Conte Sua História de SP: pássaros, cheiros e sabores da cidade

 

Por Elisabeth Cury

 

 

Nasci em São Paulo e aqui estou até hoje. São anos e anos!

 

Vou puxar pela memória, buscar acontecimentos. Mas não vou puxar muito, não. Drummond dizia que o que for preciso de esforço para lembrar é que não foi importante.

 

Sei de uma coisa: desde muito cedo me deixei impressionar pelos sentidos. Foi meu jeito de captar o mundo, a vida, esta cidade. Então vai ser fácil.

 

Eu morava na periferia, quando ainda havia trechos de mata – a Atlântica – no caminho para o centro, para a “cidade” como se dizia.. Procurava ver, ouvir, sorver os aromas, saborear, pegar, vendo tudo que podia com minhas próprias mãos. – sentir.

 

Que céu! O ar transparente: de dia, quando havia sol, nuvens espetaculares, sobre azul, com formatos que eu queria sempre associar a bichos, gente, coisas, como fazem as crianças. À noite, estrelas no azul-marinho. Nessa hora, meu pai, que fora pescador marítimo em sua terra, me dava aula de céu – o que era estrela, o que era planeta, constelações e o nosso Cruzeiro do Sul.

 

O cheiro da terra molhada, quando chovia. Delícia! Natureza. Nas trovoadas, minha mãe punha-nos, a mim e a meu irmão, debaixo de uma mesa, embrulhava a tesoura que usava nas costuras em um pano, toda a casa ficava fechada. Ninguém podia fazer nada, até que o mau tempo passasse. Então podíamos sair. Era hora de ver a enxurrada em ruas e terrenos de bairro que principiava.. Era pôr o pé na água, sem ninguém falar às crianças que podia dar leptospirose. Era muito divertido molhar os pés, soltar barquinhos de papel.

 

Revoada de pardais no amanhecer e no entardecer. É que nos fundos do meu quintal havia um riozinho, ainda limpo naquele tempo, e, na beirada, uma touceira de bambu, opulenta. Era dormitório de um sem número de pardais. O dia acordava com uma cantoria inesquecível. À tardinha, eles iam chegando. O movimento deles nessa hora era curioso: não chegavam e iam quietinhos para o abrigo noturno. Não. Em bandos incontáveis, pousavam e logo saíam em revoada, descreviam um círculo e voltavam. Outro bando partia. Assim ia até ir escurecendo e eles se aquietando em seus lugarezinhos.

 

Os parentes que iam em casa – nesse tempo usava-se receber e fazer visitas – desfrutavam desse acontecimento. Era até uma atração turística da minha casa. Além dos pardais, os bem-te-vis, os sabiás, as rolinhas e o arrulho dos pombos da comadre, vizinha, que mantinha um pombal.
Perfumes. Principalmente o de gardênia, que minha mãe chamava de jasmim-do-cabo e que ela conservou em nosso jardim por muito tempo, quase sempre.

 

Sabores: de uva, azedíssima e de mexerica, já que havia nove pés no quintal. Eu só tinha uma pena: eu queria que elas dessem no verão, que eu ia aproveitar mais. Elas ficavam prontas no outono, quando já estava frio.

 

Era a São Paulo da garoa, muitos meses do ano em cinza. Que frio!… Acho que é por isso que eu estou sempre pronta para o inverno, foi meu princípio, foi como conheci o meu lugar no mundo.

 

Saudades dessa São Paulo!

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN SP. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode contar outros capítulos da nossa cidade, escrevendo seu texto e enviando para milton@cbn.com.br

Moisés: história bíblica com ares de grande produção

 

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“Moisés”
Um filme De Ridley Scott
Gênero: Epico
País: USA

 

Gente, este filme é sobre a historia de Moisés, o profeta que libertou o povo hebreu da escravidão imposta pelos egípcios. Resumindo: Moisés foi criado com o filho do Faraó, Ramsès, como se fosse um príncipe mesmo. Mais tarde, Ramsès, ao descobrir que o “irmão” é hebreu de origem, vira seu inimigo. Moisés foge e conhece sua esposa em meio a pastores, o que o faz virar pastor. O chamado de Deus acontece e ele então sai para libertar o povo hebreu das garras de Ramsès.

 

Por que ver: amo histórias bíblicas, mas esta em especial foi contada com ares de grande produção ao estilo “Gladiador”, “Os 300” e “Tróia”. Vale a pena! As Chagas que Deus manda para fazer Ramsés resolver de uma vez por todas libertar os hebreus são bem críveis e cientificamente possíveis. Por exemplo, a água ficar vermelha matando todos os peixes = maré vermelha, o mar se abrindo = tsunami… E por ai vai. Não gosto quando contam uma história sem pé nem cabeça e tenho que engolir; a interpretação do diretor foi perfeita. Mais um comentário: sou católica e achei Deus retratado de uma maneira muito “mala”, não concordei… Moisés, para ser um “profeta” está bem violento no filme, mas tudo bem, vamos crer que seja um recurso para dar peso ao filme…

 

Como ver: logo após ter comido algo… Este povo hebreu e egípcio foi retratado com muitas perebas e muito sujo… Gente, cadê a licença poética? Precisava ser tão literal ao mostrar o homem andando pelo deserto? Ou com as infecções de pele após a chaga das moscas??? Nojento!

 

Quando não ver: se você tiver toque de limpeza… Algumas cenas trash passarão por sua cabeça, apesar de não terem sido citadas no filme, tipo, como este povo sujo fazia sexo…? Imagina…! Outra: e o cecê? Última: e a piolhada???!!!! Aahahah socorro!

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Aqui no Blog do Mílton Jung se dedica a comentar e sugerir filmes que estão rodando por aí.

Mundo Corporativo: Adriano Silva, o Executivo Sincero, fala das regras no ambiente de trabalho

 

 

Muitas vezes, você não entende porque a empresa mantém empregado aquele chefe com fama de mau, que desrespeita outras pessoas,e espanta todos que fazem parte da equipe dele. Não bastasse isso, costuma ser incentivado por seus superiores e é sempre convidado para a festa de fim de ano da diretoria. Como esse cara consegue ter esse sucesso todo, sendo o que é? Adriano Silva, entrevistado do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, tem a resposta: pode ter certeza, alguma coisa ele faz muito bem, ou vende muito bem, ou é exímio cortador de custos, ou faz política corporativa muito bem feita. “É importante não ser ingênuo nessa hora, saiba que jabuti não sobe em árvore, se está lá é porque alguém botou”, explica de maneira simples e direta, o autor do livro “O Executivo Sincero – revelações subversivas e inspiradoras sobre a vida nas grandes empresas” (Rocco). Durante toda conversa com o jornalista Milton Jung, Silva fala de forma clara como funcionam as regras no ambiente de trabalho e, com base em sua experiência comandando e sendo comandado, explica de que maneira é possível superar todos estes desafios. Na entrevista, o fundador e CEO da The Factory e da Damnworks, conta histórias inspiradoras de empreendedores que acreditaram na nova economia e mostra as estratégias que usaram para vencer.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, a partir das 11 horas da manhã, e pode ser assistido, ao vivo, pelo site da rádio CBN. Os ouvintes e internautas participam com perguntas enviadas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelos Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Avalanche Tricolor: Yuri é Mamute e basta!

 

Campinense 1 x 2 Grêmio
Copa do Brasil – Paraíba

 

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Leitores atentos perceberam o atraso desta coluna. Mais atentos ainda devem ter percebido, também, que os atrasos têm se tornado frequentes. Se no início o esforço era publicar a Avalanche com o apito final do árbitro, hoje faço assim que dá. E nem sempre dá no tempo que desejaria. Combinar o calendário do futebol e minha agenda tem se transformado em tarefa hercúlea, como diriam os mais antigos, que costumavam usar a expressão sempre diante de uma tarefa difícil de ser encarada e a usavam porque sabiam a origem desta expressão. Sem querer me escalar entre os antigos, relembro aqui o que aprendi na escola: Hércules ou Héracles foi herói grego que, após assassinar a esposa e a filha, viu-se obrigado a atender ordens do oráculo de Delfos para recuperar sua honra. Como penitência deveria executar uma sequência de 12 trabalhos estipulada pelo homem que mais odiava, seu primo Euristeu. De matar o leão de Nemeia a capturar o touro selvagem de Minos, de caçar a corça de Ceineia a trazer do mundo dos mortos o cão Cérbero, Hércules superou cada um dos obstáculos considerados até então impossíveis de serem vencidos. Diante das conquistas, foi elevado por Zeus à condição de Imortal. Imortal? Opa! Agora, sim, o caro e raro leitor deste blog começa a ver algum nexo neste texto, alguma relação entre a história que conto e o tema que nos traz a este blog, jogo após jogo: o Grêmio.

 

Hércules, porém, é aqui lembrado não apenas pela imortalidade, mas pela força e determinação impressionantes que tinha. Força e determinação que me remetem a imagem de um dos nossos valentes jogadores que têm aparecido com frequência neste início de temporada. Refiro-me a Yuri Mamute que, apesar de sempre bem falado, até agora há pouco não rendia conforme a fama. Chegou a ser emprestado para retornar neste ano ao time e, pouco a pouco, ganhar o reconhecimento de Luis Felipe Scolari e da torcida. Nem sempre sai de titular, mas sempre que está em campo luta bravamente contra adversários impiedosos que, talvez amedrontados pela força física de nosso atacante, tendem a ser mais violentos do que normalmente já o são. Batem muito. Nem sempre ele cai. Quando resiste à violência, dá o troco com velocidade, dribles e chutes a gol. Nem sempre marca gols como deveriam fazer os atacantes, mas sempre está presente na disputa da bola que pode chegar ao gol.

 

Na estreia do Grêmio na Copa do Brasil, esta competição que tem nossa cara e coragem, Mamute voltou a demonstrar sua importância e valentia. Entrou no segundo tempo, fez forte investida pela esquerda, pedalou e deu origem ao primeiro gol da partida, o de Douglas. Chamou atenção dos zagueiros e permitiu a liberdade para que Giuliano, mais uma vez bem em campo, encontrasse Luan livre na área, para mais uma vez marcar seu gol. Yuri lembra Hércules na mitologia, mas lembra, principalmente, a história de centroavantes rompedores que tantas alegrias nos ofereceram. Há quem o compare a Juarez, a Alcindo e, os mais entusiasmados, a Mário Balotelli. Sem comparações. Ele já é Mamute e basta!

 

Em tempo: é impressão minha ou Braian Rodríguez não leva sorte com os árbitros. Há dois jogos, teve dois gols anulados; no último foi impedido pelo auxiliar de marcar um; e ontem sofreu pênalti não sinalizado.

Os brasileiros que deram certo

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Henrique Dubugras, 19, corintiano, aos 12 anos, contrariado pela mãe que tinha negado a compra de um jogo eletrônico, resolveu criar um. Aos 17, cruzou na rede com Pedro Franceschi, 16 anos, (supostamente são-paulino), que aos 8 já programava. Detectaram um nicho de mercado e fundaram a “Pagar.me”, plataforma de pagamentos eletrônicos em 2012. Levantaram R$1 milhão com duas empresas investidoras, e operam a “Pagar.me” no azul desde dezembro, e preveem movimentar este ano R$500 milhões.

 

Mílton Jung, no CBN Young Professional, perguntou a eles sobre o método usado para o levantamento de capital. Disseram que foi graças a aposta pessoal dos investidores mais do que ao “Business Plan” apresentado. É fato, pois ambos certamente pertencem àquela classe de brasileiros acima da curva. A aprovação em Stanford, que iniciarão em 2016, é uma constatação evidente. (ouça o CBN Young Professional)

 

Alguns minutos depois, Luiz Barreto, presidente do SEBRAE, disse no Jornal da CBN que o Brasil alcançou no último censo sobre empreendedorismo a invejável marca de 34,5% de cidadãos empreendedores. Pesquisa que considerou a faixa etária entre 18 e 64 anos, cujo resultado é o melhor entre os BRICS, com a China em segundo lugar com 27% de empreendedores. É um número significativo também pela comparação com a posição anterior que era de 23%. (ouça a entrevista do Sebrae ao Jornal da CBN)

 

Crescimento positivo tanto pela expressiva margem como também pelo fator “formalização”, impulsionada pela reforma tributária realizada para as micros e pequenas empresas. Ressalte-se ainda que dos empreendedores nacionais 70% buscam negócios pelo desejo e 30% pela necessidade.

 

Se o caso da “Pagar.me” é de autores acima da média, os dados do SEBRAE podem ser corroborados pelo setor nacional de franquias. Considerando apenas os negócios formatados, temos a maior feira de franquias do mundo, 2.942 redes, 125.641 unidades, R$127 bilhões de faturamento, 1.096.859 empregos, e 94% de empresas brasileiras. Podemos afirmar que somos uma terra de empreendedores. Apesar de tudo.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Avalanche Tricolor: paciência, Luan é do Grêmio!

 

Grêmio 2 x 0 São Paulo (RS)
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Luan é craque por definição: joga de cabeça em pé, toca de forma refinada na bola, movimenta-se com elegância em campo e sempre está disposto a arriscar a melhor jogada, mesmo que seja a mais difícil de ser executada. Não tem medo de errar.

 

É, também, craque em formação. Às vezes, parece sumido do jogo e quando menos se espera aparece em um lance excepcional. Outras, parece distante da partida, o olhar corre perdido pelo gramado e a expressão some de seu rosto como se as emoções daquela disputa não o afetassem. Tem-se a impressão de que ele não faz parte daquele mundo. Talvez não faça mesmo. Foi feito para viver entre craques.

 

Luan tem um jeito diferente de jogar, pois não é espalhafatoso na disputa pela bola e quando a tem no pé dá a sensação de que é lento. Ledo engano. Tem passadas largas e por isso consegue superar a marcação quase sempre dura e violenta, faz a bola colar no seu pé e a manipula com extrema facilidade. Avança, chega perto do gol, chuta!

 

Por ser jovem, ser diferente e craque, é preciso paciência com Luan. E o torcedor, mais acostumado com aqueles que se sujam na grama para alcançar a bola perdida, não vinha demonstrando muita paciência com ele. Talvez por não entender seu jeito de ser em campo. Por não compreender sua personalidade. Por isso, os dois gols deste fim de domingo ganham importância ainda mais especial, além, é lógico, de nos manter no primeiro lugar do Campeonato, garantir a sexta vitória consecutiva e a nona partida invicta.

 

Gols de craque, registre-se. O primeiro foi uma aula, tinha todos os elementos necessários para uma cabeceada. Com um passo, tomou a frente do marcador, e subiu alto; antes da bola chegar já olhava para onde pretendia jogá-la, e assim que ela chegou, com os olhos abertos e mirando seu destino, em um movimento certeiro com a cabeça, colocou-a distante do goleiro. O segundo, ganhou dos marcadores na corrida, matou a bola com o pé direito, cortou para o lado esquerdo, com um só drible deixou o goleiro estatelado na área e deslocou os zagueiros. Teve tranquilidade para ajeitar o corpo e finalizar a jogada nas redes. Luan, que nos últimos jogos foi garçom, desta vez se serviu do bom momento de seus companheiros, pois foram primorosos o cruzamento de Everton no primeiro e o lançamento de Giuliano no segundo gol.

 

Marcando gols e jogando com o talento que lhe é natural, quem precisará de muita paciência são os adversários do Grêmio.

 


A foto deste post é do álbum oficial do Grêmio no Flickr

A Pele que Habito: cenas elegantes e história provocante

 

 

FILME DA SEMANA:
“A Pele que Habito”
Um filme Pedro Almodovar
Gênero: Drama/Suspense
País:Espanha

 

Um cirurgião plástico famoso vive o drama de ter perdido a amada esposa, vítima de suicídio após ficar deformada por queimaduras decorrentes de um grave acidente de carro. Ele então desenvolve uma pele, que pode ser ultilizada em humanos, à prova de queimaduras que se regenera em caso de cortes. Os meios que ele ultiliza para chegar a esta descoberta nos leva a desvendar “vários esqueletos do armário”.

 

Por que ver:
Eu simplesmente amo o Almodovár. Na minha opinião, ele é um hibrido entre Fellini e Kubrick, outros dois grandes mestres. Este filme me faz lembrar de “Laranja Mecânica” com pitadas de “Amarcord”.

 

Como ver: vinho tinto deve e pode acompanhar o filme. Combina com o clima. E lógico que você deve estar acompanhada/do. Mesmo os amantes de “hollywood movies” vão gostar. As cenas são elegantes e a textura do filme bem americana.

 

Quando não ver: com filhos ou parentes ascendentes… Meio “fortchenhas” as cenas de sexo. Oba! Adoro! É hoje! Rsrsrsrs

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos.

Conte Sua História de SP: serei parte desse teu chão

Por Valdeni da Silva
Ouvinte da rádio CBN

 

 

Minha história inicia-se nos anos sessenta em um patrimônio chamado Aricanduva que pertence ao município de Arapongas que se localiza no norte no Estado do Paraná.

 

Cresci livre correndo entre as matas e cafezais, nadando nos límpidos riachos e se alimentando com carne fresca de porco e galinha e de frutas e legumes fresquinhos colhidos na horta e nos pomares que havia em todas as propriedades rurais, a minha infância foi de intensa felicidade, pois não conhecia o mal nem a malícia e a perversidade que assediam as crianças de hoje.
Cresci ouvindo a voz do Brasil e ouvindo falar na tal ditadura que papai nos explicou que era proibido falar mal do governo e só havia dois partidos o MDB que era dos pobres e a Arena que era do governo e dos patrões. Papai era o MDB, mas a gente não podia dizer isso na escola, nos dias de eleições no Ginásio Júlio Junqueira em Aricanduva a gente via o medo estampado no rosto das pessoas e os eleitores não ousavam nem cochichar pois eram vigiados o tempo todo e ao final das eleições que foram regulamentadas pelo AI 15 – este ato institucional impôs a data das eleições nos municípios para 15 de novembro de 1970 -quem vencia era sempre o candidato do governo.

 

Ditadura à parte, a vida continuava ótima na roça, os porcenteiros e sitiantes festejavam um ano de safra recorde de café até que chegou o fatídico ano de 1975. Talvez a melhor maneira de descrever este fato seja narrando-o do ponto de vista pessoal. Para os que viveram no Norte do Paraná naquela época, aquele inverno significou uma tragédia ao mesmo tempo coletiva e particular, algo que o Brasil praticamente não percebeu o verde dos campos foi substituído por um cinza funesto e os incêndios se alastraram pelo estado que teve a cafeicultura e hortaliças dizimadas pelo gelo. Foi essa geada de 1975 que quebrou a hegemonia do Estado do Paraná na produção brasileira de café, cedendo essa posição para Minas Gerais.

 

A exemplo de muitos, esperanças congeladas, lavradores frustrados, papai resolveu que viríamos para São Paulo, o Eldorado dos aventureiros, terra onde se ganha dinheiro e sucesso, aqui compramos casa em Vila Curuçá, encontramos emprego e com muita garra e luta nos estabilizamos. Fui Office boy, entregador, carteiro, metalúrgico e hoje sou um educador, profissão que amo de paixão, funcionário público com muito orgulho.

 

Se perguntarem se fui feliz na infância e adolescência digo que sim, pois tive o prazer de lutar pelas Diretas Já, fui ao Anhangabaú onde havia mais de dois milhões de pessoas reivindicando por um país democrático e eleições.

 

Sou hoje paulistano por adoção e amo São Paulo que tanto contribuiu para minha emancipação financeira e deu a minha amada querida esposa – também Educadora -, filhos e neto, enfim São Paulo é de todos, de negros, de brancos, de crentes, de católicos, de sulistas, nordestinos, estrangeiros… Se eu fosse ficar falando bem de São Paulo essa história quase não teria fim.

 

Ah São Paulo tão amada, cultuada e cantada em versos e prosa, símbolo da América do Sul, locomotiva que puxa o país, como eu te amo. Chão abençoado que como imã atrai os povos de todos os lugares.

 

Quando meu corpo tombar serei parte desse teu chão e meu corpo em teu corpo se tornará um só corpo e seremos sempre felizes.

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, no CBN SP, logo após às 10 e meia da manhã. A sonorização é do Cláudio Antonio.

Mundo Corporativo: Ruy Goerck, da BASF, fala das transformações da indústria química

 

 

A indústria química, atualmente, é muito mais vista como parte da solução para este nosso mundo do que parte do problema. Esta é a ideia central defendida por Ruy Goerck, vice-presidente de químicos e produtos de performance da BASF, que participou das transformações promovidas pelo setor nos últimos 30 anos. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, Goerck fala, entre outros assuntos, do programa Juntos Pela Sustentabilidade, criado em 2011, que reúne oito das das maiores empresas de produtos químicos do mundo e promove a sustentabilidade na cadeia de abastecimento. Na entrevista, o executivo mostra as oportunidades de trabalho que surgem neste mercado.

 

O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo site http://www.cbn.com.br. Os ouvintes podem participar com perguntas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. Participam do Mundo Corporativo Paulo Rodolfo, Cláudio Mesquita e Ernesto Foschi.

Giorgio Armani: luxo, água e sustentabilidade

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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A grife Giorgio Armani anunciou sua participação na campanha Acqua for Life pelo quinto ano consecutivo, em parceria com a Green Cross International (GCI), em prol de populações que vivem sem acesso à agua potável. Em 2015, atuarão no desenvolvimento da campanha em destinos como Gana, Costa do Marfim, Senegal, China, Bolívia, México e Argentina.

 

Atualmente cerca de 80 comunidades em todo o mundo já são beneficiadas com água potável graças a esse projeto de extrema importância. Lançada em 2011, o objetivo é apoiar o desenvolvimento de sistemas avançados e inovadores de água nessas novas comunidades. A primeira iniciativa na Argentina incidirá sobre a Província de Chubut da Patagônia, uma região atingida com a pobreza e um clima severo.

 

Para Armani, o acesso à água potável é um direito humano. A falta de água não só coloca a vida das pessoas em risco, mas também limita severamente o acesso à educação e ao desenvolvimento. Armani se comprometeu a utilizar a força de sua marca e de suas duas fragrâncias associadas à água – Acqua di Gio e Acqua di Gioia – para ajudar a disseminar a consciência sobre a necessidade de tomar medidas em escala global para resolver esta questão. Parte das vendas destas fragrâncias é revertida em litros de água para a campanha. Essa iniciativa aumenta a consciência da preciosidade da água e da necessidade de ajudar centenas de milhões de pessoas que não tem acesso à ela.

 

Não há dúvidas de que Giorgio Armani (não apenas o estilista mas também a marca que leva o seu nome) são admirados ao redor do mundo por muito além de suas criações de moda masculina e feminina. O consumidor contemporâneo é sensível a ações de engajamento social, preocupa-se com o meio ambiente e com um mundo melhor para todos. Para as marcas de luxo, hoje ser sustentável pode até ser uma tendência apenas, mas vai se transformar em questão de sobrevivência, principalmente com o crescimento do luxo consciente por seus consumidores.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.