Megaengavetamento: testemunho e apelo

 

Por Carlos Magno Gibrail

Quinta feira eu estava na Serra do Mar no exato momento em que ocorreu o maior engavetamento da história do caminho do mar bandeirante.

Salvo pelo GPS que indicou a Via Anchieta, testemunho que a cena da Imigrantes não se repetiu ali porque a estrada já estava congestionada. Ainda assim pude vivenciar a sensação de total horror ao perceber que as carretas carregadas que vinham atrás quase colidiram com o meu veículo.

Não se enxergava nada, calcula-se apenas 10m, e não havia acostamento suficiente. A solução era andar muito devagar e manter uma distância dos gigantes que lotavam o leito da rodovia. Mesmo porque nas pequenas arrancadas era visível a impaciência dos motoristas, coisa de doido, ou de cegos, porque quem não enxergasse que visibilidade não havia boa visão não podia ter.

Neste quadro não ficou nenhuma dúvida que a velocidade, tão combatida no ambiente urbano, é fatal nas rodovias. Mesmo porque ficamos diante do absurdo de habilitar motoristas sem treinamento para rodovias. Muito menos para situações de extrema dificuldade como grandes temporais e cerrações agudas.

As placas de advertência, o alerta dos policiais, não irá resolver. O apelo sério é que haja habilitação específica. Embora a solução definitiva seja desmitificar a generalidade da habilidade de dirigir. Quem disse que todos os cidadãos estão aptos para o volante? Ao mesmo tempo em que cada vez mais se cuida para que o trabalho, seja manual ou intelectual esteja sendo executado por pessoas potencialmente capazes e de personalidade adequada ao seu desempenho, entregamos habilitação e uma arma feroz, para qualquer um que passe num exame incompleto.

E, a técnica está propondo outro modelo, pois a Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego) avaliou através do seu diretor e chefe do departamento de medicina de tráfego ocupacional Dirceu Rodrigues Alves, que o principal fator negligenciado no acidente foi a velocidade. Assim como a não exigência aos motoristas, de habilidades em situações desfavoráveis.

A complexidade do trânsito de hoje não pode ignorar o preparo para enfrentá-lo.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve no Blog do Mílton jung, às quartas-feiras.

Menos carros e mais cidade

 

Foi nosso colega de redação Gabriel Dudziak que encontrou o artigo a seguir, assinado pelo arquiteto e urbanista Itamar Berezin, no qual destaca a relação entre a arquitetura e o aumento no número de carros nas cidades brasileiras. Na Semana da Mobilidade em que se discute o impacto do automóvel e a necessidade de diversificarmos os modelos de transporte, o texto nos ajuda a refletir sob um outro ponto de vista:

O problema do trânsito nas grandes cidades é um tema que cada vez mais ganha voz na discussão de diferentes setores. Em meio a tantas conversas, muitos são os motivos apontados para o caos que parece não ter mais solução. Mas o que alguns ainda não se atentaram é que o setor da construção e arquitetura também influencia não somente no crescimento das metrópoles, mas, também, na quantidade de carros que circulam nelas.

Em uma cidade como São Paulo, que possui mais de 11 milhões de habitantes, o uso dos automóveis é uma verdadeira cultura. São cerca de 3,5 milhões carros emplacados e circulando na capital, além daqueles que vêm de fora e entram na cidade todos os dias. Mas há espaço para toda esta frota de veículos?

Buscando atender esta demanda, escritórios de arquitetura e construtoras têm projetado prédios que contemplam um número maior de vagas por exigência da legislação, agravando ainda mais a já complicadíssima situação do trânsito. Por exemplo: dentro do segmento da construção civil, para projetos de prédios comerciais, é aconselhado seguir uma regra básica legal de disponibilizar uma vaga para cada 35m² de área construída.

Um edifício que possui 2 mil m² de área construída, por exemplo, deveria ter, em média, 57 vagas em sua garagem. Mas não é exatamente isso que vem acontecendo. Orgãos governamentais solicitam, quase sempre, a construção de garagens com um número maior de vagas. Para diversos empreendimentos, a justificativa usada é a de que grande parte das pessoas virá trabalhar com automóvel. Isto nos remete a outro problema. Atualmente, temos um crescimento horizontal da capital paulista em função do atual plano diretor municipal, e não da verticalização com edifícios, como muitos acreditam. São Paulo tem menos de 20% de seu território verticalizado.

Com um mercado imobiliário altamente inflacionado, tanto em novas unidades como usados, as pessoas são obrigadas a sair da região central da metrópole, em função dos altos preços praticados. Temos, então, um ‘congelamento’ da cidade e uma redução do seu crescimento, já que a maioria das pessoas cada vez mais estão obrigadas a procurar alternativas fora de São Paulo e vem à capital somente para trabalhar, fazer compras, cumprir compromissos…

Isso causa um aumento da circulação de carros diariamente e, consequentemente, maiores congestionamentos, mais poluição do ar e uma significativa diminuição da qualidade de vida. Só para se ter ideia, o individuo que opta por tomar um ônibus para ir para trabalho, ao invés de ir de carro, reduz para um décimo o impacto ambiental provocado pelo automóvel no trajeto. Sem dúvida, pesados investimentos para oferecer um transporte público abrangente e de qualidade precisam ser realizados. Mas, infelizmente, São Paulo está ainda longe de oferecer estímulos reais para o cidadão deixar o carro na garagem ou conseguir morar próximo do seu local de trabalho. Bons exemplos estão mais próximos de nós do que imaginamos.

Saindo do lugar comum que toma como referências grandes metrópoles como Paris, Londres ou Nova York, que são de países desenvolvidos, podemos citar a Cidade do México. A capital possui um sistema de metrô com mais de 200 km de trilhos, que atende a cinco milhões de pessoas diariamente e custa menos que 40 centavos de Real. Já a malha do metrô paulistano tem modestos 70,5 km de extensão. Com um transporte público bem-estruturado e que incentiva o uso regular de bicicletas por meio de ciclovias, a Cidade do México conseguiu tirar milhares de carros das ruas e, assim, sair da lista das dez cidades mais poluídas do mundo. Se persistir esta situação, teremos nos próximos 10 ou 15 uma estagnação do crescimento habitacional, mas ainda com demandas crescentes de transportes e serviços. Assim, veremos São Paulo passando por uma situação que já acontece em outras grandes capitais no mundo que é a falta de capital para continuar investindo em melhoramentos.

Conte Sua História de SP: Sonho de Almodovar

 

Nascer no interior do Ceará e ter de abandonar seu vilarejo aos três anos de idade com os irmãos porque o pai tinha medo de que os avós ficassem com eles após a morte da mãe. Deixar uma tia, ainda menina, para viver com um homem que acabara de conhecer enquanto ia até a farmácia. Dar as costas a tudo isso e vir morar em São Paulo para fazer pés, mãos e cabeça de ricos e famosos em um salão de beleza. Trechos de uma história cinematográfica contada pela sua protagonista Maria Floriceia Piovan, que aos 50 anos quer levar para as telas os momentos marcantes de sua vida. O roteiro ela própria escreveu, após ler muitos livros sobre o assunto. Mas não entregará para qualquer um, sonha em ver o filme dirigido por Pedro Almodovar, o Pedro, como se refere ao diretor espanhol.

Ouça esta história contada por Floriceia Piovan, editado pela Juliana Paiva e sonorizado por Cláudio Antonio.

O depoimento de Floriceia foi gravado pelo Museu da Pessoa. Você pode contar a sua história de São Paulo, também. Marque uma entrevista em áudio e vídeo no site do Museu da Pessoa ou envie um texto para milton@cbn.com.br.. O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, logo após as dez e meia da manhã, no CBN São Paulo.

Memória nos muros de São Paulo

 

O muralista e artista plástico Eduardo Kobra fez uma nova obra de seu mais antigo projeto em São Paulo, o “Muro das Memórias”. O trabalho, na av. Hélio Pelegrino, mostra uma cena da década de 30. Segundo Kobra, alguns dos personagens do mural olham para fora, “como que cobrando as pessoas de hoje sobre as transformações sem planejamento que prejudicaram a cidade de São Paulo”. Além de Kobra, participaram do trabalho outros três artistas do Studio Kobra: Agnaldo Britto Pereira, Marcos Rafael dos Santos e Andressa Munin Duarte.

A greve dos correios e as contas a pagar

 

Hoje, no Jornal da CBN, falamos sobre o impacto da greve nos Correios e o prejuízo que os clientes podem ter com as contas que não chegarem em tempo para serem pagas. Recebi depois do programa, a mensagem de Marli Aparecida Sampaio, ex-diretora do Procon de São Paulo, atualmente na ONG SOS Consumidor, sugerindo a leitura a seguir que esclarece muitas das questões envolvendo a paralisação dos carteiros. O artigo foi escrito pelo professor universitário e desembargados do Tribunal de Justiça Rizzatto Nunes:

Tenho sempre referido os correios no Brasil como exemplo de serviço de alta
qualidade e eficiência. Ou, como digo, um dos caminhos mais rápidos entre
dois pontos é o correio. Realmente, é induvidoso que esse é um dos melhores
serviços públicos do país e que cumpre a missão estatal que se espera obter
de todo serviço essencial (público, privado ou privatizado). Mas, seus
funcionários entraram em greve, que segundo anunciado, não terminou e não se
sabe quando cessará. Por conta da paralisação, muitas pessoas podem já ter
sofrido danos ou ainda podem vir a sofrer até a completa regularização do
sistema.

Por isso, hoje cuido dos direitos dos consumidores afetados pela greve e
lembro as regras de prevenção para evitar problemas.

Ø Responsabilidade objetiva da ECT

Inicialmente, quero deixar claro que todo dano causado é de responsabilidade
primeira da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) por expressa
disposição do Código de Defesa do Consumidor. É que ela responde pelos
vícios ou defeitos de seus serviços, o que inclui, naturalmente, a ausência
dos mesmos.

Para que a ECT seja responsabilizada não há necessidade de que seja apurada
sua culpa. É a chamada responsabilidade objetiva decorrente da exploração da
atividade empresarial e seu risco. O empreendedor público, privado ou de
atividade privatizada explora o mercado de consumo e a própria exploração da
atividade gera risco social, independentemente de sua vontade.

É evidente que, por exemplo, quando uma correspondência entregue pelo
consumidor aos serviços do correio não chega a seu destino no prazo ou
simplesmente se extravia, essa falha não se dá por interesse da empresa. Ela
não decorre da vontade dos administradores da ECT, mas da atividade em si,
eis que falhas sempre existirão no sistema de leitura ótica, na incorreta
observação do pessoal que faz seleção dos envelopes e pacotes, no transporte
etc. Portanto, o dano existirá, apesar da vontade em sentido contrário dos
administradores e funcionários.

Ø Danos sofridos

A lei sabe disso. Ela sabe que, apesar do esforço do prestador do serviço,
em algum momento, por evento imprevisto, o serviço falhará causando danos ao
consumidor. Naturalmente, a responsabilidade é a mesma na ausência do
serviço, como a que ocorre no período de greve e que persistirá mesmo após
seu fim por mais algum tempo até que o mesmo se normalize.

Por isso tudo, a lei estabeleceu a responsabilidade objetiva. Basta a
constatação do serviço contratado e seu defeito para que possa ser pedida
indenização. Desse modo, se o consumidor sofrer algum dano por atraso ou não
entrega de correspondência, poderá pleitear indenização.

Ø O problema das contas que vencem nesse período

A ausência de um serviço como o dos correios sempre gera danos em larga
escala, atingindo fornecedores e consumidores. Nos serviços massificados,
como os de telefonia, tevês à cabo, cartões de crédito, empréstimos
bancários etc, o serviço dos correios é fundamental para seu funcionamento.
Isto porque, é através dele que a maior parte dos milhões de faturas são
entregues mensalmente para pagamento.

Ø Consumidor responsável

Entretanto, o não recebimento de uma fatura não retira a responsabilidade do
consumidor em pagá-la no prazo se o credor manda as faturas pelo correio
mas, simultaneamente, coloca à disposição do consumidor outro modo de quitar
o débito. Explico.

Cabe ao fornecedor entregar as faturas antes da data do vencimento. Todavia,
com a paralisação dos serviços do correio, a entrega fica prejudicada. O
fornecedor, então, tem de oferecer uma alternativa de pagamento ao
consumidor. As segundas vias devem ser oferecidas via fax, email, acesso ao
site, por ligação telefônica etc. Se essas segundas opções são oferecidas,
cabe ao consumidor utilizá-las para o pagamento da dívida.

É bom lembrar que quando os serviços dos correios não estão paralisados,
isso não impede que alguma correspondência não seja entregue. Logo, mesmo
fora desse período crítico, pode acontecer do consumidor não receber fatura
para pagamento dentro do prazo ou simplesmente não recebê-la.

