Nos feriados, a violência nas estradas

 

Os feriados, tanto o do Natal quanto o do ano-novo, tratando-se de trânsito, são altamente preocupantes. É a época em que mais ocorrem desastres em nossas estradas. Não lembro de ter ouvido ou lido notícia, como a do dia Quinze de Novembro, por exemplo, data na qual as Polícias Federal e Estadual esforçaram-se, com aumento de seus efetivos e uso de radares, visando a evitar o excesso de velocidade nas rodovias sob suas jurisdições. Motoristas irresponsáveis, quando tomam conhecimento de que as autoridades estarão mais atentas do que normalmente e prometendo punir os infratores, tendem a respeitar um pouco mais, pelo menos, as leis de trânsito. Não sei se a ausência de noticiário acerca do assunto pode ter influenciado na transformação do feriado natalino deste ano no mais violento desde 2001. O jornal gaúcho Zero Hora contabilizou, do meio-dia da última sexta-feira até o meio-dia de ontem, 24 mortes, oito por dia, em rodovias e vias urbanas. O acidente mais grave foi o que vitimou cinco pessoas de nacionalidade argentina que viajavam, de férias, para Santa Catarina.

Outro feriado vem aí e o número de carros nas rodovias que levam às praias e à Serra tende a ser bem mais alentado do que em 2010, tantos foram os veículos vendidos pelas concessionárias em razão do crédito fácil que proporcionou a muitas pessoas trocarem os seus usados por novinho em folha ou adquirirem o seu primeiro carro. Esses últimos, em geral recém saídos de auto-escolas, mas que se acham “os caras”, são os mais propensos a abusar da velocidade. Tirei minha primeira carteira de motorista com 18 anos – estou com 76 – mesmo assim procuro ser cada vez mais cuidadoso. Não gostei que a nossa “Free Way” tenha sido liberada para que se dirija a 110 quilômetros por hora. Nem todos os que vão pegar a estrada nesta passagem de ano estão com condições de pilotar nesta velocidade. Seja lá como for, sugiro que os motoristas, mesmo os mais experientes, passe os olhos nos jornais dessa semana e prestem muita atenção nas fotos que estampam como ficou a van da família argentina depois do choque com um ônibus.

Brasil: bom na produção, mau na distribuição

 

Por Carlos Magno Gibrail

Dim Dim!

Vaidade e humildade são tudo que precisamos neste momento em que passamos a ocupar a sexta posição no ranking mundial do PIB. Estar atrás apenas dos Estados Unidos, China, Japão, Alemanha e França na produção de riquezas é tão importante quanto ter preenchido o lugar do Reino Unido – potência econômica e política mundial que liderou globalmente de 1820 até a primeira Grande Guerra, quando apresentava um PIB 12,4 vezes o brasileiro.

Previsto inicialmente pela EIU Economist Intelligence Unit da revista The Economist e pelo CEBR Centre for Economics and Business de Douglas Mc Williams, o avanço nacional foi ratificado pelo FMI ao informar que o PIB do Brasil atingirá US$ 2,51 trilhões e o britânico US$ 2,48 trilhões.

É um feito inédito que merece ser olhado como tal. O fato da concentração de renda fica mais visível e mais premente à solução. Se levamos 92 anos para tirar uma diferença de mais de 12 vezes, vamos certamente precisar de tempo menor para empatar uma distância de 3,2 vezes. É o que indica os US$ 39 500 de PIB per capita britânico contra US$ 12 500 de PIB per capita brasileiro. Como o aumento per capita não garante a distribuição mais humana, vamos precisar encarar a tarefa com humildade e determinação.

Corrupção, corporativismo, incompetência administrativa, terão que ser combatidas com educação, saúde, habitação. É hora de agir, mesmo porque o ano de 2015 está aí e o FMI sinaliza que até lá seremos a quinta potência econômica do mundo. 2011 fica na história do nosso país quando a economia ocupa o lugar do futebol, ainda que não percebida por Douglas Mc Williams, o CEO do CERB. Ele ainda nos vê derrotando os europeus.


