De Transmutação Mental ou Fisicultura do Pensamento

 

Por Maria Lucia Solla

 

“A Mente, tão bem quanto os metais e os elementos, pode ser transmutada de estado em estado, de grau em grau, de condição em condição, de polo em polo, de vibração em vibração.

 

A verdadeira transmutação hermética é uma Arte Mental”

O CAIBALION – Estudo da Filosofia Hermética do Antigo Egito e da Grécia.

 

Olá,

 

tem pensamento que nos envenena, amarga a boca e faz o plexo solar vibrar em sinal de alerta, não tem? E tem outro que infla a nossa alma como balão de gás. O bom é malhar esse e reformatar aquele, mudando o foco da atenção, até que se dê a Alquimia Verdadeira. Acreditamos literalmente que alquimia seja a arte de transformar qualquer metal em ouro, mas não nos damos conta da metáfora porque ouro tem sido o supremo poder nesta dimensão. Alquimia Verdadeira não é a arte de transformar metal em ouro, é a arte de controlar as forças mentais, não os elementos materiais, para evitar que elas nos controlem, e para quebrar a resistência de vícios mentais que nos subjugam através da certeza, do medo, do eu-primeiro, da birra, da soberba, da manipulação, da ganância, da agressividade, da reatividade…

 

Garanto que, assim como a Meditação Transcendental, o exercício de burilar os pensamentos gera coerência, se é que ainda nos lembramos do que seja. É só mu-dar o primeiro pensamento. Depois, um pensamento depois do outro, e seguir aliviando peso de dor, de desilusão, preconceito, incompreensão, radicalismo e falta de flexibilidade que aciona artrite e artrose também no corpo físico.

 

Este mundo é mental; não material, e não sou eu quem afirma. É um dos Preceitos Herméticos que datam de pelo menos 2700 AC, ofertados a seus discípulos pelo Mestre egípcio Hermes Trismegisto. Dizem que Abraão também bebeu de sua fonte filosófica, e que Hermes Trismegisto foi considerado Mestre dos Mestres, Três vezes Mestre, reconhecido pelos egípcios como Thoth, o Mensageiro de Deus, pelos gregos antigos como Hermes, deus da Sabedoria, e pelos romanos como Mercúrio.

 

O exercício é fácil: Está sol? Não reclamar. Chove? Não reclamar. O marido não se comportou direitinho? Não infernizar. Você adoeceu? Não desesperar. Mudar o que pode ser mudado e aceitar e contornar o que não pode ser, em vez de querer mudar o curso da vida e daqueles que nos rodeiam.

 

Bora exercitar? Ou não, e até a semana que vem.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: entenda o comportamento do seu consumidor

 

 

Conhecer a cabeça do consumidor é fundamental para traçar as estratégias comerciais das empresas. É com esse objetivo que a Pesquisa Já desenvolve soluções para o mercado de marketing de varejo. Para o gerente de negócios Fernando Menezes “o monitoramento de informações, realizado em tempo real, não apenas capta e antecipa possíveis falhas no ponto de venda, mas também abre um importante precedente para avaliar os hábitos de consumo e entender o comportamento do consumidor”. Ele é o entrevistado do programa Mundo Corporativo da rádio CBN.

 

Você pode assistir, ao vivo, ao Mundo Corporativo toda quarta-feira, 11 horas, no site da rádio CBN, e enviar perguntas para o email mundocorporativo@cbn.com.br e para o Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Anéis Fabergé embarcam nos táxis londrinos

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

A frota de táxis de Londres, um dos ícones da capital inglesa, recebe novas cores neste Outono. Cores luxuosas e opulentas, aliás, de peças de joias de luxo da renomada grife Fabergé. Anéis da exclusiva coleção Emotion ilustrarão alguns táxis da cidade, que estarão em circulação nos próximos 12 meses em torno das áreas de Knightsbridge, região onde fica a loja Harrods e West End, funcionando como táxis normais.

 

Os anéis podem ser adquiridos em lojas da Fabergé em Londres, Nova York, Genebra e Kiev, bem como em outros pontos de varejo de luxo internacionais. O preço? Em torno de USD 38.100, podendo chegar a USD 40 mil. Alguns itens da coleção também podem ser encontrados na boutique online da Fabergé.

 

 

A grife Fabergé, fundada em 1842, é famosa por sua criação de ovos com pedras preciosas e se tornou a joalheria oficial do império russo. Os Ovos Fabergé eram obras-primas da joalheria entre os seculos XIX e XX produzidas para os czares da Rússia. Encomendados e oferecidos na Páscoa entre os membros da família imperial, os ovos acomodavam surpresas e miniaturas, e eram cuidadosamente elaborados com uma combinação de esmalte, pedras preciosas e metais. Desejados por colecionadores em todo o mundo, eles são ainda alvo de admiração pela sua perfeição e considerados expoentes da arte joalheira.

Ver jóias Fabergé estampadas em táxis londrinos parece algo, no mínimo, inusitado. Afinal, estamos falando de uma marca que tem prestígio, tradição e exclusividade em seu DNA, além de ser ícone do império russo. Não há dúvidas de que Londres é uma das cidades onde mais se respira moda, luxo e sofisticação, mas ver peças Fabergé expostas dessa forma poderá, a longo prazo, contribuir negativamente para a imagem da marca. Esta estratégia não é a primeira ação mais “agressiva” da marca, uma vez que há alguns anos vem disponibilizando suas peças valiosas e exclusivas através de sua loja online.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Atualmente cursa MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Somos felizes, mas fazemos de conta que não sabemos

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Muitos ou,quem sabe,muitíssimos de nós somos felizes e,sei lá por que razão,fazemos de conta que não sabemos disso. Estou,confesso com lisura,entre essas pessoas que sempre encontram algum motivo para se queixar da vida. Faço,particularmente,uma força danada para me corrigir. Foram tantos,nos últimos dias,os episódios trágicos que lotaram os meios de comunicação,que me fizeram,no mínimo, repensar minha maneira de ser.

 

Creio que nada pode ser mais terrível do que as forças malignas da natureza. Supertufões, como o Haiyan,que atingiu com violência descomunal o arquipélago das Filipinas,armado de ventos que chegaram a 278km/h e de ondas gigantes,talvez tenha matado 10 mil pessoas,fora as que,se não perderam a vida,ficaram sem suas casas, ameaçadas por doenças e necessitando do socorro de inúmeros países. No Brasil,não sofremos com catástrofes provocadas por furacões,tsunamis e outros que tais,capazes de infernizar, com alguma regularidade, outras regiões do planeta.

 

Menos letais são os problemas enfrentados pela gente pobre brasileira,especialmente aquelas que se obrigam a erguer os seus casebres em terrenos que ficam à margem de rios ou córregos,sujeitos a verem suas residências paupérrimas serem inundadas em consequência de chuvaradas, episódios que ocorrem mais do que uma vez por ano. Exemplo disso está nesta manchete do jornal gaúcho Zero Hora:”Chuva mata,isola e deixa desabrigados no Estado”.

 

Refiro-me ao que aconteceu no início desta semana no Rio Grande do Sul. Olho as fotos publicadas pela mídia e fico a imaginar o desespero dos que perderam,mais do que as suas casinhas,todos os seus eletrodomésticos adquiridos a duras penas. Não bastassem os danos causados pela mãe natureza (ou madrasta natureza), em meu estado,não há semana,principalmente as que tenham feriados prolongados,esses que começam nas noites de quintas-feiras e se estendem até o final dos domingos,em que não ocorram acidentes fatais, nas vias urbanas e nas estradas,envolvendo toda espécie de veículos. Nesse domingo,colisão entre dois carros,um deles com oito pessoas,matou cinco jovens com idades entre 16 e 24 anos. A maioria das vítimas retornava de uma festa. Mas os óbitos não ficaram nisso:nesse final de semana,registraram-se mais 17 mortes,em acidentes de trânsito,no Rio Grande do Sul.

 

Diante desses fatos que acabei de relatar,sou obrigado a me perguntar até quando vou inventar motivos para me queixar da vida. Eu sou feliz. E sei disso!

