Por Carlos Magno Gibrail
A Câmara Municipal de Embu das Artes em São Paulo, e o Governo do Estado de São Paulo aprovaram atos futuros que se transformarão em crimes ambientais dignos de “serials killers” dos mais inconsequentes sob a ótica ambientalista. Nas pessoas de personagens nem tanto conhecidas como o presidente da Câmara de Embu, o vereador PT Silvino Bonfim, e onze de seus 12 colegas, ou da figura deveras notória do governador Geraldo Alckmin PSDB SP.
E, hoje, a probabilidade de se agregar pelas mãos do deputado PMDB MG Paulo Piau um terceiro crime, pois o nobre membro do poder legislativo federal mudou o texto do Código Florestal vindo do Senado.
Os Corredores Industriais de Embu, o Minhocão do Morumbi e a anistia aos desmatadores, infratores de beira de rio, têm em comum, além do crime ambiental, a evidência de que independentemente da autoridade local, estadual ou federal, há sempre o risco de decisões descredenciadas para exercer o poder sobre as riquezas naturais.
Assistimos aos governos dos estados da Amazônia preconizando atividades econômicas em áreas preservadas. Governos municipais em áreas urbanas priorizando os que passam em detrimento aos que moram. Quem vive em Embu não pensa no clima de São Paulo. Quem governa São Paulo não pensa nos residentes e privilegia as obras como fim em si mesmo, com orientação pessoal à política futura. Quem legisla em Brasília pensa talvez antes de tudo na equação política, bem traduzida na célebre determinação do “é dando que se recebe”.
Enquanto estas interferências predatórias aos biomas naturais estiverem crescentemente acionadas, a solução só virá diante da implosão do sistema. Com variações climáticas insuportáveis. Ou tal como deverá em breve acontecer no trânsito de boa parte das capitais brasileiras: ruas transformadas em gigantescos estacionamentos e sujeitas a monumentais enchentes. Com ou sem “cachoeiras”. Prato cheio para cineastas como Steven Spielberg ou James Cameron.
Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung




