Dentro da área: geração Y ou coxinhas dominarão o futebol

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Futebol arte

 

Décadas de acompanhamento de futebol como espectador e apreciador não foram suficientes para que eu pudesse assimilar o 7×1 e o acentuado baixo nível do campeonato brasileiro. Até que Xico Sá, Juca Kfouri, Muricy e, principalmente, o último artigo de Tostão fizeram com que eu enfrentasse a nova e dura realidade. O futebol, até então, um esporte de habilidades naturais, desenvolvidas aleatoriamente em lugares improvisados e quase sempre na periferia dos centros urbanos, se defronta agora com escolas de formação de jogadores. Fatores técnicos, táticos, atléticos e psicológicos são ensinados e desenvolvidos.

 

O Brasil, que por condições culturais, sociais e demográficas soube aproveitar a fase romântica até então, vê-se agora inferiorizado e ultrapassado diante do profissionalismo de países que já sistematizaram o aprendizado do futebol.

 

Diante dos últimos resultados da Copa do Brasil, Xico Sá sugere a eliminação dos níveis, já que times B e C ganharam de equipes A.

 

Kfouri ante o amadorismo dos dirigentes propõe um tratamento empresarial às mazelas das corriolas diretivas. Muitas vezes perenes por décadas.

 

Muricy identifica a falta de escolas para treinadores, mas é Tostão que através do passe chega ao ponto:

 

“Assim como o gol é o objetivo final, o drible é a representação da habilidade, da astúcia e da improvisação, o passe simboliza a técnica e o jogo coletivo.”

 

“Os jogadores não erram muitos passes porque não têm técnica. Erram também porque fazem as escolhas erradas. Por falta de lucidez, para se livrar da bola e pela pressa em se chegar ao gol, dão a bola para o jogador marcado. A bola vai e volta.”

 

Em suma, o jogador precisa, para a sua formação, de ambiente profissional que possa lhe transmitir o conhecimento e o treinamento como de outras profissões. O gap que começa só será evitado se houver total reformulação. Clubes, dirigentes, técnicos e jogadores. O que, convenhamos, não será fácil. Que o Bom Senso se habilite.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Procuram-se engraxates de rua!

 

Engraxate

 

O evento pedia sapato social, destes que se combina com o terno: preto para o cinza, caramelo para o azul marinho. Como admiro a peça, não costumam me faltar. Por isso, nem me preocupei em visitá-los no guarda-roupa com a devida antecedência, fato que me causou um susto e uma descoberta. No momento em que os tirei do sapateiro, percebi que permanência deles fechados no armário, durante todas as férias, e o descuido de quem os guardou lá – provavelmente, eu mesmo – deixaram algumas marcas esbranguiçadas no couro. Nada que uma boa engraxada não resolvesse. Embaixo da pia, onde costumava guardar graxa e flanela, não havia mais nada. A velha caixinha com os apetrechos para o sapato parece ter se desfeito no tempo ou ter sido jogada fora em uma das últimas arrumações que o ambiente enfrentou. Nada que atrapalhasse meus planos, pois bastava ir até um engraxate e tudo voltaria reluzente para casa. Foi quando percebi que há muitos anos não passo perto de um desses engraxates de rua que, ficavam sentados aos seus pés fazendo arte no pisante, enquanto nós, no alto de um trono de ferro, líamos o jornal e trocávamos alguns murmúrios concordando ou não com os comentários que o artista fazia. “E aí, como estão coisas?”, “viu a última do prefeito?”, “tá precisando de chuva, não!?”, “andam dizendo por aí que ….”. E a gente, humm, é, talvez, quem sabe, meu Deus do Céu! Nada muito longo, mas o suficiente para ele entender a personalidade do freguês. Havia, também, uns pivetes com idade para serem nossos filhos, ou melhor, sobrinhos, já que todos éramos chamados de tio. Esses não tinham lugar fixo, carregavam suas caixas de madeira nas costas em busca de trabalho, ficavam na porta dos restaurantes e lugares chiques de onde saíam homens de terno e sapato social desfilando uma suposta elegância.

