De arte

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

é o representante do povo
um indivíduo legal
é ele que escolhe a rota
ou sou eu que norteio
a ausência do meu sonho
pelo seu desmando

 

penso no que conheço
e naquilo que desconheço
e me vem de pensar no crime e na justiça social
na escolha e no escolhido
e me vem de chorar
de fatos tristes lembrar
sem compreender
encolhida tolhida sofrida
pelo  homem que rapina e o que é rapinado
o que assassina e o que é assassinado
pelo agressor e o agredido
que vivem nas margens virtuais e opostas do mesmo rio
afogados e estufados de razão
altivos nocivos agressivos
mumificados

 

na cena da tv
vejo o bandido que é triste de ver
feio na minha visão
que na sua não-aceitação
do que considera oposto 
me leva a retroceder

 

e retrocedendo percebo
que o que não gosto nele
é o que não gosto e reprimo em mim

 

no tempo em que bando se armava
de palavra lápis e papel
era o estado reconhecido
a banda aceita por quem lhe era fiel
que trucidava e escondia no porão
onde jazia o dito ilegal
que acabava morto 
por valoroso federal

 

tudo meio legal
valendo
e acontecendo
em dia de trabalho e no Natal
um sem-fim de ossada
enterrada na surdina
e haja família destroçada

 

hoje é ainda
o colarinho branco meio legal
que prepara o mingau indigesto
é a banda podre e marginal
que atiro sem dó no lixo
como se podre fosse mesmo o que é
apagando do meu pensamento
o que quero e desconsidero

 

não é arma nem repressão
inconformismo
e muito menos agressão
que vão resolver nossa situação

 

na verdade considero
a arte e não a dor
o poder civilizador
e não sou eu quem o digo
mas o francisco que me disse que quem disse
foi Oscar o Wilde
e eu que nada sou
os bendigo.

 


Maria Lucia Solla é professora, realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Circuito fashion RJ-SP

 

Por Dora Estevam

 

O mundo fashion brasileiro está agitado este mês de maio com três poderosos eventos, dos quais dois anunciam parte da moda praia do verão 2013.

 

Por ordem de data: dia 12, às 22h, o evento que vai parar a Ponte Estaiada e transformá-la em uma grande passarela de moda é o Elle Summer Preview. Oito marcas de moda praia vão se reunir e apresentar um preview das coleções de verão na passarela montada na Ponte. Anote as marcas: Blue Man; Cia. Marítima; Água de Coco; Adriana Degreas; Lenny; Movimento; Salinas e Triya.

 

Veja na foto como ficará o grande e encantador cenário:

 

 

Uma notícia boa para quem não poderá estar lá – até mesmo porque é um evento fechado, com entrada somente para convidados. A Revista Elle vai transmitir a partir das 22h30 os desfiles através da internet no portal MODASPOT e também em shoppings, hotéis e toda a rede Pão de Açúcar da cidade de São Paulo, via rede Elemídia.

 

Agora vamos falar do 3º Seminário de Moda da Folha que vem como o tema Construindo Marcas de Sucesso na Moda, no qual os participantes vão conhecer a trajetória de sucesso de marcas nacionais famosas e importantes para o crescimento da moda e comércio do Brasil. Está agendado e confirmado para os dias 16 e 17 de maio, em SP. Veja a lista dos palestrantes confirmados: Ricardo Almeida, Cris Barros, Cavalera, Lino Villaventura, Mandi, Christian Dior, Mandi, Hope e Gant. Reveja desfiles de algumas marcas:

 

Cris Barros

 

 

Ricardo Almeida

 

 

Encerrando a maratona fashion, já está tudo certo para o Fashion Rio 2013, edição de verão, os desfiles serão no Jockey Club, na Gávea, pois o lugar de costume o Pier de Mauá foi cedido para a Conferência da ONU, a Rio+20, que fala sobre Desenvolvimento Sustentável.

