Mundo Corporativo: Minoru Kimizuka e dez chocolates para o sucesso

 

 

“O chocolate veio para simbolizar a forma como se coloca diante das equipes. É o líder que não deixa de cobrar, vai ser rígido diante das metas, porém vai colocar-se de maneira sempre positiva, sempre reconhecendo e elogiando os progressos dos funcionários e, com isso, eles vão se auto-motivando, o clima da empresa melhora, e os resultados, também”. Assim o coach Minoru Kimizuka define o papel do líder chocolate, assunto do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Ele escreveu com Ademir Stein o livro “Dez chocolates para o sucesso” (Editora Alaude) e apresenta algumas dicas de como criar, motivar e recompensar sua equipe de trabalho.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, e você pode assistir, ao vivo, pelo site da rádio CBN, e participar com perguntas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelos Twitter @jornaldacbn e @miltonJung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Sim! Buenos Aires ainda é um luxo

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

Que a Argentina enfrenta forte crise é fato e o mercado do luxo vem sendo afetado consideravelmente. Desde quatro anos para cá, muitas marcas internacionais deixaram o país por causa da intensificação das medidas adotadas pelo governo de Cristina Kirchner com o intuito de restringir importações e operações com dólar.

 

O charmoso e tradicional bairro da Recoleta, que antes reunia lojas de grifes como Louis Vuitton, Emporio Armani, Ralph Lauren e Nina Ricci – estas na tradicional Avenida Alvear – agora mostra nova realidade. Algumas lojas internacionais deram lugar a marcas locais, como a argentina Cardon, hoje ocupando o prédio onde era a Empório Armani, e outras estão fechadas e sem funcionamento. Por outro lado, na esquina da Avenida Alvear com a Calle Montevideo, a joalheira Simonetta Orsini anuncia a abertura de uma nova loja. Afinal, o consumidor do luxo efetivo não deixa de existir, mesmo com a crise no país.

 

 

Se o varejo de luxo enfrenta situação difícil, a gastronomia e a hotelaria impedem Buenos Aires de perder seu charme e sofisticação. Hotéis de luxo como Alvear Palace, Palacio Duhau-Park Hyatt, Four Seasons e Faena investem cada vez mais na excelência em serviços prestados e na excelente comida. Chás da tarde, brunch aos domingos e programas especiais com tema gastronômico são algumas das experiências que se pode vivenciar nesses hotéis prestigiosos da capital portenha.

 

Buenos Aires pode não estar vivendo seu melhor momento para o consumo de produtos de luxo, porém a cidade não perdeu seu luxo intrínseco, sua sofisticação, seu charme. Esse é o luxo de verdade. A sua história, sua tradição. Vivenciar o que a cidade tem para oferecer. Afinal, luxo não é comprar. É viver e experimentar. É sensorial. O luxo em Buenos Aires continua vivo: na arte, na cultura, na arquitetura incrível da cidade, nas experiências gastronômicas… que merece ser apreciado!

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Fora da Área: Brasil com amendoim, pipoca e sofrimento

 

Brasil 3 x 1 Croácia
Copa do Mundo – Arena Corinthians(SP)

 

 

Jogo do Brasil aqui em casa tem amendoim, pipoca, bolo doce e salgado. Tem vinho e guaraná, também. Tem família reunida, cunhado na poltrona, cunhada e sobrinha atiradas no sofá, filhos ao pé da TV e mulher para cá e para lá. Como parte da família é italiana, a torcida tem sotaques diferentes e divertidos. Menos mal que as vozes fazem coro. Só silenciaram para ouvir o hino nacional e compartilhar a emoção que estava no rosto dos jogadores brasileiros desde que se preparavam para entrar na Arena Corinthians. Desconfio até que os olhos mareados atrapalharam nossos craques naquele início de partida, impediram de ver a escapada do Croata pela esquerda, a bola que cruzou toda a área até bater nas pernas de Marcelo e o gol adversário. O primeiro gol da Copa do Brasil. Apesar de marcado por um brasileiro, contra.

 

Se jogo do Brasil tem amendoim, pipoca, bolo doce e salgado aqui em casa, tem de ter sofrimento, também. Foi sofrido sair perdendo, tanto quanto ver que a bola brasileira não rolava com precisão. Rolava truncada, mascada, às vezes desrespeitada. Ao menos estava rolando mais nos nossos pés do que no dos croatas, mas quando eles a dominavam o medo de mais um lance fortuito se transformar em gol soava à tragédia. O cunhado italiano parecia me consolar ao prever o empate, a virada e a vitória, o que não me impediu de ouvir perguntas difíceis de responder: por que o Brasil não joga bem? Por que não chuta a gol? Por que Fred não aparece? E o Paulinho, cadê? Por quê? Nem posso reclamar, pois teve gente graúda que ouviu coisa bem pior da torcida. Mas isto é outro assunto. O meu é o futebol. E a resposta veio depois do jogo, na voz do cabeludo David Luiz: temos de saber sofrer. Nisso somos especialistas, David. Em campo e fora dele.

 

Se jogo do Brasil tem de ter sofrimento, desta vez tinha Oscar jogando muito e Neymar decidindo, também. Nem que para isso tivesse de se aproveitar de uma daquelas bolas mascadas, que eu tanto reclamava, ou de um juiz ludibriado. Aliás, pobre Senhor Yuichi Nishimura, assim como aquela outra autoridade, ouviu coisas que eu não me atrevo a escrever por aqui. Os croatas até tinham razão de reclamar, no lugar deles eu não faria diferente. Mas ninguém havia contado para eles que a preferência de Fred é jogar deitado no gramado?

 

Bola para o alto porque semana que vem tem o México pela frente. E aqui em casa terá mais um punhado de amendoim, pipoca, bolo doce e salgado. Sofrimento, Oscar e Neymar, também.

A Copa, quase uma obrigação

 


Por Milton Ferretti Jung

 

Não costumo tratar de futebol nos meus textos de quintas-feiras. Isto,porém,desta vez,com a Copa do Mundo começando hoje e se realizando no Brasil,escrever sobre este evento é quase uma obrigação. Não vou me furtar de fazer do Mundial o meu assunto. Na minha carreira radiofônica,que durou sessenta anos,fiz quase de tudo neste extraordinário veículo de comunicação:fui locutor comercial,apresentador de notícias,narrador de esportes e ator de radioteatro enquanto este item se manteve na programação da Rádio Guaíba. Fiz,inclusive,papéis caricatos. A equipe de atores participava de dois programas infantis – Teatrinho Cacique e Mestre Estrela – além de um dominical – Grande Teatro Orniex – este uma radiofonização de textos sérios para ouvintes adultos. Sinto uma grande saudade dessa época. Mas me propus a falar em Copa do Mundo e não vou fugir do tema.

 

Participei de três Copas como narrador da Guaíba:Alemanha,em 1974;narrei um jogo – Itália e Suécia – na competição sediada pela Argentina,em 78;finalmente,fui o narrador titular no México,em 1986. Fiquei,porém, mais contente quando Armindo Antônio Ranzolin,chefe de esportes da Guaíba,me escalou para trabalhar na Copa da Alemanha. Eu tinha muita vontade de conhecer a terra dos meus antepassados. Ruy Carlos Ostermann e eu viajamos para Frankfurt, onde o Brasil jogou na primeira fase do Mundial. Nessa viagem,fizemos uma escala em Paris. O nosso avião se atrasou e o que nos levaria até Frankfurt já tinha partido quando desembarcamos nessa cidade. Com sorte, conseguimos embarcar para o nosso aeroporto de destino em outro voo. Já com o traseiro doendo depois de mais de dez horas de viagem,descemos do avião e fomos em busca de nossas bagagens num dos terminais do aeroporto.

 

Até hoje,depois de inúmeras viagens aéreas,sempre que espero pelos meus trastes em terminais aeroportuários,não descanso enquanto não ponho a mão no que é meu. Dessa vez,logo na minha primeira viagem para mais longe de casa,eis que as nossas bagagens não nos acompanharam. Para aonde teriam ido? Ou,quem sabe,estariam irremediavelmente perdidas. Fomos ao recinto no qual ficam as bagagens não reclamadas e lá nos disseram que voltássemos no outro dia seguinte porque talvez tivessem vindo em outro voo. À noite,em um palacete,a FIFA receberia jornalistas de vários países com um jantar. Era para já estar quente na Alemanha,mas fazia um friozinho danado e garoava. Eu estava só com a roupa com a qual havia viajado. As demais,até então,em lugar incerto e não sabido.

 

Acordamos cedinho na manhã do nosso segundo dia em Frankfurt. No carro alugado pelos companheiros que nos precederam na Alemanha,voamos baixinho para o aeroporto.Lá chegando,corremos para o local em que ficavam as malas não reclamadas. E,para sorte minha e do Ruy,achamos ali as nossas roupas e tantas outras coisas que se põem em malas. Depois do susto na chegada,tivemos uma ótima passagem pela Alemanha dos meus ancestrais. Passamos a maior parte da nossa permanência no organizado país que nos recebeu sem ter de enfrentar problemas,seja na nossa cobertura jornalística,seja nas horas de folga.

 

Em 1986,a Copa do México,para quem passou a maior parte do tempo em Guadalajara,que foi o meu caso,eis que narrei apenas os jogos disputados nessa bela e agradável cidade, Samuel Souza Santos narrou os realizados na capital mexicana. Nas duas Copas do Mundo a que eu assisti,nem seria necessário dizer,o Brasil se deu mal. Espero que, na segunda competição em nossa terra,a sorte ajude o Felipão, sua Seleção e os brasileiros que torcem por ela e para que consigamos dar ao mundo uma demonstração de civilidade.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Rodolfo Gibrail Tannus: o mágico Vovô e um amor de sete décadas

 

Na sexta-feira, faleceu um amigo de todos nós, Rodolfo Gibrail Tannus, pai do nosso colunista semanal Carlos Magno Gibrail e do colaborador Julio Tannus. A história dele foi muito bem resumida no obituário da Folha de São Paulo, nesta semana, resultado da conversa que a jornalista Andressa Taffarel teve com o Carlos em busca de informações sobre a trajetória de vida desse personagem do nosso cotidiano. Em homenagem ao Seu Rodolfo deixamos de publicar, nesta quarta-feira, o texto do filho para conhecer um pouco mais a história do mágico, avô, pai e amigo. Como o próprio Carlos nos escreveu em e-mail, Andressa “produziu um excelente material, que tenho orgulho de reproduzir”. E todos nós, caros e raros leitores deste Blog, temos o prazer de ler:

 

Fora da Área: a perda de tempo para quem chega ao Brasil

 

 

A moça de ar desolado, pendurada na barra do ônibus e esmagada entre passageiros é a imagem escolhida pela The Economist para ilustrar o Brasil que recebe turistas estrangeiros na semana da Copa do Mundo. A reportagem que está na capa do site da revista inglesa tem o título “Traffic and tempers” (Tráfego e temperamentos) e se inicia com o lamento de um restaurateur americano, Blake Watkins: “no momento em que você aterrissa no Brasil começa a desperdiçar tempo” constatou ao chegar no país pelo aeroporto internacional de Guarulhos, na manhã de 9 de junho, quando São Paulo enfrentava mais um dia de greve no metrô. O primeiro desperdício, conta a reportagem, foram os 15 minutos para conseguir uma vaga para o desembarque dos passageiros, o que, convenhamos, está dentro dos padrões brasileiros. Para tirar a paciência, mesmo dos mais mal-acostumados entre os nossos, foram as duas horas e meia esperando os táxis para a capital, que não chegavam por estarem bloqueados nos congestionamentos. O repórter estranhou que táxis que traziam passageiros retornavam vazios e descobriu que mais importante do que atender as pessoas era respeitar o monopólio que impede que motoristas sem licença da empresa que explora o serviço no aeroporto trabalhem. Não seria tão estranho se houvesse sistema de transporte público à disposição, mas a reportagem lembra que foram concluídos apenas cinco dos 35 projetos de mobilidade previstos para a Copa do Mundo. Se não me falha a memória, mesmo que fossem entregues, o inglês permaneceria na fila pois Guarulhos não seria contemplado. Após receber essas boas-vindas no Brasil, a reportagem do The Economist entendeu melhor a pesquisa do Pew Research Center que identificou haver 72% dos brasileiros insatisfeitos com a forma como as coisas estão indo no Brasil e, também, a ausência do “ouro, verde e azul” nas ruas. Ao mesmo tempo, tem consciência que o mau humor aparente possa sumir assim que o torneio se iniciar, e se a seleção de Luis Felipe Scolari tiver bons resultados em campo a alegria, considerada uma marca do povo brasileiro, será retomada, mesmo diante do grande afluxo de turistas, greves e ocasionais protestos.

 


A reportagem completa da The Economist você lê aqui

Por que eu torço para o Brasil

 

 

Em sessão para testar a capacidade do cérebro, fui provocado a pensar em cenas positivas e emocionantes, enquanto eletrodos captavam sinais que eram registrados na tela de televisão à minha frente. Lembrei de situações familiares, reencontros, casamento e filhos recém-nascidos mas a maior parte das imagens recuperadas pela memória estava relacionada ao esporte, a experiências que vivi em quadra, nos anos em que joguei basquete, e nas arquibancadas (ou no sofá) como torcedor. É curiosa a capacidade que o esporte tem de me emocionar; sensação que, imagino, não seja privilégio apenas meu. Lembro de choros históricos como o de 1987 quando o basquete brasileiro venceu os Estados Unidos na final do Campeonato Pan-Americano, em Indianápolis (EUA). As meninas também me levaram às lágrimas, em 1996, quando, ao vencer a Ucrânia, garantiram a medalha de prata nas Olimpíadas de Atlanta (EUA). Em 2007, o mais dramático dos sofrimentos, assistindo ao jogo que ganhou o apelido de Batalha dos Aflitos e trouxe o meu Grêmio de volta à Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro.

 

A seleção brasileira de futebol também me proporcionou momentos de muita emoção nas Copas do Mundo em que venceu, especialmente a partir de 1994, pois das anteriores quase nada ficou na memória devido minha idade. Como gosto de torcer pelos amigos, vibrei muito ao ver o sucesso de Taffarel, no Mundial dos Estados Unidos, goleiro com quem compartilhei os primeiros anos de carreira no Internacional, clube do qual eu era repórter setorista, nos tempos da rádio Guaíba, em Porto Alegre. Coloquei a amizade acima da pátria, também, em 2002, no Japão e na Coreia, diante da seleção comanda por Luis Felipe Scolari, a quem sempre admirarei pela sinceridade de suas relações e conquistas alcançadas com o Grêmio. Curiosamente lembro pouco das frustrações de 1982 e 1986, edições em que o Brasil foi treinado por Telê Santana que terá meu eterno apreço.

 

A dois dias do início da Copa do Mundo no Brasil não tenho qualquer dúvida sobre minha torcida, vou vibrar como nunca a cada gol da nossa seleção e suarei as mãos enquanto o adversário estiver prestes a marcar. Vou reclamar passes errados e pedir precisão no desarme; pronunciarei palavras impronunciáveis nos chutes desperdiçados e nas defesas “indefensáveis”; sofrerei no sofá ou na arquibancada tanto quanto Felipão na beira do gramado. Diga o que quiser, me acuse do que bem entender, mas diante do espetáculo do futebol não consigo ficar impassível ou disfarçar sentimentos. Nenhum gestor nem a falta de gestão; nenhuma política nem mesmo os maus políticos; nenhuma obra inacabada ou dinheiro desviado vão me tirar o direito de ser feliz e me emocionar com o esporte.

 

Perdão se você não concorda comigo, mas quero ver este País explodir com a alegria do drible e a glória de um gol. O brasileiro que acorda cedo, madruga no ponto de ônibus, se esmaga na estação do metrô, carece de saúde e educação, se esforça como poucos para garantir-se no emprego ou construir seu próprio negócio, não precisa ser privado do prazer de ver seu capitão erguer a Copa. Ao contrário do que muitos dizem e pensam, somos muito mais avançados do que querem crer: sabemos separar Governo de Nação, governantes de seleção. Se dúvida, lembre-se de nossa história recente na qual o eleitor jamais votou como torcedor: se é verdade que, em 1994, fomos campeões e elegemos a situação (FHC), também o é que a reelegemos, em 1998, mesmo depois da frustração do vice contra a França; em 2002, o Penta não impediu que fossemos com a oposição (Lula), e mantivemos quem era Governo, em 2006 (Lula) e 2010 (Dilma), independentemente das derrotas em campo. A não ser que você seja adepto do quanto pior melhor, tire este franzido da testa, distorça o nariz, despache o mau humor para escanteio e entre comigo nesta torcida.

Seja lá o que for

Por Maria Lucia Solla

 

Olá,

 

pensa comigo:

 

O cidadão trabalha numa empresa de transporte público, motorista ou cobrador, apenas para citar os visíveis. Recebe seu salário do dono da empresa, que por sua vez,recebe o seu $$, do governo, seja ele qual for, de qual partido for. Certo?

 

Por partes, para eu não me confundir:

 

O governo, seja ele qual for, de que partido for, paga os donos da frota de veículos com o teu e o meu dinheiro, de um imposto escrachante*, com dinheiro dos que utilizam o dito transporte, e dos que não o utilizam.

 

Se você está sentado numa cadeira confortável, lendo este meu desabafo, se dirige um carro importado ou uma charanga qualquer, também paga pelo transporte público, seja ele qual for.

 

Portanto, esse assunto é do teu interesse e do meu, e não devemos apenas olhar de esguelha e dizer: oh! que horror! sentados em nossas poltronas assistindo à tragédia pela tevê, internet, ou seja lá de que tipo de geringonça for.

 

Ora, ainda para que eu possa manter o raciocínio nesse assunto que me é tão espinhoso:

 

Os funcionários das ditas empresas de transporte público não estão contentes com sua situação. Estão perigosos da vida com seus patrões – donos das empresas e do… ooops, quero dizer e com o governo. Seja lá qual for, de que partido for. Não podemos, de forma nenhuma, nos esquecermos de que eles são também cidadãos, que também pagam seus impostos e que, portanto, pagam parte do próprio salário e do $$ dos seus patrões. Certo?

 

Sou a favor da greve. Direito à greve é uma conquista do trabalhador; um direito que deve ser mantido e respeitado. Um soco no bolso do cara que não faz bem a sua parte.

 

Tenho uma singela sugestão aos grevistas de plantão.

 

Tomem seu banho de manhã, um bom café e vão trabalhar. sorrindo. Tomem respeitosamente seus assentos nos ditos veículos e recebam com bem os passageiros.

 

Komo açim, malu?

 

Elementar. É só não cobrar a passagem dos passageiros.

 

Olha que beleza. Em vez de vermos uma cidade em guerrilha, povo infeliz, e nem preciso descrever porque você está cansado de ver, veremos um povo contente, solidário com os funcionários grevistas, uma cidade inteira se unindo para verificar onde está o nó.

 

Afinal, os investidores dessa parafernália toda somos Eles: você e eu.

 

Ou não?!

 

* “Me deixa ser teu escracho, capacho, teu cacho, um riacho de amor…” em Não existe pecado ao sul do Equador, de Chico Buarque e Ruy Guerra

 


Maria Lucia Solla é nossa escritora de todo domingo, que se deu folga porque sabe mais do que ninguém quando precisa, mas que diante do que assiste nas cidades nos deu uma bela chance de lê-la nesta segunda.

Conte Sua História de SP: o homem que me salvou no futebol

 


Por Marcelo Locci
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

O ano era 1973. Eu tinha dez anos. Meu pai, palmeirense de quatro costados, me levou ao meu primeiro clássico no antigo Parque Antarctica: Palmeiras versus Corinthians. No timaço do Palmeiras (a segunda Academia) jogavam Ademir da Guia, Dudu, Leivinha, Luis Pereira, Leão, Cesar Maluco, enfim uma verdadeira seleção. Conosco, foram primos de meu pai, corintianos. Minha mãe me fez uma bandeira enorme, verde e branca, e estava com uma camisa do Palmeiras, com o número oito às costas, número do Leivinha, meu ídolo maior. O Palmeiras terminou o primeiro tempo perdendo de 1 a 0. Durante o intervalo, recebi algumas bolinhas de papel, alguns copos e outros objetos, pois apesar de ser palmeirense, estava mais ou menos próximo da torcida do Corinthians. Nada de muito relevante.

 

Na volta do intervalo, o técnico do Palmeiras tirou o Cesar Maluco e colocou em campo o reserva, com uma estrela formidável, o finado Fedatto. Assim, logo o Palmeiras empatou o jogo, para nossa alegria e felicidade. Eis que, de repente, algum louco tirou um revólver no meio da torcida, e começou um corre-corre infernal. Meu pai, tentando me proteger, me levou até o beiral da arquibancada. O Parque Antarctica era conhecido como Jardim Suspenso, pois o campo ficava acima do nível do chão. Meu pai, apavorado com a situação, olhou para baixo e viu um homem enorme vestido com a camisa do Corinthians. Ele gritou para que o sujeito me segurasse e me jogou para baixo. Nessa hora eu imaginei que estava frito, pois eu com a camisa do Palmeiras nunca seria seguro por aquele homem com a camisa do Corinthians. Para minha surpresa, não só ele me segurou, como me colocou atrás dele, nitidamente me protegendo da bagunça. Quando olhei para os lados, vi ainda que ele estava protegendo mais umas três crianças do meu tamanho. Meu pai deve ter demorado ainda uns 20 minutos para chegar até onde estava, mas o sujeito corintiano me protegeu até meu pai conseguir chegar. Assim que ele chegou, agradeceu ao sujeito, e tentou dar uma gratificação a ele. Para minha surpresa maior ainda, ele recusou, dizendo que estava fazendo o trabalho de Deus. Depois disso, ainda tivemos que pular as grades da piscina, e sair pelo outro lado do estádio. Terminou tudo bem, mas eu nunca mais me esqueci daquele homem que salvou, literalmente, a minha vida.

 

Eu espero que ele esteja vivo, e que tenha curtido as conquistas de seu time. Ele merece.

 

Marcelo Locci é o personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode contar outros capítulos da nossa cidade aqui na CBN: envie seu texto para milton@cbn.com.br. Ou agende entrevista no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Você vai lá, grava o depoimento e ainda ganha um DVD com suas memórias registradas.