Avalanche Tricolor: Sonhando com a Libertadores

Oriente Petrolero x Grêmio
Libertadores – Sta Cruz de la Sierra


Sonhar com a Libertadores não é lugar-comum neste artigo que escrevo antes mesmo de o Grêmio disputar sua última partida nesta fase de grupos da competição. É o que farei neste fim de noite de quinta-feira, enquanto meu time de coração estiver em campo.

Antes de me taxar de ingrato e infiel – coisa sobre as quais jamais alguém poderá me acusar nestes mais de quatro deçadas de paixão tricolor -, entenda minha situação. Às quatro e 20 da manhã, enquanto você relaxa tranquilo sob as cobertas da sua cama, eu ouço o despertador tocar, sinal de que minha rotina matinal estará se iniciando. Tomar banho, escolher a roupa, acessar a internet, baixar os jornais no Ipad, iniciar a leitura deles enquanto tomo meu café. Um ritual que antecede a saída para a rádio, onde uma hora depois de acordar começo a discutir as pautas do dia para o Jornal da CBN.

Meu novo desafio profissional me ofereceu grandes prazeres, porém me tirou o direito de ficar acordado muito além das 11 da noite. E a partida desta quinta começaria às 10 e 45 para se encerrar apenas no início da madrugada da sexta. Quase impossível assisti-la.

Assumi, assim, o compromisso de deitar-me antes da bola começar a rolar, e me dar o direito de sonhar com os próximos passos na Libertadores. O adversário do mata-mata, a vitória apertada no primeiro jogo, a arquibancada lotada no segundo, a disputa até o último minuto por mais uma conquista e a avalanche tricolor, escadaria abaixo.

Um direito que só foi possível, pois o Grêmio antecipou-se e garantiu presença na próxima fase independentemente do resultado desta última rodada. Alguém dirá que havia a disputa da liderança do grupo e, por isso, todos deveríamos estar atentos. Convenhamos, amigo, desde quando isto foi importante para um time acostumado aos feitos históricos.

Seja qual for o placar desta noite/madrugada, terei um sonho tranquilo, um sonho azul, preto e branco.

Boa noite !

Os caminhos de Buenos Aires

 

Ciclofaixa em Buenos Aires

Por Milton Ferretti Jung

Minha mulher e eu estivemos, desde domingo, dia 3 de abril, visitando Buenos Aires, para onde temos ido quase todos anos. Graças ao fato de estarmos no vigésimo-sétimo andar do hotel em que nos hospedamos, com vista, a partir da Avenida Corrientes, para boa parte da cidade, constatei que, apesar das queixas dos portenhos, lá o trânsito apenas tende a ficar congestionado quando piqueteiros de todos os credos realizam suas manifestações.

Aliás, a Presidenta da República Cristina Fernandez de Kirchner costuma incentivar algumas dessas manifestações. Faço um parênteses a fim de esclarecer que, para os argentinos, há presidentes e presidentas, enquanto para nós,brasileiros, o certo é chamar o primeiro mandatário da nação de presidente, seja qual for o seu sexo. Lembro que Isabelita Perón foi a primeira presidenta deles. Então, neste particular, se nos fixarmos somente em números.os “hermanos” estão a nossa frente.

Volto ao meu assunto: trânsito. É claro, em horários de pico, o fluxo de veículos se torna mais denso, o que é absolutamente normal. O desenho de Buenos Aires é muito melhor que o de São Paulo, uma das razões para que os problemas sejam menores que os vividos pelos paulistanos.

Nas outras visitas que fiz a Buenos Aires não notei que as autoridades se preocupassem (posso estar iludido) com a criação de “bicisendas”, o equivalente as nossas ciclovias. Agora, entretanto, fiquei surpreendido com a existência de “bicisenda” numa das transversais da Corrientes, a Suipacha. Plantaram na rua árvores que estão ainda em fase de crescimento. Esta via é estreita. Há ônibus que descem pela Esmeralda e subiam pela Suipacha. Estes são obrigados, agora, a fazer uma volta bem maior para que cheguem ao seu destino.

Outro problema que constatei é que os ciclistas, em sua maioria, aproveitam a ciclovia para rodar em alta velocidade quando descem a rua, sem respeitar os pedestres que correm risco de atropelamento se, por distração, tentam atravessar a via de costas para as bicicletas. Entre as duas ciclovias – a que sobe e a que desce – há uma faixa exclusiva para pedestres: uma “peatonal”.

Seja lá como for, creio que a intenção dos idealizadores da inovação foi das melhores. Seria interessante, todavia, que procurassem encontrar jeito de corrigir os problemas por mim citados.

Antes de encerrar o texto, sugiro a quem puder, que faça uma visita a Buenos Aires A diferença entre o valor do cruzeiro e do peso, favorável a “nosotros, permitem que os brasileiros façam o mesmo que os argentinos, décadas atrás: “dame dos” – diziam ao comprar em nossas lojas ou ao visitar nossos restaurantes.


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Diploma: peso maior, utilidade menor

 

Por Carlos Magno Gibrail

graduation caps

O plano de carreira discutido no Mundo Corporativo por Eliane Figueiredo e ancorado por Milton Jung ,levantou, dentre outras questões a postura da geração Y.

Geração Y é aquela influenciada pelas novas tecnologias, antecedente da Z, que lida acentuadamente com a mídia social e demais ramificações entre produtos e sistemas.

Nestas gerações, ao lado da qualificação em inovações, há uma pretensão e avidez de usufruir do mundo contemporâneo sem considerar, que os degraus e a contra partida em competência e experiência são imprescindíveis.

Ouvindo atentamente a interessante entrevista não pude deixar de lembrar os recados, pertinentes ao tema, de Laurence Peter, Al Ries e Jeremy Rifkin, que marcaram as suas respectivas décadas.

Laurence Peter desenvolveu o postulado do “nível de incompetência”, inevitável para todos e importante para não frustrar carreiras de sucesso. O segredo é identificar quando se atinge o nível de competência máxima, pois o próximo degrau será o da incompetência. O seu livro “Todo mundo é incompetente, inclusive você” foi um sucesso e o seu postulado foi batizado como o Princípio de Peter.

Al Ries, depois de pesquisar pessoas de sucesso mundo a fora, concluiu que a maneira mais fácil e mais rápida de alcançar os objetivos de uma trajetória profissional, é através do “Horse Sense”. Ou seja, se você tem alguém em que possa montar e te carregar para seguir o seu plano de carreira com sucesso, não titubeie, monte. “Encontre o cavalo certo para montar” é o titulo do Best Seller de Ries nos anos 90. O cavalo pode ser o pai, a mãe, o marido, a esposa, etc.

“O fim dos empregos – o declínio inevitável dos níveis dos empregos e a redução da força global de trabalho” escrito por Jeremy Rifkin preconizou parte da realidade de hoje. Anteviu a extinção de cargos e funções de produção e de serviços. Na agricultura, na indústria e no comércio. Um sinal e tanto para identificar áreas de ensino em decadência, ao mesmo tempo perceber as novas tendências.

Diante desta complexidade é factível guiar-se pela eficácia e definir o gosto e talento pessoais através da simples equação entre ser empreendedor ou executor, entre o público e o privado. E, não esquecer que o sucesso estará ao lado da escolha que trouxer uma vida profissional feliz.

O diploma, cada vez mais importante para o “start up”, ficará em segundo plano diante da prática e do conhecimento adquirido no transcorrer da vida profissional.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, assiste a todos os programas do Mundo Corporativo e, às quartas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Imagem do álbum de j.o.h.n walker, no Flickr

Há 50 anos: “A Terra é azul”

 

Há 50 anos, o homem chegava ao espaço pela primeira vez. Em plena guerra espacial travada com os Estados Unidos, a União Soviétiva dava o primeiro grande passo na disputa com Yuri Gagari abordo da Cápsula Vostok 1. E lá do alto contou ao mundo que o Planeta Terra é azul.

A data foi lembrada ao fim do Jornal da CBN desta terça-feira, dia 12 de abril, e o encerramento reproduzo a seguir a pedido de ouvintes-internautas (ou seriam ouvintes-cosmonautas?):


Ouça o encerramento do Jornal da CBN

Arquitetura paulistana: Pensão da Mooca

 

Casarão abandonado

Por Devanir Amâncio
ONG EducaSP

 
É impressionante a mistura de beleza arquitetônica e descaso na rua  do Hipódromo, região da Mooca,na zona leste. A rua  perto do prédio São Vito, em demolição, está longe do boom imobiliário que sacode a cidade, mas é possivel  ver na tradicional rua  armazéns, casinhas e casarões deteriorados com   placas empoeiradas de “aluga-se”.
 
Muitas dessas riquezas – esquecidas ou ignoradas pelos órgãos públicos –  não têm dono. É o  caso de um sobrado na esquina da Avenida Alcântara Machado com  a  própria Hipódromo, que salta aos olhos de quem passa pelo local.

O casarão não  está aberto para visitas : ali funciona uma ‘pensão’.

Conte Sua História de São Paulo: Na escola de Sznick

 

Cristian Snick

No Conte Sua História de São Paulo, as lembranças do ouvinte-internauta Christian de Mello Sznick. Nascido no Jardim Bonfiglioli, na zona oeste da cidade, ele se tornou professor da rede pública e hoje leciona no Campo Limpo, na zona sul. Aos 31 anos, Christian tem boas recordações da região do Butantã, que não era tão cheia de comércio e de trânsito, poucas décadas atrás. Ele também lembra que a USP mantinha a Cidade Universitária aberta para a comunidade.

Ouça o depoimento de Cristian Snik gravado pelo Museu da Pessoa e sonorizado por Cláudio Antônio.

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, sábados, às 10 e meia da manhã, no CBN SP. Você participa enviando texto ou agendando entrevista no site do Museu da Pessoa. Conte mais um capítulo da nossa cidade.

Voto facultativo ou obrigatório?

 

Por Antonio Augusto Mayer dos Santos

A natureza de ser facultativo ou obrigatório fomenta debates inconciliáveis a respeito do exercício do voto pelo cidadão. No âmbito da Reforma Política recentemente retomada pelo Congresso Nacional, esta é a única questão que não se refere diretamente às instituições ou ao seu funcionamento, mas apenas ao sujeito, no caso, o eleitor.

Os defensores da facultatividade referem-na como uma demonstração de evolução política ao permitir que o eleitor manifeste o seu desinteresse pelas eleições. Acrescentam que a obrigatoriedade do exercício de um direito implica numa contradição constitucional incompatível à democracia. Apregoam que a exigência do voto descaracterizaria sua gênese primitiva consolidada na manifestação espontânea da vontade do eleitor. Sublinham que a adoção da facultatividade é uma questão que assola mais os políticos que os cidadãos porquanto segundo apontam as pesquisas, a população brasileira não só apóia o voto facultativo como repudia o obrigatório, o que poderia determinar o encerramento de carreiras políticas amparadas no fisiologismo. Invocando estudos de especialistas, ponderam que o contingente de eleitores desinteressados ou sem motivação uma vez dispensado do dever de votar, permitiria resultados mais qualificados (“Voto ruim, político ruim”).

Canadá, Colômbia, Espanha, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Guiana, Holanda, Honduras, Japão, Nicarágua, Portugal e Senegal são alguns países onde o voto e o alistamento eleitoral são facultativos.

Os que se assumem contrários à adoção do voto facultativo argumentam que o obrigatório se apresenta essencial à vitalidade do Estado de Direito pois a cidadania impõe diversas obrigações (serviço militar, pagar impostos, etc), dentre as quais, votar periodicamente para a escolha de representantes. Acrescentam que o voto é uma expressão tipicamente republicana cuja natureza determina ao eleitor a irrenunciável condição de participante ativo do processo de escolha dos representantes populares (“Todo poder emana do povo”). Invocam pesquisas de preferência cujos resultados mostram que em todos os países em que o voto não é obrigatório, os votantes, em sua maioria, são os mais ricos e escolarizados, porque têm mais tempo para se ocupar da vida pública, enquanto que os pobres, ao não participarem ativamente das escolhas Legislativas e Executivas, tornam-se ainda mais excluídos, o que determina um círculo vicioso.

O constitucionalismo brasileiro é adepto tradicional do voto e alistamento obrigatórios, da mesma forma que Argentina, Austrália, Bélgica, Bolívia, Chile, Costa Rica, Equador, Grécia, Guatemala, Itália, México, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela, para citar alguns outros países.

O voto facultativo é realmente mais simpático porque projeta a liberdade de fazer ou não fazer alguma coisa (votar). Contudo, um elemento raramente citado nas análises deste tema e que não pode ser desprezado diz quanto à corrupção eleitoral que assola os pleitos do país. Por conta dos elevados índices de mandatos cassados pela Justiça Eleitoral num curto tempo, há um indicativo seguro de que o Brasil não dispõe das mínimas condições para tornar o voto facultativo, ao menos neste momento.

O sistema vigente, ainda que seja dotado de regras para o combate e repressão dos ilícitos eleitorais, é incompatível com esta modalidade de exercício de cidadania vez que os índices de mercancia eleitoral são extremamente significativos, tal prática se encontra disseminada em todos os Estados do país e em franca ascensão.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Fiscalizar não é punir, ser fiscalizado é corrigir

 

A avaliação do Voto Consciente sobre o trabalho dos vereadores na Câmara Municipal dominou as conversas do Adote um Vereador, na reunião mensal realizada nesse sábado, no Pátio do Colégio.

A presença de Sonia Barboza e colegas da ONG colaborou com a discussão. Aplausos para a atitude fiscalizatória se misturaram a pedidos de revisão de critérios de análise usados para identificar o desempenho dos parlamentares.

A experiência do Voto Consciente e a maneira responsável como atuam na Câmara são exemplos para nós. A avaliação, a partir de agora anual, transformou a pauta no parlamento municipal, revelando a importância deste trabalho.

Mesmo com todas as críticas que possam ter em relação aos critérios, o Voto faz com que os vereadores saiam da inércia, sejam sacudidos pela opinião pública. Não podemos jamais esquecer os muitos avanços que ocorreram graças a este trabalho: o aumento na participação das Comissões foi resultado desta fiscalização, por exemplo.

Do Adote surge apoio para ações na internet, seja na elaboração de um blog, no redesenho de um site, na edição de jornal eletrônico e, até mesmo, na colaboração para que vereadores se comuniquem melhor usando a rede. O trabalho colaborativo com outros cidadão, ONGs e a Câmara está no DNA do movimento. Não se constrói a rede Adote um Vereador sob a ótica da inimizade nem se enxerga os demais como adversários a serem enfrentados.

Nem mesmo os vereadores – por mais que alguns deles ainda vejam os movimentos sociais desta maneira. Fiscalizar não é punir, é alertar e cobrar. Ser fiscalizado, é ouvir e corrigir.

A mesa cheia e com presença de novos participantes também animou o encontro que se realiza sempre no segundo sábado do mês, em São Paulo. Antes do próximo encontro, porém, alguns integrantes do Adote estarão em Jundiai, onde será lançado o Concurso Cidadonos, sobre o qual falaremos mais esta semana.

Avalanche Tricolor: Mais do mesmo

 

Santa Cruz 1 x 1 Grêmio
Gaúcho – Santa Cruz do Sul

O Campeonato Gaúcho chega a mais uma etapa decisiva. Como em muitas dessas competições estaduais, aboliu o tradicional mata-mata, substituindo-o por um simples mata. O que não muda é a presença do Grêmio nestes momentos.

Depois de vencer o primeiro turno e garantir presença na “grande final” (as aspas são para que a expressão soe como ironia), tem agora a oportunidade de acabar com a festa com antecipação.

Precisaria para isso vencer também o segundo turno, ganhando mais três jogos (quartas, semi e final), o que creio estar além da conta para um time que tem como maior objetivo a Libertadores. Pese também o risco que a equipe enfrenta cada vez que tem de jogar em gramados como o desta tarde.

As condições do estádio dos Plátanos, em Santa Cruz do Sul, são lamentáveis. Os buracos são incontáveis e interferem no destino da bola. Borges, o goleador, que o diga. Ajeitava o pé para escorar o passe e a bola subia antes da hora; virava o corpo para receber o lançamento e a bola chegava mascada pelo piso. Não me admira que o Grêmio tenha perdido tantos gols, em especial no primeiro tempo.

Expor equipes profissionais a estas condições é lamentável e típico do futebol brasileiro. Impressiona-me que ainda existam clubes que busquem se beneficiar destes artifícios. Espero que tenhamos encerrado o confronto de hoje sem nenhuma perda importante e com as condições físicas preservadas.

Seja como for, cumprimos nosso papel neste fim de semana. Fechamos a participação até aqui com a melhor campanha do campeonato. Confirmamos presença em mais uma decisão. E vamos ficar atentos mesmo é para o desafio do meio de semana pela Libertadores que, afinal, é o que realmente interessa.

De olhos da alma

 


Por Maria Lucia Solla



Ouça ‘De olhos da alma’ na voz e sonorizado pela autora

Quanto sofrimento atinge o povo deste planeta azul! Portamos uma tarja preta no sorriso, o fogo do coração vive ameaçando apagar, e quando pensamos: agora a tristeza vai dar uma trégua e dar lugar à alegria, ela rodopia num volteio artístico, poético – que esses atributos a tristeza também tem – e nos atinge em cheio.

Uma vez, uns poucos nos exibem a dor, uns dias uns, outros dias outros; outra, é uma cidade inteira que morre e engole, no seu último suspiro, tudo o que sustentava; e nós acreditamos ser os donos da terra. Acreditamos que a tristeza, os golpes desferidos pela foice descontrolada da morte, que tudo isso vem de fora para dentro. Nos cremos mira de arma injusta; vítimas do outro, e continuamos nos afogando no mar das certezas de que: o que vem de fora é que me deixa triste, não é parte de mim e portanto me ameaça.

Mantemos os olhos da alma fechados e escancaramos os do corpo, cada um olhando para o próprio umbigo e puxando a corda na sua direção. De que adianta condenar o bullying nas escolas e continuar a praticar em todas as camadas sociais, todas as faixas etárias, o bullying analfabeto e o bullying diplomado; na rua, na família, no trabalho?

O ser humano está doente; muito doente. Apontamos os defeitos dos outros e implodimos sob o peso dos que tentamos esconder. Escondemos os sintomas, e morremos da doença. Há! Não há nada que a medicina moderna e avançada possa fazer, nada que a economia possa sanar, que a política possa forjar e os presidentes presidenciar. É trabalho de formiguinha, cada um começando a resolver os seus próprios problemas, por mais difíceis e impossíveis de resolver que possam parecer. É trabalho de coragem, abrir bem os olhos da alma e reconhecer o caminho a tomar, que pode ser diferente do meu, mas que é o teu caminho. É trabalho de coragem, olhar de frente os anseios e seguir o caminho que leva até eles. O caminho do meu equilíbrio é fundamental para o equilíbrio de todos.

Portanto, a arrumação começa dentro de casa, e não só quando vem visita. Que bom será quando reciclarmos o medo que nos faz agredir o outro, e colocá-lo em maus lençóis – para que ele caia e eu sobressaia; que bom quando transformarmos esse medo no querer a força que nasce da união; na amorosidade, no respeito, na generosidade.

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung