O Medo na Pós-Modernidade

 

Por Julio Tannus

 

Por que vivemos em condomínios fechados? De carros com vidros escurecidos? De carros blindados? Dentro de shopping centers? Com medo de perder o emprego? Temos medo da violência urbana, do terrorismo, da exclusão social, de ficarmos para trás. Sentimo-nos sós e desprotegidos. Vários pensadores tem se debruçado no assunto, buscando entender o porquê desse medo que nos assola cotidianamente.

 

A modernidade veio com a promessa de vida melhor, mais segura, e nós apostamos nela, que traria desenvolvimento da ciência, a vida seria pautada pela racionalidade humana que é o lugar de certeza, segurança. Teríamos uma vida organizada e civilizada, com a ciência e a tecnologia bem desenvolvidas, a tal ponto que finalmente viveríamos sem o medo contínuo. Mas as esperanças se frustraram e, hoje, alguns séculos depois, novamente vivemos uma era de temores. A vida que os teóricos do Iluminismo avistaram para os indivíduos da era da modernidade é bem diferente da que temos hoje.

 

Esperava-se que os medos pudessem ser contidos; no entanto, como o sociólogo polonês Zygmunt Bauman explica, no ambiente que vivemos hoje, a luta contra o medo é uma tarefa para toda a vida.

 

Como nos conta Carlos Henrique Aguiar Serra e Flávia Mendes Ferreira em seu texto “Medos e Pathos: o indivíduo na (pós)-modernidade”:

 

Uma possibilidade interpretativa que consideramos no nosso trabalho é a formulada por Fredric Jameson no texto “Pós-modernidade: a lógica cultural do capitalismo tardio”. Este autor parte da premissa de que na pós-modernidade há uma inexorável fragmentação do sujeito. Assim, o que se coloca, portanto, nos dias atuais, contexto de pós-modernidade, é uma crise identitária, mais, uma fragmentação da identidade.

 

Para Bauman, o Estado não pode mais cumprir sua promessa de proteção neste tempo de globalização e mercados extraterritoriais. Assim, o que mais amedronta são os perigos que podem vir de qualquer lugar e o número de perigos aumenta cada dia mais. Sabemos que as ameaças são muitas (das pessoas nas ruas, de alguma coisa acontecer ao nosso lar, de uma catástrofe natural, de perder o emprego, etc.), mas o que se tenta é administrar o medo, ou seja, tornar a vida com medo algo tolerável.

 

Os perigos são percebidos como administráveis, mas são também percebidos como companhias permanentes, pois nunca iremos nos sentir livres de todas e qualquer ameaça, em estado de paz completa, mas ao contrário, sempre haverá algo a nos atormentar, ou mesmo que não seja uma ameaça real, em nosso imaginário sempre há algo a nos ameaçar. A vida dos indivíduos da sociedade atual está longe de ser livre das ameaças, ao contrário se tornou uma longa luta contra os perigos genuínos ou supostos que nos traz medo, uma luta impossível de ser vencida.

 

Chamamos a atenção também para outro aspecto que sinaliza para um desencontro e distanciamento entre modernidade e pós-modernidade: a perda da historicidade na pós-modernidade. Entendemos que esta perda de historicidade se coaduna com a tese central de Jameson acerca da “fragmentação do sujeito”. Na pós-modernidade nada tem lugar definido e mais, que a “primeira vítima do período pós-moderno, sua ausência misteriosa, é a ‘história modernista’” (JAMESON, 1996).

 

Assim sendo, numa tentativa de conclusão, os indivíduos vivenciaram e vivenciam, ainda hoje, na modernidade e pós-modernidade, medos, crises e particularmente, no que se constitui como o principal sintoma presente tanto na modernidade como na pós-modernidade: o pathos.

 

Pathos é uma palavra grega que significa paixão, excesso, catástrofe, passagem, passividade, sofrimento e assujeitamento.

 

Berlinck afirma que quando o pathos acontece, “algo da ordem do excesso, da desmesura se põe em marcha sem que o eu possa se assenhorear desse acontecimento, a não ser como paciente, como ator“ (BERLINCK, 2OO0).

 

Por fim, identificamos que os medos, e o pathos humano, assumem no atual estágio do capitalismo tardio, na pós-modernidade, uma dimensão considerável. Na verdade, se potencializaram e muito, e uma das possibilidades de superá-los é enfrentá-los, administrá-los e quem sabe, que os indivíduos sejam capazes de produzir fantasias catárticas, libertárias e prazerosas.

 

Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada e escreve, às terças-feiras, no Blog do Mílton Jung

O Corinthians é bi e o Mundo não vai acabar

 

 

Assistir ao Corinthians bi campeão mundial à distância torna a tarefa mais fácil, pois não somos provocados pelos amigos nem incomodados com vizinhos fogueteiros, além de nos oferecer a dimensão exata do feito. O mundo não para para ver a final nem o mundo acaba, como ironizou o site do diário Daily Mail, refletindo a frustração e surpresa dos britânicos com a derrota do Chelsea. Nesta pequena e rica cidade de Ridgefield, no estado americano de Connecticut, onde aproveito as férias, ninguém acordou as cinco e meia da manhã como eu, encarou a madrugada com frio próximo de zero, prenunciando uma semana com neve, para ver uma partida de futebol, por mais importante que esta seja no calendário esportivo. O noticiário por aqui está ocupado pelo trágico ataque às crianças de uma escola a duas cidades de distância. Amanhã, quando os jornais da região circularem, provavelmente, darão nota em roda pé para o resultado da final, se tanto.

 

Se o isolamento do sofá que encontrei para ver o jogo no único canal que transmitia a partida diminui o impacto da conquista alcançada pelo Corinthians, também ficamos menos propenso a secar o concorrente do futebol brasileiro, exercício comum e saudável entre nós torcedores. E talvez este tenha sido um dos motivos que me levaram a admirar a vitória corintiana muito mais do que admiraria a oportunidade de brincar com a cara de derrota dos meus amigos. No jogo jogado, o Corinthians mereceu a vitória, mesmo que para isto tenha se destacado o goleiro Cássio, aquele guri que fazia suas defesas lá na Azenha, antes de ganhar o mundo. O desempenho dele serviu para ressaltar a força do adversário que os brasileiros enfrentavam. E não me venham com este papo de que os ingleses desdenhavam a competição, basta ver a cara de alguns de seus jogadores após a derrota. Eles não tiveram é capacidade de superar a marcação e conter as investidas do Corinthians, que reproduziu em campo muito do que sua direção e comando técnico fizeram durante estes últimos anos.

 

Independentemente de qualquer avaliação mais invejosa que você possa fazer sobre o título mundial do Corinthians, impossível não enxergar que o clube está bem mais organizado que a maioria dos seus adversários no Brasil. Houve investimento na infraestrutura – o primeiro estádio está em construção – e planejamento de longo prazo. Apostou no equilíbrio do elenco, no qual estão jovens talentos e experientes jogadores, e reuniu gente de toque de bola apurada e atletas de muita determinação para conquistar o título. Soube capitalizar a força de seus torcedores tanto quanto soube conter a pressão desses mesmos que, há pouco mais de um ano, queriam a saída de Tite logo após a desclassificação contra o Tolima, na Libertadores. E sobre o técnico uma menção especial: é criativo e inteligente, e usa estas habilidades com a mesma coragem que demonstra desde que foi campeão da Copa do Brasil, em 2001, a frente do meu Grêmio contra o Corinthians, no estádio Morumbi.

 

O título mundial é importante também para os demais clubes brasileiros, pois reduz, ao menos temporariamente, a sensação de inferioridade que muitos temos em relação a Europa – sentimento curioso para quem mais conquistou títulos mundiais de seleção e tem espalhado craques por todos os cantos onde se jogue bola. Ratifica a ideia de que administração bem organizada forja campeões tanto quanto futebol não é apenas emoção. E, como o mundo não vai acabar mesmo, levará torcedores a cobrar mais competência dos cartolas de seus times.

 

De minha parte, sigo as férias e aproveito o intenso frio para tomar um chimarrão, saudar o Corinthians e lembrar os “gremistas” que fizeram parte desta conquista.

Pratos saudáveis na ceia de Natal

 

Por Dora Estevam

 

Ansiosa para a ceia do Natal? Ah, você está de regime e não quer sair da rotina? Não se preocupe. Vou postar um cardápio maravilhoso feito especialmente para pessoas que querem manter a dieta e não abrem mão de comer bem nas festas. A indicação é da Dra Lara Natacci, especialista em Transtornos do Comportamento Alimentar, mestre em nutrição, autora de diversos livros sobre nutrição e diretora do site Dietnet. Vamos às indicações e alertas que a nutricionista preparou e se inspire para fechar o ano bem e saudável.

 

 

Por que evitar certos alimentos como o bacon, por exemplo?
De acordo com a nutricionista Lara Natacci alguns alimentos gordurosos e doces, que compõem a ceia de Natal, podem dificultar a digestão provocando mal-estar, flatulência e sonolência. O ideal é dar preferência para carnes mais magras como o peito de chester e evitar molhos muito gordurosos e frituras, além do bacon na farofa. As sobremesas podem ser compostas de saladas de frutas ou doces não muito gordurosos.

 

O clima quente interfere no bom funcionamento do organismo?
Com o clima quente, também não podemos esquecer de repor a água e os nutrientes que perdemos devido a maior transpiração. Temos que dar atenção especial aos líquidos que vamos ingerir. Sem dúvida devemos tomar bastante água e sucos naturais. Além disso, é importante aumentar o consumo de frutas frescas, que contêm cerca de 80% a 90% de água e, em sua maioria, têm poucas calorias e muitas fibras e vitaminas. Isso vale em especial para crianças e idosos para evitar a desidratação.

 

Quais alimentos fazem bem e quais não são recomendados?
Cereais integrais, frutas, verduras, arroz, feijão e batata são ricos em carboidratos complexos, ótimas fontes de energia e essenciais para regular a quantidade de açúcar no sangue, evitando a hipoglicemia (falta de açúcar no sangue, que pode ter como causa, entre outras, a má alimentação). Já os carboidratos simples, por serem rapidamente absorvidos, desestabilizam a taxa de açúcar do sangue, oferecendo somente picos de energia. Devem ser, portanto evitados o açúcar e os doces em geral.

 

Podemos usar gorduras e sal na preparação da comida?
Quanto a gordura, um mínimo é essencial para algumas atividades normais do organismo, como o transporte de vitaminas, mas devemos dar preferência às ricas em ácidos graxos poliinsaturados, como sementes oleaginosas (nozes, castanhas), óleo de girassol e canola, a maionese e o azeite de oliva, pois são mais saudáveis e não aumentam as taxas do colesterol sanguíneo. A ingestão de sal, principalmente nesta época do ano, deve ser moderada para evitar retenção hídrica e um consequente inchaço, o que incomoda muito para andar.

 

Como facilitar a digestão?
Para facilitar a digestão é necessário fazer refeições com pequenos volumes várias vezes ao dia (de 4 a 6 pequenas refeições, a cada 3 a 4 horas), e mastigar bem os alimentos.

 

A bebida alcóolica atrapalha a dieta, qual a dose adequada?
No caso de consumo de bebidas alcoólicas é importante não estar de estômago vazio, e também alternar com a ingestão de bebidas não alcoólicas (por exemplo, tomar 1 copo de cerveja e logo depois um copo de água). Temos que lembrar que a quantidade máxima de álcool a ser ingerida é de 2 doses para homem e 1 dose para mulher. Uma dose equivale a uma lata de cerveja ou 1 taça de vinho.

 

Como montar o prato da ceia sem exagerar nas porções?
Preencha metade do prato com vegetais (crus e cozidos) Para a outra metade, faça da seguinte forma: ¼ de alimentos ricos em proteínas animal (peru assado, chester, lombo magro assado, carne de boi, frango, peixe, ovos, com pouca gordura) e vegetal (lentilha, ervilha, grão-de-bico, soja, feijão); e o outro ¼ com alimentos ricos em carboidratos, de preferência em sua forma integral (farofa, arroz, massas, batatas, mandioca, mandioquinha, farinhas)

 

Agora sim vamos às receitas saudáveis e de baixas calorias para o grande dia. Para conhecer a receita, basta clicar no link.

 

Sugestões para os pratos da ceia:
Cocktail
Entrada cesta de pães de cenoura
Salada
Salada Meu Prato Saudável com molho de iogurte
Prato quente
Farofa de soja
Chester com molho de uvas ou Lombo oriental
Arroz com passas e vinho branco
Sobremesa
Compota de frutas
Bolo de frutas

A culpa é da Cristina

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Os pais de Maria Helena, minha mulher, fizeram inúmeras viagens de turismo à Argentina. A primeira visita do casal Edvino e Wanda ocorreu em 1948. Na ocasião, Juan Domingo Perón governava há dois anos o país vizinho. Seu mandato, que terminaria em 1952, como Perón foi reeleito, se estenderia até 1958, mas não chegou a esse ano por força do golpe militar que o retirou do poder. Após 18 anos de exílio,Juan Domingo Perón voltou ao poder. Faleceu, porém, sem completar o seu terceiro mandato.

 

Fiz esse introito para lembrar a quem não se liga a fatos históricos quando não se trata do nosso país que, décadas atrás, o turismo de brasileiros na Argentina não chegou a ser muito prejudicado por questões políticas, envolvendo os seus governantes e governados, o que está acontecendo agora sob o governo de Cristina Fernández de Kirchner. Aliás, os prejudicados pelas absurdas exigências presidenciais não são apenas os brasileiros que gostam de visitar “los hermanos”, mas, o que é pior, os argentinos que viajam ao exterior.

 

Maria Helena e o seu filho André foram várias vezes à Argentina antes que eu e ela, ano após ano, passássemos parte das minhas férias em Buenos Aires. Nesta década, além dos passeios, da abundância de ótimos restaurantes, cafés e imperdíveis shows de tangos, a moeda argentina sempre perdeu para a nossa. Assim, reforçar o guarda-roupa com artigos oferecidos por lojas tradicionais e shoppings, era obrigatório.

 

Escrevi a frase anterior colocando o verbo no passado, pois neste ano que dá os seus derradeiros suspiros, não estivemos em Buenos Aires. Quebramos, com isso, o que tinha se transformado para nós em agradável rotina. E a culpa é de Cristina. Ficamos com medo de manifestações realizadas pelos que são contrários a Presidente. Essa, além de certas medidas estapafúrdias que machucaram impiedosamente o bolso dos patrícios dela, investe contra o Grupo Clarín, com a Lei da Mídia, fingindo que está democratizando a mídia e restringindo monopólios. “Dueña” Kirchner imita, de certa forma, Chávez, Evo Morales e outros que tais sul-americanos. Convém não perder Cristina de vista. Ditadores e seus aprendizes adoram cercear a liberdade de expressão.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Escreve, às quintas-feiras, no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

A adolescência das empresas, das instituições e das pessoas

 

Por Julio Tannus

 

Nas leituras sobre o que é ser um adolescente, vemos alguma proximidade com o que somos como povo.

 

Adolescência
É a fase que marca a transição entre a infância e a idade adulta. Com isso essa fase caracteriza-se por alterações em diversos níveis – físico, mental e social – e representa para o indivíduo um processo de distanciamento de formas de comportamento e privilégios típicos da infância e de aquisição de características e competências que o capacitem a assumir os deveres e papéis sociais do adulto.

 

Jacqueline Cavalcanti Chaves, em “Amor e ódio nos relacionamentos afetivos da contemporaneidade”, mostra que, paralelamente ao ideal amoroso romântico, surgem, hoje em dia, novos códigos de relacionamento e novas formas de sociabilidade. O “ficar com”, comum entre os jovens, é um exemplo destes códigos e se caracteriza pela busca de prazer imediato e pela ausência de compromisso com o outro. Levando adiante ideias desenvolvidas em trabalho anterior, a autora toma como exemplos o “ficar com” e a relação amorosa virtual para explorar o modo pelo qual o sujeito lida com sua ambivalência na atualidade, tendo em vista que a experiência amorosa é “limitada, ambivalente, imprevista e imperfeita”, considerando algumas características das sociedades ocidentais contemporâneas como a ênfase dada ao consumo, ao prazer imediato, à diversão permanente e ao bem-estar absoluto.

 

A construção da identidade do adolescente é contraditoriamente uma identidade individual e uma identidade coletiva. O adolescente precisa do adulto, precisa de referência; mas ele precisa diferenciar-se, construir sua própria identidade. Tornar-se adolescente é viver cercado por profundos conflitos.

 

Em “Jakob Willem Katadreufe: força e crueldade sem pertencimento”, trabalho de Elisa Maria de Ulhôa Cintra, temos minuciosa e sensível análise do filme holandês “Caráter”, que serve à autora como material para a discussão daquilo que chama de “eixo narcísico do desenvolvimento”. Como se constitui um adolescente cujo anseio por poder físico e intelectual e cuja aspiração à auto-suficiência domina o seu horizonte? Empregando em seu estudo noções como a de pulsão de domínio, Cintra diz que antes de mais nada será preciso verificar se houve, em sua história, experiências significativas de ser acolhido, de pertencer. O pertencimento implica sentir-se parte de um núcleo humano onde predominam trocas afetivas e capacidade de reconhecer o outro.

 

O que somos
Vemos-nos com irresistível capacidade de nos isolarmos e assim ficamos enfraquecidos, impossibilitados de enfrentar os desafios. Perdemos a capacidade de aglutinação, força necessária para dar legitimidade a uma representação efetiva. Nossa passividade torna-se permissividade.

 

No futuro, além de nos reservar grandes e rápidas mudanças, novos conceitos e demandas vão exigir um processo constante de adaptação e resposta, tanto por parte das empresas como das instituições em geral, reforçando cada vez mais a necessidade de estarmos juntos. E, para isso, cada vez mais necessitamos estar presentes coletivamente para fazer frente a essas mudanças.

 

Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada e escreve às terças-feiras no Blog do Mílton Jung

Grêmio dá show de campo, mas ninguém dá bola

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

Arena do Grêmio

 

Tostão em sua coluna na Folha lembra que Chico Buarque escreveu que os europeus eram os donos do campo, e os brasileiros, da bola. Hoje há controvérsias.

 

Enquanto os maiores espaços da mídia esportiva em geral estão sendo ocupados pelo mundial de clubes, focando particularmente o Corinthians, ontem, dois eventos deveriam ter dividido as atenções. Deveriam, mas não dividiram.

 

No ginásio do Ibirapuera, depois de longos anos, os maiores tenistas da atualidade exibiram-se em torneio que leva o nome de Roger Federer, o melhor de todos os tempos. Evento que só não teve a chancela de primeiro mundo porque evidenciou o terceiro mundo de nossa infraestrutura, quando dez mil pessoas que pagaram mil reais o ingresso tiveram que amargar um estádio sem ar condicionado num dia de temperatura escaldante.
Já em Porto Alegre, o Grêmio patrocinou um espetáculo com perfeição absoluta. Indubitavelmente o fato mais importante do fim de semana esportivo. Além do que um feito e tanto sob o aspecto da gestão do futebol, tão tímida e poluída pelos clubes brasileiros em geral.

 

O Grêmio Futebol Porto Alegrense, simplesmente construiu um estádio para 60 000 pessoas, dentro do rigoroso padrão FIFA, a um custo total de 540 milhões de reais. Com 61% de recursos da iniciativa privada e 39% de financiamento do BNDES.

 

Ao compararmos com outros estádios da COPA 14, vamos verificar que o Grêmio conseguiu cumprir uma promessa não cumprida pela CBF quando assumiu a COPA 14, ao se comprometer em empreender com a iniciativa privada e não utilizar recursos públicos. Fato que fica visível na comparação com o Itaquerão. Estádio para 48 000 pessoas com extensão para a abertura de 20 000 lugares, perfazendo o total de 68 000 assentos. No estádio corinthiano o valor estimado é de 890 milhões de reais. 60% do investimento será público e 40% de financiamento do BNDES. A prefeitura de São Paulo doará 420 milhões e o governo do Estado 70 milhões.

 

Duas perguntas deveriam estar pressionando os dirigentes e os políticos:

 

Como se explica o custo da Arena do Grêmio?

 

Por que a Arena do Grêmio não receberá jogos da COPA 14?

 

Plagiando Chico, podemos dizer que o Grêmio é o dono do campo, mas a bola está com a CBF. Em todos os sentidos.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve no Blog do Mílton Jung

Bicicletada marca o Dia Internacional de Combate à Corrupção

 

Bicicletada Não aceito corrupção

 

Com a promoção do Movimento do Ministério Público Democrático, cerca de 50 pessoas realizaram um passeio pela ciclofaixa de lazer, no centro de São Paulo, para marcar o Dia Internacional de Combate à Corrupção. O Adote um Vereador, o Nas Ruas e o Revoltados On Line foram alguns dos grupos que estiveram representados no encontro, na manhã de domingo. Todos os ciclistas vestiram a camisa da campanha Eu Não Aceito Corrupção. Nesta segunda-feira, o MPD realiza o Seminário Transparência e Controle da Corrupção, no Memorial da América Latina, em São Paulo.

 

Ouça a reportagem de Maria Eugênia Flores, da CBN:

 

Avalanche Tricolor: tenho orgulho de ser gremista

 

Grêmio 2 x 1 Hamburgo (ALE)
Inauguração da Arena Grêmio

 

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Tenho orgulho de ser gremista. A inauguração do novo estádio colocou o Brasil no primeiro mundo das Arenas multiuso, escreveu em letras garrafais o jornal O Estado de São Paulo, na edição que li na manhã de sábado. A manchete que abriu reportagem de duas páginas do diário paulista, reconhecido por seu jornalismo crítico e independente, descrevia bem o significado daquele momento que viveríamos à noite, no bairro de Humaitá, zona norte de Porto Alegre. O Grêmio, mais uma vez, seria protagonista da história do futebol. Desta vez, da própria história do Brasil.

 

Tenho orgulho de ser gremista. A cerimônia de inaguração trouxe de volta parte das emoções que havia sentido uma semana antes na despedida do Olímpico. Foi além, pois abriu as portas para o futuro relembrando a construção da sua própria história, com imagens que destacavam o heroísmo dos primeiros anos e as conquistas que elevaram o nome do Grêmio, das quais muitas comemorei com os demais torcedores na arquibancada. De todos os craques que vestiram nossa camisa, o mais emocionante foi ver Milton Kuelle, aos 79 anos, único jogador vivo que desfilou talento no pioneiro estádio da Baixada e no Olímpico Para Sempre Monumental. Talento, na frase anterior, não é exagero da retórica. Kuelle, que viria a ser meu dentista quando morei em Porto Alegre, jogava futebol moderno para os anos de 1950 e 1960, ao se destacar por excelente preparo físico e domínio de bola que o permitiam atacar, marcar e se descolar com maestria. Ele também estava emocionado no novo palco.

 

Tenho orgulho de ser gremista. O acordeon de Renato Borgetti se agigantou como sempre ocorre quando este artista da música regional passa a dedilhar seu instrumento. No meio da Arena, tocou o Hino Rio-Grandense vestindo a camisa 7 de Renato Gaúcho e brincou com a banda marcial que fazia performance no palco.  Era mais uma lembrança dos meus tempos de guri na escola em Porto Alegre, onde fomos colegas de sala.  Antes dele, a imagem de Lupicinio Rodrigues, autor do hino que embala os gremistas, já havia surgido para provar que nossos talentos não estão apenas dentro de campo.

 

Tenho orgulho de ser gremista. O destino quis que um dos jogadores mais identificados com o torcedor, André Lima, marcasse o primeiro gol na Arena do Grêmio. Poderia ter sido outro,  pois muitos mereceriam esta marca histórica. Poderia ter sido, até mesmo, o adversário. Afinal se a festa pode ser programada  – e o foi com genialidade e sensibilidade – não haveria como interferir no resultado da partida. Na noite desse sábado, porém, nem mesmo o imponderável seria capaz de nos surpreender. Marcamos primeiro, como na final do Mundial contra o Hamburgo; sofremos o empate, da mesma forma que no Japão; e se não vencemos na prorrogação, pois não haveria esta possibilidade, deixamos para fazer o gol da vitória praticamente no fim da partida, com Marcelo Moreno.  Alguém, sabe se lá de onde, decidiu que o roteiro deste jogo teria de relembrar o feito de 1983. Talvez para fazer justiça com um clube que ergueu, por conta própria, sua Arena e pensando apenas na sua torcida e na sua história.

 

É por tudo isso que tenho orgulho de ser gremista.

Corrida pode causar lesões no quadril

 

Por Dora Estevam

 

Correr faz bem à saúde. E a prática tem se tornado cada vez mais comum. Exige, porém, muito cuidado devido a lesões que podem ser causadas por uma série de fatores – exercício mal-feito, equipamento impróprio, excesso de peso, entre outros. Hoje, vemos com frequência atletas – profissionais ou não – sendo submetidos a cirurgias de quadril para tratar doenças que surgiram no decorrer da vida esportiva. Recentemente, Pelé fez cirurgia para colocar uma prótese, pois sofria de artrose, uma das doenças mais comuns na região do quadril. Eu conversei com a ortopedista e traumatologista Dra. Rostanda Marti Meireles, especialista em quadril pela Universidade Federal de São Paulo e membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Neste bate-papo, ela fala das doenças e dos tratamentos disponíveis, além de dar dicas de como prevenir estes problemas.

 

 

Quais as lesões comuns que acometem o quadril?

 

As lesões comuns no quadril e pelve são de origem degenerativa – osteoartrose coxofemoral, inflamatórias- bursites e tendinites e traumáticas- contusões e lesões musculotendíneas. De uma maneira geral a osteoartrose pode ser de etiologia degenerativa, traumática, inflamatória ou decorrente de síndromes específicas. As bursites e tendinites são causadas pela irritação dessas estruturas. As contusões e lesões musculotendíneas originam-se da prática esportiva na maioria das vezes.

 

Quais os tratamentos para essas lesões?

 

A osteoartrose, dependendo do grau de acometimento da articulação e do estado clínico do paciente, é de tratamento cirúrgico (artroplastia total de quadril). As bursites e tendinites respondem bem ao tratamento á base de repouso, crioterapia, antiinflamatórios e fisioterapia. No caso de bursite trocantérica a infiltração com corticóide também está indicada. As contusões e lesões musculotendíneas devem ser tratadas com repouso, crioterapia, aintiinflamatórios, fisioterapia, retorno gradual á prática esportiva dependendo do limiar da dor.

 

Com que idade iniciam os problemas no quadril?

 

Normalmente as lesões causadas pelo esporte acometem pacientes mais jovens e as degenerativas pacientes mais idosos.

 

Dores na região inguinal e glútea são sintomas de problemas no quadril?

 

Sim, a dor na região inguinal e glútea pode caracterizar patologia no quadril. Outro sintoma importante é a restrição dos movimentos, como dificuldade de colocar a meia e o sapato e cortar as unhas dos pés.

 

Quais os exames realizados para diagnosticar patologias no quadril?

 

Os exames realizados são radiografias, ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética dependendo da suspeita clínica.

 

Como podemos fortalecer os músculos do quadril?

 

O fortalecimento da musculatura do quadril – adutores, abdutores, flexores e rotadores do quadril é tão importante quanto o alongamento dos mesmos. A reabilitação visa ganho de força, flexibilidade e resistência muscular.

 

É um fato ou mito que a corrida pode causar lesões no quadril?

 

A corrida é uma atividade de impacto, dessa forma acomete principalmente as articulações de carga – quadris, joelhos e tornozelos.

 

A obesidade é um fator de risco para lesões do quadril?

 

Sim, a obesidade está relacionada à deterioração da cartilagem articular.

 

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábados, no Blog do Mílton Jung