Avalanche Tricolor: um Gre-Nal em família

 

Grêmio 1 x 1 Inter
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

Foram intensos estes dias em que comemorei os 50 anos, em especial pela presença da família. Estar com o pai quando se chega a essa idade é sempre animador, ao menos porque nos dá a sensação de que não somos tão velhos quanto os outros imaginam. E temos a chance de exercitar o papel de filho, o que sempre nos oferece a oportunidade de sermos ainda mais novos. Os irmãos também colaboram muito nesta tarefa porque não se cansam de nos lembrar de quando éramos crianças. Desde pequenos aprendemos juntos a torcer por um time de futebol lá no Rio Grande do Sul, e você, caro e raro leitor deste Blog, sabe bem da escolha que fiz. Se chega aqui pela primeira vez, bastará um pouco de atenção ao nome da coluna e a cor da escrita para ter a resposta certa.

 

Foi assistindo ao Grêmio no clássico gaúcho que encerrei estes dias agitados, em São Paulo. Boa partida do jogo vi atirado no sofá ao lado do meu pai, como já havíamos feito no passado muitas outras vezes. Aliás, foi com ele que aprendi a ter comedimento diante das conquistas temporárias de uma partida de futebol, mesmo que tenha alguns rompantes diante de lances incríveis como um carrinho salvador que despacha a bola para longe e o adversário para fora (que ninguém me leia) ou uma chegada firme que evite o ataque contrário e quem sabe ajude a armar o contra-ataque. No entanto, sei que boa sequência de ataque não significa gol, da mesma forma que a sinalização de pênalti pelo árbitro. Preferímos esperar a bola na rede para comemorar de verdade. Estamos convencidos há algum tempo que ter o domínio da bola, jogar melhor e se impor ao time contrário não são suficientes para chegarmos a vitória. Um vacilo e tudo se vai: uma falta mal marcada, um cartão não dado ou exagerado, lances fortuitos mudam o destino de um jogo.

 

O horário restrito do voo de volta para Porto Alegre nos tirou de frente da televisão e nos fez assistir ao restante da partida na tela do Ipad até quase a sala de embarque, em Congonhas. No que foi possível prestar atenção, enquanto dávamos preferência às lembranças do fim de semana, pouca coisa mudou desde aquilo que vimos no início da partida: houve mais faltas, mais expulsões, mais pressão e mais nenhum gol de ambas as partes. Terminou empatado o primeiro Gre-Nal na Arena. Menos mal – disse meu irmão ao saber do placar, pouco antes de se despedir. Pelo que jogamos não merecíamos um resultado negativo além disso terminar o fim de semana com um revés não estaria a altura da alegria que foi conviver estes dias com a minha família gremista.

De reflexão

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Todos passamos por refinamento voluntário e involuntário, continuamente. Enfrentamos oportunidades para dar uma polida aqui, uma lixadinha ali, para queimar isto, esfriar aquilo, e vamos nos transformando e transformando tudo, todos e cada um, em volta ou não. Efeito inevitável.

 

Tendo em mente que refinamento não depende de grife, do número de milhas viajadas nem do valor do extrato bancário, refinamento é evolução, e evolução não existe sem movimento, que é alicerce na evolução física, emocional, mental e espiritual. Quanto mais harmônica e abrangente a evolução dos nossos corpos, maior o refinamento.

 

ser
nascer
estar
aceitar
agir
evoluir

 

Bem-estar é termômetro. Se tem dor, mudança de posição pode não ser a solução, mas é bom começo.

 

bem-estar
não é
fazer bonito
bem-estar
é
sentir bonito

 

no barco em que estamos tem quem quer pular fora
depois de ter esperado na fila
pela
oportunidade da vida

 

tem quem entrou mais uma vez na fila
torcendo para ser chamado de volta
a ela
e tem quem não tem a mínima ideia do que está fazendo aqui
na vida

 

Incoerência humana.

 

A Regência da vida nos orquestra movimentos e enredos da Música. Vivace, cantabile, animato (com alma), dolce. Como as ondas do mar.

 

O caminho nunca é só bom ou só ruim. Vamos de um movimento a outro um punhado de vezes durante um único dia, por vezes numa fração de segundo. Bom/ruim é um binômio complementar peralta, que adora gangorra. Por isso, nossa vida não é um projeto; é a realização de um projeto por dia, a cada passo, a cada batida do coração.

 

Isso é evolução, que na voz de Mario Quintana fica mais bonito:

 

‘Só as crianças e os velhos conhecem a volúpia de viver dia-a-dia, hora a hora, e suas esperas e desejos nunca se estendem além de cinco minutos.’

 

Penso que evoluir para refinar é deixar que a vida flua, e fluir com ela num carrossel de emoções. É aceitar a realidade como pano de fundo do espetáculo infinito do viver.

 

Evoluir é movimentar-se em muitas direções buscando a construção do círculo refinado perfeito, mas evoluir é verbo intransitivo. A gente simplesmente evolui. Sem objeto direto nem indireto.

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: fieldmarketing pode melhorar desempenho de vendas

 

 

Melhorar as vendas, garantir os resultados planejados e reduzir os custos de operação. Esses são os objetivos das empresas que investem em fieldmarketing, uma série de práticas que colaboram na execução de estratégias no varejo. Sobre este assunto, o programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, entrevistou o CEO da Smollan, Jefferson Cheregatti, empresa que desenvolve programas de fieldmarketing desde 1930. Ele explica que esses projetos tendem a trazer resultados positivos a medida que se trabalha com toda a capacidade de gestão e controle de pessoal, com processos de recursos humanos muito bem definidos, além de tecnologia avançada, monitoramento de informação e discussão sobre o que se precisa fazer no ponto de vendas. “Tudo isso aliado a uma forte paixão pela execução”, conclui.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, e pode ser assistido no site CBN.com.br. Os ouvintes-internautas participam com perguntas enviadas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Conte Sua História de SP: a garagem do passado

 


Por Joás Dias de Lima
Ouvinte-internauta da CBN

 

 

Quando vim morar na Liberdade, no centro de São Paulo, o bairro mais oriental do país, em 1990, aquele casal de idosos, residente num sobrado da Rua Tenente Otávio Gomes, ainda era razoavelmente viçoso. A consorte, uma vez por semana, a despeito do seu pequeno porte e do corpo visivelmente encurvado pelo “bico-de-papagaio”, e fragilizado pelo peso dos anos, abria a “pesada” porta da garagem para lavá-la. Como o escoamento era feito para a calçada, é óbvio, acabava esguichando água com a mangueira até onde pudesse alcançar a pressão dos seus dedos.

 

Depois de secar a garagem – que já não guardava nenhum carro, a não ser quando recebia visitas -, molhava pães “adormecidos” e colocava a massa esbranquiçada na calçada, para os pombos, que, já sabiam a hora do banquete. (Havia quem torcesse o nariz para aquele “mela-mela”, a ponto de, uma vez, quando eu por lá passava, ao ver uma porção generosa de amendoins sendo devorada, pensar: “Devem lhe ter passado um pito…)

 

A garagem, ao ser escancarada, deixava à mostra uma grande estante, de parede a parede, repleta de grossas encadernações de livros, a maioria na cor vermelho-carmim. E eu, vislumbrando-as, invejoso, sem poder lhes ver os títulos, me indagava: “Quem serão seus autores? Serão de direito, artes? Haveria muita coisa rara, como A Divina Comédia, de Dante Alighieri, ilustrado por Gustave Doré, que adquiri de um amigo que ‘gosta de mexer com tranqueiras´, como dizia sua mulher?”

 

Minhas perguntas jamais foram respondidas.

 

Há anos, a bondosa senhora saiu do mundo dos vivos, deixando ao esposo e ao seu fiel escudeiro, o velho amigo cão, a responsabilidade de tomarem conta do patrimônio e de continuarem as tarefas costumeiras, como permanecer regando as folhas das trepadeiras – devidamente acomodadas sobre uma “ponte”, feita pelos seus ramos, que atravessava, pelo alto, o passeio público, partindo de antes do portão da casa e se encontrando com a árvore que ficava a alguns centímetros do meio-fio – e, é claro, de prover (agora, com amendoins) os seus apadrinhados, embora os que torciam o nariz para a massa continuassem não aprovando aquele ato, sequer com o novo alimento, porque “os pombos transmitem doenças”.

 

Quantas vezes, ao sair do meu prédio, vi o ancião, Sr. Rafael, e seu companheiro, na rotineira caminhada rumo ao supermercado “Terra Nova” – que pertencera a japoneses.

 

O cão, a uns três metros adiante, procurava coisas no chão para comer e, vez por outra, cheirava “demarcações” de terrenos feitas por desconhecidos, que, imediatamente, eram sobrepostas, “definitivamente”, por sua urina, em todo o território, enquanto o idoso puxava para a sarjeta, com sua bengala, algumas sujeiras que os transeuntes “esqueciam” nas calçadas.

 

A cena ainda se repete, invariavelmente, na semana (aquelas idas e vindas, imaginava, deviam ser, dentre outras coisas, para comprar os sagrados amendoins!).

 

Aquilo ainda me deixa um misto de alegria e tristeza ao imaginar que um dia eles não mais passarão… E os papéis jogados nas irregulares calçadas da Liberdade deverão permanecer, incólumes, assim como os papéis encadernados voltarão a ser, simplesmente, papéis, encadernando aquela minha curiosidade…

 

Passando, ontem, defronte, vi a garagem, escancarada – molhada, como se estivesse chorando -, mostrando o vazio, como se fossem dentes ausentes e careados! -, sem a poeira do tempo lido, sem traças, sem naftalina… Sem os livros!

 


O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no programa CBN São Paulo. Você pode participar enviando seu texto para milton@cbn.com.br ou marcando entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa, pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.

Avalanche Tricolor: com a petulância que a idade me permite

 

Corinthians 2 x 0 Grêmio
Brasileiro – Pacaembu (SP)

 

 

A demora para escrever esta Avalanche pouco tem a ver com o resultado ou mesmo o horário da partida da noite dessa quarta-feira. Mesmo tendo se encerrado perto da meia-noite quando já deveria estar na cama qualquer pessoa com o mínimo de prudência que acorda às 4 da madrugada, poderia tê-la escrito após o Jornal da CBN, nesta manhã, como já fiz em outras oportunidades. Contudo, não bastassem meus compromissos profissionais terem se estendido além do normal, este 1º de agosto não era um dia qualquer, estava comemorando mais um aniversário, data que não conseguiria esconder por mais que me esforçasse, dada a indiscrição de meus colegas de estúdio na CBN que fazem questão de lembrá-la a todos. De qualquer forma, por ser leonino, ou ser gaúcho, ou ser gremista, não me importo com esta badalação, mesmo que às vezes fique constrangido. Menos ainda me incomoda envelhecer mais um ano, pois cada novo ano que chega é mais uma chance que a vida me oferece para acertar. E por tudo que já errei, quero muitos anos de vida para me recuperar.

 

Por falar em erros, vamos ao jogo de ontem à noite. Melhor, vamos aos comentários que li hoje sobre o jogo de ontem à noite. Um dos que me motivaram a estar aqui nesta Avalanche foi escrito por reconhecido comentarista esportivo gaúcho com quem dividi redação de rádio, no Rio Grande do Sul, por algum tempo, no início da minha carreira. Wianey Carlet é jornalista do Grupo RBS, escreve na Zero Hora e fala na rádio Gaúcha, além de manter blog no ClicRBS. Experiente e conhecedor das lides esportivas, sempre encontra uma forma de colocar de maneira clara sua opinião sobre os mais diferentes temas, muitas vezes causando polêmica. Merece todo meu respeito, seja por suas qualidades seja por sua experiência, mas, talvez influência da chegada dos meus 50 anos, peço licença para discordar da ideia central de post que ele publicou no blog que leva seu nome. O Grêmio de Renato é igual ao Grêmio de Luxemburgo, escreveu Wianey Carlet e justificou, como devem fazer os bons cronistas esportivos, com base no seu conhecimento técnico (leia aqui).

 

O Grêmio de Renato jamais será igual ao de Luxemburgo, mesmo que as campanhas se assemelhem e a forma de distribuir os jogadores em campo possam ser iguais – o que não me parece ser verdade, apesar de me faltar visão tática para fazer esta análise. Por Renato do Grêmio não tenho constrangimento em torcer como acontecia com Luxemburgo, e isso, Wianey e meus caros e raros leitores, faz uma baita diferença para este humilde torcedor que aprendeu a ver sua equipe honrando a camisa que veste, mesmo diante das mais fragorosas derrotas que já tivemos de encarar neste mundão do futebol. Apesar dos resultados negativos que têm se repetido, principalmente nos jogos fora de casa, inclusive no de ontem no Pacaembu, tenham certeza, que pelo Grêmio de Renato estarei torcendo, vibrando e reclamando, também, mas com orgulho de um Imortal.

"Bote fé, bote esperança e bote amor"

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Costumo escrever nas terças-feiras os textos que produzo para este blog, mas esses são postados somente dois dias depois. Como não poderia deixar de ser, escolhi, como assunto, a visita do Papa Francisco. Afinal, não era necessário ser adivinho para saber que nada poderia ser mais importante. Deus me livre de fazer pouco dos Papas que estiveram no Brasil antes do atual Pontífice. Todos os três que aqui vieram foram bem-vindos. João Paulo II, recordista de estadas em nosso País, teve rápida passagem, em 1979, pelo Rio de Janeiro. Depois, em 1980, visitou treze 13 cidades brasileiras em doze dias. Uma delas foi Porto Alegre. Nessa, porque é onde moro desde a mais tenra idade, deixou muito bem marcada a sua presença. Lembro-me, especialmente, da Santa Missa, que oficiou ao ar livre, bem pertinho da minha casa e do Estádio Olímpico, do Grêmio. O local passou a ser chamado de Largo do Papa. Em visita do Palácio Piratini, sede do governo gaúcho, se não me engano, pronunciou, em português, esta pequena, mas inesquecível frase: “O Papa é gaúcho!”. João Paulo II fez ainda mais duas visitas ao Brasil: uma em 1991, outra em 1997, essa já com a saúde debilitada.

 

Bento XVI, esteve aqui em 2007. Na semana passada, o Papa Francisco assombrou o Brasil desde a sua chegada. Creio que não exagero. Seus primeiros movimentos no Rio de Janeiro foram, simplemente, fantásticos, a começar pelos episódios vistos pelas tevês que cobriram o trajeto dele, do Galeão até o Palácio da Guanabara, durante o qual, no modesto Fiat Idea que o conduzia, acabou cercado por multidão de pedestres, para pasmo e medo dos telespectadores e responsáveis por sua segurança. Quem não viu os primeiros movimentos do Papa Francisco, perdeu uma das suas mágicas. Houve outras que nem preciso relembrar, especialmente, as que ocorreram na praia de Copacabana, com o seu público de mais de três milhões de, na sua maioria, jovens católicos cheios de entusiasmo. Entre as frases que Francisco – o Modesto – pronunciou – todas profundas, uma das que mais gostei foi esta, dirigida aos participantes da Jornada Mundial da Juventude: “Bote mais amor na sua vida, assim, você encontrará muitos amigos que caminham com você. Bote fé, bote esperança, bote amor”. Para mim,o Papa Francisco foi o Homem do Ano de 2013.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Beleza é fundamental; planejar, também

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

A saga da beleza carioca deve ter colaborado para que o Rio não tenha feito uma JMJ bem organizada. A concepção de que o belo seja suficiente para seduzir e atrair não é de agora. Há dez anos, César Maia ao receber a escolha pelo COB para se candidatar às Olimpíadas provocou São Paulo usando a frase de Vinicius: “Beleza é fundamental”. Eduardo Paes pelo que observamos continuou nesta linha, tentando abocanhar todo e qualquer evento para a cidade em virtude da sua beleza.

 

A JMJ que se encerrou domingo, como todos perceberam, aflorou a questão, pois o Rio não foi aprovado como anfitrião eficiente. Ora pela incapacidade natural de receber tantas pessoas, ora pela incompetência operacional, fatos que não passariam por um planejamento de categoria. A tal ponto que até os locais mais expressivos da paisagem carioca deixaram de render o crédito merecido em função do congestionamento. O que prova que beleza é apenas fundamental, mas não é suficiente.

 

César Maia certamente não se atentou ao poema completo de Vinicius. Em “Receita de Mulher” Vinicius de Moraes criou uma das frases mais conhecidas de sua obra e, por isso a expressão que inicia seu poema se sobrepôs a todo o conteúdo. “As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”, ficou como se fosse a Receita de Mulher de Vinicius de Moraes. Aos mais atentos basta ler outro trecho para entender que beleza não é o único caminho:

Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro 

Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo
Seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem 

Com olhos e nádegas. Nádegas é importantíssimo. Olhos, então.

 
O próprio Vinicius exemplificou, pois suas mulheres, como bem lembrou recentemente Ruy Castro em sua coluna na Folha, não eram fundamentalmente belas. O sábio poeta deve ter seguido o popular: “Boniteza não põe mesa”.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.