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

A decisão do STF em seis toques

 

Por Wálter Fanganiello Maierovitch
Comentarista do Justiça e Cidadania

 

1. PANO DE FUNDO.

 

Para usar uma linguagem futebolística, o Supremo Tribunal Federal, na sessão de ontem, apresentou-se confuso. Mas, e perante a opinião público e para a grande maioria dos operadores do Direito, fez-se Justiça. Prevaleceu o entendimento de ser possível a execução parcial das penas. Vale dizer: transitou em julgado, “tollitur quaestio”: a questão está encerrada.

 

Um exemplo ajuda a esclarecer. José Direceu foi condenado pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha. A condenação por corrupção ativa tornou-se imutável e isso por não mais caber recurso: só caberá, em face do trânsito em julgado e por fato novo e até agora desconhecido, uma ação rescisória, que, no processo penal, chama-se revisão criminal: pressuposto da revisão criminal é o trânsito em julgado. Quanto à quadrilha, a decisão condenatória ainda não é definitiva pois foi atacada por embargos infringentes: pelo delito de formação de quadrilha, Dirceu foi condenado por 6 votos contra 4. Pelo Regimento Interno do Supremo, que tem força de lei, cabem embargos infringentes quando lançados quatro ou mais votos absolutórios e minoritários.

 

Com efeito. Os 11 supremos ministros estavam convocados para apreciar a segunda rodada de embargos de declaração apresentados e num total de dez.

 

Pela suprema rádio-corredor, corria a informação de que o ministro Joaquim Barbosa, — presidente da Corte e relator da fase de conhecimento do ‘mensalão’ e da futura etapa de execução das condenações–, proporia à consideração dos seus pares a execução parcial de condenações com trânsito em julgado. Ou melhor, embora pudesse Joaquim Barbosa atuar de ofício, e sem o ‘nihil obstat’ dos demais ministros, ele resolveu consultá-los na Plenária. Isso sobre o início da execução de condenações definitivas: àquelas não mais sujeitas a ataques por recursos.

 

Na véspera do julgamento, e por petição protocolada às 18 horas, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, resolveu antecipar-se à Barbosa. Em petição que o presidente Barbosa e os demais ministros tiveram notícia pelos jornais e se informaram apenas em Plenário, o procurador Janot, como parte acusatória, requereu o início da execução das decisões com trânsito em julgado. Como se percebe, Janot atropelou Barbosa, que estava pronto para propor a mesma coisa aos seus supremos pares.

 

Salvo os embargos declaratórios ajuizados pelo deputado João Paulo Cunha e Breno Fischberg, os oito outros foram, por maioria e vencidos os ministros Marco Aurélio e Lewandowsky, considerados protelatórios. Para Marco Aurélio e Lewandowsky os embargos não deveriam ser conhecidos pela ausência dos seus pressupostos: obscuridade, omissão, contradição. Caso os votos de Marco Aurélio e Lewandowsky tivesse prevalecido, ficaria aberta a porta para uma terceira rodada de embargos declaratórios e a impedir o trânsito em julgado.

 

2. DESGASTE.

 

O desgaste entre ministros e a confusão foi tamanha que não se conseguiu, no final, colocar no papel da ata o resumo do decidido.

 

Deu um apagão geral e o ministro Barbosa pediu para os paress repetirem os votos. Aí, novas preplexidades. Barbosa, —que parecia vencido–, acabou, –e não escondeu o ar de surpresa–, vencedor na questão mais complexa. E até Lewandowsky e Marco Aurélio concordaram, — para desespero de José Dirceu–, com a execução parcial de condenações definitivas.

 

Com todos os ministros exaustos, ficou para hoje uma melhor redação da súmula e a publicação do resultado.

 

3. REGIMES PRISIONAIS.

 

Apesar da confusão, pode-se concluir que caberá a execução parcial das condenações. Atenção: só daquelas com trânsito em julgado. Friso: os oito réus condenados que tiveram embargos declaratórios considerados protelatórios, –voltados a evitar o trânsito em julgado–, vão ter de cumprir de imediato as penas.

 

Qual será o regime prisional ?

 

O regime, como destacou Barbosa e os demais ministros concordaram, será o previsto no Código Penal: mais de 8 anos de pena em execuçao, regime fechado. Mais de 4 anos e menos de oito anos, regime semi-aberto. Na hipótese de menos de quatro anos, regime aberto.

 

Assim, e por exemplo, Delúbio Soares vai ter de começar a cumprir a pena, por corrupção ativa, em semi-aberto. José Genoíno, ficará em aberto e com chance de pedir a substituição por pena alternativa e restritiva de direitos: prestação de serviços à comunidade.

 

Roberto Jefferson, – que delatou o esquema do “mensalão ao jornal Folha de São Paulo em 2005 e ainda não esclareceu com quem partilhou o dinheiro ilegal e criminosamente recebido–, foi da turma de Collor Mello, quando do impeachment. Ontem e mais uma vez, contou com o voto de Marco Aurélio, primo de Collor.

 

Nem os céus ajudaram o bispo Rodrigues, que, em semi-aberto, vai amargar penas por corrupção passiva e lavagem.

 

4. OS CARONAS.

 

Atenção-atenção. O estranho e que gerou supremas divergências, ficou por conta dos seis condenados que apresentaram embargos infringentes, embora não tivessem quatro votos absolutórios conforme determina o Regimento Interno.

 

Enquanto não for decido de forma definitiva o não conhecimento desses seis recursos infringentes e sem amparo no Regimento do Supremo, as penas ficarão suspensas. Como esses seis embargaram contra todos os crimes a que foram condenados, nada será executado de imediato. No desespero e para ganhar tempo, os supracitados seis “francos atiradores” apresentaram os infringentes. Vão se beneficiar pois o sistema processual legal exige que os pedidos sejam decidios pelo relator e caberão embargos regimentais se Barbosa não os receber (conhecer).

 

Soubessem disso, os demais também apresentariam embargos infringentes e conseguiram adiar a execução parcial das condenações determinada na sessão de ontem.

 

5. MANDATOS PARLAMENTARES.

 

No momento, nenhum condenado vai perder o mandato parlamentar. Essa questão só será examinada em sede de embargos infringentes. Certamente, os mandatos parlamentares vão terminar antes do julgamento dos infringentes.

 

Apenas o deputado João Paulo Cunha, cujos segundo embargos declaratórios foram acolhidos, saiu no lucro. Quanto a ele, a execução ficará suspensa e o ministro Barbosa ficou, –ainda este ano–, de dar uma solução. Qual a razão da suspensão ??? A propósito, nem o ministro Barbosa foi capaz de esclarecer.

 

O certo é que o deputado João Paulo Cunha está definitivamente condenado por corrupção passiva ( 9 votos a 2 e 3 anos de reclusão) e peculato ( 9 votos a 2 e pena de 3 anos e 4 meses de reclusão).

 

6.NEFELIBATA e DE CANELA

 

Por último e voltando à linguagem futebolística, teve, na sessão de ontem, uma “matada de canela”. Refiro-me ao procurador-geral Rodrigo Janot.

 

Competia ao ministro Barbosa, como relator, propôs aos seus pares a execução parcial do julgado e com relação aos crimes que transitaram em julgado. Só que a mesma proposta, na véspera, fizera o procurador-geral Rodrigo Janot.

 

Diante do colocado pelo procurador Janot, abriu-se uma discussão áspera e de horas, ou seja, alguns ministros entenderam que os advogados de defesa deveriam ser ouvidos sobre a pretensão de Janot, consoante o princípio constitucional do contraditório.

 

O ministro Barbosa, contra os votos de Marco Aurélio e Lewandowsky, insistiu em afirmar que a proposta era sua como relator. Asssim, deveria ser desconsiderada a de Janot.

 

Por sua vez, o procurador Janot, — como um nefelibata (aquele que vive nas nuvens)–, não percebeu que se desistisse do pedido tudo terminaria e o resultado seria exatamente igual ao que havia proposto.

 

Avalanche Tricolor: um gol, um protesto e um campeão

 

Grêmio 1 x 0 Vasco
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

Foram sete jogos sem vitória e seis e meio sem gols até que a bola saiu dos pés talentosos de Zé Roberto, na cobrança de escanteio, encontrou a enorme testa de Rhodolfo dentro da área, e caiu no fundo da rede adversária. Longe de ter sido o mais belo gol dessa competição, o mais emocionante ou mais importante. Mas era desse gol que precisávamos para tirar o peso do retrospecto ruim das últimas rodadas do Brasileiro em momento crucial do campeonato. Era fundamental vencermos essa partida diante da disputa acirrada pela segunda vaga para a Libertadores que será decidida nos quatro jogos finais. O gol não foi suficiente para esconder nossas deficiências e impaciências, que ficaram claras na troca de passe, na falta de chutes a gol e mesmo na dificuldade para afastar os riscos impostos pelo adversário. A intranquilidade se refletiu na reação da torcida que vaiou Renato pela primeira vez desde que me conheço por gremista, mesmo depois de já estarmos à frente no placar. A substituição do Zé da Galera por Maxi Rodríguez foi arriscada, mas teve resultado com o time jogando melhor, apesar de continuar a cometer erros de acabamento nas jogadas. E nos oferece mais uma opção de jogo para a reta final.

 

Apesar da relevância do resultado em rodada que nos mantém entre os três melhores times do campeonato, aconteça o que acontecer até amanhã, não quero dedicar toda esta Avalanche ao desempenho gremista. É preciso que se destaque o que considero o fato mais importante da história recente do futebol brasileiro: a reação dos jogadores à desordem da CBF e dos cartolas. O Bom Senso Futebol Clube conseguiu mobilizar os atletas profissionais de forma nunca antes vista no Brasil. Jogadores de Grêmio e Vasco entraram lado a lado com faixa nas mãos que pedia: “Por um futebol melhor para todos”. Ato que antecedeu ao gesto mais marcante da noite. Todos de braços cruzados durante um minuto logo após o árbitro apitar o início da partida, em uma demonstração de que são capazes de parar por muito mais tempo, provocando uma inédita greve dos jogadores nos campos brasileiros, se a Confederação e seus dirigentes insistirem em fechar os ouvidos para as reivindicações deles. Foi emocionante (mais do que o futebol mostrado nos gramados).

 

Resignado

 

Vencer todos seus adversários, conquistar o título com quatro rodadas de antecedência e jogando futebol de extrema qualidade. Além de aprender com o Cruzeiro, nos resta parabenizar o time mineiro e se contentar com o fato de que ao menos o campeão é azul.

É um assalto! Alguma novidade?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Polícia no SOS Morumbi

 

Domingo à noite, um casal de classe média alta, no bairro do Morumbi, precisamente no Real Parque, foi assaltado por um grupo de jovens armados. Escopeta, metralhadora e muita agressividade e violência, com arma apontada à nuca aos corpos deitados no chão Os criminosos roubaram dinheiro, cartões de crédito e o carro. Uns entraram na favela próxima, outros fugiram com o automóvel. Deixaram as vítimas na calçada.

 

Enfim, cena que o cotidiano urbano tem banalizado, não fossem alguns novos fatos. O casal foi a 34ª Delegacia de Polícia e não conseguiu fazer o BO – Boletim de Ocorrência, pois foram informados que estas unidades e mais quatro da região não fazem BO nos fins de semana por falta de pessoal. Foi a seguir na 89ª DP do Jardim Taboão onde efetivou o BO e soube que existem apenas dois carros para cobrir todo o Morumbi. Enquanto a polícia que normalmente fica em frente a loja do supermercado Pão de Açúcar, na Marginal Pinheiros, na altura da ponte Estaiada, com pelo menos dois veículos e motos, é classificada como Polícia de Trânsito e não faz ronda ostensiva. Faz segundo moradores da área a fiscalização nos carros novos e vista grossa aos calhambeques, tão freqüentes no bairro.

 

Realizado o BO, o casal alertou as entidades de bairro do ocorrido, prevenindo sobre o local e atentando ao fato, que terão cada vez mais o trabalho de sensibilizar todos os elementos envolvidos na segurança. Moradores, governo, polícia e imprensa. E, espera que ao menos o Ladeirão do Real Park, local do assalto e tão conhecido como ponto de crime, possa ser fiscalizado. Aproveitando-se inclusive da proximidade de eleições. Época em que os políticos se digladiam em busca de Luz, Câmeras e Ação.

 

Que tal Luz, Câmeras, e Ação, nos bandidos também?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Conte Sua História de SP: a cidade foi minha segunda mãe

 

Por Vilma Mendes
Ouvinte-internauta da CBN

 

Segunda mãe!

 

 

Eu era apenas uma menina de 6 anos quando cheguei a São Paulo vinda de Vitória De Santo Antão, em Pernambuco. Éramos minha mãe e eu fugindo da desilusão do abandono de um marido e pai, e em busca da sobrevivência. Foram três dias em um ônibus onde a lembrança que tenho é de enjoos constantes pela viagem e tristeza por ter deixado meus avós e tios em Pernambuco.

 

Não foi um começo fácil, mas foi graças a coragem de minha mãe que aos seis anos fui apresentada ao vaso sanitário, à escova de dentes, à água encanada, à luz elétrica e à televisão em preto & branco onde eu passava meus dias em êxtase assistindo a “Vila Sésamo”, “Shazan, Xerife & Cia” entre outros, enquanto minha mãe passava os dias trabalhando em casas de família.

 

Graças a dedicação dela, apesar de semianalfabeta e trabalhando em subemprego, desde que chegamos a São Paulo nunca mais passamos fome. Estudei no SESI e em escolas estaduais, consegui me graduar, fazer uma especialização, cursar MBA e falar três idiomas. Hoje tenho emprego, casa, carro, lazer e posso proporcionar a meu filho, luxos que nunca tive.

 

Para mim, São Paulo foi uma grande segunda mãe. Apesar de sua aspereza, acolheu e sempre nos deu oportunidades reais. Para quem tem coragem e vontade de trabalhar São Paulo sempre abre seus braços. Apesar do meu “DNA” nordestino, me considero paulistana de coração.

 


Vilma Mendes é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Marque uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net ou envie seu texto para milton@cbn.com.br.

Café com cidadania: gente nova e velhos guerreiros presentes no Adote

 

 

Caras novas se juntaram à mesa do café do Pateo do Colégio, no centro de São Paulo, nesse sábado, no encontro mensal do Adote um Vereador. Uma delas, Dona Dolores, que chegou cedo, antes do encontro começar. Veio do Ipiranga e disse que há algum tempo pretendia participar de maneira mais ativa na política. Sentia falta de seguir o exemplo do pai dela que lutou pela democracia durante o Regime Militar. Parecia entusiasmada ao saber que pode ajudar a cidade não apenas controlando o trabalho dos vereadores na Câmara Municipal, mas atuando nos conselhos dos bairros e subprefeituras. Ou, simplesmente, reivindicando melhorias diante dos problemas na estrutura e nos serviços prestados. Deu a entender que o tema cidadania vai passar a fazer parte do conteúdo de sua página no Facebook.

 

Olívia Regina chegou da zona Leste e mesmo atribulada com a escrita do seu Trabalho de Conclusão de Curso da Faculdade de Administração, na Uninove, está disposta a acompanhar mais de perto a política da cidade. Os primeiros cafés ainda chegavam à mesa e ela já estava com o celular nas mãos em busca do nome de algum vereador para fiscalizar. Foi na lista dos 55 parlamentares que representam os paulistanos e no dedo (não a dedo) que chegou ao nome de Claudinho de Souza, do PSDB, a quem se comprometeu controlar a partir de agora. Logo foi assessorado pelo veterano de rede (só de rede) Alecir Macedo, responsável por manter o site e ter criado o aplicativo do Adote um Vereador (aliás, você já baixou nosso aplicativo – clique aqui). Além da experiência com o tema, Alecir conhece bem Claudinho, a quem acompanha de perto nas investidas do parlamentar em alguns bairros da zona norte de São Paulo. Contou, inclusive, que Claudinho costumava bloquear os críticos que aparecem na página dele do Facebook. Quero crer que tenha mudado este hábito. A conferir.

 

As cobranças indevidas do presidente da Câmara Municipal de São Paulo, vereador José Américo, do PT, em função da ausência de cidadãos em reuniões abertas ao público, posições contraditórias de parlamentares em votações em plenário e o aumento do IPTU foram alguns dos assuntos que estiveram no cardápio da nossa conversa. Maria Cláudia Paiva, que divide seu tempo entre o Adote e o Movimento Voto Consciente, confirmou que enviou carta para reclamar do presidente da Casa por considerar a postura dele incompatível com o cargo: Américo fez críticas públicas à diretoria do Voto Consciente que não esteve na reunião de líderes, semana passada, como se a ONG tivesse obrigação de estar presente em todos os encontros da Câmara. Quem é pago para trabalhar na Câmara é ele, se não me engano.

 

Rafael Carvalho contou que pediu explicações ao vereador Ricardo Young, do PPS, pelo voto à favor do projeto que autoriza a Operação Urbana Água Branca, na zona oeste da cidade. Antes de aprová-lo, Young havia apontado defeitos no texto que estava em discussão. Carvalho, depois de trocar e-mail com assessores do socialista, ligou para o celular de Young e ouviu a seguinte justificativa: “conseguimos chegar a um consenso para votar emendas que melhoravam e reparavam as piores partes do texto do Executivo. Assim, acredito que prevaleceu o esforço suprapartidário e democrático construído ao longo do ano”.

 

Pelo celular, por e-mail, por carta e nas redes sociais. Nas reuniões da Câmara, nas audiências públicas, nos encontros de bairros e nas sedes da subprefeitura. Todos os caminhos que o cidadão tiver condições de explorar para acompanhar, monitorar e fiscalizar a política da nossa cidade são bem-vindos neste trabalho que realizamos no Adote um Vereador. Por isso, é tão estimulante ver sempre alguém novo se aproximar da gente, assim como assistir ao retorno de outros e à presença da velha turma que está nesta batalha desde os primeiros dias. O café na mesa fica muito mais saboroso, mesmo em um dia de calor intenso como foi esse sábado.

 

Em tempo: Cláudio Vieira estava em Minas Gerais e participou por alguns minutos da convera através do Facetime. Deliberamos que não será registrada falta ao nosso colega (espero que o vereador José Américo não recorra da decisão).

Avalanche Tricolor: nossa luta é pelo G-4 (só pra lembrar)

 

Cruzeiro 0 x 3 Grêmio
Brasileiro – Mineirão (MG)

 

 

A bola voltou a bater no poste e por três, quatro vezes foi espantada para fora pelo goleiro adversário depois de chutes que buscavam o canto do gol. Foram os lances que restaram ao Grêmio nesta partida em que fomos apenas coadjuvantes, já que todas as atenções se voltavam ao Cruzeiro, muito próximo de conquistar o título brasileiro. Completamos sete jogos sem vitória e seis sem marcar gols, levando em conta as duas competições que disputamos (Brasileiro e Copa do Brasil), cenário que poderia ser considerado desesperador não tivéssemos tido desempenho positivo na maior parte do campeonato quando chegamos a brigar pela liderança e nos mantivemos em segundo lugar por um bom tempo. Bem verdade que essa situação já nos tirou da disputa de um título, semana passada, e nos impõe, agora, maior responsabilidade nas cinco rodadas finais do Campeonato, pois estamos com a terceira vaga e pressionados por ao menos três adversários dispostos a chegar à Liberadores como nós. A propósito, não devemos perder essa perspectiva, lembrada pelo técnico Renato em entrevista antes de o jogo se iniciar: o Grêmio desde as primeiras rodadas briga pelo G-4. Em nenhum momento estivemos distante dessa possibilidade e menos ainda com perigo de rebaixamento como muita gente grande ainda o esta nesta altura do campeonato.

 

Neste momento estamos correndo riscos, mais do que corremos na maior parte do Brasileiro, mas temos todas as condições de entrarmos no prumo e, nas cinco rodadas finais, garantirmos presença na Libertadores. Serão três jogos em casa – dois deles seguidos, quarta e domingo próximos – e dois fora. Renato, porém, terá de resgatar a confiança que a torcida tinha nele, contaminar o elenco com sua dedicação e mexer com os brios de alguns de seus jogadores. Mais do que perder a partida, resultado que poderia ser considerado normal diante do embalo do adversário de hoje, e desperdiçar as poucas chances de gols que construiu, o que me incomodou foi a apatia. O time parecia resignado ao papel de coadjuvante, o que não podemos jamais aceitar. Os jogadores, com as exceções de praxe, não esboçavam nenhuma reação diante dos desafios impostos. O drible era infantil; o passe, sem destino; a marcação, frágil; e a saída de bola, débil. Isto tem de mudar.

 

Renato precisa trazer de volta o espírito de superação que sempre foi nossa marca.