 

Marcas conhecidas como Totem, Blue Man, Leny, Salinas e Triya voltam com suas coleções nesta edilçao, depois de terem pulado uma, e, entre as novidades já estão confirmadas as marcas Sacada e Oh, Boy!. O clima entre as SPFWs está ficando melhor ao ponto de as marcas Cia Marítima e Poko Pano, originalmente participantes da semana de moda paulista, agora vão desfilar no Rio.

 

A novidade faz parte de um bom relacionamento do Presidente da SPFW, Paulo Borges, de posicionar marcas de praia no estilo carioca. Assim como tem marca que entra tem marca que sai também, caso das Printing, Walter Rodrigues, Giulia Borges, Acquastudio e Bianca Marques. Abaixo o line up dos desfiles:

 

 

Estarei lá anotando e fotografando tudo para contar aqui todas as novidades do verão 2013.

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung, aos sábados

Mundo Corporativo: Trocar de emprego sem sair do emprego

 

Job rotation é um movimento que permite a ascenção social do trabalhador dentro da própria empresa que precisa ser feito de forma planejada e com medição clara de resultados. Para a vice-presidente de Gestão e Gente do Grupo Pão de Açucar, Sylvia Leão, a estratégia se transforma em um ótimo negócio para os colaboradores e para a própria empresa. Ela destaca que para o sucesso do método, além da empresa oferecer as oportunidades, é preciso que o colaborador se transforme em protagonista de sua carreira. Na entrevista ao Mundo Corporativo, da CBN, Sylvia Leão explica como este sistema é desenvolvido dentro de uma das corporações que mais contratam profissionais no Brasil. O Grupo Pão de Açucar tem, atualmente, cerca de 170 mil colaboradores em todo o Brasil. Sylvia Leão também fala da política de contratação de pessoal e o impacto que a presença das mulheres geraram nas empresas que fazem parte do grupo.

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar, no site da rádio CBN, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN

Vereador tem mais o que fazer …

Texto publicado no Blog Adote São Paulo, da Revista Época SP

 

A Câmara de Vereadores de São Paulo dedicou o primeiro dia útil da semana para votar 71 projetos que concedem nomes a ruas, vielas, praças e pontes, além de medalhas e homensagens a cidadãos paulistanos. O vereador Arselino Tatto (PT) foi autor de quase a metade desses projetos, todos dedicados a seu reduto eleitoral, na zona sul da capital. Assim que levei a informação ao ar, no Jornal da CBN, comecei a receber mensagens de ouvintes-internautas criticando o trabalho dos parlamentares. Houve quem de forma irônica dissesse que é melhor deixá-los fazendo estas homenagens, pois enquanto gastam seu tempo com medidas de baixo impacto deixam de aprovar leis que possam causar danos ao município. O problema é que mesmo as concessões de títulos acabam se transformando em prejuízo para o bolso do paulistano, pois são promovidas solenidades oficiais com realização de coquetel, entrega de certificado, bandeja de prata e placas – tudo regado com dinheiro público.

 

É importante ressaltar que batizar locais públicos faz parte das funções do legislativo. E morar em uma rua com nome pode mudar muito a vida de um cidadão, facilitar o acesso de outras pessoas, entrega de encomendas e, inclusive, ajudar no momento de fazer crediário na loja ou no banco. Já ouvi muito morador contando com orgulho o fato de a casa dele estar agora em uma rua com nome e sobrenome. O resultado para o vereador é tal que tem assessores de gabinete destinados apenas à função de procurar ruas sem nome. O problema começa quando este passa a ser o papel principal do parlamentar, é muito pouco para o cargo que ocupam e o dinheiro que ganham. Estão lá para debater temas fundamentais para a cidade, encontrar soluções para problemas frequentes e apresentar projetos inteligentes e criativos que realmente impactem o ambiente urbano e, destaque-se, a aqueles que agem desta maneira.

 

Sou a favor da ideia de tirar esta função dos vereadores e deixá-la apenas com a prefeitura ou subprefeitura. Um levantamento organizado seria suficiente para identificar quais ruas (ou avenida, ou pontes, ou vielas, ou seja lá o que for) precisariam ser batizadas. Consulta-se o grupo de moradores ou um banco de nomes à disposição da sociedade (que podem ser sugeridos por qualquer cidadão – inclusive os vereadores) e por decreto determina-se como o local passará a ser conhecido. Pode deixar para consulta pública por um determinado momento e se não houver qualquer rejeição o problema está resolvido. Sem muita politicagem, aproveitamento eleitoral e custo baixo.

 

E aí o gaiato sentado ao meu lado comenta: se não tiverem o direito de batizar rua, o que os vereadores vão fazer da vida? Tenha certeza, que eles tem muito trabalho e um desafio enorme a enfrentar. Àqueles que não entenderam direito estas responsabilidades, cabe o eleitor tirá-los do parlamento no voto ou, ao menos, interferindo no mandato deles através do seu poder de fiscalização. Quem sabe aceitando convite que faço há quatro anos: adote um vereador.

Por uma constituinte popular permanente

 

Texto escrito por Francisco Whitaker um dos criadores do Fórum Social Mundial e da Lei do Ficha Limpa:

 

Enquanto era um simples projeto de iniciativa popular, para o qual eram recolhidas assinaturas de apoio pelo Brasil afora, a atual Lei da Ficha Limpa sofreu muitos e diversificados ataques. Chegou a ser chamada mesmo de autoritária, por fazer um reparo à conquista indiscutível da humanidade que foi a adoção universal do principio anti-barbárie da presunção da inocência. Mas seus principais opositores se encontravam justamente entre os que seriam por ela atingidos e que, apoiando-se na infindável possibilidade de recursos aberta pelos nossos Códigos processuais, usavam esse principio para assegurar sua impunidade. E por isso mesmo foi de fato uma surpresa que o projeto superasse a barreira que se erguia contra ele no Congresso, onde se dizia, quando lá chegou com seu milhão e meio de assinaturas, que era mais fácil uma vaca voar do que ele ser aprovado.

 

E eis que o bom senso desse milhão e meio de eleitores chegou – depois de uma verdadeira maratona dentro do Congresso, no Tribunal Superior Eleitoral e por fim no Supremo Tribunal Federal – a encurralar o principio da presunção da inocência lá onde ele tinha mesmo que ficar: no direito penal. E a sociedade se viu enfim contemplada com a validação do principio também universal da precaução, ainda mais quando se trata, como no direito eleitoral, de eleger pessoas às quais será entregue a responsabilidade de cuidar dos destinos do país.

 

Uma vez feito mais esse avanço na vagarosa construção de uma verdadeira democracia no Brasil, chovem loas à nova lei, vindas das mais diversas e às vezes incríveis procedências. Um sólido consenso, apoiado numa significativa proporção de votos no STF, se forma no país em torno da necessidade indiscutível de uma biografia inquestionável para se ter o direito de exercer funções públicas. Ficha Limpa passou a ser um novo e importante conceito da cultura nacional. E como se todos tivessem de repente descoberto o ovo de Colombo, multiplicam-se, do nível municipal ao nível federal, novas leis estendendo essa obrigatoriedade a todo e qualquer cargo de governo, inclusive os de confiança. Fomos enfim capazes de introduzir algumas barreiras a outros tipos de barbárie, como a de se apropriar insaciavelmente de recursos que são de todos – a corrupção que hoje se escancara em todo o mundo – ou como a de se apoiar no poder conquistado pelo voto para se resguardar de condenações por diferentes tipos de crime.

 

Mas eu gostaria de analisar outro aspecto da experiência vivida. O processo de conquista da Lei da Ficha Limpa teve outro tipo de efeito, que pode vir a ser ainda mais amplo: o de dar aos cidadãos a consciência de que podem mudar as leis do país em favor da coletividade. Um pequeno artigo da Constituição de 1988, já então chamada de Constituição Cidadã, criou o instrumento da Iniciativa Popular de Lei, pelo qual uma proposta de mudança legislativa pode ser levada ao Congresso desde que um por cento do eleitorado a subscreva.

