De vida e a Deus

 

Por Maria Lucia Solla


Cantando, sofrendo, chorando, amando detestando.
Enfrentando.
Escrevendo letras, calando palavras, sonhando, esperando, satisfazendo, frustrando. Vou levando.
Isso é vida! diria a mamãe.

mas isso é vida mãe
pra quem não a vive adormecida temerosa
pra quem mesmo com alma em polvorosa e carne dolorida
reconhece nela beleza grandeza
e lhe dedica gratidão no amor e na dor

em constante desequilíbrio
me pondo em pé na nave
destemida
sou louca tagarela destrambelhada
mas ponho pra fora a dualidade escancarada
e sou equilibrada e contida

Tem vezes que passo mal, de um jeito ou de outro, e meu único medo não é o de morrer, mas de deixar de viver.

mais recebo do que ofereço
mas rio mais do que me entristeço

só eu sei de mim
novelo sem fim

minha dor é só minha
por mais que os amigos queiram
que eu a divida em pedaços e lhes dê um tanto
no entanto nem tentando

posso despertar no outro
a dor de me ver doendo
mas jamais um vai poder sentir do outro
da dor nem do amor
o sabor

E curtindo ou sofrendo, me agarro à vida, que é forma visível e palpável de Deus, que decide se mereço ou não mereço; e eu, loucamente, continuo sendo a mais religiosa sem religião que conheço.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung

12 comentários sobre “De vida e a Deus

  1. Ai Mike Lima

    ‘Deixe avida melevar, avida leva eu”

    By Zeca Pagodinho

    E agradecer a Deus por todos os dias.
    Ruim ou bom.

    Pois através do ruim e do bom é que aprendemos a viver na dualidade existente na vida de todos.

    Né verdade?

    Bjus
    Alpha India November.

  2. Maria Lucia,

    já faz anos que exploro o mundo dos códigos e dos signos pelo estudo da linguagem, da comunicação, da psicanálise, do saber e de muitas outras formas. No entanto, nunca defini meu objeto! Porque cada linguagem propõe um paradigma de mundo diferente.

    Quando jovem, meu professor de Semiótica, Naief Sàfady afirmou:

    – “Nascemos apenas com uma ideia na cabeça e não fazemos outra coisa senão desenvolvê-la ao longo de toda a nossa existência.”

    Disse para mim mesmo:

    – “Será, então, que não é possível que haja uma mudança de vida?” Que reacionário! Perto dos 62 anos de idade, entendi que meu professor tinha razão: de fato, durante toda a minha vida persegui tão-somente uma única ideia. O único problema é que não sei que ideia é essa!

    Creio que estou chegando lá. De tanto me dedicar à semiologia, estou cada vez mais convencido da possibilidade de que o mundo não existe, de que ele nada mais é do que um produto da linguagem.

    Maria Lucia,

    a sintaxe é um caso a parte. Segredo inviolável.Quem indaga é incompleto. Parabéns!

    Abraços,

    Nelson Valente

  3. Ainda entro no meu quarto escuro. Lá dentro a lâmpada não me ilumina, não quero. Entro nele pra revelar rolos de fotografias e montar quadros das fotos onde apareço. É a minha imagem que interessa. Olhando pra ela eu me recordo do propósito e do resultado das escolhas que fiz, as vezes gosto, tem vez que não mas no final muito pouco fica sem que eu saiba o que era ou para que foi. No meu quarto escuro, não entra mais ninguém e eu que não gostava, agora fico nele quanto eu precisar. Veja que sorte Malu. Olhando as fotografias lá dentro, dá tempo de enxergar onde nelas eu não estava só e quando saio pra vida é mais fácil encontrar as mãos que se estenderam, os degraus e as passagens que julguei não existirem mais. Do que não descubro a utilidade, me desfaço. Utilidade pra alguém, ha de ter.
    Outro dia mesmo estive lá e uma doce amiga bateu à minha porta. Estávamos os dois, prontos pra enfrentar mais uma xícara de café.

  4. Olá Maria Lucia,
    Chegou mais um final de semana e encontro marcado aqui no Blog do Milton Jung.Gostei da foto do Arco -Iris publicada no álbum Flickr do Milton, muito bacana sua iniciativa em compartilhar conosco um momento muito especial.
    Acredito que, Viver e buscar o melhor a cada dia é um desafio, fundamental no sentido de crescimento espiritual e intelectual,”encarar “os desafios, desavenças e tropeços é justo para nosso amadurecimento.Mas é aí que entra a Fé, coragem , amor e agradecimento.
    beijos,

  5. Nelson Valente,

    escrevi uma resposta para você, mas quando cliquei no enviar faltou uma informação e o revide da máquina foi levar embora, para um buraco negro desses que existem por aí, o que escrevi.
    Uma máquina, levando de mim a comunicação.

    Insisto, já que dei a ela toda a informação que exige:

    Ufa! eu disse. Achei que você fosse dizer que tinha descoberto que ideia era essa.

    Mas levada pela tua reflexão, penso que sobrevivência é a ideia que povoa o instinto – e os que pensam a complicamos – de todos os seres vivos. A árvore se agarra ao palco da sua vida, ainda que tenha que destruir calçadas, estourar muros, seja o que for que a impeça de continuar a viver.

    Não há significada para a vida. A vida é o significado.

    Super obrigada, viu?

    beijo e boa semana,
    ml

  6. sérgio,

    quando a gente acha que tudo está perdido, o outro nos oferece generosamente os seus ouvidos, e abrindo todas as portas, oferece todos os assentos e ainda nos mata a sede. Ouvido de amigo é ouvido doce como o mel!

    Torço para que o seu quarto escuro esteja sempre pronto pra você, com ouvidos doces.

    Obrigada.

    beijo e boa semana,
    ml

  7. Marcos Paulo,

    que bom que vc gostou. O céu é um dos meus temas favoritos. Vou mandar mais, embalada pelo teu incentivo! Não as vi lá, ainda. Vou ver.

    Você sabe porque a esperança é a última que morre? Por que seu lado sombra, a desesperança, já terá nos matado, todos!

    Brincadeira. Não resisti.

    Na verdade, quando formos humildes e sábios o suficiente para reconhecermos que tudo, absolutamente tudo parte de nós e que nada, absolutamente nada vem do outro, então viveremos e morreremos de mãos dadas com ela.

    Obrigada.

    beijo, boa semana e até a semana que vem,
    ml

  8. Olá, Maria Lucia.

    As interpretações da vida se apresentam na mais pura simplicidade, viver é para poucos sobreviver para a maioria e se entregar para a vida é sabedoria.
    Vejo uma luz em seus texto e te vejo além.
    Beijos da chefe amiga

  9. Inês, minha “chef” favorita!

    Não consegui experimentar as delícias que você me mandou porque andei meio fora do prumo aceitável, mas elas são motivos mais do que suficientes para eu melhorar.

    Que bom que você vê essa luz.
    e que bom que você veio até aqui.

    Obrigada.

    beijo,
    ml

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