Fora da Área: quem chora por último chora campeão

 

 

Chorei muito na vida. Nas conquistas pessoais, nas vitórias de amigos e nas mortes, também. Nas arquibancadas do velho Olímpico Monumental chorei muitas derrotas. Os colegas mais próximos começavam a me preparar a medida que o jogo se aproximava do fim, pois sabiam que meu choro era inevitável diante da partida perdida. Quando fui para dentro do campo ou das quadras, chorei mais ainda. De alegria, mas principalmente de raiva por não alcançar os resultados que sonhava. Chorava ao ver injustiças acontecendo à minha frente. Às vezes o choro me levava ao descontrole e as lágrimas se transformavam em violência. Tinha de me conter. A maioria das vezes, ser contido. Ao deixar o esporte competitivo, voltei a chorar de emoção em especial nas vitórias de meu time do coração. O esporte, sempre o esporte a mexer comigo. O mais feliz de todos os choros foi na incrível conquista da Segunda Divisão, em 2005, quando o Grêmio foi protagonista da Batalha dos Aflitos. Naquele dia, levei os filhos a chorar, também. E não tive vergonha. Me orgulhei. Até hoje quando revejo o filme que conta essa epopeia, os olhos enchem de água. Encharco as vistas com muito mais facilidade do que se possa imaginar, às vezes com notícias que me tocam, favores que recebo ou me permitem oferecer.

 

Talvez é de tanto chorar que não me surpreende a reação dos jogadores brasileiros nesta Copa. A cantoria do hino à capela nos estádios tem tocado muitos deles. É nítida a tensão com que cada um está enfrentando a responsabilidade de disputar o Mundial dentro do Brasil. São todos muito jovens e forjam suas personalidades jogo a jogo. A reação de Julio Cesar antes de partir para seu maior desafio, a cobrança de pênaltis na decisão da vaga às quartas de final, contra o Chile, chegou a me assustar, pois transparecia insegurança. Descobrimos, após duas defesas, que era apenas agradecimento pelo destino lhe oferecer a oportunidade de reescrever a história na seleção. Os olhos marejados de Thiago Silva, o capitão, desde a primeira partida, poderiam embaçar sua liderança, mas a torna transparente e humana. Nada disso, porém, tem convencido muitos críticos e torcedores que se incomodam com os chorões da nossa seleção. Não é por acaso. Crescemos ouvindo que homem que é homem não chora. Meninos não choram (Boys Don’t Cry), é o que diz o refrão da música do The Cure, que conta a história de personagem que ri diante do sofrimento do amor perdido, “escondendo as lágrimas em meus olhos”.

 

Os meninos do Brasil não escondem as lágrimas de seus olhos. Não têm vergonha da sinceridade de suas lágrimas. E compartilham seu choro com toda a Nação. Que continuem a nos fazer chorar, também. Até a final desta Copa do Mundo, porque quem chora por último, chora campeão.

Fora da Área: com sofrimento, emoção e lágrimas ganhamos os que torcem pelo Brasil

 

 

Falei com o pai por telefone pouco antes de a partida começar. Assim como na minha, na casa dele também tem quem não torça pela seleção do Brasil. Sentimento que, confesso, não consigo entender especialmente em Copas do Mundo. Não que as pessoas tenham o dever de vibrar com as coisas do futebol, mas bem que poderiam ser solidárias aos milhões de brasileiros que buscam na bola o prazer do sorriso. Mas vamos deixar para lá tudo isso, afinal este texto é para comemorar a passagem do Brasil às quartas de final e o iniciei pela conversa que tive com meu pai porque ele havia me perguntado quem seria o maior torcedor da seleção aqui em casa. Respondi de bate-pronto que era eu, pois os meninos nunca tiveram esta ligação que tenho com o futebol e muitas vezes assistem às partidas de canto de olho, pois o grosso do olho está voltado para as acirradas disputas no League of Legend, jogo eletrônico com maior número de adeptos no mundo, no qual ambos são craques. Verdade que, nesta Copa, o interesse deles aumentou de forma considerável, provavelmente resultado do barulho que o Mundial provoca na internet e entre colegas na sala de aula. Saiba, porém, caro e raro leitor deste blog, que após ter visto o que vi durante a disputa de vaga contra o Chile vou ter de voltar a ligar para meu pai e corrigir a resposta.

 

Diante da televisão, a medida que o Brasil revelava-se incapaz de apresentar um desempenho a altura da nossa expectativa, meus dois guris, sentados, um no sofá e o outro no piso, sofriam como somente os torcedores de futebol sabem sofrer. Um esfregava as mãos no rosto insistentemente, enquanto o outro se agarrava nas almofada como tentando se proteger dos riscos de gols que surgiam a cada falha do nosso sistema defensivo. Um se calava, querendo entender por que o Brasil não era capaz de ficar com a bola em seus pés, enquanto o outro praguejava para se desfazer do nervosismo. Compartilhavam comentários sobre o sumiço de Neymar e a tentativa de drible de Neymar; o erro de Hulk e a tentativa de chute de Hulk; a ineficiência de Fred e a de Jô, também; o toque de bola do Chile, a velocidade do Chile. Pô, o Chile de novo!Que susto! Juntos reclamamos o gol anulado, a falta não marcada e o impedimento assinalado, mesmo sabendo que o juiz tinha razão. Torcemos pelo fim do jogo, pois temíamos o gol adversário. Ficamos satisfeito com o Brasil da prorrogação e com medo da decisão nos pênaltis. Que isso! Gritamos antes do silêncio que tomou conta da sala na bola que explodiu no travessão de Julio César no último minuto de jogo.

 

A vaga decidida nos pênaltis era novidade para eles em Copa do Mundo. Assisti de mãos dadas com o que estava mais próximo. Mãos que suavam frio. Que tapavam os olhos. Que se contraíam na cobrança chilena. Que se contorciam na cobrança brasileira. Que socavam o ar na comemoração de cada gol marcado e voltavam a se juntar por Júlio César. Angústia transformada em alegria na bola final que bateu no poste, e em pura emoção ao vermos as lágrimas do nosso goleiro que chorou copiosamente diante das câmeras, diante do Mundo – cena que me dá a certeza de que raras atividades permitem a dor e a redenção em praça pública como o futebol. E por isso sou um torcedor de futebol e fico ainda mais feliz em descobrir que meus filhos, também.

Conte Sua História de SP: assustada com o barulho dos aviões, em Congonhas

 

Por Maxionilda Schiavinatto Gubolin
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Com muita alegria escrevo essas linhas pra contar um pouco da minha história, da minha vida na grande cidade de São Paulo. Eu era menina, tinha 11 anos de idade. Era de Jales no interior, e vim para São Paulo trabalhar como babá na casa da Dona Ivone e do Dr. Amaury, olhando o pequeno Fernando, na época com oito meses. Morávamos em uma casa com sua irmã Zoraide e seu esposo Dr Velozo, diretor do Hospital Osvaldo Cruz, e os filhos deles, Maria Angélica e José Roberto. Essa casa era próxima ao aeroporto de Congonhas em frente a um quarteirão da Aeronáutica, onde, lembro bem, nós pegávamos água. A Aeronáutica continua lá, mas em frente ao Shopping Ibirapuera. Nas férias, os filhos desses doutores iam para nossa casa no interior para brincar, mesmo sendo uma casa de pau à pique era muito divertido. Aqueles senhores gostavam muito de nós e sempre pediam aos meus pais que deixassem eu morar na capital para estudar, mas retornei para Jales.

 

Outra coisa que ficou marcada em mim foi o 25 de janeiro de 1954. São Paulo fazia 400 anos. A Dona Ivone sentou ao meu lado e disse: “Maxionilda, hoje São Paulo faz 400 anos estamos todos aqui, mas quando fizer 450 anos posso não estar mais, mas você estará para lembrar esse dia”. Lembro-me de ir à igreja de Moema, ao circo Arrelia, de ver a Angela Maria cantando na televisão que tinha acabado de ser lançada, das idas ao parque do Ibirapuera e de andar de bonde. Foi uma época maravilhosa o tempo da garoa. Lembro-me de ter visto o sol raras vezes em três meses que fiquei aqui. Ah! Lembro também de acordar assustada com o barulho, mas logo eles me acudiam dizendo que era o avião decolando ou pousando. A iluminação das ruas era com lampião de gás.

 

Há algum tempo voltei àquele lugar e procurei notícias sobre Dona Ivone e o Dr. Amaury, mas os vizinhos me disseram que tinham mudado para o Brooklin. Gostaria muito de revê-los. Enquanto não consigo, aproveito para deixar um abraço para eles. Hoje, tenho 71 anos, três filhos e três netos, moro em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo. Sempre conto aos meus netos essas gostosas aventuras, pois sou muito honrada por ter vivido histórias tão lindas na capital.

 

Maxionilda Schiavinatto Gubolin é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade, mande seu texto para milton@cbn.com.br ou agende entrevista no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.

Mundo Corporativo: Eva Hisrsch fala sobre líderes que sofrem da Síndrome do Impostor

 

 

Líderes que assumem posição de destaque mas são incapazes de identificar suas qualidades para ter alcançado o sucesso na carreira e, geralmente, creditam esta ascensão a fatores externos podem estar sofrendo da Síndrome do Impostor. De acordo com Eva Hirsch Pontes, diretora da Fênix Coach, apesar de ser mais comum de diagnosticar o problema em executivos, este distúrbio pode atingir profissionais em qualquer nível na organização e, também, estudantes. Pontes foi entrevistada pelo jornalista Mílton Jung no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. A melhor forma de corrigir este problema que pode atingir a performance do profissional dentro da empresa e outras barreiras que os líderes e colaboradores encontram no seu cotidiano também foram tratados no programa.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar, às quartas-feiras, 11 horas, no site da rádio CBN – http://www.cbn.com.br, com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Viagens para celebrar a vida

 


Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

Se antes o produto em si era alvo de desejo no mercado do luxo, hoje a experiência que esse produto proporciona ao cliente tornou-se o diferencial. A mudança, para muitos, foi trocar o prazer do “ter” pelo prazer e privilégio do “ser”. O segmento do turismo retrata esse comportamento do consumidor ao redor do mundo. Viajantes de alto poder aquisitivo buscam muito além de hotéis elegantes, destinos urbanos e serviços especiais. São passageiros que almejam viver experiências inusitadas e memoráveis.

 

As celebrações estão cada vez mais alvo de desejo e são adquiridas por esse perfil de consumidor. São viagens onde o cliente deseja celebrar uma data especial, como aniversário, bodas de casamento, festa de 15 anos da filha, e o que mais você imaginar. Os destinos podem variar e a “temática” da viagem também. Em geral o cliente cria um ambiente privativo para ele e seus convidados, com todas as despesas pagas: fretamento de iate, reserva das suítes em luxuosos hotéis em destinos urbanos, de praia, exóticos…ou uma charmosa Villa na região da Toscana, por exemplo. Para complementar a experiência, é comum o uso de avião fretado. Sem contar que muitos, claro, têm avião próprio.

 

 

Agências de viagens especializadas em roteiros exclusivos como PrimeTour, Matueté, Teresa Perez, Platinum Travel Service e Selections são algumas das que realizam esse sonho de muitos clientes. Cada detalhe dessas viagens é cuidado minuciosamente por um profissional da agência, customizando a comemoração de acordo com os desejos do cliente. Parte aérea, terrestre, serviços no destino, guias bilíngues, serviços de mordomia. Cada detalhe é cuidado para que a festa seja realmente impecável e inesquecível.

 

A personalização é uma das principais características de um produto ou serviço nesta categoria. O luxo deslocou-se para o subjetivo universo do consumidor, repleto de sentimentos, necessidades e valores que envolvem especialmente o aprimoramento sociológico das pessoas. Para um cliente de alto poder aquisitivo, uma viagem de celebração certamente foi e será memorável para ele e para as pessoas que ama. Afinal, luxo é poder permitir-se vivenciar o que a vida tem de melhor.

 

E você, qual o seu próximo destino?

 


Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Fora da Área: confesso minha infidelidade na Copa

 

 

Desde que a Copa se iniciou tenho me transformado em um vira-casaca de carteirinha – no futebol, vira-casaca é como chamamos o torcedor que troca de clube, que torce um dia para um, outro dia para outro. Você, caro e raro leitor deste blog, sabe bem que de time não mudarei jamais. Serei gremista até a morte (apesar de que gremista é, por tradição, imortal, ou pensa ser). Já registrei neste blog, também, o quanto e por que torço para a seleção brasileira. Sendo assim, quando Grêmio e Brasil estiverem em campo, não tenha dúvida de que lado estarei. Agora, quando estamos diante de uma Copa do Mundo, onde 32 seleções se enfrentam, e você assiste a praticamente todos os jogos, o coração fica despedaçado. Claro que eu poderia apenas ver as partidas como um admirador do esporte, mas sou muito passional para não ser conquistado por uma ou outra seleção que esteja em campo.

 

Uso alguns critérios pouco confiáveis para decidir se comemoro um gol ou não. Por exemplo, por Jung que sou nada mais natural do que sempre estar ao lado da Alemanha. Posso debandar para a Itália em homenagem ao Ferretti que carrego no sobrenome. Uruguai e Argentina merecem minha admiração pela proximidade com o Rio Grande do Sul, onde nasci. Conheci os países do Cone Sul antes mesmo de viajar para qualquer estado brasileiro. Tem ainda os Estados Unidos onde nasceram e ainda moram três dos meus sobrinhos, ou a Inglaterra que o filho mais velho admira pela língua, ou a Coreia do Sul que o mais novo gosta devido aos costumes e ao videogame.

 

Agora mesmo estão jogando Alemanha e Estados Unidos enquanto na outra partida está Portugal e Gana. Seria bom ter os portugueses na próxima fase, pois gosto de craques como Cristiano Ronaldo, mas a seleção não ajuda muito. Os alemães tem vários deles e não precisaria da minha torcida, no entanto é admirável a forma como jogam e sei que lá em casa, em Porto Alegre, tem gente feliz. Ao mesmo tempo é louvável o esforço dos americanos em praticar o esporte e isto me entusiasma durante a partida em alguns momentos. Os ganeses, depois de todas as confusões, não mexem comigo. Nesse vai e vem de emoções, torço por um gol aqui, quem sabe a reação acolá. E, talvez, se o empate vier, por que não uma virada? Vibro com jogadores que lutam de forma destemida mesmo diante de todas as suas limitações, por isso esperei um gol do Equador contra a forte França, na penúltima rodada. Comemorei toda vez que Messi marcou, em especial no finzinho daquele jogo com o Irã, apesar de estar achando incrível o que os iranianos conquistavam até aquele momento frente a uma das seleções favoritas ao título. Aplaudi todos os gols de Inglaterra e Uruguai quando fui à Arena Corinthians.No fim, percebo que o que mais quero nesta torcida da Copa é assistir a jogos bastante disputados, bola rolando com qualidade e jogadores se expressando com raça. Torço para ser testemunha da história que alguns desses personagens incríveis estão escrevendo.

 

Chegamos à segunda fase da Copa e pela forma como foram definidos os confrontos para as oitavas de final, percebo que ainda vou exercitar muito a minha infidelidade de torcedor. Menos amanhã, porque amanhã é Brasil. E eu sou fiel torcedor do Brasil.

Nem os deuses do trânsito salvam

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Sei que há quem se dá ao trabalho de ler o que escrevo no blog do Mílton. Não penso que sejam muitos esses abnegados.Tenho por eles (ou ele?),como não poderia deixar de ser,grande respeito. Por isso,afora outros cuidados,lembro que digito o texto nas terças-feiras,mas esse somente é postado nas quintas.Assim,sou obrigado,dependendo do assunto,a correr o risco de que ele fique defasado. Vou usar,no do dia 26,um subterfúgio. Isto é,morador que sou de Porto Alegre,só não sofro com o trânsito caótico dos dias de jogos da Copa do Mundo na Arena da Beira-Rio,porque fico acoitado – ou quase isso -em minha casa. Morador,que sou,da Zona Sul,sofro com a proibição de ir,pelas vias normais,ao Centro da cidade. Já as anormais,que aumentam o trajeto uma enormidade e não contribuem em nada com a velocidade do deslocamento,só podem ser utilizadas por quem tem necessidade de chegar,depois de gastar muito combustível e torrar a paciência,ao local de destino.

 

Nesta terça-feira,estou redigindo o meu texto e lendo na Zero Hora,jornal gaúcho,esta manchete: “PARA (TENTAR) EVITAR O CAOS NO TRÂNSITO”

 

Explica o matutino que,”depois dos congestionamentos no dia de Austrália x Holanda,a EPTC – Empresa Pública de Transportes – preparou ações para tentar aliviar a vida dos motoristas porto-alegrenses”. Afora essa providência,Prefeitura e Estado – leio na ZH – apenas para os seus servidores em Porto Alegre ,anunciou ponto facultativo. Tomo a liberdade de duvidar que essas e outras decisões tenham obtido o esperado efeito (ou seria o desesperado efeito)adotado pelas autoridades ditas competentes,visando a ter evitado,na quarta-feira,25/6,a repetição do caos. Tenho pena dos moradores de prédios,alguns luxuosos,situados nas proximidades do Beira-Rio:eles nunca imaginaram que bem à frente de suas residências,o que era um estádio clubista, viraria Arena.Lembro isso porque,nos dias de jogos da Copa, os proprietários de apartamentos,no local, têm de mostrar documento oficial comprovando que residem na área com entrada restrita. Oxalá,me engane,mas creio que somente os deuses do trânsito podem ter evitado um novo caos na Zona Sul de Porto Alegre,suas adjacências e as supostas vias de mobilidade para quem tem urgência de ir ao Centro Histórico desta cidade.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, publica seu texto no Blog do Mílton Jung (o filho dele). Desta vez, porém, dado o tema escrito, o editor (seu filho) antecipou a publicação em um dia e, pelo descrito na imprensa gaúcha, a expectativa de que haveria grande congestionamento nesta quarta-feira, antes do jogo da Argentina, estava correta.

A Copa na Moda

 

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

A indústria da roupa esportiva, como que antevendo o bom nível de futebol da COPA 14, desenvolveu vestuário condizente com a qualidade do futebol apresentado. Um exercício de inovação de produto. Roupas funcionais, elegantes, tecnológicas e dentro das tendências atuais da moda.

 

A Nike, que veste a seleção brasileira, pesquisou o corpo de cada jogador para identificar as áreas de maior tensão e esforço. Desenvolveu então matéria prima que reforçasse essas regiões e pudesse fornecer maior elasticidade e consistência. O peito e os ombros foram beneficiados. A Nike é a marca com maior presença na COPA, fornecendo uniformes para as seleções dos Estados Unidos, Inglaterra, França, Holanda, Portugal, Grécia, Croácia, Coréia do Sul e Austrália.

 

A Puma marca esportiva pioneira na preocupação com a moda, e que patrocina as seleções da Itália, Suíça, Uruguai, Chile, Camarões, Costa do Marfim, Gana e Argélia, criou um tecido cuja tecnologia faz micro massagens no corpo do atleta, além de apresentar um look atlético e de moda. A peça mais justa traz o beneficio adicional de dificultar o cada vez mais tradicional recurso do puxão na camisa.
A Adidas, que é responsável pelas roupas da Espanha, Alemanha, México, Colômbia, Rússia e Japão, desenvolveu o mais leve de todos os tecidos até então criados por ela.

 

Para o futebol, e para a indústria do vestuário esportivo, este é definitivamente um legado da COPA 14. Incontestável, ao que tudo indica, pois os jogadores tem se manifestado com satisfação às novidades apresentadas. E pelo que temos visto em relação a outros componentes, como cabelos, tatuagens e demais adereços, a moda é elemento de destaque neste show de bilhões. De pessoas e de dólares.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Fora da Área: classificado, sem ilusão e com Neymar

 

 

No Tribunal Militar, o funcionário negociou compensar no restante da semana as horas não trabalhadas nesta segunda-feira porque o carro dele estava impedido de circular durante todo o dia, em São Paulo. A enfermeira informou por e-mail que havia combinado com um paciente e assistiria ao jogo no quarto em que ele está hospitalizado. Alguns escritórios replanejaram as atividades, diminuíram o expediente ou liberaram os funcionários em horário escalonado. Houve quem arriscasse o transporte público, de ônibus ao trem, mesmo sem saber se conseguiria ser bem atendido no retorno para casa. Os torcedores brasileiros driblaram as dificuldades de mobilidade, bloqueios de ruas e avenidas e a insensibilidade de administradores para chegar a tempo de assistir ao jogo do Brasil. Cada um fez o que pode do lado de fora do campo, enquanto lá dentro nossos jogadores tentavam retribuir com um futebol mais bem jogado do que nas duas partidas iniciais desta Copa. Tanto quanto as medidas adotadas nas cidades diminuíram os congestionamentos, em relação ao jogo anterior, as estratégias de Luis Felipe Scolari levaram a seleção à vitória contra Camarões. Nos dois casos, nada foi definitivo. Muitos problemas seguem nas cidades, da mesma forma que na nossa equipe, mas nesta, ao menos, temos Neymar, que faz toda a diferença. O camisa 10 brasileiro driblou, provocou, brilhou e marcou dois gols.

 

Como as soluções para nosso cotidiano são mais complexas, passo a escrever apenas do futebol. Felipão esbravejou ao lado do gramado, gesticulou para reposicionar seu time, percebeu erro na movimentação dentro da área que nos levou a tomar o gol de empate e a dificuldade para a bola passar de pé em pé e migrar da defesa para o ataque. Mesmo terminando o primeiro tempo com vantagem – pois se nada dava muito certo, tínhamos Neymar -, o treinador entendeu que estava na hora de mudar a equipe e trocou Paulinho por Fernandinho. Se aquele fez um jogo no diminutivo, esse foi grande, defendeu, chegou à frente, trocou passe e, de bico, marcou o seu gol, resultado de uma triangulação muito legal de ver entre ele, Oscar e Fred. Aliás, Fred foi mais uma boa notícia no segundo tempo. Fez, de bigode, o primeiro gol na Copa e ainda participou de lances importantes. No fim das contas, saímos do Mané Garrincha líderes do grupo, com uma goleada e com o goleador do Mundial. (Neymar, claro).

 

O Brasil se classificou às oitavas de final para enfrentar o Chile, no próximo sábado, no Mineirão, em Belo Horizonte. Precisará melhorar ainda mais para superar o adversário sul-americano, mesmo que as estatísticas estejam a nosso favor. Sabe que tem dificuldades nas alas, na marcação dos volantes e na articulação no meio de campo. Conhece seus limites e está buscando soluções, como a entrada de Fernandinho que deve ter conquistado a vaga de titular. Avança no Mundial, sem nenhuma ilusão e com Neymar. E isso faz uma baita diferença.

Fora da Área: Felipão joga com as palavras para motivar o Brasil

 

 

A coisa está do jeito que o diabo gosta. Sob pressão, necessitando do resultado a qualquer custo e sem espaço para favoritismo, Luis Felipe Scolari sabe como poucos motivar sua equipe, unir o grupo e tirar 110% de cada um de seus jogadores. Foi Renê Simões, que já treinou algumas equipes no Brasil e a seleção feminina, quem me chamou atenção, em entrevista ao Jornal da CBN: Felipão sabe bem atuar neste cenário. E nós que já torcemos pelos times treinados por ele sabemos mais ainda. Por tudo isso, arrisco dizer que o empate contra o México, semana passada, talvez tenha sido o ponto de partida para o Hexa, que muitos começaram a duvidar após as duas apresentações claudicantes do Brasil, pelo grupo A e, especialmente, pelos primeiros resultados de seleções como Alemanha, França e Holanda. O resultado colocou as coisas nos seus devidos lugares. Desde o título na Copa das Confederações havia um otimismo exagerado em torno da nossa seleção que vale muito mais pelo seu conjunto do que pela excelência individual, exceção a Neymar, único com capacidade de colocar a bola embaixo do braço (ou do pé) e desequilibrar sozinho a partida. O Brasil chegou com uma mão na taça, acreditavam muitos. Um tremendo risco de sairmos com as mãos vazias.

 

Desde o empate, Scolari tem comprado briga nas entrevistas coletivas. Criticou, em tom de ironia, logo após o jogo, de que estava proibido marcar pênalti a favor do Brasil. Nesse domingo, na última fala aos jornalistas antes de a partida decisiva com Camarões, Felipão disse que o técnico Louis van Gall é burro ou mal-intencionado. Foi seu contra-ataque após ouvir o holandês reclamar que o Brasil poderá escolher o adversário na próxima fase pois jogará depois de Holanda e Chile, que decidem primeiro e segundo lugares no grupo B, da Copa. Disse, repetiu e completou: “bem que o Rivaldo havia avisado”. Ou seja, não disse mas deu a entender: o mal de van Gall não é a inteligência, é o caráter. Além de conhecer muito de futebol, Scolari sabe que as palavras, em público e em grupo, são importantes. Podem influenciar o juiz, o adversário e a torcida. Principalmente, podem motivar os jogadores. Ronaldo, o Fenômeno, confidenciou a amigos que nenhum técnico em sua carreira fazia preleção de tanta qualidade e motivação quanto Scolari. Depois de ouvi-lo no vestiário, disse o atacante, os jogadores sobem para o gramado dispostos a matar ou morrer.

 

Nesta segunda-feira, Luis Felipe Scolari, além de repassar a estratégia tática e o posicionamento em campo, usará todos os artifícios para mobilizar novamente seus jogadores na busca pela classificação. Falará das críticas que o time tem recebido, da desconfiança que começa a gerar, da provocação dos adversários, de que todos querem tirar o Brasil da Copa e tudo mais que ele encontrar como motivo para mexer com os brios de nossos atletas. Vai escalar a mesma equipe que começou a Copa, informam os repórteres que acompanharam o último treino. Sua intenção é clara: sinalizar o quanto confia em cada um deles. Aposta que com confiança os volantes terão melhor desempenho, os alas chegarão mais na linha de fundo, o meio de campo articulará a bola com mais qualidade e nossos atacantes, especialmente Fred, deixarão sua marca. Com confiança e futebol, duas coisas que Felipão entende muito.