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung


A imagem deste post é da Galeria de CRLSE (Carlos Eduardo), no Flickr

Um erro, apenas um erro

 

Miriam e Abelardo haviam planejado a viagem aos Estados Unidos há alguns meses. Levariam os filhos pela primeira vez na classe executiva, presente pelo ótimo desempenho escolar de ambos. Passagem comprada, hotel acertado e restaurantes reservados, há um dia de partirem descobrem que o visto americano de um dos garotos tinha expirado e o passaporte do outro, também. A primeira providência foi adiar a partida, renegociar preço e providenciar a burocracia esquecida, na torcida de que ainda houvesse chance de embarcar antes do fim das férias do casal. Assim que a família soube do caso começaram os palpites. “Se não foram é porque não era para ir” disse a tia mais velha do alto de seu conhecimento filosófico. A crente não se conteve: “Talvez seja um sinal de Deus, meus filhos”. “Não lute contra o destino”, preveniu outra ao ver o esforço do casal para remarcar a viagem. Pelo sim e pelo não, eles não se contiveram e ficaram colados na internet a espera da notícia de um desastre aéreo do qual teriam escapado. Não aconteceu nem no dia que seria da ida nem no que seria da volta. Ainda bem, pensaram envergonhados. Mas quem sabe o destino estava apenas preparando uma armadilha e o mal sinal viria nas datas remarcadas, pensou em voz alta um amigo do casal. Por que não deixamos pro ano que vem? Com destino não se brinca? – perguntavam-se todas os dias em busca de uma resposta para o erro infantil que havia causado tanta frustração bem no início das férias. Com documentação regularizada e passagens e estadias revistas, começavam a se convencer de que tudo não passava de coisa de gente supersticiosa até que chegou o dia de embarcar e o medo voltou. Rezaram, pediram apoio dos mais próximos e com o coração na boca seguiram viagem, aproveitaram até onde puderam e, dias depois, pegaram o avião de volta. Enquanto não tocaram o solo mais um vez, não se acalmaram. A qualquer momento a profecia poderia se concretizar. Em casa, deitados lado a lado, enquanto os meninos se divertiam com as compras no exterior, o casal caiu na gargalhada. Sinal celestial? Recado do além? Superstição? Coisa nenhuma ! Foi, sim, uma baita c….. – definiu Abelardo. Um erro, apenas um erro – resumiu com mais sensibilidade Miriam.

Acertos e tropeços nas compras online

 

Os tropeços da Americanas.com e Submarino, que andam sob o guarda-chuva da B2W, deixaram os brasileiros desconfiados com as vendas pela internet. Muita gente tem medo de comprar e não levar, ao menos não levar no dia marcado, principalmente próximo de períodos de alto consumo como o Natal – falhas deste tipo são corriqueiras no Brasil. Semana passada, ainda de férias nos Estados Unidos, depois de não encontrar nas lojas dois produtos, recebi a sugestão de encomendá-los pelo site. Mesmo desconfiado, encarei a proposta e fechei a compra com duas empresas diferentes. Ambas fizeram a entrega na hora, data e local corretos, dois dias depois. Dentre o dia da compra e da entrega, recebi e-mails da empresa que vende e da que entrega o produto para que eu monitorasse o envio. Alguém pode dizer que foi sorte de iniciante, mas não há como negar que a confiança no e-commerce americano é muitas vezes maior do que no Brasil.

Apesar das diferenças, os americanos têm historias incríveis sobre problemas no serviço de entrega, algumas que aconteceram recentemente. Na primeira, um funcionário da FedEx, aparentemente sem paciência, faz uma “entrega rápida” de um monitor de vídeo, apenas não imaginava que tudo estava sendo registrado pela câmera de segurança da residência. Com o monitor quebrado, o consumidor publicou as imagens no You Tube que, em poucos dias, foram vistas por mais de 5 milhões de pessoas, levando a empresa a fazer um pedido de desculpas público através de seu vice-presidente de operações Matthew Thornton, além de pagar indenização:

Na segunda, o entregador é da UPS e também estava com pressa. Não se sabe se a encomenda sofreu algum prejuízo, mas com certeza a imagem da empresa, sim:

De momentos felizes

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça “De momentos felizes” na voz e sonorizado pela autora

“Mas quando chegamos ao ponto em que nossas vidas assumem sua forma final, como um romance, somos perfeitamente capazes de identificar nosso momento mais feliz, que selecionamos em retrospecto…”

Orham Pamuk é turco de Istambul. É escritor vencedor do Nobel de Literatura de 2006, e seus ensaios e romances têm sido traduzidos para mais de quarenta idiomas. Pois bem, é um de seus romances, o museu da inocência, que estou lendo, e que está me pondo em ebulição. Não leio mais de duas páginas e me vem de escrever. Tenho o hábito, (necessidade, compulsão) de escrever nos livros. Leio e escrevo ao mesmo tempo nos espaços em branco, reflito, discuto, salto, sobressalto, choro e rio, e meu plexo solar não para de dançar. Desenho flechas, sublinho e/ou ressalto de amarelo os trechos que me tiram do chão. Ler é magia, terapia, é alçar voo sem sair do chão, nas asas dos anjos. É ir e voltar, é ficar por horas em todo lugar e em lugar nenhum. Ler é viver muitas vidas além daquela do mundo que se pode tocar, é desligar o piloto-automático. Ler é malhar o eu infinito.

E por falar em infinito… enfim, estou lendo o museu da inocência, sentada na frente da loja de conveniência do posto BR da minha vizinhança, rabiscando sem parar, enquanto seu João, o frentista filósofo, troca o óleo do meu carro. A frase que abre a minha reflexão de hoje literalmente me tirou do chão e do quase marasmo sugerido por uma tarde escaldante de sol que vai levando, gota a gota a umidade do ar.

Meu coração acelera, me ponho em estado de alerta e me atiro sem medo na vertigem da viagem que me conduz aos momentos mais felizes da minha vida. Me sinto uma lâmpada acesa no modo econômico, que num piscar se acende feito farol de ilha. Tudo em mim acorda e eu me entrego à experiência.

Na bagagem da volta repentina, puxada pelo frentista que me disse alguma coisa sobre um filtro qualquer, veio um sorriso que não quer me deixar. Não tenho dedos suficientes, contando os das mãos e os dos pés, para enfileirar meus momentos felizes. Estão todos aqui, me dou conta. Posso reviver cada um deles porque moram em mim, e não em algum lugar do passado. Não em algum lugar do futuro.

Momentos felizes me acordam os sentidos, reforçam minha consciência de modo que me faz sorrir e chorar.

E é o que eu desejo a você, meu caro e raro leitor – plágio! -, no momento do ano em que sentamos à beira do caminho, sozinhos ou cercados de gente, para respirar, olhar para trás e para frente. Que você, neste clima de festas, deixe que o coração te leve na retrospectiva da tua própria vida, parando nos pontos onde moram as memórias que possam fortificar tua garra para seguir em frente.

Que haja muito riso, muita alegria e muita caída de ficha.

Que os momentos felizes não sejam ignorados pela pressa de cumprir o trajeto, mas que possam criar um roteiro novo, corajoso, valente.

A você, um Feliz Natal!


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Os 5 desfiles mais empolgantes de 2011

 

Por Dora Estevam

Este ano os desfiles ficaram mais fascinantes com a mistura de modelos, cantores e muita moda. Aqui nesta coluna, nós publicamos vários desfiles ao longo do ano. Inverno ou verão, todos tiveram o seu charme. Como estamos fechando o ano, achei interessante postar alguns dos meus prediletos. Contou figurino, cenário, convidados e alta produção.

Um dos desfiles que me chamaram muito a atenção foi o último da Victoria Secret, em novembro. A produção com vários cenários, modelos lindíssimas, olorido fantástico e muitos cantores convidados. E o mais charmoso de todos o grupo Maroom5, especialmente a hora em que o vocalista Adam Levine, namorado de uma das modelos, rouba um beijo dela em pleno desfile, pra mim foi o auge. Aperte o play e relembre como foi.

Outro desfile carregado de muita beleza foi o da coleção verão 2012 da grife Chanel. Num cenário todo branco, as modelos produzidas com pequenas pérolas nos cabelos desfilando entre as conchas. E a presença da cantora Florence, o que foi aquilo. Ela é maravilhosa!

Um desfile-filme diria sobre a apresentação da grief Mugler para verão 2012. Ao fundo, o filme de Inez e Vinoodh contendo um remix exclusivo de “Black Jesus, Moda Amém”. Para compor com o tema da coleção que falou sobre a emoção de algo abstrato. Veja lá:

O que dizer dos brancos com dourados da marca Balmain, para o verão 2012. Adorável!

Para finalizar, o grande carrocel de Louis Vuitton de Marc Jacobs, com aparição da charmosa e polêmica Kate Moss.

E você, já fez a sua escolha? De desfile e de roupa ?

Um bom Natal!


Dora Estevam é jornalista e escreve, aos sábados, sobre moda e estilo de vida, no Blog do Mílton Jung

Seremos chamados a Cumprir Nossa Verdadeira Missão

 

Daniel Lescano
Em comentário neste Blog

Começou a contagem regressiva para o final de mais um ano. E por sinal, a contagem começa praticamente em outubro quando as primeiras árvores de Natal começam a dar as caras na cidade. Culpa do comércio talvez, mas não precisamos entrar nessa onda. Como vivemos numa correria, ultimamente estamos nos adiantando nas nossas comemorações. Se pudéssemos, o ano acabaria em outubro. Afinal, sempre nos apegamos com essa idéia de que com a virada de ano nossos problemas também acabariam junto com o ano que está indo embora. Como se nossa Missão terminasse a cada final de ano e recebêssemos o Certificado de Missão Cumprida. Quando chega a meia noite respiramos fundo e comentamos: Vou começar outra Missão.

Mas será que a nossa Missão termina quando acaba um ano e começa quando se inicia um novo ano? Que Missão é essa que fazemos tudo na correria sem prestar atenção em quem está ao nosso redor? Olhando só para nós mesmos?

Mal começa o ano e já nos programamos: vou estudar inglês, batalhar um novo cargo, comprar um carro novo, casar, ter filhos, educar os filhos, fazer a tão sonhada plástica, viajar, passar o Carnaval na Bahia, a Páscoa na Argentina, as férias nos EUA, e o próximo Ano Novo na praia. Ufa ! Que Missão que fiz para mim. Mas Deus vai me ajudar nessa minha Missão. Missão ou plano pessoal? Nossa Missão neste planeta é muito maior do que esses planos pessoais do dia-a-dia.

E por falar em Missão me lembro de um texto belíssimo de Clarice Lispector que resume bem o que significa a palavra Missão:

Cada ser humano recebe a anunciação e, grávido de alma, leva a mão à garganta em susto e angústia. Como se houvesse para cada um, em algum momento da vida, a anunciação de que há uma Missão a cumprir. A Missão não é leve. Cada homem é responsável pelo mundo inteiro”

Neste lindo texto, o que me chama atenção é que a nossa Missão não se resume em satisfazer nossos planos pessoais apenas, somos responsáveis pelo mundo inteiro e por isso nossa Missão não é leve. Deus não nos daria sabedoria e inteligência para cumprirmos apenas aquilo que fazem parte do nosso mundinho material. Mas como vivemos num mundo apressado e veloz não nos damos conta da nossa importância nesse Mundo. E por sermos tão importante nesse Planeta é que devemos encontrar a nossa verdadeira Missão para darmos sentido à nossa vida. Desejo que em 2012 você receba sua anunciação de que há uma Missão a cumprir. E “Grávido de Alma” faça mais pelo próximo do que suprir suas necessidades imediatas desse mundo moderno e apressado onde o “Ter” está cada vez mais forte do que o “Ser”. A lição Jesus Cristo nos ensinou há tempos quando fez da sua Missão que recebeu de Deus um exemplo de vida para todos nós.

Feliz natal e um 2012 repleto de paz !

Meu pedido de Natal para São Paulo

 

Post escrito para o Blog Adote São Paulo

 

Natal na música - Shopping Aricanduva

Quando o Natal chegar, estarei voltando a São Paulo com a família, marcando o fim das férias que nos deixaram ainda mais próximos. Algumas horas após aterrissar na capital e sem muito tempo para desfazer malas, começarei a pensar no primeiro dia de retorno ao trabalho, na segunda-feira, dia 26, em ritmo de plantão de Ano Novo – os jornalistas sabem o que significa uma redação nestas condições, com pouca gente fazendo muito e todos cruzando os dedos para que nenhuma tragédia apareça. Estive longe da cidade nestas últimas semanas, mas acompanhei pela internet a movimentação intensa dos dias que antecederam o Natal. Ruas, avenidas, estacionamentos e corredores de shopping congestionados. Lojas abrindo mais cedo e fechando mais tarde com vendedores e compradores estressados. O cenário de todos os anos, apesar de sempre termos a impressão de que neste foi pior.

São Paulo voltou a se iluminar, em especial os grandes prédios e algumas vias. A prefeitura colaborou para incrementar o visual natalino e deixou alguns espaços até que bem interessantes. Moradores esticaram fileiras de lâmpadas e ensaiaram uma decoração nem sempre com o melhor resultado, mas com a melhor das intenções. Aqui em Nova Iorque, de onde escrevo este post, os exageros também existem, mas parecem combinar mais com a cidade e o tipo de vida que os americanos levam. Apesar de alguns penduricalhos bregas, as vitrines das lojas são bem mais criativas do que na capital paulista e também estão cheias. Ruas e calçadas estão tomadas de gente, pois mesmo que o dinheiro esteja escasso no País, não faltam turistas – brasileiros estão aos montes por aqui.

Cada vez que visito a cidade – boa parte do tempo fico em uma casa distante de Manhatan e da confusão – noto que o pedestre e o ciclista ganham mais espaço com vias importantes tendo as pistas estranguladas aos automóveis, estacionamentos públicos desaparecendo e carros sendo obrigados a esperar uma leva de pessoas atravessar, quase sempre na faixa de segurança. Me impressiona ver o respeito dos motoristas ao fazerem a conversão, mesmo que muitos deles demonstrem impaciência (principalmente os taxistas que me conduzem). Em boa parte do caminho, há sinalização para o respeito à bicicleta e faixas segregadas.

Este clima todo me inspirou a escrever uma cartinha e deixá-la embaixo da árvore de Natal:

“Papai Noel,

Sei que a cidade de São Paulo não se comportou como o senhor gostaria, neste ano. Nossas notas na escola não foram muito boas, nem cuidamos tanto assim da saúde como o senhor sempre recomenda. Não ocupar o espaço que é dos outros e compartilhar o que é de todos foram tarefas que esquecemos de realizar muitas vezes. Sem contar nossos administradores que pareciam mais preocupados com seus problemas do que com os da cidade. Mesmo assim, quero pedir ao senhor que não nos esqueça neste Natal. E, se for possível, dê uma bicicleta de presente para São Paulo, tenho certeza de que com ela nosso prefeito ficará mais próximo das pessoas, vai enxergar os buracos nas ruas, as calçadas irregulares, o lixo espalhado, o bueiro fechado, a multidão de indigentes e drogados, e, claro, como uma cidade que dá preferência a pedestres e ciclistas tende a ser uma cidade melhor.

Feliz Natal !”

Exultação

 


Por Suely Aparecida Schraner
Ouvinte-internauta da CBN

Exultais povo de São Paulo que habitas na capital. Exultais e fotografais todo o brilho e parafernália da avenida mais famosa, com seus carros “bibelôs de asfalto”.

Árvores a competir em tamanho e grandeza vos contemplarão do alto dos seus patrocinadores. Tudo o que reluz é ouro? Ouvireis jingle e buzinas a cada esquina. Exultais. É chegada hora da messe e aquisições por impulso. Xing Ling ou não, os sinos badalam em sua glória.

Exultais ainda que sejais contristados por várias provações no trânsito caótico, sob um sol incandescente. Um rebanho a clamar pelo tempo que se foi e pelo ano que já vem. A luz emoldurará as cãs e a neve da decoração surreal refrescará toda alma natalina.

A falta de bois, jumentos, reis ou incenso será compensada com lojas abarrotadas e apelo irresistível. Não reduzireis o consumo. Não reutilizareis as embalagens. Não reciclareis os resíduos. Não recusareis o que não é necessário. Entretanto, repensais esta atitude e sereis perdoados de todo egoísmo praticado no ano que se vai.

Os fogos espocando e suas luzes, como idéias reluzentes, acalentarão corações e mentes. Exultais e também orais. Com o advento da temporada das chuvas e das enchentes, virão escorregamentos. Na São Paulo de inundações, o medo das bactérias da urina do rato, será ofuscado pelo brilho incontido das luzinhas multicoloridas.

Exultais que por ora, prevalece o espírito natalino. Exultais que neste advento, as doações são mais generosas e os sentimentos mais fraternos. Exultais que é tempo de celebrar.

Exultais e orais, para que o festim pantagruélico, não corroa o fígado cansado de guerra. Orais para que se precisar, os doutores estejam lúcidos e não transformem seu diagnóstico em simples virose.