A calçada do descaso

 

A avenida Estrela da Noite tem nome bonito, visual nem tanto. Quem passa por lá todos os dias sabe que a situação, ao menos em uma das calçadas, é vergonhosa. Os alunos que chegam a escola se deparam com uma cena de desrespeito, descaso e falta de cidadania. Sensibilizado, o jornalista e ouvinte-internauta Marcos Paulo Dias decidiu pegar uma câmera de vídeo e “passear” pelo local que fica ao lado da linha Safira da CPTM, no bairro do Itam Paulista, zona leste da capital paulista.

O passeio pela calçada lotada de entulho chama atenção pois durou 3 minutos e meio e em todo o percurso pedaços de madeira, ferro, tecido, papel e uma dezena de materiais expõe a falta de respeito com o ambiente urbano. Marcos descreve as cenas e conta um pouco do que acontece todos os dias por ali.

Veja a cena até o fim e não deixe de publicar aqui a sua opinião sobre esta situação

Foto-ouvinte: Que horas são ?

 

 

Relógio de Rua

Os relógios e termômetros de rua seguem causando supresa ao paulistano. Alguns parecem assustados com o calor e registram temperaturas absurdamente altas, outros se “calam” como o que aparece na foto de Luis Fernando Gallo, na Avenida Paulista. Talvez ainda não tenha conseguido se adaptar ao fim do horário de verão. Quem encontrar um desses relógios funcionando corretamente ganha um doce.

Agora o outro lado

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Câmara de Guarulhos tem vendedor ambulante

 

A presença de vendedor ambulante nas cidades não chega a ser algo inusitado. Estão por todos os lados, principalmente nas regiões centrais onde o movimento de pessoas é mais intenso. Dentro de Câmara Municipal sei de poucos casos, por isso chamou atenção o fato de um vendedor de comidas que trabalha com tranquilidade dentro do legislativo de Guarulhos, na Grande São Paulo.

É no isopor que fica bem posicionado em uma mesa de escritório, que os vereadores matam a fome durante o expediente. Os parlamentares nem precisam se distanciar do plenário, porque o “restaurante informal” está atrás da tribuna, quase na porta do banheiro feminino e da Copa.

O dono da banquinha que funciona dentro da Câmara não tem alvará e a comida que fornece não passa pela vigilância sanitária. Há quem diga que mesmo assim o lanche enche a barriga e agrada o paladar dos vereadores guarulhenses.

Site da Câmara de Campinas recebe nota baixa


A qualidade do site da Câmara de Vereadores de Campinas está abaixo da crítica, segundo avaliação feita pelo Movimento Voto Consciente que atua na cidade. Após analisar 20 itens que devem fazer parte do portal de internet de uma casa legislativa que preze pela transparência, a ONG chegou a um resultado muito ruim: 3,6 pontos em uma escala de 0 a 10.

Os critérios usados para identificar a qualidade do serviço tem como base discussão que houve no I Seminário Nacional de Controle Social, em 2009, em Brasília. De acordo com Marcus Vinícius da Silva, que coordena a ONG em Campinas, interior de São Paulo, “cada critério foi rigorosamente observado, e suas respectivas notas foram justificadas de acordo com o que entendemos como essencial e de interesse público”.

O site recebeu nota 10 em apenas três dos itens avaliados: informações para contato com os vereadores, publicação do regimento interno da Câmara e sistema de busca interna para todo o site. Dois critérios também receberam nota aceitável, 8: contato do presidente da Câmara e notícias sobre o trabalho do legislativo.

Em compensação, em sete dos 20 tópicos avaliados a nota foi 0. Pelo site é impossível saber como cada vereador votou nos projetos discutidos nem existem as atas das sessões. Também não há acesso a pauta e atas das comissões e audiências públicas. A Câmara não põe à disposição arquivos com notícias de jornais sobre os trabalhos dos vereadores.

Há uma série de outras carências no site mantido pela Câmara de Campinas como a falta de dados dos projetos de lei apresentados pelos vereadores. Nem todos os projetos estão cadastrados no sistema e mesmo assim apenas com uma breve explicação do que se trata.

Você pode conferir a avaliação do Movimento Voto Consciente de Campinas e usar os mesmos critérios para analisar a qualidade do serviço na Câmara de Vereadores da sua cidade.