Ø Risco do empresário

Se o consumidor não recebe a fatura para pagamento, não se pode imputar a
ele a responsabilidade pelo pagamento no prazo. Não tem sentido culpa-lo
pelo que ele não fez. É risco do fornecedor entregar a fatura com tempo
suficiente para pagamento, risco esse que não pode ser repassado ao
consumidor. Todavia, cabe ao consumidor se acautelar.

Ø Prevenção

Para eventualmente tentar não ser responsabilizado, o consumidor tem que
provar que não recebeu a fatura, o que é muito difícil de faze-lo quando ela
não é entregue. Dá para fazer a prova, por exemplo, se o consumidor avisou
por escrito seu novo endereço para recebimento da fatura e ela foi enviada
ao antigo ou quando o próprio correio coloca carimbo de entrega atrasada
(Anoto que nesse caso, é a ECT quem deve ser responsabilizada pelo atraso).
No entanto, afora esses tipos de exceções, o consumidor acaba sendo
responsabilizado pelo atraso. Por isso, para evitar prejuízos, apresento as
observações a seguir.

Ø O controle das datas

O consumidor deve manter uma agenda com datas dos vencimentos de suas
faturas regulares. Se até a véspera do vencimento, ainda não recebeu alguma,
então, deve entrar em contato com o credor, solicitando segunda-via para
efetuar o pagamento. Essa é uma regra geral para o dia-a-dia e,
evidentemente, nesse período de greve deve ser imediatamente seguida. Para
aquele que não faz esse tipo de controle, a saída é pegar as contas do mês
anterior, ver as datas dos vencimentos e checar o prazo que existe para
pagá-las.

Atualmente, todos os grandes fornecedores mantém Serviços de Atendimento ao
Consumidor (SACs) e/ou sites, nos quais é possível obter uma segunda via da
fatura. Se a credor não tiver esse tipo de serviço, como já disse acima, ele
é obrigado a dar outra alternativa para pagamento, como, por exemplo, envio
do boleto via fax ou apresentação de dados bancários para depósito em conta
(nº de conta corrente, banco e agência, número do CNPJ — se for pessoa
jurídica — ou CPF

Encare essa: Desafio Intermodal 2011 é amanhã

 

Desafio Intermodal 2009Imagem do Desafio Intermodal de 2009, realizado em São Paulo

 

Felipe Aragonez, do Instituto CicloBR, convida o paulistano a participar do Desafio Intermodal 2011, amanhã, terça, dia 20 de setembro, em São Paulo. Por dois anos participei do evento que alerta para a importância de a cidade ser diversificada também nas opções de transporte para seus cidadãos. Na primeira, encarei o helicóptero que perdeu para uma bicicleta; na segunda, ano passado, botei o pé no pedal e fiz o maior percurso que havia realizado até então, em meio ao trânsito confuso de São Paulo. Bem orientado e com tranqulidade cheguei à prefeitura de São Paulo. Cansado, sim, mas muito satisfeito por ter ajudado a mostrar que é possível mudar o foco de uma cidade quando se pensa no coletivo. Leia o texto do Aragonez e se não der para entrar nop Desafio, use a proposta para repensar seus hábitos:

 

Qual meio de transporte é mais eficiente nos deslocamentos urbanos? Essa é a pergunta que o Desafio Intermodal, pelo sexto ano consecutivo, se propõe a responder.

Cerca de 15 pessoas participarão em diferentes modais, como carros, motos, ciclistas, cadeirantes e pessoas integrando os transportes públicos como ônibus, Metrô e Trem. Eles serão testados pelo tempo gasto para se chegar ao destino final, o custo que cada um gera e quantos quilos de gás carbônico emitem. Ou seja, não basta chegar em primeiro lugar, os impactos ambientais também serão importantes.

O Desafio pretende mostrar as infinitas possibilidades de se locomover pela cidade além de analisar o desempenho do transporte público ano a ano.

Como o Desafio Intermodal faz parte dos eventos que promovem o Dia Mundial Sem Carro, ele será realizado no dia 20 de Setembro (terça feira).

A saída acontece na Praça General Gentil Falcão, altura do número 1.000 da avenida Eng. Luis Carlos Berrini (ver mapa), às 18h00 em ponto. Cada participante deverá chegar ao prédio da Prefeitura do Município de São Paulo com o seu modal.

As Regras

O tempo computado será o deslocamento completo da pessoa e não do modal. Portanto, levaremos em conta o tempo que a pessoa leva até o modal e o tempo que ele perderá para estacionar o veículo. Como o ciclista desmontado se equipara a um pedestre, o único veículo que não será necessário estacionar é a bicicleta.

No deslocamento deverão ser respeitadas todas as regras de trânsito, os pedestres terão que atravessar na faixa, a não ser que ela esteja a mais de 50 metros. Nesse caso, segundo o art. 69 do CTB, ele poderá atravessar no local que considerar mais seguro.

O pedestre corredor terá que correr na calçada, caso isso não seja possível, será tolerado que ele use a rua.

Todos os participantes estarão uniformizados.

A relação dos modais a serem avaliados

Pedestre caminhando
Pedestre correndo
Ciclista por vias rápidas
Ciclista por vias calmas
Ciclista por vias calmas (feminino)
Ciclista + Metrô com bicicleta dobrável
Motociclista
Automóvel
Ônibus
Trem + Metrô
Trem + Ônibus
Ônibus + Metrô
Cadeirante
Programação do Desafio

17h00 – Início da Concentração Na Praça Gal Gentil Falcão e atendimento a imprensa.

17h45 – Alinhamento dos participantes e explicação das regras do desafio

18h00 – Será realizado um contato telefônico com um representante da organização do desafio, lá na Prefeitura e ele dá a largada pelo viva-voz do celular.

Nesse momento as pessoas se dirigem até o seu modal e cada um faz o trajeto que achar mais conveniente.

18h25 – Previsão de chegada dos primeiros participantes em frente à Prefeitura de São Paulo

20h00 – Previsão de chegada do último participante

Locais e data

20 de setembro de 2011 (terça-feira)
Partida: Praça General Gentil Falcão – Brooklin (Altura do número 1.000 da avenida Eng. Luis Carlos Berrini) (ver mapa)
Chegada: Prédio da Prefeitura ao lado do Viaduto do Chá.

Felipe Aragonez
Secretário Geral

Instituto CicloBR

De triste tristeza

Por Maria Lucia Solla

De triste tristeza


Ouça este texto na voz e sonorizado pela autora

Nunca fui de ter medo, e olha que já tive motivo de sobra; mas hoje tenho. Não sei se é medo, medo, mas é uma cosquinha forte no plexo sollar e no umbilical, sabe como é, que não dá moleza. Medo do nosso afastamento da natureza e da sua reação em cadeia. Medo da cadeia dos prédios que se erguem atrás, na frente, do meu lado esquerdo e do direito. Medo do formigueiro da cidade e do politiqueiro que depaupera o campo. A maioria não pisar na terra e não ver o nascer nem o pôr-do-sol, e disso não sentir falta, me dá medo.

Vivemos em caixas, por enquanto fixas, empilhadas e divididas em pequenas caixas onde se subdivide a família. Saímos dela para entrarmos numa caixa, por enquanto limitadamente móvel, que nos leva até um estacionamento abaixo do solo; e entramos numa outra caixa com maior mobilidade que a anterior. Vrumm, saímos dali dentro dela, pimpantes sob o efeito de café, e depois de passar ali muito tempo, olhando no relógio e bufando, desviando de motoqueiros que camicazeiam pelo caminho, já suados e com pouca energia para tocar o resto do dia, estacionamos noutro sub-solo, descemos da caixa, entramos noutra caixa de média mobilidade e subimos até chegar a mais uma caixa fixa. Ali, antes de começar a jornada, engolimos um punhado de pílulas que supostamente repõem a energia perdida e suprem a falta do sol, da chuva, da lua, da terra, do diálogo, do amor, do amar e do afago.

Não se faz mais casa com janela para o jardim, com porta de entrada alta e larga para receber alta e largamente parentes e amigos. Horta é coisa do passado que nem é remoto. Passado remoto é o tempo de juventude dos meus avós, quando se colocavam cadeiras na calçada e se sentava ali para socializar com vizinhos ou falar da vida alheia. As senhoras ofereciam biscoitos recém saídos do forno, e os senhores, as notícias do jornal da manhã. Hoje socializamos e lemos o jornal virtualmente, alheios ao que se passa debaixo do próprio nariz, enfiando e tirando a mão, distraídos, de saquinhos de biscoitos com data de validade estendida. E proliferam os hoteis-fazenda, disneilândias da terra perdida.

Quando noutro dia disse a um amigo que não checo e-mails no iPhone, achei que fosse sacar um crucifixo na minha direção. Já não nos garantem o direito de nos desligarmos da rede, que tudo sabe, tudo grava, tudo vê. Tenho saudade de conversar olho no olho e tenho medo de sentir cada dia mais medo. Uma saudade medonha e um medo tamanho que nem preciso buscar; vêm a mim servidos na mesa, cobertos de triste, triste tristeza.

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: Eu acredito

 

Vasco 4 x 0 Grêmio
Brasileiro – Olímpico Monumental

Se eu disser que o Grêmio jogou bem no primeiro tempo, mesmo tendo saído com desvantagem de dois gols, você acredita? Claro que não. Isso só pode ser ilusão de torcedor fanático, pensará.

Se eu disser que chutamos a gol e mantivemos a bola na primeira etapa tanto quanto nosso adversário, você acredita? Claro que não. No primeiro tempo a derrota já estava desenhada, responderá.

Se eu disser que mais uma vez o árbitro esqueceu de marcar um penâlti a favor do Grêmio quando ainda tínhamos o domínio da partida, você acredita? Claro que não. É coisa de gente que não sabe perder, dirá.

E se eu disser que mesmo com o resultado desta noite de sábado, o Grêmio ainda está na disputa pela vaga da Libertadores, você acredita?

Não precisa responder, não. Pouco me importa o que você pensa do meu time numa hora dessas – e não entenda esta linha como desrespeito porque você sabe o tanto que me orgulho de tê-lo como leitor deste espaço. Respondo assim apenas porque depois de um jogo como dessa noite só dá pra refrescar a cabeça, sacudir a poeira e sair por ai dizendo aos amigos: eu acredito, eu sempre acreditarei no meu Grêmio.

Pernocas de fora e colorido anunciam nova estação

 

Por Dora Estevam

Elas estão espalhadas em vitrines, lojas de ruas e shoppings. São as flores da primavera. Nas ruas, as meninas se entregam para os shorts, vestidos e saias.

E para completar o cardápio floral e colorido a semana esteve recheada de desfiles da NYFW (New York Fashion Week). Com todas as tendências e propostas para a primavera de 2012, acreditem. Um dos desfiles eu já mostro aqui para você sentir como eles vão trabalhar com as cores “color block e neutras”. Destaque para os cabelos tié die (duas cores) modelos. A sala estava cheia e com as presenças de Anna Dello Russo e Tommy Hilfinger, entre outros.

Os sapatos usados neste desfile dão da estilista Charlotte Olympia que, aliás, lançou o vídeo da campanha dela. Incrivelmente sensual e sinistro ao mesmo tempo. Vale a pena assistir, é uma forma diferente de ver o produto.

Aqui, um pouco da proposta da marca Calvin Klein para refrescar os olhos.

O bom destes desfiles é que podemos usar a criatividade e já por em prática tudo o que foi apresentado.

Para finalizar, o colunista do New York Times Eric Wilson faz um apanhado geral do que foi a semana, das tendências emergentes às entrevistas com os mais renomados editores e consultores de moda.

Estilo e moda é aqui.


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: O valor está na rede

 

A tendência no marketing de relacionamento é trabalhar não apenas o cliente, mas a rede que cada um deles dispõe. E o verdadeiro valor deste cliente não será o que ele compra, mas a influência que tem em suas relações. A opinião é de Marcelo Miyashita, conselheiro líder da Miyashita Consulting e professor de marketing em cursos da MBA e pós-graduação de algumas das principais faculdades do país, entre elas Cásper Líbero e Madia Marketing School. Ele foi entrevistado pelo Mundo Corporativo e falou da 3ª geração do Marketing de Relacionamento. Nesta conversa, Miyashita fala do comportamento do consumidor moderno e as estratégias que as empresa têm explorado para conquistar e manter seus clientes.

O Mundo Corporativo é transmitido, ao vivo, toda quarta-feira, às 11 horas, no site da CBN, e reproduzido, aos sábados, no Jornal da CBN. A participação dos ouvintes-internautas é feita pelo Twitter @jornaldacbn e pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br