Mundo Corporativo: gestão de crise e comunicação

 

 

No passado, os manuais de crise recomendavam que as empresas se pronunciasse até uma hora após o surgimento do problema. Hoje, têm 15 minutos para falar com o público. As estratégias para que as corporações não sejam surpreendidas diante deste novo cenário da comunicação fazem parte da entrevista com o jornalista João José Forni, no programa Mundo Corporativo da rádio CBN. Forni é o autor do livro “Gestão de Crise e Comunicação – o que os gestores e profissionais de comunicação precisam saber para enfrentar crises corporativas”, publicado pela Editora Atlas.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar, às quartas-feiras, 11 horas, ao vivo, no site da rádio CBN. E você pode participar pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN

A estratégia do luxo na busca de novos consumidores

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

No mercado internacional, com a concorrência acirrada e a globalização, um dos maiores desafios para as marcas de produtos e serviços de luxo é manter seu crescimento. A expansão da marca para outras classes tem sido a estratégia adotada, criando novos produtos: perfumes Hermès, camisetas e chaveiros Ferrari, relógios Mercedes-Benz, por exemplo. Cresce cada vez mais o número de grifes de alto luxo de segmentos como automóveis, moda e joalheria investindo buscando segmentos diferentes de sua principal área de atuação.

 

A estratégia de extensão de marca consiste em aumentar a categoria de produtos para a mesma base de consumidores, sempre se preocupando com uma distribuição seletiva. Porém, no mercado com foco no consumidor AAA novas categorias de produto só devem ser exploradas se estiverem alinhadas ao conceito da marca.

 

Até que ponto pode uma marca de luxo usar esta estratégia sem arranhar o seu posicionamento e sem possibilitar a banalização perante o consumidor? É imprescindível estar atento para que não se modifique a proposta de seu valor ao ampliar a acessibilidade e atrair público muito diferente daquele que compra, por exemplo, um automóvel Ferrari, uma bolsa Chanel ou uma joia Cartier. É necessário que se mantenha um alto nível de relacionamento do público com a marca. Uma expansão realizada sem critério pode confundir o que a essa representa, diluindo seu valor.

 

 

Há casos de extensão de marcas de luxo para outras categorias de produtos que aproveitaram a oportunidade sem prejudicar seu posicionamento. Grifes como Chanel e Dior, ícones da alta costura, apostam em produtos de entrada (considerados acessíveis) como perfumes, cosméticos e acessórios para conquistar o consumidor, que, com o tempo, poderá ser um comprador de seus produtos de categorias mais elevadas, como as renomadas bolsas Chanel.

 

A grife Armani é um exemplo também interessante, pois expandiu para o segmento de homeware criando a grife Armani Casa, especializada em móveis e itens de decoração com foco no público AAA, ou seja, sustentando-se nos pilares de sua marca-mãe: tradição, alta qualidade, sofisticação e design. A Armani também expandiu com sucesso criando marcas no segmento de moda (extensão de linhas) como também na hotelaria, com dois hotéis luxuosos, em Milão e Dubai.

 

 

A extensão de marca no segmento do luxo deve ser avaliada e estudada com rigor e só é válida se os novos produtos destinarem-se ao mesmo perfil de consumidor, seguindo o conceito de excelência, exclusividade e mantendo as mesmas políticas de preço, distribuição e comunicação seletivas da marca-mãe. Mesmo ciente de que seus novos produtos poderão atingir o consumidor aspiracional ao mercado de luxo, se a empresa já atua neste segmento e busca atingir um número maior de clientes, deve manter sua essência e principalmente zelar por seu prestígio. Essa estratégia diminui os riscos e os custos, aumentando a cobertura de mercado e fortalecendo os valores e interesses pela marca, imprescindíveis no mercado de luxo.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Atualmente cursa MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Teste de direção reprova 61% dos candidatos no RS

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Não pretendia voltar a escrever novamente sobre trânsito,uma semana após fazê-lo,mas uma manchete do jornal gaúcho Zero Hora me levou a mudar de ideia. Ei-la:

“Teste de direção reprova 61% dos candidatos no Rio Grande do Sul”.

Foram efetuados até agosto,no Estado, 321,6 mil exames,com 197,4 mil reprovações,lê-se também na matéria. Os números indicam que as exigências para os que se submetem aos testes são altas,reconhece o chefe da Divisão de Exames Teóricos e Práticos do Detran-RS,Jeferson Fischer Sperb. Não poderia ser diferente. Apesar disso,há quem,mesmo tendo passado pelos exames,dirige como se nunca tivesse cursado uma auto-escola,seja por cometer amiúde excesso de velocidade,seja por dirigir alcoolizado o seu veículo,seja por estacionar em local proibido ou infringir as demais regras das mais diversas maneiras.

 

Pode-se acrescentar a existência de mais um problema a ser enfrentado por quem pretende conseguir carta de habilitação:nem todos os instrutores, responsáveis pelas aulas práticas, se mostram à altura do cargo. Minha filha teve,por exemplo, o desprazer de ver o seu“mestre” pegar no sono ao seu lado. Segundo Jeferson Fischer Sperb,existe,por outro lado,carência de examinadores,razão pela qual,às vezes,se cria distância entre as provas prática e teórica. O candidato à carteira se ressente disso porque,ao lidar com a teoria,já esqueceu de alguns detalhes da prática.

 

O investimento para quem pretende sair com a carteira de habilitação na mão ao final da epopeia para obtê-la,não é pequeno:R$1.131,07. Ah, mas se o candidato não passar nas provas depois de dois anos,tem de recomeçar todo o processo.

 

As dificuldades, que são enfrentadas por quem pretende ser motorista de categoria B,talvez diminuam com o uso do simulador. Esse equipamento cria situações reais,nas ruas,mas nem todos os especialistas em trânsito estão otimistas com o seu efeito.

 

A diferença,por razões óbvias, entre o que é exigido agora e o que era necessário na época em que tirei carteira de motorista,são abissais,sem que vá nisso qualquer exagero.

 

Lembro-me,como se fosse hoje,que o meu pai me emprestou o seu Citroën 1947,isso em 1954,quando completei dezoito anos. Fui da casa paterna até o Detran sem a companhia do seu Aldo e de alguém habilitado para dirigir. Estacionei o carro na Avenida Ipiranga,fiz o exame teórico,no qual só respondi sobre o significado dos sinais de trânsito e, após esse,um policial entrou comigo no carro, pediu-me para dar a volta na quadra,vendeu-me um livrinho cujo conteúdo não recordo. E voltei para casa habilitado. Não gastei um tostão em aulas práticas. As teóricas,como as de hoje,simplesmente não existiam. Não contem para os meus netos,mas eu já pilotava o Citroën bem antes de tirar carteira. Claro,com anuência paterna.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista, bom motorista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Avalanche Tricolor: nós acreditamos e somos os mais fanáticos

 

Grêmio 1 x 0 Corinthians
Brasileiro Arena Grêmio

 

 

Ensaiar qualquer texto antes do apito final do jogo é arriscado, principalmente quando somos torcedores do Grêmio. Tudo é possível de acontecer, mesmo porque somos o time do impossível. Deixar para escrevê-lo depois de um jogo que se encerra tarde da noite como o desta quarta-feira, é um risco à saúde e ao bom humor na manhã seguinte, em especial para quem acorda de madrugada. Mas decidi acreditar mais uma vez na nossa força e esperei para iniciar esta Avalanche somente com o placar confirmado. E acreditei que este placar seria nosso. Fui recompensado.

 

A crença na conquista se iniciou com a entrada de Maxi Rodrigues no time, no segundo tempo. Renato apostou na qualidade técnica de nosso jogador de meio campo e na capacidade dele servir melhor nossos atacantes. Diminuiu assim o sacrifício imposto ao centro-avante Barcos que há nove partidas não marcava gol e na maior parte das partidas não recebia uma só bola decente. Era obrigado a brigar com dois, três adversários sozinho. E pagava caro por essa escolha do time.

 

Com Maxi em campo, Barcos desencantou. Diante da área e de uma defesa bem postada, Maxi enxergou Barcos. A bola veio pelo alto, correu no peito do atacante e caiu disposta a ser chutada para dentro do gol. O punho cerrado na comemoração, o olhar sério em direção às arquibancadas e o abraço no técnico Renato foi a maneira de Barcos mostrar que, tanto quanto os torcedores, sofria com aquele futebol. Mas assim como nós, acreditava na vitória.

 

Torcer pelo Grêmio é acreditar sempre. É por isso que somos a mais fanática torcida do Brasil, sensação confirmada em pesquisa publicada nesta quarta-feira, pela Pirui Consultoria (leia aqui) Segundo os dados colhidos pela consultoria, 22,5% dos torcedores do Grêmio se identificam como fanáticos pelo clube. Enquanto, 57% se dizem torcedores. O total de engajados é de 79%. O Grêmio também tem o menor índice de torcedores indiferentes, com 7,6%.

 

Se você não acredita nisso, brigue com os números e não comigo. Porque eu acredito. Aliás, eu sempre acredito no Grêmio.

IPTU: Robin Wood ou Ali Babá?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

A estratificação do IPTU da cidade de São Paulo leva um toque de Robin Wood ao comparar o aumento que o imposto terá no próximo ano.

 

Dos 2,6 milhões de imóveis residenciais, 1,0 milhão ou 40% não pagarão IPTU, enquanto na outra ponta 1,0 milhão ou 40% pagarão de 18% a 26% de aumento. Na faixa central 400 mil ou 9% pagarão 9% de aumento. Na inferior 200 mil ou 6% pagarão 4% a menos.

 

Convenhamos que é uma distribuição com propósito de equilibrar as forças, colocando menos imposto no imóveis menos valorizados. Beneficiando a população mais carente.

 

Supondo que esta transferência de recursos aos imóveis mais valorizados tenha sucesso, possibilitando aos mais necessitados os serviços municipais essenciais como saúde e ensino, o sacrifício da outra ponta provavelmente valha a pena. A experiência, entretanto não conduz a esta previsão. E é o sentimento geral, sinalizado pelas reações diversas de diferentes setores.

 

As extensas manifestações contrárias proporcionais aos enormes aumentos dos imóveis felizmente ultrapassam o normal, contrariando o Prefeito Haddad, e devem provocar uma revisão no conceito. Tanto na arrecadação quanto na aplicação dos recursos daí originados.

 

Por exemplo, o imóvel residencial familiar único, não pode ser taxado em função da valorização do mercado, quando permanece como habitação. Os reajustes por sua vez devem se limitar a parâmetros do mundo financeiro, pois é daí que surgem as bases para as atualizações de salários e preços em geral. Neste caso, o reajuste médio está na absurda taxa de 17%. Ou seja, está mais para Ali Babá do que Robin Wood e os pobres da floresta.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Conte Sua História de SP: o mágico trem de Prata

 

Por Marina Lopes da Costa
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

 

Lembro-me muito bem do famoso trem de prata, que passava na linha do trem em frente a minha casa. A visão era privilegiada, embora eu, com apenas cinco anos de idade, demorasse tanto tempo para chegar até a janela para ver o tão mágico trem passar. Não era muito de sair de casa, mas quando saía era sempre para ir aos mais belos e importantes pontos turísticos da cidade. A Estação da Luz foi o primeiro local que conheci. Tão linda e sofisticada. Atraiu-me o relógio, grande e fascinante ao mesmo tempo.

 

Contudo, caminho pelas ruas do Centro de São Paulo e vejo em cada canto vários tipos de artistas anônimos: músicos, poetas, caricaturistas, pintores, cozinheiros e artesãos.  Os artistas das ruas que lá estão desenham em suas telas de pintura, que se transformam em belíssimas criações, um mundo mágico por trás daquela tela branca surge. Em cada canto do centro há uma cultura. Como é interessante o Centro de São Paulo quando passeio pelas esquinas e cruzo com a famosa Ipiranga e avenida São João, que foram de inspiração para a letra da música de Caetano. O bar Brhama é o ponto de encontro  de casais, amigos e solitários, um espaço aconchegante onde se podem ouvir músicas de convidados especiais, como o Zeca Pagodinho.

 

Como não se apaixonar por São Paulo? Sua bandeira carrega seu emblema e as ruas suas histórias, cada uma mais interessante que a outra. Talvez esteja sendo exagerada. Não, não estou. Depois de Santos, a cidade que admiro e tenho orgulho de viver é a maravilhosa São Paulo. Apesar de termos graves problemas de superlotação nos transportes públicos, estes mesmo que às vezes nos deixam na mão, entre outros problemas sociais, não consigo me imaginar morando em outro lugar. Talvez  até mude, mas sempre vou guardar os bons momentos que vivi nela.  Aqui vivenciei momentos memoráveis: torci pelo meu peixe no Pacaembu e ouvi o som de Paralamas do Sucesso e Titãs, no Sesc. Como é bela esta cidade tão carinhosamente apelidada de Sampa, e como é gratificante morar aqui.

 

Marina Lopes da Costa é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode contar outros capítulos da nossa cidade: agente uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa, pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Ou mande seu texto para mim: milton@cbn.com.br.

 

Avalanche Tricolor: motivos para manter o bom humor

 

Fluminense 1 x 1 Grêmio
Brasileiro – Maracanã

 

 

Bem humorado, como devemos ser quando falamos de futebol, independentemente do resultado da partida, meu colega de rádio Carlos Alberto Sardenberg costuma brincar ao explicar os resultados de seu time do coração (que, por sinal, é outro tricolor, também). Para ele só existem dois resultados no futebol: ou nós ganhamos ou fomos roubados. Às vezes somos “roubados” e não perdemos, empatamos. Como aconteceu no sábado à noite, no Rio de Janeiro, quando estávamos prestes a reivindicar a Taça Guanabara de 2013, pois conquistaríamos a sexta vitória contra times cariocas neste Campeonato Brasileiro. Tudo bem que fecharemos a temporada invicto contra as equipes do Rio – podendo incluir nesse histórico, os jogos pela Copa Libertadores -, mas o resultado da última rodada foi servido com um gosto amargo, pois estávamos a alguns minutos da conquista quando aquela bola foi desviar no calcanhar de Rhodolfo, logo ele o mais seguro dos nossos zagueiros, subiu como nunca deveria ter subindo e caiu onde jamais deveria ter caído, dentro do nosso gol, distante, muito distante, do alcance de Marcelo Grohe – aliás, goleiro que merece menção especial por tudo que realizou nesta partida. Ele, em particular, não merecia levar o gol daquela maneira.

 

Curiosamente, o gol saiu poucos instantes após o árbitro, traído por seu auxiliar, ter sinalizado impedimento de Kleber quando o atacante estava disparando, completamente sozinho, em direção ao gol adversário. O erro crasso abortou o que poderia ter sido o gol definitivo da vitória gremista que iria nos aproximar ainda mais do líder do campeonato. O bandeirinha não percebeu – pois não consigo imaginar que ele não conheça as regras do futebol – que Kleber havia arrancado do seu campo de defesa, o que elimina a possibilidade de impedimento. Como desgraça pouca é bobagem, o juiz ainda puniu nosso atacante com um cartão amarelo que o tira da próxima partida. Fosse honesto consigo mesmo, o árbitro viria a público nesta segunda-feira e pediria desculpas a Kleber, pedindo para que o cartão fosse desconsiderado.

 

Ok, eu sei que cartões não podem ser cancelados após o jogo. Sei também que erros do juiz fazem parte desse mesmo jogo. Às vezes, passam despercebidos, outras desequilibram a disputa. Na maioria dos casos, o erro é cometido por falta de atenção, pressão excessiva ou falta de competência para acompanhar a velocidade dos lances. Há, ainda, isso é de conhecimento público, juiz sem-vergonha que erra de propósito.

 

Seja qual for o motivo da barbeiragem do árbitro desse sábado (desde já, honestamente, descarto a desonestidade), dedico esta Avalanche para falar de erros de arbitragem não porque entenda que a causa do empate azedo esteja no apito indevido do juiz. Mas para não ter que ficar aqui escrevendo mal do Grêmio, afinal empatamos mesmo foi por nossos próprios erros, por falta de capacidade de anular o adversário que teve um jogador expulso e por não matar o jogo quando tivemos chances e o árbitro não se intrometeu. É uma boa forma de não perder o humor com o time do qual tanto gostamos.

 

Seja como for, aí estamos, depois de mais uma rodada: um ponto mais próximo do líder e com a vaga para a Libertadores praticamente garantida a dez rodadas do fim do Campeonato Brasileiro. Tem gente com inveja dessa situação e com muitos motivos para estar de mau humor, pode ter certeza!

De Facebook

 


Por Maria Lucia Solla

 

 

E então, falar de quê?

 

Ficar falando do malfeito re-re-feito, do maldito, do mal-entendido, não leva a nada, e não é solução; mas é contagiante. Há que ter muita força de vontade para se propor a um descondicionamento e consertar pensamento por pensamento, palavra por palavra, sentimento por sentimento, certeza por incerteza.

 

Recondicionamento não é fácil; é como endireitar a coluna, aprender a sentar nos ísquios ou treinar a escrever com a outra mão.

 

Descartei dois textos que tinha programado para este espaço. Os dois tinham recebido a comenda do Ponto Final, mas no fundo e na superfície pensei, ponto final é apenas o momento em que você se desliga de uma onda de pensamento organizado e se entrega à folia do pensamento alternado, sobreposto ou imposto. Você se rende à sua mixórdia pessoal-mental, sem pudor nem estratégia. Anarquicamente. Entrega-se ao caos criativo diário que nos leva de uma ação a outra, ou nos rende e nos põe a nocaute.

 

Depois de acordar super tarde, tomar meu café da manhã informada e abalada pela página de notícias, decidi que andar na esteira era ideia descartada, e sair de casa também era. E fiquei.

 

Lendo as notícias, resisti bravamente a compartilhar no Facebook aquilo que mais mexia comigo, tentando focar mais no bom do que no ruim, para começar bem o dia, combinando com a minha refeição favorita. Deslizei um par de vezes, até me decidir a desconectar e repensar. Tentar entender o que é o Facebook para mim.

 

Em primeiro lugar – para mim, sempre é bom lembrar – é uma fórmula mágica de estarmos próximos das pessoas que amamos, onde quer que estejamos. Dou sempre uma olhada na minha turma e fico feliz quando tudo está bem, e cada um postando o que lhe dá na telha, ou não. Terapia em grupo para quem tem coragem de expor suas ideias, estado de espírito, gosto e desgosto, ideal e decepção. Assim, um dia estamos leves e no outro pesados. Tem quem respeita a opinião do outro e quem não admite ideia diferente. Amarelo é uma das minhas cores favoritas…

 

Tem a turma que dá a cara e recebe porrada, e tem a turma do come-quieto. Tem radical e moderado, tem sem-noção e antenado, o bem e o mal-amado e/ou mal-intencionado. Tem Dilma e Obama, Freud e psicopata, branco-pardo-preto, índio e indiano, judeu e muçulmano. Tem católico, ateu e tem tô-nem-aí. Tem pobre e tem rico, tem ópera e circo, Dostoyewsky e Paulo Coelho.

 

Sem cota.

 

Sinto que essa interação é mais um passo da humanidade na direção do enfraquecimento da individualidade, por mais que possa parecer o contrário ou o descontrário. Estamos todos, do Chuí ao Havaí, menos sozinhos. Fazemos parte de uma tribo, respeitando, aprendendo e ensinando, mesmo que as tuas certezas não gostem das minhas.

 

A interação leva à deposição da solidão e à aceitação de que individualmente somos nada.

 

Assim, saúdo e desejo saúde aos meus amigos, aos hackers, espiões nacionais e internacionais, ao senhor Obama e à dona Dilma. Agradeço o carinho e a companhia de todos, e prometo postar mais alegria do que tristeza, mais elogios a quem merece, e menos crítica e ibope (já desacreditado) a quem não merece nem mesmo uma citação. Vou desviar minha atenção. Fazer o que eu sempre apregoei, mas onde ainda tenho muito a aprender.

 

Beijo, feliz domingo e até a semana que vem.

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Atenção, senhores passageiros da primeira classe!

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

Conforto, luxo, exclusividade, requinte. Quando pensamos em viagem de primeira classe esses são os ícones que nos vêm à mente. Nela encontramos privilégios tais como espaço amplo, excelente comida e noite de sono relaxante. Porém, há passageiros que vão além. Eles compram sua própria aeronave. Aceitam pagar de U$ 3 milhões a U$ 55 milhões, conforme o modelo, para conquistar privacidade e voar com privilégios incontestáveis. mas fazem esse investimento, também, pelo inegável fato de que as companhias aéreas comerciais reduzem custos afetando a qualidade dos serviços. Soma-se a isso o tempo que normalmente o cliente perde ao enfrentar filas em aeroportos para check-in, alfândega e outros serviços pré ou pós-viagem.

 

Diferentemente das companhias aéreas comerciais, na aviação executiva pessoas e empresas adquirem aeronaves equipadas de acordo com seus gostos e necessidades pessoais, usufruem de privilégios como embarque e desembarque com maior rapidez, privacidade durante o vôo, escolha de equipe (piloto e tripulação) de confiança, serviço de bordo sob medida, além de opções de itinerários que evitam conexões e encurtam viagens. Para as empresas, a privacidade tem relevância ainda maior: o avião particular permite a executivos discutirem estratégias confidenciais de projetos e negócios com garantia de sigilo. Em vôo comercial corre-se o risco de haver um concorrente em assento próximo.

 

 

Os jatos particulares já fazem parte do cotidiano de muitos milionários e empresas em diversos países. Os Estados Unidos têm a maior frota. O Brasil, a segunda maior frota de aviação geral do mundo, segundo pesquisa da Associação Brasileira de Aviação Geral (ABAG). Temos ainda o maior mercado no segmento de aviação executiva na América Latina, com aproximadamente 1.650 aeronaves, sendo 650 helicópteros, 350 jatos e 650 turboélices. A cidade de São Paulo, principal centro econômico do país, concentra 35% dessa frota. No Brasil, Embraer, Gulfstream, TAM Aviação Executiva e Líder Aviação são algumas das empresas que detém esse mercado seletivo e exigente.

 

Com a globalização, a falta de tempo e a constante busca por qualidade de vida mais elevada, essas poderosas máquinas vêm se tornando necessidade para empresas e consumidores de altíssimo poder aquisitivo. Diante do luxo feito sob medida para cada cliente, economia de tempo, agilidade, conforto, privacidade e segurança oferecidos aos proprietários dessas aeronaves, as companhias aéreas têm um novo desafio que é a necessidade de exceder as expectativas para manter seus clientes da primeira classe.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Atualmente cursa MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Não dá pra aceitar 43 mil mortes no trânsito

 

Por Milton Ferretti Jung

 

O meu assunto de quinta-feira da semana passada foi a preocupação que me persegue desde a infância. Cheguei a lhe dar nome próprio,isto é, Dona Preocupação. Lembrei que, aos sábados, quando emprestava o carro ao Mílton para uma saída noturna, enquanto a mãe dele dormia a sono solto, eu permanecia acordado até ele chegar. Já naquela época, embora em Porto Alegre o número de automóveis fosse bem menor do que o de hoje em dia, eu rezava para que o meu filho voltasse incólume do passeio, não por desconfiar do seu comportamento ao volante, mas por medo dos motoristas que, especialmente à noite, se sentem tentados a pisar forte no acelerador.

 

Na semana passada, or exemplo, tivemos, aqui nesta cidade, dois acidentes com vítimas fatais, ambos envolvendo jovens. Em um deles,o irmão da vítima, ao ver que o mano, que costumava lhe dar carona, tardava a chegar, pegou um táxi e saiu atrás dele. O Vectra que o moço pilotava havia derrubado um poste e se incendiado. Testemunhas revelaram que um carro negro, dirigido na contramão, teria provocado a tragédia e fugido do local. Poucos dias depois, também à noite, três automóveis participantes de um racha,chocaram-se e, além dos que ficaram feridos,morreu o motorista de um deles.

 

O trânsito é um dos assuntos que abordo algumas vezes em meus textos, neste blog, porque é uma das minhas preocupações. Afinal,conforme lembrou Rosane de Oliveira em sua coluna do dia 2 de outubro,citando opinião do psiquiatra Flávio Pechansky, diretor do Hospital de Clínicas e da UFRGS, estamos 30 anos atrasados nesta matéria. Fico feliz ao ver que, hoje e amanhã, dezenas de jornalistas estrangeiros vão participar do 1º Simpósio Internacional sobre Drogas, Álcool e Trânsito, que terá lugar no Hotel Plaza São Rafael. Estará em pauta o debate das possibilidades da redução de acidentes, com base em experiências que obtiveram sucesso no Hemisfério Norte. Especialistas estrangeiros em trânsito não conseguem compreender, segundo Pechansky, citado por Rosane,a naturalidade com que o Brasil aceita a morte de 43 mil pessoas, por ano,em acidentes,além do número maior de feridos. O simpósio destes dois dias será preparatório ao Congresso Mundial sobre Trânsito,Álcool e Drogas que,pela primeira vez na América Latina,será realizado na cidade de Gramado. Desejos aos participantes do 1º Simpósio que tirem dele o melhor proveito.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)