobre auto-aceitação e o que é realmente importante na vida.

 

Como ver:

 

A qualquer horário e de preferência com aquela menina adolescente que não se aceita. A mensagem é tão bacana e tocante que vale a pena.

 

Quando não ver:

 

Se você quiser dormir cedo. Será inevitável assistir a mais de um episódio por vez.

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Dá dicas de filmes e séries aqui no Blog do Mílton Jung

Fator clima é o novo aliado para produção e venda de produtos

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Howard Schultz fundador da Starbucks conta que em junho de 1994 havia começado as férias mais desejadas da sua vida quando foi alertado por Orin um de seus executivos:

 

– “Houve uma séria geada no Brasil. O preço do café enlouqueceu”.
–  “No Brasil? a Starbucks nem compra café do Brasil”.

 

Schultz teve que interromper as férias para enfrentar uma das maiores crises da empresa, diante da subida dos preços ocasionada pela intempérie climática do maior produtor de café do mundo. Mesmo não sendo seu fornecedor.

 

“Não era nada que pudéssemos evitar nada que sabíamos como lidar”.

 

Se em 1994 a justificativa de Howard poderia ser aceita, os fatos recentes da seca na região de São Paulo, ou o rigoroso inverno que ocorreu no sul e sudeste brasileiro, poderiam muito bem ser previstos e considerados. Evitando perdas no caso da seca e obtendo ganhos no caso do frio.

 

É nesta linha que a 11ª edição do The Global Risks, fruto da reunião de Davos deste ano, apontou pela primeira vez as mudanças climáticas como o maior risco global, na frente das armas de destruição em massa e da crise hídrica.

 

Por isso, dia 6 uma equipe do FSB* do G20* se reuniu em São Paulo, com a CVM*, BM&FBOVESPA*, IBGC* e Ambima*, de acordo com nota do Estadão, para ouvir sugestão de empresários quanto a formação de indicadores financeiros relacionados com o clima. O objetivo é que os agentes econômicos gerenciem melhor os riscos climáticos de cada atividade.

 

A boa notícia é que empresas brasileiras já estão engajadas neste processo.

 

A Natura ganhadora em 2009 do Prêmio ECO* de Modelo de Negócio é a primeira do mundo no setor de cosméticos a fazer uma análise ambiental de ponta a ponta em sua cadeia, inclusive de uso do produto.

 

A Duratex, empresa premiada em 2013 com o Prêmio ECO, por Práticas de Sustentabilidade, substituindo a água dos sanitários, previu a crise de água ocorrida em 2014 e adotou o seu reuso.

 

A Fibria venceu um Prêmio ECO com o projeto de Engajamento com seu público de interesse.

 

O desafio é alastrar essas práticas para empresas de outros setores e de todos os portes.

 

Se, por exemplo, no sul e no sudeste as empresas de moda adotassem o clima como parceiro poderiam ter vendido na crise mantôs, sobretudos, botas, etc. como nunca.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

 

¨¨
“Dedique-se de coração”, Schutz, Howard, São Paulo, Negócio Editora, 1999.
*FSB – financial stability board
*G20 – grupo dos vinte
*CVM – comissão de valores mobiliários
*BM&FBOVESPA – bolsa de mercadorias e futuro da bolsa de valores de São Paulo
*IBGC – instituto brasileiro de governança corporativa
*Anbima – associação brasileira de entidades do mercado financeiro e de capitais
*Prêmio ECO – patrocinado pela AMCHAM e Valor Econômico
AMCHAM – american chamber of commerce for Brazil

O eleitor precisa saber quem é o vice-prefeito

 

Por André Leandro Barbi de Souza

 

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Ao lado do prefeito, as eleições deste ano definirão o vice-prefeito do Município. Nem sempre esse fato chama a atenção do eleitor, pois não há voto explícito para vice-prefeito. Ao escolher o prefeito, escolhe-se o vice-prefeito que, com ele, compõe a chapa majoritária de um partido ou de uma coligação. Mas é importante que o eleitor direcione seu olhar também para os candidatos a vice-prefeito. E por quê? No mínimo por dois importantes motivos…

 

Primeiro, porque o vice-prefeito é o substituto primário do prefeito, não só temporariamente, nos respectivos impedimentos, mas definitivamente, quando o sucede, nos casos de vacância, que poderá ocorrer mediante renúncia, falecimento ou cassação de mandato. E nesse ponto é importante recordar que a hipótese de um vice suceder o titular do cargo não tem sido rara no Brasil, inclusive está configurada no atual momento, no ambiente da Presidência da República.

 

Segundo, porque o vice-prefeito deixou de ser aquele cargo reativo, que só era acionado quando convocado para substituir o prefeito, permanecendo inerte nas demais situações, com seu titular nem mesmo comparecendo na prefeitura. Em muitos municípios, inclusive, havia equívoco na legislação que fixava o subsídio do vice-prefeito, quando referia que ele seria remunerado apenas “quando” exercesse o cargo, como se fosse possível trabalhar ou não trabalhar. Essa hipótese não mais é aceita, pois o vice-prefeito é um cargo público e deve ser atendido plenamente, cabendo ao seu titular o exercício integral das atribuições que a lei lhe confere. Nesse sentido, é importante que os candidatos a vice-prefeito confiram, em seus respectivos municípios, quais são as atribuições que deverão atender, caso sejam eleitos, inclusive para abordá-las durante a campanha.

 

Dentre as atribuições do vice-prefeito, considerando que esse cargo passou a ter protagonismo junto à administração pública, estão: a possibilidade de ele assumir uma secretaria ou uma autarquia, mediante convocação do prefeito; fazer a interlocução política com a câmara municipal; atuar, pelo seu gabinete, na interação com os segmentos organizados da sociedade, como sindicatos, associações, clubes de serviço, organizações não-governamentais e terceiro setor; coordenar programa sociais de governo, em conjunto com as secretarias e conselhos identificados com o objeto da ação a ser atendida; discutir e buscar a composição de dados e de informações para projetos que visem a captação de recursos junto ao governo federal e demais instituições nacionais e internacionais; coordenar as parcerias com entidades da sociedade civil, em regime de mútua cooperação, visando o atendimento de finalidades recíprocas e de interesse público; sem prejuízo de outras que possam ser construídas a partir da legislação local.

 

Percebe-se, portanto, que o vice-prefeito deixou de ser aquele “convidado de festa” que ficava isolado e deslocado, podendo sair e entrar quando bem entendesse, “olhando” tudo de longe, sem ser notado. O papel do vice-prefeito, no atual contexto, é estratégico e tático, integrando a administração superior da prefeitura, inclusive com inserções nos campos administrativo e operacional, assumindo a respectiva responsabilidade de seus atos e de suas decisões, tanto quando alcançarem êxito como quando fracassarem.

 

Cabe ao eleitor, portanto, o dever de examinar com muita atenção quem são os candidatos a vice-prefeito, como se relacionam com os candidatos a prefeito a que se vinculam, quais são as suas posições sobre as principais demandas demarcadas na campanha, como é a história de cada um, pessoal e política, qual grau de conhecimento eles têm para o exercício do cargo… Se a administração pública do Município não mais cabe na atuação exclusiva do prefeito, o voto do eleitor não mais deve restringir-se à análise dos candidatos a prefeito! Então, como é o candidato a vice-prefeito do candidato a prefeito que você está escolhendo?

 

André Leandro Barbi de Souza, advogado com especialização em direito político, sócio-diretor e fundador do IGAM e autor do livro A Lei, seu Processo de Elaboração e a Democracia.

Adote um Vereador: a política do cidadão

 

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Havia dois candidatos a vereador na mesa do café. Os dois são voluntários do Adote um Vereador, assim como a maioria dos que estiveram participando do encontro mensal, no Pateo do Collegio, em São Paulo. Os dois concorrem por partidos diferentes e sentaram ao lado de gente que faz campanha para um terceiro candidato de um terceiro partido. Aliás, ali também tinha quem defendesse outros nomes para ocupar cargo na Câmara Municipal e os que ainda não escolheram seus candidatos. Tinha ainda quem é contra todos os candidatos.

 

Com a diversidade da nossa “fauna e flora” foi possível perceber como somos capazes de fazer política, civilizada e respeitosa, ocupando o mesmo ambiente. Não chega a ser uma novidade para quem desde 2008, como é o nosso caso, convive neste grupo de cidadãos interessados na melhoria da qualidade de vida da sua cidade. Temos a convicção de que somente com a participação das pessoas e a pressão sobre o Legislativo e o Executivo se conseguirá algum avanço nas políticas públicas.

 

Dos candidatos soubemos como é difícil conquistar votos e mais ainda conquistar uma cadeira na Câmara. O partido que um deles representa concorre esse ano com metade do número de candidatos da última eleição. Sinal de como a grana anda curta com a proibição das doações de empresas. Na divisão do espaço que ocupam no rádio e na televisão nem todos têm o mesmo tempo disponível para apresentar suas propostas. Os que buscam a reeleição aparecem até quatro vezes por semana, os sem-mandato mas com força dentro do partido aparecem até duas vezes e o restante, apenas uma.

 

Com as restrições impostas pela lei e pelos partidos, resta aproveitar todo o ambiente possível para conquistar o apoio de algum eleitor. Por isso, a presença em debates públicos é importante. Aliás, no dia 20 de setembro, haverá o II Debate sobre o Centro de São Paulo, que se realizará no auditório da rua Barão de Itapetininga, 163. A intenção dos organizadores é ouvir as propostas dos candidatos que representam a região. Bom para eles e melhor ainda para o cidadão, pois somente com informação se pode fazer uma boa escolha.

 

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Como escolher o seu candidato a vereador também foi o foco da entrevista realizada por um grupo de estudantes de jornalismo da ESPM-SP. Eles aproveitaram o encontro de sábado e gravaram reportagem com o Alecir Macedo e a Silvia Von Tiesenhausen, dois dos nossos voluntários, interessados em saber como o eleitor deve se comportar, especialmente diante do sistema proporcional que rege as eleições no Executivo.

 

Entender esse sistema é sempre um desafio, pois tem-se a ideia de que os eleitos são os 55 candidatos mais votados na cidade. Ledo engano. No sistema proporcional, a soma de votos para cada partido é que define o número de vereadores que o partido elegerá. Quando você vota em um candidato esse voto antes conta para o partido. Grosso modo, se o partido obteve 10% dos votos, terá direito a 10% das cadeiras na Câmaras. No caso de São Paulo, isso representaria algo em torno de cinco vagas, portanto, os cinco vereadores mais bem votados daquele partido assumem o cargo de vereador.

 

O jornalista Pedro Doria escreveu ótimo artigo sobre o assunto em sua coluna no Medium que vale a pensa ser lido para que possamos entender melhor como funciona esta engenharia do voto.

 

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No encontro desse sábado, tivemos oportunidade também de assistirmos aos vídeos que gravamos para promover o Adote um Vereador, incentivar a participação do cidadão nas eleições e sugerir alguns critérios para a escolha do nosso candidato. Todos estão acessíveis na nossa página no You Tube e convidamos você a compartilhar com seus amigos nas redes sociais, também.

 

A mesa com discussão animada e diversificada contou com a participação da Silva, Eliana, Gabriela, Rute, Cecilia, Norma, Bruno, Eli, Fabiano, Vitor, Moty e Gregório, além do Alecir e da Silvia, que já registramos.

 

Eu, também, estive lá e fiquei muito satisfeito em ver que a política vai muito além dos conchavos e acordos que pautam as relações de muitos partidos e parlamentares dos nossos legislativos.

Avalanche Tricolor: merecíamos a vitória

 

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Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Guilherme e Batista de olho na bola, em foto de RODRIGO RODRIGUES/GREMIOFBPA

 

Fomos melhores do que o adversário. E, especialmente, melhores do que vínhamos sendo. 

 

Fomos consistentes na defesa, setor que preocupava por motivos óbvios. A transição para o ataque também funcionou. Chegamos com mais rapidez lá na frente. E não faltaram oportunidades para marcar. 

 

A bola voltou a rolar na grama e a movimentação da equipe tinha uma lógica em campo. O passe nem sempre foi no ponto certo e o chute foi um pouco além do necessário. A ansiedade em fazer o gol talvez tenha impedido jogadas mais precisas.

 

Merecíamos a vitória.

 

Nada disso nos fez somar três pontos na tabela de classificação, é verdade. E nessa fase pontos são fundamentais para não deixar os da frente se desgarrarem. Precisamos manter todos os cinco adversários diretos na nossa mira para mantermos as chances de dar o bote na hora certa.

 

A partida era em casa e somamos apenas um ponto. Também é verdade. Mas esse ponto valeu pelo futebol jogado. Já obtivemos empates com um nível bem abaixo do que vimos neste fim de domingo.   

 

Depois dos últimos acontecimentos, principalmente do desastre no meio da semana, o que precisávamos era saber se a equipe voltaria a ter equilíbrio e tranquilidade. Tivemos mais equilíbrio do que tranquilidade.

 

Mas, repito, precisávamos ver de volta o Grêmio de Roger com os fundamentos que o diferenciaram nesta competição. Vimos um esboço daquele Grêmio e a esperança de que nosso técnico será capaz de nos colocar novamente no caminho certo.

 

O campeonato está aberto e eu sigo acreditando. Desistir é para os fracos.

 

Você é um deles? Eu, não!

Quintanares: Numismática

 

 

Poema de Mário Quintana
Publicado em Apontamentos de História Sobrenatural
Interpretado por Milton Ferretti Jung

 

A moeda de prata
é casta.
tem um brilho de luar.
A moeda de ouro
traz a efígie de um touro solar.
Ela acende um brilho assassino no olhar.
Com elas se compram cortesãs.
Com elas,
por causa delas,
repousam galeões no fundo do mar.
A moeda de ouro é pomposa
e vulgar como o Rei-Sol.
A moeda de prata é uma rosa lunar.
Uma rosa branca.
Não sei por que, parece
uma Ave-Maria…

 

Quintanares foi quadro apresentado, originalmente, na Rádio Guaíba de Porto Alegre