 

O primeiro uso desse instrumento – uma proposta de criação de um Fundo Nacional de Habitação Popular – ocorreu cinco anos depois. Mas o projeto correspondente levou 17 anos para se transformar em lei. Com o aprendizado da primeira, uma segunda tentativa, seis anos depois, foi mais bem sucedida: um projeto que estabelecia que perderiam seu registro os candidatos que comprassem votos – a chamada corrupção eleitoral – foi transformado em lei sete semanas depois. E passados mais dez anos a proposta da Ficha Limpa veio coroar a efetividade do instrumento, ainda que tivesse exigido oito meses para ser transformada em lei.

 

E eis que de repente, após o término da novela da Ficha Limpa, surgem por todo o Brasil, do nível federal ao municipal (nos Municípios cuja Lei Orgânica também incorporou o instrumento), projetos de lei de iniciativa popular. Nem tenho informações sobre tudo que está sendo gestado pelo Brasil afora. Mas há muitos grupos de cidadãos e cidadãs, reunidos em associações e entidades da sociedade civil, que estudam projetos visando questões que nossos Parlamentos não enfrentam adequadamente.

 

A Plataforma pela Reforma do Sistema Político, que congrega 35 entidades nacionais da sociedade civil, lançou um projeto de lei visando a Reforma Política. Todos sabemos que ela é extremamente necessária em nosso país, mas o Congresso sozinho não consegue realizá-la. Há pouco outro importante problema nacional começou a ser enfrentado também por meio de uma Iniciativa Popular: foi lançado no Amazonas um projeto de lei de Desmatamento Zero, que contesta diretamente a decisão congressual sobre o Código Florestal. Há associações que estão elaborando uma Iniciativa que limita em dois mandatos consecutivos o exercício da representação política – que uma vez transformada em profissão perverte o seu sentido. A proposta de limitar o número de mandatos está sendo inclusive levada ao nível preparatório final da 1a. Conferência Nacional sobre Transparência e Controle Social. Há grupos estudando uma Iniciativa de Lei que interdite as empresas de financiar campanhas eleitorais – que as leva a dominar em seu favor as decisões congressuais e do próprio Poder Executivo. Retomam-se também velhos sonhos como o da Tarifa Zero no transporte coletivo da cidade de São Paulo, ou o da obrigatoriedade de plebiscitos prévios à realização de obras públicas de elevado valor ou significativo impacto ambiental, previstos na Lei Orgânica desse mesmo município. Até um Poder considerado intocável como o Judiciário será seguramente um dia surpreendido por propostas populares visando corrigir as distorções que ocorrem em seu funcionamento.

 

A Constituição exclui do alcance da Iniciativa Popular mudanças constitucionais. Nada impede porem que a aspiração popular chegue ao Congresso com milhões de assinaturas e um grupo de parlamentares assuma a iniciativa de propor, apoiados nessa aspiração, um Projeto de Emenda Constitucional – PEC, nos termos da proposta popular. É o caso da iniciativa sobre o número de mandatos, que já prevê a necessidade de uma PEC, e da iniciativa resultante do impacto causado pelo drama de Fukushima, que propõe que nossa Constituição vede a construção de usinas nucleares em nosso país e determine a interrupção da construção de Angra III e o desmonte de Angra I e Angra II, livrando-nos do pesadelo dos terríveis acidentes com reatores e as gerações futuras da herança diabólica do lixo atômico.

 

Corremos na verdade o risco da banalização desse instrumento. Até porque que tais empreitadas são gratificantes mas não são fáceis. Nas duas iniciativas bem sucedidas acima citadas – contra a compra de votos e pela Ficha Limpa – levou-se um ano e meio, em cada uma, para se chegar ao 1% do eleitorado. É preciso muita perseverança. E uma vez entregue ao Congresso, a tramitação da proposta tem que ser acompanhada dentro dele pelos seus promotores, passo a passo, para que não fique, como a primeira delas, 17 anos mudando de gaveta. As vacas só voam com muito embalo… E a um período de entusiasmo e multiplicação de propostas pode-se seguir cansaço, desencanto, frustração… Precisaríamos estar bem conscientes de que só devemos lançar Iniciativas Populares se estivermos organizados e dispostos a ir até o final de um processo difícil e longo.

 

Nesse quadro alguns parlamentares já se apressam, quase afoitamente, para mudar a Constituição e facilitar as coisas para o povo. Por exemplo, criando a possibilidade da coleta de assinaturas pela Internet, que permite que se chegue mais rapidamente ao mínimo necessário. No caso da Ficha Limpa, no final do seu processo, e já entregue o projeto ao Congresso, mais 400.000 assinaturas obtidas pela Internet foram incorporadas.

 

Mas essa facilitação reduz a adesão ao trabalho de ler uma proposta e apertar um botão para expressá-la, e anula toda a dimensão educativa do processo de coleta de assinaturas. Essa coleta pode ser demorada mas é também uma pedagogia de exercício da cidadania. As pessoas que buscam assinaturas têm que estar bem cientes do que estão propondo e as pessoas que assinam só o farão se estiverem convencidas. No caso da lei contra a corrupção eleitoral foi possível criar com essas pessoas, em todo o Brasil, após sua aprovação, os chamados Comitês 9840 (número da lei), que assumiram a função de garantir que fosse realmente aplicada lá onde moravam – e mais tarde foram animadores da coleta para a Ficha Limpa.

 

Alem disso, com a coleta pela Internet corre-se com isso o risco de não se ter muita gente disposta ao demorado trabalho de acompanhar e pressionar o Congresso, durante todo o tempo de discussão e decisão sobre o projeto – no caso da Ficha Limpa foram oito meses.

 

Se o tema de uma proposta for preciso, compreensível, e corresponder a uma efetiva aspiração da sociedade, essa forma de participar do processo legislativo pode ser efetiva, como ficou demonstrado com as leis da compra de votos e da Ficha Limpa. E quanto mais o instrumento da Iniciativa Popular se consolidar no conhecimento dos cidadãos e cidadãs e passar a contar com maior apoio dos meios de comunicação de massa, os prazos podem ser mais curtos e a pressão sobre o Congresso mais forte.

 

O Senador Pedro Simon, em recente desabafo no Senado, falou de seu desencanto com o Congresso, opinando que somente a pressão da sociedade faria com que ele assumisse plenamente suas funções. Quem sabe o surgimento de um processo constituinte popular permanente possa atender à sua angustia.

O símbolo da cruz vai além da religião

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Peço licença aos leitores deste blog para tratar de uma questão que, embora cause polêmica numa cidade gaúcha, talvez interesse, especialmente, aos leitores católicos. Aos que prezam as tradições do Rio Grande do Sul, com certeza, ficarão revoltados. Refiro-me ao ocorrido no município de Santo Ângelo, situado na encosta ocidental, região noroeste do planalto médio do estado, fundado em 1706 pelo padre belga Diogo de Haze. O então Sant’Angelo Custódio foi consagrado ao Anjo Custódio das Missões, considerado o protetor de todos os povos missioneiros. Não faz muito, causou espanto por aqui, a retirada dos crucifixos presentes nos prédios do Judiciário gaúcho por determinação do Conselho da Magistratura. Foi uma decisão unânime dos conselheiros, atendendo a pedido da Liga Brasileira de Lésbicas e entidades de defesa dos direitos dos homossexuais. A explicação para a atitude dos conselheiros não me convenceu: o estado é laico. Logo, não pode manter símbolos religiosos.

 

A mesma “justificativa” esfarrapada foi dada agora para a retirada da cruz missioneira da frente do quartel do 1o Batalhão de Comunicações do Exército, em Santo Ângelo, presente há 18 anos no local. A cruz missioneira ou cruz de Caravachia, foi trazida para o Rio Grande do Sul pelos padres jesuítas em 1626, durante a colonização do Brasil. Alegadamente, essa cruz teve origem numa espada usada pelos espanhóis durante as Cruzadas, na Idade Média. Já o tenente-coronel Luiz Carlos Damasceno, que o texto de Zero Hora, lido por mim, não esclarece se é o comandante do 1o Batalhão de Comunicações ou apenas um porta-voz do comando, tenta justificar a retirada dessa cruz, dizendo que, embora a fé seja valorizada pelos militares, o Exército é uma instituição laica e de todos. Prefiro ficar com a opinião da professora do curso de História da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões Nadir Damiani a respeito de mais esta polêmica provocada na cidade, que faz parte dos Sete Povos das Missões, pelos defensores do laicismo. Disse ela: “O símbolo da cruz vai além da religião. A cruz é uma referência à origem dos nosso povo, à nossa História”.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Avalanche Tricolor: Deu para sorrir

 

Fortaleza 0 x 2 Grêmio
Copa do Brasil – Fortaleza (CE)

 

 

Sabe quando você está naqueles dias em que nada dá certo? Uns falam em inferno astral, outros em onda de azar. É a fase, comenta o amigo. Vai passar, consola o colega. Tudo bobagem da sua cabeça, ouço em tom de reprimenda. Seja como for, quando se está nessa é sempre bom procurar uma boa notícia ou um fato que possa ser animador. Quem sabe dar um cavalo de pau na história que nos ajude a enxergar um novo horizonte. A vitória do Grêmio nessa noite de quarta-feira tem um pouco esse efeito. Quando você vê que aquela bola que tinha tudo para explodir nas arquibancadas lá atrás do gol se transformar em um golaço, abre-se uma perspectiva diferente. Refiro-me ao lance protagonizado por Marco Antonio, um meio-campo que ainda não se firmou na equipe, mesmo tendo chegado com boas recomendações após o futebol que apresentou na Portuguesa. Pegou de voleio ou de sem-pulo, acho que é assim que chamam aquele tipo de chute, na entrada da área e enfiou no ângulo. Se você ainda não viu a jogada, vale procurar na internet (ou clique aqui). Eu vi, revi e voltei a ver mais algumas vezes. Era de um lance assim que estava precisando para levantar o astral. Não que o futebol seja capaz de mudar a nossa vida, mas quando estamos a procura da alegria confiscada o prazer de uma vitória é sempre bem-vindo. Sendo assim, obrigado Grêmio – e Marco Antonio e Marcelo Moreno – pelo sorriso no rosto.

Brasil potência econômica dá frutos

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

D.O.M. é o quarto melhor restaurante do mundo. Façanha significativa para uma gastronomia jovem em comparação aos concorrentes, ícones da cozinha internacional com acervos seculares. Mérito de Atala, o combativo e criativo “Chef”, que tem apostado no país como potência cultural e econômica.

 

O reconhecimento internacional através dos mais variados rankings e premiações, embora discutíveis para alguns quanto a validade, são indiscutíveis quanto aos resultados mercadológicos que proporcionam. E, certamente, esta colocação obtida em Londres no The World’s 50 Best Restaurants seguirá a tendência, consolidando os “gritos, assobios e aplausos” descritos no Estadão de ontem, recebidos por Alex Atala ao subir ao palco.

 

Tudo indica que as marcas brasileiras começam a ganhar o desejado espaço perante o mundo civilizado em áreas até então inacessíveis. Setores diversos, produtivos e de serviços deverão usufruir desta força Brasil que ostenta um PIB entre as seis maiores potencias mundiais.

 

Foi assim em outras nações. O Japão foi respeitado culturalmente, pela gastronomia, pela moda, pelo cinema após o fortalecimento de sua economia. A Espanha também. A Zara é um dos exemplos, assim como a gastronomia espanhola passou a ser mais percebida e todos os demais setores culturais.

 

Chegou a nossa hora. O esforço que setores como o futebol, o musical, o agropecuário e marcas como H.Stern, Alpargatas e Natura tiveram que fazer para se transformar em respeitadas instituições brasileiras globalizadas poderão sinergizar o apelo Brasil de agora e preparar marcas nacionais potenciais para o desafio internacional.

 


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung

Caro e raro leitor,

 

Volto ao ar nessa quarta-feira após uma semana afastado para reorganizar a vida que ficou um tanto confusa depois que tive minha casa invadida por uma quadrilha, meus dois filhos e dois empregados rendidos e pertences roubados. A casa sempre considerei reduto privado de nossa família, onde compartilhamos sentimentos e intimidade, por isso tê-la invadida é uma violência moral muito mais do que patrimonial. Ver seus filhos atingidos por esta violência, assim como funcionários que há décadas têm sua confiança, provoca indignação. Há uma sensação de injustiça que incomoda muito, mas costumo dizer sempre aos meninos que quando nascemos ninguém nos prometeu um mundo justo. Cabe a nós mesmos transformar este cenário agindo com respeito, inteligência e solidariedade – nunca com a mesma violência. Fiquei afastado do programa na CBN, por gentileza da emissora que entendeu meu momento. Não atualizei o Blog nem mantive minhas conversas pelo Twitter porque me faltava vontade de dizer algo. Por alguns dias a impressão é de que tinham roubado minhas palavras e alegria. Aos poucos, ambas estão voltando, graças a Deus. Estamos traumatizados ainda, o que é de se esperar em situações como essa, mas nos recuperamos bem com o apoio de muitos amigos que nos abraçaram das mais diferentes formas. A todos vocês, nosso agradecimento.

De download e update

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Olá,

 

todos os meus corpos, seguindo a linha eletrônica dos tempos modernos, passam navegando na dispensa do plano expandido em que estamos vivendo, buscando novos programas e atualizações. É um tal de escolher, baixar e atualizar, sem trégua. Na sequência de um download bem sucedido, quando há boa conexão, vem o procurar saber exatamente para o que serve, entender o funcionamento, experimentar, experimentar e, comprovada a afinação entre o programa, minha plataforma e a real necessidade de sua aplicação, começar o treinamento. Acerto e erro, inevitáveis, dão um empurrãozinho na compreensão. Treinamento leva a aproveitar cada característica, e por fim vem a escolha dos feijões: este fica, este vai. Deleta daqui, instala dali e vou me acostumando, rejeitando, esperneando cada vez menos e aproveitando cada vez mais.

 

Tempos difíceis estes. O processo exige atenção, flexibilidade, disponibilidade e principalmente mansidão. Nada de atirar o computador no lago se a gente se embreta. “Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia. Tudo passa, tudo sempre passará. A vida vem em ondas como um mar, num indo e vindo infinito…” e não me canso de citar um dos meus filósofos favoritos, o Lulu Santos.

 

Fico matutando na quietude e imobilidade da cadeira no meu terraço, olhando os passarinhos que vêm reivindicar bananas ou apenas cantar bom dia, ou no ritmo do que se apresenta ao longo do dia:  lavando a louça, inventando uma receita gostosa para o almoço, com o que encontro na geladeira, ajeitando a cama de manhã para o quarto ficar semi-apresentável para mim mesma, dando aulas, indo daqui para lá, escrevendo,  limpando, lendo, estudando, preparando um café com cheirinho de afeto para alguém que amo; e matuto. Será que são os tempos que mudam? Não faz sentido. Acredito que quem muda somos nós. Cada um no seu ritmo, na velocidade que consegue desenvolver sem dar com as guampas no poste e principalmente segundo o seu impulso. Não adianta estrebuchar tentando instalar um programa no outro. A coisa é pessoal. Ou a gente faz ou não faz. E se faz, e quando faz, aí sim pode, não intencionalmente, influenciar o outro a matutar também e, se for o caso, entrar na dança e começar a escolher os seus programas, baixar ou não, experimentar ou não. Mas, definitivamente é cada um por si e Deus por todos, apesar de que a união também faz a força muitas vezes, mas não sempre.

 

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

 

Maria Lucia Solla é professora, realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung