Divórcio

 


Por Abigail Costa

Entre mãe e filha a conversa era sobre o casamento mal sucedido da pequena. O filme mostrava uma história que se passava em décadas dos “entas”.

Com mais experiência a cinquentona dizia:

“É preciso sabedoria pra manter um casamento; a rotina, dias mais pesados…. é preciso fazer vistas grossas a traição do marido”

“Mas e a minha felicidade mamãe”, implorava a coitada aos prantos.

Com a voz embargada pelas lágrimas tomou coragem e largou: “Quero o divórcio!”

“Nem pense nisso – a voz da mãe soou mais alto – você ficará marcada”.

Nos anos de mil-novecentos-e-alguma-coisa, ser divorciada era coisa de mulher que não prestava. Pelo menos isso ficou bem claro no filme.

Convivendo com amigas que passaram pelo outro lado do casamento, me pego pensando no assunto. Quanto mais pergunto mais fico impressionada com a coragem dessas mulheres.

Não pela coragem de deixar uma vida confortável de contas pagas e viagens programadas com direito a presentes inusitados.

Coragem de reconhecer que a felicidade acabou. De não se contentar com a vida cheia de surpresas, mas vazia de sentimento.

Mulheres que querem muito mais do que reconhecimento no estado civil.

Deve e é difícil olhar no olho do outro e dizer: não te amo mais, quero me separar de você.

Imagine não saber a reação do parceiro.

Claro que até pode acontecer de um belo dia alguém acordar e ter vontade de ficar só, sair de casa e não voltar mais.

O normal, eu penso, é a relação ir escorregando por entre os dedos, feito xampu mal posicionado na mão.

Mesmo assim, há de se pesar os anos vividos, a vida confortável, os filhos e a tal sociedade.

Perguntei sobre isso. O troco foi ótimo.

“Sociedade quer dizer os outros, é isso? Os outros vão ficar como estão, cuidando de suas vidas. A opinião deles não me conforta a ponto de voltar no tempo, àquela felicidade que existiu.

Me alegra a coragem. Mais ainda quando esta é em nome da felicidade.

Abigail Costa é jornalista e escreve no Blog do Mílton Jung


Mande seu material para o Blog Action Day 2010

 

Crianças se comprometeram a enviar “fanfics” e desenhos, ouvintes encaminharam artigos e colaboradores prepararam uma seleção de fotos. A unir todo este material está a “ÁGUA” tema que mobilizará milhares de blogueiros em todo o mundo em mais uma edição do Blog Action Day e que, pelo terceiro ano seguido, terá nossa participação aqui no Blog do Mílton Jung.

Repetindo o modelo do ano passado, vamos incluir o CBN São Paulo neste movimento com pautas relacionadas ao assunto. Faremos entrevistas e teremos comentários sobre o tema, além disso, mensagens de ouvintes-internautas também serão reproduzidas no ar.

Aqui no Blog, você é convidado a enviar seu material, também. Pode ser texto, foto, vídeo ou mesmo arquivo de áudio desde que o tema central seja a água. Mande a sua ideia ou sua opinião para milton@cbn.com.br, de preferência encaminhe ainda nesta quinta-feira para que possamos fazer uma edição bem legal.

Hoje, a organização do evento confirmou a participação do Blog da Casa Branca que fará post sobre a importância da água potável e a necessidade de controlarmos o uso deste bem que é finito.

Se você tiver um blog, não deixe de cadastrá-lo no site oficial do Blog Actioin Day 2010.

Um dia na Favela do Moinho

 

A Favela do Moinho é como todas as outras que estão no imaginário paulistano. Tem cerca de 900 famílias, 4.500 moradores, sem rede de água e esgoto, e a energia elétrica é garantida pelos “gatos” que dão luz e perigo de vida. Apenas não se pode dizer que ali se tem uma vida típica do paulistano despejado na periferia porque a favela está esmagada entre as linhas de trem da CPTM, no centro da cidade, a três quilômetros da Praça da Sé.

No Dia das Crianças, um grupo de grafiteiros e fotógrafos foi até lá, pintou paredes, interagiu com as crianças, distribui brinquedos e doces, e saiu convencido de que a cidadania é um direito ainda a ser conquistado por comunidades paulistanas.

O Massao Uehara, que integra o Adote um Vereador, levou sua versão fotógrafo para o evento batizado de “A vida é um moinho” e compartilha com os leitores do blog sua experiência.

Adote um Deputado de olho no Tiririca

 

Com 1,3 milhão de votos e candidatura questionada pela justiça, Tiririca é um dos primeiros eleitos a ser alvo do Adote um Deputado, irmão mais novo do Adote um Vereador lançado há dois anos. Alecir Macedo que acompanha a vida parlamentar de Netinho de Paula do PC do B, na Câmara Municipal de São Paulo, decidiu ampliar seu foco de ação ao Congresso Nacional.

No nome do blog, uma ironia com o jargão da campanha do deputado mais votado no Brasil: “Pior do que tá não fica? – Cuidando do Tiririca”.

E no conteúdo que começou a ser postado dia nove de outubro, Alecir explica de maneira dura porque pretende fiscalizar o novo parlamentar: “Estarei de olho em suas ações na Câmara de Deputados, acompanhando seus passos e fazendo valer cada voto inconsequente que teve a seu favor. Você votou por analfabetismo eleitoral, agora eu acompanho o mandato dele”.

Boa parte do material ainda é resultado de pesquisa feita nos meios de comunicação e divulgação de vídeos sobre o candidato, mas em breve a ideia é fazer cobranças diretas ao palhaço e humorista Tiririca, caso ele consiga assumir o cargo de deputado federal, já que ainda precisará comprovar que é alfabetizado – aliás, um caso inédito na política brasileira.

Além de fiscalizar Tiririca e Netinho de Paula – este através do Blog Cuidando da Cidadania -, Alecir Macedo mantém o Vila Cachoeirinha Urgente.

E você, já escolheu qual deputado vai seguir a partir de agora.

Desemprego ganha Nobel

 

Railroad_08

Por Carlos Magno Gibrail


À sabedoria da natureza, que demonstra em seus sistemas que a cura do mal pode ser feita pelo próprio mal, alia-se agora o Prêmio Nobel de Economia.

O Modelo DMP de Peter Diamond do MIT, de Dale Mortensen da Northwestern University e de Christopher Pissarides da London School of Economics, desenvolveu a teoria econômica que apontou a flexibilização do mercado de trabalho para estimular e melhorar a geração de empregos. Isto é, facilitar as demissões irá facilitar as admissões, principalmente se o desemprego não for estimulado com auxílios duradouros.

É um prato e tanto para ser saboreado por Dilma e Serra neste momento de obscurantismo em que o debate presidencial está se encaminhando.
Um pouco amargo talvez para o senador republicano Richard Shelby que impediu a nomeação de Peter Diamond para o FED Federal Reserve, feita por Obama.

O presidente americano certamente buscou Diamond para um dos sete postos do conselho de diretores do Fed e de seu Comitê Federal, que define as taxas básicas de juros, influenciando a atividade econômica e a inflação, porque já sabia o que o economista Paulo Krugman escreveu em sua coluna no The New York Times sobre o trabalho de Diamond: “Trabalho fundamental sobre todo o tema da relação entre o desemprego e a taxa de emprego”.

Uma das conclusões dos premiados do Nobel, é que o mercado de trabalho não funciona como o de produtos, pois oferta e procura não atuam como no caso clássico. Não se encontram na mesma velocidade e com os mesmos custos. Não se amolda também da mesma forma, pois os trabalhadores não estão dispostos a baixar salários na mesma medida que os produtos. Além disso, a mão de obra está sujeita a desmotivação e quando se reemprega pode não desempenhar o suficiente para preencher a necessidade da função.

Na Europa, John Van Reenen, chefe de Pissarides na London School, relata que “ele demonstrou que as regulações do mercado de trabalho, as barreiras ao ingresso no mercado de novas empresas de serviços, as políticas fiscais e previdenciárias afetam as disparidades do emprego em todo o mundo”.
Pissarides defendeu normas mais flexíveis a serem implantadas na Europa e ganhou. Mas não levou, pois segundo Van Reenen: “Essas normas se baseiam nos princípios econômicos corretos, mas que as maiores barreiras à sua implementação decorrem da ausência de vontade política”.

O jornalista econômico Philip Inman do The Guardian reproduzido no Estadão de ontem, discorda: “Esses princípios econômicos “corretos” foram abandonados porque afetam os eleitores comuns”.

A observação importante para os BRICS é que ficam mais fáceis mudanças em início de desenvolvimento do que com estruturas antigas estabelecidas. É uma área em que temos chance de ficar em melhor posição que Rússia, Índia e China. Ou vamos continuar discutindo crenças e normas religiosas?

Obs. A Dinamarca (veja artigo de 17/12/08) comprova a possibilidade da flexibilização.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas no Blog do Mílton Jung

Imagem de Timothy Vogel do álbum digigital no Flickr

Foto-ouvinte: Lixo descartado na avenida

 

Descarte no centro

Por Devanir Amâncio
ONG EducaSP
 

A cena mostra a necessidade de  mudança cultural profunda no hábito de sujar a cidade. Restos de  mudança (móveis,televisor e máquina de lavar roupas) foram deixados na Avenida Nove de Julho, na manhã de segunda – feira 11/10,em frente ao número 683. Se reciclado o que há no local , ajudaria a mobiliar uma casa. O Centro  é o  que mais sofre com esse tipo de agressão ambiental. A criação de novo modelo de ecoponto  poderia, e muito,  minimizar o problema.
 

Foto-ouvinte: Avenida descartada no lixo

 

Lixo interrompe avenida

Está cada vez mais complicado passar pela avenida Aldo Ribeiro Luz, em Pirituba, na zona norte da capital. E o problema não é o congestionamento de carro, mas de lixo. O ouvinte-internauta Glicério Rocha diz que o irônico da cena e saber que logo após o entulho tem o portão de entrada da Enterpa Engenharia, empresa que, entre outras funções, trabalha no setor de limpeza.

Agora o outro lado:

Resposta da Subprefeitura da Freguesia/Brasilândia

Em atenção à reclamação de ouvinte veiculada no programa CBN São Paulo, cuja fotografia foi publicada no blog do Milton Jung, sobre acúmulo de lixo na avenida Aldo Ribeiro Luz (continuação da Avenida Brasilina Vieira Simões), a Subprefeitura Freguesia/Brasilândia informa que trata-se de um ponto viciado e ali são realizadas constantes ações de limpeza.

Com o objetivo de acabar com o acúmulo e transformar o espaço, a empresa com sede no local entrou com um pedido de Termo de Cooperação para cuidar da área que na verdade é a calçada de sua edificação. O pedido está em andamento e em breve o local estará completamente diferente.

A Subprefeitura ressalta ainda que o depósito de lixo e entulho em via pública prevê multa de R$ 12 mil e apreensão do veículo utilizado para o transporte do material. Qualquer denúncia ou solicitação pode ser realizada pelo telefone 156, Praças de Atendimento da Subprefeitura ou pelo site

Basílica de Aparecida, maior estacionamento do mundo

 

Destacado internacionalmente, o estacionamento do templo religioso no interior de São Paulo recebe quantidade de ônibus que supera a frota da maioria das cidades brasileiras e pode ser considerado um dos maiores terminais de ônibus do mundo.

Por Adamo Bazani

Quatro mil ônibus colocados lado a lado, dos quais 2,5 mil fretados, junto com mais de 6 mil carros, em uma área de cerca de 272 mil metros quadrados, formam o maior estacionamento do mundo que pode ser encontrado na Basílica de Aparecida, conforme registra o Guiness Book, o livro dos recordes.

Para se ter ideia, esse número de ônibus é 10 vezes superior a toda frota municipal de uma cidade como Santo André, no ABC Paulista, que tem cerca de 400. O terceiro maior templo católico do mundo comporta em torno de ¼, mais precisamente 26,6%, da frota que atende a capital paulista onde rodam 14 mil 995 mil ônibus cadastrados.

Sem exageros, a Basílica de Aparecida, na região do Vale do Paraíba, interior de São Paulo, pode ser considerado um dos maiores terminais rodoviários do mundo. Isso sem contar que o templo recebe também fiéis vindos de ônibus urbanos e rodoviários de linhas regulares, não fretadas.

A foto, conservada por Jorge A. Ferreira, mostra que o local é testemunha da evolução da indústria de ônibus e do transporte coletivo em geral. A imagem é de 1961, quando a torre da basílica ainda estava sendo erguida. Nela podem ser vistas preciosidades da história dos transportes, como Monoblocos O321, da Mercedes Benz, os primeiros ônibus integrais, que unem num bloco só motor, chassi e carroceria, de alcance nacional e internacional fabricados no Brasil, além de velhos Carbrasas e Nicolas, entre outros.

E quem quer dar um passeio pelo passado e até mesmo pelo futuro da história dos ônibus, uma volta no enorme estacionamento é uma boa pedida. Isso porque, o local, principalmente no dia 12 de outubro, recebe ônibus do Brasil inteiro, de empresas de diferentes portes e passageiros com situações financeiras distintas. Assim, é possível ver os modelos mais modernos do mercado, com computadores de bordo, ambientes para jogos e entretenimentos eletrônicos, até os veículos mais simples do início dos anos de 1980, às vezes até mais antigos.

A Basílica chega a receber em feriados prolongados como este até 400 mil fiéis. E foi essa demanda e a necessidade de receber de forma mais organizada possível que motivou a construção do atual templo. As movimentações para que a Basílica atual fosse construída começaram em 1926 por romeiros e funcionários do templo da época. A estrutura era pequena para o número de religiosos. Mas os pedidos foram negados pelo então arcebispo de São Paulo, Dom Duarte Leopoldo, que preferiu concentrar esforços para ampliação de igrejas na capital e do Seminário do Ipiranga, também na cidade de São Paulo.

A iniciativa só foi abraçada em 1939 pelo sucessor Dom José Gaspar. Mas a trágica morte do religioso num acidente de avião, em 1943, interrompeu os planos. As obras tiveram um início tímido em 10 de setembro de 1946, quando foi lançada a pedra fundamental que pouco tempo depois foi roubada. As obras só se intensificaram em 1955 e além de dízimos e doações dos fiéis, recursos públicos foram usados.

O Governo Federal ofereceu o transporte de cimento. Com recurso público foi feita toda a estrutura de ferro da torre principal. As obras de canalização da Ponte Alta e do nivelamento do Morro dos Pitas saíram dos cofres estaduais, além do asfaltamento da praça principal. A Basílica só foi concluída quase 40 anos depois do início das obras, em 4 de julho de 1980.

As empresas de fretamento devem muito a fé, pois Aparecida é um dos maiores mercados para o setor. Em contrapartida, a Igreja Católica tem de agradecer ao serviço de ônibus, sem este não haveria como tantos fieis seguirem a caminho da Basílica.

Adamo Bazani é jornalista da CBN, busólogo e escreve no Blog do Mílton Jung

Foto-ouvinte: Arte no rio morto

 

Arte no Rio Tietê

Por Marcos Paulo Dias

Passando pela Marginal Tietê, no bairro da Penha, zona leste da capital, me chamou atenção este grafite às margens do rio. A primeira vez foi há cerca de um mês, e o trabalho ainda não estava pronto. Não conseguia, porém, parar no local para fotografar devido ao trânsito. A espera foi rentável, a arte foi ganhando forma, contorno, cor e dimensão, contribuindo para a revitalização do local onde o rio “corre morto”, sem oxigênio e com mal cheiro. Não posso dizer o nome do artista nem do personagem, pois das diversas vezes que passei por lá não tive a sorte de encontrá-lo. Mas aqui fica o registro, para compartilhar com vocês a coragem e determinação dele (ou deles), que no meu ponto de vista acredita em uma cidade melhor.

Quem souber o autor deste trabalho, não deixe de nos informar.

Lá vem o Adote um Deputado …

Era inevitável, na primeira reunião do Adote um Vereador após a eleição o rumo da conversa seria como agir com os novos parlamentares. Tem vereador que virou deputado estadual, tem vereador que virou federal, tem vereador suplente que vai virar vereador de verdade. E tem a cobrança para se estender a campanha para as demais casas legislativas.

Desta vez não estive por lá, mas não faltaram café e esfiha nem gente interessada em discutir a importância da cidadania, apesar do início do feriadão de Aparecida. Do Blog Fiscalizando o Ricardo Bezerra, mantido pelo versátil Mário Cezar Nogales, reproduzo alguns parágrafos:

Neste sábado houve mais um encontro da turma do Adote Um Vereador, ali na cantina do Centro Cultural São Paulo, e mais uma vez, entre cafézinhos e esfihas conversamos a respeito do que os parlamentares vem fazendo. Além de mim também estavam presentes o Cláudio Vieira, Sérgio Mendes e Massao ( os três mosqueteiros ) e entre conversas e fotografias trocamos ideias sobre as ultimas eleições e os vereadores que foram eleitos para outras esferas parlamentares.

Como não podíamos deixar de citar, já estou controlando os parlamentares que votei e que foram eleitos, o Aloysio Nunes para o Senado e o Carlos Alberto Bezerra Jr (este último atual vereador), além de estar acompanhando o Vereador Aurélio Miguel, o Deputado Estadual Re-eleito Fernando Capez, e o Senador Suplicy.

Dentre os parlamentares que a turma acompanha temos também a novidade, o Alecir que não pôde comparecer, começou a acompanhar o Candidato Eleito Francisco Everardo, mais conhecido como TITIRICA. Em breve mais parlamentares como Deputados Estaduais e Federais estarão sendo acompanhados por esta turma.

Um ponto da nossa conversa ficou para definição em geral, agora com parlamentares de outras esferas como deveremos nos chamar? adote um politico? adote um parlamentar? adote um deputado? adote um senador? ou todos de uma vez só? Não chegamos a uma conclusão.

Minha preferência é seguirmos a mesma linha do Adote um Vereador e batizarmos os próximos passos de Adote um Deputado e Adote um Senador. Quem tiver ideia melhor, não se acanhe. Mande sugestão para cá. E mesmo que não a tenha, adote alguém, passe a acompanhar o trabalho dele, fiscalize, monitore e controle. E não deixe de compartilhar todas as informações que você levantar em um blog.