Contra promessas, Mapa de Rotas é saída para bicicleta

 

Bicicleta na pista

Foi com satisfação que comecei a ler a entrevista do secretário municipal de Desenvolvimento Urbano Miguel Bucalem, na Época São Paulo, edição de março, que está nas bancas. A manchete era convidativa: “Os carros serão usados apenas como opção de lazer”. Era do tipo pingue-pongue, pergunta e resposta, e logo soube que estão nos planos da prefeitura a entrega de 100 quilômetros de ciclovias até 2012, melhoria da circulação dos pedestres e novos corredores de ônibus, além de um planejamento voltado para 2020.

Quatro páginas e 18 perguntas depois caí na real. Ao ser perguntado sobre o que realmente seria entregue até o fim deste ano, Bucalem tascou: “O Complexo Padre Adelino – três viadutos com intersecções que levarão os motoristas provenientes de ambos os sentidos da Radial Leste a acessar a Avenida Salim Farah Maluf”. Motoristas de carro, é lógico.

E as ciclovias? Nem alguns metros dos quilômetros sugeridos? Quem sabe uma faixa exclusiva para os ônibus? Ou ruas privilegiando o pedestre?

Nada disso será contemplado em 2011. Mas, calma, tudo faz parte dos planos para a cidade.

Foi aí que lembrei de um experiente e pragmático editor de política da TV Cultura, Rui Rebelo, cansado de ouvir políticos prometendo maravilhas para dali quatro, cinco, dez anos: “jogue para o futuro e você nunca vai errar”, dizia ele, apostando no esquecimento do cidadão e da mídia para as promessas de médio e longo prazos.

A cidade dos nossos sonhos com ambiente urbano organizado, mobilidade garantida e carros como opção de lazer – assim dito pelo secretário à Época SP – estão na promessa deste e dos governos anteriores. Enquanto isso, confinamos os ciclistas a uma faixa que grita em tinta vermelha no asfalto que só deve ser usada domingo das 7h às 14h.

Leia este post completo no Blog Adote São Paulo, na Época São Paulo

Foto-ouvinte: Farol ecológico

 

Semáforo ecológico

“Se o semáforo está sempre no verde, podemos avançar?”, pergunta ironicamente o ouvinte-internauta Toninho Spindola, autor da curiosa imagem de um farol de trânsito na Av. Eng. Heitor Antonio Heiras Garcia, próximo do número 5.000, nio Butantã, zona oeste de São Paulo.

Taxistas abusados ocupam vaga de deficiente

 

Ponto de táxi ilegal

Motoristas de táxis transformaram as vagas para pessoas com deficiência em ponto fixo, no supermercado Carrefour, na avenida Giovanni Gronchi, no bairro do Morumbi, em São Paulo. Quem reclama é nossa colunista dominical Maria Lucia Solla que chegou a alertar funcionários do supermercado, que não parecem tão interessados assim em resolver o problema. Sem solução, resolveu registrar em foto a irregularidade e o desrespeito com o cidadão.

Avalanche Tricolor: Vitória contra o óbvio

 

 

Grêmio 2 x 0 León de Huánuco
Libertadores – Olímpico Monumental

Havia uma muralha no meio do caminho a impedir que o futebol fosse jogado. Não bastassem os 11 adversários enfiados dentro de sua defesa, o juiz ainda colaborava ou com o apito ou com os próprios pés, como no desarme que fez após drible de Carlos Alberto.

Tocava-se bola, virava-se o jogo, tentava-se dar velocidade a jogada, e nada funcionava para furar o bloqueio. Mas se por terra não havia caminho para o gol, tínhamos que desbravar o território inimigo pelo ar. Foi aí que a força áerea funcionou. E começou na cabeça de André Lima, que se intitulou Guerreiro Imortal, para terminar na boa cobrança de pênalti de Borges que se contenta com o título de Goleador.

A dupla de ataque gremista não derruba apenas as defesas adversárias, acaba com o lugar-comum dos comentaristas que insistem em dizer que os dois não podem jogar lado a lado. Foram autores de 11 gols nesta temporada. Imagine se pudessem.

Aliás, o Grêmio tende a driblar o óbvio.

Time “acusado” de só ter jogada pelo alto, faz gol de cabeça quando na origem o que contou foi o bom toque de bola rente a grama – como na falta que deu início a história do 1 a 0.

E faz gol com os pés quando na origem o que contou mesmo foi a bola lançada dentro da área que proporcionou o pênalti, no 2 a 0.

Já somos líderes de nossa chave, não bastasse termos sido o único brasileiro a vencer nesta rodada da Libertadores. E nossa torcida deu mais um show na arquibancada do Olímpico Monumental. Mas tudo isto me parece óbvio.

Por um veraneio tranquilo à beira mar

 

Por Milton Ferretti Jung

Não sei como o litoral paulista funciona para quem nele aproveita os meses de verão. Aqui – e os leitores deste blog sabem que escrevo do Rio Grande do Sul – creio que o veranista, cujo único interesse é descansar ou se divertir à sua maneira, especialmente os que possuem ou alugam casas nas várias praias que compõem a orla marítima, nem sempre atingem por inteiro o objetivo que os leva a elas.

Todos, é claro, sabem que precisam contar com as graças de São Pedro, isto é, que a chuva não prejudique boa parte de sua temporada, o que não chega a ser incomum. Existe, além dela, um vento que vem do nordeste, que costuma durar três dias e castiga quem se dispõe a o enfrentar, jogando areia no rosto das pessoas e fazendo cair a temperatura. Banho, nesses dias, nem pensar. Estou, até agora, tratando de problemas que somente com sorte podem ser minimizados.

Há outros, entretanto, que um pouco de interesse das prefeituras em melhorar a pavimentação das ruas e dos calçadões à beira mar seria suficiente para diminuir. Não é o que se vê. No balneário em que tenho casa a avenida que margeia o mar se liga à praia por passarelas de madeira. Quando eram novas, que beleza. Algumas, com o tempo, ficaram esburacadas e exigem cuidados para que sejam transpostas.

Tudo isso se poderia relevar. Difícil mesmo é suportar as invenções de rádios e tevês, que realizam os mais diversos tipos de promoções, que perturbam o sossego, o principal objetivo de quem vai à praia passar férias no litoral gaúcho. Dou um exemplo: uma emissora de Porto Alegre, no último domingo deste mês, estabeleceu-se sobre a areia com armas e bagagens (caixas de som podem ser consideradas armas em certos casos) e cruzou a tarde obrigando quem não estava interessado em ouvir um locutor berrando nos seus ouvidos nem na programação musical, brega, diga-se de passagem, transmitida a todo volume. Na minha casa, que fica a três quadras do mar, quase não consegui ouvir o narrador da partida entre Grêmio e Cruzeiro, tamanha a barulheira.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Futebol explica o mundo

 

Por Carlos Magno Gibrail

Uma das mais intrigantes indagações do livro de Franklin Foer “Como o futebol explica o mundo” é sobre a globalização. É a constatação que o esporte mais popular da terra absorveu apenas em parte a disseminação dos estilos, de jogadores e das grandes marcas, tais como Nike, Adidas, Reebok, etc.

Os aspectos econômicos até que foram aceitos com sucesso, entretanto os culturais tiveram intensificadas as manifestações locais e regionais.

Já no Prólogo, Foer antecipa:

“Perambulando entre torcedores lunáticos, dirigentes sem escrúpulos e artilheiros búlgaros ensandecidos, observei as formas como a globalização havia fracassado em reduzir as culturas futebolísticas regionais, as disputas sangrentas e mesmo a corrupção no plano local.

Na verdade, comecei a suspeitar que a globalização de fato havia aumentado o poder dessas entidades locais – e nem sempre no bom sentido.”

Para atestar a verdade de Foer é só atentarmos ao que recentemente vem acontecendo no Clube dos 13. No momento da maturidade, após passar em quinze anos de 10 milhões a cota de TV para 500 milhões, com chance de chegar ao dobro, iniciou-se uma fragmentação.

Provavelmente manipulada pela CBF, aborrecida com a derrota do ano passado e assessorada por emissoras interessadas no enfraquecimento, para fortalecer a posição de compra.

Os números europeus comprovam a eficácia da negociação em conjunto. Na Inglaterra são 3,5 bilhões de euros por 3 anos, na Itália 1,8 bilhão de euros por 2 anos, na França 668 milhões de euros anuais.

Se não bastasse a atual contribuição nacional à tese de Foer via Clube dos 13, temos a defesa da CBF no caso da Máfia do Apito: “Paixão nacional é slogan para vender cerveja”

Negando que o futebol seja uma paixão nacional e talvez confirmando que a AMBEV e demais patrocinadores ditam ordem na CBF.

Tão falso como a afirmação de Kadhafi explicando que não pode renunciar porque não tem cargo para tal, mas tão próximo quanto os demais Mubarak’s em seus domínios de força e radicais na religião e culturas locais. Tal qual previsto no excelente livro de Franklin Foer, que bem poderia se chamar “Como o mundo explica o futebol”.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas no Blog do Mílton Jung

Por uma reforma política cidadã

 

Senadores formam comissão para discutir a reforma política. Deputados não querem deixar na mão deles as mudanças. Temem serem prejudicados com as decisões tomadas na casa superior. Vão interferir no projeto com base no que entendem ser mais apropriado para a sobrevivência de cada um deles.

O Congresso discute as mudanças enquanto o cidadão assisti de casa ao debate, sem direito de participar. Por enquanto, ninguém lembrou de abrir as portas à sociedade que tem o direito de “meter à mão” nesta história, pois é a principal afetada com as regras que estão em vigor.

Recebi uma colaboração interessante e, por isso mesmo, decidi publicar aqui no blog para que você também participe do tema. Aron Zylberman é ouvinte-internauta, trabalha no ramo imobiliário, mas prefere ser apresentado apenas como cidadão. E foi neste papel que enviou as seguintes sugestões para uma reforma política no Brasil:

“Pontos importantes e que vem sendo debatidos insuficientemente:

SISTEMA ELEITORAL: O atual sistema de votação proporcional para escolha de deputados estaduais e federais precisa mudar. Eu acredito que o voto distrital permitirá uma relação muito estreita entre eleitor e representante. O controle sobre os deputados ficaria muito fortalecido. O seu “adote um vereador” poderia ser facilmente transformado em “adote o seu representante”, tanto na esfera estadual como na federal. Nas grandes cidades, como as capitais, o voto distrital também valeria para a eleição de vereadores. Todas as eleições passariam a ser majoritárias. O custo das eleições cairia muito.

SUPLENTE DE SENADOR: É uma excrescência que precisa ser eliminada. Se um senador, por qualquer razão abre mão do cargo, o segundo mais votado assume e ponto final.

VOTO OBRIGATÓRIO: Centenas de milhares votam sem ter consciência do peso do seu ato. Por outro lado, se o voto for facultativo, o peso da “compra de votos” aumenta muito. Na ausência da corrupção, ou na sua diminuição expressiva, o voto deveria ser um direito e não uma obrigação.

Pontos que não são debatidos:

NÚMERO DE SENADORES POR ESTADO: Nos USA, país muito mais rico, são dois por estado. Por que precisamos de três? Teríamos uma enorme economia com esta redução e o balanço federativo estaria igualmente garantido.

REELEIÇÃO NO LEGISLATIVO: O atual sistema, que permite reeleições sem limite, impede uma maior renovação, no Congresso Nacional. A reeleição para o mesmo cargo deveria ser limitada, da mesma forma que é para o Executivo. Só uma reeleição consecutiva.

FINANCIAMENTO PRIVADO: As doações de pessoas jurídicas deveriam ser proibidas. Os nossos políticos deveriam representar os interesses do povo (pessoas naturais) e não de empresas. Dinheiro doado apenas por pessoa física.

De ouvinte a âncora do Jornal da CBN

 

Ao chegar em São Paulo, em 1991, repórter da TV Globo, pedi ajuda aos colegas na busca de informações sobre a cidade. Precisava de uma fonte confiável e me sugeriram a rádio que só tocava notícia. A CBN acabara de ser inaugurada, emissora que inovava a programação com a grade toda voltada ao jornalismo.

Foi assim, por recomendação, que descobri a rádio na qual fui trabalhar sete anos depois a convite do jornalista Heródoto Barbeiro, então meu colega na TV Cultura. Era o retorno para o veículo que havia me lançado na carreira jornalística, em 1984, quando atuei na Guaíba de Porto Alegre.

Cheguei na CBN apenas para cobrir férias e em alguns meses fui definitivamente contratado. No início apresentei o programa do meio-dia, em seguida o das cinco da tarde, para após alguns anos me estabelecer no CBN SP, onde aprendi muito sobre a cidade. Foi debatendo os temas de São Paulo, elencando seus problemas e suas soluções e transformando aquele espaço em um fórum de discussão que forjei minha cidadania paulistana.

Lá se foram pouco mais de 12 anos desde que falei pela primeira vez na CBN e, nesta segunda-feira, recebo uma oportunidade única. Mariza Tavares, diretora de jornalismo, me confiou o comando do Jornal da CBN em substituição ao colega que me abriu a porta da emissora. Heródoto levará seu talento e experiência para a TV RecordNews.

Duplo desafio: assumir o posto que foi, desde a fundação da rádio, de um dos profissionais que mais admiro e ancorar o principal jornal da CBN. Para amenizar o peso destas tarefas, conto com o apoio de uma das mais competentes equipes de jornalismo do País.

Em 20 anos, passei de ouvinte a âncora do Jornal da CBN. Era muito mais do que eu poderia querer. Agradeço a todos que sempre me ajudaram a fazer das coisas que mais gosto na vida: jornalismo.

N.B: O CBN SP estará nas boas mãos da Fabíola Cidral. Todo sucesso a você, querida amiga.

Avalanche Tricolor: Como de costume

 

Grêmio 4 x 2 Cruzeiro
Gaúcho – Olímpico Monumental


Choveu forte em São Paulo. E o caminho para casa complicou. A água encheu avenidas e ruas. Nada que não estejamos acostumados nesta cidade despreparada para o verão. Para evitar problema maior, parei o carro e esperei a situação ficar mais amena. Com a CBN sintonizada, busquei alguma informação sobre a partida do Grêmio lá em Porto Alegre. Ouvi apenas sobre a dificuldade para o jogo se iniciar no Morumbi. Estava um charco.

Com todos os problemas para andar na cidade, cheguei em casa quando o Grêmio já vencia por 1 a 0 e a partida estava no intervalo. Alguns poucos lances mostraram que o primeiro tempo não havia enchido os olhos dos torcedores, apesar da vitória parcial.

Em compensação, o segundo tempo foi interessante.

Mesmo desgastado pela viagem à Colômbia, o Grêmio tocou bola com rapidez e variou os caminhos para chegar ao gol. Ora pela direita – com Gabriel se destacando -, ora pela esquerda – principalmente com a entrada de Bruno Colaço -, o time apresentou um elenco de boas jogadas.

Ora com velocidade, ora com exagerada elegância, sempre teve o controle da partida, mesmo contra um time que chegou ao Olímpico com a banca de quem tirou gente grande da disputa.

Verdade que se descuidou na defesa permitindo que o adversário esboçasse algum perigo. Nada, porém, que colocasse em risco a classificação para a final do primeiro turno.

Borges foi o principal destaque com os três gols marcados. Fez o que se espera de um goleador, aproveitou as chances que surgiram e decidiu o jogo. Está renascendo na temporada, e será fundamental para as conquistas que buscamos.

O Grêmio, por sua vez, segue à risca aquilo que se espera dos grandes times, impôs respeito, jogou mais e garantiu presença na final. Assim como a chuva no verão paulistano, nada que não estejamos acostumados.

De Santorini

 

Por Maria Lucia Solla

Olá,

Hoje quero pensar em prazer: alegria, cor, leveza, beleza e magia, ao som de banda de coreto, que sempre me faz emocionar e me faz chorar. Quando estou muito feliz, meu prazer alcança o limiar da dor. Um lugar de pura magia; alquímico.

Quero pensar na sofisticação da simplicidade que traz consigo satisfação, no mar, nas ondas que dançam, dançam, e se expressam, cantando, no dançar.

Quero pensar no sol queimando a pele, sem culpa de me deixar seduzir por ele, sem culpa de passear pelo passado e sem culpa do privilégio de poder me lembrar.

Quero tomar um καφές με κονιάκ (café com conhaque), de frente para o vulcão, hipnotizada pelo mar, sem saber onde termino e onde começa ele. Ouvindo o Adagio de Albinone e escrevendo um cartão postal para o meu pai. Obrigada, pai, pela vida, por eu estar aqui neste mundo, por poder ver tanta beleza e sentir tanta emoção.

Nesse momento da minha vida eu já era executiva, independente, descasada mais de uma vez, mãe de dois filhos criados e independentes. Não agradecia por um presente que se compra com dinheiro. Há muito tempo minhas viagens eram presentes meus para mim mesma. Agradecia por ter me trazido à vida e ter me conduzido com cuidado e estratégia para que eu fosse firme e digna, diante do mundo. Ele era responsável pela magia da minha vida.

Quero pensar num passeio de moto pelas vias rochosas e dar de cara com o mar.

Quero comer frango assado com batatas ao sabor de limão siciliano.

Quero salada grega, o queijo feta original e o orégano que vem rindo na travessa, de tão vivo que está.

Quero as buzúquias, os grupos de dança que me puxavam para o palco e me faziam perceber que eu já nascera dançando aquela música, que eu nunca existira antes de estar naquela roda.

Quero a areia pedregosa, de seixos de lava vulcânica. Quero os velhos da cidade dizendo : Υειά σου, Μαρια! olá, Maria, quando eu passava no caminho para o mar e de volta para casa.

Quero assistir aos barcos voltando da pesca, as mulheres agradecendo a Deus pela volta dos seus homens e as velhas de lenço preto na cabeça, passando a limpo a vida dos outros, nas calçadas.

Quero olhar mulheres e homens caiando muros e calçadas, apagando as pegadas do turista que fugiu do vento que sussurra a verdade, levando na mala a fantasia vivida.

Quero sempre e quero mais.


Ouça “De Santorini” na voz e sonorizado pela autora


Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung