De estar feliz

 

Por Maria Lucia Solla

Das nuvens

Ouça este texto na voz e sonorizado pela autora

Felicidade é estar com a barriga cheia e o sono em dia, com tudo funcionando como deve: coração batucando legal, rins fazendo a sua função, sem greve, sem rebelião. Felicidade é enxergar bem, respirar o ar da vida e não o da morte, e saber que os que te cercam têm isso também

Estar feliz é poder ir daqui-pra-lá-e-de-lá-pra-cá, principalmente se o daqui for de um canto confortável e gostoso, e se o pra-lá for um lugar que faz o coração batucar, ainda mais forte e mais depressa, animado pela adrenalina que brota da excitação. Felicidade pode ser estar numa cantina num vilarejo escondido na Bolívia, pode ser o sushi do restaurante favorito comido em casa, sentado no chão, apoiado na mesa de centro na frente da TV, assistindo a um programa que faz a gente sorrir feito bobo, ou lendo um livro que não dá para largar e interrompendo a refeição um milhão de vezes para anotar as ideias que não param de chegar, para engolir o que mastigou, para digerir o que leu, para assimilar o que pensou.

Estar feliz é ter confiança nos dirigentes do país, do ônibus, do trem e do carro, sentindo que o barco vai bem conduzido, não faz água e fica longe do perigo. Estar feliz é poder viver com a consciência tranquila e o coração em paz. É saber que ninguém está espreitando atrás da fresta para te pegar no pulo e tirar vantagem de você. É poder receber o que comprou sem precisar lutar na justiça por meses, às vezes por anos, perdendo saúde e sono. É poder ter respeitado o que é seu, oferecendo respeito em troca.

Estar feliz é confiar que o banco cuida do teu dinheiro, que o médico que te atende sabe o que está fazendo, é ter consciência do que está comendo. Felicidade é poder acreditar em quem diz que gosta de você, é não usar o outro até gastar e aí não ter mais, é deixar ir quando o prazo termina, não iludir, não ser manipulado, roubado, emboscado, traído.

Estar feliz é ter mais motivo de sorrir do que de chorar, é ter quem a gente ama gostando de ser amado e se deixando amar. Estar feliz é trabalhar no que gosta, ou ao menos gostar do que faz, e ter a oportunidade de escolher o que fazer. É saber que o ônibus vai chegar, que a gente vai sentar e, a viagem, nem vai perceber. Estar feliz é andar descalço na praia com o sol acariciando o corpo, a brisa desmanchando o cabelo e cara de idiota, chupando um picolé e se sentindo o maioral. Nem que seja uma vez por mês no bate-volta.

Estar feliz é viver intimamente com a arte, é criar, é recriar, não matando o já criado; reinventando, reinventando, reinventando. É garantir cadeira cativa para a ilusão. Estar feliz é aceitar que a gente está aqui e pronto, e a partir daí pavimentar dia a dia o caminho para estar feliz cada vez mais vezes e por mais tempo. É transformar num só conceito de amor, criatura, criação e criador.

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Cada semana com a sua moda

 

Por Dora Estevam

… E esta foi a vez da semana de moda londrina. Cerca de 70 grifes apresentaram suas coleções primavera-verão 2012. Veja como foi a movimentação:

Show também para os homens. Designer, organização, tudo maravilhoso. Novas experiências, novas ideias, tudo fashion.

Embora as coleções apresentadas façam muito sucesso por serem atrativas visualmente, tem uma turminha que consegue chamar atenção dos holofotes mesmo fora da passarela, são as celebridades.

Deu para notar a mistura de cores, padronagens e tecidos?  É a moda particular de cada uma delas. As informações estão no ar e ninguém precisa seguir a risca nem copiar dos outros, faça da moda a sua moda.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung, aos sábados.

Mundo Corporativo: Estratégias para reter talentos

 

Empresas bem estruturadas e com planejamento estratégico costumam ser atrativos para a retenção de talentos, mais do que a própria política salarial. Esta é uma das conclusões após entrevistar o vice-presidente de Recursos Humanos da Pepsico, João Senise, no Mundo Corporativo da CBN. Nesta conversa, Senise explica quais são as ações que a sua empresa utiliza para manter os principais colaboradores em um mercado extremamente competitivo.

O Mundo Corporativo vai ao ar, ao vivo, às 11 horas da manh, toda quarta-feira, no site da rádio CBN. E aos sábados, no Jornal da CBN, você acompanha a reprise da entrevista. Participe pelo Twitter @jornaldacbn e pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br

Avalanche Tricolor: Alucinações

 

Grêmio 0 x 1 Botafogo
Brasileiro – Olímpico Monumental

Foram impressionantes os chutes a gol, havia precisão e força, surpreendendo a defesa. A troca de passes veloz confundia a marcação quase não permitindo a organização tática do adversário. E, claro, mais uma vez nossos jogadores foram cruelmente caçados em campo, alguns dentro da área, sem que a punição fatal fosse imposta pelo árbitro. Este mesmo árbitro que congelou no momento em que deveria sinalizar a irregularidade flagrante no único gol que o inimigo foi capaz de marcar. Nem preciso dizer que os nossos gols, estes sim, foram anulados, em mais um ato de injustiça com o Imortal. Na realidade – se é que algo de real existe neste cenário – não sei bem se a bola chegou a tocar as redes, mas tinha esta intenção com certeza.

Escrevia esta Avalanche quando alguém, bisbilhotando sobre o ombro, teve o atrevimento de me alertar de que nada do que teclava havia acontecido no jogo da noite de ontem. Mandei-o às favas. Quem era ele para achar que eu estava louco, que escrevia insanidades? Mas agora, quando arrumei um tempo para publicar este post, comecei a ter dúvidas sobre meu comportamento. Teria meu amigo razão? Teríamos perdido porque esquecemos como se marca gols? Ou porque não conseguimos mais anular os goleadores inimigos?

Confesso, não sei mais o que é real. O Grêmio, ultimamente, tem me deixado alucinado.

De cada 5 leis só uma tem impacto, na Alesp

 

A produtividade e a independência da Assembleia Legislativa de São Paulo estão em baixa, é o que mostra relatório sobre o desempenho dos parlamentares no primeiro semestre deste ano, divulgado pelo Movimento Voto Consciente. Em quatro meses e meio, os deputados estaduais aprovaram  148 leis e destas 119 tratavam de assuntos de pouca relevância (como denominações e homenagens). Apenas 29 tinham alguma importância, sendo um desses projetos a Lei de Diretrizes Orçamentárias – que faz o primeiro rascunho do que será o Orçamento do Estado no próximo ano.

A avaliação do Voto Consciente também chama atenção para o baixo grau de deliberação e discussão no parlamento. Muitas decisões foram aceleradas de acordo com o interesse do Executivo através de ferramentas disponíveis como a apresentação de requerimento de urgência e a indicação de relator especial que substitui os debates nas comissões específicas. Apenas sete dos 28 projetos considerados de impacto receberam emendas dos deputados. O que chama atenção é que todos os 28 projetos foram aprovados por votação simbólica em vez de votação nominal – aquela em que o deputado declara seu voto.

Em outro ponto do relatório se identifica mais uma situação curiosa, quando a ONG avalia a concentração e dispersão dos custos e benefícios de cada lei. Em 13 dos projetos com impacto aprovados na Assembleia toda a sociedade paga os custos da lei e apenas uma parte específica dela se beneficia.

Está na hora da Assembleia Legislativa de São Paulo retomar seu papel e deixar de ser escritório de despacho do Governador do Estado.

Abaixo-assinado pelo Hospital do Crack

 

Por Devanir Amancio
ONG EducaSP

Carroceiros pedem hospital do crack

O Núcleo de Trabalhos Comunitários da PUC São Paulo – NTC, sob a direção da professora Maria Stela Craciani, dá a largada dentro da PUC na corrida contra o crack, e inicia, nesta quinta-feira, a coleta de assinaturas para exigir das autoridades a recuperação dos viciados. O abaixo-assinado intitulado “Grito pela vida. Hospital do crack já !” será levado pelo Movimento Fórum do Crack para outras universidades, escolas estaduais e municipais, e comunidades da Região Metropolitana de São Paulo. Catadores de recicláveis – como o carroceiro Pelezinho de Perdizes – também vão reivindicar o “Hospital do Crack”.

Considerando a gravidade do assunto, a sua profundidade na sociedade brasileira e a sua presença dentro dos lares é possível estimar a coleta de 1 milhão de assinaturas. No dia 30 de setembro o abaixo-assinado chega à Praça da Sé.

Texto do abaixo-assinado:

“Aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Nós, cidadãos brasileiros abaixo-assinados, viemos, através deste instrumento, pleitear aos poderes públicos, particularmente ao Executivo, na figura da presidente Dilma Roussef, do ministro da Saúde Alexandre Rocha Santos Padilha e do ministro da Justiça José Eduardo Cardozo e ao Judiciário a criação, implementação e observação de políticas efetivas para combater e eliminar a presença da droga conhecida como “crack” na sociedade brasileira. Já mais do que tarda o momento de darmos um basta às diretrizes equivocadas que têm norteado as ações nesse sentido, caracterizadas pela leniência, passividade e omissão que apenas contribuem para engrossar o contingente de dependentes químicos desde os mais remotos pontos da zona rural até as grandes cidades, arregimentando pobres e ricos, principalmente jovens, na sua escalada destrutiva sem precedentes.

Também é nesta direção que propomos , particularmente , a criação do “hospital federal do crack” em São Paulo, como referência para todo o País.”

Menos armas na mão e na direção

 

Por Milton Ferretti Jung

Li ,nas últimas semanas,  duas notícias que me chamaram especial atenção, ambas tratando de assuntos rio-grandenses. Que me desculpem os leitores de outros estados se pareço puxar brasa para o meu assado. Creio que os assuntos, embora tratem de questões locais, possam interessar, de alguma forma ,a quem me acompanhar. A primeira dessas notícias dá conta de que o Rio Grande do Sul lidera a adesão à Campanha Nacional do Desarmamento. Os números são alvissareiros. Garantem que um de cada 4 mil gaúchos entregou armas entre os meses de maio e setembro. Os paulistas, por exemplo, tiveram contribuição menor: um por 7,7 mil. Para o estado, que era um dos mais apegados às armas no país, é uma melhora considerável, com certeza. É claro que algumas alterações no Estatuto do Desarmamento, favoreceram a mudança de atitude do povo gaúcho. Os pontos de coleta aumentaram, não é mais necessário que a arma tenha registro ou número de identificação, o proprietário pode permanecer no anonimato e quem se dispõe a ficar desarmado recebe, ainda por cima, entre R$100 e R$300 por arma recolhida. Assalta-me, porém, uma dúvida crucial. As pessoas de bem (ou do bem, como se diz hoje em dia) concordam como desarmamento. As do mal, principalemnte aquelas que lidam com drogas, bem pelo contrário, enriquecem os seus arsenais com armamento pesado. Terão as autoridades, ditas competentes, capacidade para impedir que os bandidos se reforcem com armas dos mais diversos e poderosos calibres? Esta dúvida, evidentemente, já foi exposta por muita gente boa…e preocupada.

E chego à segunda boa notícia, esta bem mais recente, porque publicada nessa  terça-feira, mas  sem chamada na capa do jornal que a divulgou, embora merecesse. A Polícia Rodoviária Federal, diante do crescimento dos acidentes na estradas e vias urbanas gaúchas, principalmente nos malditos feriados prolongados, apelidados bestamente de “feriadões”, começou a se valer da tecnologia para aumentar a vigilância sobre os motoristas. A BR-116, com trânsito pesado nos 36 quilômetros que separam Porto Alegre de Novo Hamburgo, passou a ter vigilância total por meio de 24 câmeras e quatro viaturas  equipadas com geradores de imagens. Trata-se da Central de Controle Operacional (CCO), colocada na confluência das BRs 290 e 116. Não preciso dizer que, com este equipamento de alta qualidade técnica, não haverá pontos cegos no trajeto. Os maus motoristas, abundantes no Rio Grande do Sul, que se preparem. O trecho fiscalizado custou R$2 milhões de reais. Por enquanto, portanto, é pequeno. Que a PF faça dele, porém, bom proveito. Talvez, graças ao CCO, o número de acidentes, muitos fatais, se torne consideravelmente menor.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele).

Paulistano perde um mês por ano no trânsito

 

Cruzamento insano

O paulistano perde mais tempo nos congestionamentos e na fila do ônibus, e anda cada vez menos a pé. E, neste cenário, considera que problema do trânsito está se agravando na cidade. Estas são algumas da conclusões da quinta edição da pesquisa sobre mobilidade urbana encomendada pela Rede Nossa São Paulo ao Ibope apresentada nessa quarta-feira, véspera do Dia Mundial Sem Carro.

Após ouvir 805 pessoas, o Ibope identificou que o tempo médio de deslocamento gasto no trânsito diariamente passou de 2h42 em 2010 para 2h49 em 2011. 19% dos entrevistados disseram que perdem mais de 4 horas nos congestionamentos que também atrapalham a vida de quem depende do transporte público. Comparado a pesquisa do ano passado, mais pessoas dizem que aumentou o tempo de espera nos pontos de ônibus. Se antes 34% tinham esta percepção, hoje 47% pensam assim. Com resultados como esse não é de se surpreender que mais da metade (55%) considera o trânsito péssimo.

Durante apresentação dos dados, Oded Grajew, coordenador da Rede Nossa São Paulo, disse que “é como se as pessoas passassem um mês por ano no trânsito”.

Leia post completo no Blog Adote São Paulo, da revista Época SP

Dia Mundial Sem Carro é uma chance que temos

 

Cartaz dia mundial sem carro

O Dia Mundial Sem Carro motivou os alunos do CIEJA – Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos do Butantã – a refletirem sobre a mobilidade urbana, a qualidade do transporte público, a prioridade ao automóvel e o impacto destas políticas na saúde da população. O projeto é organizado pela professora Elisabet Gomes de Nascimento que enviou o material produzido durante o mês de setembro pela turma do módulo 4, que corresponde a 7a. e 8a. séries do ensino fundamental. Aproveito este dia 22 de setembro para publicar o resultado do trabalho, a começar pelo cartaz desenhado pela aluna Osmarina Soares de Carvalho que ilustra este post coletivo:

“MANIFESTO – DESABAFO” (alunos do módulo 4-O)

Nós que andamos por São Paulo, observamos e sentimos na própria pele, o quanto esta cidade é hostil para quem anda a pé e para o ciclista. A começar pelas péssimas condições de circulação das calçadas e sem falar no desrespeito a faixa de pedestre, além da falta de ciclovias e ciclofaixas. O poder público deveria investir prá valer em metrô, trem de superfície, corredores de ônibus em toda a cidade. Deveria também oferecer desconto no IPTU para as empresas, condomínios e prédios residenciais, que praticassem a carona solidária. Quantos amigos faríamos diminuindo a solidão motorizada? Quantos automóveis deixariam de circular e como melhoraria o trânsito na cidade? Sem falar na melhoria da qualidade do ar. Já pensou quanto tempo ganharíamos a mais com nossas famílias, descansaríamos mais, teríamos mais tempo para estudar, para ler, para o lazer? Quantas vidas pouparíamos? Estamos desabafando e sugerindo tudo isso, estimulados pela “Semana da Mobilidade e Dia Mundial sem Carro”. É uma chance que temos de nos fazer ouvir.

MEU DIA SEM CARRO
Por Mario A. Silva, 55 anos

Depois de muito tempo sem usar transporte coletivo e com meu carro no rodízio, eu precisava ir ao centro da cidade. Pedi o carro emprestado para minha filha, mas justamente neste dia ela levaria minha neta ao médico. Pensei, não tem outro jeito: o negócio é enfrentar este terrível transporte coletivo (só ouço falar mal dos transportes públicos).

Fui dormir já pensando no sofrimento do dia seguinte.

Saí de casa às 8 horas e depois de esperar por trinta minutos, embarquei e comecei minha viagem. Paguei a passagem com um tal de bilhete único com o qual a pessoa tem direito de trafegar durante três horas e usufruir de até quatro conduções pelo valor de uma passagem. Havia lugares vazios, me sentei e comecei a reparar, que à medida que as pessoas iam entrando, se cumprimentavam como se fossem velhas conhecidas. Uns aproveitavam para tirar um cochilo, sei lá, ou mesmo fingindo para não ceder lugar aos idosos e mulheres com crianças de colo.

Celulares e tablets não faltaram no ônibus, além do velho e bom livro e jornal. Alguns devoravam a leitura, até liam em pé.

Chegando na estação do metrô, vi centenas de pessoas se aglomerando e se apertando a espera do trem. Me perguntei, e agora? Apesar do empurra-empurra entramos todos, os mais ligeiros conseguiram se sentar. Tudo organizado. Trens modernos com serviço de informações anunciando as próximas estações, ar condicionado, tudo limpo.

Fiz várias baldeações e não avistei nenhum ambulante ou coisa do gênero. Cheguei ao meu destino: a Estação da Sé. Reparei que tem farmácia popular, lanchonetes, banca de jornal, balcão de informações e um aparato de seguranças para zelar pelo bem estar dos usuários. Quando estava retornando para casa, encontrei um amigo que me ofereceu carona. Agradeci e recusei pois fiquei tão entusiasmado com a ida que quis curtir a volta também de coletivo.

Sei que não posso negar para as falhas que ainda existem no transporte público. Não está no ideal, mas está caminhando no rumo certo. Parabéns aos governantes que tentam fazer o melhor para a população.

Gastei apenas R$6,00 reais. Andei um trajeto de uns 40 quilômetros ida e volta, num espaço de três horas, sendo que o que mais demorou foi o ônibus uma média de trinta minutos. Se tivesse ido de carro teria demorado bem mais e não teria aproveitado o passeio.

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