 

Puxando na lembrança, a imagem que tenho é dos engraxates do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Voltando ainda mais no tempo, lembro dos que sentavam na Praça da Âlfandega, ao lado da sede do Banrisul, no centro de Porto Alegre. É bem provável que tenha passado por outros tantos lá no Sul ou aqui na cidade, mas a memória não ajuda muito. Há algums meses, uma ouvinte da rádio escreveu para o Conte Sua História de São Paulo sobre o fim da sapataria do bairro onde mora, fenômeno que deve ter se repetido em outros lugares, pois o ponto comercial ficou muito caro para serviço tão mal remunerado. Deve ter virado farmácia ou posto de gasolina. Com a falta de credibilidade da praça pública, os engraxates de rua foram sendo extintos. Nestes tempos de violência urbana, quem se atreveria ficar exposto a assaltantes? Como boa parte do comércio, a sapataria vai para dentro do shopping e se oferece como sendo do futuro, torna o serviço mais caro e impessoal. Somos recebidos por moças e nossos sapatos somem atrás de um balcão sem que o sapateiro sequer olhe para nossa cara. Atendem o sapato, não mais a freguesia. Talvez esteja querendo demais. Em um mundo no qual tudo é descartável, vai ver o sapato não merece mais retoques. Sola, meia-sola ou apenas um pano para deixá-lo nos trinques? Nada vale mais a pena. Ficou velho, perdeu o brilho, bota fora e compra outro.

 

Se você conhece lugares onde os engraxates ainda exercitam seu talento, não deixe de me avisar. Pois, por enquanto, o “vai uma graxa, aí, cidadão!?” está só na saudade.

 

(e os meus sapatos ainda estão a espera do brilho)

 

PS: Imagem da Galeria de Giordano Pedro no Flickr

Avalanche Tricolor: #NãoTeMixaFelipão

 

Grêmio 2 x 0 Criciúma
Brasileiro – Arena Grêmio

 

17AUG14_GremioxCriciuma_118

 

Um camisa 10, aos 40 anos e com toque de bola refinado, estava na lateral esquerda. Três volantes, fortes na marcação, apareciam próximo da área do adversário desarmando e participando de jogadas de ataque. Havia ainda jovens dispostos a construir sua história com a camisa do Grêmio que, mesmo tropeçando de vez em quando em sua inexperiência, marcaram os dois gols. Para comandar todos eles, um técnico veterano que demonstrava ao lado do campo o entusiasmo de um menino: vibrava, gritava, gesticulava e brigava, quando necessário. Foi esse conjunto que nos levou à vitória na tarde de domingo, interrompeu a sequência de resultados negativos e trouxe tranquilidade em um momento crucial do Campeonato Brasileiro, a três rodadas da virada do turno e às vésperas de enfrentarmos adversários que estão no topo da tabela.

 

Felipão treinou pela primeira vez o Grêmio na Arena e correspondeu ao apoio da torcida com as mudanças que fez, seja de posicionamento – alguns resultados de lesão – seja de comportamento. Registre-se: meu entusiasmo não se baseia no placar da vitória nem leva em consideração a qualidade e momento do adversário, apesar de ambos serem aspectos que podem ser base para análises mais pragmáticas (não se esqueça que diante de gente bem pior, desperdiçamos pontos e amargamos derrotas neste ano). Adepto da filosofia de que o Diabo mora nos detalhes, é neles que busco razão para minha satisfação com o time neste domingo. Por exemplo, a equipe reunida no meio de campo no intervalo e ao fim da partida não foi cena fortuita, mas demonstração de engajamento. Jogadores conversavam, trocavam informações e cobravam um dos outros sempre que se deparavam com algum problema em campo, porque estes não deixaram de existir mesmo diante do bom resultado. Não poderíamos imaginar diferente, afinal nosso técnico tem o desafio de fazer a equipe se reencontrar, se organizar taticamente e melhorar a auto-estima em plena competição.

 

Na arquibancada (desculpe-me se continuo com o velho hábito de chamar as modernas cadeiras desta forma), sempre em busca dos detalhes, enxerguei cartaz nas mãos de um torcedor com recado em forma de hashtag: #NãoTeMixaFelipão. Não sei se há campanha com o tema correndo nas redes sociais, mas gostei da mensagem de apoio a ele, que tem sido atacado por todos os cantos em virtude você-sabe-do-quê. Aqui em São Paulo, todos tratam com ironia a presença do técnico no Grêmio, ouço gracinhas, ironias e recebo tapinhas nas costas em gesto de comiseração. Mal sabem o quanto admiramos e acreditamos na capacidade de Felipão que tem de ter todo nosso apoio para fazer as mudanças necessárias no time, tem de ser incentivado a mexer com as estruturas que parecem enferrujadas e, como hoje, demonstrar coragem e criatividade.

Conte Sua História de SP: os valores de meu pai

 


Por Luciano Ribeiro
Ouvinte-internauta da Rádio CBN

 

 

Em 1986, éramos sócios do Clube Juventus, no Bairro da Mooca, zona leste, mas morávamos no Cangaíba, distrito da Penha, bem longe dali. Eu, no auge dos meus 14 anos, me sentia muito orgulhoso em poder ir desde a minha casa até ao clube sozinho. Pegava um ônibus na Avenida Cangaíba, descia na Penha, embarcava no Vila Limoeiro, próximo ao Cemitério. Ali seguia em uma longa viagem de quase hora e meia até descer na portaria do clube, e aproveitar o dia quente de férias nas piscinas.

 

Certo dia, ao sair do Clube, deparei-me com a seguinte situação: tinha uma nota de Cz$ 5.000,00 (na época a moeda era o cruzado) e o valor da passagem era de Cz$ 120,00. No ônibus havia uma placa que dizia: troco máximo Cz$ 1.000,00 (posso estar equivocado com os valores exatos). Bem, fui até uma Padaria na redondeza e comprei um “Freshen up”, um chiclete que tinha um recheio líquido refrescante. Cz$ 180,00. Ao fazer o troco, a mocinha do caixa cometeu um equívoco, em vez do troco de Cr$ 4.820,00, ela me entregou Cz$ 5.320,00, e pior, a minha nota de Cz$ 5.000,00 veio junto embaixo de todas. Mais que depressa dobrei aquela pequena fortuna, a coloquei no bolso e segui para minha casa.

 

No ônibus, fazia planos … estava praticamente rico, quantas fichas de fliperama eu iria comprar. Ah! Aquele tênis que eu pedi para a minha mãe, se eu quiser comprar vou poder também! Nossa! Eu estava extasiado. O fim de semana estava garantido: shopping, cinema, sanduíche naquela famosa lanchonete do M amarelo… Uau!! Ao chegar em casa, cometi o “pior erro da minha vida” (ao menos eu enxerguei assim por alguns bons anos). Coloquei a mão no bolso, saquei aquele monte de dinheiro e mostrei, orgulhosamente, ao meu pai: – “Pai, olha o que eu consegui. Estou rico!”. Meu pai, com o semblante sempre sereno fechou a cara, e um pesar imenso tomou conta do rosto dele. O tom grave da voz dizia tudo: – “Onde você conseguiu este dinheiro?”. Expliquei, já não tão orgulho assim, a minha epopeia. Meu braço franzino sentiu a enorme pressão das mãos dele me levando até o carro. Já começava a anoitecer, deviam ser próximo das 7 da noite, estava calor, e nosso carro não tinha ar condicionado. Levamos cerca de uma hora e meia até chegar a padaria. Meu Pai fazia o costumeiro sermão (ele costumava gastar horas em uma conversa, que era pior que vinte surras). Durante todo o caminho, eu o ouvi dizer sobre o que era pegar uma coisa que não era minha, que ele nunca tinha me ensinado que isto era motivo de glória, que… ahhh… Porque eu não fiquei quieto??? Por que tive que mostrar a ele? Como fui burro…

 

Ao chegar a padaria encontramos um Sr. Grande, de cabelos brancos (ele era bem maior que meu pai). O homem apontava e falava alto para a moça, com olhos vermelhos de tanto chorar… Ela tinha uma barriga enorme, estava grávida… Meu pai interrompeu a conversa e ainda com aquela pressão no meu braço, disse que eu tinha algo para dizer… Entreguei a nota de Cz$ 5.000,00, e a de Cz$ 500,00. Com a voz embargada, pedi desculpas, e meu Pai emendou: – “O pior, é que ele percebeu o engano, pegou o dinheiro, e foi embora. Eu não ensinei isto a ele. Por isso está aqui, devolvendo.” A moça não agradeceu, não olhou na minha cara. O homem grande, agradeceu ao meu Pai, e lhe apertou a mão, que então lhe pediu que não punisse a funcionário pelo engano.

 

Demorou algum tempo para eu compreender perfeitamente aquilo tudo, e hoje devo meu caráter à forma como fui criado e educado por minha família. Com uma filha de sete anos, entendo de forma tão clara qual o legado desta, e de várias outras situações, em que meu pai me passou ao longo da minha infância e adolescência.

 

Valores… Não cabem nos bolsos.

 

Luciano Ribeiro (e o pai dele) foram personagens do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode contar outros capítulos da nossa cidade aqui na CBN: envie seu texto para milton@cbn.com.br. Ou agende entrevista no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Você vai lá, grava o depoimento e ainda ganha um DVD com suas memórias registradas. Se quiser outras histórias de São Paulo visite o meu blog, o Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: Irene Azevedo ensina a planejar mudanças de cargos ou emprego

 

 

Profissionais dispostos a mudar de função dentro da sua organização ou interessados em trocar de empresa devem fazer uma viagem interior e determinar para onde querem se movimentar. A orientação é da diretora de negócios da LHH/DBM Irene Azevedo em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Especialista em mobilidade de talentos, a consultora também apresenta soluções para as empresas dispostas a valorizar seus colaboradores.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, às 11 horas da manhã, e pode ser assistido pelo site da rádio CBN (www.cbn.com.br). Os ouvintes participam com perguntas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br ou pelos Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Nova sala VIP em NY, velhos problemas em Guarulhos

 

Por Ricardo Ojeda Marins 

 

Centurion-lounge-LGA_Fotor_Collage

 

Já falamos em alguns de nossos artigos aqui no Blog do Mílton Jung sobre cartões de crédito de luxo. Seletivos e cobiçados, esses cartões oferecem, entre seus principais benefícios, salas VIPs em aeroportos ao redor do mundo. Há apenas alguns dias, a American Express, que tem um dos cartões mais elitizados do mercado, abriu nova sala VIP no Aeroporto La Guardia, em Nova York.

 

A entrada para o Centurion Lounge, localizado no Terminal B, possui mais de 400 metros quadrados, elegantes e modernamente decorados, sendo cortesia aos associados The Platinum Card e Centurion Card, e seus familiares, ou até dois companheiros de viagem. Associados de outros cartões da bandeira American Express podem comprar o acesso ao lounge por um dia mediante o pagamento de USD 50. As comodidades incluem mimos como criações gastronômicas de Cédric Vongerichten – chef executivo no prestigioso restaurante Perry St, coquetéis e vinhos premium, espaço com acesso a internet, assessoria a clientes para reservas com restaurantes, companhias aéreas, hotéis e outros.

 

Impossível não compararmos o novo espaço com a sala vip da Amex no Aeroporto de Guarulhos (SP). Seja pelo que observei em minha últimas passagens pelo Centurion Lounge de GRU Airport seja pelo que leitores e amigos descrevem, é triste dizer que o serviço vem decaindo consideravelmente. Sala cheia, espaço Kids lotado de pessoas (adultas) sentadas no chão, demora na reposição dos alimentos, demora na limpeza das mesas;  enfim, nota-se que o serviço está muito longe da excelência que promete e distante do conceito que se busca: ser impecável. Para um cartão cuja anuidade é R$ 1.200, impecável é o mínimo que todo cliente espera de um atendimento. No Brasil, desde 2006, a marca American Express está sob os cuidados do Banco Bradesco.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Passeando de mãos dadas com meu pai

 


Por Milton Ferretti Jung

 

00a3affe

 

Espero que ninguém estranhe que este texto trate do Dia dos Pais,cuja comemoração ocorreu no domingo passado,10 de agosto,data em que a maioria faz almoços comemorativos, caso tenha pai vivo, ou lembre, com saudade sempre renovada nessas ocasiões, aqueles que já se foram. Graças a Deus ainda posso festejar a efeméride com a Jacqueline e o Christian,além de manter contato telefônico com o Mílton.É uma agradável troca de cumprimentos,eis que tanto eu quanto os meus filhos também são pais e me deram quatro netos.

 

Afora o prazer do nosso reencontro,ao vivo com o Christian e a Jacque e, pelo celular, com o âncora deste blog,o Mílton deu-me o prazer de ler mais um dos seus sempre inspirados textos,este sobre o significado do Dia dos Pais,no qual lembrou um episódio que vivemos quando ele era bem pequeno,inesquecível para ambos. Tenho certeza que os leitores deste blog já leram ou ainda lerão (recomendo que leiam,se ainda não o fizeram),uma Avalanche Tricolor que não fala somente das relações entre pais e filhos,mas de como aqueles influenciam seus filhos na escolha da cor clubista. Mesmo que possam ler aí acima a última frase do texto criado pelo Mílton,permito-me reproduzi-la,o que faço com os olhos marejados: “É diante de tudo isso que,neste domingo,independentemente de quanto não merecíamos o resultado alcançado,que lhe agradeço pai por ter-me ajudado a ser o homem que sou. E,claro,por ser gremista”.

 

O domingo me reservou uma outra surpresa,essa quando li o que Claudia Tajes,minha sobrinha escritora e colunista do caderno Donna,encartado na ZH dominical,escreveu e postou fotos relativas ao Dia dos Pais. Duas mostram o pai dela,Tito Tajes e outra com o avô dela – meu pai,Aldo Jung – passeando na Rua da Praia,de mãos dadas,comigo e com minha irmã,Mirian,mãe da Claudinha. Talvez ela nem ficará sabendo que o seu texto também marejou os meus olhos e,em especial,a foto do meu pai,ainda bem jovem,trajando impecável roupa branca,contrastando com o cabelo bem preto. Resta-me agradecer a minha sobrinha pela postagem das fotos do meu pai e do pai dela.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Eduardo Campos e a imprevisibilidade da vida

eeeee_586x422

 

A queda de um helicóptero, no litoral paulista, foi a primeira notícia que chegou à redação. No Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, um dos nossos repórteres avisa que o governador Geraldo Alckmin havia abandonado às pressas a cerimônia da qual acabara de participar. Sem confirmação, surge a suspeita: Eduardo Campos estaria envolvido no acidente. Assessores diretos do líder do PSB foram procurados por telefone. Os celulares não atenderam. De Brasília, soube-se que Campos não voava de helicóptero. Era a esperança de que tudo não passaria de boato. A Aeronáutica envia a primeira informação oficial sobre o acidente: não era um helicóptero, era um Cessna, jato executivo, mesmo modelo do usado pelo ex-governador. No local do acidente, nenhuma informação  e repórteres mantidos à distância. No hospital, notícias desencontradas sobre quantas pessoas feridas estavam sendo socorridas. De volta à Brasília: deputados e colegas de partido perplexos já sinalizavam o drama. Havia pessoas chorando e assustadas ao telefone. Todos tentavam saber a verdade. A mãe de Eduardo Campos deixa o compromisso que estava, no prédio do TCU, onde é conselheira. No seu gabinete, pouco tempo depois é vista aos prantos.  O pior cenário se desenhava: Eduardo Campos, 49 anos, estava morto.

 

Eleito duas vezes Governador do Estado de Pernambuco, três vezes deputado federal, deputado estadual, ministro do Governo Lula e candidato à presidência da República pelo PSB, Eduardo Campos, havia transformado-se na maior novidade desta corrida eleitoral ao fechar aliança com Marina Silva, assim que a ideia da criação da Rede Sustentabilidade foi frustrada, no ano passado. Quando todos se voltavam para as estratégias da batalha publicitária que se iniciaria no rádio e na TV e ainda repercutiam sua presença no Jornal Nacional, Campos volta a nos surpreender, agora definitiva e tristemente. Uma tragédia que abortou a jovem carreira de um político que parece ter surgido para viver intensamente, pois teve pressa para ascender, assumiu compromissos e foi protagonista em todas essas etapas. Ninguém perde mais do que sua família, mas se é verdade que sua morte impacta a política e, mais diretamente, a eleição que está em andamento, muito mais nos choca por despejar sobre todos a dura lição da imprevisibilidade da vida.

Um e-mail para Bel Pesce

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Bel Pesce TED

 

Poucos minutos antes das sete horas, ao menos três manhãs por semana, levo meu filho Rodolfo, de 11 anos, ao Pueri Domus. Um trajeto de quinze a vinte minutos. Do Morumbi à Verbo Divino. Tempo precioso para um diálogo com o meu filho. O que me motiva para a jornada que se inicia. Por isso mesmo, para não interferir, ligo o rádio somente depois que o deixo na escola. A não ser naqueles dias em que estou só. E, não faz muito tempo, comecei a ouvir nestas ocasiões a interessante conversação entre o Milton Jung e a Bel Pesce. Quando logo apostei em que a forma jovem do contexto poderia facilitar o entendimento do conteúdo para o meu filho.

 

A primeira confirmação veio de cara. Liguei o rádio e assim que se iniciou o programa não veio nenhum repúdio da parte dele. Fato que me animou a repetir a experiência. Até que na semana passada atrasei a ligar o rádio e ele perguntou: “Não está na hora do caderninho da Bel?”. Contente com o resultado resolvi então comprovar a aposta inicial. E, na segunda feira, entrei no carro faltando dois minutos para as sete horas e não liguei o rádio. Ele sentou e perguntou: ”Você não vai ligar no programa da Bel?” Justamente neste dia o tema se referia ao amor e ódio aos e-mails, terminando na abordagem dos aspectos positivos de parte deles. Sugerindo então que se enviassem e-mails.

 

Motivado pelo resultado da introdução do Rodolfo ao noticiário do rádio, via Bel e Milton, resolvi colocar neste espaço, que ocupo todas as quartas, o agradecimento à contribuição de ambos. E, informar que a CBN ganha um novo ouvinte novo. Rodolfo, 11 anos, e fã do CADERNINHO DA BEL.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Gosto pela política

 

Por Nei Alberto Pies
professor e ativista de direitos humanos

 

“O meu ideal político é a democracia, para que todo o homem seja respeitado como indivíduo e nenhum venerado”. (Albert Einstein)

 

Não vou declarar publicamente meus votos para estas eleições gerais. Um artigo ou crônica não servem para isso. Vou declarar um conjunto de habilidades e qualidades que subsidiem a escolha dos votos para deputado estadual, deputado federal, senador, governador e presidente da república. Acredito que as reflexões podem colaborar para afirmar a crença na boa política, levada a sério na perspectiva do bem comum, como já aprendemos com os sábios gregos. Escrevo por intuição e por conta da vivência e convivência de anos na militância política.

 

Meus votos serão ideológicos, marcados por uma posição que enfrenta as desigualdades sociais e a construção de oportunidades para a grande maioria de nossa população. Fazem parte das minhas lutas de militância e ativismo dos direitos humanos. Outros, como eu, votam ideologicamente. Foram e são influenciados por suas histórias de ativistas da política. A maioria da população, no entanto, leva em conta um conjunto de fatores que estão além ou longe da ideologia; são frutos de contextos e de experiências pessoais de favorecimento, de promessas de futuro ou de relações de amizade e cumplicidade.

 

O povo gosta de votar em políticos convincentes e bem articulados. Sabe distinguir os candidatos ingênuos dos “espertos”. Aliás, esperteza, astúcia e coerência são ingredientes que convencem e ajudam a eleger muitos políticos. O povo quer se ver bem representado, enxergando no seu candidato alguém que seja capaz de autodeterminar-se, sem ceder a pressões que o façam mudar de ideia.

 

Como muitos candidatos confundem o eleitor ao se apresentarem fora da especificidade do cargo a que concorrem! Falam que irão fazer, quando sua função será falar e representar. Outros pleiteiam cargos executivos, mas comportam-se como legisladores. Quem define que quer exercer função pública deve saber falar bem, relacionar-se com naturalidade, gostar de pessoas, demonstrar carinho e afeto nas abordagens com o eleitor, manter permanente coerência, ser ético.

 

A política exige posicionamentos, opções e virtudes, permanentemente. Quem se dispõe à vida pública deve entender que a sua vida pessoal e interpessoal, sua experiência e liderança nas organizações, suas condutas pessoais serão avaliadas e confrontadas com as propostas e soluções coletivas que o mesmo apresentar. Por isso mesmo, não é possível separar a pessoa da função e da responsabilidade do cargo que a mesma está disputando.

 

Cada político possui um “capital social”, que é muito importante para construir identidade com seu eleitor. Este capital é fruto das relações com a comunidade, com o partido ou com os seus pares (apoiadores). Muitos chamam este capital de carisma, de marca, de identidade própria ou peculiaridade. O marketing e a propaganda política, quando coerentes com a vida e a atitude dos candidatos, cumprem papel importante para subsidiar as escolhas de nossos votos nesta eleição.

 

Declaro meu gosto pela política porque a política é da nossa essência humana. Também porque ela é decisiva para a promoção da nossa cidadania. Além de votar, luto para que se ampliem as formas de toda sociedade manifestar-se e decidir sobre os rumos de nosso estado e nossa nação, a partir de uma Reforma Política. A democracia exige a superação da alienação política e o engajamento permanente de todos. As políticas públicas e sociais, os nossos direitos e os rumos da economia precisam sempre estar a serviço das pessoas e não dos interesses financeiros ou de grupos que teimam em governar como se governassem para a sua família ou para seus clãs.