Presidente da Câmara nega ser autor de “pichação”

 

Campanha eleitoral irregular

As lâmpadas seguem sendo pintadas nos muros da zona Sul de São Paulo e apesar da semelhança com a logomarca usada nas campanhas eleitorais do presidente da Câmara Municipal Antonio Carlos Rodriguez (PR), ele nega a autoria. Em nota enviada ao CBN São Paulo, o vereador disse que “fui surpreendido com as ações adotadas; as lâmpadas não seguem o padrão do logo que utilizo”.

Antônio Carlos informa, ainda, que não será candidato a deputado estadual ou federal nas próximas eleições. No fim do ano passado, pessoas próximas do gabinete do vereador chegaram a dizer que ele disputaria uma cadeira na Câmara dos Deputados, o que provocou movimentação de colegas interessados em assumir o posto de presidente do legislativo municipal.

Três nomes estavam cotados para a função: José Police Neto (PSDB), líder do Governo na Câmara; Aurélio Miguel (PR), que teria entrado em choque com Rodrigues após ter seu nome citado como eventual substituto; e Milton Leite (DEM) que mesmo não havendo a disputa agora, prepara o o “campo” para o fim do ano quando haverá mudança no comando da mesa diretora da Câmara.

Como as encarroçadoras de ônibus andam no País

 

Roberto Ferreira, da Fabus, há mais de 30 anos, relembra das lutas de empresários e funcionários para o desenvolvimento do setor de carrocerias, no Brasil. Na primeira parte desta nova série de reportagens, o “Ponto de Ônibus” mostra como o segmento enfrentou o período da inflação.

CARROCERIAS SOBRE CHASSI DE CAMINHAO

Por Adamo Bazani

O fechamento de uma empresa e a onda de demissão e incerteza são dos maiores sofrimentos para o trabalhador. Não se resume a números em uma estatística de desemprego, são famílias, sonhos e projetos ameaçados – um carro a ser comprado, uma casa ou um tratamento médico que caem por terra.

Quem assistiu de perto este cenário, por muitas vezes, foi Roberto Ferreira, diretor executivo da Fabus, Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus, entidade que reúne as principais encarroçadoras do país. Há 33 anos na função de executivo da entidade, Roberto diz que a indústria de ônibus se desenvolveu muito e vive condição favorável, atualmente. Nem sempre foi assim, ressalta.

“Sou enfático em dizer que a indústria de encarroçamento de ônibus no Brasil é uma grande vencedora, contribuiu com o desenvolvimento do País e, mesmo que a duras penas, soube superar os momentos econômico e social mais difíceis, no s anos de 1980 e 1990”

Nascido no Bosque da Saúde, zona sul da capital paulistao, Roberto Ferreira, de 65 anos, mudou-se para Santo André, no ABC Paulista, quando era criança. Seu primeiro contato com os transportes foi entre os anos de 1966 e 1968, quando administrava com o pai, Olegário Ferreira, uma distribuidora de bebidas na região:

“Eu cuidava da parte administrativa na distribuidora, e meu pai com um velho caminhão vendia as bebidas. Tirando a área central do ABC, as demais ruaseram de barro e cascalho. Quando chovia era um Deus nos acuda. Meu pai atolava com o caminhão e eu tinha de providenciar o resgate. Na época, para trabalhar com transporte, não bastava apenas dirigir. Tinha de entender de mecânica. E eu via meu pai trabalhando, consertando o velho caminhão. Lembro-me, por exemplo, da dificuldade que era, principalmente nos dias depois de chuva forte, a subida da Rua Gamboa para a Juazeiro, no Paraíso, em Santo André. Quantas vezes o caminhão do meu pai atolava neste lugar”.

Na distribuidora de bebidas, Roberto conheceu as dificuldades no transporte e desenvolveu experiência para gerenciar empresas:

“Peguei o tino para gerenciar e dirigir um negócio de uma tal maneira que quando vendemos a distribuidora, ela valia três vezes mais que na época quando entramos no negócio”.

Na década de 1970, Roberto Ferreira continuava no ramo de transportes. Desta vez, como gerente da Expresso Santa Catarina, em Blumenau, uma empresa de transporte de carga seca. Querendo voltar para São Paulo, ele descobre uma vaga para diretor executivo da Fabus.

“Quando cheguei na sede da entidade, na Rua Guaiaúna, na Penha, fui entrevistado por um mestre em transportes: o senhor José Massa, na época presidente da entidade e que, entre 1945 e 1946, fundou a Caio – Companhia Americana Industrial de ônibus -, homem visionário, um dos pioneiros da fase profissional de fabricação de carrocerias no Brasil”.

Em 16 de fevereiro de 1977, ele assume o cargo de diretor da Fabus. Mal sabia que anos depois, por causa da conjuntura econômica, além de problemas específicos no setor, enfrentaria um dos maiores desafios de sua carreira.

“No início, pensava que era mais tranquilo que o gerenciamento da transportadora. Quanto estive à frente da Expresso Santa Catarina, eram problemas como caminhão quebrado, frete não entregue na hora, discussões por causa do preço das entregas, e na Fabus, todas as associadas entregavam seus balanços direitinho e relatavam as necessidades do setor, para entrarmos em contato com montadoras, fornecedores e poder público. Mas, as coisas logo depois não foram tão tranquilas assim”.
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Chopp do bom e pornografia da grossa no centro

 

Camilo visita a loja, Victor tira a foto Blog Centroavante

Camilo visita a loja, Victor tira a foto Blog Centroavante

Algumas centenas de títulos pornográficos preenchem todas as prateleiras da pequena loja na rua do Triunfo. Antes motivo de satisfação, o comércio atualmente sofre forte assédio dos DVDs piratas tirando o bom humor do proprietário. Este foi um dos pontos visitados nestes dias pela dupla de jornalistas da Revista Época SP, Camilo Vanucchi e Victor Ferreira, que passou a morar no centro da cidade e publica suas descobertas no Blog Centroavante.

Na conversa desta segunda-feira, Victor contou algumas das suas impressões desta região da cidade capaz de oferecer um chopp com a qualidade daquele servido no bar do Léo e ter as calçadas tomadas por moradores de rua e viciados em droga, tudo isso na mesma rua. E não pense que fazer esta “cobertura especial” é só diversão.

Acompanhe outros passeios feitos pela dupla na entrevista de hoje no CBN SP

Pauta #cbnsp: “Eu acabaria com o rodízio amanhã”

 

CBN SPUm milhão de veículos a mais passaram a andar na cidade por causa do rodízio municipal, segundo pesquisa encomendada pelo Sindicato dos Estacionamento Particulares (Sindipark). De acordo com dados do estudo desenvolvido pelo especialista Horácio Augusto Figueira 27,5% dos paulistanos tem um carro extra na garagem para “driblar” a restrição no tráfego. “Eu acabaria com o rodízio amanhã”, disse Horácio em entrevista à CBN. A Secretaria Municipal de Transporte entende que os dados não condizem com a realidade, pois pesquisa de Origem-Destino, realizada pelo Metrô de São Paulo, mostra que houve redução na proporção de famílias com mais de um carro. Enquanto em 1997, 10,5% das famílias paulistanas tinham dois carros, em 2007 este percentual ficou em 9,5%. Ouça a reportagem.

Transporte sustentável – Passageiros transportados com segurança e conforto, ônibus rodando em corredores segregados e com motores menos poluentes. É o cenário ideal para quem sonha ter um transporte sustentável, distante daquele que encontramos na capital paulista. Especialistas e vereadores discutem o assunto hoje na Câmara Municipal de São Paulo. Cícero Yagi, do Movimento Nossa São Paulo, em entrevista ao CBN SP, chama atenção para o fato de a cidade não ter indicadores confiáveis, descumprindo lei municipal, o que prejudica o planejamento do transporte.

Gripe suína – Começa a última etapa de vacinação contra a gripe suína na capital e as filas foram constantes nos postos. Durante o fim de semana, faltaram doses em alguns locais e a justificativa é que a procura foi acima do esperado. Nesta senama, o problema não vai se repetir, disseram autoridades ouvidas pela repórter Cátia Toffoletto na reportagem que você acompanha aqui.

Esquina do Esporte – O Campeonato Brasileiro começou no fim de semana com parte dos clubes atenta nas decisões pela Copa do Brasil e Libertadores, na quarta-feira. E no noticiário a rodada perde destaque pela expectativa da chamada da seleção brasileira que será amanhã, 13h. Mário Marra, novo comentarista da CBN SP, e Marcelo Gomes falaram sobre a possibilidade de haver novidades na lista a ser anunciada por Dunga.

Passeio de trólebus celebra passado de olho no futuro

 

Em comemoração aos 61 anos do trólebus no Brasil, organizações não governamentais e empresa operadora levam a população a refletir sobre a necessidade de transportes mais limpos e apresentam obras de expansão de rede de trólebus

Organizadores do passeio de trólebus

Por Adamo Bazani

Um encontro do passado com o futuro. Foi essa a tônica do passeio em comemoração aos 61 anos de trólebus no corredor que liga São Mateus, na zona Leste de São Paulo, a Jabaquara, zona Sul, pelos municípios de Santo André, Mauá, Diadema e São Bernardo do Campo. O evento que reuniu entusiastas e especialistas no setor de transportes, neste sábado, dia 8 de maio, é fruto de uma parceria entre a Metra (Sistema Metropolitano de Transportes Ltda), que é a empresa operadora do sistema, e movimentos sociais em prol do desenvolvimento dos transportes e da ampliação da oferta de veículos com tecnologia limpa, como Movimento Respira São Paulo, Movimento Defesa do Trolebus e Portal Via Trolebus.

Além de ser relembrada a história dos trólebus, considerados os veículos mais adequados à realidade econômica brasileira para oferecer um transporte de qualidade e sem emissão de poluentes, foram apresentadas aos participantes as obras de ampliação da rede elétrica para a colocação de trólebus no trecho do corredor entre Piraporinha, no ABC Paulista, Diadema e Jabaquara, na zona Sul de São Paulo.

O gerente de projeto funcional da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanas, que atuou em diversos sistemas de transportes do Estado, Airton Camargo e Silva, afirmou que a eletrificação do corredor é uma antiga demanda da população que é servida pelo sistema do corredor ABD e que só não se realizou anteriormente por conta da descontinuidade administrativa.

“Na época do governador Franco Montoro, no início dos anos de 1980, o Metrô elaborou um grande projeto de ‘Rede Metropolitana de Trólebus”, que não previa apenas o corredor ABD, mas diversas ligações, que devido ao grande fluxo de veículos e de passageiros, se optou por serem servidas por veículos de tração elétrica para não haver degradação ambiental. O primeiro corredor a ser construído foi este do ABC Paulista. As obras começaram em 1985. Terminou o governo Montoro, o sucessor Orestes Quércia concluiu o corredor segregado em 1988, mas não eletrificou o trecho entre Piraporinha e Jabaquara. Acontece que as administrações seguintes também não se empenharam como poderiam. Só agora vemos as obras em andamento. Na verdade é um sonho antigo da população” – comenta Airton.

Problemas na contratação das construtoras também atrasaram as obras que já deveriam ter sido feitas há mais de 20 anos.

Nova estação de alimentação

Apesar do sonho ser antigo, a eletrificação do corredor será dotada de novidades em relação aos outros sistemas existentes no Brasil. É o que explica Jorge Françozo do Movimento Respira São Paulo: “O que há de moderno será instalado nesse trecho do corredor. As subestações de alimentação são mais novas e avançadas e virá ao Brasil um sistema que já deu certo na Europa. O trecho terá Rede Flexível. É um tipo de rede aérea cujos fios que fornecem energia para os trólebus são sustentados por pêndulos. Esses pêndulos minimizam os impactos causados por variações no solo, o que possibilita menos quedas de alavancas, menor desgaste de fios e, pelo fato de a rede se ajustar mais ao movimento do veículo, é possível uma condução mais simples, com maior velocidade e segurança, principalmente em curvas, e menor desgaste dos fios”. Ele também atribuiu a demora pela eletrificação do trecho à dificuldade dos políticos se decidirem em favor do meio ambiente. “Creio que até o final deste ano, as obras estejam concluídas”.

Pesquisa realizada no corredor confirma que os usuários preferem os trólebus aos ônibus convencionais, por serem menos poluentes, emitirem menos ruído e oferecerem mais conforto.

Tanto Jorge Françozo como Airton Camargo afirmam que a tração elétrica confere maior potência aos veículos, inclusive em trechos de maior exigência do ônibus, é mais econômica, pode durar até quatro vezes mais que equipamentos de outras fontes de energia, além de trazer uma qualificação ambiental da região que servem.

O passeio também foi marcado pela solidariedade. Cada um dos participantes doou um quilo de alimento não perecível. O material será repassado para a “Casa de Lucas”, unúcleo beneficente que ajuda crianças carentes, localizado em Santo André. Mensalmente a Metra doa para a entidade 2 toneladas de papel, boa parte dos bilhetes usados engolidos pelas catracas, para reciclagem.

Adamo Bazani, repórter da rádio CBN, busólogo e costuma escrever às terças-feiras no Blog do Mílton Jung, mas não perde uma viagem sequer na história do transporte de passageiros.

Use o Twitter pra cobrar seu vereador

 

Adote um Vereador

A participação do Adote um Vereador nas sessões da Câmara Municipal de São Paulo através do Twitter foi destacada por Floriano Pesaro (PSDB), em entrevista à TV Câmara, na qual falou do trabalho a ser realizado na Comissão de Meio Ambiente. O parlamentar que explora as redes sociais como poucos no legislativo paulistano comentou da preocupação dele pelo desenvolvimento sócio-econômico-ambiental.

“Discuti agora na sessão legislativa, pelo Twitter, com alguns cidadãos que nos acompanham no Adote um Vereador que comentavam sobre as favelas de São Paulo e a necessidade de realocar as pessoas que estão em áreas de risco para moradias dignas. Isso tem a ver com água, com saneamento, com infraestrutura e com meio ambiente”, disse na reportagem que você assiste aqui.

Conversamos sobre a importância de se usar estes mecanismos, no encontro deste sábado do Adote um Vereador, no Centro Cultural São Paulo. Os “adotadores” Sérgio Mendes, Cláudio Vieira, Màssao Uéhara e Mário César Nogales (parte deles na foto acima, e o Màssao com a máquina na mão), há algum tempo tem insistido neste contato com os vereadores. Nem sempre a resposta é positiva, mas as redes sociais podem criar atalhos nesta relação, sem dúvida.

Por isso, acertamos de divulgar a lista dos vereadores de São Paulo que estão no Twitter com a intenção de incentivar outros tuiteiros a conversarem e fiscalizarem o trabalho dos parlamentares. O Cláudio vasculhou e encontrou 33 parlamentares: “nem todos são ativos”, alertou. Caso você conheça algum endereço de vereador no Twitter que não esteja na lista, registre na área reservada aos comentários que a gente acrescenta em seguida:

Gabriel Chalita, Wadih Mutran, Claudio Fonseca, Adilson Amadeu, Senival Moura, Juliana Cardoso, Marcelo Aguiar, Milton Ferreira, Souza Santos, Dalto Silvano, Roberto Tripoli, Antonio Goulart, Quito Formiga, Gilson Barreto, Francisco Macena, Sandra Tadeu, Eliseu Gabriel, Agnaldo Timoteo, Penna, Ricardo Teixeira, Donato, Alfredinho, Mara Gabrilli, João Antonio, Claudinho, Zelão, Carlos Bezerra Junior, Jamil Murad, Netinho, José Police Neto, Gilberto Natlini, Antonio Carlos Rodrigues e Floriano Pesaro

Conte Sua História de São Paulo: No navio de Portugal

 

Cesário dos Santos Rodrigues Cesário dos Santos Rodrigues nasceu em Sendim, lugarejo próximo de Vizeu, em Portugal. Deixou a terra natal aos 12 anos para encontrar-se com toda a família, em São Paulo. Foram dez dias de viagem de navio onde viveu aventuras inesquecíveis, fez amizades – apesar de algumas brigas – e conheceu brinquedos jamais vistos em sua infância modesta. É, porém, a lembrança do desembaque no Brasil quando pode rever seu pai que ainda lhe proporciona fortes emoções como demonstrou durante depoimento gravado pelo Museu da Pessoa para o programa Conte Sua História de São Paulo.

Ouça o depoimento de Cesário dos Anjos Rodrigues sonorizado por Cláudio Antonio

O Conte Sua Hitória de São Paulo vai ao ar, no CBN SP, logo após às 10 e meia da manhã. Você também pode participar. Agende uma entrevista pelo telefone 2144-7150 ou no site do Museu da Pessoa.

Avalanche Tricolor: Os guris da Azenha

 

Atlético-GO 0 x 0 Grêmio
Brasileiro – Goiânia-GO

Mithyuê é um dos guris da Azenha

No primeiro olhar, a Azenha parece seu uma rua meio sem graça, em Porto Alegre. Na era pré-shopping seu comércio era fundamental. Morávamos quase ao lado, no bairro do Menino Deus, e lá minha mãe comprava lã para nossos agasalhos, sapato pra gente ir a escola, uma o ou outra traquitana pra casa. Até a lotérica ficava logo ali na esquina. Precisava de alguma coisa, resolvia na Azenha.

Hoje, só passo de carro e tenho a impressão de que a rua não evoluiu. Apesar disso, tem uma importante função na cidade: é nossa passarela a caminho do Olímpico Monumental. Muita gente segue por ela com camisetas tricolores, bandeiras em punho, almofadinha com distintivo do clube embaixo do braço. Os bonés azul, preto e branco também podem ser visto entre as calçadas e os carros, estes quase sempre presos no congestionamento, em dia de jogo.

Poucas ruas incorporam tão bem o refrão consagrado do hino do Grêmio: “Até a pé nós iremos”.

Durante a semana, é pela Azenha que muitos guris seguem a caminho dos campos da escolinha de futebol. Vestindo camisa não-oficial, calção preto e meião até o joelho – às vezes furado, outras, renovado -, poupam as chuteiras do calçamento irregular jogando-as amarradas sobre os ombros. E levam a esperança de se transformarem em ídolos do time da paixão. Poucos terão a oportunidade esperada, passarão pelas peneiras e olhares críticos dos “professores” e serão convidados a voltar no dia seguinte, seguir treinando, sonhando.

Dos 14 jogadores que estiveram em campo na estreia do Campeonato Brasileiro, Neuton, Bruno, Mithyuê, Maylson, William Magrão, Adílson, Bergson e Roberson saíram das categorias de base para vestir a camisa profissional. Talvez tenham tido mais sorte e não precisaram enfrentar o ritual da Azenha para chegar até o Olímpico.

Na próxima quarta-feira à noite, no mais importante compromisso até aqui desta temporada, porém, qualquer um desses guris – mais o zagueiro-ala Mário Fernandes – têm de ter a consciência de que a cada bola dividida, bola roubada, bola passada ou bola chutada estarão levando com eles a história, a esperança e o sonho desses Guris da Azenha – aos quais um dia me juntei na tentativa de ser jogador de futebol.

Em tempo: O Campeonato Brasileiro começou. Que cada um faça sua parte. Não nos venham mendigar pontos no fim da competição.

De foco


 

Por Maria Lucia Solla

Ouça “De Foco” na voz e sonorizado pela autora

De foco

Afine os ouvidos, abra bem os olhos, faça espaço na corrente contínua de pensamentos para que a consciência possa se expandir. Atravesse um novo portal por dia e transforme o mundo. Construa a paz. Seremos uma raça singular.

sem preto nem branco
amarelo ou vermelho
sem judeu
budista ou ateu

Raça de um único partido, em todos os sentidos, estados e países. Em todos os continentes.

Sem papo de aspirante a profeta. Sem ladainha de Nova Era ou de Terceiro Milênio. Sem mantra de Aprendiz de Guru e nem estratégia armada pelo marketeiro da hora para lançar nova grife divina, porta-voz do Altíssimo.

falo da vontade verdadeira
da disposição
falo do passo que brota da intenção
que brota do teu
e do meu coração

falo de um passo para o qual não existe
jamais poderia existir
receita ou lição
só o que existe é direção

E a direção para nós, frutos da Terra Brasil, está bem clara e estampada no seu símbolo maior:

ordem e progresso
só isso
tudo isso
é essa a nossa tarefa
nossa direção
nossa receita
nossa lição

Ordem e Progresso não é, como se quer ufanar, uma estampa, um cartão de visita do nosso comportamento de cidadão; de ser-humano. Está estampado ali, para nos lembrar da direção a seguir.

Mas nós vivemos focados no sentido oposto, adormecidos, babando, anestesiados pela desordem, pelos desmandos. Pelo caos. Estamos viciados na desordem. nos desmandos e no caos. Temos fome e sede de violência.

focamos no ele disse
no disseram que te disse que lhes disse
o que disse e o que não disse
cara
caretice

focamos no que está errado e por isso vemos tudo errado

Assim como dois mais dois são quatro, o objeto sobre o qual focamos fica iluminado, arejado, regado. Dá frutos, como rege a lei da vida.

Enquanto isso, ainda como dois mais dois são quatro, o objeto sobre o qual deveríamos focar, ou aquele que dizemos almejar, fica na escuridão, abafado, ressequido. Como rege a lei da vida.

É urgente que olhemos para nós mesmos com coragem, lealdade e cumplicidade, e que decidamos sobre o quê realmente queremos focar. Não há certo, não há errado; só coerência ou a falta dela.

E antes que eu me esqueça: se nossos egos não aproveitarem a bendita dor para se curvarem, nós quebraremos.
Ao menos eu, com certeza quebro.

“Não é só a morte que nivela; a loucura, o crime
e a moléstia passam também a sua rasoura
pelas distinções que inventamos.”
Lima Barreto
Policarpo Quaresma

“Nasci pobre, mulato e livre”
Lima Barreto
falando de si


Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, foco seu olhar nos artigos para o Blog do Mílton Jung

Vermelho Valentino para sua mãe

 

Por Dora Estevam

Se eu tivesse que oferecer um estilista de presente para uma mãe ou se eu fosse esta mãe, com certeza seria o italiano Valentino. O estilista que rompeu definitivamente o monopólio parisiense da moda e seduziu o mundo com criações luxuosas e femininas.

Eternamente vermelho.

Valentino abre 1

Quantas vezes você chegou a ver os vestidos maravilhosos de Valentino no tapete vermelho da festa do Oscar?

Vestidos deslumbrantes usados por mulheres indiscutivelmente elegantes como Audrey Hepburn, Jacqueline Kennedy e a princesa Diana. Na agenda contemporânea, Claudia Schiffer, Sharon Stone e Linda Evangelista.

Atualmente, as coleções assinadas por Valentino vão além de moda feminina e masculina, suas charmosas criações se expandiram para acessórios como perfumes, relógios, óculos e bolsas.

Sem dúvida o século 20 foi incrivelmente especial para o estilista que expandiu seu império para além da Itália, abriu lojas na França, Inglaterra, Japão, Estados Unidos, Coréia Indonésia, entre muitos outros países.

Valentino MeioQuando se fala em moda a impressão que dá é que tudo são flores, mas você imagina o que Valentino passou para chegar no topo da alta-costura?

Valentino Clemente Ludovico Garavani, nascido na cidade de Voghera, em 1932, teve que romper muitas barreiras a começar pelo monopólio parisiense que não admitia estilistas estrangeiros.

Valentino terminou os estudos em Milão, onde aprimorou seu conhecimento em arte e escultura, depois foi estudar em Paris  na Chambre Sybdicale de la Haute Couture. Na capital, aproveitou para fazer um estágio e algumas aulas de dança e teatro.

Ai você me pergunta, de onde vem afinal a inspiração para o estilista gostar tanto de vermelho? Bem, ainda nesta ocasião, o jovem Valentino começou a frequentar a Ópera de Barcelona, ao notar que a maioria das roupas dos trajes  usados em cena era vermelha, ele se deu conta que depois do preto e branco não existia cor mais bela.

Enfim, estamos falando de uma época muito elegante, La Dolce Vita italiana. Em 1957, com 27 anos, Valentino abriu seu próprio ateliê em Roma e lançou seu primeiro desfile solo. O impacto foi grande, até a atriz Elizabeth Taylor largou tudo para assistir, depois disso ela encomendou um vestido para a premiere de Spartacus. Faz ideia?

Dai em diante as estrelas Ornella Mutti, Sophia Loren e Mônica Vitti se encantaram com o jovem italiano.

Nos anos 60, a moda londrina invadiu o mercado com as criações de Mary Quant e com isso os preços da alta-costura baixaram muito. Valentino esperto que era, deu um verdadeiro golpe de mestre, preparou a sua coleção prêt-à-porter, se dedicou mais a criação e expandiu a marca.

Em 1968, ele costurava para as mulheres de políticos e as mais famosas atrizes, sem contar que fez o vestido de casamento da amiga dele Jacqueline Kennedy.

Valentino Abre

Valentino sempre foi inteligente e soube aproveitar as oportunidades e as mudanças de cada época. Digo isso, porque já em 70, com todas as mudanças sobre as quais falamos nesta coluna, ele criou peças incríveis com estampas extravagantes com leopardos, zebras e girafas, vestidos suntuosos de noite e não poupava plumas, paetês e bordados.

Em 2008, Valentino se aposentou, mesmo dizendo que não conseguiria ficar longe das tesouras. A marca ele já havia vendido para uma empresa britânica.

Talento e criatividade nunca faltaram para o mestre italiano que  sempre surpreendeu com suas criações arrojadas e sempre femininas.

Seduziu  mulheres do mundo inteiro. Porque sempre soube traduzir os sentimentos tão delicados, sofisticados, glamorosos e luxuosos.

As mães merecem um homem assim.

Dora Estevam é jornalista, escreve ao sábados no Blog do Mílton Jung e, mãe, fala em causa própria na coluna de hoje.