Cuidado com os números

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Não bastasse a manipulação das ideias pela fala dos homens, a dubiedade numérica exposta em alguns resultados estatísticos tem exigido atenção de quem não está disposto a ser ludibriado. O IDH, capítulo mais recente da discussão de dados, colocando o Brasil, 6ª economia global, na 85ª posição em um ranking de 186 países, veio contribuir para aquecer este tema. Justamente o IDH, que foi criado com a intenção de dar um posicionamento mais equilibrado entre as nações diante do sistema anterior que utilizava apenas o PIB. Índice que considera apenas o econômico.

 

Ressalvada a questão da coleta de dados desatualizados, que ainda assim não daria tanta diferença no ranking, fica a dúvida se a equação criada para representar o índice de desenvolvimento humano é efetivamente satisfatória. A melhoria do Brasil, para quem tem a oportunidade de conhecê-lo atualmente, é visível a olho nu.

 

A ONU, responsável pelo índice e, em principio, sem objetivos manipulativos, bem que poderia dar o bom exemplo e reanalisar os parâmetros considerados para checar sua eficácia em relação ao objetivo proposto, de ter um número que explicite a situação real de bem estar e qualidade de vida das populações. Um contraponto às entidades privadas e públicas que tem manipulado dados. Dos governos norte e sul americanos à FIFA, temos visto dúvidas em relação aos seus números econômicos e financeiros. No futebol, até mesmo o ranking de seleções é questionado. Sua credibilidade passa longe, por exemplo, da ATP, que demonstra claramente a posição dos tenistas profissionais.

 

Neste cenário é que o livro “Naked Statistcs” do professor Charles Wheedan está sendo lançado, com o propósito de ajudar a desvendar a manipulação das estatísticas. Da resenha da obra de Wheedan, publicada na imprensa, chamamos atenção ao ocorrido no estado americano de Illinois. Um aumento de imposto de 3% para 5% foi minimizado pelo partido do governo, enquanto a oposição gritava contra o acentuado reajuste de 67%, pois os 2% significa na realidade um acréscimo de 67%.

 

A verdade é que números e palavras podem expor dados reais para explicar fatos irreais.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras

4 comentários sobre “Cuidado com os números

  1. E se for o contrário ? E se a situação estiver pior ?

    Olhe para os lados, nas ruas, e verá um contingente muito maior de moradores em situação de penúria. Olhe o resultado das provas do Enem onde receita de miojo e hino do palmeiras rendem pontos. O anafalbetismo funcional e o que não é computado: A avacalhação moral do brasileiro na sua grande maioria.
    É melhor nem questionarmos a aferição.

    (Abrassos)…

  2. Ezequiel, pode até ser. De qualquer forma o ranking é comparativo e acredito que merece ser avaliado. Afinal, a avaliação da avaliação é sempre válida.
    Quanto a observação sobre a avacalhação, a imagem do Congresso Nacional com suas excelências em pé, aglomerados e sem nenhuma postura, enquanto um colega fala da tribuna, dá a imagem exata do grau de desordem e pouca compostura destes representantes do povo.

  3. Carlos,

    Seu texto e suas dúvidas comprovam algo que ouve há alguns anos de um colega jornalistas, desses poucos que entendem de dados e estatísticas: “os números, sob tortura, dizem qualquer coisa”.

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