Carros levam a melhor, prefeitura faz muro em praça

 

Leio que na CET estudam a criação de pistas coloridas para chamar atenção do motorista de que naquele espaço a prioridade é do pedestre. Uma adaptação a sistema implantado há muitos anos em cidades européias e batizado “Traffic Calming”. O mais próximo que temos por aqui é na rua Avanhandava, onde elevações na pista servem como aviso de que na via a velocidade tem de ser baixa e a atenção redobrada.

Entre o que estudam e o que fazem a diferença é enorme.

Muro na Vinicius de Morais

Veja esta obra que se iniciou em janeiro: um muro de baixa estatura sobre a calçada da praça Vinícius de Morais, na avenida Giovanni Gronchi, vizinha do Palácio dos Bandeirantes – onde fica o Governo paulista. A justificativa da Subprefeitura do Butantã para a construção é o risco que os veículos acarretam às centenas de pessoas que passeiam naquela área de lazer.

Estão construindo um guardrail de concreto que em lugar de defender as pessoas sinalizará aos motoristas a liberdade para acelerar.

Em vez de impedir que os carros andem em velocidade imprópria, decidiram isolar os pedestres e criar uma excrescência do ponto de vista urbanístico. O muro, mesmo com a prometida cobertura vegetal, polui visualmente o local e estraga uma das mais belas praças que se tem na cidade que foi recuperada há cerca de oito anos graças a investimento da iniciativa privada.

Se a intenção é dar segurança às pessoas que reduzam a velocidade máxima e coloquem lombadas eletrônicas para os carros.

O autor da foto acima é o ouvinte-internauta José Rodolfo e em sua mensagem ao CBN SP usou expressões como “absurdo”, “insanidade” e “estupidez”. Sou obrigado a concordar com ele.

A defesa da construção do muro na praça é pautada pela mesma ideia que leva a criação de corredores de ônibus sem ponto de ultrapassagem para não atrapalhar os carros; a investimento de bilhões de reais em novas pistas para automóvel; e ao incentivo fiscal para a indústria automobilística sem nenhuma política para a retirada da frota antiga.

A reportagem sobre as pistas coloridas está no Estadão (leia aqui)

MP pede explicação à Subprefeitura
(publicado às 14:52)

O promotor de Justiça da área de habitação e urbanismo da Capital Maurício Antonio Ribeiro Lopes quer explicações da Subprefeitura do Butantã sobre a obra na praça Vinícius de Morais. Após ouvir a notícia no CBN SP intimou o subprefeito da região a comparecer na promotoria dia dois de março, às quatro da tarde.

O promotor Maurício Lopes está à frente de inquérito civil que trata da conservação das praças públicas na cidade e informa que recebe denúncias sobre a situação dessas áreas pelos e-mails marl@mp.sp.gov.br e pjhurb@mp.sp.gov.br ou pelo telefone 3119-9119.

Conte Sua História de SP: Meu pai do Ipiranga

 

Mayra Moya é filha do seu Antonio que nasceu em São Paulo no início do século passado. A história dele está diretamente ligada a da cidade e a forma como os bairros se desenvolveram, em especial o Ipiranga:


Ouça a história de Antonio Moya sonorizado por Cláudio Antonio

Foi em 13 de outubro de 1920 que cheguei a São Paulo. Recebi o nome do meu pai e avô: Antonio Moya Carlete. Meus pais, imigrantes, recebiam o primeiro de cinco filhos, no bairro do Ipiranga.

O pai era espanhol, de Calasparra/Mursia; minha mãe, de família italiana, de Venezia Giulia. Se conheceram e se casaram em S. Paulo.

Nós moramos durante muitos anos na Rua Almirante Lobo, no bairro do Ipiranga. Pude acompanhar o crescimento do bairro e da cidade através da construção de casarões imponentes, das muitas linhas de bonde e da chegada de imigrantes.

Minha infância e adolescência foram muito felizes. Meus tios, irmãos do meu pai, moravam todos vizinhos. Espanhol, italiano e português se misturavam em nosso vocabulário, mas não tínhamos problemas em nos comunicar com toda família e amigos.

Lembro do Grupo Escolar São José, onde fiz o curso primário. Ficava perto do Museu da Independência e o longo trajeto era sempre uma aventura com primos e muitos amigos.

Quando eu tinha uns 10 anos, lembro que as boiadas passavam 3 vezes por semana, vindas da Estação de Trem, pela Rua do Manifesto, subindo a Almirante Lobo em direção ao matadouro na Vila Mariana. Era perigoso e tínhamos que ficar dentro de casa pois sempre havia a possibilidade de um estouro da boiada, mas a gente se divertia.

Na Revolução de 1932, anunciavam nas rádios que os paulistas estavam vencendo. No entanto, as tropas oficiais passaram em frente de casa para tomar o palácio do Governo. Como não conheciam a cidade, ficavam pedindo informações como chegar ao centro de SP. A gente falava que era só seguir a linha do bonde.

Na década de 1940 fiz curso de pilotagem na Escola Santos Dumont e no Campo de Marte, enquanto concluia a Contabilidade. Cheguei a ser convocado para a guerra, mas enquanto estava esperando para viajar, a guerra acabou.

Me casei em 1945 e em seguida fui morar na R. Agostinho Gomes, também no Ipiranga. E foi nessa casa, na década de 1950, que nasceram meus três filhos.

Em 1960 mudamos para Santos, onde ficamos por cerca de 10 anos.

Voltamos para cá, no início dos anos 70, desta vez para o bairro de Moema. Na época era um lugar tranqüilo e pouco movimentado. Quando chegamos, na Av. Ibirapuera ainda passava o bonde que vinha da Vila Mariana e ia até Sto. Amaro. A Av. dos Bandeirantes era só um projeto… As avenidas Rubem Berta e 23 de Maio estavam em construção. Os comentários eram que não havia tantos carros para tantas avenidas…

Realmente, na década de 1970 era muito fácil e tranquilo circular por essas avenidas e pelo bairro.

Ficamos por cerca de dois anos na Av. Sabia, bem perto do Largo de Moema e depois construí uma casa, na Av. dos Carinás, onde estamos até hoje.

Chegamos antes do Shopping Ibirapuera e vimos ele ser construído e mudar as características do bairro.

O bairro cresceu de uma maneira incrível.

Foi aqui que minha esposa e eu assistimos aos nossos filhos se formarem, casarem e os netos começarem a chegar. São seis netos e um bisneto.

Infelizmente, depois de 64 anos juntos, minha esposa nos deixou. Partiu em 2009, deixando muitas saudades e boas lembranças.

Antonio Moya Carlete é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você participa enviando seu texto ou marcando uma entrevista no Museu da Pessoa.

Avalanche Tricolor: É assim que se faz

 

Grêmio 5 x 0 Ypiranga
Gaúcho – Olímpico Monumental


A partida mal havia se iniciado e o primeiro chute da artilharia gremista foi disparado contra o gol adversário. De uma distância média, com força e direção desviada pelo adversário, a bola foi para fora. O cronometro não completara a segunda volta quando o placar foi aberto. O escanteio bem medido e treinado se transformou no primeiro gol de cabeça.

Mais uma jogada veloz, troca de passe certeira, movimentação alucinante de seus jogadores e o dois a zero foi confirmado com um chute forte no alto e sem chance para o goleiro.

Antes mesmo de o primeiro tempo se encerrar, novo gol. Era mais uma bola jogada com precisão dentro da área, mais uma chegada forte da equipe para consagrar a classificação à próxima etapa do Campeonato Gaúcho.

E se havia dúvidas na disposição do time. Assim que começou o segundo tempo fez o quarto gol – o terceiro de cabeça.

Na tarde deste domingo, o Grêmio entrou no Olímpico Monumental disposto a dar uma lição àqueles que ainda não entenderam a seriedade com que o futebol tem de ser jogado.

Desmerecer o adversário, nunca será uma opção, e impor sua superioridade é preciso. E isto se faz jogando bom futebol.

Poderia citar André Lima, Douglas, Borges e Leandro na descrição dos gols marcados, mas não seria justo com o restante do time, pois é importante ressaltar a maneira como a equipe toda tem se comportado.

Repetiria o erro dos comentaristas de “melhores momentos” que exploram o lugar-comum na análise do futebol. Aqueles que passarão os dias a dizer: a jogada aérea é o forte do Grêmio. Têm razão, é forte mesmo. Mas esta só se concretiza porque com a bola no chão o talento fala mais alto. E este tem sido gritante.

De vida e a Deus

 

Por Maria Lucia Solla


Cantando, sofrendo, chorando, amando detestando.
Enfrentando.
Escrevendo letras, calando palavras, sonhando, esperando, satisfazendo, frustrando. Vou levando.
Isso é vida! diria a mamãe.

mas isso é vida mãe
pra quem não a vive adormecida temerosa
pra quem mesmo com alma em polvorosa e carne dolorida
reconhece nela beleza grandeza
e lhe dedica gratidão no amor e na dor

em constante desequilíbrio
me pondo em pé na nave
destemida
sou louca tagarela destrambelhada
mas ponho pra fora a dualidade escancarada
e sou equilibrada e contida

Tem vezes que passo mal, de um jeito ou de outro, e meu único medo não é o de morrer, mas de deixar de viver.

mais recebo do que ofereço
mas rio mais do que me entristeço

só eu sei de mim
novelo sem fim

minha dor é só minha
por mais que os amigos queiram
que eu a divida em pedaços e lhes dê um tanto
no entanto nem tentando

posso despertar no outro
a dor de me ver doendo
mas jamais um vai poder sentir do outro
da dor nem do amor
o sabor

E curtindo ou sofrendo, me agarro à vida, que é forma visível e palpável de Deus, que decide se mereço ou não mereço; e eu, loucamente, continuo sendo a mais religiosa sem religião que conheço.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung

O cigarro do Ronaldo

 

Por Dora Estevam


 
O cigarro é mesmo o vilão. Digo isso porque foi só o jogador Ronaldo se despedir do futebol e pronto – o agora-eu-posso falou mais alto. Ele e o amigo Roberto Carlos caíram num cigarrinho. E, a se notar na foto, estava bem gostoso.
 
Confesso que fiquei desapontada com os moços tragando e conversando numa boa. Não quero me meter na vida deles, mas não combina. Não cai bem para jogadores experientes como os dois.

Sabe-se agora que eles fumam há bastante tempo e o tema teria sido assunto interno da seleção brasileira na Copa de 2006. A imagem feita pelo repórter fotográfico José Mariano, da Agência Estado, apenas escancarou o hábito.

Conhece aquele ditado: “o que os olhos não veem o coração não sente”

É por aí.
 
Pelas notícias já soubemos de muitos envolvimentos dos garotão com mulheres, travecas, baladas … mas com cigarro? Ainda se fosse um astro de Hollywood poderia dizer que começou a fumar porque fez um personagem que pedia esse comportamento. Mas creio que não é o caso.


 
Mesmo em Holly agora a onda é usar o cigarro eletrônico. Johnny Depp usou um no filme “O Turista”. A cena aparece logo no inicio do filme. Dá para ver bem como funciona. Para atores que não fumam  o cigarro eletrônico aparece até na versão sem nicotina.
 
O aparelhinho é todo equipado com um inalador, um cartucho, um atomizador ou chip e uma bateria recarregável. Ele acende na ponta simulando um cigarro de verdade. Até a fumaça sai da mesma forma.
 
Calma, calma, antes que digam e “daí esta fumaça …”! Ele vaporiza a nicotina, ou seja, a fumaça é apenas um vapor. Dizem que é mais saudável por só possuir nicotina, e que tem menos substâncias tóxicas que as 4 mil que um cigarro comum possui. Para quem quer parar de fumar, eles são vendidos com menos nicotina ou até sem.


 
O uso do cigarro eletrônico já virou febre em todo o mundo, mas no Brasil nem pensar. A Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária reprova o aparelho. Desde 2009 a importação do dispositivo eletrônico está proibida. É que a Anvisa não sabe até que ponto o seu uso pode prejudicar a saúde.

De volta a dupla RR. Se ao menos os dois estivessem fumando um desses sem nicotina, quem sabe abrandaria a decepção.
 
Mas é isso, o cigarro é um vício e tem muita gente que recorre a ele. Poderia ser na bebida, nas drogas, na comida ou sexo. Existem milhões de pessoas que tentam parar mas não conseguem. É muito difícil mesmo, por isso é um vício.
 
E o vício agora declarado também é do Ronaldo e do Roberto Carlos.
 
Que pena!
 
Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung