Fora da Área: a perda de tempo para quem chega ao Brasil

 

 

A moça de ar desolado, pendurada na barra do ônibus e esmagada entre passageiros é a imagem escolhida pela The Economist para ilustrar o Brasil que recebe turistas estrangeiros na semana da Copa do Mundo. A reportagem que está na capa do site da revista inglesa tem o título “Traffic and tempers” (Tráfego e temperamentos) e se inicia com o lamento de um restaurateur americano, Blake Watkins: “no momento em que você aterrissa no Brasil começa a desperdiçar tempo” constatou ao chegar no país pelo aeroporto internacional de Guarulhos, na manhã de 9 de junho, quando São Paulo enfrentava mais um dia de greve no metrô. O primeiro desperdício, conta a reportagem, foram os 15 minutos para conseguir uma vaga para o desembarque dos passageiros, o que, convenhamos, está dentro dos padrões brasileiros. Para tirar a paciência, mesmo dos mais mal-acostumados entre os nossos, foram as duas horas e meia esperando os táxis para a capital, que não chegavam por estarem bloqueados nos congestionamentos. O repórter estranhou que táxis que traziam passageiros retornavam vazios e descobriu que mais importante do que atender as pessoas era respeitar o monopólio que impede que motoristas sem licença da empresa que explora o serviço no aeroporto trabalhem. Não seria tão estranho se houvesse sistema de transporte público à disposição, mas a reportagem lembra que foram concluídos apenas cinco dos 35 projetos de mobilidade previstos para a Copa do Mundo. Se não me falha a memória, mesmo que fossem entregues, o inglês permaneceria na fila pois Guarulhos não seria contemplado. Após receber essas boas-vindas no Brasil, a reportagem do The Economist entendeu melhor a pesquisa do Pew Research Center que identificou haver 72% dos brasileiros insatisfeitos com a forma como as coisas estão indo no Brasil e, também, a ausência do “ouro, verde e azul” nas ruas. Ao mesmo tempo, tem consciência que o mau humor aparente possa sumir assim que o torneio se iniciar, e se a seleção de Luis Felipe Scolari tiver bons resultados em campo a alegria, considerada uma marca do povo brasileiro, será retomada, mesmo diante do grande afluxo de turistas, greves e ocasionais protestos.

 


A reportagem completa da The Economist você lê aqui

2 comentários sobre “Fora da Área: a perda de tempo para quem chega ao Brasil

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