Cometeu o crime da ambição

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Ambição exacerbada de ganho é apenas um dos significados, entre vários outros, de ganância. Ocorreu-me essa palavra ao procurar assunto para o texto de hoje, o primeiro que cometo depois de gozar o que as pessoas costumam chamar de merecidas férias. Não sei se repercutiu em todo o Brasil, tanto quanto aqui, a notícia de milionária fraude praticada por um gaúcho e que resultou no maior rombo dado na Receita Estadual nas últimas duas décadas. Não é com frequência que se ouve falar de esquema ilícito capaz de, ao fim e ao cabo, desviar recursos, que chegam a R$150 milhões, do Tesouro do Rio Grande do Sul. O autor do artifício, cujo patrimônio está avaliado em R$10 milhões ,chama-se Luís Adriano Chagas Buchor.

 

Em 1990,Buchor estagiou na Secretaria Estadual da Fazenda e começou a ganhar a experiência que, aprimorada depois ao conseguir emprego em uma consultoria financeira, lhe permitiram os ensinamentos necessários para aplicar o golpe milionário. Não vou seguir enumerando suas rendosas falcatruas porque não foi este o meu propósito ao abordar o assunto escolhido para esta quinta-feira. É evidente que Luis Adriano é um cara inteligente. Afinal, não é qualquer um que consegue idealizar o tipo de fraudes que ele utilizou em suas carreira criminosa. Sua inteligência, porém, não impediu que Buchor, cometesse erros que lhe foram fatais. O moço se achava tão esperto que se atreveu a fazer esta frase: – Eu não sou Deus, sou melhor do que ele. Esqueceu-se, provavelmente, de uma frase bem mais antiga e indesmentível: o crime não compensa. Se a sua presunção fosse menor, teria sido cuidadoso no trato com as aparências. Muito pelo contrário, escancarou o seu suposto sucesso ao veranear em uma cobertura na praia de Jurerê, ter adquirido uma lancha de R$ 2,8 milhões, possuía um loft na Padre Chagas, mais três apartamentos e automóveis de provocar inveja mesmo em ricaços, isto é, uma Maserati Gran Turismo, duas caminhonetes Porsche Cayenne,uma das SUV mais luxuosas do mundo.

 

De que servirá tudo isso para Luís Adriano Vargas Buchor tendo de morar em um presídio? Encerro com uma fase de Mahatma Gandhi:

 

– A terra provê o bastante para satisfazer a necessidade de todos os homens, mas não a ganância de todos os homens.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Cuidado com os números

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Não bastasse a manipulação das ideias pela fala dos homens, a dubiedade numérica exposta em alguns resultados estatísticos tem exigido atenção de quem não está disposto a ser ludibriado. O IDH, capítulo mais recente da discussão de dados, colocando o Brasil, 6ª economia global, na 85ª posição em um ranking de 186 países, veio contribuir para aquecer este tema. Justamente o IDH, que foi criado com a intenção de dar um posicionamento mais equilibrado entre as nações diante do sistema anterior que utilizava apenas o PIB. Índice que considera apenas o econômico.

 

Ressalvada a questão da coleta de dados desatualizados, que ainda assim não daria tanta diferença no ranking, fica a dúvida se a equação criada para representar o índice de desenvolvimento humano é efetivamente satisfatória. A melhoria do Brasil, para quem tem a oportunidade de conhecê-lo atualmente, é visível a olho nu.

 

A ONU, responsável pelo índice e, em principio, sem objetivos manipulativos, bem que poderia dar o bom exemplo e reanalisar os parâmetros considerados para checar sua eficácia em relação ao objetivo proposto, de ter um número que explicite a situação real de bem estar e qualidade de vida das populações. Um contraponto às entidades privadas e públicas que tem manipulado dados. Dos governos norte e sul americanos à FIFA, temos visto dúvidas em relação aos seus números econômicos e financeiros. No futebol, até mesmo o ranking de seleções é questionado. Sua credibilidade passa longe, por exemplo, da ATP, que demonstra claramente a posição dos tenistas profissionais.

 

Neste cenário é que o livro “Naked Statistcs” do professor Charles Wheedan está sendo lançado, com o propósito de ajudar a desvendar a manipulação das estatísticas. Da resenha da obra de Wheedan, publicada na imprensa, chamamos atenção ao ocorrido no estado americano de Illinois. Um aumento de imposto de 3% para 5% foi minimizado pelo partido do governo, enquanto a oposição gritava contra o acentuado reajuste de 67%, pois os 2% significa na realidade um acréscimo de 67%.

 

A verdade é que números e palavras podem expor dados reais para explicar fatos irreais.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras

Reminiscências – O Livro dos Porquês

 

Por Julio Tannus

 

Minha infância foi pautada, entre outras leituras, por uma coleção de livros chamada Tesouro da Juventude, onde havia a seção o livro dos Porquês.

 

O livro dos Porquês apresentava mais de mil respostas sobre os mais variados assuntos, entre outros: 

 


- Como é que a Lua determina as marés?

- De onde virão as moscas no próximo ano? 

– Que é bomba atomica? 

- Por que faz mais calor na Índia que no Alasca

– Por que despertamos de manhã? 

– Que é a “Via-láctea”? 

- Onde as rãs têm os ouvidos? 

 

Ao relembrar essas leituras me dei conta que deveríamos ter a coleção Tesouro da Maturidade, com a mesma seção O Livro dos Porquês, só que voltada para o público adulto. E que apresentasse mais de mil respostas sobre os mais variados assuntos, entre outros:

 

– Por que somos tão susceptíveis às oscilações do mercado em geral?
– Por que vivemos e sobrevivemos debaixo de escândalos, desvios de dinheiro público, corrupção?
– Por que para o país ser governável é preciso fazer alianças espúrias às “ideologias” partidárias?
– Por que a representação no Congresso Nacional não é proporcional aos efetivos estaduais?
– Por que não temos políticos que representem efetivamente o interesse geral da população?
– Por que os cargos executivos – desde prefeito a presidente da república – não são exercidos como representação efetiva do interesse coletivo?
– Por que a participação de condôminos em assembleias é baixíssima?
– Por que nós, brasileiros e brasileiras, não reivindicamos de forma ativa e coletiva os nossos direitos e interesses?
– Por que vemo-nos com irresistível capacidade de nos isolarmos?
– Por que ninguém reclama, ninguém contesta, ninguém se manifesta diante de tão elevado nível de impostos sem retorno equivalente?
– Por que não nos valermos dessa ausência de representação ampla, dessa falta de participação, dessa carência de identidade, e tentarmos algo novo?

 

Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier) e escreve no Blog do Mílton Jung, às terça-feiras

Avalanche Tricolor: quem viu, assistiu a dois espetáculos

 

Grêmio 2 x 0 Lajeadense
Gaúcho – Grêmio Arena

 

 

Espero que você tenha tido oportunidade de assistir ao jogo de sábado à noite. Soube de torcedores que foram surpreendidos com uma decisão do PPV que, me parece, fere o Código de Defesa do Consumidor: não transmitir a partida para os assinantes. Aqui em São Paulo, encontrei a transmissão na Sport TV, canal 39, o mesmo não aconteceu com aqueles que estavam em Porto Alegre, que receberam o sinal de outra partida pelo Campeonato Gaúcho. Os que têm paciência para navegar na internet e boa rede de relacionamento ainda conseguiram conectar-se às transmissões clandestinas disponíveis no computador. E tiveram esforço recompensado, haja vista a boa qualidade do futebol jogado pelo Grêmio, a partir da segunda metade do primeiro tempo.

 

Os dois gols de Zé Roberto foram uma pintura não apenas pelo toque final do nosso craque, mas pela movimentação de equipe, o deslocamento veloz de posição, o passe certeiro e o chute mortal. No primeiro, uma batida forte superou o bom goleiro adversário, Eduardo Martini, que já havia feito defesa sensacional em ataque concluído por Barcos, pouco mais cedo. O segundo, ‘Zé da Galera’ encobriu o goleiro com um toque sutil que esteve a altura do passe recebido de Barcos – rápido e preciso. Aliás, nosso centroavante, por justiça, tem de começar a somar, nem que seja meio gol, cada assistência que dá de presente para seus colegas. Vai alcançar rapidinho a meta de 28 gols que se propôs logo que chegou no Olímpico – perdão, na Arena.

 

O time titular do Grêmio tem qualidade muito superior a seus adversários neste Campeonato, a ponto de ter vencido com facilidade o único time invicto na competição até aqui. O problema é a intenção de mudar a equipe conforme os compromissos da Libertadores. Problema ou previdência, os próximos resultados dirão.

De Francisco

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

As primeiras palavras que o lexigrama de Francisco me diz são franco, fino e arisco. Encontro ano, e me atiro na procura do jota, mas ele não dá sinal, e não consigo ver completo, o anjo, mas não me contenho e mergulho.

 

É importante lembrar que o objetivo do lexigrama não é objetivo, se me permite. Tempera semântica com percepção intuitiva, e eu me sirvo dele sem pretender autopsiar palavras ou o nome de alguém para tentar traduzi-lo. Traduttore, traditore, certo? Cada Maria é diferente da outra, e assim cada José. Lexigrama é meditativo, interioriza, fazendo perceber um plano mais sutil É democrático. Disponível sem restrição.

 

Francisco mostra o não, mas entrega de bandeja riso, circo e as rifas que fizeram a festa da minha infância no Externato Jaguaré, escola orientada por padres cananses, nos quais eu penso ainda hoje com imensa gratidão. Eles também eram os padres da igreja da vizinhança, e toda segunda-feira a gente depositava na bandeja em cima da mesa do primeiro professor da dia, o papelzinho de presença, recebido na igreja. Quem não ia à missa, acho que perdia alguma coisa. Nunca perdi, portanto não saberia dizer. Só me lembro muito vagamente… das rifas e das festas nas quermesses. Eu nunca tinha jogado em coisa nenhuma, a dinheiro então! Pois comprei um número de rifa e ganhei uma máquina de costura linda, que dei para a minha mãe.

 

Mas falávamos de Francisco. Francisco tem frio, mas também tem… …não, não tem forno. Tem forca e força, e eu faço questão de não analisar.

 

Tem sino, imagina! e tem sina também. E não diga que é óbvio porque pouca gente tem sina assim publicamente escancarada.

 

Tem rã, mas sapo não. Tem cora que me faz lembrar com carinho da Coralina.

 

Tem ranço para temperar a bondade que mostra o seu rosto e que eu espero seja forte, como forte parece ser a sua escancarada simplicidade, humildade e senso de união, respeito e consideração com seus pares.

 

Para anjo só falta o jota, mas levei uma chacoalhada quando encontrei o cinco. Pois cinco Francisco tem. No Tarô de Marseilles, reconhecido por Jung, o Carl Gustav, ele é representado pelo Papa, arcano número cinco entre vinte e um arcanos maiores. Oferece transformação e é mestre dos mistérios sagrados, de benção, lei, religião e principalmente consciência. É emocionante ver o cinco aí. Vale a pena pesquisar o significado do V arcano maior do tarô. Garanto.

 

Abaixo vão algumas palavras que encontrei em Francisco. Elas estão presentes em estado de possibilidade. Sempre. À disposição

 

Brinque um pouco, ou não, e até a semana que vem.

 

ano
arisco
caco
cair
cancro
caro
caso
cifra
cifrão
cinco
circo
cisco
coar
coçar
coisa
cor
crânio
cria
faro
fiasco
fica
fina
fino
foca
foi
fora
forca
força
fraco
franco
frio
isca
na
naco
narciso
nora
raso
rico
rifa
rio
risco
riso
roca
roça
rosa
ronca
rosca
rosna
rosna
saco
são – tanto saudável como o verbo ser no plural. Isso é muito bom, no meu sentir.
sofá

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Vem aí a Semana de Moda Brasileira

 

Por Dora Estevam

 

Na próxima semana, o trânsito nas imediações do Parque do Ibirapuera ganhará um público fashion e descolado, e haverá movimentação extraordinária, em muitos ambientes. Começa a Semana de Moda Brasileira (SPFW). De volta ao habitat inicial, o evento mostrará o que os estilistas nacionais prepararam para as brasileiras vestir no verão 2013/2014.

 

Quer saber quem vai desfilar? Vamos ao line-up:

 

 

Enquanto não sabemos o que vem por aí, vamos dar uma espiada nas tendências de verão que foram desfiladas em NY, Londres, Milão e Paris.

 

Começando com as propostas de Karl Lagerfeld para Chanel, os longos vestidos fluídos e estampados.

 

 

Os curtos do Atelier Versace.

 

 

As calças e os terninhos da Dior.

 

 

Um pouco da extravagãncia de Jean Paul Gaultier

 

 

Agora é só esperar! Semana que vem conversaremos sobre os elementos surpresa das coleções Vale lembrar que os desfiles são apresentados para a imprensa e compradores, não é aberto ao público

 

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda no Blog do Mílton Jung, aos sábados.

 

Mundo Corporativo: estratégias para vender ao novo consumidor

 

“Há uma profunda transformação no varejo, nos últimos anos. Esta profusão de alternativas de relacionamento, comunicação e informação criou o neoconsumidor: multicanal, digital e global”. O consultor Marcos Gouveia de Souza fala sobre esse consumidor e como o varejo deve se adaptar ao cenário atual na entrevista ao Mundo Corporativo, da rádio CBN. O diretor-geral da GSMD Gouveia de Souza conta que nos Estados Unidos as compras na internet já representam 7% do volume total de vendas, enquanto no Brasil, apenas 2,5%, no entanto, o crescimento no mercado brasileiro tem sido mais veloz: “ou as empresas acompanham este processo ou ficam para trás”, alerta.

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da CBN, com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail milton@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido, aos sábados, no Jornal da CBN.

Solução para segurança não é tirar o capacete do jerico

 

Texto escrito originalmente para o Blog Adote São Paulo, da revista Época São Paulo

 

Trânsito em São Paulo

 

Os helicópteros de televisão sobrevoavam o quarteirão sinalizando a ocorrência policial. Uma mulher acabara de ser baleada por reagir a um assalto, pouco tempo depois de deixar a agência bancária. Tipo de crime que tentaram combater no Estado de São Paulo proibindo o uso do telefone celular dentro dos bancos. Uma ideia de jerico, com o devido respeito a seus criadores e defensores, vendida como se fosse a solução de todos os nossos problemas.

 

Nesta semana, lá vem o Estado com mais uma novidade para combater o crime organizado. Está proibido o uso de capacete em estabelecimentos comerciais, forma encontrada para impedir os frequentes assaltos a postos de combustível, geralmente cometidos por motociclistas. Pela nova norma, quando a moto se aproximar da linha de segurança das bombas, o piloto já deve estar sem capacete. Portanto, imagina o legislador, o assaltante ficará intimidado.

 

Esta agora do “capacete assaltante” logo deverá ser seguida pela proibição do carona em moto, outra saída mágica que ouço à exaustão toda vez que se noticia que uma dupla assaltou motoristas, pedestres ou comerciantes na cidade. E não me venha com a justificativa de que em Bogotá, na Colômbia, a medida foi adotada com ótimo resultado. Poucos meses depois de entrar em vigor, as autoridades policiais perceberam a inutilidade da lei e a revogaram.

 

Repete-se a busca de soluções fáceis para problemas complexos como o da segurança pública. Assistindo ao aumento dos casos de violência e sem saber em que direção correr, os governos aceitam as propostas que chegam das casas legislativas, ratificam essas ideias de apelo popular e fogem da responsabilidade de desenvolver ações de inteligência – bem mais difíceis e demoradas para serem implantadas.

 

É impossível solucionar crimes, por exemplo, com número tão reduzido de investigadores. Há quase um ano, ao ter a casa invadida por bandidos, tive o privilégio de receber uma dupla de peritos com seus equipamentos para coletar provas. Soube que eram os únicos para atender todo o distrito. Por mais habilidade que tenham, são poucos diante do desafio diário que enfrentam.

 

Investir na polícia preventiva e investigativa, oferecer aos agentes estrutura para trabalhar e responsabilizar os bandidos fazem parte de um conjunto de esforços necessário e conhecido para que se reduza os índices de criminalidade. Enquanto não tivermos esta capacidade, continuaremos buscando a salvação na cabeça do jerico (mas sem capacete).

O Ministério 39

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Às vésperas da criação do 39º ministério, ao contrário da indiferença do povo brasileiro, as almas de dois ilustres personagens devem estar agitadas. O britânico Northcote Parkinson, desconhecido professor entre nós, oportunamente lembrado agora pela Veja, e o presidente Jânio Quadros sempre memorizado pela renúncia e pela denúncia das “forças ocultas”. Em 1957 Parkinson identificou uma série de anomalias nas estruturas burocráticas governamentais, que refletiam em seu crescimento exponencial. Analisando o pós-guerra, quando o Império Britânico foi desfeito, verificou que a estrutura burocrática que administrava as colônias apresentava crescimento independente da necessidade. A armada naval com 62 navios na Ativa possuía 2.000 elementos no Almirantado em terra, mas após 14 anos tinha 3.569 membros no Almirantado para 20 navios na Ativa. Um fenômeno, que inspirou as leis de Parkinson.

 

Dentre elas:

 

“Um chefe de seção está sempre disposto a aumentar o número de seus subordinados, desde que não sejam seus rivais”.

 

“Os chefes de seção inventam trabalho uns para os outros”

 

“O tempo despendido na discussão de cada item de uma agenda está na razão inversa da soma discutida”

 

Com estes princípios Parkinson analisou a evolução histórica do gabinete britânico, concluindo que:

 

“O ponto de ineficiência de um gabinete é alcançado quando o número de membros excede 20 ou 21”

 

Nesta época o Brasil tinha 11 ministros, dentro de uma lista de seis a 38, encabeçada por Luxemburgo e Honduras com seis ministros e finalizada pela URSS com 38 ministros. O número de 20 a 21, preconizado como limite de eficiência, comprovava que os melhores países estavam neste intervalo. Estados Unidos com 10, Grã Bretanha com 18, e Alemanha, Itália, Japão, França, Canadá entre 19 até 21membros.

 

Jânio Quadros, em 30 de janeiro de 1961, assume como presidente da República e mantém o gabinete dentro da margem da eficiência preconizada por Parkinson. Nomeia 15 ministros. Porém, sem a maioria no Congresso, os 6 milhões de votos obtidos não conseguem manejar a massa política oposicionista. Em 25 de agosto de 1961, renuncia atribuindo às “forças ocultas” a razão da saída.

 

Ao voltarmos à normalidade democrática em 1985 com Sarney, o gabinete passa a ter 29 membros e uma nova função. Às forças ocultas aplica-se a doação de ministérios, como se fossem capitanias hereditárias partidárias. E, ninguém mais repete Jânio, que dos 15 ministérios deu três para a UDN, um para o PSD e um para o PR, “desperdiçando” 10 ministérios. Collor teve 27 ministros, Itamar 25, FHC 31, Lula 37 e Dilma vai para o 39º com a criação da Pasta das Micro e Pequenas Empresas.

 

Os melhores países da lista de Parkinson continuam dentro do intervalo de eficiência. O Brasil está fora e assim permanecerá se não dermos o fora naqueles que estão dentro destas forças nada ocultas.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras